GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

PONTO FINAL

Não é possível, em algum momento da vida, deixar de se ser o que se é.

Um árbitro de futebol, por exemplo, que intimamente torce por determinado time, sendo uma pessoa ética e honesta tudo fará para evitar que suas preferências atuem de modo a favorecer a equipe do seu coração.

Porém, todavia, contudo, por mais que se esforce, suas preferências não deixarão de atuar, negativa ou positivamente.

Seus olhos, no caso positivo, poderão perceber uma falta onde ela não existiu, a favor do seu time.

Por outro lado, pode ocorrer a interferência negativa, ou seja, de tanto esforço para não se deixar influenciar a favor do time pelo qual torce, poderá inconscientemente, para não ser injusto, atuar contra ele, deixando de perceber uma falta a favor do seu time quando ela efetivamente aconteceu.

A questão que se coloca é a da necessidade de ter conhecimento de que tudo o que uma pessoa pensa a respeito do mundo, sua escala de valores, seu sistema de crenças, que fazem parte de sua personalidade, que orientam sua forma de agir, de comportar-se e de analisar os fatos e circunstâncias, interferem em qualquer atividade que desempenhe ou vivência que experimente, na família, na escola, no trabalho, no casamento, nas amizades.

Sabendo disso, é possível procurar obter um distanciamento, tão afastado quanto possível, quando se trata de analisar e decidir, de agir ou aguardar.

Hoje, debates em torno dessa particularidade, de como nossos conceitos prévios interferem em nossas ações, se tornam mais vivos quando gravações de conversas mantidas entre juiz e ministério público revelam o grau de interferência que esses pré-conceitos imprimiram no andamento de processos judiciais de que participavam, como julgador e parte.

Tal revelação procura ser contestada por alguns que propõem que a despeito dos diálogos comprometedores, as provas nos processos existem e não podem ser ignoradas pelo fato de juz e procuradores terem demonstrado algum grau de parcialidade.

Equivale a dizer: sim, eles demonstraram parcialidade, mas essa parcialidade não serviu para dar maior caráter condenatório às provas do que elas por si tinham.

Esse argumento possui algumas fragilidades, sendo a primeira delas a da imposição legal a respeito da parcialidade e imparcialidade do juízo, que serve também para a questão do aconselhamento e combinações entre juiz e partes: A ação conduzida por juiz cuja parcialidade for demonstrada é nula. Ponto final.

A segunda fragilidade, não menos importante, consiste no fato, psicológico, apontado: conceitos prévios do juiz que interfiram no seu julgamento o tornam suspeito para atuar.

Está certo que essa suspeição não pode ser tomada como absoluta, pois se o fosse juízes teriam de ser afastados com enorme frequência, pois estariam sempre afetados por suas convicções políticas, filosóficas, religiosas, esportivas, morais e tudo o mais, enfim.

Sim, porém.

É que se existirem esses conflitos apenas internamente, entre o juiz, suas preferências e a causa que deva julgar, em geral sua capacidade de minimizar suas posições pessoais agirá a ponto de garantir a isenção o mais ampla possível.

Contudo, uma vez que esse conflito for revelado socialmente, publicamente, não é mais possível ignorá-lo: a ação judicial está prejudicada (o termo “prejudicada” tomado aqui em sua acepção comum).

Meus leitores sabem a que estou me referindo. Ainda que esteja falando em tese, sabem que trato do caso do julgamento das ações de Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito da Operação Lava Jato em Curitiba.

E creio que mais não foi dito nem seria preciso falar se não fosse a recente decisão da 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo (16set2019) a respeito de mais um escalafobético processo promovido pela Lava Jato contra Lula (e seu irmão, Frei Chico), de que todos têm conhecimento.

A decisão diz que a denúncia é inepta e que não é preciso ter aguçado senso de justiça, bastando um pouco de bom senso, para perceber que a acusação está lastreada em interpretações e um amontoado de suposições.

Agora, sim: ponto final.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

A REVOLUÇÃO DOS POCHETISTAS

– Meus caros senhores – discursou o cientista, renomado nome dentre os mais destacados psiquiatras do país – vamos estabelecer uma experiência única e só precisamos da aprovação de Vossas Excelências para implementá-la.

Alguns parlamentares aplaudiram, outros, da oposição sistemática, vaiaram, vaiariam qualquer um que estivesse ao lado do governo.

Pois, feito o discurso, o projeto foi posto em votação e aprovado pela maioria governista, de modo que as administrações de todos os manicômios do país retirariam todos os membros das respectivas administrações e passariam a ser completamente dirigidos pelos próprios loucos, sob a direção-geral do psiquiatra proponente, Doutor Ananias Pochete, que acompanharia as atividades de cada um dos dirigentes das diversas unidades mediante videoconferência.

