LEONARDO ARRUDA - O ÚLTIMO DINOSSAURO DA DIREITA NACIONALISTA

JOSÉ E A ESTRADA

Meus caros leitores Fubânicos,

Dada a repercussão de meu último artigo (Guedes Pediu Paciência), concluí que meus digníssimos leitores estão precisando ter um curso prático de economia.

Segue aqui a aula nº 1.

Como se trata de um curso de Economia Prática, vou lecionar através de exemplos didáticos. O título dessa primeira aula é “José e a estrada”.

Era uma vez um fazendeiro chamado José. José tinha uma enorme fazenda de gado que herdou de seu avô. Esta fazenda situava-se entre dois municípios, com parte das terras no município A e parte no município B.

Um dia um sobrinho de José deu-lhe a seguinte ideia maluca: “Ei tio, porque você não constrói uma estrada entre as cidades A e B em suas terras e lucra cobrando pedágio?”

José ficou pensando naquilo e concluiu que era uma boa ideia. Encomendou, então, dois estudos. Um de uma empresa de engenharia para orçar o custo de construção da estrada e outro de um instituto de pesquisa para avaliar o mercado potencial para a estrada.

O estudo de engenharia apresentou um projeto com um orçamento dentro do que José imaginava. A pesquisa de mercado, entretanto, foi desanimadora. Concluía que o fluxo entre as cidades A e B seria muito pequeno, algo em torno de um veículo por hora.

José concluiu que a estrada era inviável, dado que um pedágio razoável não pagaria os custos da estrada nem em 100 anos. O sobrinho ainda insistiu “Mas tio, depois que a estrada estiver aberta esse fluxo vai aumentar e em 10 anos você recupera o investimento.”

Mas José disse ao sobrinho sonhador: “É muito arriscado. Pode ser que sim ou pode ser que não. De qualquer forma não posso esperar 10 anos. Além disso, se eu investir em meus boizinhos ganho a mesma coisa mais rápido e com muito mais segurança.

José está errado? Claro que não. Qualquer um de nós agiria da mesma forma.

Um belo dia chega um mensageiro do governo estadual e diz para José. “Sr. José, em nome do interesse público o estado vai desapropriar uma faixa de suas terras para a construção de uma estrada ligando a cidade A com a cidade B. O Sr. será devidamente indenizado por um valor justo”.

Essa questão do valor justo é muito relativa, mas se José for amigo do governador pode até obter um valor bem mais “justo” que o razoável. Afinal estamos no Brasil.

A estrada foi construída e no começo, de fato, o fluxo era baixíssimo como o estudo previra. O que o estudo não previu foi que as terras de José que margeiam a estrada tiveram enorme valorização.

Como o sobrinho previu, em pouco tempo o fluxo de veículos aumentou e as duas cidades tiveram um grande desenvolvimento. José também ganhou muito dinheiro com os loteamentos e os galpões industriais que ele montou às margens da rodovia. O estado também lucrou porque passou a arrecadar muito mais impostos naquela região. E assim todos viveram felizes para sempre.

Todos? Não, claro que não. Uma ONG de ecologistas patrocinada por George Soros criou o maior caso com a construção da estrada e tentaram por todos os meios embargar a obra. A justificativa era que a estrada iria afetar a vida sexual do louva-deus de asa roxa, que vive apenas naquela região. Apesar do Ministério Público apoiar a iniciativa dos ecologistas, o tribunal deu ganho de causa ao estado e a estrada foi construída.

Dez anos depois a estrada já merecia uma duplicação. Entretanto o governo estadual estava totalmente quebrado, com uma dívida impagável da aposentadoria do funcionalismo público.

Diante disso o governador decidiu que iria privatizar a estrada através de uma concessão por 30 anos e a condição que a concessionária duplicasse a via.

Assim foi feita uma licitação pública e uma grande empresa chinesa adquiriu a concessão.

Pergunta para meus alunos: o que o governador deve fazer com o dinheiro obtido com a concessão?

Resposta A: Abater a dívida com a aposentadoria do funcionalismo;

Resposta B: Usar o dinheiro para construir nova estrada em outra região;

Resposta C: Construir uma sede mais luxuosa para a prefeitura.

Meus alunos fubânicos mais inteligentes já perceberam que a resposta correta é a B. Se o dinheiro for usado na construção de outra estrada, mais desenvolvimento será gerado, mais impostos serão recolhidos e aos poucos, a dívida do funcionalismo será saldada.

