FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

NOTAS SUPIMPAS

1. Uma pesquisa assinada pelo jornalista Edson Athayde, publicada pelo Diário de Notícias, alguns anos passados, em Lisboa, relacionou algumas pérolas produzidas por noticiaristas europeus, alguns deles de méritos internacionais. Escolhi uma pequena coleção, para uma ampla e irrestrita desopilação figadal:

– “Parece que ela foi morta pelo seu assassino”;

– “Ferido no joelho, ele perdeu a cabeça”;

– “Os antigos prisioneiros terão a alegria de se reencontrar para lembrar os anos de sofrimento”;

– “Quatro hectares de trigo foram queimados, a princípio trata-se de um incêndio”;

– “O velho, antes de apertar o pescoço de sua mulher até a morte, suicidou-se”;

– “No corredor do hospital psiquiátrico, os doentes corriam como loucos”;

– “Ela contraiu a doença na época em que estava viva”;

– “O aumento do desemprego foi de 0% em novembro”;

– “Esta nova terapia traz esperanças a todos aqueles que morrem de câncer a cada ano”;

– “Apesar da meteorologia estar em greve, o tempo esfriou ontem intensamente”;

– “Um surdo mudo foi morto por um mal entendido”;

– “A vítima foi estrangulada por golpe de facão”;

– “Este ano, as festas de 4 de setembro coincidem exatamente com a data de 4 de setembro, que é a data exata, pois o 4 de setembro é um domingo”

Para completar a dose desta primeira nota, algumas falas foram retiradas de registros oficiais de tribunais de além mar. Todo o escrito a seguir foi transcrito como foi falado, algumas deles já integrando o Equiness Book. Eis uma amostra:

– “Foi este o mesmo nariz que você quebrou quando criança?”;

– “Então, doutor, não é verdade que quando uma pessoa morre durante o sono, na maioria dos casos ela o faz de maneira calma e não se dá conta de nada até a manhã seguinte?”;

– “Foi você ou seu irmão que morreu na guerra?”;

– “O filho mais jovem, o de 20 anos, quantos anos ele tem?”;

– “O que significa a presença de esperma? – Significa relação consumada. – Esperma masculino? – É o único que eu conheço”;

– “Você tem filhos ou coisa do gênero?”;

– “Vou lhe mostrar a Prova 3 e peço-lhe que reconheça a foto. – Este sou eu. – Você estava presente quando esta foto foi tirada?;

– “Então, Sr. Johnson, como o seu casamento acabou? – Por morte. – E ele acabou pela morte de quem?”;

– “Há quanto tempo você está grávida? – Vai completar 3 meses no dia 8 de novembro. – Então, aparentemente, a data da concepção foi 8 de agosto. – Sim. – E o que você estava fazendo?”;

– “Sra. Jones, quantas vezes a sra. cometeu suicidio?”;

– “Ela tinha 3 filhos, certo? – Sim. – Quantos meninos? – Nenhum. – Tinha alguma menina?”;

– “Você não sabe o que era, nem com o que se parecia, mas você pode descrever?”;

– “Você disse que a escada descia para o porão. Essa escada, ela também subia?”;

– “O senhor está qualificado a apresentar uma amostra de urina? – Sim, desde criancinha.”

2. Me locomovendo com a Sissa, no sábado, para assistir o notável filme Divaldo, mil vezes superior ao Kardec outro dia em cartaz, motorista me contou um fato pra lá de interessante. Sua filha de 8 anos, chegando da escola, lhe informou que a professora tinha colocado num teste escolar “Qual era o nome de Tiradentes?. E que ela, percebendo a “pegadinha” preparada pela docente, de bate-pronto colocou no papel a resposta: Tiradentes. Segundo ela, o nome de Tiradentes era Tiradentes, sem tirar nem pôr!!

3. Releio uma carta de Euclides da Cunha, escrita em agosto de 1909. E me convenço da sua gritante atualidade: “Estamos no período hilariante dos grandes homens-pulhas, dos Pachecos empavesados e dos Acácios triunfantes. Nunca se berrou tão convictamente tanta asneira sob o sol”. E atualmente compreendo bem melhor a indignação do autor de Os Sertões, ao rememorar a notável Hannah Arendt, no seu livro Entre o Passado e o Futuro: “O problema da educação no mundo moderno está no fato de, por sua natureza, não poder este abrir mão nem da autoridade, nem da tradição, e ela ser obrigada, apesar disso, a caminhar em um mundo que não é estruturado nem pela autoridade nem tampouco mantido coeso pela tradição”.

4. Não tenho vergonha de dizer que chorei ao assistir o filme DIVALDO, sábado pela manhã no Tacaruna, na companhia da Sissa, minha inspiração cotidiana, e Tânia, cunhada muito amada. Com a franqueza de sempre: o filme, para mim, foi mil vezes superior a KARDEC, outro filme espírita recentemente exibido. Vale a pena assistir o filme DIVALDO. Encanta, evangeliza e torna o ambiente bem humorado, com ampla fragrância de rosa, presença da médium Joana de Ângelis, orientadora de Divaldo Franco, pressentida por muitos em toda a área de exibição da película. Um filme merecedor de entusiásticos aplausos ao final da exibição. Louvado seja Deus!!! Viva Divaldo Franco, uma mescla de Francisco de Assis com Paulo de Tarso do mundo contemporâneo !!

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

SOBRE OS AMANHÃS HEBRAICOS

Recomendado por amigo-irmão judeu, contemporâneo de Universidade Católica de Pernambuco, anos 60, hoje sediado em Campinas, docente laureado da Unicamp, adquiri o livro Tempo Futuro – judeus, judaísmo e Israel no século 21, Rabino Lord Jonathan Sachs, SP, Editora Sêfer, 2013, 269 p. Reflexões analíticas feitas pelo mundialmente conhecido rabino, que, segundo Roberto Luiz Guttmann apresentador do livro, faz “um apelo em defesa da liberdade e da afirmação e santificação da vida, fundamentada nos valores pelos quais nossos antepassados viveram e estavam dispostos a morrer: justiça, equidade, compaixão, amor ao estrangeiro e dignidade do ser humano, independentemente de cor, cultura e credo”. Segundo o Rabino Sacks, “a vida pode ser cheia de riscos e, ainda assim, ser uma bênção. Ter fé não significa viver com segurança. A fé e a coragem de conviver com a incerteza, sabendo que Deus está conosco na difícil mas necessária jornada para um mundo que honra a vida e valoriza a paz”.

Além de um Prólogo, o livro contém onze capítulos: 1. História do Povo, Povo da História; 2. Ainda existe um povo judeu?; 3. Continuidade judaica e como obtê-la; 4. O outro: judaísmo, cristianismo e islamismo; 5. Antissemitismo: a quarta mutação; 6. Um povo que habita só?; 7. Israel, portal da esperança; 8. Um novo sionismo; 9. Conversa judaica; 10. Torá e sabedoria: o judaísmo e o mundo; 11. Tempo futuro: a voz da esperança na conversa da humanidade. Além de Epílogo, Notas e Leituras Suplementares.