Em vigor a nova lei, Pochete fez a primeira reunião e avisou: – Conseguimos, meus caros! O País é nosso!

Nem precisa dizer que o psiquiatra, Doutor Pochete, era completamente maluco e seu plano constava de conseguir que os hospícios de cada cidade conseguissem dominar os cidadãos locais, de modo que, como um jogo de dominó, cada uma caísse sob seu poder, o que significaria o controle geral.

Seria uma revolução total, inspirada nas obras de Machado de Assis, de George Orwell, de Gramsci e até mesmo de Maquiavel. Ah, a Revolução dos Bichos, O Alienista e O Príncipe foram os que mais lhe deram excelentes ideias.

Em suma, o que aconteceu foi o seguinte: Pochete orientou os malucos a saírem dos hospícios e invadirem a cidade com as idéias mais malucas, burras e estapafúrdias que pudessem ter, de modo a enfeitiçar as pessoas com promessas bizarras de salvar o país de suas desgraças.

Como? Ele mesmo não sabia. Mas que usassem a imaginação. Podiam, por exemplo, propor que cada um possuísse sua própria bomba atômica, para garantir a defesa contra invasões estrangeiras. Também garantiriam que, com uma nova ordem, aos homens seriam administrados hormônios masculinos, para aumento da virilidade, mas com atenção para o uso do sexo somente para a procriação, como estabelecido pelas leis divinas. Outra ideia era a de propor à população que o serviço militar se iniciaria aos três anos de idade, para meninos, e cinco, para meninas, que usariam, respectivamente, fardas azuis e cor-de-rosa.

Com esses princípios em mente, loucos de várias cidades apresentaram sugestões, como tirar as rodas dos carros, para resolver o problema do tráfego; expulsar todos os índios das matas e trazê-los para as cidades para civilizá-los e pô-los em atividades produtivas, para suprir a falta de trabalhadores de pouca qualificação profissional; tornar obrigatório o retorno da cueca samba-canção; cobrar imposto sobre esmolas; acabar com os tribunais e passando a atividade de julgar diretamente ao povo, por intermédio das redes sociais; e tantas propostas profícuas que encheriam páginas e páginas para serem expostas.

As populações das cidades ficaram maravilhadas! Alguns perguntavam se não seria burrice retirar as asas dos aviões, ao que eles respondiam que era a única forma de impedir totalmente a ocorrência de acidentes aéreos – e todos tinham de concordar com a lógica perfeita e terminar por aplaudir a providência.

Tudo aconteceu de tal forma perfeita, segundo bem imaginado por Doutor Pochete em sua loucura de pedra, que todas as ideias foram acatadas e postas em prática, os loucos tornaram-se líderes e expandiram sua administração ocupando os cargos públicos, prefeituras, vereanças, câmaras de deputado, senado, ministérios, enfim, tudo e tudo.

Poderia parecer estranho que o país tivesse prosperado com a loucura e a burrice imperando, mas foi o que aconteceu: as matas foram derrubadas, plantou-se muita soja, criou-se muito boi, a baitolagem desapareceu, a madeira enriqueceu os madeireiros e os cofres públicos, extraiu-se nióbio como nunca visto, a criminalidade foi a zero, os investidores estrangeiros aplicaram em peso suas economias nos negócios do país que, de tão diferente, apinhou-se de turistas aos magotes, os quais vieram deixar aqui abundantemente a moeda estrangeira e enriquecer os hoteleiros, taxistas, donos de bares e restaurantes, aproveitando-se, ainda, da liberdade de poderem andar pelas ruas com revólveres e cartucheiras na cintura brincando de faroeste e afastando o estresse… e por aí foi.

Sempre tem os insatisfeitos, que, da prisão, tramam para derrubar o governo dos pirados tapados e instaurar o comunismo no país, segundo afirma o Ministério do Fuzilamento.

Espero que tenha dado aos leitores uma visão geral dos acontecimentos. Amanhã voltarei com mais informações e análises, pois agora tenho de parar porque hoje é meu dia de ir ao banheiro.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

ACONTECEU EM PARIS

Estou morando em Paris há alguns meses, vivendo certas aperturas, mas ainda assim gozando de algum conforto em um pequeno apartamento no quarto andar, sem elevador.

Enquanto me alimento convenientemente e durmo confortavelmente, porque não me faltam a cama e o cobertor, observo, nas ruas, tanta gente miserável, formada de diversas raças e origens, pedindo dinheiro para comer, para se agasalhar, sendo que alguns para comprar bebidas e drogas.

Uns vivem nas ruas porque querem, perambulando por aí acompanhados dos seus cachorros.

Outros, na maioria, são pessoas efetivamente pobres, sofridas, infelizes – gente desgraçada, suja e maltrapilha, que precisa realmente da caridade alheia e da esmola para sobreviver.

