UM GOVERNO PIEGAS

Há algo absolutamente incompreensível na doutrina que inspira o novo governo, do Jair Bolsonaro, que tem a ver, justamente, com o seu caráter messiânico – coincidência com o sobrenome Messias do presidente, que nos sugere a intervenção divina na mudança de rumos do Brasil, de um caminho que se acreditava materialista para a assunção da auréola de santidade.

– “Bandido bom é bandido morto”, acesso às armas de fogo, tortura para abrir o bico e outros posicionamentos aguerridos não parecem, à primeira vista, combinar com a paz do cristianismo, mas, vamos e venhamos, nem sempre as religiões foram alheias a umas torturazinhas, batalhas e sangue, que o digam as Cruzadas, a Inquisição e, mesmo, Santa Joana D’Arc, só para ficar em alguns exemplos.

Mas o que incomoda, particularmente, com a doutrina que eu dizia inspirar o novo governo – é a falta de sinceridade, unidade e coerência dela.

Talvez seja o fato de ser um governo de extrema direita, mas não poder deixar que isso seja explícito.

Todos sabem que não convém, em pleno século vinte e um, com as luzes que brilham no Direito, na Sociologia, na Psicologia e em tantas ciências humanas, não convém, eu dizia, assumir barbaridades, como a homofobia (condenação às práticas homossexuais) , a misoginia (aversão, repulsa e ódio às mulheres), o racismo (exercido principalmente contra os negros), a xenofobia (horror ao estrangeiro, no caso particular dirigido aos países alinhados com políticas consideradas antidemocráticas)

Como não fica bem defender publicamente o fim ou o enfraquecimento de garantias de direitos, como o “habeas corpus” e a presunção de inocência.

Também não é de bom-tom abraçar políticas que signifiquem deixar os pobres à própria sorte, pondo-se frontalmente contra o sistema de cotas.

Nem causará boa impressão abandonar políticas assistencialistas aquelas (que por serem benéficas rendem votos), como bolsas-família, minha casa minha vida,luz para todos, pois isso parece maldade e não se pode justificar a maldade simplesmente dizendo que a esmola humilha o cidadão e que para vencer basta ter vontade.

Para ir adiante e conseguir impor as “conquistas” retrógradas é preciso declarar nada ter contra viados, mulheres e negros, abraçá-los e sorrir para eles e tomar um longo banho quando chegar em casa, enquanto mantém subrepticiamente ações no sentido contrário.

É preciso fazer crer que só a reforma da previdência tirará o País do buraco e dizer que se trata de uma medida amarga mas necessária, para que o povo coma o jiló e ainda se sint a como o herói de uma (falsa) causa.

O lobo em pele de cordeiro avança em suas conquistas, passo a passo..

Porém – e aí é que reside o problema – os principais teóricos e a multidão de apoiadores do novo governo não concordam com tais disfarces: Eles querem que o governo execute o que veio para, em seu nome, executar. Sem sofismas.

E o que é para executar?

Bem, deve ser alguma doutrina olavocarvalhista, se é que ela existe, e que se existe deve estar resumida em Seleções do Reader’s Digest, no “american way of life”, no conservadorismo absoluto dos costumes, na guerra ao que não seja branco, puro e imaculado, na filosofia de que sexo só deve ser praticado para a procriação, e assim por diante “ad infinitum”.

Liberalismo? – Só na economia! Deixemos que o capital corra solto, porque ouro é o que move o mundo.

Um sinal de que as coisas não andam bem entre governo e quem o pôs lá é que o guru, o filósofo da nova ordem, já avisou que está fora, não é isso que ele quer. Olavo de Carvalho exige que o governo governe com a sua verdadeira cara e, como a seu juízo não o está fazendo, já pediu que seus pupilos abandonem o barco.

E não só isso: o próprio vice-presidente é alvo do descontentamento do guru do governo com o governo que ele, o guru, idealizou e pretendeu criar: – Talvez o general Mourão seja, no governo, “o único remanescente fardado de tudo aquilo que julgávamos ter derrotado nas eleições”, mas, pensa Olavo, talvez “haja outros como ele”.