No Prólogo algumas reflexões do autor merecem atenção redobrada dos historiadores dos amanhãs e de todos nós, cidadãos do mundo:

a. Israel vê-se diante de um coro de reprovações internacionais à sua tentativa de combater o novo terrorismo que, cruelmente, refugia-se no meio de populações civis. Se nada faz, Israel deixa de cumprir o primeiro dever de um Estado, que é o de proteger seus cidadãos. Se faz alguma coisa, os inocentes sofrem. É um enigma capaz de causar perplexidade à mente mais criativa e atormentar a consciência mais escrupulosa;

b. Diferentemente de Theodor Herzl, que imaginava que a existência do Estado de Isael daria fim ao antissemitismo, Israel tornou-se o foco de um novo antissemitismo, quando o Holocausto é uma lembrança vívida, constituindo-se um dos fenômenos mais chocantes da história da humanidade;

c. Há uma crise da continuidade judaica. Em toda a Diáspora, em média, um em cada dois jovens judeus escolhe, por meio do casamento misto, da assimilação ou do desligamento, não continuar a história judaica, sendo a última folha de uma árvore que durou quatro mil anos;

d. Há o eclipse do sionismo religioso em Israel, e da ortodoxia moderna na Diáspora, as duas modalidades de judaísmo que acreditavam na possibilidade de manter as condições clássicas da vida judaica no mundo moderno. Os judeus ou estão se envolvendo no mundo e perdendo a identidade judaica, ou perseverando sua identidade e afastando-se do mundo;

e. Há divisões incessantes dentro do universo judaico, a ponto de ser difícil falar dos judeus como um povo com destino comum e identidade coletiva;

f. O que domina, hoje, a consciência judaica, é a imagem de um povo sozinho, cercado de inimigos, privado de amigos, levando a más decisões e correndo o risco de tornar-se uma profecia que se autorrealiza;

g. Os judeus precisam recuperar a fé, não a fé simples, o otimismo ingênuo, mas a crença de que não estão sós no mundo. A fé manteve o povo judeu vivo. A fé derrota o medo;

h. O medo gera um senso de vitimização. A vítima acha que está só e todos estão contra ela, ninguém a compreendendo. Adota então duas opções: fechar-se dentro de si ou agir agressivamente para se defender, culpando o mundo e não a si própria. Seus temores podem ser reais, mas a vitimização não é a melhor maneira de lidar com eles. O medo é uma reação errada à situação dos judeus no mundo contemporâneo, sempre se acreditando que os tempos são os piores possíveis, embora jamais, em quatro mil anos, os judeus desfrutaram, simultaneamente, de independência e soberania em Israel e liberdade e igualdade na Diáspora;

i. Apesar das guerras e terrorismos, a época contemporânea não é a pior das épocas, mas a mais desafiadora. Há um florescimento cultural, educacional e até espiritual da vida judaica na Diáspora que seria inimaginável um século atrás; e

j. Atualmente, corremos apenas o risco de esquecer quem são os judeus, por que o povo judeu existe e qual é o seu lugar no projeto global da humanidade, no passado sobrevivendo sempre sob um balizamento: não viviam só para si.

O propósito do livro, segundo o rabino Sacks, é uma questão mais ampla: quem são os judeus e por quê? E ele esclarece: “Meu papel é pequeno, sou uma voz entre muitas e tem sido um privilégio trabalhar com pessoas e instituições judaicas e não judaicas, que fazem muito mais”. Embora ressalte: “Existe uma ausência nesses esforços. Não é culpa de ninguém. É o preço que se paga pela urgência e envolvimento. Notei que estava faltando o quadro maior, a perspectiva histórica, ligar os pontos para formar uma figura que nos mostre o quem, o quê e o porquê da situação judaica contra o vasto pano de fundo da paisagem humana histórica”.

Citando um versículo bíblico mais lido por não judeus que por judeus – “Sem visão, o povo perece” (Provérbios 29, 18), o autor enaltece a leitura por todos aqueles que acham que o século 21 tem configurações diferenciadas dos séculos anteriores, onde “o velho semitismo, produto do nacionalismo romântico europeu do século 19, não é igual ao novo, por mais antigos que sejam os mitos reciclados. Não se pode combater o ódio transmitido pela internet do mesmo modo que se combatia o ódio pertencente à cultura pública”.

A conclusão do autor, no Prólogo de um livro que deve ser urgentemente mais divulgado e debatido, é uma convocação para cristãos, muçulmanos, budistas, hindus, sikhs e humanistas seculares: “O povo judeu é antigo, porém ainda cheio de energia moral; conheceu as piores aflições do destino e, no entanto, continua capaz de alegrar-se, mantendo-se como símbolo vivo da esperança”.

É chegado o tempo de uma ampla confraternização universal !! Para o bem de todos nós !!

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CAMINHADAS FAMILIARES

Com as transformações ultra velozes que a tecnologia e as comunicações estão provocando no mundo inteiro, o desenvolvimento profissional sofrendo exigências desconhecidas algumas décadas passadas, é de se lamentar uma educação de crianças e adolescentes repleta de entupimentos didáticos nada libertadores. E isso tudo se reflete em graves problemas que estão acarretando às famílias do planeta, principalmente às situadas em contextos mentalmente menos evoluídos, ainda vítimas de múltiplas dominações sociais, políticas e religiosas.

Os especialistas numa educação efetivamente contemporânea, sem os moralismos e hipocrisias que ainda maculam as práticas pedagógicas de instituições educacionais públicas e particulares de um Brasil ainda “meninão meio abestado”, expressão utilizada pela meu irmão querido João Silvino da Conceição, estão amplamente preocupados. E induzem um militante ainda vivo e bulindo como o João a implorar cotidianamente por mais respeito e solidariedade entre os povos, sempre apreensivo com os amanhãs advindos de uma educação de primeiro grau capengante, sem eira nem beira, apenas alfabetizando pra inglês ver e capitalismo progredir.

Uma esquerda psicopática também muito ajuda no fomento ao reacionarismo estupidificante de uma direita vesga, que nunca assimilou a reflexão do economista Celso Furtado, sempre presente entre as mais diferenciadas discussões desenvolvimentista do país, onde os debates lúcidos estão alimentando, ainda que às altas horas da noite, as mentes inquietas dos pensantes: “o quadrado da hipotenusa é a soma dos quadrados dos catetos, mas será que o triângulo é retângulo?”

No seio das famílias, então, a situação é de estupefação. De um lado, as famílias que ainda se preocupam com a aquisição de livros para os filhos adquirem textos ilusórios, ainda que bem editados, fomentando uma criticidades alienada, quase histérica, sem um mínimo de pensação favorável para iniciativas reconstrutoras diferenciadas da ineficiência existencial. Do outro, as famílias de baixa renda, ansiosas por assistencialismos estatais fomentadores de ilusão, são portadoras de celulares de informações catequizadoras do comodismo ou da ansiedade por riqueza e fama de supetão, pouco valendo a moral e os bons costumes, o salve-se-quem-puder televisivo sendo o anestésico principal diante das necessidades mais vitais. O ganho fácil superando em muitos pontos os frutos de iniciativas sementeiras de qualidade reprodutora crescente. O apenas TER sobrepujando em muitos níveis o SER, segundo análise famosa de Erich Fromm.