O que podemos extrair dessa lição?

1) A iniciativa privada não investe onde o risco é alto e o retorno é lento, características típicas das obras de infraestrutura.

2) Cabe ao Estado investir nessas obras que são multiplicadoras e geram desenvolvimento para todos.

3) O dinheiro arrecadado com a privatização da infraestrutura deve ser aplicado em mais infraestrutura e não para pagar dívidas impagáveis.

Por acaso isso é socialismo? Não amiguinhos, o nome disso é Economia Real.

Com essa aula vocês passaram a saber mais de economia que Paulo Guedes.

E nem precisaram fazer curso em Chicago.

Saudações fubânicas do

Professor Dinossauro

LEONARDO ARRUDA - O ÚLTIMO DINOSSAURO DA DIREITA NACIONALISTA

GUEDES PEDIU PACIÊNCIA

O ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu ontem (12/ago/19) políticas de liberalização econômica e pediu paciência para que as reformas comecem a mostrar resultado na recuperação do país.

“Dê um ano ou dois, dê um governo, dê uma chance de um governo de quatro anos para a liberal-democracia. Não trabalhem contra o Brasil, tenham um pouco de paciência”, disse Guedes durante um seminário sobre a Medida Provisória da Liberdade Econômica (MP 811/2019) no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.

Em sua fala, Guedes fez uma longa defesa de políticas liberais contra o “atraso cognitivo” que, segundo ele, nos últimos 30 anos de social-democracia, levou o Brasil de uma economia dinâmica à estagnação. “Espera quatro anos, vamos ver se melhora um pouco, nos deem chance de trabalhar também”, afirmou.

* * *

Tá bom, Paulinho, seremos pacientes.

Mas quanto tempo devemos esperar? Vinte anos? Cinquenta anos? Antes disso o país acaba. Isto é: teremos uma convulsão social.

Mas você não verá isto acontecer porque vai para casa curtir seu fracasso em dezembro de 2022. Você será o único culpado pela derrota de Bolsonaro nas próximas eleições e o responsável pelo retorno da esquerda demagógica ao poder. Isso não te preocupa?

Não venha dizer que nossos problemas foram causados pela “social-democracia” pois nunca tivemos isso no Brasil. Social democracia é coisa de país desenvolvido. O que tivemos por aqui foi uma cleptocracia incompetente, inclusive graças a neo-liberais como seus amigos Nelson Barbosa, Joaquim Levy e Henrique Meirelles, que jogaram a pá de cal na economia no final do governo Dilma/Temer.

Veja o mal que sua teoria econômica rasteira e medíocre está causando ao país. Seu credo que o “Deus Mercado” libertará o espírito empreendedor dos brasileiros e trará a prosperidade não passa de um mito. Esse Deus Mercado não existe. Fazer uma pajelança para que investidores estrangeiros venham promover nosso desenvolvimento é também mais um culto pagão sem resultados práticos. Eles vêm, sim, mas para comprar o que já está construído, nossa infraestrutura energética, nosso petróleo já descoberto, etc. Não vão botar um tostão para criar coisas novas. Empreendedores investem para explorar mercado, não para criar mercado. Simples assim. Quem cria mercado é o Estado. Não te ensinaram isso lá em Chicago? Ou você faltou a aula nesse dia?

Se você conhecesse um pouco de economia política (e um pouquinho da história do Brasil) você saberia que sem o Estado como indutor não há desenvolvimento. Desafio você a mostrar ao povo brasileiro um país no mundo (basta um único país) que tenha se desenvolvido sem forte atuação do Estado como indutor e protetor das atividades econômicas.

Durante o período militar, mesmo com a forte influência liberal de Roberto Campos, os governantes perceberam que nada poderiam esperar da iniciativa privada e saíram criando empresas estatais para suprir o país da infraestrutura tão necessária. Não Paulinho, os milicos não eram socialistas ou comunistas. Eram de direita, mas não eram burros. Entenderam que o Estado cria o mercado e depois a iniciativa privada vem atrás para explorar este mercado. É (foi) assim no mundo todo.

Você viu o que aconteceu na Argentina ontem? (12/ago/19) É a esquerda demagógica preparando sua volta ao poder. Eles estão dizendo: “estamos aqui para limpar as atrocidades cometidas pelos liberais”. Não vão limpar nada, mas eu entendo o raciocínio dos Argentinos: melhor um ladrão que traz o desenvolvimento que um honesto que só trouxe a bancarrota.

