CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

LEONARDO ARRUDA – RIO DE JANEIRO-RJ

De onde vem nossas ideias?

Outro dia assisti a um dos inúmeros vídeos de Olavo de Carvalho que circulam na internet. Nele o filósofo fazia uma crítica aos imbecis (palavra dele) que julgam ter ideias originais que não passam de novas roupagens de pensamentos formulados por filósofos séculos atrás. Dizia ele que o pensamento desses filósofos começa a circular no meio intelectual e depois permeia toda a sociedade, tornando-se algo natural na forma de pensar das pessoas. O imbecil, portanto recebeu de diversas fontes da sociedade fragmentos do pensamento original. Um belo dia ele junta todos esses fragmentos e elabora uma ideia que, para ele, é original, mas que na realidade fora concebida alguns séculos antes. O que irrita Olavo é que esses imbecis apresentam-se como grandes pensadores, apesar de serem apenas maquiladores de uma ideia antiga concebida por outros.
Sem dúvida Olavo tem razão. Vemos isto acontecer amiúde.

Este vídeo de Olavo levou-me a pensar sobre a influência dos meios de comunicação sobre as ideias econômicas que circulam na sociedade brasileira de hoje. Poucas pessoas percebem que suas opiniões não são originais, mas sim fruto de uma insidiosa campanha de mídia.

Hoje há um consenso na sociedade que toda imprensa “mainstream” (principalmente o grupo GLOBO) é mistificadora, doutrinadora, pró-banca e globalista. Essa ideia permeia tanto a esquerda quanto a direita: seja um petista de carteirinha seja um bolsonarista convicto, todos são unânimes neste diagnóstico: a imprensa é antinacional e não é confiável.

Este consenso foi sendo construído pouco a pouco graças a internet. Um cidadão qualquer abre o jornal e lê um artigo sobre um assunto sobre o qual conhece bem. Percebe então que o articulista foi equivocado, maldoso, superficial ou agiu de pura má-fé. Essa pessoa antigamente só poderia desabafar sua indignação para alguns poucos conhecidos de seu círculo de amizade. Era uma guerra desigual. Os jornais atingem centenas de milhares de pessoas, a televisão milhões e o pobre cidadão, quando muito, poderia falar com meia dúzia de amigos. Hoje tudo mudou. Com a internet, qualquer um faz uma postagem que, de retransmissão em retransmissão, pode rivalizar com a televisão mais popular.

Mesmo assim, os meios de comunicação tradicionais ainda gozam de uma certa credibilidade na sociedade. Principalmente aqueles que possuem bons articulistas capazes de explicar para o povão assuntos mais difíceis e complexos – tais como as teses econômicas. Muito embora a jornalista Miriam Leitão (do grupo GLOBO) tenha sido “desconvidada” de participar da Feira do Livro de Jaraguá do Sul (SC), creio que este “desconvite” tenha ocorrido mais em função de sua visceral oposição ao governo Bolsonaro do que por causa de suas opiniões econômicas pró-banca.

Essa mídia, que o economista Marcos Coimbra (do jornal Monitor Mercantil) rotulou, com muita propriedade, de “mídia amestrada”, sempre defendeu o capitalismo especulativo em detrimento do capitalismo produtivo. Mas não pensem que isso acontece só no Brasil: em todo o mundo ocidental a mídia é dominada pela banca.

O problema é que não temos no país ninguém que se contraponha a essa influência nefasta. Nossos políticos, coitadinhos, são umas toupeiras. Os discursos no Congresso, sejam da situação ou da oposição, são simplesmente lastimáveis. E assim, somos todos bombardeados diuturnamente com fragmentos de opinião e com dados parciais ou distorcidos para que qualquer cidadão (não precisa ser um imbecil como disse Olavo) conclua aquilo que a banca deseja.