Tento comparar com o Brasil, mas as realidades, apesar de semelhanças, são outras. Fico confuso, notando que parecem diferentes, mas, no fundo, talvez não sejam tanto – temos nossa classe média, certamente menos média do que a dos franceses, nossos ricos, possivelmente em geral menos ricos do que os ricos europeus, mas a pobreza… essa é uma só.

Pois bem, saio de casa e me deparo com um drama desses, bem dentro da minha amena realidade: Ao descer as escadas encontro, no hall do primeiro andar, um homem deitado no chão, meio encoberto em panos pobres, manchados e desgastados pelo tempo.

Vejo-lhe apenas os cabelos compridos, encaracolados, e um pouco da pele morena.

Não sei quem é, de onde veio.

É quase impossível um estranho entrar no prédio sem ser visto: há duas barreiras a serem vencidas: há a primeira, pois é necessário um código para abrir a porta principal; e há a segunda porta, que também depende de senha para ser aberta.

Naquelas condições em que o homem se encontra não tenho dúvida de que não se trata de algum morador do prédio preso do lado de fora de casa.

Seus pés estão muito sujos, usa uma sandália de dedos desgastada, os panos que o cobrem são pobres e encardidos.

Decididamente, trata-se de um morador de rua, daqueles que encontramos por toda parte em Paris.

Passo pelo homem e acabo de descer as escadas, sem saber o que fazer.

Meu senso de solidariedade social se esvai, desaparece completamente, superado pelo medo.

Uma pessoa desconhecida, provavelmente um vagabundo, entrou no prédio onde moro e ameaça minha segurança dormindo no chão da escadaria.

Telefono para o síndico, a ligação cai na secretária eletrônica.

Ando de um lado para outro, atormentado.

Ligo para alguém que consta no quadro de avisos como sendo do conselho do prédio e o interfone não atende.

Passo meia hora de angústia, quando finalmente um vizinho entra no prédio.

Digo a ele apressadamente o que está acontecendo, ele me diz para falar com a proprietária do apartamento; explico que o proprietário mora fora de Paris, o vizinho me sugere que chame a polícia e eu respondo que estou inseguro de fazer isso por ser estrangeiro; gostaria que ele fizesse algo, que tomasse uma providência em favor da segurança do prédio.

Ele, ainda que algo contrafeito, decide resolver a questão. Sobe os degraus ao primeiro andar e chama:

– Monsieur!

O homem ressona, dorme profundamente.

O vizinho repete, mais alto e enérgico:

– Monsieur!

Ouve-se como resposta um “huuummm”.

– Il faut partir! Ele completa. É preciso que tu saias, que tu vás embora.

Após dizer isso, o vizinho desce os degraus e ficamos ambos embaixo esperando a saída do intruso.

Passos leves pisam a escada e quando o mendigo surge à nossa frente.

Posso ver seu rosto suave e sentir sua forte presença.

Ao olhar Sua face e Sua imagem radiante, caio de joelhos, em prantos, aos Seus pés.

Vejo e compreendo, atônito, que o homem que estamos expulsando é Jesus Cristo!

Peço-lhe perdão, chorando.

Ele passa a mão suavemente em minha cabeça e se vai.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

PARA QUÊ ÍNDIOS QUEREM MAIS TERRA?

Há quem sonhe com um entendimento entre a direita e a esquerda, pretenda uma conta de chegar, acredite em uma aproximação.

É que pensam, não sei se muitos ou poucos, que ambas as facções têm coisas boas, de modo que a direita poderia assimilar pensamentos e políticas de esquerda e vice-versa.

Exemplifica-se com o fato de governos de direita virem mantendo ou adotando políticas praticadas inicialmente pelas esquerdas, como é o caso, no Brasil, da manutenção pelo atual governo do programa Bolsa Família.

E há, mesmo, quem afirme que neste caso o presidente Bolsonaro foi mesmo capaz de aprimorar o Bolsa Família, instituindo uma espécie de “décimo-terceiro salário”.

O fenômeno científico eventualmente engana o pesquisador, de modo que mesmo nas ciências exatas por vezes se toma causa por efeito e efeito por causa. E basta uma leve variável nos métodos para que os resultados sejam diferentes.

Nas ciências humanas, as variáveis são mais elásticas, dado que nelas as relações de causa e efeito são menos exatas, do que decorre mesmo a classificação das ciências como naturais e sociais.

Digo isso para significar que, embora a aparência, neste exemplo concreto, seja de que a direita assumiu em sua filosofia e prática um posicionamento da esquerda, essa “mistura” é apenas aparente: o conteúdo do pensamento de direita, mesmo quando se utiliza de tais recursos alheios a sua ideologia, permanece inalterado, e a prática, ainda nesse caso, é adotada apenas como uma forma de sobrevivência no poder.

