AS ‘MENINAS’ DO CABARÉ DE MBM

Duas ‘meninas’ do cabaré de MBM à espera de fregueses

Maria Bago Mole talvez tenha sido a primeira mulher da vida difícil que se tornou cafetina da Zona da Mata de Pernambuco no Século XIX de visão cabarelística e, segundo comentavam os habituês do cabaré construído à época que recebeu seu nome, ela nunca cedeu o priquito aos garanhões donos de engenho que frequentavam o bordel e lhe davam cantadas a fim de papá-lo, a não ser Seu Bitônio Coelho, o homem que lhe conquistou o coração e rangou o “boca de macaco”.

Assim que chegou à Vila do Vintém, onde se aglomeravam logo cedo os cortadores de cana dos engenhos, carroceiros, guiadores de jumentos carregadores de cana, MBM percebeu que ali estava plantada sua futura profissão: Administradora de Carne Mijada.

Mulher de visão, logo começou a prestar todo tipo de assistência que tivesse ao seu alcance a todas as gentes da Vila do Vintém, principalmente às pessoas idosas que não dispunham de condições financeiras para se tratarem, locomoverem, alimentarem-se…

Simpática e prestativa, de carisma incomum, logo conquistou a confiança dos moradores que viam nela uma espécie de Anjo da Guarda. Ganhou um terreno enorme de esquina com a rua principal de um morador do vilarejo, ponto ideal para ela improvisar um local onde pudesse vender comida aos trabalhadores da cana e, à medida que o comércio ia crescendo, evoluindo, percebeu que poderia explorar um dos ramos mais promissores e lucrativos daquela época que fascina os homens desde que estes chegaram à Terra: administrar priquito alheio. Bastando para isso acolher todas as ‘meninas’ que lhe procuravam em busca de abrigo porque não podiam mais voltar para casa: os pais haviam-nas expulsado e oferecê-las aos cortadores de cana que viviam mais seco do que o mês de janeiro, saciando seus instintos libidinosos nas jumentas pastoradas.

Com uma visão aristocrata para comércio, MBM começou a pensar e organizar o cabaré. Todas as ‘meninas’ que chegavam para pedir-lhe abrigo ela as acolhia, dava-lhes um “banho de lojas”, as produzia da cabeça aos pés e, à noite, colocava-as na “vitrine” às espera de um cliente que pagasse um “programa”.

Dessa forma, com muita de luta, determinação, disciplina e gerenciamento, MBM viu o cabaré crescer, expandir-se e transformar-se num dos maiores puteiros da Zona da Mata, onde os homens se encontravam, saciavam seus instintos sexuais com a ‘meninas’, pagavam bem e com isso o cabaré ia ficando famoso, chegando ao conhecimento dos insaciáveis por sexo das redondezas, boca a boca, e ela com o plano de construir um cabaré descente que levasse seu nome com o dinheiro “arrecadado”, comercializando os priquitos das ‘meninas.’

Para que nada falhasse e tudo transcorresse numa boa durante as noitadas homéricas com os “homens brutos da palha da cana”, MBM sempre fazia uma reunião semanal com as ‘meninas’, explicando para elas como deveriam proceder, comportarem-se diante dos “seus homens”:

– Deem o melhor para os seus parceiros. Cedam ao que eles exigirem, mesmo que vocês achem absurdo. Não se esqueçam de que o que acontecer ali dentro do quarto ninguém ficará sabendo aqui fora e vocês serão as mais beneficiadas porque eles ficarão vindo sempre e quem ganha com isso somos todas nós!

Assim se cumpriu a profecia e o cabaré de MBM entrou para a história dos puteiros da Zona da Mata de Pernambuco no Século XIX.

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MARIANA STOCK E A TEORIA DO ORGASMO FEMININO

A teórica do orgasmos Mariana Stock

“Idealizada” pela psiquiátrica e psicanalista curitibana Mariana Stock, a teoria do orgasmo feminino consiste na mulher conhecer o próprio corpo a fundos perdidos, saber tocá-lo amiúde, em todas as partes sensíveis, trazendo o prazer à flor dos poros, excitando todas as zonas exógenas para gozar solitariamente sem a intromissão duma bimba, bastando apenas introduzir um vibrador “kidbengaliano” lubrificado com óleo de peroba na área do clitóris onde está localizado o ponto “G”.