Estamos assistindo neste momento a destruição do BNDES, nosso banco de fomento criado por, nada mais nada menos, Roberto Campos, o maior pensador liberal que o país já teve. A banca nacional e internacional nunca engoliu o BNDES e agora, com a ação orquestrada da mídia e Paulo Guedes no poder, ele será desidratado e transformado em um banco comercial comum.

As desculpas para isso são ridículas, mas por não haver uma contestação sólida, acabam sendo aceitas pela maioria da população. Os argumentos são: “É uma caixa preta”, “Favorece a corrupção”, “Empresta a juros muito baixos”, “Usa o dinheiro dos pobres para emprestar para os ricos”, “Só empresta para empresas grandes”.

Ora, todo país precisa de um banco de fomento para financiar sua infraestrutura. Por definição bancos de fomento só emprestam para o setor produtivo e a juros mais baixos que bancos comuns. O BNDES é muito mais transparente em suas operações que qualquer outro banco nacional ou estrangeiro. Se não tivermos um banco de fomento o capital produtivo terá que se financiar no exterior, resultando em remessa de lucros para fora do país, além de estar sujeito a instabilidades políticas externas e a insegurança do câmbio. Um banco de fomento só financia empresas nacionais, mesmo quando os investimentos (uma obra, por exemplo) são feitos no exterior. Só emprestar para empresas pequenas, aumentará os riscos e diminuirá seu potencial de retorno. Nenhum desses contra-argumentos é apresentado na imprensa.

Uma das justificativas mais populares usados para extinguir o BNDES é que Lula e Dilma o utilizaram para criar empresas “campeãs nacionais”. Ora, essa política, em tese, não está errada. Seria muito bom se o país dispusesse de algumas empresas líderes mundias em suas atividades. O que estragou tudo foi a corrupção, a escolha de empresas baseada no critério de “amigo do rei” ou, pior, aquela que paga a melhor comissão. Precisamos acabar com o BNDES por causa disso? Uma faxina geral não seria suficiente?

E assim vemos nosso povo iludido aplaudir quando o BNDES devolve dinheiro ao Tesouro, e agora Bolsonaro posa de bonzinho permitindo saques do FGTS e do PIS/PASEP, fontes tradicionais de recursos do banco. A desculpa é incentivar o consumo. O que não é dito é que isto causará diminuição nos investimentos.

Não devemos nos iludir. Está em curso uma desindustrialização monstro no Brasil orquestrada pela banca e apoiada pela imprensa amestrada. Bolsonaro, um ex-nacionalista, apostou todas suas fichas em Paulo Guedes – um homem da banca. Ao contrário do “ôba-ôba” do mercado, o horizonte que vislumbro para a economia é negro. Preparem-se para a volta da esquerda em 2022.

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MAURINO JÚNIOR – PAULO AFONSO-BA

Papa Berto!!!

Você já ouviu falar na expressão “Filhote de Cruz Credo”, “Barruada de Frente com um Trem” e outros que tais!!! Com certeza, sim!!

Vai vendo só!!

Se for de vossa longânima vontade, veja a presepada que fizeram com essas quatro tinhosa da mulésta do cão danado!!!

Issé pior que assombração!!!

Voismicê pode colocar também como uma pesquisa, pra saber quem é mais horripilante!!! Vôte!!! Cuidado pra não sonhar com esses malassombros!!!

Avimaria!!!

Chega me deu um zaperrêio!!!

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NIVALDO DO CARMO – UBERLÂNDIA-MG

Berto,

Um disco que recomenda para todos os esquerdistas do Brasil.

Recomendo especialmente para os petistas, os comunistas e os psolistas.

É um disco muito bom, um antigo LP.

Eles vão gostar demais!!!!!!!

R. Marrapaz, vocês inventam cada uma da porra.

Vôte!

De fato, o mi-mi-mi e o choro são livres.

E já que você falou em choro, e falou também em alguns tipos de malandros, os petistas, os comunistas e os psolistas, vamos alegrar o nosso sábado com uma linda música.

O saudoso Altamiro Carrilho interpretando o choro Urubu Malandro, um clássico da nossa MPB, de autoria da dupla Louro e Braguinha.

