GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

A TERRA É CHATA!

Com o advento dos grupos numerosos de gente garantindo que a Terra é plana, que se cognominaram de terraplanistas, estamos criando um outro grupo, também já numeroso, com mais de três membros, todos duros, que decidiram que a Terra é chata.

Somos os terrachatistas.

Garantimos que a Terra não é apenas chata, ela é muito chata.

Ela nem era muito chata, mas com a chegada do terraplanismo ela se tornou mais chata e ficou bem chata.

Como somos adeptos da ciência, apresentamos provas de que a Terra é chata, sendo causas dessa chatice:

1) O Facebook;

2) O aplicativo que faz tu ficares mais velho, muito mais velho, velhinho.

3) O The Intercept, toda semana, toda semana, toda semana, ninguém aguenta mais, nem o Moro, nem o Dallagnol, nem o Zanim.

4) As denúncias de que a Mega-Sena é fraudada.

5) O celular tocando bem na hora agá.

6) O sermão do padre.

7) O fim da moda da mini-saia.

8) A proibição do “top less” em Copacabana e Ipanema.

9) As marchas para tudo, marcha contra isso, marcha a favor daquilo, marcha da maconha, marcha para pegar sanduba de mortadela e refresco de groselha, marcha para fazer carnaval no fim de semana, marcha rancho… epa! Essa é a mais chata!

10) Discurso do Bolsonaro.

11) Ouvir de novo e de novo e outra vez e de novo alguém dizer que o Lula tá preso, babaca.

12) O Jornal da Besta Fubana.

13) Eu.

Essas são apenas algumas, porque tem muita coisa chata neste lugarzinho chato, tanto assim que uma outra turma já criou o grupo do Mundo Chato, que são os mundochatistas. Eles incluíram coisas chatas como o Jair Bolsonaro dizer que ele é que tem a caneta, que ele vai nomear o filho embaixador porque se ele tem um filé vai dar o filé para o filho e a Embaixada nos Estados Unidos é um boi inteiro só de filé, e o pessoal dizendo sem parar que o Maia é quem tá mandando, e o governo espalhando que já fez um monte de coisas em seis meses, e um monte de chato perguntando o que foi…

E ainda tem campo para alguém criar o grupo dos planetachatistas, que até poderá começar com o Alexandre Garcia, ô cara chato, sô!

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

A COERÊNCIA DE THOMPSON FLORES

O TRF4 – Tribunal Federal da 4ª Região, não vê nada demais em um de seus juízes, o desembargador Thompson Flores, que elogiou a sentença de Moro no Caso Tríplex, antes de ela ser julgada em grau de recurso por esse tribunal, participar, agora, do julgamento do Caso Sítio de Atibaia – ambos tendo como réu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Como lembramos, tão logo foi prolatada a decisão em que o juiz Sérgio Moro condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e seis meses de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Thompson Flores declarou, em entrevista ao Estadão (6/8/2017), que a sentença “é tecnicamente irrepreensível, fez exame minucioso e irretocável da prova dos autos e vai entrar para a história do Brasil”.

A defesa de Lula afirma que as demonstrações de apreço de Flores pelo juiz Sergio Moro e seu modo de trabalhar demonstram que há suspeição no caso.
Porém, o desembargador garante que essa consideração pelo modo como Moro trabalhava não carrega em si nenhum juízo de valor quanto ao mérito do caso. Diz ele: “Houve a manifestação de apreço com a técnica jurídica adotada pelo órgão julgador responsável pela condução daquele processo — sem pronunciamento acerca da valoração atribuída por aquele órgão julgador aos elementos cognitivos daqueles autos (mérito); e manifestação acerca dos julgamentos possíveis àquela pretensão deduzida — juízo de procedência; juízo de improcedência; e declaração de nulidade processual”.

No entanto, essa apreciação do desembargador pode estar algo equivocada, uma vez que ao ser perguntado na citada entrevista se, casos ele fosse da oitava turma do TRF4 que iria julgar o recurso de Lula da sentença do Caso do Tríplex, ele confirmaria a sentença, Thompson respondeu: – Isso eu não poderia dizer, porque não li a prova dos autos. Mas o juiz Moro fez exame minucioso e irretocável da prova dos autos.

Ora, para referir-se como minucioso o “exame da prova dos autos”, explicita-se uma valoração, que indicaria que Thompson avaliou o processo analítico das provas feito pelo juiz Sérgio Moro na primeira instância.

Contra a isenção do desembargador Thompson Flores, alegou a defesa de Lula, ainda, que, segundo a própria Polícia Federal, ele correu ao telefone para impedir a soltura de Lula quando ela foi determinada, todos se lembram, pelo desembargador então de plantão, mas Thompson desmente a PF e diz que não deu essa ordem por telefone.

Porém, todavia e, muito particularmente, contudo, o medo de que o desembargador Thompson Flores arrochará Lula no processo do sítio não se justifica, porque, muito embora ele tenha feito os elogios àquela sentença, elogios que ele agora afirma que foram exclusivamente sobre os aspectos técnicos, na mesma entrevista ao Estadão constam as seguintes perguntas e respostas que implicam em uma contradição, ao menos aparente, do pensamento do magistrado, entre o elogio e suas posições jurídicas.