Essa desgraça vai acontecer porque seu amiguinho Maurício também comunga pelo mesmo credo do Deus Mercado. Ele “arrumou a casa” acabando com subsídios absurdos, restaurando a confiança nos índices de inflação entre outras medidas saneadoras. Tal como você está fazendo com a reforma trabalhista, a reforma fiscal, a desburocratização, etc. Estas são medidas necessárias, mas não suficientes para alavancar o desenvolvimento. O fato da casa estar arrumada não faz que investimentos caiam do céu como um maná moderno.

Noto que sua amiga, Míriam Leitão, escreveu um artigo no GLOBO em seu apoio dizendo que a Argentina é diferente do Brasil. Não Paulinho, o efeito Orloff existe de fato. A Argentina de hoje é o Brasil de amanhã. Se as políticas neo-liberais são as mesmas, o efeito será o mesmo. Esta é uma regra científica.

Sugiro que você leia um pouco sobre economia. Que tal começar pelo básico? Recomendo o livro Sistema Nacional de Economia Política, publicado em 1841 pelo economista alemão Friedrich List. É bem primário, mas depois deste posso indicar outros autores mais modernos.

Espero que você se instruindo possa entender que um país não é uma corretora de valores mobiliários, que macro-economia é muito diferente de micro-economia. Recomendo também um pouco de humildade para copiar o que está dando certo nas economias da China, Coreia do Sul e Índia. Copiar não é motivo de vergonha. Não pense que você é mais inteligente que os orientais. Esqueça Chicago e copie descaradamente o que eles estão fazendo.

Faça isso pelo bem do Brasil ou, pelo menos, para seu próprio curriculum.

Saudações angustiadas do Dinossauro

LEONARDO ARRUDA - O ÚLTIMO DINOSSAURO DA DIREITA NACIONALISTA

DUAS CIDADES IRMÃS (com uma sutil diferença entre elas)

Neste momento em que toda mídia amestrada dá enorme destaque ao atentado irracional com arma de fogo na cidade de El Paso nos EUA, lembrei-me deste artigo que escrevi em janeiro de 2013 e que compartilho com os ilustres leitores da Besta Fubana para que reflitam sobre o direito de possuir armas.

Outro dia, por acaso, li uma notícia interessante. A notícia dizia que, em 2010, a cidade de El Paso, no Texas (EUA), com cerca de 800 mil habitantes, foi considerada a cidade com a menor criminalidade dos EUA (dentre as cidades com mais de 500 mil habitantes).

Para uma pessoa desatenta, ou sem conhecimentos de geografia, essa notícia não atrairia atenção. Afinal, é de se imaginar que uma pequena cidade do interior dos EUA deve ser mesmo tranquila. O que despertou minha curiosidade é que El Paso situa-se às margens do Rio Grande, na fronteira entre EUA e México. No outro lado do rio, na margem mexicana, situa-se Ciudad Juárez, uma das mais violentas cidades do mundo.

A classificação foi dada pela empresa CQ Press, uma instituição de pesquisa independente que faz este “ranking” anualmente. Desde 1997 El Paso vinha ocupando o segundo ou terceiro lugar nessa pesquisa, chegando ao primeiro lugar em 2010.

Por outro lado (do outro lado do rio), Ciudad Juárez vem sendo classificada como a “Capital Mundial do Crime”, com a média de 148 assassinatos anuais por cem mil habitantes, além de diversos outros tipos de crimes como roubos, furtos, estupros, sequestros, etc. De acordo com a organização civil mexicana Consejo Ciudadano para la Seguridad Pública (CCSP), Juárez é a cidade mais violenta do mundo.

Recentemente (em 2011), este título, nada honroso, foi alcançado pela cidade de San Pedro Sula, em Honduras, que atingiu a impressionante marca de 159 assassinatos por cem mil habitantes e, assim – ao menos temporariamente – destronou Juárez do primeiro lugar.