Um excelente final de semana pra toda a comunidade fubânica!!!

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LEONARDO ARRUDA – RIO DE JANEIRO-RJ

Carta Aberta – Fica Eduardo

Excelentíssimo Sr. Deputado Eduardo Bolsonaro:

Assisti ao vídeo de V. Exa. na internet expondo as razões pelas quais sente-se qualificado a ocupar o cargo de embaixador do Brasil nos EUA.

Caro Deputado, não vou entrar nos prós e contras desta nomeação. Muita gente já escreveu sobre isso, falando bem ou falando mal. Existem inúmeros argumentos válidos para os dois lados. Minha questão é outra.

Peço-lhe, aliás, imploro, para que fique no país exercendo seu mandato de deputado para ajudar-nos na hercúlea tarefa de derrubar o Estatuto do Desarmamento. Juntamente com a aprovação do pacote anti-crime do ministro Moro, essas são as duas mais importantes tarefas que o governo Bolsonaro tem pela frente e a sua participação nesse esforço é fundamental.

No caso específico do desarmamento, sua participação pode ser muito maior que apenas um voto em plenário. V. Exa. é um entusiasta e conhecedor de armaria. Pode, portanto, levar esclarecimentos fundamentais a outros políticos. Lembre-se que estamos há 30 anos com o governo federal e a GLOBO fazendo campanha desarmamentista de forma continuada. Até hoje, passados mais de 6 meses da posse do presidente Bolsonaro, ainda há cartazes da campanha do desarmamento na sede da Polícia Federal – Entregue sua arma aqui! Não será fácil vencer esta cultura tão disseminada no país.

Observe que é muito fácil para uma pessoa leiga no assunto deixar-se influenciar pelos argumentos falaciosos e emotivos que revestem as campanhas anti-armas. Existem muitos deputados de boa índole e não vinculados à esquerda ideológica, que estão inseguros sobre o assunto. Considerando seu conhecimento sobre o assunto, cabe a V. Exa. (assim como a seu irmão Flávio no Senado), fazer este importante trabalho de “meio de campo” com os políticos.

Outro dia mesmo vi um deputado de Goiás, que se apresenta como nosso aliado – contrário ao desarmamento – criticando o decreto presidencial que libera alguns calibres de armas curtas para uso civil. Dizia ele que não via sentido em permitir que civis possuíssem armas tão poderosas. Esse é um erro muito comum. As pessoas confundem letalidade com poder de parada. Uma pequena pistola de bolso calibre .22LR é extremamente letal e é a arma preferida de serviços secretos e assassinos profissionais. Se o intuito é matar, o calibre 22 atende perfeitamente, inclusive com menos barulho. Mas para parar um agressor, bom mesmo é o calibre .45, não é mesmo? Porque um cidadão comum não pode possuí-lo? As armas de fogo mais letais já construídas foram os fuzis usados na Guerra de Secessão americana (antecarga, tiro simples, pólvora negra e projétil minié), mas as pessoas hoje estão preocupadas é com o AR-15 e seu sub-calibre 5,56mm. Vencer essa barreira cultural criada pela ditadura Vargas desde 1934 será muito difícil.

Por isso precisamos de pessoas gabaritadas como V. Exa. para fazer este trabalho. Estes esclarecimentos técnicos não chegam até os ouvidos daqueles que vão decidir sobre o direito de todos os brasileiros. Portanto é fundamental a presença no plenário de pessoas com conhecimento sobre o assunto. Infelizmente meus artigos e de outras pessoas do meio não atingem este público.

Qualquer diplomata de carreira pode fazer um bom trabalho na embaixada dos EUA, mas para realizar este trabalho de convencimento corpo-a-corpo no congresso contamos com pouquíssimas pessoas e sua ausência será uma grande baixa.

Assim, pense seriamente em suas responsabilidades para com seus eleitores e com o país e fique por aqui mesmo fazendo este trabalho importantíssimo.