Outro dia, um pai de família funcionário público de escalão primário, me perguntava se valia a pena educar os filhos dando bons exemplos de dedicação e sacrifício em prol do futuro deles. Antes de oferecer resposta, indaguei do distinto se teria vontade de ler um livro de um vitorioso militante espírita que expunha didaticamente assuntos relacionados com a família nos seus múltiplos aspectos, nuanças, sutilezas, problemas, armadilhas e soluções. Um livro criteriosamente bem desenvolvido com sabedoria, favorecendo iniciativas na direção de um lar construído sob o signo da paz e da perseverança no amor a Deus, editado sob critérios não moralistas, tampouco fundamentalistas ou hipócritas.

Diante do compromisso assumido de ler, de fio a pavio, o livro sugerido, presenteei o irmão funcionário com o livro Vivências do Amor em Família, do Divaldo Pereira Franco, organizado por Luiz Fernando Lopez, Salvador BA, Leal, 2016, 576 páginas. O organizador é um recifense atualmente residindo em São Paulo, farmacêutico, professor universitário, Mestre em Psicologia pela Universidade de São Paulo, investigador nas áreas de ensino e pesquisa de Saúde Mental, Saúde da Família e Educação, sendo o tema da sexualidade humana objeto principal de seus estudos e trajetória profissional. Presente entregue, marcamos um reencontro três meses depois, num café popular do Mercado da Encruzilhada, situado no bairro de mesmo nome, na capita pernambucana.

O reencontro foi melhor que o esperado. Avistei o irmão funcionário sobraçando o livro presenteado com brilho incomum nos olhos. Todo rabiscado o livro, disse-me ele que estava integralmente diferente, sua família tendo participado de inúmeros saraus de leitura, onde debatidos foram as reflexões expostas pelo Divaldo Franco em diversos fatos lá citados, ensejando uma compreensão mais contemporânea de toda família, casal e três filhos adolescentes, com a presença de duas vizinhas interessadas.

O livro discutido busca sintetizar a longa caminhada de Divaldo Franco no campo do conhecimento espírita. Destina-se para todos aqueles crentes e não crentes que se sintam responsáveis pela condução de um núcleo familiar. Diz o coordenador Luiz Fernando Lopes que “o papel do lar no processo educacional foi demonstrado de forma inequívoca, proporcionando uma visão mais abrangente sobre as relações humanas na espiral da evolução. Neste cenário conceptual, o amor em família se legitima como um fator preponderante para o êxito de qualquer projeto reencarnatório.”

O trabalho coordenador pelo Lopes abarca 11 textos, onde em alguns preponderam também as reflexões seguras de Joanna de Ângelis, mentora espiritual do médium baiano. São eles: 1. Pelos caminhos da família; 2. Família e reencarnação; 3. Família e obsessão; 4. Maternidade e amor; 5. Nos passos da criança e do jovem; 6. Pais e filhos: a delicada relação; 7. Conflitos familiares; 8. Educação e vida: os vícios e a autoconsciência; 9. A morte na família; 10. Vínculos familiares além do corpo; 11. Religião, espiritualidade no ambiente familiar.

Seguramente uma obra de fôlego, onde os onze temas são enfocados com sapiência, favorecendo a emersão de uma ampliada enxergância nos participantes de uma problemática familiar nos contextos sociais e espirituais de um mundo de aceleradas reconfigurações cósmicas.

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VACINA CONTRA MENTIRAS

Uma reflexão que nos impulsiona para uma maior responsabilidade social: “A melhor defesa contra prevaricadores ardilosos, a mais confiável, é que cada um de nós aprenda a pensar criticamente. Falhamos em ensinar nossos filhos a lutar contra a evolucionária tendência em direção à ingenuidade.” Ingenuidades dos mais diferenciados quilates, políticos, religiosos, morais, científicos, midiáticos quase todos eles. Quem é o autor da constatação? Daniel J. Levitin, PhD professor de psicologia e neurociência comportamental na Universidade McGill, também chefe de Departamento de Ciências Sociais e Artes na Minerva Schools, em San Francisco, Estados Unidos.

O livro de Levitin foi editado do Brasil pela Editora Objetiva em julho corrente. Intitulado O guia contra mentiras: como pensar criticamente na era da pós-verdade, 325 páginas, recebeu o seguinte elogio do The Washington Post: “Um guia para quem deseja testar a autenticidade das informações que nos inundam de cada canto, iluminado ou escuro, da Internet.”

Na Introdução do livro acima citado, o autor realça a urgente necessidade de “acabar com a ideia de que a verdade não existe mais”, mormente para uma juventude cada vez mais hipnotizada pelas maquininhas eletrônicas, hoje repleta de “teorias marginais”, segundo Daily News, um jornal nova-iorquino, eufemismos utilizados para oferecer meias verdades, visões extremadas, verdade alternativa, teorias da conspiração e as mais recente das denominações, a “fake news”. Eufemismos que desmerecem a regra maior que conclama que “dois lados de uma história existem quando há evidências que embasem os dois lados.”

Para vexame comparável com a educação brasileira, o autor cita um estudo feito pela Universidade Stanford, concluído, após dezoito meses, em junho de 2016. O assunto era raciocínio cívico on-line. Foram testados 7800 alunos do ensino médio. E a conclusão foi aterradora: “a capacidade que os jovens têm de raciocinar sobre as informações disponíveis na internet se resumia numa só palavra: desoladora.” Traduzindo: o perigo está na intensidade de uma crença que retrata um excesso de confiança de que tudo é verdade. E a pesquisa faz uma conclusão demolidora: “o comportamento mais importante do melhor pensamento crítico que falta hoje é a humildade.” Ainda não percebemos que nossa dependência da internet criará fatalmente uma geração de crianças que não sabem que não sabem. E uma única maneira sadia de fazer prosperar uma democracia é restabelecer a dignidade ética de uma sociedade cidadã, desarmando as ondas de mentiras que ameaçam o planeta como um todo.

O texto do Daniel Levitin começou a ser desenvolvido em 2001, quando o autor percebeu, lecionando pensamento crítico na faculdade, que a periculosidade e o alcance das mentiras tornaram-se extraordinários. Tais mentiras se tornaram armas. Revela o autor: “Na internet, desinformação se mistura perigosamente com informação real, fazendo com que seja difícil diferenciar as duas. E desinformação é algo promíscuo – pode acontecer com pessoas de todas as classes sociais e níveis de educação e aparecer em lugares inesperados.”

Vejamos algumas aberrações que foram divulgadas com aspectos de seriedade:

1. Numa entrevista de emprego, o gerente de telemarketing, desejando alardear a excelência dos seus funcionário, declarou ao estagiário recém chegado:

– Nosso melhor vendedor conseguiu fazer mil vendas por dia.

Levando-se em consideração que a discagem telefônica dura cinco segundos, outro tanto para o telefone tocar do outro lado, dez segundos para fazer uma oferta e para ela ser aceita e quarenta segundos para solicitar e anotar o cartão de crédito e o endereço do comprador. Tudo resultando numa ligação de 60 segundos. Ou sessenta vendas em uma hora. E 480 vendas num dia de 8 horas de expediente. Consequentemente, as mil vendas não plausíveis.