Imaginem que no primeiro dia de Bolsonaro ele informasse que extinguiu o Programa Bolsa Família! Poderia continuar pensando em 2022? Claro que não.

Mas, não se perde por esperar. Água e óleo não se misturam. Agitados os dois líquidos em conjunto, as gotículas se entremeiam, mas basta parar o movimento e a separação volta a ser total.

Assim é na política: aos poucos, vai-se comendo pelas beiradas. Se não em quatro anos, em oito ou doze, a manutenção da direita no poder deverá mostrar totalmente a sua cara, por enquanto apenas vislumbrada.

Estas elucubrações me vêm à mente no momento em que assisto pela TV a uma reunião emergencial do presidente da república com governadores do Norte do Brasil para o enfrentamento do desmatamento e do fogo na floresta amazônica (que de resto afeta outras regiões, como a mata atlântica e o cerrado).

Então, no decorrer da reunião, enquanto Bolsonaro deixava claro que mantém seu entendimento de que esse negócio de ter de entregar territórios a índios só atrapalha o desenvolvimento nacional, uma pessoa defensora das políticas direitistas expressou ao meu lado, assistindo a TV, sua filosofia em voz alta, indagando:

– Para quê os índios querem mais terra?

Preferi não entrar em debates. Definitivamente, óleo e água não se misturam.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

A SÍNDROME DE BOLSONARO

Jair Bolsonaro foi eleito com cinqüenta e sete milhões, setecentos e noventa e sete mil, oitocentos e quarenta e sete votos!

Foi voto que não acaba mais: a mais do que Haddad dez milhões, setecentos e cinqüenta e seis mil, novecentos e quarenta e dois votos.

Dos votos de Bolsonaro, muitos, muitos milhões foram votos de negros, de mulheres e de homossexuais, não há dúvida disso.

E muitos outros milhões foram de eleitores que abandonaram o PT, convencidos de que o Partido dos Trabalhadores perdeu os rumos, encheu-se de bandidos e levou o País para o buraco em que ainda nos achamos.

Quanto aos que se bandearam para outros lados, uma parte de razão se pode creditar-lhes, uma vez que a propaganda maciça, calcada em certos fatos reais, foi suficientemente forte para convencer os menos seguros de suas convicções, ou que estavam fragilmente ligados aos objetivos petistas, de modo que lhes bastava um sopro para voarem como folhas secas.

O estranho, mesmo, são os outros, o apoio justamente daqueles, discriminados por Bolsonaro.

Uma associação com a Síndromo de Estocolmo se oferece, inevitavelmente.

Trata-se do estado psicológico pelo qual a vítima de um período prolongado de intimidações e torturas desenvolve simpatia, amizade ou amor pelo seu algoz.

Mas, não se trata do único fenômeno, esse em que um personagem notoriamente favorável à tortura, à eliminação sumária de criminosos, preconceituoso quanto a negros, homossexuais e mulheres recebeu o apoio estrondoso da sociedade: aqui há de caber o fenômeno que nos é revelado pela constatação de que é isso que, consciente ou inconscientemente, pensamos a respeito dos costumes. É tudo isso que queremos, é o que desejamos, consciente ou inconscientemente.

Embora façamos o discurso de pessoas civilizadas, somos, no fundo, uns brutos, temos sangue nos olhos e pensamos, mesmo, que negros são pessoas inferiores, que bandidos não têm direitos, que homossexuais são uns desavergonhados e que mulheres deveriam só procriar, servir-nos e encostar o umbigo no fogão.

Também temos a tendência de acreditar que os pobres são pobres porque são preguiçosos, indolentes e aproveitadores. E que os índios não precisam de tanta terra e deviam desaparecer, serem absorvidos pela civilização, parar de atrapalhar o garimpo, irem trabalhar e comprar celulares..

Bolsonaro teve a capacidade de reunir em si todos esses defeitos, com os quais, naquilo que temos de mais obscuro, atrasado e retrógrado., nos identificamos.

É graças a isso que Bolsonaro há de crescer a cada atitude grotesca que adote, no sentido de manter-se assim e, se possível, piorar, afirmando que não vai mudar, como ele tem feito.

E a cada dia, a cada burrada ou maluquice que faz, a cada bobagem que diz, mais as mulheres o admiram e suspiram, mais os como negros e homossexuais se sentem representados!

Além disso, há os amantes de patriotadas e religiosismos, que incluem os citados grupos e vão além deles, para exaltar os costumes rígidos, a educação militarizada e a família idealizada – tudo mal misturado com o modelo norte-americano de viver, este que se revela vivamente no desejo do nosso presidente de pôr seu filho como Embaixador do Brasil nos Estados Unidos, contra tudo e contra todos.