Isso é muito curioso pois Juárez e El Paso eram a mesma cidade (chamada de El Paso del Norte) até o Tratado de Guadalupe Hidalgo, de 1848, quando o Rio Grande passou a fazer a fronteira entre EUA e México. A cidade propriamente dita ficou na parte mexicana, ficando apenas algumas instalações militares semi-abandonadas na margem norte que serviam para rechaçar os ataques dos índios Apaches e Comanches. Essas instalações formaram a base inicial da cidade norte-americana de El Paso. Em 1888 a cidade mexicana foi renomeada para Juárez em homenagem a Benito Juárez, o líder republicano que liderou a luta contra os franceses.

Até 1930 não havia qualquer restrição ao deslocamento entre as duas margens do rio e 80% da população de El Paso é de origem latina (sendo 75% de ascendência mexicana). Fala-se muito mais espanhol em El Paso que inglês. O intercâmbio entre as duas cidades é também muito intenso, como seria de se esperar. Em 2008 houve 22,9 milhões de travessias registradas nos postos de fronteira.

Com esse passado comum, essa uniformidade étnica e toda essa integração (até a culinária é igual), porque a diferença tão gritante nos índices de criminalidade entre as duas cidades irmãs?

Bem, entre as duas há uma sutil diferença. El Paso é uma cidade norte-americana e se beneficia da Segunda Emenda da constituição dos EUA que garante o livre acesso às armas de fogo a todo cidadão. Além disso, o estado do Texas adota a lei do porte de arma não discricionário, ou seja: se você é um cidadão de bem, a polícia não pode negar-lhe uma licença de portar armas.

Já na margem sul do rio, Juárez é regida pelas draconianas leis de armas mexicanas – tão draconianas quanto as brasileiras. Ou seja: a população é deixada indefesa diante dos criminosos. Eis aí a sutil diferença que explica a disparidade dos índices de criminalidade entre as duas margens do rio.

É claro que os anti-armas não aceitarão essa explicação e argumentarão que a culpa é dos cartéis de traficantes de drogas que infestam Juárez. De fato, o tráfico de drogas é uma das principais causas da violência em Juárez. Entretanto, este argumento por si só é fraco, pois se existem traficantes na margem sul, da mesma forma existem traficantes na margem norte do rio. Afinal, toda droga que chega em Juárez tem como destino final o mercado dos EUA e alguém tem de fazer a distribuição neste país. Portanto, a cada quadrilha existente na margem sul, existe uma similar (quando não a mesma) na margem norte. Como explicar que as quadrilhas na margem norte são “bem comportadas” enquanto as quadrilhas da margem sul são violentas?

Mas se hoje El Paso é uma cidade pacífica, nem sempre foi assim. No século XIX, El Paso del Norte era um local distante da civilização para onde acorriam aventureiros e procurados pela justiça dos EUA e México. Lá havia salteadores de diligencias, xerifes corruptos e ladrões de gado – tudo aquilo que vemos nos “filmes de bang-bang”.

Porque ocorreu a pacificação em El Paso e porque o mesmo não se deu em Juárez?

É fácil explicar. Após inúmeras pesquisas feitas por diferentes instituições no mundo, hoje sabemos que em qualquer sociedade (independente do país, região, cultura, economia ou etnia) o percentual de indivíduos delinquentes gira em torno de 1%. À medida que a população de El Paso foi crescendo, a proporção entre delinqüentes e cidadãos ordeiros (e armados) foi se aproximando do índice universal e assim esses fora-da-lei foram tendo suas ações cada vez mais reprimidas.

O mesmo fenômeno ocorria em Juárez, mas a partir do século XX as leis de armas mexicanas foram pouco a pouco se tornando cada vez mais restritivas, até chegarmos ao ponto em que estamos hoje, onde é praticamente impossível um cidadão comum possuir uma arma legalmente. O processo de pacificação foi então se revertendo e, com a chegada das drogas a partir da década de 60 do século passado, a parcela delinquente simplesmente ficou incontrolável.

Em 2012 o prefeito de Juárez vangloriou-se que, sob seu mandato, os índices de criminalidade estavam baixando, graças a um enorme gasto com forças de segurança. Enquanto em El Paso a pacificação foi um processo natural, com pouco custo para os contribuintes, em Juárez o Estado Mexicano está gastando uma fortuna, haja vista a grande quantidade de tropas do exército e da polícia federal mexicana deslocadas para a cidade.

Finalizando, convido o leitor a uma reflexão. Se tivesse de escolher uma dessas cidades para viver, em qual delas preferiria instalar sua família? Em El Paso, onde prevalece a “Cultura das Armas” (*) e nunca se sabe se a pessoa ao lado está ou não armada, ou em Ciudad Juárez, onde prevalece a “Cultura da Paz” (*) e os cidadãos certamente estão desarmados?