Vejamos:

ESTADÃO: Ou seja: até que ponto os indícios e a prova indireta valem como prova efetivamente.
THOMPSON FLORES: Volta e meia eu vejo declarações, inclusive de renomados juristas, dizendo algo como “nós só temos indícios, não temos provas”. Começa que é um equívoco, porque indícios são provas. O ministro Paulo Brossard, de saudosa memória, tem um acórdão no Supremo Tribunal Federal, em que diz exatamente isso: a prova indiciária é tão prova quanto as outras. Então, essa distinção não existe.

ESTADÃO: A questão é, no mínimo, polêmica.
THOMPSON FLORES: É polêmica, sem dúvida. Eu sou fascinado pela prova indiciária que, insisto, é tão prova quanto as demais. Tem uma boa doutrina nesse sentido, além de julgados do Supremo Tribunal Federal. A questão doutrinária, de fundo, é se prova indiciária autoriza a conclusão condenatória. Em tese, eu não tenho a menor dúvida. Lembro uma frase que dizia o meu saudoso avô, ministro [do Supremo] Thompson Flores: “Carlos Eduardo, você jamais poderá condenar no processo penal por presunção, mas poderá fazê-lo por indícios, por prova indiciária”.

ESTADÃO: O que é que o Tribunal examina, no essencial, quando julga apelações como essa?
THOMPSON FLORES: O Tribunal não vai fazer nova instrução, mas vai reexaminar toda a prova. A importância desse julgamento é que o que nós decidirmos aqui em matéria de fato é instância final. O Supremo e o Superior Tribunal de Justiça, em eventuais recursos lá interpostos, não vão examinar fatos, só matéria de direito. Ele podem reexaminar, por exemplo, a idoneidade da prova.

ESTADÃO: Em que sentido?
THOMPSON FLORES: Se determinada escuta telefônica foi válida ou não, por exemplo. Ou se a prova indireta é suficiente para a condenação. Isso é matéria de direito. Mas o conteúdo probatório, esse vai ser decidido aqui. Por isso a importância desse julgamento, seja para a defesa, seja para a acusação.

ESTADÃO: Uma das discussões no caso da sentença que condenou o ex-presidente Lula é até que ponto pesa na balança ele não ser proprietário do imóvel.
THOMSON FLORES: Proprietário é o que está no registro de imóveis…

ESTADÃO: O juiz Sérgio Moro reconhece, na sentença, que ele não é proprietário – mas entende que esse fato não tem importância para a qualificação do crime de corrupção passiva.
THOMPSON FLORES: Esta é uma das grandes questões jurídicas com que o Tribunal irá se debater. Se a prova indiciária é suficiente para embasar um conteúdo condenatório. À acusação incumbe demonstrar a culpa do réu. É este o principio da presunção da inocência. Esse ônus é da acusação – o ministro Celso de Mello tem preciosos julgados nesse sentido – mas isso não estabelece uma imunidade à defesa dos réus.

Pois, o fecho do pensamento do desembargador Thompson Flores a respeito da prova de corrupção, em face das provas indiciárias, é de que é preciso provar-se o “ato de ofício” e o elo entre o dinheiro ilícito e os benefícios recebidos (isso que não se provou no caso do tríplex), como se depreende de sua resposta ao Estadão, a seguir:

ESTADÃO: questão polêmica da sentença que condenou o ex-presidente Lula é se deve ou não deve haver vínculo direto entre as despesas da reforma do apartamento tríplex e os recursos que a empreiteira OAS recebeu da Petrobras. O juiz Sérgio Moro defende, por exemplo, que não há necessidade de especificar o vínculo.
THOMPSON FLORES: Essa é outra grande questão com a qual o Tribunal irá se deparar. O delito de corrupção passiva, e isso o Supremo decidiu desde o caso Collor, diz que precisa haver um ato de ofício que justifique a conduta praticada e o benefício recebido. Eu diria, e até já escrevi sobre isso, e por isso falo à vontade, que este ato de ofício, a meu juízo, precisa ser provado. Essa vai ser a grande questão. Comprovar o elo entre esse dinheiro supostamente mal havido e o apartamento e outros benefícios. Para a configuração desse crime de corrupção passiva essa ligação certamente terá que ser examinada. É a jurisprudência do STF.

Se o leitor chegou até aqui, estará considerando a hipótese de uma decisão que poderá estabelecer, no mínimo, uma divergência no julgamento da apelação no caso do sítio de Atibaia.

A não ser que coerência jurídica não seja o forte do desembargador.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

OLAVO DE CARVALHO APRESENTA A BOLSONARO AS PROVAS DE QUE A TERRA É PLANA MESMO

1) Se a Terra não fosse plana, fosse esférica, quando caminhasses tu ficarias sempre cansado, como se estivesses subindo um morro.

2) A não ser que estivesses indo para o outro lado, porque aí estarias descendo.

3) Se a Terra não fosse plana, mas fosse uma bola, os rios não seriam rios, seriam cachoeiras.

4) Se a Terra não fosse plana, mas redonda, as coisas não paravam em cima da mesa.

5) Se a Terra fosse redonda, e não plana, quando tu caísses tu rolavas.

