MARCELO ALCOFORADO - A PROPÓSITO

NADAR NÃO É TUDO

Diz-se que o papa Francisco e o presidente Jair Bolsonaro estavam em uma pequena embarcação apreciando a beleza da baía da Guanabara, quando subitamente uma rajada de vento lançou ao mar o solidéu papal. Tripulantes, seguranças e até funcionários da cozinha, todos os presentes, enfim, revelavam grande preocupação, menos um dos presentes, exatamente o presidente do Brasil.

Com aquela voz aveludada que todos conhecemos, anunciou o presidente: “Deixem que eu vou buscar!” e em seguida atirou-se às águas revoltas. O pasmo foi indizível. Uns se apressaram a buscar roupas secas, outros a atirar salva-vidas…

Pois saiba que nada disso foi necessário.

Em vez de ficar ensopado, ele caminhou sobre as águas, apanhou o solidéu e logo chegado à embarcação entregou ao Santo Padre o chapéu sagrado.

Àquela altura o silêncio era ensurdecedor, diria Nelson Rodrigues. Não se ouvia sequer a respiração dos presentes. Nem mesmo o papa aproveitava para anunciar um milagre. Combinou-se, então, que ninguém diria nada a respeito, mas a notícia vazou e logo a imprensa começou a cobrir o milagre, com uma manchete impactante: “Bolsonaro não sabe nadar”!

Muitas vezes, a ficção se dedica, ainda bem, a desnudar a realidade, e como tal reconheça-se que nenhum presidente, ao menos na história recente do Brasil, foi alvo de tanta má vontade por parte da mídia nacional e internacional. A manchete de hoje do espanhol El País, por exemplo é clara: “La Amazonia sin ley” de Bolsonaro.

É verdade que o presidente brasileiro indica ser despreparado para cargo tão importante. É também verdade que se trata de um homem rude, incapaz de conquistar aliados, mas é igualmente verdade que Jair Bolsonaro não tem seu nome associado a condutas criminosas, ainda que esteja com merecido destaque nas condutas censuráveis. Dos males, o menor.