Em suma, Jair Bolsonaro conseguiu atrair o de pior que temos em nossos instintos atrasados, de preconceitos e conservadorismo, tornou-se a pior opção como reação às políticas de esquerda e exatamente por isso foi eleito, algo como o voto que a população de São Paulo deu a um rinoceronte elegendo-o vereador em 1959 – que não assumiu o cargo por incompatibilidades (zoo)lógicas.

O grande problema é que o nosso cacareco assumiu e pratica a política de um rinoceronte, sob aplausos entusiásticos e a total aprovação do resto da manada.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

A BARBA CRESCEU

Não sei por que, andei de repente lembrando de coisas que se diziam antigamente e que não escuto atualmente. Algumas soam mais delicadas aos ouvidos do que coisas que se dizem hoje, como, por exemplo, vai tomar no cu. Não se falava uma coisa tão grosseira. Em vez disso a gente dizia: – Vai dar! Soa bem menos grosseiro e resulta na mesma coisa em uma frase simples, curta e profunda.

Era interessante, também, o costume de mandar pentear macaco a uma pessoa que estivesse enchendo o saco. Também nesse caso preferia-se uma expressão suave: – Vá pentear macaco! Em vez de “porra, não enche”. E quando a gente mandava alguém pentear macaco era bem divertido imaginar a cena da pessoa penteando um macaco. Se tu estás cansado do teu emprego, manda o teu chefe pentear macaco quando ele te der uma ordem.

E o que dizer de “tá no ré?”? Já começa por uma aparente imperfeita construção no que diz respeito à concordância em gênero, pois imagina-se que deveria ser “tá na ré?”. Mas era “tá no ré”, com interrogação, mesmo. Era uma expressão de superioridade, tipo, falei tá falado. Desconheço a origem da expressão, mas é possível que tenha surgido na área musical, um músico perguntando a outro sobre a tonalidade: – Está no ré?

Enquanto escrevo, lembrei da expressão, também interrogativa, “morou?” Bem, morar é residir, mas a expressão não tinha nada a ver com isso, era como se perguntasse “compreendeu?”. Havia as variantes: Morou no assunto? Morou na jogada?

Porém, uma das palavras mais estranhas, que decididamente não imagino de onde veio, era “breguete.” Breguete significava qualquer coisa: me dá esse breguete, vamos fazer um breguete, ontem fui naquele breguete, comprei um breguete legal… Do jeito que apareceu, a palavra sumiu. Tem gente que é da época e não se lembra dela. Ô memória ruim, sô!

– Me dá um crivo? Pedia o filante. Pedir um crivo era pedir um cigarro. E o filante era o cara que pedia, porque filar era pedir descaradamente.

E o arrogante, dizendo-se machão, fodão, afirmava: – Eu sou pau puro e bêagácê nas pontas. BHC é um agrotóxico chamado “Hexaclorobenzeno”, tão perigoso que foi proibido no Brasil.

Naqueles tempos antigos, a gente vivia teso, ou duro, que significava estar sem dinheiro, completamente sem dinheiro. Também se dizia “estou durango”, que misturava estar duro com o nome de um herói do faroeste da época, o Durango Kid.

E, é claro, quem andasse duro teria dificuldade em abater uma lebre, uma vez que isso significava ter um encontro íntimo, muito íntimo, com uma mulher.

Também caiu no esquecimento a expressão que Roberto Carlos consagrou na época da Jovem Guarda para exclamar que uma coisa era fantástica: – É uma brasa, mora?

Outra que sumiu foi a palavra “babujado”. Uma coisa que já tinha sido bebida por outra pessoa estava babujada.

E por aí vão as inúmeras palavras e expressões que durante certo tempo enriqueceram o modo de falar das pessoas e do mesmo jeito que apareceram sumiram praticamente sem deixar rastros e sem que possamos saber como e porque apareceram no linguajar popular, como a estranhíssima “a barba cresceu”, que significava mais ou menos “eu ganhei e você perdeu” em algumas situações, ou “o cara se lascou”, em outras. Por exemplo, alguém marcou um encontro por telefone sem conhecer a pessoa e quando chegou lá “a barba cresceu”, pois a pessoa era completamente diferente do que era esperado.

Pois, se tu leste até aqui, a tua barba cresceu!

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

HISTÓRIA DE SANTOS

São Tomás de Aquino ficava ali, parado, no canto da igreja, duro, estático, tentando segurar o braço de alguém. Todos sabem que os santos só podem sair do seu lugar se segurarem o braço de uma pessoa. Muitas vezes ele quase conseguira, a pessoa se aproximava, olhava alguma coisa, se distraía, ele, com dificuldade de tanto tempo ali parado, levava lentamente a mão para segurar o braço de alguém, mas, zap, a pessoa saía fora e ele ficava frustrado tendo quase conseguido.