6) Se a Terra fosse mesmo um globo, e não plana, tinha gente de cabeça para cima, gente de cabeça para baixo e até gente de cabeça para os lados.

7) Se a Terra fosse redonda, e não plana, não precisava de avião, tu ias escorregando.

8) Se a Terra não fosse plana, mas redonda, o avião tinha de estar sempre descendo, se não ele saía direto para o espaço.

9) Se a Terra fosse redonda, e não plana, para acertares um alvo a espingarda tinha de ter o cano curvo.

10) Se a Terra fosse redonda mesmo, em vez de plana, a água já tinha escorrido toda para baixo.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

IDEOLOGIA É TUDO

Não quero me aproveitar das manifestações contrárias dos próprios bolsonaristas quanto à atitude de Jair Bolsonaro em indicar seu filho como embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Compreendo como uma divergência pontual de quem o faz e que para eles, bolsonaristas, não constitui uma deserção: estão convictos de que o presidente, que nós outros vemos como obtuso e despreparado, tem a capacidade de resolver os problemas atuais do nosso País.

Acho que essa manifestada esperança em Bolsonaro está mais para justificar o voto em qualquer um que significasse o afastamento do Lula e do PT do poder do que mesmo para demonstrar confiança em um candidato que sempre foi uma figura inexpressiva como parlamentar – tá oquei, deputados não precisam ser assim tão relevantes perante a opinião pública, mas também não precisam ser tão toscos e revelar tantas opiniões grotescas, atrasadas e inadequadas, para não dizer criminosas, como as que o deputado federal expunha.

Mas, Bolsonaro não nos decepciona. Agora, como uma Dilma articulada, ele solta mais uma pérola e garante, rebatendo as críticas pela indicação que pretende fazer:

“SE ESTÁ SENDO CRITICADO, É SINAL DE QUE É A PESSOA INDICADA”

Essa “resposta à sociedade” revela que o presidente está desligado do mundo e da realidade, não se dá conta de que mesmo os que votaram e confiam nele veem com, no mínimo, desconfiança a indicação, seja por uma razão, seja por outra.

Uns, entendem, na bucha, como nepotismo, acreditando ser nepotismo até mesmo face à lei. Mas, embora tal não possa, juridicamente, com segurança e certeza, ser classificado como tal, uma vez que o próprio Supremo Tribunal Federal tenha admitido em mais de uma oportunidade que a ocupação de cargo político não o configura, outros classificam como nepotismo em termos amplos, na medida em que favorecimento com cargos a parentes é sempre uma forma de favorecimento desviado da ética.

Janaína Paschoal pensa que, tendo sido o deputado federal mais votado da história do Brasil, reeleito em 2018, Eduardo deveria manter-se no cargo para levar adiante a missão que seus eleitores lhe confiaram.

Outros acham que há gente na própria estrutura do Itamaraty capacitada e que mesmo fora da carreira diplomática muita gente está mais habilitada do que o filhão.

Olavo de Carvalho não diz que o amigo Eduardo Bolsonaro seja incapaz para o cargo; ele só acha que a aceitação podará a carreira dele, mas, o mais importante, é que ele precisa ficar na Câmara dos Deputados para destruir o Foro de São Paulo.

Caso contrário o comunismo tomará conta do Brasil.

Diz o guru da extrema direita:

– Será que neste país NINGUÉM entende que a CPI do Foro de São Paulo é coisa mais urgente e importante?

E arremata:

– O Foro de São Paulo é mais danoso do que a perda de um trilhão de dólares.

Aí vocês veem em que tipo de ideologia fomos metidos e qual a esperança que podemos alimentar para superar o oposicionismo natural que desenvolvemos pelo Messias. Quem começa só agora a enxergar essas personalidades estranhas que estão comandando os nossos destinos pode já ir se acostumando…

Só para terminar: eu realmente acho que uma pessoa não deve ser prejudicada em sua carreira política ou profissional só por ser filho de uma autoridade pública. O Eduardo Bolsonaro já tem uma carreira de voo próprio e, quem sabe, poderia desempenhar adequadamente a missão, especialmente considerando que a política que ele defenderá não é a dele, mas a do governo, bastando-lhe ser capaz de concretizá-la nas ações de caráter internacional.

A meu ver, há quem faria melhor, se fosse designado no bojo de uma política ideologicamente melhor.

Como a política é a do Olavo de Carvalho, tanto faz quem seja o ministro das relações exteriores e quem seja o embaixador do Brasil nos States.

Vá, Eduardo, e seja feliz. Dessa vez haverá quem lhe frite os hambúrgueres.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

FRITANDO HAMBÚRGUERES

Uma coisa que parece injusta é um político, digamos, um presidente da república, não poder indicar seu filho para um importante cargo público, como embaixador nos Estados Unidos, por exemplo, só porque é seu filho.

Como se sabe, os cargos de embaixador devem ser preenchidos, por lei, mediante escolha dentre os ministros de primeira classe e os ministros de segunda classe, que são cargos da estrutura do Ministério das Relações Exteriores.

Contudo, a mesma lei que o estabelece permite, também, que, em caráter excepcional, seja indicado mesmo quem não faça parte da carreira diplomática para ocupar posto de chefe de missão diplomática permanente no exterior.