2. Num boletim metido a científico, a informação em manchete:

“O custo de uma ligação telefônica caiu 12000%”.

Se caísse 100%, o custo iria a zero. Percentagem maior, alguém estaria pagando ao usuário.

3. Um gráfico em pizza da Fox News publicou o resultado de uma parte da corrida presidencial de 2012 nos Estados Unidos. Na pizza estavam estampados os seguintes resultados: Apoiam Palim 70%, apoiam Huckabee 63% e apoiam Romney 60%. Sabe-se que a primeira regra dos gráficos em pizza diz que os percentuais dos setores somar 100%. Uma informação descaradamente inverídica.

Na parte II do livro do Levitin, uma afirmação de Alfred Lord Tennyson chama logo a atenção do leitor, prevenindo-o contra aberrações lógicas escritas como se fossem verdades absolutas: “Uma mentira que é meia verdade é a pior das mentiras.” No Brasil atual, onde agrupamentos informativos se digladiam, buscando ampliar adesões a candidatos e partidos, o contraconhecimento está se constituindo numa arma bastante eficiente contra leitores ingênuos ou malfeitores mal intencionados, ou puxa-sacos babaovísticos. Definindo o termo cunhado pelo jornalista britânico Damian Thompson: desinformação elaborada para parecer fato e que tenha convencido uma parte considerável de pessoas.

O livro deveria ser recomendado para todos os alunos do Segundo Grau e também para aqueles vestibulandos que necessitam aprimorar a lógica dos escritos e das análises para uma vida acadêmica profissionalizante e cidadanizada.

A leitura do livro nada tem de complicada. O texto é repleto de exemplos fascinantes e dicas práticas, ensinando que compreender bem as estatísticas nos tempos de “fake-news” possibilita obter um julgamento mais sagaz, entendendo mais inteligentemente o mundo que nos rodeia, recheado de embromadores analíticos de afiada lábia. Alguns até exercendo altos postos na Administração Pública Federal.

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COMPORTAMENTOS VEXAMINOSOS

Uma instituição que mais influências positivas proporcionou ao mundo ocidental, o Vaticano, de alguns anos para cá se encontra envolvida com a divulgação midiática de inúmeros fatos que a estão denegrindo aceleradamente. Em 2013, li um texto demolidor de um escritor vaticanista que muito me sensibilizou negativamente: Os Pecados do Vaticano: soberba, avareza, luxúria, pedofilia e os segredos da Igreja Católica, Cláudio Rendina, Rio de Janeiro, Editora Gryphus, 2013, 358 p. Onde o autor analisa em detalhes a trajetória de uma instituição fundada pelo apóstolo Pedro, tido como primeiro bispo de Roma, embora sem qualquer fundamentação histórica. Instituição que há muito tempo vê seus dogmas e procedimentos contestados e desmascarados pelos diversos meios de comunicação, através de informes que revelam os vexaminosos comportamentos praticados nela e por ela, desde 1929, quando o Vaticano, com seus 44 hectares, foi definido pelo Tratado de Latrão, sua atuação se estendendo por dioceses, basílicas, abadias, mosteiros e um incomensurável patrimônio imobiliário pelo mundo afora.

Segundo Medina, no prólogo do seu livro, “a instituição ‘igreja’ comprometeu-se ao longo do tempo, pois a ‘santa casta’, que a dirige e controla, incorreu em ações de caráter terreno desalinhadas com a espiritual doutrina cristã, caindo em pecado ou mesmo na transgressão da lei divina, segundo interpretação catequista pela mesma Igreja.”

O livro se propõe a examinar a caminhada pecaminosa da Igreja, na sua trajetória de dois mil anos de existência, à luz dos dez mandamentos, dos sete sacramentos e dos aristotélicos sete pecados capitais, mediados por Tomás de Aquino, além de confrontá-la (a caminhada) com os denominados sete pecados capitais do terceiro milênio, proclamados pela Santa Sé, em 2008.

Os temas desenvolvidos por Rendina são os seguintes: Falso Testemunho, Avareza, Luxúria, Gula, Homicídio, Soberba e Preguiça. No Apêndice estão as seguintes informações complementares: As propriedades do Vaticano, Lista cronológica de papas e antipapas, Os 112 supostos maçons do Vaticano, Os pecados do Vaticano em documentos conciliares, os pecados do Vaticano em poesia e O glossário do Vaticano.

Este mês, a Editora Objetiva edita um outro documentário fantástico, relatando a corrupção e a hipocrisia do Vaticano: No Armário do Vaticano: poder, hipocrisia e homossexualidade, Rio de Janeiro, Objetiva, 2019, 499 p. Subdividido o sumário em quatro partes – Francisco, Paulo, João Paulo e Bento. Foi publicado simultaneamente em oito línguas e vinte países, tudo sendo baseado em fontes fidedignas, tendo a pesquisa durado quatro anos. Foram ouvidas mais de 1.500 pessoas, em trinta países, entre elas 41 cardeais, 52 bispos e monsenhores, 45 núncios apostólicos, embaixadores estrangeiros e mais de 200 padres e seminaristas. Todos as testemunhas e equipe de pesquisadores se encontram devidamente listados em mais de trezentas páginas disponíveis na internet (Sodoma, em inglês e francês)

Um livro como o de Martel jamais seria publicado há vinte anos, ou mesmo há dez anos, sendo a palavra libertada após a chegada do papa Francisco, com sua vontade férrea de reformar as estruturas eclesiásticas vaticanas, enfrentando uma séria oposição dos conservadores, inúmeros deles homossexuais enrustidos atrás do “armário” que teima em esconder segredos os mais vexaminosos possíveis. O autor adverte que o livro não aponta para a Igreja em geral, mas especificamente para um gênero “particular” da comunidade gay, de homens que projetam imagem de piedade, quando levam outra identidade nas áreas privadas, fazendo com que a instituição nunca tenha sido tão hipócrita sobre celibato e votos de castidade, escamoteando uma realidade total diferente, não mais segredo para o papa Francisco, que percebeu, quando de sua chegada em Roma, a força de uma corporação bastante consciente de sua caminhada influenciadora dentro e fora da área eclesial. Uma força classificada pelo escritor francês Marcel Proust de “possuidora de qualidades encantadoras”, ainda que dotada de “defeitos insuportáveis”, em seu romance célebre Sodoma e Gomorra.

É amplamente conhecido o saber do papa Francisco sobre o contingente homossexual, embora esteja cada vez mais indignado com as hipocrisias dos que pregam uma moral estupidamente estreita, numa duplicidade inúmeras vezes por ele denunciada nas suas homilias matinais na Casa Santa Marta. Uma delas: “Por trás da rigidez, há sempre alguma coisa escondida, em inúmeros casos, uma vida dupla.” E o autor Martel é categórico: “Ao ignorarmos a dimensão largamente homossexual, nos privamos de uma das principais chaves de compreensão da maior parte dos fatos que há várias décadas tem manchado a história da santa sé: as motivações secretas que incentivaram Paulo VI a ratificar a proibição dos métodos contraceptivos artificiais, o repúdio ao preservativo e a obrigação estrita ao celibato dos padres; a guerra contra a “teologia da libertação”; os escândalos do banco do Vaticano na época do célebre arcebispo Marcinkus, também ele homossexual; a decisão de proibir o preservativo como meio de luta contra a aids, no preciso momento em que a doença faria mais de 35 milhões de mortos; os casos VatLeaks I e II; a misoginia recorrente, e com frequência insondável, de inúmeros cardeais, e bispos; a renúncia de Bento XVI; a guerra atual contra o papa Francisco… Em cada uma dessas faces, a homossexualidade desempenha um papel central que muitos supõem, mas que nunca foi contado abertamente.”