Até que, naquele dia, o padre tendo viajado, Sebastião, o sacristão, desrespeitosamente, ficou a fumar dentro da igreja. Pior, encostou-se no santo, descansado e descansando. Acendeu um cigarro e pôs-se a fumar.

São Tomás de Aquino viu que era uma oportunidade única e arregalou bem os olhos, com a respiração quase sufocada. Começou, com grande esforço, a mover o corpo tentando esticar a mão para segurar o braço do sacristão, que se mexeu, quase tirando-o fora do alcance, mas logo voltou à posição bem encostada no santo. São Tomás de Aquino segurou a respiração, foi indo lentamente, respirou fundo e, zap, agarrou o braço de Sebastião, que nem assustou-se, sabia que tinha dado bobeira e que agora teria o santo agarrado ao seu braço.

Sebastião foi andando dali com São Tomás de Aquino o acompanhando, preso ao seu braço. E o santo sabia que não poderia deixar de ficar com a mão agarrada no braço dele, para poder andar à vontade pelo mundo.

Coincidentemente, Marcélia, a mulher de Sebastião, que tinha um nome poético e fazia a limpeza da igreja, acabaria por ter destino semelhante, o que iremos saber.

São Tomás de Aquino conduziu Sebastião a uma fábrica de leões na África. Como assim, fábrica de leões, quis saber Sebastião. E logo ficou sabendo quando chegaram à fábrica de leões. Era um lugar simples, mal cuidado, quase sujo mesmo, uma grande cabana vazada no lugar das paredes, feita de troncos de árvores, galhos e palha cobrindo por cima em vez de teto, tudo cercado de mata. Havia toscas mesas feitas de pau roliço onde os leões eram fabricados. Sebastião pôde ver a chegada do material e os leões serem feitos.

São Tomás de Aquino fez Sebastião compreender que era assim, mesmo, que os leões eram feitos e não do jeito que todo mundo pensava. Tudo era feito nas fábricas das coisas, não só os leões. Bem ao lado dali havia a fábrica das zebras. Um pouco mais longe a dos elefantes. Tudo era feito desse jeito, conforme já dizia, mais ou menos isso, o Platão.

Onde Sebastião ia, o santo estava indo também agarrado ao seu braço, e ora era Sebastião que levava, ora era o santo que conduzia, indo por aqui e por ali, São Tomás de Aquino agarradíssimo ao braço de Sebastião, que sabia o santo que não podia largá-lo.

Vez por outra, Sebastião fazia um movimento brusco, puxava, tentando tirar o braço, mas o santo estava fortemente agarrado a ele. Não havia outra maneira de estar no mundo e por isso não podia soltar-lhe o braço.

Coincidentemente, com a viagem do padre, também Marcélia estava à vontade na igreja, de portas fechadas aos fiéis naquela hora. Pois, ela sentou-se para fazer a unha na beira de um banco de madeira, arranjou os apetrechos de manicuragem e pôs o pé quase em cima da Santa Efigênia, como ela chamava, e que era a Santa Ifigênia. A santa nem pensava em poder um dia sair por aí, voltar a difundir a religião pelo mundo, até aquele momento, em que um pé ficava parado bem ao seu lado, por longo prazo, permitindo-lhe o tempo necessário para agarrá-lo. É que todos sabem que os santos masculinos precisam agarrar o braço e os femininos a perna, para saírem do seu lugar nas igrejas.

Pois, Santa Ifigênia conseguiu e agarrou fortemente a perna de Marcélia, que ainda tentou tirar mas quando viu que estava presa mesmo deixou ficar.

A santa viu-se naquela situação menos confortável, porque para andar agarrada à perna tinha de ficar numa posição difícil, mas era preciso fazer mais um sacrifício. E assim foi.

Marcélia também se viu na África, presenciou Sebastião caminhando pelas fábricas de bichos enquanto Santa Efigênia lhe mostrava como se faziam os religiosos nas respectivas fábricas, e não era do jeito que as pessoas pensavam, mas era ali também, nas fábricas, onde eles podiam ser vistos a serem feitos, paulatinamente, do começo ao fim.

Agora, não havia o que fazer, Sebastião e Marcélia, que já estavam unidos pelo sagrado matrimônio, estavam também unidos por carregarem, junto de si, um, São Tomás de Aquino, outra, Santa Ifigênia, agarrados ao seu braço e a sua perna, enquanto não conseguissem desvencilhar-se ou os santos se distraíssem ou dormissem e soltassem o braço e a perna de um e de outra.

Sebastião até tentou dar um susto na santa, ele ficou atrás da porta e quando Marcélia passou ele pulou na frente e gritou “pôu!”; a santa até se assustou, porém em vez de soltar agarrou ainda mais a perna de Marcélia.

