CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

FOME

O fenômeno social que representa a fome é feito via comunicação do estômago vazio. O alerta estomacal revela a enorme vontade de comer alguma coisa para satisfazer a sensação fisiológica. Alimentar um dos principais órgãos do tubo digestivo, manter o nível de energia do corpo em ordem para garantir a sobrevivência.

O aviso do estômago quando se encontra vazio é feito com um ronco, contrações estomacais e sinais de fraqueza. Sincero, o estômago faminto avisa logo, “preciso de nutrientes e de calorias” para sustentar o corpo em pé. Com saúde, alegria e disposição.

Os sintomas de quem sente fome, no instante aparecem. Na criança, o desenvolvimento físico e mental retarda, causa problemas de saúde, eleva a taxa de mortalidade. No adulto, a fome também atrapalha. A pessoa faminta fica desnutrida, perde peso, passa o tempo desanimada, sem coragem pra nada.

Lógico. Sem nutrientes no organismo, imediatamente surgem as infecções. O que contribui para a fome se transformar num flagelo mundial é a pobreza, os conflitos policiais, as péssimas condições agrícolas, a mudança climática.

De acordo com o Índice Mundial da Fome, em 2010, mais de um bilhão de pessoas passavam fome em vários países. Não comiam a quantidade mínima para sobreviver com decência. Os países com a maior quantidade de pessoas com fome é o Iêmen, Sudão do Sul e a Síria, por causa da guerra. Além do Afeganistão e Somália.

No Brasil, em 2017, a quantidade de subnutridos passava de 5,2 milhões. A situação melhorou um pouco nos anos de 2004/2006, mas piorou em seguida por causa da desaceleração econômica.

Os estados brasileiros onde a fome aperta mais ficam na região Norte e Nordeste. O Maranhão, infelizmente, figura como o estado com pior índice de pessoas carentes, seguido do Piauí, Amazonas e Pará.

No Maranhão, 60,9% dos domicílios enfrentam insegurança alimentar, No Piauí, 55,6%, Amazonas, 42,9%, Bahia, 37,8% e Paraíba, com 36,5%.

A principal causa da fome no Nordeste é a carência de políticas estruturais. No passado, os governos pouco fizeram para combater a fome. Foi com o acesso às políticas públicas, com programas tipo Bolsa Família, a aposentadoria rural, a elevação do salário mínimo, o aparecimento de creches, a oferta de água e sementes que a situação melhorou um pouco.

Em 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU) chegou a riscar o nome do Brasil do mapa da fome. Os dados mostravam que o indicador de Prevalência de Subalimentação ficou abaixo de 5% da população. Mas, como não havia alimentação de qualidade, a alegria foi passageira. Voltou tudo à estaca zero. A perda do poder de compra proporcionada pela vergonhosa renda mensal per capita de R$ 170, massacra, especialmente quem é pertence ao quadro de extrema pobreza, ganhando apenas R$ 85,01 por mês.

Os reajustes do salário mínimo acima da média reduziram momentaneamente a desigualdade. Mas, como faltaram robustos programas sociais, políticas de longo prazo, a vaca foi pro brejo. Desfazendo o sonho de uma situação irreal. Simplesmente populista.

Porém, a partir de 2016, a luta contra a fome foi interrompida. O corte de gastos com os pobres, e as consequências da seca braba, que se estendeu de 2012 a 2017, levou a pobreza, especialmente a nordestina, a optar por alimentos processados, naturalmente, menos saudáveis para substituir a colheita de grãos que foi fraca na Região, no período em foco.

Além das carências financeira e social, a classe pobre ainda tem de suportar os vexames no sistema de saúde, no rendimento escolar dos filhos, na produtividade do trabalho, superbaixa. As crianças, são as mais prejudicadas. A carência alimentar é perversa. Prejudica a estatura da criança. Causa mais preocupação aos país. Completamente desassistidos pela política.

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Por justas razões, a Argentina é importante destino turístico. A diversificada beleza e as riquezas naturais, impressionam. Cativam. Atraem. O território argentino, extenso e montanhoso, é composto por fabulosos cenários. Nas andanças, o visitante topa com lindas cidades, Buenos Aires, onde no bairro La Boca, na rua Caminito, se localiza o berço do tango. Pelo interior, se destacam Mar Del Plata, Corrientes, Mendonza, Bariloche e Córdoba. No percurso encontra pradarias, na região dos Pampas, terra do gado, pântanos, lagunas, lagos glaciais, geleiras, estações de esqui, além da gélida Patagônia.

No lado Oeste do país, está a Cordilheira dos Andes, nas proximidades com o Chile. É nesta região de deserto que se concentra 80% da produção de vinhos. Mendonza, capital da província do mesmo nome, distante 1200 km de Buenos Aires, é o foco dos investimentos estrangeiros para a produção de bons vinhos, justamente no sopé dos Andes, explorando alta tecnologia. No lado Sul, no estreito de Magalhães, está a terra do Fogo. Ushuaia, a última cidade ao sul do mapa mundial é o fim do mundo. É a porta de entrada para a Antártida.

A natureza favoreceu a Argentina. Dotou o país de muitos recursos naturais. Privilegiada, a população tem bom nível de alfabetização. Dois setores impactam na economia argentina. A agricultura e a pecuária. Na agricultura, com excelente índice de produtividade, desponta como um grande produtor de cereais e forte exportador de trigo. Na pecuária, as vendas externas de carne e de lã, engordam as divisas internas.

Com o surgimento do Mercosul, na década de 90, a indústria argentina ganhou força, notadamente nos setores alimentício, têxtil, químico, petroquímico, automotivo, metalúrgica e aço. Foram dez anos de extenso progresso, até perder a garra, no início do ano 2000.

Em 2001, em virtude de grave crise financeira, a Argentina decretou moratória. O desemprego começou 2019 marcando a taxa de 10.1%. Comparada à de 2018, o número de desempregados, cresceu. Na inflação, a economia da Argentina experimenta uma das mais altas taxas do mundo. Como teima em subir, puxada pelos transportes, alimentos e desvalorização do peso, a moeda nacional, no cálculo anual, a taxa do IPC bateu 29,5% em 2018. O PIB em queda, fechou 2017, em 637,6 bilhões USD. Porém, no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) os argentinos orgulham-se de apresentar um excelente patamar no quadro da América Latina.

Todavia na política, a Argentina atravessa outra crise braba, desde o golpe de Estado de 1976. Os desentendimentos políticos forçaram ministros a renunciar. Extremamente protegida, a economia levou desvantagens na concorrência externa. Medidas populistas de aumento de salários no setor privado e público, fez a inflação disparar em torno de 800%, levando muitas empresas a decretar falência.