As condições para o acesso a pessoas de fora da carreira não oferecem obstáculos tão difíceis de superar: basta que o indicado seja maior de trinta e cinco anos, seu mérito seja reconhecido e tenha prestado relevantes serviços ao Brasil.

O indicado pelo presidente da república, no caso de pessoa de fora da carreira do Itamaraty, terá a proposta analisada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, que a avalia, sabatina o candidato, decide em votação secreta se sim ou não, e depois o Plenário carimba.

Vamos lembrar que estamos, hoje, segundo avaliação do próprio governo executivo, sob a égide da meritocracia.

Jair Bolsonaro garantiu que esse negócio de gente no governo só porque é do partido, ou porque tem QI, o famoso “quem indica”, acabou.

Desse modo, passaria o rodo, e passou o quanto pôde, na turma do PT, o Partido dos Trabalhadores, que tinha na administração pública só gente incompetente – alega-se – mamando no Erário tão somente porque os anteriores donos do poder queriam.

E, que se dane se para chegar a isso precise até cair algum ministro ou qualquer ocupante do primeiro escalão: tem de indicar gente de fora do PT, porque todos sabem, segundo a crença firmada, que sendo do PT não tem mérito.

Pois bem, o caso inicialmente imaginado configura-se, concretamente: Jair Bolsonaro quer indicar seu, dele, filho para ser o embaixador nos Estados Unidos.

Por que não? Pergunta ele: o cargo está vago há três meses esperando o filhão completar os trinta e cinco anos necessários, e ele completou. Além de ser amigo dos filhos da maior autoridade mundial, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seu, dele, Bolsonaro, filho fala Inglês e Espanhol, tem vivência do mundo, está no radar do presidente e pode dar conta do recado muito bem.

Quanto às credenciais, o próprio Eduardo Bolsonaro as expõe: é o deputado mais votado da história aqui, ocupa o cargo de presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara e já fritou hambúrguer nos Estados Unidos.

Algumas coisas parecem claras:

Uma, que no corpo diplomático do Itamaraty, dentre o pessoal da carreira, não há alguém com mérito suficiente para o cargo de Embaixador dos Estados Unidos.

Duas, que na sociedade brasileira o melhor para isso, sobre o qual a meritocracia deve recair, é o filho do presidente da república.

Tudo bem?

Olavo de Carvalho, amigão de Eduardo, Guru do Governo, filósofo, desbocado, escritor, jornalista, astrólogo, talvez simpatizante do terraplanismo, ideólogo da direita e, principalmente, anticomunista ferrenho, acha que não.

Por quê? Não que seu amigo não detenha as condições, não que a nomeação possa carregar alguma forma de nepotismo, não!

Olavo de Carvalho acredita que ser embaixador dos Estados Unidos cortará a carreira de Eduardo, o qual precisa ficar na deputança para combater o Foro de São Paulo, esse que, ao seu ver, precisa ser destruído, pois, caso contrário, o comunismo acabará tomando conta do Brasil.

O governo de Jair Bolsonaro veio para acabar com a corrupção, permitir que a gente tenha arma, tirar a esquerda comandada pelo PT do poder e, principalmente, acabar com a ameaça comunista que estava já tomando conta do Brasil, tramando acabar com as nossas tradições, matar a religião, destruir a família e querendo impedir que as pessoas tenham arma, bem como, algo muito importante, Bolsonaro veio para inaugurar a meritocracia no preenchimento dos cargos e encargos públicos.

Então, analisando as circunstâncias, me pergunto se pode, ou se não pode, se deve, ou se não deve, atento ao fato de que se Eduardo Bolsonaro deixar o mandato de deputado federal para ser embaixador nos Estados Unidos o Foro de São Paulo perderá um dos seus mais fortes combatentes e o Brasil cairá no comunismo.

Agora, vocês decidem.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

PRESO EM UM BRASIL SURREAL

Como todos sabem, eu sou uma figura estranha, um tipo de Rasputin moderno que, por poderes mágicos, extra-sensoriais, fui capaz de perceber, há anos (e denunciar isso constantemente em minhas conversas, colunas e debates), que Lula é inocente das acusações de corrupção que o levaram a processos judiciais e a condenações.

Juntei uns pontinhos para isso: Lula nunca foi, em suas atividades profissionais e sindicais, bem como políticas, como presidente do Partido dos Trabalhadores e como deputado federal, envolvido em atividades ilícitas.

Lembro, também, que as acusações contra Lula surgiram como a cereja no bolo das delações premiadas.

Percebi, logo, que uma série de circunstâncias as favoreceram, sendo uma delas, talvez, algum deslize ético de sua parte, de fazer pouco caso de favorecimentos a sua pessoa que se articulavam a sua volta – políticos importantes em geral são alvo desse tipo de puxa-saquismo.

Tais circunstâncias se juntavam ao interesse do mesmo tipo que levou ao “impeachment” de Dilma Roussef (lembram do “conjunto da obra” que serviu a sua destituição, não é mesmo?) e vinham a calhar para afastar o empecilho de que falou Drummond, a pedra no meio do caminho.