O livro de Martel é memorável, uma excelente narrativa de não-ficção. Que realimenta intensamente a fé nas mensagens do Homão da Galileia, um iluminado que nunca fundou qualquer instituição.

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FILOSOFIA PARA PRINCIPIANTES

Com muita frequência, deparo-me com profissional tecnicamente bem preparados, mas humanisticamente um dotado de princípios mínimos de uma postura crítica pensante, autênticos SHP – Ser Humano Paquidérmico, recheado de um nulificante posicionamento cidadão, de eleitor merdálico, que envergonha as estruturas democráticas de um país em níveis preliminares de fortalecimento histórico civilizatório.

Como todo mal tem uma causa, a ausência de Filosofia na Educação Fundamental e Média é apontada como a maior das deficiências apontadas. Atualmente, os gestores educacionais penam intensamente para contratar docentes que estimulem o corpo discente para estudos sistemáticos de área de imensa significância para os destinos da humanidade. Para ensinar Filosofia são designados docentes que não deram certos em outras ministrações, quando não aqueles que necessitam completar carga horária mínima de trabalho.

Para minimizar os efeitos catastróficos provocados pela ausência substanciosa de conteúdo filosofal nos primeiros graus de ensino, atrevo-me a recomendar um texto que muito me proporcionou instantes de efetiva reflexão sobre minha atual caminhada profissional terrestre, deixando-me mais obcecado em ser um sempre “aprendiz de tudo”, título dado a um dos meus primeiros livros: Filosofia: construindo o pensar, volume único, Dora Incontri/Alessandro Cesar Bigheto, São Paulo, Escala Educacional, 2010, 448 p. Com um sumário atraente, dividido em duas partes: Primeira Parte: Filosofando (1. Filosofia, o que é? Como, por que e para quê?; 2. Ser ou não ser? Eis a questão!; 3. Deus: uma dúvida, uma certeza ou uma negação?; 4. Temos certeza do que sabemos?; 5. Santos e vilões: o bem e o mal existem?; 6. O ser humano: projeto e condição; 7. Se eu vivo, logo existo?; 8. Se morro, logo não sou?; 9. O poder: um mal necessário?; 10. Quem quer um mundo diferente?; 11. Por uma Filosofia do diálogo; 12. Amor, coisa do corpo ou da alma?. Segunda Parte: Contando a História (Filosofia Antiga, A passagem para a Filosofia medieval, O Renascimento e a Filosofa moderna, Dois séculos entrelaçados, Filosofia contemporânea, Filosofia no Brasil. Em anexo, um Dicionário de Filósofos, com 133 referências biográficas de 133 filósofos.

Na introdução Conversa Necessária, os autores fazem as seguintes observações:

1. Nunca haverá dois livros de Filosofia iguais;

2. Cada autor vai entender a Filosofia de um modo todo seu, não querendo dizer que um livro esteja certo e outro errado;

3. O que se exige de cada um é a honestidade de atribuir a cada pensador o que ele realmente pensou;

4. Se discordamos de um determinado filósofo, não podemos dizer que ele disse o que não disse, ou seja não podemos mentir sobre suas ideias ou interpretá-las de maneira errônea;

5. Honestidade é não deixar nada de importante de fora;

6. Não podemos deixar de mencionar um pensador famoso da História, simplesmente porque não gostamos dele;

7. A organização da ideias e a maneira de interpretá-las são influenciadas pela nosso filosofia, pela nossa maneira de pensar;

8. A Filosofia não é um conhecimento como a Matemática, exato, preciso, indiscutível. Trata-se de um conhecimento interpretativo;

9. É muito mais honesto dizermos qual é nossa visão que nos arrogar ares de neutralidade absoluta e impossível;

10. A Filosofia toca todos os questionamentos da existência humana, todas as grandes questões da Ciência e da fé, dos porquês (causas), dos comos (formas) e dos para quês (finalidades).

11. Em Filosofia há os metafísicos e os niilistas, os que afirmam e os que negam o ser das coisas; os teístas e os ateus, os que afirma e os que negam a existência de Deus, além dos que negam a possibilidade de conhecer algo e os que negam a própria razão capaz de conhecer;

12. E há os que afirmam a existência de leis morais dentro do ser humano, independentemente da cultura e dos costumes, e os que negam princípios éticos universais, adotando uma ética que varia segundo o tempo e os costumes.

Exemplificando, os autores apontam posições extremas. De um lado, Sócrates e Platão, que afirmavam que somos seres, porque somos imortais, somos imortais porque somos divinos, a divindade está na alma e no mundo, também a inteligibilidade e o sentido estando no interior de cada um e no mundo. E que é possível conhece o mundo fazendo Ciência e Filosofia, sendo possível ainda conhecer-se, descobrindo a consciência moral e a presença divina em nosso interior através de uma ética não absoluta nem relativa.

Do outro lado extremo estão os niilistas que partilham a ideia de que o ser é nada, sendo nada nada pode conhecer e não podendo conhecer porque a realidade não tem fundamento, não tendo sentido, o tudo sendo apenas discurso. Cada capítulo do livro oferece oportunidades de reflexões individuais e grupais, favorecendo novos estudos e pesquisas.

Segundo recomenda Celso Grecco, especialista em desenvolvimento socioambiental, “não construiremos uma sociedade mais justa nem teremos a segurança de um futuro mais promissor aoenas evitando o errado. É necessário buscar ativamente o certo”. Se assim procedermos, jamais teremos receio de fazer cocô todos os dias…

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

APONTAMENTOS VÁRIOS

1. Associado que sou do GEEC – Grupo Educação, Ética e Cidadania, sediado em Divinópolis, Minas Gerais, recebi um livro de autoria do paulista Geziel Andrade, mestre e doutor em Economia, economista aposentado do extinto Banepa, atualmente pesquisador e palestrante da Doutrina Espírita, com vários livros publicados em bastante elogiados em todo território nacional. O último deles, datado deste ano, intitula-se Perispírito: o que os Espíritos disseram a respeito, Capivari, SP, Editora EME, 2019, 215 páginas, uma 9ª. reimpressão de um original divulgado em 2009.

Na Apresentação, o alerta paramétrico: “Só entenderemos a complexidade da vida do Espírito se forem bem compreendidas as propriedades e características do corpo que o reveste – o períspirito – bem como o papel por ele desempenhado.”