Por meio de cursos online ou presenciais, a psicanalista está “revolucionando” a chamada “terapia orgástica”, que consiste na experiência individual de ampliação de consciência, onde a mulher aprende a desconstruir a ideia de que é preciso ser boa de cama: fungar, gemer, espernear, gritar, para o parceiro ouvir e a percepção de que o ato depende menos de fantasias do que de sensações físicas para ser bom e prazeroso.

Como na teoria Pajubá, “idealizada” e desenvolvida no reinado petista, que consiste na disseminação da suruba a todo custo para alienar corpo e mente de viado, baitola, fresco, franco, sapatona, travecus, tendo como expoentes principais as “teóricas” e “orientadoras” Jandira Pinguelão, Dilma Rousseff Clitorão, Márcia Tibúri Cuzão, Maria Doidivana Rosarão, dentre outras figuras proeminentes do universo petralha, a teoria do orgasmo feminino e a teoria Pajubá, dentre outras alucinógenas, são a demonstração cabal da transformação descompassada por que passou o Brasil e a América Latina depois que o “messiânico” canalha Luiz Inácio Lula da Silva, hoje Presidiário, assumiu o comando do continente há mais de dois séculos e idiotizou mais de oitenta por cento do seu rebanho com essas insanidades patológicas.

Como por trás de tudo que os petralhas abarcam como sendo revolucionário e bom para todos e sem fins lucrativos, mas visando a mamata da Lei Rouanet, a “teórica” Mariana Stock, criou o espaço PRAZERELA que, segundo ela, consiste “num espaço, num encontro, num refúgio dedicado às mulheres e aos seus prazeres”, com muita conversa mole, bate papo furado, lero lero e trela para boi dormir.

“Mulheres juntas, trocando carícias, crescendo e se fortalecendo mutuamente, num reencontro com o deleite adormecido, numa libertação dos tabus que as enrijecem. A possibilidade do emponderamento feminino pelo caminho do prazer” – explica Mariana Stock sua tese revolucionária que vai transformar o mulherio varonil no imenso FEBEAPÁ!

É ou não é pra arrombar a tabaca de Xolinha?!

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OAB: CABIDE DE EMPREGOS E OSTENTAÇÃO!

Não sou do ramo da advocacia, mas, a pedido de seis bacharéis em Direito que não conseguiram obter êxitos em três Exames da Ordem, pagando uma taxa absurda pela inscrição, resolvi elaborar esse (PL), que encaminho aos auspiciosos deputados e senadores federais através do Jornal da Besta Fubana para tentar amenizar a dor do gosto amargo da reprovação de muitos examinandos que chegam à segunda fase do Exame da OAB e são reprovados por míseros 0,15, ou 0,10 na prova subjetiva!

FLEXIBILIZAR A 2.ª DO EXAME DA OAB É PRECISO!

Projeto de Lei N.º___de 2019

(Do Sr.º Deputado Federal Irineu Boa Ventura)

Esta lei altera o inciso IV do art. 8 da Lei 8.906, de 04 de julho de 1994, para acrescentar as alíneas “a”, “b” e “c”.

O Congresso Nacional decreta

Art. 1.º Esta lei institui a obrigatoriedade de a OAB determinar que o examinando que passar na primeira fase do Exame de Ordem possa fazer a prova da segunda fase por dois triênios sem submeter ao crivo da primeira, acrescentando ao inciso IV do art. 8 da Lei n.º 8.906, de 04 de julho de 1994 as alíneas “a”, “b” e “c”.

Art. 2.º O inciso IV do art. 8 da Lei 8.906, de 04 de julho de 1994, passa a ser acrescido das seguintes alíneas.

a) O examinando que passar na primeira fase do Exame da OAB, ficará habilitado a realizar a segunda fase por dois triênios, 06 (seis) tentativas, sem se submeter ao crivo da primeira fase da prova objetiva, ficando somente obrigado a pagar a taxa correspondente a metade do valor da inscrição, conforme disciplinará o Regulamento Geral.

b) Se o examinado se inscrever em uma das 06 (seis) provas subjetivas e não comparecer para realizá-la, qualquer que seja o motivo sem justificativa fundamentada, perderá a oportunidade de fazer as provas subsequentes, sendo obrigado a retornar à fase inicial do exame.

c) O examinando que for isento da taxa de inscrição da primeira fase do Exame da OAB ficará livre do pagamento da mesma da segunda fase até passar, dentro do prazo estabelecido nesta lei.