Com minhas cordiais saudações, despeço-me

Atenciosamente,

Leonardo Arruda
O último dinossauro da Direita Nacionalista

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PEDRO MALTA – RIO DE JANEIRO-RJ

Berto,

Conheça o mais novo rato brasileiro , que utiliza as técnicas há muito praticadas por nossos políticos.

R. Meu caro colunista fubânico, com certeza este é um rato petista.

Correu direto pro esgoto!

É o refúgio certo de todo roedor vermêio-istrelado que se preza.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MARIA DA PAZ MONTEIRO – CAMARAGIBE-PE

Caro Berto,

Vamos mandar estas sugestões para o Presidente Bolsonaro.

São dicas de nomes para serem nomeados embaixadores do Brasil em alguns paises.

Veja se você concorda.

Um grande abraço, querido editor!

R. Excelentes dicas, cara leitora.

Muito boas mesmo.

Vou encaminhar ainda hoje para o Presidente Messias os nomes destes dementes zisquerdóides que você sugere pro nosso corpo diplomático.

Farei apenas uma alteração:

Ao invés de Cuba, vou sugerir que Gleisi Amante Hoffmann seja designada pro Irã.

Naquele país, mulher que bota chifres no marido é condenada à pena de apedrejamento público.

Ou então é sentenciada a receber 100 chicotadas, conforme se pode ver na foto abaixo, uma galheira recebendo a merecida punição:

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LUIZ PEIXOTO – FORTALEZA-CE

Caro editor,

Veja que lista porreta essa que compara os “mentirosos” com a alma mais ‘onesta’ (sem o H mesmo) do universo…

R. Meu caro, o colunista fubânico Goiano apoia e aplaude entusiasticamente esta lista que você nos mandou.

Goiano concorda plenamente com o que está nela escrito.

Uma multidão de mentirosos levantando falso contra um honesto e impoluto cidadão, injustamente condenado da primeira à 13ª instância.

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LEONARDO ARRUDA – RIO DE JANEIRO-RJ

Análise de uma notícia

CADE homologa acordo com Petrobrás para estimular concorrência no mercado de Gás

O acordo firmado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) homologou acordo com a Petrobrás afim de estimular a concorrência.

O plano é uma parceria do Ministério de Minas e Energia e o Ministério da Economia.

De acordo com o Ministro Bento Albuquerque, a Petrobrás irá vender transportadores e alienar a participação acionária.

Barreto de Souza, presidente da Cade, afirma que o acordo é essencial para a abertura do mercado de gás natural.

A previsão é que a Petrobrás saia por completo do transporte e redução (sic) de gás até 2021.

Segundo Paulo Guedes, a concorrência para a venda do gás natural deverá reduzir os valores para o consumidor em até 41%.

* * *

Uma das curiosidades do atual governo é a prevalência da Direita Liberal sobre as outras correntes políticas do país, até mesmo sobre as demais manifestações de direita tradicionais.

Mais curioso ainda é ver que a oposição não tem a menor ideia de como se contrapor a esta corrente, até porque a esquerda, no último governo Dilma, apoiou muitas das teses liberais atualmente em implementação. Vide a atuação de Joaquim Levy como ministro da Fazenda em seu governo.

Na notícia acima vemos uma fábula típica desta corrente liberal: privatizando-se uma estatal os preços vão baixar. O guru de Bolsonaro, o ministro Paulo Guedes, tem até o valor de quanto será a redução no preço do gás: 41%. Porque não botou um número mais preciso, por exemplo 41,3% ou 40,9% ?

Vamos relembrar alguns princípios para que todos vejam o absurdo dessa afirmação. Comecemos pela função de uma empresa estatal.

Por definição, uma estatal deve produzir bens e/ou serviços para a sociedade ao menor custo possível e fomentar o desenvolvimento do país adquirindo produtos ou serviços em fornecedores locais.