Em 1983, o país fez o congelamento de preços e de salários para estancar os desequilíbrios deixados pela ditadura. Em 2003, o governo iniciou uma fase de recuperação econômica. Mas, foi passageira. Na atualidade, as oscilações mexem com as desavenças políticas e econômicas. O peso sofre nova forte desvalorização. Repete os períodos de inflação e deflação. A Bolsa vive em queda, os problemas cambiais inquietam, a recessão atormenta. Aliás, neste mar de turbulências, a Argentina comemora 30 anos de crise econômica.

A derrocada começou em 1990 com a descoberta do déficit fiscal, quando notaram que os gastos do governo subiam mais do que a arrecadação. Não havia dinheiro suficiente para custear as despesas e os investimentos governamentais. A saída foi emitir títulos da dívida pública para vender à população. A operação, perigosa para o povo, representa um empréstimo concedido pela população para o governo financiar a dívida.

A crise rola desde 2013, após a estagnação contaminar a economia. Frear drasticamente o crescimento econômico, desempregar gente à beça. Como a reserva de dólar é baixa, o peso argentino sofre constante desvalorização. A estiagem é outro complicador a afetar o setor agrícola.

A luta para reduzir os efeitos da grave crise se arrasta desde 2015. Mas, os cortes de gastos do governo, o aumento de tributação, a eliminação de subsídios, ainda não surtiram o efeito desejado. As medidas não livraram o país da instabilidade econômica.

A fuga de investimentos internacionais, os persistentes aumentos de preços, a inflação em alta, acumulada em 57,3%, a crise de abastecimento de energia elétrica, a queda do consumo, o aumento do índice de pobreza, a recessão e a queda do PIB, com cinco trimestres consecutivos de encolhimento econômico, revelam um cenário conturbado na Argentina.

Pra sair dessa, a Argentina vai ter de rebolar muito.

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DESENTENDIMENTOS

Brasil e França tem amizade antiga. O início da troca de interesses entre os dois países é secular. Pelo menos, apontam os registros que, em 16 de fevereiro de 1816, D. João VI, informou ao governo francês, através de seu representante, José Maria de Brito, a alteração do Estado do Brasil à categoria de reino.

A resposta pelo reconhecimento do ato brasileiro chegou depois de treze dias, em 29 de fevereiro, assinada pelo Duque de Richelieu, Ministro dos Negócios Estrangeiros.

A partir dessa data, os interesses mútuos começaram a rolar. Logo no mês seguinte, março, desembarcou no Brasil uma equipe de grandes artistas franceses. Compunham a Missão Artística Francesa nomes famosos como os pintores, Jean-Baptiste Debret e Nicolas Taunay, o escultor Auguste-Marie Taunay, o arquiteto Grandjean de Montigny. Dias depois, chegou o naturalista Auguste de Saint-Hilaire para se integrar à equipe francesa.

Em 1825, o Conde de Gestas, Encarregado de Negócios da França, começou as negociações para um Tratado de Amizade e Comércio, assinado no Rio de Janeiro, como forma de reconhecimento pela independência do Brasil.

No começo de 1960, Brasil França trocaram insultos. Barcos franceses foram flagrados pescando lagosta na costa pernambucana. Impedida pela Marinha brasileira, a França desobedeceu, dando início a um entrevero diplomático, cujo final se deu em função do reconhecimento da Convenção de Genebra, de 1958.

Na Convenção, ficou determinado que os recursos minerais, biológicos, animais ou vegetais da plataforma continental eram propriedade do país costeiro. No caso, do Brasil.

Em 2005, Brasil e a França assinaram diversos acordos de cooperação militar, extensivos a tecnologias avançadas. Convém lembrar que a Guiana Francesa faz fronteira com o Amapá, estado brasileiro.

Aliás, o capital francês investe forte no Brasil. Em 2010, aplicou 3 bilhões de euros no país. Ensejou a abertura de 500 empresas em várias áreas, militar, espacial, energética, econômica e educativa, com exceção da construção civil. Em compensação, o Brasil representa florescente mercado latino-americano para os franceses. O Brasil importa aviões, peças automotivas e insumos químicos e farmacêuticos. Para a França, o Brasil exporta produtos agroalimentares, minerais e artigos da indústria aeronáutica.

Em termos da área de defesa, a França é um estratégico parceiro. Coopera na fabricação de helicópteros e submarinos, mediante a transferência de tecnologia.

Por causa da promessa francesa de fazer doação para combater os incêndios na Amazônia, Emmanuel Macron, presidente da França, pediu intercessão da cúpula do G7 para debater o caso das queimadas. Como prova, apresentou uma foto antiga, de 2003, garantindo revelar a situação atual dos fogos na Amazônia, comprovando desobediência ao Acordo de Paris que defende o reflorestamento da região, como forma de evitar mudanças climática

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro não gostou da atitude de Macron e revidou a ofensa. No mesmo tom. Rude. Agora, tocam farpas. Permutam insultos, cruzam críticas. Parecem dois meninos buchudos em jogo de bola de gude. Querendo aplicar o golpe no adversário.

No Brasil, empresários agropecuários, ambientalistas e cientistas manifestaram-se contra a decisão brasileira a respeito do tema desmatamento e preservação florestal. Evidente que, em alguns casos, há interesses pessoais e de negócios.

Como o imbróglio obteve repercussão internacional, o Brasil precisa bota o pé no chão, analisar friamente a questão para não atrapalhar o ingresso do pais, como membro da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Afinal, a União Europeia é tão grande parceiro comercial do Brasil, quanto a China.

Impossível esquecer que a Amazônia é uma das meninas dos olhos do mundo. Defendê-la com unhas e dentes, dita a regra da soberania nacional. Mas, fechar a região para o mundo, sem racionalizar, cria piolhos. Causa coceiras. Provoca estresse emocional. Fecha portas.

Afinal, os presidentes passam, o país segue o seu destino no compasso do ritmo, determinado pela sociedade dos dois fortes países.

Daí ser imprescindível Brasil e França resolver suas alfinetadas na base da diplomacia. Sem afetar as suas lindas e secular relações de amizade. Muito bem construídas ao longo do tempo.

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A violência no Brasil descontrolou-se. Saiu dos limites. Indefeso, o brasileiro, participa de uma guerra civil contra adversário desconhecido. Sabe apenas que o assaltante quer roubar ou matar, se possível. Embora desprevenida, a vítima luta para evitar o pior. Nestas horas, contar com a segurança policial é impossível. Por causa da ineficiência do Estado.