(*) Termos usados pelas ONGs anti-armas.

Saudações jurássicas do Dinossauro

LEONARDO ARRUDA - O ÚLTIMO DINOSSAURO DA DIREITA NACIONALISTA

GRANDE NEGÓCIO (2)

Negociata é um bom negócio para o qual não fomos convidados!
Apparício Torelli – O Barão de Itararé.

No artigo de ontem recomendei a meus prezados leitores que adquirissem ações da BR Distribuidora. Hoje venho alertá-los sobre o momento certo de vender essas ações.

Quando Bolsonaro deixar a presidência e Paulo Guedes for apenas uma lembrança ruim, um grupo de maganos, possuidores de ações da BR, vai procurar o novo presidente com a seguinte argumentação: Sabe presidente, nós andamos pensando no assunto e concluímos que esse negócio de distribuição de combustíveis não é o nosso “core business”. Assim queremos vender nossas ações de volta para a Petrobrás. Se a Petrobrás recomprar nossas ações, uma comissão justa será depositada numa conta numerada na Suiça para você e para o presidente da empresa.

Então, imbuído do mais elevado espírito patriótico, o novo presidente fará um discurso em cadeia nacional dizendo que Bolsonaro foi um irresponsável em privatizar uma empresa da importância estratégica da BR Distribuidora e que, pensando no interesse público, ele irá reparar este erro histórico. Assim a Petrobrás recomprará destes maganos suas ações pagando alguma coisa em torno de 300% acima do valor da venda em 2019. Grande negócio!

É claro que os pequenos investidores como você e eu ficarão indignados, não só porque ninguém vai nos comprar as ações pelo mesmo valor, como também o preço das ações em bolsa cairá em cerca de 50% por causa da reestatização. Nesse momento aparecerá um renomado escritório de advocacia propondo que os acionistas minoritários fundem a Associação dos Acionistas Minoritários da BR Distribuidora (AAMBRD) para entrar com ações na justiça e na Comissão de Valores Mobiliários exigindo o “tag along”, isto é: que a Petrobrás compre as ações dos minoritários pagando o mesmo que pagou aos maganos. É claro que este escritório cobrará seus honorários adiantado e muitos brasileiros que acreditam em Contos da Carochinha vão cair nessa.

Após cerca de 12 anos de embromação, um juiz do STF, do alto de seu notório saber jurídico, proferirá uma sentença sábia: Trata-se de uma decisão gerencial da empresa que decidiu retomar o controle acionário da distribuidora. Assim ela não pode ser obrigada a adquiri mais que o número mínimo de ações necessárias a exercer esse controle. Pode haver sentença mais perfeita? Irretocável, sem dúvida.

E assim, leitor, se você não vender suas ações na hora certa ficará com o mico na mão. Como sei que isto vai acontecer? Ora, porque vi exatamente isso acontecer na área petroquímica do país (várias vezes). É o famoso Capitalismo de Compadrio em ação: o Estado vende barato e compra caro (de poucos privilegiados, é claro).

Os cariocas com mais de 50 anos devem se lembrar da reestatização da Light. Esta empresa é a responsável pela distribuição de energia elétrica na cidade do Rio de janeiro e alguns outros lugares. Havia um contrato de concessão deste serviço por 70 anos com a empresa canadense Brascan (atual Brookfield). O contrato estipulava que, ao final do período de concessão, toda a infraestrutura da empresa seria de propriedade do estado do Rio de Janeiro, não cabendo nenhum ressarcimento à concessionária. A medida que o contrato se aproximava do fim, a Brascan deixou de investir em infraestrutura e manutenção e os serviços pioraram consideravelmente. Assim, em 1979, faltando apenas três anos para o contrato vencer, o então ministro de Minas e Energia, Shigeaki Ueki, imbuído do mais elevado espírito púbico, pensando no bem-estar da população do Rio de Janeiro e levando em conta os péssimos serviços da empresa, decidiu reestatizar a Light, indenizando a Brascan por toda infraestrutura construída durante o período de concessão. Isso é que é um homem público de princípios.