Art. 3 Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação

JUSTIFICATIVA

É do conhecimento de todos os estudantes e bacharéis em Direito que se submetem à prova do Exame da OAB que a primeira fase possui um índice de reprovação absurdo e, pior, não testa os conhecimentos técnicos do examinando, daí porque exigir-se dos senhores legisladores um exame de consciência no sentido de aprovar esta lei, tornando-se mais consentânea à facilitação do examinando para a obtenção da carteira da OAB a fim de que possa exercer a profissão de advogado e ganhar seu sustento com dignidade.

Não resta dúvida de que o Exame da OAB é essencial para testar a capacidade técnica do examinando uma vez que vai lidar com causas que requerem alta responsabilidade. Também se faz necessário o Exame de Ordem tendo em vista a grande quantidade de faculdade de direito espalhadas por todo o Brasil, autorizadas a funcionar pelo MEC na era petista, sem nenhum critério qualificativo. Daí porque ser necessário a OAB fazer um filtro para jogar no mercado os profissionais mais capacitados.

Segundo o Blog. Exame da Ordem, na primeira fase do XXIII exame da OAB houve 15.352 aprovados, sem anulações. No XXIV foram 47.693 aprovados, número bem discrepante da prova do XXIII. Já no exame XXV 29.892 examinando foram aprovados, sendo que o número dos inscritos ficou na ordem dos 126 mil com cada um pagando uma taxa de inscrição de R$.260,00! É dinheiro pra caralho arrecadado!

Ou seja, as provas da 1ª fase do XXV e do XXIV Exames foram muito parecidas quanto ao grau de dificuldades se balizados apenas pelo viés estatístico.

Há que se concluir na análise feita pelo Blog Exame da Ordem que a primeira fase do Exame da OAB funciona como “um filtro quase inflexível para testar o examinando que estão aptos, assimilaram o conteúdo das matérias jurídicas ensinadas durante o período do curso, mas o testador de conhecimento técnico mesmo é a 2.ª fase, que merece uma especial atenção por parte da OAB.”

Ante os fatos apresentados, espera-se dos senhores deputados e senadores o acolhimento, apreciação e votação da matéria para que seja aprovada na íntegra, tornando mais justo o Exame da OAB.

Câmara dos Deputados,________ de junho de 2019.

Presidente.

P:S: A OAB, sem nenhuma definição jurídica estabelecida em lei: se “autarquia”, se “entidade sui generis”, é uma das maiores arrecadadoras de grana dos pobres e fudidos do Brasil que ousam se habilitar para passar no Exame da OAB e entrar nesse mercado nefasto que a cada dia se torna mais desumano devido à quantidade de advogados com o certificado de conclusão de bacharel em direito numa mão e a Carteira da OAB na outra, mas morrendo de fome por não terem espaço no mercado para exercerem a profissão. O sonho da carteira para advogar se tornar um pesadelo de ante dum mercado sem cliente. E os que existem, muitas vezes pessoas de ótimos poder aquisitivos, recorrem à Defensoria Pública “como pobre na forma da lei!” O Brasil é o paraíso da filantropia com o dinheiro dos impostos do contribuinte!

O PT saturou o mercado com a abertura indiscriminada de cursos jurídicos e fechou a porta para o curso de Medicina, tão essencial para a população! O famigerado Mais Médicos é fruto dessa ignomínia perpetrada pelo MEC na era petista.

Decididamente, o PT foi o maior câncer que infestou esse País, matando sua população de inanição!

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BITÔNIO COELHO VOLTA AO CABARÉ DE MBM

“Lia Ingênua, a quase sósia filha do posseiro ‘expulsa’ de casa!”

Depois de duas semanas sufocado de trabalho nas fazendas, sem ter tempo de ir ao cabaré de Maria Bago Mole, Seu Bitônio Coelho, morrendo de saudade e louco de ciúme da amada, decide visitá-la antes que a ausência o mate.

Com a cabeça cheia de caraminholas, imaginando estar levando chifres da cafetina, se arma com a carabina de dois tiros e uma carreira, um punhal, e parte para o cabaré num dia de sábado chuvoso disposto a “matar qualquer cabra safado” que se atrevesse a estar comendo sua cara metade.

Todo molhado e desconfiado até da sombra, ele apeia o cavalo em frente ao cabaré. De dentro do salão onde está atendendo os “clientes” e “dando ordem às meninas”: “Quem iria se deitar com quem e cobrando o valor da noitada”, Maria Bago Mole o avista, e, disfarçando a ânsia da saudade, lábios pálidos e pernas trêmulas, corre para abraçar e beijar o amado que não via havia dois sábados, depois da última noite homérica de prazer e loucura.