A segurança pública brasileira tá de mal a pior. O bandido manda, a sociedade obedece Por causa dos desentendimentos dos órgãos coordenadores da violência no país. Falando em idiomas diferentes, as autoridades ignoram a necessidade de criar um sistema nacional de dados operacional relacionado aos crimes, aos criminosos e, especialmente sobre a circulação de armas.

A decisão do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, conhecedor do tema da criminalidade, defende preparar militares para abater criminosos armados com fuzil, por representar perigo para a sociedade, foi criticado. As críticas condenaram, inclusive a morte de William Augusto da Silva, 20 anos, recentemente, na ponte Rio-Niterói. O sequestrador, abatido por um snipers, atirador de elite do Bope fluminense, fez 36 passageiros de reféns, às 5h30 do dia 20/08/19, uma terça-feira. Foram três horas e meia de aflição e desespero dentro de um busão, paralisando o trânsito nos dois sentidos da ponte. As ameaças de tocar fogo no ônibus, só fez aumentar a tensão entre bandido, reféns, polícia e pessoas prejudicadas no direito de ir e vir. Livremente.

Diversas causas estimulam a violência derivada de desvios sociais. Tirania, opressão, constrangimento, abuso da força, vícios e especialmente necessidades. A violência do Brasil é puro banditismo, fruto do acelerado urbanismo, crescimento desordenado da cidade, o crescente desejo de consumo, o desemprego, leis fraquíssimas e, sobretudo dificuldades financeiras.

O bandido sabe que, desorganizado, o Brasil mantem a taxa de elucidação de crimes lá embaixo. A conclusão das investigações policiais demora um tempão. A lentidão transmite a sensação de impunidade. A desconfiança sobre a modernização dos órgãos policiais, que se ressentem de tecnologia, aquece a ação dos criminosos que se julgam donos do pedaço.

A maioria dos presos é constituída de jovens, com predominância da cor preta. Daí a conclusão de que as causas da alta criminalidade estar relacionadas à baixa escolaridade, evasão escolar, reduzido índice de investimento público na educação e, principalmente o acentuado grau de desigualdades sociais.

A cada dia aumenta a descrença da população sobre os efeitos da prisão na mente do criminoso. O impacto que o xadrez provoca no presidiário. Se atenua o grau de perversidade ou aumenta a raiva que o detendo tem da sociedade. Por isso, alguém defende a ideia da prisão ser destinada ao somente aos praticantes de crimes violentos. Com agravantes. Penas maiores e nada de progressão de regime. Se a condenação for de 30 anos, serão trinta anos de cadeia direto. Sem regalias. Mas aos autores de delitos menores, furtos e tráfico de drogas, crimes brandos, as penas deveriam ser alternativas. A prestação de serviços comunitários tá na medida. Defende a ala dos menos rigorosos conhecedores da Lei.

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ENERGIA

A energia é a chave para muitas atividades. Girar máquinas, acionar a produção, movimentar o corpo, produzir calor, esfriar a temperatura, iluminar a escuridão. Fazer, enfim, a economia rolar, produzindo riquezas. Como não pode ser criada através de mágica, e muito menos destruída, a única maneira de se criar energia é mediante a transformação de um tipo em outro. Existem diversos tipos de energia.

Os mais conhecidos tipos de energia são a térmica, a química, a solar, eólica, a biomassa e a nuclear. Durante muito tempo, a energia disponível no Brasil era a derivada dos combustíveis fósseis, incialmente carvão e depois, petróleo. No momento, a energia tirada do gás natural tem um mercado em expansão.

Em 1883, o país trava contato com a hidrelétrica. Foi construída na cidade de Diamantina, Minas Gerais, no Ribeirão do Inferno, afluente do rio Jequitinhonha. Os mineradores de diamante, na ânsia de acelerar o desmonte das rochas, aproveitaram a queda d’água de apenas 5 metros do Ribeirão, instalaram dois dínamos que geravam energia para movimentar as bombas d’água. Dessa forma, a mineração foi rápida.

Desestimulada com a falta de energia, a indústria pressionou o governo da época para construir novas usinas hidrelétricas, aproveitando o potencial de quedas e o fluxo das águas do país. A manifestação deu resultado. Pressionado e temendo monstruoso colapso, o presidente JK inaugurou em 1963, a primeira das oito unidades geradoras da Usina Hidrelétrica de Furnas, no Sul de Minas Gerais.

Atualmente, o Brasil detém o terceiro maior potencial hidráulico do mundo. Perde apenas para a Rússia e a China. As cinco principais usinas são de Itaipu, Belo Monte, São Luiz do Tapajós, Tucuruí e Santo Antônio, no Rio Madeira, Rondônia.

A capacidade das hidrelétricas responde por 90% da energia produzida no país.

Por cauda da inoperância de governos populistas, o Brasil perdeu tempo demais na busca por novas fontes de energia. Agora, desperto e necessitado, o país parte para usufruir de outras fontes de energia limpa e renovável. Geotérmica, eólica, ventos, biomassa e das ondas das marés. O crescimento energético é fundamental por dois motivos. Modernizar a infraestrutura, já meio ultrapassada, possibilitar a recuperação dos ecossistemas naturais. Com sintomas de saturação.

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A crise financeira internacional de 2008, deixou o mundo estremecido. Baqueado. Louco. O poderoso banco de investimentos dos Estados Unidos, Lehman Brothers, fundado em 1850, foi uma das maiores vítimas. Não teve como evitar a falência. Após a recusa de socorro do FED-Federal Reserve, o banco centros americano lascou-se. Como demorou a desaparecer do mercado, instabilidade da crise financeira deu pauladas também em vários bancos. Nem as bolsas escaparam.

A causa do desmoronamento da crise foi o crédito fácil e o compartilhamento de um investimento genuinamente podre pelo mundo. A mistura de dívidas com alto risco com as de baixo risco de liquidação. A consequência foi o acúmulo de calotes. Um amontoado de dívidas espalhando quebradeira num autêntico efeito dominó entre bancos e fundos de investimentos do mundo.

Em 1998, os bancos americanos abriram as pernas. Concederam empréstimos adoidado, sem a garantia de liquidação da dívida. A correria pelo empréstimos e financiamentos foi generalizados. Lisos, desempregados, pessoas sem renda e muito menos patrimônio, fizeram filas para pegar uns trocadinhos fáceis.

Os americanos correram para empréstimos hipotecários. Com as dívidas hipotecárias, apelidadas de “bolha” contraídas, os bancos transformavam em títulos e vendiam a terceiros. O montante das dívidas foi alto. Em 2008, somavam US$ 12 trilhões. A consequência da bolha foi a aparecimento de muitos problemas econômicos.