Por enquanto, está assim. Quem sabe, quando o padre chegar, vendo que os santos não estão nos seus lugares, ele corra para ver o que aconteceu e Sebastião e Marcélia lhe mostrem os santos agarrados neles e ele possa fazer alguma coisa, talvez exista alguma reza que os padres conhecem que possa fazer com que os santos voltem aos seus lugares dentro da igreja.

O jeito, então, é mesmo esperar o padre e ver se ele resolve, já avisando que susto não adianta nada.

Até lá, os fiéis terão de contentar-se em rezar frente aos outros santos, porque há, na igreja, dois nichos vazios.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

COMEMORANDO O PROGRAMA MÉDICOS PELO BRASIL E CONVIDANDO A UM DEBATE ÚTIL E ESCLARECEDOR

Hoje, abro o jornal com a boa notícia de que o governo lança o programa Médicos pelo Brasil, que deverá aos poucos substituir o Mais Médicos, criado pelo Partido dos Trabalhadores.

Consta que o programa terá dezoito mil vagas e deverá pagar entre dezoito e trinta e um mil reais aos participantes,”conforme a etapa de atuação, local onde o médico estará inserido e progressão na carreira, a qual ocorrerá de três em tr\ês anos.”

Cuidadosamente, o governo afirma que durante algum tempo o novo regime conviverá com o anterior, para não criar um vazio, o que parece acertado.

Depois da bobajada ideológica inicial, que criou sérios problemas ao atendimento à saúde em locais para onde ninguém quer ir, o governo procura corrigir isso com a disponibilidade de médicos que poderão ser melhor remunerados, se se dispuserem a atender e, evidentemente, se estabelecerem, ou seja, irem morar em locais de difícil acesso, afastados, de poucos recursos e pobres.

A manutenção do programa, sob novas roupagens, é, evidentemente, salutar e necessária, pois os efeitos deletérios das primeiras atitudes do governo Bolsonaro, de cunho marcadamente ideológico, se fizeram sentir.

Bolsonaro mais uma vez perdeu a oportunidade de ficar calado, ao extrapolar suas críticas ideológicas a uma atividade à qual ele dará continuidade – possivelmente com melhorias no processo, vez que poderá absorver maior mão de obra brasileira, além de apertar as exigências para a vinda de médicos estrangeiros ou formados no exterior.

Tudo bem, mas vejo algumas dificuldades que poderão surgir, da forma que o noticiário divulgou, para a realização das contratações dos médicos.

No sistema petista, pelo que pude ler sobre o assunto, foi feito um convênio com uma entidade estrangeira para a contração de médicos do exterior e uma contratação em caráter temporário e emergencial para médicos brasileiros.

Sempre acho uma forçação de barra os exageros em contratações temporárias, porque algumas delas, como mesmo as do Mais Médicos do governo petista, poderiam ser feitas mediante concurso público, ainda que de menor gargalo, por tratar de medida urgente, mas, evidentemente, permanente – isto é, mesmo que houvesse uma primeira fase de contratação por um sistema extraordinário de temporariedade, poderiam ser feitos concursos para o provimento efetivo dos cargos necessários ao atendimento da população.

A minha dúvida, agora – sem qualquer desmerecimento ao programa que o governo Bolsonaro está adotando – é a respeito de formulações para o novo programa, que, pelo noticiário, adotará regime de contratação pela CLT – a Consolidação das Leis do Trabalho.

À primeira vista essa modalidade poderá encontrar obstáculos jurídicos, constitucionais, o que seria lamentável, na medida em que acabe por atrasar a implantação do novo sistema.

Passo a palavra a quem possa esclarecer melhor essa questão, com o intuito de colaborar para que a adoção do Médicos pelo Brasil não comece emperrado por impedimentos de ordem legal.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

O JORNAL DA BESTA FUBANA CANTOU A PEDRA

Há pouco escrevi um artigo para o Jornal da Besta Fubana, intitulado “Os Dias Contados da Direita no Poder”.

Nele, cantei a pedra do tiro no pé que começou com a tentativa de prender os responsáveis pela obtenção ilícita de conversas telefônicas entre o então juiz Sérgio Moro e o procurador da república Deltan Dallagnol, dentre outros, e que culminou com sua efetiva detenção.

Vários comentários foram feitos ao texto, por meus queridos leitores.

Um deles dizia: – Mais delírios e fantasias de uma mente alucinada!

Outro, resumia: – Mas que idiotice!

E mais um gritou: – Cacete, eu li isso! O que será que esse articulista bebe? Xixi de jumento?

Bem, para resumir, um outro me mandou juntar-me ao Adélio Bispo e aos “raqueadores” presos; teve quem dissesse que sou cego , tonto ,perdido e totalmente confuso, inventando estória para defender a corrupção da qual está parecendo que que me alimento; que eu fujo da verdade como o diabo foge da Cruz; que a minha loucura, infantilidade, cegueira, e seja lá o que for, já está passando dos limites; que eu sou uma latrina com o dom da palavra.