Por fim, li tudo o que pude a respeito do seu julgamento, desde as suspeitas, delações, de investigações, “powers points”, às denúncias, testemunhos, depoimentos; e me pude surpreender com a carga extensa que foi preciso armar: não bastavam o apartamento e o sítio, era preciso pensar em apropriação de bens do Planalto; e arranjar um depósito irregular de parte desses bens valiosos em banco, pago por alguém como forma de propina; e um terreno; e um outro apartamento; e quem sabe atravessar uma obstrução à justiça e o que mais possível fosse.

Por mais que se procurasse, porém, faltava sempre alguma coisa, como, por exemplo, a posse por Lula de uma soma de dinheiro de pelo menos uma centena de milhões de reais que compensasse sua corrupção, já que os que deveriam ser seus subordinados na prática dos crimes, os criminosos confessos, entraram na posse de propinas de centenas de milhões de reais, tanto que foram capazes de devolver essa grana e, é claro, devem ter reservado algum por aí, para quando saírem da cana beneficiados por sua própria indignidade.

Mas, mais do que o dinheiro, sempre faltaram nos processos as chamadas provas robustas, concretas, objetivas, de modo que os julgadores tiveram de se curvar a isso para sentenciar com base no livre convencimento do juiz em torno de circunstâncias indeterminadas, ou algo que o valha.

Assim como a fortuna fabulosa de Lula, as provas nunca surgiram; nem mesmo qualquer delator foi capaz de afirmar que lhe pagou propina por ato conhecido de corrupção, apenas se alegou que o dinheiro disso ou daquilo saiu de uma conta de propina do PT. Pronto, tudo resolvido, raciocínio fechado!

Pois, a certeza, vinda de meus dons mediúnicos, de que Lula é inocente e de que seu sentenciamento à prisão decorreu de um esforço de retirá-lo da jogada, esforço vindo de sentimentos, intenções e ações de cunho parcial e partidário, materializou-se de fatos mais além da aceitação de um ministério pelo juiz que sentenciou um caso e conduziu o outro às portas da sentença: o ministério é do governo declaradamente de direita, que promete eliminar a esquerda, e o juiz que afastou Lula da disputa presidencial abandonou a magistratura promissora para ser politico dentro desse governo de direita e com vistas a mair tarde assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.

Os fatos “mais além” vou me dispensar de referi-los: o juiz conduziu a condenação de Lula, é o que eles atestam.

Vendo, olhando, enxergando com olhos de águia lá ao longe o meu Brasil distante, nada posso fazer quanto a isso, nem mesmo uma crônica forte, uma trova, uma canção ou um poema que preste.

BRASIL SURREAL

Estou em Paris, com a vida normal,
comendo o pão que o padeiro amassou,
mas quando me sento pra ler o jornal
vejo com surpresa que o Brasil pirou.
Aqui o calor está tropical,
mas no meu País dizem que até nevou,
e os políticos do Congresso Nacional
ainda não sabem que o barco virou.
A bolsa subiu, o dólar baixou,
se pode lucrar plantando laranjal;
e tem o acordo que a gente fechou
sem saber como é que será no final.
A mais nova moda é um carnaval
de povo enchendo manifestação,
até se tornou uma coisa banal
criança fazendo arminha com a mão.
A mim me parece que a coisa vai mal
e ainda pior com a Interceptação:
– Olhando daqui parece surreal
o Lula ainda estar na prisão!

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

TRABALHO HERCÚLEO

De Hércules, um semideus da mitologia grega notabilizado pela sua força, veio a expressão “trabalho hercúleo”.

Refere-se a uma tarefa que exige grande esforço; extremamente difícil de se realizar.

Como o que vemos, agora, quando os diálogos entre o Procurador da República Deltan Martinazzo Dallagnol e o então Juiz Sérgio Fernando Moro foram revelados pelo site The Intercept, indicando a existência de colaboração entre o juiz e o acusador no andamento de processo judicial criminal.

Certamente, a reação dos envolvidos, como acusados de irregularidades consistentes nessa colaboração, e até mesma na condução da acusação pelo juízo da primeira instância, em algum processo, vem constituindo um trabalho hercúleo, um esforço digno de Hércules na tentativa de garantir que os contatos entre uma das partes na ação, o Ministério Público, e o encarregado de sentenciar, o juiz, não representaram o que os diálogos demonstram.

Um resumo reduzidíssimo das circunstâncias de tais conversas diz que o juiz Sérgio Moro sugeria ao procurador Deltan Dallagnol que trocasse a ordem de fases da Lava Jato, cobrava agilidade em novas operações, dava conselhos estratégicos e pistas informais de investigação e, ao menos em uma decisão, criticou e sugeriu recursos ao Ministério Público e deu broncas no procurador, além de ter levado Dallagnol a retirar das audiências uma procuradora que o juiz julgava muito fraca em ação na qual se empenhavam esforços para condenar à prisão o ex-presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva – à qual ao final foi sentenciado.

Querem convencer de que são normais os contatos entre o juiz e as partes nas situações em que se deram e foram reveladas ao público.

Pois bem, quando se dá um esforço gigantesco (como que se está vendo neste momento em que partes envolvidas na condenação de Lula, políticos que a ele se opõem, parte da imprensa alinhada ao endeusamento do juiz envolvido, hoje Ministro da Justiça, redes sociais que dão apoio incondicional a qualquer comportamento da chamada Operação Lava Jato e, enfim, forças em geral que estão agindo a favor de Moro e Dallagnol, nesse trabalho hercúleo de justificar as ações reveladas pelos diálogos) significa que a força da ação em sentido contrário é também muito grande.