Dessa armadilha, nem o Brasil escapou. Despreparada economia brasileira, entrou num no barco furado. Por ter uma econômica vulnerável, a recessão entrou forte, o desemprego disparou e muitas empresas decretaram falência. Em síntese, nada sem proteção e em excesso, dar certo.

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CIDADANIA

Ao nascer, a criança recebe uma porção de direitos e obrigações que devem ser cumpridos à risca, durante toda a vida. Embora não perceba a complicação do presente que recebeu da natureza, por ser novinho, o recém-nascido tem de carregar nas costas até o óbito. A desencarnação. Triste fardo de cidadania.

O peso dos direitos que a legislação reserva ao cidadão é tão pesado quanto as obrigações a cumprir. Caso a pessoa deixe de receber um direito, a luta é de um indivíduo contra a sociedade. Todavia, no momento em que a pessoa descumprir uma obrigação, a sociedade vem em cima. Cobra a falta, sob pena de impor regras. Penalizar o culpado pela negligência.

O principal direito concedido ao cidadão é poder ocupar o espaço que lhe é reservado no meio social. Poder ir e vir sem atropelos. Ter facilidade para encontrar assistência na saúde, moradia, alimentação e educação. Sagrados direitos constitucionais, mais desatento, o Estado costuma desobedecer. Sempre.

Por outro lado, o Estado, por direito, cobra do cidadão a responsabilidade do voto eleitoral, o cuidado de manter o espaço ocupado na sociedade dentro de certo padrão de organização, mediante o dever de cumprir a legislação em vigor. Quando, por desleixo, o cidadão comete delito, a cidadania é restringida. É o que acontece com o preso. Ao ser trancafiado no xadrez, automaticamente, o detento perde o direito de circular livremente em público por determinado período. Até cumprir as sanções que a sociedade lhe impingiu.

Mas, como tudo na vida tem exceções, tem individuo despreparado para exercer as suas obrigações de cidadania. Ter capacidade para entender o motivo do outro viver numa boa. Com total liberdade, justamente por não agredir itens relacionados à condição social, estrutural e material. Enquanto alguém ferir a ética, por não decifrar as diferenças entre os indivíduos, a tolerância e o respeito, as divergências serão constantes. As desavenças sociais nunca serão vencidas.

Está claro que para aguçar os instintos de cidadania, os princípios começam na escola. É na sala de aula onde a criança aprende as primeiras noções de como tomar decisões, pensando no futuro. Adquire o hábito da convivência sadia, dentro da coletividade. Não se considerar pior, nem melhor do que ninguém. Ser apenas mais um concorrente na vida social. Sem segundas intenções. Pra isso, a escola tem de ensinar a diferença entre o diálogo e o monólogo. Com diálogo, o povo se entende, mas com monólogo, o desentendimento vai longe. Às vezes, acaba em conflitos bestiais. Por uma simples besteira.

Nas escolas do Japão, as crianças aprendem e executam tarefas extracurriculares. Respeitar o bem público. Repor a água e carregar o material esportivo dos alunos veteranos. Ajudar na limpeza da escola. Lavar e secar a caixinha de leite servido no lanche para não poluir o meio ambiente. Ensaiam as primeiras noções de como respeitar a cultura e o patriotismo. É normal o adulto abaixar a cabeça a outra pessoa, como sinal de respeito e reverência. Também é rotina uma pessoa que topa com outra na rua apinhada de gente, pedir desculpas, humildemente. Sem se sentir ofendida.

A cidadania é regida sob três princípios básicos. Liberdade, justiça e solidariedade. Todos cobram esses reconhecimentos. É praxe. No entanto, assumir o compromisso, é obrigação de poucos. Faz séculos, o termo cidadania varia de concepção. As alterações surgem de acordo com a mudança do tempo e as passagens históricas. Mas, não elimina a obrigatoriedade de o cidadão participar e cobrar do governo os seus direitos, sem deixar de obviamente cumprir os seus deveres de cidadão para não perder o compasso na ideia de construir um país melhor.

Atualmente, foram acrescentados aos parâmetros de cidadania, além da liberdade à vida, o direito à propriedade e à igualdade jurídica, a plenitude sobre os direitos civis, a lealdade nas ações, atitudes e padrões de comportamento.

O ensaio para a personalização de princípios surgiu na Grécia antiga que julgava os homens serem livres e iguais na tomada de decisões. Porém, como a principal qualidade de cidadania era basicamente dirigida apenas aos homens que ostentassem riquezas materiais, serem donos de imensas propriedades de terra, a concepção de cidadania falhou. Alterou a concepção.

No Brasil, atualmente, por questões óbvias, o cidadão perdeu o direito à liberdade, cerceada pela violência que atropela os direitos civis. Impede o locomover livre da sociedade pelas ruas a qualquer hora. Por culpa da incompetência do Estado e do cidadão que observa os erros se repetir publicamente, mas não reclama. Ao contrário, aceita os desacertos, caladinho. Os tímidos exemplos de cidadania são reflexos de alguns fatores, aponta a crítica. Desconfiança na Polícia, no Judiciário, na ineficiência do Estado e no abusivo uso de força na repressão aos protestos de rua. Sem resultados definidos.

É bonito ver o país se pronunciar educadamente nas vias públicas, em protestos, porém sem vandalismo, contra a corrupção, as mazelas, as deturpações, a roubalheira do dinheiro da Nação, o baixo astral, as injustiças e especialmente os abusos cometidos sob o manto de autoridade. Prejudicando meio mundo de gente desassistida.

Uma coisa erradíssima se eterniza no país. O Estado deve perder o velho costume de querer mandar em tudo e em todos. Senão, a canalhice nunca perderá o trono. Desprezando o povo que, no fim das contas, é o único dono do Brasil. Com plenos poderes para cobrar dos gestores públicos, cargos passageiros, o anseio popular. Exigir o cumprimento da vontade social de estar num país decente, onde a sociedade possa viver dentro de padrões morais e éticos. Respeitando os bons costumes e a dignidade. Mas, condenando as safadezas que fervilham em todo canto do território brasileiro. Lamentavelmente.