O texto do Geziel é composto de quatro partes. A primeira é composta de revelações apreendidas por Allan Kardec, revelações que são mais detalhadas no Pentateuco escrito pelo pesquisador francês, atualmente consagradas mundialmente. Na segunda parte são expostas diversas revelações feitas pelos próprios Espíritos em várias épocas e locais, todas compiladas de forma criteriosa. Na terceira parte, as revelações advindas do Espírito André Luiz, que enriqueceram enormemente as pesquisas espíritas. Por último, na quarta parte são expostas valiosas conclusões obtidas pelas investigações feitas pelo Geziel Andrade, favorecendo uma ampla compreensão sobre o corpo que o Espírito conta na vida espiritual.

As 64 indagações e seus respectivos esclarecimentos proporcionarão um fascinante material, cuja leitura atenta em muito contribuirá para o nosso adiantamento intelectual, espiritual e moral. Além de oferecer um completo entendimento sobre o elo existente entre o Espírito e o corpo físico, esclarecendo o desempenho do Perispírito na vida encarnada e na desencarnada.

2. Estou absolutamente convencido que sem a atuação missionário de Paulo de Tarso, o mais brilhante seguidor do Homão da Galileia dos primeiros tempos do Cristianismo não haveria a espantosamente rápida difusão da Mensagem do Nazareno. Um judeu de Tarso, na Galícia, de forte personalidade, um convertido na estrada de Damasco, para onde se encaminhava com uma missão nada altaneira, a de aprisionar alguns seguidores do Homão da Galileia.

Dentre as mais expressivas análises sobre Paulo e suas missões, ousaria fazer duas indicações. O primeiro chama-se Paulo, um homem em Cristo, de Ruy Kremer, Brasília, FEB, 2016, 303 p. Segundo César Soares dos Reis, autor das orelhas, “este livro vivo, um livro com a voz de Paulo. Ele nos pega pela mão e faz caminhar. Uma força poderosa e doce pulsa dentro de nós e diz, na linguagem vivida do amor verdadeiro: – Vem, vem amigo! É irresistível.”

Como professor do Colégio Militar do Rio de Janeiro, História, integrava a CME – Cultura dos Militares Espíritas, de onde participou de várias diretorias, presidindo-a em várias gestões, proporcionando à entidade uma reestruturação adequada aos tempos contemporâneos, ampliando o Espiritismo em bases efetivamente cristãs.

3. Na área espírita, onde sou um simples trabalhador convertido na terceira idade, tenho me deparado com textos maravilhosamente bem escritos, onde destaco os de Chico Xavier, Divaldo Franco, Hermes Corrêa de Miranda, J. Herculano Pires, Martins Peralva, Eliseu Rigonatti, Robson Pinheiro, Léon Denis, Bezerra de Menezes, entre tantos outros. Entretanto, uma tradução do Novo Testamento, efetivada por Haroldo Dutra Dias – Brasília, Federação Espírita Brasileira, 2018, 607 p., me entusiasmou sobremaneira.

Haroldo Dutra é mineiro, Belo Horizonte, nascido em 1971, Juiz de Direito, graduado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, nela também cursando cinco semestre de grego clássico, três semestres de literatura grega e um semestre de paleontologia e crítica textual. Ainda estudando, há anos, hebraico, aramaico e tradição judaica. E sua tradução do Novo Testamento em língua portuguesa foi efetivada diretamente dos manuscritos gregos, com foco na linguagem, sem qualquer menosprezo das questões culturais, históricas e teológicas. E o objetivo da obra está estampado na primeira orelha: “Transportar o leitor ao cenário no qual Jesus viveu, agiu e ensinou, a fim de que escute suas palavras, seus ensinamentos, como se fosse um morador daquela região, ensejando ouvir a voz do Mestre galileu em toda sua originalidade, vigor, riqueza cultural, para compartilhar com Ele a pureza genuína dos sentimentos espirituais superiores”.

Um documento que orienta os estudos bíblicos que requerem um discernimento muito mais evoluído do que as crenças nada lógicas do nosso cotidiano existencial.

4. Uma lacuna editorial foi recentemente coberta pela Editora Thomas Nelson, merecendo aplausos gerais: A origem: quatro visões cristãs sobre criação, evolução e design inteligente, Ken Ham et alii, Rio de Janeiro, 2019, 304 p. Quatro autores, representando as quatro visões mais importantes nos debates que acontecem sobre as origens do Universo, buscando a postura mais coerente com a narrativa bíblica. A palavra evolução provoca muito debate, ensejando múltiplas questões: Qual a idade do Universo?, A vida é resultado da evolução?, É possível conciliar a ciência e a Bíblia?; O que é necessário para se ter uma visão correta da origens?

O livro agrega quatro autores cristãos, que representam as visões mais importantes, proporcionando as leitores uma posição pessoal sobre as nossas origens, elegendo os argumentos mais persuasivos. Na orelha primeira do livro, uma diretriz: “Este livro isa fornecer um caminho para explorar com mais criticidade as origens do Universo, favorecendo leituras complementares mais consequentes, menos ingênuas.

Um livro de leitura essencial para os inquietos que não se acomodam diante dos questionamentos mais estruturais dos nossos começos.

5. No 14º. SIMESPE, acontecido neste último final de semana no Centro de Convenções, a fala de Divaldo Franco superou todas as expectativas. Na sala de autógrafos, um dos seu últimos livros – Trilhas da Libertação, 10ª. ed., Brasília, FEB, 2018, 279 p., foi um dos mais demandados. No livro, é apresentada, defendida e detalhada a posição da Medicina holística, que analisa o homem em seu todo: corpo material, mas, acima de tudo, um ser espiritual. Uma leitura indispensável para os que estudam obsessão. Um livro de grande profundidade para iniciantes e já estudiosos.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

QUEM FOI O HOMÃO DA GALILEIA?

Desde sempre, inúmeros cristãos e não-cristãos buscam resposta para quem foi Jesus de Nazaré. Para uns, ele foi o Messias, para outros um profeta, milhares o consideram um deus, outros tantos o consideram um gênio, inúmeros o classificam como santo e um sem-número aceitam-no como sábio, além dos que o menosprezam. E uma questão sempre permanece: diante de tantas opções, além das discordâncias, quem foi realmente o filho de Maria e José, que viveu em Israel no século I, primo de João Batista e que foi crucificado num madeiro como judeu subversivo?

No ano passado, setembro, um livro me chamou atenção: Quem foi Jesus? – uma análise histórica e ecumênica, André Marinho, Bragança Paulista/SP, Instituto Lachâtre, 2018, 312 p. O autor é brasileiro, nascido em 1982, filósofo, escritor e ator, tendo sido orientando de Hans Küng, um dos maiores teólogos o século XX. Dedicou anos de estudo às religiões, especialmente ao cristianismo (sua teologia e história) e ao espiritismo (sua doutrina e história). Segundo testemunho dele: “Foi o espiritismo, organizado por Allan Kardec, que me apresentou Jesus. Desde então, me impressionei com o ser humano Jesus e busquei conhecê-lo melhor.” E complementou: “Sempre tratei a religião com liberdade, sem medo de confrontá-la com os demais saberes. Cada vez mais defendo a importância do diálogo das religiões, com a academia, com a filosofia e com as ciências naturais e humanas.”