Ou seja, a represa que está sendo construída não se destina a conter um regato, mas um volume imenso das águas de grandes rios.

Trata-se de um cabo-de-guerra entre duas forças poderosas, de modo que é preciso até mesmo que a população conivente saia às ruas para dar apoio ao lado que enfrenta as acusações de parcialidade, pois as revelações de conluio decorrentes dos diálogos são poderosas.

“Manifestações de rua em defesa do ministro da Justiça, Sergio Moro, e da operação Lava Jato foram convocadas nas redes sociais para o dia 30 de junho. O catalisador dos atos é a publicação de supostas mensagens trocadas entre o ex-juiz e membros da força-tarefa da Lava Jato, divulgadas pelo site The Intercept, que questionam a conduta de Moro e procuradores do Ministério Público Federal”, diz a Gazeta do Povo, informando sobre as convocações.

Pois, vá correndo levar teu indispensável e irresponsável apoio para as ruas no dia 30 de junho de 2019 e participar do Trabalho de Hércules em favor de Moro, porque as revelações são graves e precisam de muito, muito esforço para que Lula seja mantido injustamente condenado.

Os que estão no outro lado do cabo-de-guerra não precisam ir às ruas: os diálogos falam por si.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

A TRISTEZA QUE ME DÁ

Por estes dias, ando macambúzio. Só o que me desalivia o peso sobre o espírito são os ares de Paris.

Paro em um grego do Quartier Latin e peço um cone de batatas fritas a dois euros e saio comendo pela rua, quase de cabeça baixa. Ando pela beira do Sena, desbundo-me na Ponte Alexandre Terceiro, peso-me o coração de dor ao olhar a fachada da Notre Dame, queimada e vazia por dentro, espanto-me com as sirenes de um comboio de carros da polícia que vão descer o cacete nuns coletes amarelos.

Mas nada me tira, completamente, o fardo de chumbo derretido que me deprime com as notícias de que Sérgio Moro e o Ministério Público praticaram atos que confirmam as suspeitas de que os processos contra o presidente Lula foram baseados em falsidades.

Pensarão que eu devia estar alegre e com a alma leve! Pois, então, não existe mesmo a possibilidade de que, com as revelações do The Intercept, possam mesmo os processos contra Lula (e até contra outros) serem anulados, como aconteceu com a Operação Satiagraha (2004/2011) e com a Operação Castelo de Areia (2009/2011)?

Sim, existe.

E isso, para quem acompanhou os processos contra o Lula, desde as investigações, passando pelas apurações e denúncias, até o desenrolar do processo, sua sentença e confirmação pelo TRF4 e pelo STJ, traz um sentimento de que a Justiça possa ser feita e que Lula (que acreditamos inocente das acusações, até por inexistirem dados concretos de sua pretensa corrupção e por nunca ter sido encontrado o dinheiro grosso, que essa corrupção teria de ter rendido, em qualquer conta sua escondida no Brasil ou no exterior, ou debaixo do colchão) possa ter todo o processo revisto, desde às origens, que hoje todos sabem que devem estat contaminadas – de cabo a rabo.

É que insistíamos em acreditar que esses homens acreditavam, ainda que a meu ver envolvidos pelo ambiente político e social contaminado, estar aplicando a lei; e pensavam estar fazendo um julgamento isento.

Algo semelhante acreditei que pudesse ter havido com o segundo processo, sentenciado pela juíza Gabriela Hardt, que copiou a fórmula, acreditando que – pelas aparências formais – tudo tinha andado bem e ficava claro que se Lula tinha aprontado no tríplex não havia porque não tê-lo feito em Atibaia: a juíza, pelo menos, estava de boa-fé?

Pois, o castelo de cartas caiu e com ele a minha crença na isenção de propósitos de toda essa turma, inclusive na imparcialidade dos juízes do segundo e terceiro grau, que não tiveram a capacidade de ver que, ainda que os aspectos formais dos processos parecessem regulares, existia uma evidência de animosidades mais do que latentes, patentes, em episódios como o da apresentação de Lula como o centro de tudo no esquema de corrupções, bem como em atitudes do juízo do primeiro grau na condução do processo – de modo que esse fechar de olhos e o apoio irrestrito à barbaridade processual, mesmo com as reduções da pena e da multa absurda pelo STJ, denotam a existência do “tour de force” condenatório.

Hoje, não há mais dúvida: todos agiram, seja em concluio, seja em combinação, seja em vista grossa ou apoio tácito, com o fim de justiçamento, adotando o princípio de que os fins justificam os meios, para tomarem-se em cruzada contra a corrupção.

E isso me leva a esta tristeza. Agravada pelo fato de que Lula está preso há um ano, por uma condenação absolutamente irregular.

E há quem aplauda.

E minha tristeza aumenta ainda mais ao sentir que quem aplaude também há de estar envolvido na conspiração.

É esse, mesmo, o País que dizem querer deixar para filhos e netos?! Um País de nulidades?