Isso tudo porque não aceitaram a pedra cantada: eu declarei que a grande surpresa, caso os suspeitos estivessem realmente envolvidos com os crimes visados, era que isso poderia resultar em um efeito colateral indesejado por quem se mostrava interessado na busca dos hackers, uma vez que o material obtido de forma ilícita, tais sejam as escutas telefônicas não autorizadas por ordem judicial, poderia eventualmente levar à confirmação da existência dos diálogos, de sua integralidade e da não-edição, derrubando os argumentos em contrário.

A oposição mais insistente, e logicamente articulada, de alguns leitores foi a de que mesmo tendo havido os diálogos, isso não serviria para derrubar as provas dos processos contra Lula e o fato de ter ele sido julgado por um juiz e ter tido sua condenação confirmada nas instâncias superiores.

Expliquei minha divergência, argumentando que caso os diálogos demonstrem conluio do juiz com o Ministério Público e que o juiz instruiu parte no processo, e outras ocorrências, e isso vier a determinar a nulidade do processo, aquelas alegações sobre provas e quantidades de julgadores seriam insubsistentes face a tal nulidade.

Pois bem, além de o juiz das causas ter metido os pés pelas mão, apressando-se, já como Ministro da Justiça, na pretensão de destruir as provas – o que não se pode admitir, sabendo-se que elas podem servir em favor de condenados (inclusive o Lula) para a revisão de processos respectivos, a imprensa, finalmente, despertou o que aqui já havíamos exposto, revoltando aqueles leitores: Da prisão dos envolvidos e da descoberta de que os diálogos foram realmente capturados dos telefones das personalidades públicas referidas, deve decorrer sua comparação com os elementos divulgados pelo The Intercept – e eles poderão ser periciados! E a perícia poderá concluir que eles correspondem ao divulgado, não foram objeto de articulação descontextualizada e nem foram editados.

Daí para ver Lula na rua e eleito presidente da república em 2022 é um pulo.

 

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

OS DIAS CONTADOS DA DIREITA NO PODER

Quatro pessoas foram presas no interior de São Paulo, suspeitas de serem os autores da invasão dos telefones celulares do atual Ministro da Justiça Sérgio Moro, do Procurador da República Deltan Dallagnol, e de quem mais se poderá saber com o avanço das investigações.

Várias indagações e alguns desdobramentos têm surgido ao longo do noticiário, sobre serem ou não os detidos capazes de usar a tecnologia para rastrear telefones, se seriam eles mesmos os invasores, se tendo mesmo invadido haveria relação com a obtenção de dados pelo The Intercept e outros detalhes.

Também parece terem-se concentrado o foco, as atenções e as suspeitas sobre um deles, Walter Delgati Neto.

Bem, o noticiário está repleto de informações, assim como as redes sociais replicam muitas delas; e elas e vários blogues acrescentam boatos e fuxicos.

Mas nada disso, no momento, nos interessa, particularmente. As apurações policiais prosseguem e aos poucos teremos os resultados; e mentiras e fofocas tenderão a perder o sentido (embora isso não aconteça de todo, haja vista que inúmeros leitores insistem em manterem-se filiados a teorias da conspiração, como a de que Adélio Bispo não sofre das faculdades mentais e está pronto para abrir a boca e entregar quem o contratou para matar Bolsonaro).

A grande surpresa, caso esse suspeito, alguns ou todos eles estejam realmente envolvidos com os crimes visados, é que isso poderia resultar em um efeito colateral indesejado por quem se mostrava interessado na busca dos hackers.

Por enquanto, parece improvável que sejam eles, mesmo, que tenham obtido todo o material que o The Intercept diz ter recebido e que o tenham passado para Glen Greenwald.

O problema é que, se foram, mesmo tendo sido o material obtido de forma ilícita, tais sejam as escutas telefônicas não autorizadas por ordem judicial, um resultado poderá eventualmente ocorrer: o da confirmação da existência dos diálogos, de sua integralidade e da não-edição.

As consequências imediatas seriam a prisão dos invasores dos telefones e a pura desmoralização de alguns envolvidos nas conversas, pois sabemos que materiais obtidos de forma ilícita não servem como provas de crimes.

Nada deveria prejudicar o The Intercept e os jornalistas que fizeram as publicações, porque estariam protegidos pela liberdade de imprensa, pelo direito de informar, pela garantia de sigilo das fontes.

Mas, já temos conhecimento que, mesmo obtido de modo ilícito o material, as escutas podem servir como prova em favor de condenado.

Neste caso, o efeito colateral menos desejado pelos que se interessaram com afinco nas buscas e prisões pode acontecer: a prova da parcialidade na condução de certos processos judiciais, dentre eles os que condenaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Aí, a direita no poder poderá estar com os dias contados.