Qual a função de uma empresa privada? Um empresa privada deve buscar sempre a maior remuneração possível a seus acionistas e adotar políticas mercadológicas que impeçam concorrentes de atuar em seus mercados preservando seu negócio.

Com pequenas mudanças na linguagem, essas definições constam em qualquer livro básico de economia.

Agora pergunto ao leitor: como é possível (em tese) uma empresa privada fornecer preços mais baratos que uma estatal? São princípios mutuamente antagônicos. Não há o menor sentido numa empresa privada oferecer bens e serviços a preço de custo a seus clientes. Portanto, não há como (em tese) uma empresa privada competir com uma estatal.

Portanto vemos que o governo está mentindo ao povo brasileiro e que alguma “maracutaia” está em gestação.

Raciocinem comigo: se a Petrobrás está cobrando caro pelos derivados de petróleo, então seu presidente deve ser demitido e uma profunda reestruturação deve ser feita na empresa. Afinal, pela definição acima, ela não está cumprindo seu papel como estatal.

Entretanto, a solução proposta por Paulo Guedes e sua turma é entregar a empresa ao capital privado (nacional ou estrangeiro), que jamais oferecerá seus produtos pelo menor preço possível, ainda mais tratando-se de um monopólio natural como a distribuição de gás (nunca haverá duas empresas oferecendo gás encanado numa dada região). Trata-se portanto de um evidente contra-senso, que deveria ser melhor explicado pelo CADE ou TCU – nossos brilhantes órgãos controladores.

Mas promessa é promessa! Se Guedes disse que o preço vai baixar é porque ele vai baixar na marra. Fico então pensando em como isso poderia ser feito. Dado que Papai Noel não existe, a única forma que vejo é através uma pedalada fiscal, daquelas que Dilma e Mantega gostavam. Foi por isso que coloquei a expressão “em tese” nas perguntas acima – sempre é possível operar um milagre contábil. A Petrobrás investiu muito em infraestrutura para o gás. Na maioria dos estados do Nordeste, foi a Petrobrás que construiu a malha urbana de gás para uso doméstico. Os estados não tinham dinheiro e nenhuma empresa privada se interessou pelo negócio.

A pedalada consiste em fazer o Tesouro Nacional assumir a dívida da empresa e privatizar as subsidiárias de transporte e distribuição de gás livres deste ônus. Os adquirentes, então, poderiam ofertar gás natural no mercado a um preço mais baixo que o atual e ainda remunerar bem seu capital. Ou seja, os consumidores de gás teriam uma alívio no preço, os investidores teriam lucro, enquanto o restante da sociedade pagaria pelo milagre. Maravilha!
Desafio Paulo Guedes, Rodrigo Constantino, João Amoedo, ou qualquer liberal tupiniquim a oferecer outra alternativa viável. Enquanto uma explicação consistente não for apresentada aos cidadãos contribuintes, permanece um cheiro de maracutaia no ar.

Leonardo Arruda – O último dinossauro da Direita Nacionalista

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ARNALDO BORGES NETO – RECIFE-PE

Estimado Papa Berto, bom dia.

Espero que essa missiva eletrônica chegue a V. Santidade Suprema em boa hora e tempestivamente a me fazer merecedor do inestimável regalo d’A Prisão de São
Benedito.

Caso a mensagem seja extemporânea, rogo seus bons préstimos messiânicos para me privilegiar (!!!) com

(1) um exemplar da obra, devidamente autografado e com dedicatória (!!!) e

(2) me nomear como Padre da Paróquia de Casa Forte – ou Amarela – da Igreja Católica Sertaneja, eis que sou fervoroso devoto há anos e leitor voraz do site/blog e dos livros de diversos cardeais, núncios, diáconos, cônegos, vigários, enfim, de toda a preclara malta de comparsas da Besta Fubana.

Faz tempo, inclusive, que não ocorrem nomeações!

Deve-se tal absurdo apostólico ao não recebimento de simonias ou a outro nobre motivo, V. Reverendíssima?

Receba meu forte amplexo, respeitados os limites da heterossexualidade.