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

IMPOSSIBILIDADES LÓGICAS

Vivemos como se tivéssemos nascido hoje e encontrado o mundo pronto.
Quase nada nos surpreende.

É que, numa aparente contradição ao que acabo de dizer, nascemos “zerados” e vamos nos acostumando dia a dia, por anos e anos, com o que nos cerca. Desse processo paulatino gera a percepção de que tudo é, por assim dizer, ordinário.

Desse modo, tudo parece natural, nada nos choca; nem uma televisão colorida de imagem perfeita, transmitindo fatos que podem acontecendo neste mesmo momento em outro lado do mundo, nem um telefone móvel, diminuto, com uma infinidade de funções, enriquecido por uma máquina fotográfica que pode produzir milhares de imagens sem dificuldades ou custos, nem este lap-top que ora utilizo, que é capaz de operações inimagináveis em frações de segundos…

Esses avanços da ciência, assim como os dos usos e costumes, que nos permitem viver em um mundo dinâmico, confortável e altamente produtivo, são vistos com a tal naturalidade que ignora o quanto foi realizado pela inteligência humana para chegar a esse ponto.

Entretanto, mesmo se paramos para pensar nisso, não nos esbarramos em questões da lógica formal que criem algum obstáculo às origens das realizações científicas, tecnológicas e humanistas obtidas: dá-se que existe uma ligação entre os avanços da tecnologia e as descobertas relativas ao uso da eletricidade – uma coisa leva a outra, passo a passo, o que diminui a surpresa da ponta final (isto é, a atual) dos processos de evolução e de civilização.

Quero apontar que estamos, por enquanto, tratando das possibilidades lógicas, ou seja, das coisas que existem e podem ser explicadas, até um certo ponto.

Mas…

Não nos admiramos, por exemplo, com as impossibilidades lógicas que nos rodeiam.

Ou melhor, não nos surpreendemos com a nossa impossibilidade lógica, sendo a primeira delas a própria existência.

Pois, o certo é que a existência não deveria existir. O lógico seria existir o nada (uma contradição intrínseca, em seus próprios termos, quando falamos de existir a inexistência).

Deste modo, o fato de haver espaço, possibilitando e tendo coisas “dentro”, constitui um absurdo que em geral não percebemos: – Como assim? As coisas estão aí e ponto final.

Surge nova questão: As coisas estão aí… onde? E a resposta pode revelar outra impossibilidade desapercebida: – Em todos os lugares.

E nos defrontamos com o tal do infinito.

Por uma imposição da inteligência humana, o espaço não pode ter fim. Não é que mesmo que andássemos pela eternidade em um determinado sentido não chegaríamos ao fim, é mais que isso: Independente desse caminhar no sentido do infinito, é forçoso reconhecer que projetando a nossa mente a um fim possível do espaço somos obrigados a decidir que não há esse fim, não pode haver um fim para o Universo (considerado todo o espaço do cosmo), sendo que não tendo ele um fim tudo é possível de acontecer aí dentro – isto é, a quantidade de mundos, sóis e demais corpos celestes podem também ser infinitos, de modo que onde houver espaço poderá haver um mundo; e como o espaço não acaba, os mundos também não acabam, em tese; e sequer podemos determinar se as leis (da “natureza”) que conhecemos se estendem a lugares tão longínquos a que jamais será possível ter acesso.

Não paramos por aí. Pensando na existência, precisamos pensar em seu começo, e esbarramos em mais impossibilidades lógicas: – Não pode haver um começo, no sentido de uma data de início da existência do Universo, e nem pode haver um fim, isto é, nossa mente não pode imaginar que o Universo, compreendendo espaço e matéria “dura”, teve início um dia, porque teria de supor que antes não havia nada, sendo que nossa inteligência não pode admitir que do nada surgiu tudo o que nos rodeia, o infinito que nos esmaga.

Não há como pensar, ainda, que um dia tudo acabará, como se o infinito “encolhesse” até desaparecer dentro de si mesmo, restando a tal da inexistência, inexistência que não temos como imaginar ou aceitar.

Pois, tudo isso aí está, jamais saberemos a respeito disso e para não queimar a cabeça simplesmente deixamos para lá questões que são importantes para, pelo menos, nos incomodarem, pois levam, inclusive, à questão da suma impossibilidade lógica, que é a de estar aqui, existindo e escrevendo, e de estares aí, existindo e lendo.

Chegaríamos à questão da imanência da vida na Terra, e quem sabe em outros mundos, algo como perceber que ela está aqui e ali, em qualquer lugar do universo, em qualquer mundo, pronta para brotar em determinadas “condições de temperatura e pressão”, nos moldes em que a conhecemos (a vida, orgânica, animal, vegetal), e como essa “imanência” se constituiu.

E aqui iniciamos um novo ciclo, de surpresas do ser jogado no mundo, de estar aqui, como diria Sartre, simples assim: um espermatozóide fecundou um óvulo, um bebê foi gerado, cresceu no útero da mãe e aqui estou eu, a impossibilidade lógica pensando e falando das impossibilidades lógicas para ti, meu caro logicamente impossível.