– Meu filho, onde você estava por todo esse tempo? Eu aqui morrendo de saudade e louca de desejos e você só ligando para vacas, cavalos, bodes, capangas, peões! Onde isso tem mais importância do que o nosso amor?

Depois de ouvir essas palavras carinhosas, meigas e sinceras e um longo beijo na boca, Seu Bitônio Coelho estremece de emoção por dentro e percebe o quanto aquela mulher tornou-se importante na sua vida e ele sem enxergar.

Abraçado à amada e tropeçando nas poças de lama ele e MBM se dirigem ao cantinho que ela construiu para os dois nos fundos do cabaré. Mas antes de entrar, ele, ciumento e desconfiado, percebeu a presença de um desafeto sentado numa mesa no canto do cabaré de olho na sua amada e, mais acuado do que cachorro abandonado, pergunta o que aquele sujeito está fazendo ali e se ele tem alguma coisa a ver com ela porque se ele se atrever em desafiá-lo ali mesmo morre com dois tiros de bala de carabina na testa.

Maria Bago Mole, já sabendo do temperamento do “seu homem”, deu-lhe outro beijo na boca, abraçou-se com ele, acochou-o ao peito, pôs as mãos dele em cima para excitá-los, puxou-o para o aposento e lhe confidenciou:

– Calma, meu amor! Ele está de olho na filha de um posseiro que chegou hoje ao cabaré, porque o pai a pôs de casa para fora por ela ter se “perdido” com um peão da fazenda e ele não tê-la “assumido”. O mesmo que aconteceu comigo, lembra-te? E o curioso em toda essa história é que tanto ela quanto eu éramos virgens e nossos pais eram quadrados porque não acreditavam na gente. Ainda bem que encontrei você para provar o contrário quando sangrou. Agora só falta ela. Tem um corpo lindo e uns peitos sadios! Chama-se Lia Ingênua – segredou.

Antes de MBM terminar de lhe contar o segredo, pela vez primeira Seu Bitônio Coelho tomou a iniciativa de beijá-la a boca, apalpar os peitos duros, tirar-lhe a roupa para fazer amor sem sacar das preliminares, que os dois fizeram quando se amaram pela primeira vez.

– Vá devagar, meu amor! Tenha calma! Não se avexe! Você pode ter um troço! O tempo é nosso, e, olhando a priquita raspada, prossegue: Tudo isso é seu a hora que você quiser e sentir vontade.

Mal a cafetina terminou de pronunciar a última palavra, o homem mais temido dos engenhos da Zona da Mata, responsável por tirar couro de ladrões, arrancar olhos de inimigos a facão e mergulhar os desafetos em tonéis de água fervendo para ver o couro despregar da carne, começou a perceber que o ciúme que sentia por aquela baixinha inteligente e sapeca era real e tinha de fazer alguma coisa para tirá-la daquele bordel antes que um dos desafetos o fizesse e ele ficasse desmoralizado.

Pensou em contar a amada o que estava sentindo, seus planos de tirá-la dali e levá-la para morar na fazenda com as “criadas”, mas sabia que amada tinha orgulho de ser independente, administrar o cabaré. Que aprendeu a se virar sozinha e ser dona do seu próprio destino…

Pressentindo a intenção do “seu homem”, Maria Bago Mole deu-lhe um beijo demorado na boca, pegou-lhe o trololó para deixá-lo duro novamente, escanchou suas coxas nas coxas dele e lhe confidenciou ao ouvido:

– Meu amor, deixemos para conversar sobre isso depois. Por enquanto vamos ficar pensando só em nós dois sem pensar no amanhã. Disse isso e adormeceu amaciando os pelos do peito do “seu homem”…

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“VAI FICANDO POR AÍ, VELHO. DE REPENTE O NEGÓCIO SOBE”

Praça das Palmeiras em Carpina, perto do antigo cabaré de Maria Bago Mole

Maria das Dores era uma das mulheres da vida difíceis mais próximas de Maria Bago Mole, a famosa cafetina do Cabaré de mesmo nome no Século XIX, que ficava na Zona Norte do baixo meretrício de Carpina, localizado na bifurcação de Cruz das Almas Penadas, local onde se matou muita gente e onde se encontravam todos os dias os caminhoneiros e cortadores de cana dos engenhos das redondezas.

Famosa por saber estimular os fregueses nos momentos de languidez “piquiana”, que as “meninas” chamavam de “pau sem esperança”, com pouco tempo Maria Bago Mole elevou Maria das Dores a condição de administradora de viúvo solitário e endinheirado, que havia se esquecido completamente da feitura de um “cara preta”, “boca de macaco”, “boca de Gilmar”, como era chamada a “carne mijada” na época pelos freqüentadores do cabaré.