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CONFIANÇA

A confiança que o empresário deposita no desenrolar da economia é superimportante. Embota tímida, mas ensaiada pela classe produtiva, serve de baliza para verificar o comportamento dos programas que o governo executa na sua administração. Vez por outra, espantado com o que ver, o homem de negócios dá seus pitacos. Às vezes, aprovando as medidas tomadas pelos gestores. Outras vezes, no entanto, em vez de aplaudir, critica. Desce a lenha. Desde 2013, o desenrolar da economia tem oscilado. Quando o ponteiro do balizamento tá lá em cima, revelando que a economia responde perfeitamente bem às medidas programadas, o governo merece fé. Desperta confiança. Neste aspecto, o investidor se anima, chega junto. Noutras ocasiões, no entanto, o descontentamento é generalizado, sinalizando que alguma peça descarrilou do programa traçado. Desviou do caminho planejdo. Aí, no lugar de aplausos, aprovação, o que mais rola na praça, são críticas, protestos, ofensas, choradeira. Muitos boatos desabonadores. Sob esta ótica, temendo o pior, o empresário se afasta. Vai procurar bons pastos noutros mercados.

O que afere a conduta do empresário, revela a participação do setor industrial, mostrando se as medidas aplicadas foram acertadas, merecem confiança ou desaprovação, é o ICEI-Índice de Confiança do Empresário Industrial. Quem apura o indicador é a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O índice é aferido mensalmente em cima de pontos, que vai de zero a 100. Quanto mais alto o ponto, melhor. Em agosto de 2013, o ICEI marcava 52,5. Um ano depois, justamente em agosto de 2014, a confiança declinou. Caiu para 46,5 pontos. Em agosto do ano seguinte, 2015, a queda permaneceu em evidência, cravou 37,1 pontos. Lá embaixo. Já em agosto de 2016, a economia deu uma acordada. Aqueceu um pouco. Assinalou, 51,5 pontos. A subida continuou e em agosto de 2017, o ponteiro cravava 52,6 pontos. A ascensão não esfriou e em agosto de 2018, a marcação estava em 53,3 pontos. Situação de positividade que colocou o ponteiro na casa de 59,4 pontos em agosto de 2019, contra 57,4 em julho.

O fator interessante recai na apuração recente. Entre julho e agosto de 2019, a diferença cresceu 2 pontos, depois de emborcar repetidas vezes, a partir de fevereiro de 2019. O resultado indica otimismo do empresário no programa de Bolsonaro. Embora as discórdias, o tiroteio de desaprovação ser disparado de todos os lados do bastidor político, quatro setores produtivos respondem com positividade. Indústria, Serviços, Comércio e Construção.

Diante do quadro, é fácil traçar panoramas sobre o desenrolar da economia. Em 2017, a taxa de crescimento ensaiou tímidos passos de aquecimento. A recuperação econômica dava sinais de que queria avançar. Mas, barrada pela alta de preço dos alimentos e do desemprego, que derrubaram o consumo, houve ligeiro tropeço no mercado. A ideia de contornar a fragilidade de consumo, foi copiada de 2017, quando liberaram parcialmente os saldos do FGTS para reforçar o consumo. Por outro lado, redução da taxa básica de juros prometida para este segundo semestre pode atrair investimentos e estimular mais consumo.

Caso a reforma da Previdência seja aprovada neste final de ano, algumas novidades poderão surgir no desempenho econômico brasileiro. A possibilidade da taxa de crescimento do ano pode bater na casa de 2,0% e a inflação ficar em 3,85%, cria condições para o grau de incertezas esfriar. Todavia, está cedo demais para as comemorações. Algumas vertentes perigam atrapalhar os bons sonhos. O desequilíbrio das contas públicas, acionado pelos gastos de governo, o desemprego desestimulante e a péssima qualidade do emprego, se forem desconsiderados, são capazes de implantar um patamar de recessão. Mas, apesar de tudo, resta um pouco de esperança. A economia brasileira tem um patamar sólido. A pauta de exportações, embora não se revigore com as vendas externas de manufaturados, contudo pode contar com a força do minério de ferro, aço, soja, automóveis, açúcar, aviões, café e carnes de boi e de frango.

Todavia, o chamuscado que vem do desenrolar da bolsa, câmbio e juros, especialmente depois do acender do pavio de guerra comercial entre Estados Unidos e a China, além dos tumultos políticos da Argentina, que também incomodam, os economistas, cautelosos, preferem aguardar o pano descer para opinar sobre a tendência de melhora na economia brasileira. Por enquanto, para não dar uma pisada em falso, é olho vivo no panorama brasileiro. Ainda fragilizado e oscilante.

Por outro lado, algumas atividades de menor quilate também dão aquela força para revigorar o compasso da economia. Setores como agricultura, mineração, pesca, pecuária e extrativismo vegetal não estão dormindo em berço esplêndido, letárgicos. Agem, cada um a seu modo, para tentar revigorar o palco econômico. Fortalecer a vontade do empresário industrial, doido para experimentar novos e confiantes lances no mercado produtivo. Pelo menos, alguns dados reforçam este desejo. Em 2017, a economia brasileira foi classificada como a oitava maior do mundo. O PIB, totalizou 6,6 trilhões de reais, valor que coloca o país no segundo lugar das Américas. Abaixo apenas do gigantesco Estados Unidos. No entanto, a desconfiança recai sobre o céu brasileiro, que se encontra carregado de turbulentas nuvens carregadas de poluição negra, pode botar tudo a perder. Jogar tudo abaixo. Caso os interesses políticos, abrasadores e inférteis, superem os benefícios embrulhados nos programas de arrumação da casa. Totalmente, bagunçada de escândalos, comandados pelas devoradoras saúvas infiltradas em todos os cantos do país. Executivos, Legislativos e no Judiciário.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

FOME

Faminto e na dúvida, o homem pergunta. O mundo tem de fome de que? De muitas coisas. Pelos cenários divulgados pela mídia e nas redes sociais, podemos ter certeza. A humanidade tem fome de muitas coisas. Sente necessidade de saciar muitos sonhos e desejos físico e mental. Por isso expressa abertamente. Não se envergonha de demonstrar. A pessoa, não importa a nacionalidade, raça e escolaridade, tem fome de estômago, de aspiração, poder, riqueza, vaidade, egoísmo, ódio, auxílio, estímulos, progresso, paz, compreensão, livros, musical, tranquilidade e, sobretudo vontade de viver em harmonia com o próximo. Uma das maiores variedades de fome que a gente sente é a fome do coração. A ansiedade em dividir sorrisos, em vez de raiva. O rancor e o radicalismo endoidecem a pessoa. Dificulta a vontade de trocar a fisionomia de cara fechada por uma expressão facial de alegria e satisfação que seja agradável e aceita por todos. Independente de raça, credo, pontos de vista e status social.