Uma leitura sedutora, o livro proporciona uma visão ecumênica, o texto não pretendendo vincular Jesus a uma verdade dogmática e ortodoxa, possibilitando ao leitor, religioso ou não, uma resposta convincente sobre o Homão da Galileia, não sendo um livro de catequese, sob hipótese alguma. Sempre balizando suas páginas sob a recomendação apostólica: “Que o Deus da paz esteja com todos vós”. (Rm 15,33). E o autor ainda esclarece: “Existe um autêntico Jesus histórico, nascido na Palestina, judeu, o mais influente líder de impacto religioso no mundo e, também, o que mais precocemente morreu. O livro dedica-se a esse Jesus, um ser determinado e real.” E justifica a elaboração do seu estudo: “Desaprender certas visões já consolidadas, para formarmos uma inteligência mais flexível e multifacetada, faz parte do processo de aquisição de cultura, gerando associações mais originais. A opção ou o apego pelo previsível e pelo conservadorismo dogmático é uma das tendências humanas que sempre denota indigência cultural e inteligência frágil.”

No texto construído durante mais de uma década, André Marinho faz uma análise criteriosa de Jesus sobre as seguintes vertentes:

Jesus – sem qualquer ilação com igrejas, tradição ortodoxa, autoridades eclesiásticas, história do cristianismo, mitos, dogmas, comunicações reveladas, nem mesmo com a Bíblia. Sua existência só podendo ser interpretada, por cristãos ou não cristãos, a partir de pesquisa crítica séria e altamente responsável, fornecedora de informações capazes de originar fundamentais interpretações sobre sua personalidade, re-descobrindo-se sua história e suas dimensões temporais e extratemporais.

Análise – nem os absolutismos presunçosos, tampouco as relativizações pseudoecumênicas, são favoráveis à abordagem utilizada, todas elas passíveis de questionamentos.

Intrarreligiosa – uma abordagem a mais abrangente possível, num franco diálogo com as demais formas de conhecimento, religiosos ou não. Sem nunca tratar as diferenças como “inimigas”, “infiéis” e ”hereges”. Sempre respeitando as peculiaridades de cada vertente.

Crítica – Perceber sempre que cada época tem sua leitura, embora Jesus esteja no agora, como também estava no outrora e estará no além.

Extrarreligiosa – Entender que Jesus é um grande personagem histórico, referência da sociedade ocidental há quase dois milênios, sendo um elo importante na história, dentro e fora do cristianismo.

Ecumênica – Um livro religioso e não-religioso. Religioso porque revela informações sobre a estrutura básica de uma das maiores religiosas do mundo. E não-religioso, pois não tem a intenção de converter ninguém ao cristianismo, nem demonstrar ser o cristianismo a melhor religião do mundo, como persistem alguns mais fundamentalistas.

Na confecção de seu estudo, Marinho buscou oferecer “uma nova demanda global, a exigir dimensões pós-colonialistas e pós-imperialistas, pós-capitalistas e pós patriarcais, um mundo pós moderno”. Favorecendo uma compreensão do Jesus de Nazaré sempre mote para novas pesquisas e interpretações.

A leitura do livro Quem foi Jesus? seguramente proporcionará, através de análise histórica e ecumênica, um novo olhar sobre o maior revolucionário da história mundial. Uma leitura fascinante para gregos e troianos de cabeça aberta.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

PAULO FREIRE, UMA BIOGRAFIA SEM ENDEUSAMENTOS

Uma biografia me sensibilizou bastante nos últimos dias: Paulo Freire, mais que nunca: uma biografia filosófica, Walter Kohan, Belo Horizonte, Editora Vestígio, 2019, 269 p. Onde, na primeira página da Apresentação, uma afirmação bastante repetida pelo educador pernambucano, que muito clarifica sua caminhada em prol da Educação: “… sempre digo que a única maneira que alguém tem de aplicar, no seu contexto, algumas das proposições que fiz é exatamente refazer-me, quer dizer, não seguir-me. Para seguir-me, o fundamental é não seguir-me.” Frase ligeiramente modificada dita ao final de sua fala na FCAP, no Recife, em seu primeiro pronunciamento em território brasileiro, após retorno do exílio, auditório superlotado: “A experiência de Angicos foi uma, somente uma. E peço encarecidamente: não me copiem!! Me reinventem!!”

Esclarece o autor Walter Kohan, ainda na apresentação: “Paulo Freire é uma figura extraordinária não apenas para a educação brasileira, mas também para a educação latino-americana e mundial. Suas contribuições não se limitam a uma obra escrita, muito menos a um método, sequer a um paradigma teórico, mas dizem respeito também a uma prática e, de um modo mais geral, a uma vida dedicada à educação, uma vida feita escola, uma escola de vida, ou seja, uma maneira de ocupar o espaço de educador que o levou de viagem pelo mundo inteiro fazendo escola, educando em países da América Latina, nos Estados Unidos, na Europa, na África de língua portuguesa, na Ásia e Oceania.” E ele ressalta no seu livro que, somente no Brasil, entre 1991 e 2012, foram apresentados 1.852 trabalhos de pós-graduação: 1.428 dissertações de mestrado acadêmico, 39 dissertações de mestrado profissional e 385 teses. E ainda revela que uma pesquisa recente no Google Scholar, efetivada por Elliot Green, aponta A pedagogia do oprimido, no mundo inteiro, como a terceira obra mais citada no campo das ciências sociais. Com uma curiosidade: as edições em castelhano e inglês têm mais citações que a edição em português, comprovando o ditado que proclama que ninguém é profeta em sua terra.

O autor propõe também considerar seu texto “um exercício de pensamento, a partir das ideias e da vida de Paulo Freire, que resgate as suas contribuições para pensar a ‘politicidade’ da educação fora das cegueiras partidárias”. E uma das cegueiras mais estupidificantes foi a cretina iniciativa de se revogar a Lei 12.612 abril de 2012, que declara Paulo Freire patrono da educação brasileira. Iniciativa recusada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa CDH), em 14 de dezembro de 2017 por considerá-la “fruto da ignorância sobre o legado do educador”.

O livro do Kohan ainda traz uma entrevista com o Lutgardes Costa Freira, filho fr Paulo Freire, efetivada em setembro de 2018, no Instituto Paulo Freire, São Paulo. Uma entrevista onde foram reveladas alegrias e obstáculos vivenciados por ele e a família durante o exílio do pai. O autor Kohan confessa que “um dos desafios do presente livro é escrever com a generosidade e abertura necessárias para que seja feita justiça a uma vida como de Paulo Freire, que parece grande demais para qualquer pretensão de escrita”. E ainda: “Cada um dos capítulos deste livro se inicia com um parágrafo que o sintetiza; posteriormente, apresenta um dos princípios e ao faz dialogar com a vida e o pensamento do educador pernambucano e de outros pensadores”.

No livro são explicitados os cinco princípios para se por em prática uma outra educação, válidos para todos os países de políticas educacionais libertadoras. São eles:

1. Uma educação política é uma educação filosófica, e nela a vida não fica do lado de fora da filosofia, da educação, da escola, do pensamento.