Sua tática consistia em relaxar o velho, fazer com que ele se esquecesse da viúva, dos problemas do engenho, para isso entrava com ele no quarto, tirava-lhe a roupa na penumbra do candeeiro, começava-lhe a alisar o peito, pegar nos cachos murchos e estimular a mimosa que estava mais adormecida do que bêbado no final de noitada cachacista.

Certo dia Maria Bago Mole deu a missão à Maria das Dores para encorajar um velho viúvo que, depois de perder a esposa no coice de jumento na boca do estômago, perdeu completamente a vontade de viver. Como não lhe conseguiu estimular a mimosa pelo método convencional, partiu para o radical, que consistia nas suas táticas de vinte anos de profissão.

Mandou o velho ficar de papo para baixo, nu, com o frinfa para cima e começou a passar óleo de peroba pelas beiradas, rezando agarrada com a “bicha” do moribundo: “Deus, fazei com que esse santo crie azas e voe para entrar no buraco.” Deus, fazei com que esse santo crie azas e voe para entrar no buraco.” Depois de repetidas vezes sem sucesso, Maria das Dores, com os braços dormentes, com cãimbra, de tanto movimento sem resultado, exclamou:

– “Valha-me Deus! Vai ficando por aí, meu velho, que de repente o negócio sobe e a gente soca dentro, porque de minha parte já perdi a esperança.”

E saiu de mancinho do quarto deixando o velho roncando, nu, com a bunda para cima banhada de óleo de peroba, certamente pensando na mulher que havia perdido com o coice do jumento.

“A velhice tem dessas coisas: A melhor coisa da vida o tempo mata” – pensou Maria das Dores e se foi-se a contar a “tragédia” a Maria Bago Mole, que ficou sirrindo-se de se mijar pensando no seu gambrião, Bitônio Coelho, que há dois sábados não aparece para lhe apagar o fogo na bacurinha nos aposentos do cabaré.

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A EMPREGADA DOMÉSTICA

Empregada doméstica: Retrato de Georgina Albuquerque

O nome dela é Maria de França, mas a família a chama nordestinamente por “ia”, diminutivo carinhoso de Maria Francisca.

Assim que chegou aqui nos anos oitenta, vinda do interior de Vitória de Santo Antão, com apenas treze anos de idade, empregou-se como doméstica. Dentro da mochila feita de estopa trouxe um bilhete “escrito” pela mãe com recomendações à patroa: “Tenha cuidado com minha fia! Não deixe ela sair só. Ela ainda é virge”! “Se não, ela pode se ‘perder’ com um qualquer e embuchar.”

Antes de vir para a cidade grande, “ia” provou, na palha da cana dos engenhos vitorienses – criança chupando dedo para espantar a fome -, de todas as agruras que a vida contempla àqueles que não nascem em “berço esplêndido.”

Durante esse tempo que vive por aqui, já trabalhou em cinco empregos como doméstica, tendo aprendido a maior lição de sua vida nos relacionamentos empregatícios com os patrões: Ver, ouvir, ficar calada e nunca comentar com ninguém a vida alheia. Essa lição ela trouxe de berço, inspirada na mãe.

Mas existe uma coisa que tira “ia” do sério: Quando ouve um tabacudo puxar o saco de Lula: “Que foi o pai dos pobres, tirou o povo da miséria e o país viveu em abundância durante seu reinado, com empregos e riquezas para todos!”

Certa vez, impaciente com um ajudante de pedreiro que estava na fila de uma casa lotérica se vangloriando porque Lula lhe tinha dado a oportunidade de comprar uma televisão de quarenta polegadas em cores, retrucou:

– “Meu sinhor, Lula é tão safado que está preso e diz que é inocente!” Diz que criou empregos e deu riqueza a todo trabalhador!” “Só se for pras quengas dele!” Aquele cabra safado enganou todo mundo com aquela cara de cu de quati!” E o pior é que gente como o sinhor acredita nele! A única coisa que aquele ladrão safado fez para os pobres foi criar essas merdas de “Minha Casa, Minha Dívida”, “Bolsa Miséria”, para as mulheres pobres meterem e parirem filhos a doidado! E o sinhor vem dizer umas bostas dessas! “Só tem duas “crasses” que gostam de Lula: Os que roubam a gente e os parasitas, que não fazem nada e a gente trabalha para sustentar eles!” “E os loucos de jogar pedra.”