No entanto, o pior tipo de fome que perturba a humanidade é a fome da subnutrição. Outro tipo de fome fuderoso é a fome da desnutrição. Subnutrida, a pessoa enfraquece o corpo e a alma, chamando a morte que ronda pelas redondezas, de plantão. A alma de quem tem fome, pena sem encontrar o Norte da vida. O corpo, frágil, debilitado, é atacado por doenças. Também por conta do desânimo físico, o trabalhador perde o vigor produtivo. Por não ingerir a quantidade mínima diária de calorias, cresce a quantidade de pessoas com necessidade de comer. Os registros indicam que, nos países em desenvolvimento, mais de 800 milhões de pessoas passam fome. Não tem o que comer. A mesa, desumana, não tem nem frutas e hortaliças para aliviar a barra das necessidades físicas. Apesar da existência de 600 milhões de fazendas agrícolas espalhadas pelo mundo, muitas dependem de condições climáticas para produzir e distribuir alimentos em geral. Porém, misturada com as 7 bilhões de pessoas da população mundial, a pobreza não dispõe de canto para armazenar alimentos. Então, na falta de dinheiro, os filhos choram de barriga vazia. Outro fator que alimenta a fome mundial é o desperdício. Em 2016, das 4 bilhões de toneladas de comida colhida, mais de um bilhão de toneladas, foram para no lixo. Estragadas. Impróprias para o consumo.

No Brasil, a fome é um processo crônico. Segundo levantou o IBGE em pesquisa, mas de 7 milhões de brasileiros passam fome, embora o país seja gigante em extensão territorial e no potencial agrícola. No entanto, devido a desigualdade social, grande número de latifúndios rurais, geralmente direcionados apenas à produção de grãos para alimentar a família e a riqueza, a concentração de fazendas em poder dos poucos ricos, herança da colonização, algumas propriedades são direcionadas exclusivamente à monocultura para exportação. Embora a agricultura brasileira tenha evoluído, graças aos avanços econômicos e uso de máquinas no campo, a fome cresce no país. A pequena renda proíbe mais de 5 milhões de pessoas de comer. Sonhar em matar a fome. Enquanto outro contingente maior de pobres não come o mínimo necessário diariamente. Aí, sem ingerir nutrientes, proteínas e calorias em quantidade suficiente, o corpo definha. A década de 80 foi terrível. O Norte e o Nordeste sofreram barbaridade. No Amazonas, Pará, Maranhão, onde mais da metade da população é de pobres, e no Piauí, onde a extrema pobreza se acentua, o drama é de fazer chorar. Lamentável, o Brasil alimenta muitas crianças no período das aulas, no entanto, durante as férias escolares, as crianças passam a pão e água. Sem entender o porquê da diferença. Embora, a gente saiba a verdade. Sem aula, a criança pobre perde a alimentação gratuita fornecida pela escola.

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Tristeza, a cada década a população de boto vermelho diminui. Os dados constam de estudos, polêmicos, realizados pelo Projeto Boto do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). A pesquisa revela que a espécie entrou na lista de alto risco de extinção em seu próprio habitat. O Parque Nacional de Anavilhanas, no Amazonas, onde, entre ilhas, lagos, igarapés, plantas e animais silvestres, o mamífero aquático é rei.

Diversos problemas contribuem para o desaparecimento do boto vermelho, um dos maiores símbolos do turismo amazônico. A poluição de rios por mercúrio que contaminam águas e peixes, a pesca predatória, a captura em redes de pesca, as represas que impedem a reprodução do golfinho e, principalmente depois que o cetáceo passou a servir de isca para a pesca da piracatinga no município de Novo Airão, Amazonas.

A piracatinga é um peixe necrófago, que se alimenta da carne de animais mortos. Como o amazonense não gosta de sua carne, o pescado, com pesca proibida no Brasil, é exportado para a Colômbia, onde é bem vendido. O boto vermelho ou cor de rosa é o maior golfinho de água doce. No Brasil, a espécie é exclusiva da Amazônia. Entroncado, flexível e doce com as pessoas, o boto vermelho é o símbolo da região. Mas, pena que esteja em extinção. Prestes a desaparecer do convívio com as pessoas.

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Num país sério, isto não ocorreria. Descoberta a falha, o pau cantava nas costas dos incompetentes gestores. Mas, no Brasil, desordenado por conta de constantes desacertos administrativos, tudo é possível. A rebordosa só sobra para a sociedade. A Universidade Estadual do Rio de Janeiro-UERJ, considerada a quinta maior do país e a 11ª da América Latina, teve de suspender o ano letivo de 2017, por tempo indeterminado. Motivo, crises. Como não houve entendimento nas negociações entre o governo do Estado e os dirigentes da instituição, apesar de várias manifestações públicas para chamara atenção sobre a péssima situação financeira da Uerj, o jeito foi paralisar as aulas por tempo indeterminado.

Faltaram recursos para pagar os salários dos servidores, já atrasados, quitar as bolsas de alunos cotistas, saldar as dívidas com empresas terceirizadas. Aliás, com o caixa zerado, a UERJ foi forçada até a fechar o Restaurante Universitário, deixando os alunos sem refeições. É triste uma universidade fechar as portas, embora temporariamente, suspender as aulas por se achar sem a mínima condição de enfrentar a grave crise, considerada na opinião de alunos e professores, a pior de sua história. Por conta dessa lamentável decisão, o vestibular que aconteceria logo depois, foi prejudicado. De 37 mil vestibulandos inscritos, somente 33 mil fizeram as provas. A abstenção chegou a 10%. Do valor orçamentário de R$ 1,1 bilhão para 2016, a Uerj só recebeu 767 milhões de reais. Este é o retrato da pouca importância que os gestores dispensam à educação, do grau fundamental, médio ao universitário do país.

Embora a Universidade Estadual do Rio de Janeiro exista desde 1950, não escapou de crise financeira. Vítima da grave crise fiscal do Estado. Situação que rola desde 2016, quando foi revelado um monstruoso déficit de caixa de bilhões de reais. Também do programado orçamento de R$ 1,1 bilhão, referente a 2017, a Uerj só recebeu R$ 420 milhões. Valor menor do que a metade planejada. Então, sem recursos para tocar o barco pra frente, o jeito foi dar uma parada para tentar colocar as dívidas em dia. Daí a razão dos hospitais oficiais encontrarem-se sucateados. Sem a mínima condição de renovar os contratos com as empresas prestadoras de serviços. Até o turismo fluminense derrapa na omissão de gestores que deixaram fabuloso endividamento com a realização das Olimpíadas de 2016.