Face a isso, Mourão chegou a dizer: – Olavo de Carvalho acha agora que sou comunista. Paciência… – E nós acrescentamos: – Que loucura!

Pois, paciência é o que precisamos ter com um governo que parece querer impor um espírito militar nas escolas, que nelas meninos se vistam de azul e meninas de cor-de-rosa, e que sonha em restabelecer os tempos românticos do bolero e do samba-canção, quando a gente dançava coladinho, homens mandavam flores e abriam a porta do carro para as mulheres.

Oquei, tenho saudades desses tempos, das anáguas e das cinturinhas finas, mas são apenas saudades, não propósitos – afinal, não desejo para o meu País um governo piegas, mas realizador e, acima de tudo, moderno e humano.

A mensagem que o bolsonarismo passa é de mais do que pieguice, é de “idealismo”, aquele idealismo como uma filosofia que propõe que se eu consegui todos também podem (sabem aquele negócio de que também nasci pobre mas venci? Pois é…).

Por baixo disso que está aí corre um rio subterrâneo, silencioso mas caudaloso, e sob o aspecto de que há calma e resignação podem as forças globais enviar algum sinal de que o mundo sabe e responde, eventualmente na forma de um Nobel da Paz para Lula.

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UM GOLPE DE MESTRE

Goiano Braga Horta

Temos de concordar: os norte-americanos estão à frente, entretenimento é com eles mesmos, seja música, cinema, parques de diversão, o escambau, eles é que mandam – e mandam bem. Podes falar, mas o que ouves é música americana, o que vês é o cinema deles, o que comes e bebes têm aquelas marcas fabulosas e se queres emoção para valer vais para Miami, Orlando… é Flórida!

Queres avanços na inteligência policial e militar não vais procurar em outro lugar. E os exemplos na política, na democracia (por assim dizer), é claro que é com eles.

Na economia, nem se fala: tá bom, a China se tornou aquela potência, mas, todos sabemos, muito às custas de tirar a pele fininho dos trabalhadores, além de umas certas sacanagens com marcas e patentes.

Os nossos Grandes Irmãos do Norte são inteligentes e estão atentos aos talentos!

Vejamos um caso:

Certamente, Tramp já estava de saco cheio com Maduro. Os americanos têm horror ao tal de comunismo, os assessores militares garantem que a Venezuela já implantou esse regime terrível e desumano lá, tem gente na minha família que acredita e confirma, e isso pode contaminar os Estados Unidos. Afinal, de Caracas a Miami é um pulo, uns dois mil quilômetros, vai que a Coréia do Norte põe uma base militar lá…

Outros dizem que o problema é mais de interesse na riqueza do petróleo e que é o que os americanos querem pegar, mas isso é meio assim parecido quase que com uma teoria da conspiração.

Eu não sei, não consigo acompanhar daqui de longe essa embrulhada, mas é como se eu visse Tramp amanhecendo pronto para intervir e acabar com a palhaçada, botar as tropas na rua, cercar o litoral com navios de guerra, apontar mísseis, essas coisas. Chama a tropa, digo, o Alto Comando e diz que é hora de atacar.

Aí, um copeiro ouve o papo na reunião e diz:

– Se me permite, senhor presidente, o mundo vai ficar contra o senhor, contra nós, se invadirmos um país, ainda que seja a Venezuela. Creio que teríamos de fazer um movimento em contrário, de modo que o mundo inteiro não só ficasse ao nosso favor como ainda nos ajudasse.

– Fala aí, moleque – retrucaria Tramp.

– É o seguinte, o senhor faz uma campanha de ajuda humanitária ao povo venezuelano, que está numa pindaíba só. Vamos mandar alimentos, remédios e o que mais eles necessitarem.

– Tá maluco? – Diria alguém do Alto Comando Militar.

E o copeiro continuaria:

– Maluco nada. É claro que Maduro não vai aceitar! Onde ficaria o seu orgulho? Tu aceitarias?! Pois ele vai recusar a ajuda e a gente, junto com o Brasil e os demais países que se alinharam conosco lá embaixo, vamos obrigar eles a receberem, vamos enfiar-lhes a ajuda pela goela abaixo!