Assim, leitor, entendo que devemos aproveitar as oportunidades que a vida nos apresenta. Ganhar dinheiro não é pecado (já dizia o Bispo Macedo). Só não podemos ser otários. A BR Distribuidora, com um mínimo de gerenciamento adequado, pode pagar dividendos bem maiores do que você ganharia num fundo de investimentos de seu banco que, quando muito, entrega apenas o CDI.

Só é preciso ficar atento ao momento de sair do barco. Este momento pode ser após as eleições de 2022 ou, certamente, em 2026.

Saudações Jurássicas.

LEONARDO ARRUDA - O ÚLTIMO DINOSSAURO DA DIREITA NACIONALISTA

A AMAZON E A CURA GAY

Na sexta feira, 28 de junho passado, a Amazon parou de vender livros que descreviam métodos para curar homossexualismo e desejos inconvenientes por pessoas do mesmo sexo.

Entre os títulos censurados pela Amazon estão:

•Heterosexuality: True Stories, (Heterossexualidade: Histórias reais) pelo psicologista mexicano Everardo Martínez Macías

•A Parent’s Guide to Preventing Homosexuality, (Guia dos pais para prevenir o homossexualismo) por Joseph Nicolosi

•Healing Homosexuality,(Curando o homossexualismo) também por Joseph Nicolosi

•How a Gay Boy Became a Straight Man, the testimony of American David Robinson (Como um rapaz gay tornou-se hetero, o testemunho do americano David Robinson)

•The Battle for Normality: A Guide for (self-) Therapy for Homosexuality, (A batalha pela normalidade: um guia para a auto-terapia para o homossexualismo) por Gerard van den Aardweg

Em todos os casos os autores receberam um curto e-mail dizendo que eles violaram a política de conteúdo da Amazon.

Essa política (normas da empresa) proíbe expressamente a pornografia ou outro material com “conteúdo impróprio”. Os autores não foram informados sobre qualquer outro detalhe sobre a suposta violação das normas da empresa.

Everardo Martínez escreveu um e-mail pedindo explicações sobre como ele poderia ter infringido as normas da empresa, mas a resposta que recebeu foi vaga e não específica.

O curioso é que a Amazon vende livros sobre como cometer suicídio, livros do Marquês de Sade apresentando todos os padres como assassinos e estupradores, livros de Hitler, mas recusa-se a vender de livros de auto-ajuda sobre como evitar atrações sexuais indesejadas.

O filho de Joseph Nicolosi declarou: “Na Amazon pode-se comprar qualquer livro escrito no mundo – desde a Bíblia até Minha Luta de Adolf Hitler ou, até mesmo um livro glorificando a pedofilia. Desde a semana passada, porém, ninguém mais pode comprar um livro de meu pai sobre como deixar o homossexualismo porque a Amazon baniu todos eles.”

Porque a Amazon subitamente implementou essa censura injustificável?

Aparentemente foi por causa de uma campanha do site Change.org que pediu a censura destes livros. 

(Fonte: CitizenGo)

Particularmente eu não acredito em “cura gay”. Mas daí a impedir que as pessoas tentem se modificar vai uma grande distância.

O apavorante dessa notícia é o poder que a minoria LGBT possui hoje em dia nas sociedades ocidentais – uma verdadeira ditadura.

Saudações heterossexuais do Dinossauro.

LEONARDO ARRUDA - O ÚLTIMO DINOSSAURO DA DIREITA NACIONALISTA

GRANDE NEGÓCIO!

Nesta semana a Petrobrás vendeu sua distribuidora de combustíveis, a BR.

Que maravilha, não é mesmo? O Estado ineficiente saiu e deixou que a eficiente iniciativa privada assumisse o controle da empresa. A Globo News aplaudiu, assim como todos os agentes do “mercado”. Agora todos seremos felizes para sempre.

Eu, como bom capitalista, também comprei um modesto lote de ações dessa mina de ouro. Aconselho aos leitores a comprar também. É um negócio que a médio prazo não tem como dar errado.

Mas, como patriota que sou, fico pensando: terá sido bom para o país? E para os consumidores de gasolina e diesel? Foi bom para eles também?

Vejamos alguns aspectos da transação: a Petrobrás arrecadou R$9,6 bilhões, o equivalente a mais ou menos US$2,5 bilhões. Só como comparação, este foi o valor que a AES pagou pela Eletropaulo que, cá entre nós, nem se compara em tamanho ou valor estratégico com a BR. O mercado de combustíveis e lubrificantes no Brasil é o terceiro maior do planeta, perdendo apenas para EUA e China. A Petrobras Distribuidora é líder neste mercado (37,6%) com mais de 8 mil postos de serviço, atuando também com as franquias de conveniência BR Mania e Lubrax+. No mercado B2B (empresas), seu portfólio inclui aproximadamente 14 mil grandes clientes, em segmentos como aviação, asfaltos, transporte, produtos químicos, “supply house” e energia.