“Acorde, meu sinhor!”

Percebendo que o homem ficou mudo, pôs o capacete na mão e não disse mais nada, ela resmungou para si mesma:

“O Brasil só está assim porque o povo se iludiu com esse cabra safado por mais de quatorze anos e ainda tem gente reclamando por que o outro que entrou não fez nada nesses três meses para consertar as merdas que ele deixou!”

“É PHODA!”

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OBRA-PRIMA DA NATUREZA

Essa jovem com esse capô de “wolkswagen” foi flagrada saindo do mictório do sítio “São Francisco”, que fica ao lado do galinheiro de galinha caipira, após uma festa regada à buchada de porco, mão de vaca, feijoada, sarapatel e cinqüenta e um, a cachaça do presidiário.

É uma verdadeira obra-prima da Natureza, de dar inveja a qualquer quadro saído da imaginação do quase maior pintor do mundo: Pablo Picasso. Abelardo da Hora iria suspirar emocionado, vivo fosse com tamanha ousadia in natura.

A dona dessa obra-prima preferiu esconder o rosto para o ambiente ficar mais psicodélico e os mais afoitos não cometerem crime de importunação libidinosa previsto no Código Penal Brasileiro caso a encontrassem na estrada do sítio.

Não é o capô da Mona Lisa de Da Vinci, tão pouco o da Morena da Montanha Russa de pelos pubianos, do pintor desconhecido carpinense que flagrou Maria Bago Mole obrando de cócoras por trás da touceira de capim santo, perto do cabaré de mesmo nome no século XIX, mas desperta o sentimento machista: ambição e desejos capazes de destruírem qualquer cabaré, aos que gostam da fruta, é claro.

Na hora da foto, o frege quase que ia à loucura com todo mundo bêbado forrozando ao som da música “Se Tu Quiser”, composição de Xico Bizerra interpretada magistralmente por Elba Ramalho e Almir Rouche, do DVD “Evoé Nabuco”, gravado no Pátio de São Pedro, Centro do Recife, em 2011.

Se gostar, deixe seu like.

Almir Rouche & Elba Ramalho cantando Se Tu Quiser, composição de Xico Bizerra, colunista do JBF, na gravação do DVD “Evoé, Nabuco”

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PAULO TORRES: O MAESTRO DA ESPERANÇA

Para o exímio sanfoneiro Carlos Nonato, de Lagoa do Carro-PE

Maestro Paulo Torres

Em reportagem feita pela TV de Curitiba pelo jornalista Márcio Tonetti e pela TV Identidade Geral, pelo apresentador Wagner Cantori, eles traçaram a trajetória exitosa e feliz de mais de cinqüenta anos de Paulo Torres, maestro da Câmara Sinfônica da PUC e membro da Academia Paranaense de Música, e já participou de mais de cinco mil consertos em redor do mundo.

É doutor em Artes Musicais pela Universidade Estadual de Michigan, e entre muitas atribuições foi o primeiro violinista e maestro da Orquestra Sinfônica do Paraná. No entanto, ele encontrou um novo sentido para sua vida tocando voluntariamente em hospitais, clínicas e até presídios.

Membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, reconhecido internacionalmente, ele visita hospitais uma vez por semana para levar esperança e aliviar o sofrimento dos pacientes que se encontram esperando a Indesejada das Gentes, mas escapam dela por um “milagre” que a ciência não tem resposta ainda suficiente, por meio do som da música que sai do seu violino.

Segundo o maestro e violonista Paulo Torres, tudo começou quando ele visitou uma tia que estava doente na UTI de um hospital, mas o que ele não esperava era que outros pacientes do corredor também saíssem dos seus leitos e pedissem para que ele tocasse em seus quartos.

A experiência foi tão marcante que o maestro abraçou a iniciativa. E isso já faz mais de vinte e cinco anos que ele leva emoção, alívio e esperança aos pacientes por meio da música.

Ao longo dessas mais de duas décadas que o maestro decidiu doar-se levando músicas aos enfermos, muitas histórias arrepiantes ele tem assistido que lhe dão sentido à vida. Pessoas que voltaram a sorrir. Outras que se curaram e voltaram a viver. Milagres? Ou a força que vem da música?