Tramp, esperto, entende e vê bem mais à frente:

– Pois é, o povo quer a ajuda porque precisa dela, esse povo se junta com a oposição, a gente já colocou aquele interino lá, faz um movimento da peste, bota os caminhões com a ajuda nas fronteiras, vira aquele escarcéu, eles fazem a revolução, espetam Maduro no poste, a direita assume, menos uma droga de uns esquerdistas nos nossos calcanhares, a democracia floresce e nós tomamos de conta.

– De conta, presidente?

– É, é um novo jeito de falar que estou aprendendo.

Faz uma pequena pausa e acrescenta:

– Vão lá, comecem a encher aviões, navios e caminhões com os gêneros, chamem o mundo todo para entrar nessa e vamos ajudar a Venezuela humanitariamente na marra!

E termina:

– E promovam imediatamente esse garoto a garçom. Esse moleque vai longe!

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NÃO É HORA DE CHORAR POR LULA

Goiano Braga Horta

Berto me convida para retomar a coluna que mantinha no Jornal da Besta Fubana e a hora seria propícia para comentar a segunda condenação de Lula, por doze anos e meio de prisão, no caso do Sítio de Atibaia.

Ainda não pude ler o inteiro teor da sentença, entretanto algumas notícias já nos dão idéia de barbaridades que continuam a ser cometidas pelo chamado livre convencimento do juiz, uma vez que as amostras do noticiário já parecem indicar que dentre uma série de barbaridades, a mais gritante se repete: – Não se pôde demonstrar a prática, por Lula, de atos concretos de “ajuda” a empresas corruptas para que elas pudessem ter vantagens ilícitas na obtenção de contratos com a Petrobras.

O juízo da 13ª Vara da Justiça Federal insiste em julgar por suas próprias razões, convencidos os julgadores de que, a uma, Lula recebeu vantagens distribuídas por empreiteiras, a duas, que essas vantagens só podem constituir contrapartida e, a três, que a forma de receber os “presentes” é, sem dúvida, lavagem de dinheiro.

Tanto quanto se sabe, nem no caso do tríplex, como nem no caso do sítio, algum delator teve a cachimônia de denunciar que Lula recebeu os favores por ter feito isso, aquilo e mais aquilo outro em favor de empresas, de modo que sequer as delações, tidas como provas, ou formadoras de um conjunto indiciário, carregariam o poder de garantir a atuação desonesta de Lula – que mais não fora, se o fosse, de fechar os olhos a favores feitos por empresas interessadas em estar bem na fita com um ex e, muito provavelmente, futuro presidente do Brasil, ou, que tanto não fosse, autoridade de destaque na república.

Vários juristas se debruçam sobre a questão do convencimento do juiz formado pela análise de indícios trazidos em delações e corroborados por outros indícios, condenando essa forma de fundamentação de sentenças condenatórias que correspondem à afirmação de que o cachorro entra na igreja porque encontra a porta aberta, como é o caso do advogado criminalista Guilherme Kuhn.

Bem, seria esse o material que eu começaria a explorar hoje, inaugurando esse regresso digamos assim oficial.

Mas o momento não é disso, a hora é de chorar e rezar pelas vítimas das recentes tragédias brasileiras em Brumadinho e no Ninho do Urubu do Flamengo, além dos demais mortos e feridos pelas recentes tempestades – não de chorar por Lula.

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A VERDADEIRA VIAGEM PELO TEMPO

Goiano Braga Horta

Xavante (como era conhecido) foi chamado à NASA, a agência espacial norte-americana. Suas pesquisas ficaram conhecidas pelos técnicos, que examinavam a possibilidade de viagem pelo tempo, e achavam que Xavante tinha uma chave, algo que combinado com os estudos feitos pelos cientistas deles poderia completar o quebra-cabeças desenvolvido por dezenas de anos.

Xavante era na verdade Ubiratan. Filho de índios, quando nasceu deveria ser morto por ter vindo com um defeito em uma das pernas. Sua mãe fingiu que o levava para o mato, mas entregou-o a um indigenista que visitava a aldeia para que o levasse embora e salvasse a sua vida.

O homem que o levou não podia ficar com ele, era solteiro e vivia em incursões na mata, trabalhando para o governo do Brasil em contatos com os indígenas, não podendo interferir em suas culturas.

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