A Petrobras Distribuidora foi a campeã da categoria “Atacado” na 45ª edição do prêmio “Exame Melhores & Maiores”, mais abrangente e detalhada análise das 1.000 maiores empresas do Brasil relativamente ao ano de 2017. A empresa também ganhou em 2018 o “Prêmio Época Reclame Aqui – As Melhores Empresas Para o Consumidor”, na categoria “Distribuidora/Postos de Combustíveis”, ou seja: além de grande a empresa é bem avaliada pelos consumidores. Mas não é só. A empresa também foi a vencedora na categoria Geral de Governança Corporativa e o destaque em Conselho de Administração na Área de Governança, na premiação “Empresas Mais 2018”, do jornal “Estado de S. Paulo”, realizada em setembro passado. No segmento de aviação, a empresa foi contemplada pelo seu programa de ecoeficiência “Aeroporto Verde” no 5º Prêmio Top Socioambiental e de RH, promovido pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB). Não deixa de ser curioso como uma estatal “ineficiente” ganha todos esses prêmios.

Quando a Petrobrás foi criada, em 1953, foi criado concomitantemente o monopólio estatal do petróleo. Por pressão internacional sobre Getúlio Vargas, o segmento de distribuição de combustíveis ficou fora do monopólio. Lembro que antes do primeiro choque do petróleo a distribuição era o segmento mais rentável da cadeia do petróleo e no México, por ocasião da criação da PEMEX, a distribuição também foi estatizada.

Até que, em 1960, alguém pensou: – bem, não é monopólio mas a Petrobrás não é impedida de disputar este mercado. E assim foi criada a BR Distribuidora, competindo com todas as outras distribuidoras que já existiam no país. Seu primeiro posto de serviços foi montado na recém fundada Brasília, em 1961, onde por muitos anos foi a única empresa a se interessar por aquele mercado incipiente. Em outras palavras: a BR sempre disputou mercado com outras empresas nacionais e multinacionais e sempre se saiu bem. Nada mal para uma estatal.

Aliás, quanto a isso, há um fato que sempre me intrigou. Como a BR consegue competir com as demais distribuidoras em atuação no Brasil e ainda apresentar lucros fabulosos. Lembro que a BR é a única distribuidora que atua nos mais remotos confins do país. Lá onde “Judas perdeu as botas” só existe posto BR. Será que os “gringos” da Shell (que só atua nas grandes capitais do país) ou os “brazucas” da Ipiranga e outras não sabem vender combustíveis? Ou será que a lucratividade dessas empresas é artificialmente menor para evitar pagar impostos? Fazer elisão fiscal é complicado para uma estatal, mas agora que ela é privada, algo me diz que observaremos um decréscimo em sua lucratividade.

Outro aspecto que me deixou intrigado: quanto foi pago pela marca BR? Todos sabemos que a marca é um ativo intangível valiosíssimo. A marca Coca Cola, por exemplo, vale mais que todos os bens físicos da empresa, o mesmo se dá com a Nike ou a Apple. A BR e o lubrificante Lubrax ganharam três prêmios na edição 2018 do “Top of Mind”, promovido pelo jornal Folha de São Paulo, na categoria “Combustível”, a BR teve 24% dos votos, à frente de Shell (13%) e Ipiranga (11%). Com toda propaganda negativa da mídia amestrada contra a Petrobrás, a empresa Interbrands avaliou em 2018 em R$3,07 bilhões o valor de sua marca. (em 2011, antes da LavaJato, este valor era de R$11,6 bilhões). Pois é leitor, com a venda da empresa na bolsa de valores a valor de mercado, a marca BR foi entregue para os compradores a custo zero.

Devemos observar também que a Petrobrás cedeu o controle da empresa. Não ficou nem com uma “Golden Share” para evitar qualquer loucura. Apenas como exercício intelectual, vamos supor que os novos donos da empresa resolvam fazer um “cartelzinho” com as outras empresas que são muito menores que ela. Evidentemente será um cartel informal. Quem vai impedir? Como estatal a BR podia regular o mercado com sua atuação. Antes a BR era uma garantia, agora será uma ameaça.