Subscrevo-me, ao passo que apresento meus votos de grande estima e elevada consideração por V. Parangolência.

R. O último exemplar d’A Prisão de São Benedito que eu tinha aqui comigo, já foi devidamente despachado pra você. Espero que goste da leitura deste meu despretensioso livreto de crônicas.

Quem quiser adquiri-lo, é só entrar na página da Editora Bagaço e fazer a solicitação via internet, pra receber em casa pelos correios. Com toda segurança e tranquilidade.

Aliás, podem ser adquiridos todos os meus títulos na página da Bagaço. É tudo baratinho, baratinho.

Agora, aqui entre nós: esse “vossa parangolência” com que você fechou sua mensagem foi pra entupigaitar!

No meu Papado eu já fui chamado de tudo pelos meus xeleléus e subordinados, mas de “parangolência” é a primeira vez!!!

Isso sem falar do tal do “forte amplexo, respeitados os limites da heterossexualidade“.

Essa foi pra torar!

E a tal das “simonias“??? É de lascar!!! Quem quiser saber o que danado é isto, que vá procurar lá no dicionário.

Pois você, seu cabra doido, já está nomeado Padre da Igreja Católica Apostólica Sertaneja, com a missão de administrar a Paróquia da Casa Forte, aqui no Recife.

E fique ciente que a regra básica pra subir na hierarquia eclesiástica da nossa igreja, até chegar ao posto de Cardeal, é xaleirar e puxar o saco do Papa o mais que puder.

Não se esqueça nunca disso!!!

Dito isto, vou aproveitar o pretexto pra contar uma história.

É o seguinte:

O saudoso e querido Edwaldo Gomes, que era Padre da Igreja Católica Apostólica Romana, foi um personagem que entrou para a história da cidade do Recife, uma figura amada e muito querida, tanto pelos paroquianos quanto por pessoas de todos os outros credos e religiões.

Amanhã, dia 19 de julho, se completam dois anos que ele encantou-se e partiu para o infinito.

Aliás, espirituoso e bem humorado que era, ele costumava dizer que acreditava no infinito, mas que não tinha pressa alguma de chegar lá…

Pois sempre que eu ia dar minha caminhada na Praça da Casa Forte, ele estava sentado em sua cadeira no terraço da casa paroquial. E de lá, para espanto das pessoas que caminhavam perto de mim, ele falava bem alto:

– A bênção, meu Papa.

Eu o abençoava fazendo o sinal da cruz e o povo ao redor ficava sem entender nada.

Nós dois, eu Papa da Igreja Católica Apostólica Sertaneja, e ele Padre da Igreja Católica Apostólica Romana, tínhamos uma amizade sólida que muito me honrava e fazia feliz.

Ao contrário da padraiada moderna de hoje em dia, cheia de tarados e xibungos, que provocam um escândalo a cada semana, Padre Edwaldo era um homem honesto, um cidadão de excelente comportamento, e que exercia com muita dignidade o seu sacerdócio.

Era também um sujeito muito espirituoso e bem humorado.

Foi ele que batizou meu filho João. Na hora da cerimônia, esqueceu de baixar o som do microfone que trazia pendurado no pescoço, e a igreja inteira ouviu quando ele, dirigindo-se ao sacristão, disse o seguinte: “É a primeira vez que eu batizo o filho de um Papa“.

Eu ri que só a peste.

Na foto abaixo, feita há 13 anos (como o tempo passa ligeiro…), eu estou ao lado dele na sala da casa paroquial.

Ele bebericando a sua lapadinha de uísque de que tanto gostava, pra relaxar do expediente diário na paróquia

Você faz uma falta danado, Padre Edwaldo.

Nossa querida Casa Forte lamenta até hoje sua partida, Padre Nosso.

Um abração daqui da terra diretamente para sua morada aí no infinito!

Capa do livro Um Padre Nosso, da autoria de Vera Ferraz, sobre a vida desta figura legendária e querida da capital pernambucana