2. Em termos do que pode uma vida, todas as vidas são iguais, todas as vidas têm igual potência de vida. Todas as vidas valem igualmente e são igualmente capazes de colocar em questão a vida individual e social.

3. Educar é um ato amoroso. Quanto mais se educa, tanto mais se ama. Quanto mais se ama, tanto mais se educa. Disse Freire: “É possível ser tia sem amar os sobrinhos, sem gostar de ser tia, mas não é possível ser professora sem amar os alunos”.

4. Um educador é alguém que anda, caminha, se desloca sem um destino final, cria as condições para se encontrar com os que estão fora num tempo presente, de presença. O mundo está aberto, e o errar educante dará lugar a um outro mundo que não podemos antecipar.

5. A infância não é algo a ser educado, mas algo que educa. Uma educação política é uma educação na infância: na sua atenção, sensibilidade, curiosidade, inquietude e presença.

Mostrando sua ausência de endeusamentos descabidos, o Walter Kohan acrescenta ao livro um epílogo – Algumas críticas a Paulo Freire. Para qual política há lugar e tempo na educação? E também um Apêndice (Paulo Freire, filosofia para crianças e a “politicidade” da educação) e uma entrevista com a educadora brasileira Esther Pillar Grossi, dezembro de 2017, onde ela reconhece que Paulo Freire não se saiu bem quando era secretário municipal de educação de São Paulo, gestão Luíza Erundina.

A entrevista da professora Esther conclui pela necessidade de saber do professor, muitos deles vitimados pelos Cursos de Pedagogia que tiveram seus focos desviados por disciplinas periféricas que fazem a base trágica de uma analfabetização de milhões.

Mestre ignorante não educa, “astravanca” o progresso. Pois, segundo Paulo Freire, “escrever bonito é dever de quem escreve, sem importar o quê e sobre o quê”.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

MONTAIGNE, UM APRENDIZADO ETERNO

Muitos conhecidos meus, alguns amigos de longa data, vivem sem problemas financeiros, profissionalmente contextualizados, embora revelem, vez em quando, em reuniões convivenciais, alguns descontentamentos nada supérfluos. Tecnicamente preparados, distanciados estão de alguns procedimentos basilares indispensáveis para um caminhar psiquicamente mais ajustado às complexidades de um mundo de diferenças absurdamente díspares, onde uma ínfima minoria usufrui da quase totalidade da renda mundial.

Outro dia, nas comemorações de aniversário de uma filha de quinze anos, o Zé Eduardo, financista dos mais conceituados na praça, me pediu a indicação de um livro não-técnico, que o fizesse sair do automatismo existencial que o estava enjaulando nos últimos dez anos, desde seu matrimônio com a Verinha, uma médica de muita sensibilidade e paciência conjugal.

Pedi uns dias para dar uma olhada nos meus alfarrábios e ontem o visitei portando um exemplar de Como Viver ou uma biografia de Montaigne em perspectiva e vinte tentativas de resposta, Sarah Bakewell, Rio de Janeiro, Objetiva, 2012, 399 p., ela ex-curadora de livros antigos na Wellcome Library, atualmente ensinando escrita criativa na City University, também catalogando coleções de livros raros. E pedi ao amigo que seguisse a recomendação de Flaubert: “ler, não para se divertir, como fazem as crianças, ou para ser educado, como fazem os ambiciosos, mas ler para viver.”

Por que escolhi Montaigne, me perguntou o Zé Eduardo. E eu lhe informei o conteúdo da primeira orelha do livro: “excêntrico, preguiçoso, inconsistente e esquecido. Montaigne é o filósofo que quebrou um tabu e falou de si mesmo em público. Mais de quatrocentos anos depois, sua honestidade e seu charme continuam atraindo admiradores.” Que o procuram em busca de si mesmos.

E a orelha vai adiante: “Este livro é uma fonte valiosa de pequenos conselhos: ler muito, mas manter a mente aberta; ser sociável, mas nos reservar um ‘quartinho’ só nosso; observar o mundo de ângulos diferentes, evitando rigidez nas crenças.” Resumindo, uma questão: como equilibrar a necessidade de sentir-se seguro com a necessidade de sentir-se bem psiquicamente?

O livro fornece para a questão Como Viver? os seguintes vinte balizamentos:

1. Não se preocupe com a morte;
2. Preste atenção;
3. Trate de nascer;
4. Leia muito, esqueça quase tudo que lê e raciocine com lentidão;
5. Sobreviva ao amor e às perdas;
6. Recorra a pequenos truques;
7. Questione tudo;
8. Tenha um compartimento privado nos fundos da loja;
9. Seja sociável; viva com os outros;
10. Desperte do sono do hábito;
11. Viva com temperança;
12. Preserve sua humanidade;
13. Faça algo que ninguém nunca tenha feito;
14. Conheça o mundo;
15. Faça um bom trabalho, mas nem tão bom assim;
16. Filosofe só por acaso;
17. Reflita sobre tudo; não se arrependa de nada;
18. Abra mão do controle;
19. Seja comum e imperfeito;
20. Deixe a vida responder por si mesma.

Montaigne nasceu em 28 de fevereiro de 1533, França, eternizando-se em 13 de setembro 1592, vítima de uma crise de amigdalite. Casa-se em 23 de setembro de 1565 com Françoise de La Chassaigne. Os Ensaios tiveram a primeira edição em 1580, a segunda ocorrendo em 1582, quando Montaigne ocupava a prefeitura de Bordeau, sendo reeleito em 1583. Outra edição, a terceira, sairia em 1587, a de 1595, sob batuta de Marie de Gournay, tornando-se referência por três séculos. Em 1662, os Ensaios entraram cavilosamente no Index dos livros proibidos pela Igreja, proibição retirada somente em 1854.

Na introdução Como Viver?, Sara Bakewell assim se manifesta: “O século XXI está cheio de pessoas cheias de si. Meia hora de percurso pelo oceano on-line de blogs, tweets, tubes, spaces, faces, páginas e pods nos defronta com milhares de indivíduos fascinados pela própria personalidade e clamando por atenção. Eles falam de si mesmos, escrevem diários, conversam e postam fotografias de tudo que fazem. Desinibidamente extrovertidos, olham para dentro de si mesmos como nunca antes. À medida que mergulham em sua experiência pessoal, blogueiros e internautas se comunicam com os outros humanos, num verdadeiro festival do ego.” E essa ideia de escrever a seu próprio respeito foi inventada por Michel Eyquem de Montaigne, que soube dar vida à região do Périgord, no sudeste da França, de 1533 a 1592.

Além do livro, fiz uma proposta ao Zé Eduardo: a de ler os Ensaios de Montaigne. E lhe informei sobre a existência de uma edição integral da editora 34, São Paulo, 2016 (1ª. edição), com 1.032 páginas e tradução e notas de Sérgio Milliet, eternizado em 1966. Seguramente, um texto limpo, fluente, livre das amarrações acadêmicas. Para consolidar um viver integralmente recompensado.

Um texto que há muito está a merecer novos interesses da Universidade Brasileira ainda muito distanciada de um humanismo mínimo indispensável. Um livro para fecundas reflexões sobre nós próprios, sem egolatrias perversas.