Certa vez – segundo ele – entrando no quarto de uma jovem, que estava em coma há mais de quatro anos, a mãe estava lendo a Bíblia, o maestro perguntou se poderia tocar e ela disse que sim. Quando ele começou a tocar o grande Maestro Astor, foi percebendo que a jovem começou a abrir os olhos e tentou falar, foi quando a mãe da jovem o abraçou em prantos; os médicos de plantão, surpresos, começaram a chegar e ficaram impressionados com o ocorrido e a mãe em planto, disse-lhe:

– Minha filha não estava dormindo não, doutor! Minha filha estava em coma! Dali então foi que o maestro Paulo Torres decidiu que Deus lhe tinha posto uma missão no caminho: levar alegria, emoção e alívio aos enfermos por meio da música. E nunca mais parou.

A gratidão é um sentimento que jamais será esquecido!

Entrevista comovente ao repórter Márcio Tonetti – Tetro Guaíra – Curitiba – PR.

Entrevista emocionante ao apresentado do programa Identidade Geral, Wagner Cantori.

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A SUCATEIRA E O ADVOGADO ESCROQUE

Dona Maria da Sucata é uma favelada íntegra. Tem orgulho de ser conhecida por todos por esse epíteto. Para sobreviver sai todos os dias com sua carroça humilde à procura de latinhas de cervejas vazias, refrigerantes, garrafas plásticas, copos descartáveis, papelões, peças de computadores, ferros velhos e outros objetos recicláveis. É uma recicladora do planeta.

Dona Maria da Sucata tem um neto incapaz que é viciado em craque. Por ser inábil em conter sua vontade, não pode ver nada fácil que furta para sustentar o vício da droga. O medo dela: que ele seja executado por débito com os traficantes que não perdoam.

Recentemente foi preso numa boca de fumo, e desceu diretamente para o “Muro das Lamentações” do município de Abreu e Lima. Não houve audiência de custodia porque Dona Maria da Sucata não pôde pagar um advogado, e na hora não havia defensor público para acompanhá-lo.

O Defensor Público plantonista estava ocupado com afazeres pessoais!

Busca aqui, busca dacolá, ela encontrou um advogado para acompanhar o neto, mas de cara ele cobrou mil paus. Ela pagou. Ele não deu recibo do dinheiro recebido e prometeu soltar o neto de Dona Maria da Sucata em menos de vinte quatro horas se ela conseguisse mais mil.

Depois do acerto com o advogado, Dona Maria da Sucata trabalhou dia e noite, quase desmaiando de fome para conseguir o dinheiro. Conseguiu juntar sucatas que valiam mais de dois mil paus, mas o dono do depósito a ludibriou, burlou-a na pesagem e só pagou a metade do valor. Mas, mesmo assim ela aceitou e agradeceu, pois estava precisando do dinheiro para entregar ao advogado que prometera soltar o neto.

Dinheiro na mão, neto liberto! – disse sarcástico o advogado escroque!

Do depósito de sucata com o dinheiro dentro do“porta seio”, ela foi direto para o advogado e entregou a outra metade combinada, sem receber comprovante. De posse do dinheiro o advogado disse a ela que esperasse em casa, preparasse uma feijoada para comemorar a liberdade do neto no outro dia. Não pediu procuração do custodiado, nem cópia do CPF, RG, CTPS, nem endereço residencial, nem rol de testemunhas para preparar a defesa do indiciado. Nada!…Nada! Só quis saber do dinheiro!

Passadas duas semanas do prometido, e depois de várias idas ao “Muro das Lamentações” para visitar o neto, Dona Maria da Sucata descobriu que o advogado a tinha enganado. Sequer visitou o neto. Quem compareceu ao ato processual designado foi um defensor público nomeado pelo juiz que, a contragosto, não abriu o bico na audiência.

Temendo pela vida do neto nas duas visitas feitas ao Inferno de Dante, ela procurou outro advogado que prometeu soltar o neto em vinte quatro horas. De cara para trabalhar no caso e entrar com o pedido de relaxamento de prisão lhe cobrou três mil paus de entrada e os outros três mil divididos em duas parcelas de mil e quinhentos.

Desconfiada com a proposta do “advogado” ela procurou uma vizinha que tinha sido vitima das mesmas artimanhas do jurisconsulto escroque, inclusive, forçada por ele, teve de vender uma casa que alugava para complementar a renda familiar, e o jurisperito não soltou o filho conforme havia prometido. O causídico lhe furtou tudo. Não passou recibo e o viciado continua preso à espera de um habeas corpus de Gilmar Mendes.

Desesperada e vendo a hora o neto morrer envolvido com gangues lá dentro do Inferno de Dantes ela recorreu a uma pessoa de bom coração, lide comunitária, que conhecia um advogado muito solícito que trabalhava para uma ONG da qual ela fazia parte como voluntária!