Quando se vende o controle de uma estatal, o Estado pode estabelecer algumas condições, como por exemplo, a empresa precisará comprar X% de seu suprimento no país. Da forma que foi feita a venda, pulverizada, não há como estipular nenhuma condição. Os novos donos estão livres de qualquer obrigação, podendo estipular o preço que quiser pela gasolina e pelo diesel assim como comprar no exterior todos os derivados de petróleo. Em outras palavras, todas as refinarias nacionais ficaram reféns deste gigante. Todos sabem que o governo está forçando a Petrobrás a vender suas refinarias. Agora já sabemos quem vai comprá-las e que o preço será uma pechincha. Alguém duvida?

Bem, como disse antes, recomendo a todos comprar ações da BR. Não só é um bom negócio como também é a única forma de não sentirmos raiva toda vez que formos abastecer o carro.

Agradeço ao outro dinossauro nacionalista, André Motta Araújo, pela inspiração

LEONARDO ARRUDA - O ÚLTIMO DINOSSAURO DA DIREITA NACIONALISTA

O ASSESSOR VDM

Todo homem púbico precisa ter um Assessor VDM. Infelizmente é muito difícil encontrar uma pessoa com as características adequadas para exercer essa função. A característica principal desse assessor deve ser a maturidade e o bom senso. Conhecimento de história e traquejo no lidar com a imprensa é fundamental. Outra característica muito importante é a coragem e a honestidade: tem de ser uma pessoa com coragem de dizer não à autoridade (isso não é fácil para ninguém). Mas, evidentemente, é um “não” buscando o bem e a preservação da própria autoridade, dado que ela é permanentemente cercada por aduladores e interesseiros de todo tipo e, naturalmente, fica com uma visão distorcida da realidade.

O Assessor VDM é aquela pessoa que, nos momentos críticos, chega discretamente próximo a autoridade e sussurra em seu ouvido: Vai Dar Merda! Já pensaram como seria bom se o presidente Bolsonaro tivesse um Assessor VDM? Não haveria desgaste com a demissão de Bebiano, não haveria declarações descabidas pró-EUA, não haveria “golden shower”, briga com artistas, etc, etc.

Se ele dispusesse de um Assessor VDM ainda durante a campanha, provavelmente este assessor diria: Não funda o ministério do planejamento com o da economia. Colocar toda a economia do país sob o comando de uma só pessoa é um convite ao fracasso: Vai Dar Merda! Com dois ministros de escolas diferentes, um liberal e um nacionalista, Bolsonaro teria sempre duas opiniões para ajudá-lo a escolher o melhor para o país. Hoje ele só tem uma opinião sobre política econômica e a claque dos aduladores, gente incapaz de contestar a opinião do Kzar da economia.

É uma pena, mas vai dar merda!

* * *

Nota do colunista:

Caríssimos leitores desta inefável publicação.

É com muito orgulho e prazer que aceitei o convite deste mecenas Luiz Berto para escrever uma coluna hebdomadária nesta gazeta escrota.

Nesses tempos neoliberais serei uma voz discordante do lugar comum que assomou toda a mídia “mainstream” brasileira.

Me auto-intitulo dinossauro porque sou da velha corrente nacionalista que prevaleceu no Brasil desde Getúlio Vargas até o fim do ciclo militar. Aos sessenta e nove anos de idade já vi muitos ciclos de privatização/estatização para saber que o Estado sempre vende barato e compra caro seus negócios.

A vida me mostrou que capitalista no Brasil é o dono da padaria, o fazendeiro, a doceira, o dono da oficina, etc. Os realmente ricos não aceitam correr riscos. Eles são adeptos do Capitalismo de Compadrio, uma praga que assola o país desde o tempo colonial.

Eles nunca investem sem ter a garantia do Estado (nós) que não sofrerão prejuízo.

Por minha discordância deste esquema, já fui até chamado de comunista, quando na realidade sou um “capitalista de raiz”.

Enfim, não espero a concordância de todos para o que escrevo. Se fizer alguém pensar sobre o assunto já será uma vitória.

Para iniciar os trabalhos, replico um pequeno artigo que escrevi em março passado quando nosso presidente Bolsonaro inocentemente começou a falar mal de artistas.

Saudações nacionalistas,