Sem condições de administrar a gravidade da absurda situação, sob a alegação de queda na arrecadação do ICMS, baixo recebimento de royalties recebido pela exploração do petróleo e concessão de renúncia fiscal entre 2008/2013, no total de R$ 138 bilhões, a única saída foi decretar o estado de calamidade pública para o Rio de Janeiro. Esdrúxula decisão que, além de afetar a universidade, também meteu a segurança pública, a saúde, educação menor, mobilidade e, inclusive a gestão ambiental. Calamidade que podia ser evitada, caso os órgãos fiscalizadores, Legislativo e Tribunal de Contas do Estado não negligenciasse na vigilância. No levantamento do rombo do Rio de Janeiro que, naquele ano, fechou em R$ 19 bilhões. Colocou muitas dessas autoridades na cadeia por desonestidade e incompetência.

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CHINA

A China é pau. Não brinca em serviço. Por ser um país sério, dedicado ao projeto do desenvolvimento, o mais populoso país do mundo não tem medo de agir. É diferente do Brasil que tem peninha dos corruptos, liberta os descarados, sem remorsos. Como não engole corrupção, as autoridades chinesas tomam decisões justas. Não importa se são simpáticas ou antipáticas. Se atingem poderosos. Em fevereiro passado, o ex-ministro das ferrovias, Liu Zhijun, foi condenado à morte. Caso Zhijun comporte-se bem na prisão, a execução pode ser trocada por prisão perpétua. A condenação foi decretada em virtude do ex-gestor do sistema de trens chinês de alta velocidade, Liu, ter recebido propinas de amigos para facilitar a aprovação de contratos e promoções de serviços entre os amigos e o Estado. Pelo suborno, recebido entre 1986 e 2011, Liu abocanhou a bagatela de 64,6 milhões de euros. O prejuízo causado com o escândalo ao governo chinês, foi calculado em 101 bilhões de euros. Os líderes chineses, comandados pelo presidente Xi Jimping, empossado em março de 2013, época da descoberta do suborno, apoiam o ponto de vista de não conceder perdão a quem violar a lei.

A República Popular da China registra fatos marcantes. É a segunda maior potência econômica do mundo. O PIB, no montante de US$ 15 trilhões, conforme dados de 2018, só perde para o dos Estados Unidos. Faz 25 anos que surpreende o mundo ao repetir a média de crescimento, sempre perto de 10%. Com esta magnífica desenvoltura, a economia chinesa tem puxado a renda per capita calculada em 8% durante os últimos 30 anos. Foi com os serviços de exportação, sempre em ascensão, que a pobreza da China diminuiu. Embora tenha provocado grandes padrões de desigualdades na distribuição de renda. Por isso, a renda per capita chinesa não é das melhores na comparação mundial.

O que prejudica a economia chinesa é a pobreza do país em recursos naturais. Por ser gigantesco, o terceiro maior em extensão territorial do planeta, e abrigar 20% da população mundial, a China enfrenta sérios problemas sociais. Pra sair dessa, o governo chinês trabalha com afinco, desde 1978, para conseguir melhores resultados. Começou por eliminar uma economia fechada ao comércio internacional e dar pulso a uma economia de mercado, valorizando o setor privado, mesmo tendo a vigilância permanente do Estado. O resultado das reformas deu certo. Do alto índice de 53% que confirmava o tamanho da pobreza, em 1981, já em 2011, os dados caíram para apenas 13,4% de pobres. A trajetória das mudanças na China começou no trabalho da agricultura. Saiu do contexto meramente familiar para o sistema de agricultura coletiva. Depois, mexeu com a liberação de preços, descentralizando a parte fiscal. Em seguida, implantaram a reforma econômica, diversificaram o sistema bancário, sob o domínio dos bancos estatais, deram corda para a bolsa de valores que reagiu de imediato, e se mantem aquecida, atraíram o investimento estrangeiro que impulsionou o comércio exterior.

A China nunca teve medo de ser dominada por empresas multinacionais. Com mérito, a China se orgulha de aumentar a renda pessoal, o consumo e a produtividade. Em síntese, a economia chinesa festeja a acertada reestruturação da economia, que tem dado bons resultados. O exemplo tá na vista. Em 1949, a economia chinesa era extravagantemente atrasada. Atualmente, o chinês estufa o peito porque o seu pais é uma das maiores potencias econômicas mundiais, graças, evidentemente às reformas econômicas e sociais que o país não teve medo de fazer. De jeito algum. Mesmo crescendo apenas 6,6% em 2018, por sinal menor taxa de crescimento econômico, desde 1990. É isto. Quem quer o melhor, faz. Não teme os opositores metidos a valentões. Mas, não donos da verdade e nem do país.

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Antigamente, as sentenças da Justiça eram indiscutíveis, inquestionáveis. Quando o Judiciário sentenciava, a sociedade acatava, cumpria a sentença, sem objeções. No entanto, atualmente, a história mudou. Nas decisões da Justiça, certa ou errada, especialmente as do trabalho, as partes envolvidas, geralmente rejeitam, especialmente quando é monocrática ou via liminar. Os bancos, então vivem contestando. A rejeição estimula a enxurrada de recursos que só faz atrapalhar a tramitação de processos. Causando lentidão, imperdoável demora no transitado em julgado. Fazendo pipocar críticas, principalmente depois de decisões polêmicas.

Muitos processos se arrastam, devido ao excesso de recursos, aceito pelos magistrados. Com exceção dos recursos e habeas corpus apresentados pelos políticos que mandam, até no Judiciário. Por incrível que pareça. Por outro lado, a soltura desembestada de políticos queimados pela justiça do povo, enoja. Afinal, a população anda cansada de ver tanta sujeira, roubalheira em profusão no serviço público, praticada por corjas de desonestos que inflamam a moral brasileira, quebram o país com as altas rapinagens, deixam os cofres públicos sem dinheiro. Queimam a confiança que o povo sentia pela Justiça, antes de vestir a toga da parcialidade. Daí o ódio generalizado, reinando em todos os cantos brasileiros.

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A reforma da Previdência deixou o trabalhador apreensivo. Com medo de perder vantagens trabalhistas, houve correria para apressar a aposentadoria, antes da provação do projeto. Esperar tempo bom, saber se as propostas do projeto da reforma são boas ou ruins gerou muitas dúvidas. Então, antes da aprovação pelo Congresso, muitos trabalhadores tomaram as últimas providências para dar no pé, ingressar na inatividade, o mais rápido possível, especialmente o servidor público. A novidade na reforma é a exigência da idade mínima para o segurado solicitar o benefício. No setor privado, mais de 80% dos aposentados, cerca de 24 milhões, aí incluídos também os pensionistas e as pessoas beneficiadas com outros tipos de auxílios, recebem menos de dois salários mínimos. Regalia que é reservada exclusivamente aos mais ricos que passam para o lado dos que vestirão o pijama eternamente ganhando gordos salários. Ao contrário da maioria dos aposentados brasileiros que ganha baixa remuneração.