Penso, então, em minha inexistência antes de existir e nela a partir do momento em que deixar de ser.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

VAMOS COMBINAR

Vamos combinar que a Globo não pagou propina a Lula quando o contratou para dar palestra remunerada, bem remunerada, como remuneraram os demais contratantes. O que a Globo possivelmente pretendia, deve-se imaginar, seria ficar bem na fita com um possível presidente da república, de novo.

Vamos combinar que dezenas de empresas que contrataram palestras do Lula não têm relação com a Operação Lava-Jato: a ABAD – Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industriais, a Associação de Bancos do México, a Abras – Associação Brasileira de Supermercados, a ALL América Latina Logística, a Ambev, o Banco Santander, o Bank of America, o BBVA Bancomer, o BTG Pactual, o Centro de Estudos Estratégicos de Angola, o CFELG – Centro de Formacion y Estudios en Liderazgo y Gestion (Colômbia), o Cumbre de Negócios (México), o Dufry do Brasil, a Elektra, a Endesa, a Gás Natural Fenosa, o Grupo Petrópolis, a Helibrás, a Iberdrola, a IDEA (Argentina), o Itaú BBA, a LG Electronics, as Lojas Americanas, a Microsoft, a Nestlé, a GDF Suez Energy Latin America, a Pirelli, a Quip, a Revista Voto, a Sinaval, a Telmex, a Telos Empreendimentos Culturais, a Terra Networks e a Tetra Park.

Das dezenas de empresas que o contrataram, são empreiteiras: a Camargo Corrêa, a OAS, a Odebrecht, a Queiroz Galvão, a Andrade Gutierrez e a UTC.

Vamos combinar que a fortuna de Lula, avaliada na relação de bens do casal, quando do falecimento de sua esposa, em onze milhões e setecentos mil reais, é compatível com seu nível de remunerações regulares e com os R$ 7.589.936,14 que ele recebeu como sua participação (lucros) da empresa LILS que ele criou para administrar essa atividade de palestrante.

Isso combinado, vamos combinar que a fabulosa fortuna de Lula, de onze milhões e setecentos mil reais, que inclui imóveis e veículos, tem origem lícita – ou precisaríamos acreditar que dezenas de empresas pagaram propina a Lula sem o menor motivo.

Agora vamos aos contratos da Petrobras, pelos quais Lula teria obtido fabulosas somas em propinas:

Além das delações anteriores, o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, condenado a mais de 40 anos de prisão, acaba de declarar ao juiz Sérgio Moro que dos contratos da Petrobras, aos quais ele se referiu, afetados pela corrupção, um por cento ia para propinas: um terço ficava “para a casa” e dois terços iam “para Lula, José Dirceu e o Partido” (o PT, é claro).

Vamos combinar: Duque, criminoso confesso e condenado, tem interesse em fazer delações para amenizar suas penas – o que não quer, absolutamente, dizer que as suas informações são inverídicas, inventadas para conseguir os benefícios da lei.

Vamos combinar, porém: – Onde estão os quinhentos milhões de reais das propinas de Lula, de Dirceu e do PT?

– Como assim, quinhentos milhões de reais?

Vejamos:

Duque fala que os contratos de que ele está tratando são da ordem de vinte bilhões DE DÓLARES.

Aos dias de hoje, 20 bilhões de dólares correspondem a mais ou menos 74 bilhões de reais.

Um por cento de 74 bilhões de reais dão R$ 740.000.000,00, setecentos e quarenta milhões de reais, se minhas contas estão certas.

Dois terços disso resultam, em redondos, os 500 milhões de reais de que falei.

Digamos que esses reais foram divididos em partes iguais entre Lula, José Dirceu e o PT.

Então, vamos combinar, o PT tem, ainda em números redondos, escondidos, cento e setenta milhões de reais.

E, vamos combinar, José Dirceu deve ter enfiado cento e setenta milhões de reais na lata de café, bem escondida no armário da cozinha.

Lula foi acusado e condenado porque teria recebido de propina, “em contratos da Petrobras”, um apartamento e sua reforma; está processado sob a acusação de ter ganhado, como propina também em contratos da estatal, mais um sítio e sua reforma.

Se essas ditas propinas somam uns três milhões de reais, e se fazem parte da fortuna declarada de Lula, ele precisa ainda dar conta de mais CENTO E SESSENTA E SETE MILHÕES DE REAIS.

Mas como Lula teria recebido mais algum das empreiteiras, por palestras, tendo sido a sua parte nos lucros da LILS de uns sete milhões de reais (incluindo palestras para a Globo que a gente ainda não compreendeu porque é que a Globo paga propina pro Lula), digamos que desses sete milhões (para engrossar bem as contas) o total foi de propina, ou seja, todas as palestras esconderam propinas.

Mesmo assim, Lula ainda tem de dar conta de CENTO E SESSENTA MILHÕES DE REAIS.

Vasculharam a vida de Lula e suas contas bancárias, não encontraram contas no exterior, nem cofres enterrados, nem bens em nome de laranjas, rastrearam tudo e não conseguem achar nada que não sejam os bens declarados, e ele teria de ter, pela declaração de Duque, mesmo que a divisão fosse em partes iguais (o que não deveria acontecer, pois se diz que ele “é o chefe da quadrilha”), pelo menos cento e sessenta milhões de reais absolutamente improváveis pelas investigações realizadas.

Vamos combinar, né gente?