Sem cobrar nada de Dona Maria da Sucata, o advogado, já aposentado, comovido com o sofrimento dela e percebendo a angústia, o desespero de o neto ser morto lá dentro, juntou provas da incapacidade transitória dele, participou da primeira audiência, juntou as provas da incapacidade do neto da sucateira e requereu ao juiz exame de insanidade mental do preso que foi provado por uma junta médica nomeada pelo magistrado como incapaz, e o juiz o soltou por insuficiência de provas da materialidade do delito e por incapacidade mental do prisioneiro.

Após o neto solto e já em casa, Dona Maria da Sucata recebeu a visita de uma vizinha com o mesmo problema com o filho, informando que tinha sido procurada pelo advogado que a enganou, cobrando-lhe o mesmo valor para soltar o filho em vinte quatro horas como o havia feito com o da “velha da carroça”. E a vizinha queria saber da lisura do tal advogado à colega para confiar a tentativa de soltura do filho a ele.

Ao que Dona Maria da Sucata, curta e grossa, a alertou e aconselhou-a:

– Minha filha, aquilo é um ladrão descarado! Me roubou dois mil reais e não fez nada pelo meu neto. Eu não sei como a OAB mantém nos seus quadros um cabra safado desses enganando o povo desesperado! Se fosse por ele eu teria enterrado meu neto há muito tempo. Foi graça a solidariedade de um advogado de uma ONG que meu neto está comigo. Tome o telefone onde ele presta serviços voluntários e ligue, ou senão procure Fulana, líder comunitária, que ela lhe leva até ele.

Antes de se despedir de Dona Maria da Sucata e agradecer-lhe a orientação, o celular da vizinha toca. Ela atende. Era o advogado querendo saber se ela já estava com o dinheiro na mão para ele ir pegar e preparar a defesa do filho…

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A DEUSA DA ENCRUZILHADA

Para Alcione Souza, cuja beleza vai além dessas notas taquigráficas

Todas as vezes que ela passa no Lago da Encruzilhada balançando as ancas protuberantes, sensuais, cobertas por um vestido de helanca dourado, transparente, colado à bunda hígida, um admirador lhe observa com olhar de desejos e sentimento de posse, imaginando-a toda nua nos seus braços fazendo amor com ela sob a luz da lamparina.

Ela é uma balzaquiana de folhas de ouro ou de outro metal precioso que, na Roma antiga, era oferecida às grandes atrizes de beleza ímpar, in natura, como reconhecimento e celebração de seus atributos corporais.

– “Meu Deus! Quanta beleza, formosura, rebolado, gingado nos quadris daquela morena de bunda e pele banhada de morenidade – sem protetor solar!” – observa, sempre, o sessentão do outro lado da praça, sentado no tamborete do bar “O Apreciador”, degustando-a de desejos com a libido a flor da pela e o órgão genital intumescido dentro da cueca!

Certo dia, ela de passagem pela Praça da Encruzilhada, de repente um vento macho levanta-lhe a saia que ela tenta segurar com as mãos delicadas aquilo que o observador, à distância, já havia notado em suas andanças nuas, o que havia intimamente escondido dentro do vestido de helanca: Uma calcinha cor de rosa protegendo a sensualidade que enlouqueceu o apreciador.

Daquele dia em diante nunca mais ele conseguiu desvencilhar-se dela. A Deusa da Encruzilhada, fez morada na sua lascívia e o transformou num vassalo, escravo daquela beleza que só a Natureza é capaz de florescer nas fêmeas para os machos. Ela não precisou fazer mais nada para conquistar o coração do observador, apenas utilizar seus artifícios sensuais enigmáticos tal qual Capitu de Machado de Assis para Bentinho, com o olhar.

Ela sabe da existência dele. Sabe o quanto ele a tem como paradigma de beleza e sensualidade. Sua cor, sua pele, seu corpo trigueiro, seus olhos negros penetrantes e sexuados fazem com ele a considere a mina dos seus olhos e dos seus desejos, mas falta ela saber a falta que ela faz a ele.

Será que um dia ela vai perceber a emoção que ele sente por ela quando a ver, o coração batendo acelerado? Ou será que ela já sabe e disfarça que não para manter o segredo como idolatria?

Enquanto ela não descobre essa obsessão dele por ela ele vai vivendo de sonho porque sonhar é realizar os desejos da vontade e senti-los verdadeiros.

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