Desse total, 16 milhões são aposentados autênticos, no entanto, a maior parte deles utilizou o critério da idade para obter o benefício. Como trabalharam por algum tempo sem registro na carteira, perderam o direito de adotar o sistema da aposentadoria por tempo de contribuição. Nesse critério, o tempo de contribuição antiga era de 15 anos. Com a nova regra, esta exigência passa para 20 anos. Na visão do governo, a reforma visa especialmente acabar com as desigualdades. Pelo menos, força o trabalhador mais rico não adiantar a concessão da aposentadoria em relação ao empregado da classe pobre. É um privilégio que deve ser extinto. O fato curioso é que não mudou muita coisa em relação ao passado.

Alguns itens do passado são interessantes e servem de motivos para reflexão. Quando foi instituído, no ano de 1888, para o pessoal dos Correios, portanto há 131 anos, o trabalhador, para se aposentar, era obrigado a comprovar 30 anos de serviço e idade mínima de 60 anos. Senão não se aposentava. Para impedir a aposentadoria antecipada, o governo FHC introduziu o fator previdenciário. O governo Lula também sancionou uma rigorosa medida. A nomeação do servidor público a partir de 2003 cortou o direito do funcionário se aposentar com o salário integral. O interessante é que no transcorrer da história da aposentadoria, muitos fatos novos foram incorporados ao sistema de aposentadoria. Com o advento do INSS, em 1990, surtiram diversas reestruturação no sistema previdenciário.

Porém, quase nenhuma reforma surgiu o efeito esperado. Daí os desequilíbrios. Como é o pessoal da ativa que paga o benefício de quem está aposentado, tanto pelo Regime Geral da Previdência Social (RGPS), como os benefícios rurais e o auxílio doença e pensão por morte, o INSS não suporta mais o tremendo peso financeiro. Em 2018, o déficit foi de R$ 183 bilhões. Numa clara demonstração de que o INSS gastou muito mais do que arrecadou. Com um sistema arcaico, ultrapassado, como esse, é evidente que as mudanças são mais do que necessárias. Não importa se a oposição conteste a reforma. Desaprove a mudança. O certo é que, para pagar mensalmente os 35 milhões de benefícios, o INSS tem de primeiro ganhar, para depois pagar a quem merece. Por direito.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

RADICALISMO

A humanidade é submissa a diversas formas de ideologia. A pessoa costuma se manter agarrada a alguns lances de ideias e de pensamentos para desenrolar atividades. Seja na política, no campo econômico ou social. Na opinião de Karl Marx, o homem não pode se desvincular de ideais que defendam os interesses coletivos, durante a gestão de cargos públicos. Estudioso, o filosofo alemão logo percebeu as mudanças sociais que aconteciam nos bastidores da Revolução Industrial, mais precisamente no bojo da Revolução Francesa. Enquanto as fábricas e a produção cresciam, as desigualdades sociais foram aparecendo, como reflexo abrangente do aperfeiçoamento do capitalismo. Forçado a abandonar a sua produção pessoal para garantir a própria subsistência, o trabalhador teve de vender a sua mão de obra para o setor produtivo, em troca de salário. Com a ação, evidenciou-se de imediato, a divisão de duas classes. De um lado o capitalista, o dono do dinheiro e da produção, e do outro, a classe dominada ou simplesmente o proletário. Era o início da zona de conflitos entre as duas classes trabalhadoras. Indiferenças que existem até o momento.

A corrente política que adota o radicalismo como forma de expressão e de ação revolucionária, tem a intensão de impor mudanças instantâneas na sociedade. Foi o deputado Charles James, da Câmara dos Comuns Britânico, que em 1797, se insurgiu contra a dominância do sufrágio defendido pelos monarcas da época, os proprietários que mandavam em tudo na cidade. Irritados, os radicais ingleses formaram a ala esquerdista, defensora de ideais sociais-democratas, igualitários e revolucionários. Aí, começaram as discordâncias, as desavenças. Resistentes às influências contrárias, os radicais desaprovam o conservadorismo.

No Brasil, o radicalismo é levado a sério. A intolerância de opiniões, afastam as pessoas com posições de pensamentos contrários. O brasileiro, conservador por natureza, dificilmente engole diferenças políticos partidárias. Faz questão é de, nos debates políticos, atacar o adversário, descer a lenha no interlocutor. As discordâncias esquentadas não acontecem somente no meio político. Estouram também no trabalho, na escola e até mesmo dentro de casa. É fácil cortar relações só por causa de divergências sobre a política. Tornar irmãos e parentes inimigos políticos de carne e osso. Pouco importa se o nível educacional é avançado. As pessoas tenham escolridade média ou superior. No passado, os debates nas campanhas eleitorais versavam apenas sobre programas de governo. Os diálogos geralmente eram construtivos. Atualmente, os candidatos se agridem moralmente. Debocham do adversário. Xingam, agridem moral e até fisicamente, se possível for. Durante campanha, o candidato Bolsonaro levou até facada em plena rua. Por conta do radicalismo político tão aceso, o Brasil ultrapassa a média internacional.

Faz deduzir que o menos importante no caso, são os debatedores mostrar preocupação com o futuro do país. Muito pelo contrário, nas discussões político partidária, os debatedores lutam somente para manter o nome em evidência, como se fosse realmente o único dono do país. E o resto, no caso, a população, não perca o grau de submissão. Não ultrapasse a ignorância política que só faz bem de fato aos eternos e enganadores políticos. Por isso, reina no país, o ódio intenso, desarforado, o destrutivo e inaceitável clima de instabilidade, os xingamentos de lado a lado e a constante selvageria nas lides políticas, dando ênfase ao grupo de esquerda, de oposição, achar que é uma classe perseguida. Inocente. Sem ter cometido nenhum crime. O antagonismo desenfreado causa insatisfação porque afasta a democracia que, na verdade, é o único pilar capaz de sustentar o mérito do poder definido para eliminar as injustiças.

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País algum pode esquecer as obras públicas. É obrigação do governo realizar projetos de infraestrutura para estimular o avanço da economia. Não importa o fim que a obra pública vise, meios empregatícios, de saúde, segurança ou de fins recreativos, o fundamental é mexer em todos os setores, escolas, transporte, hospitais, espaços públicos ou de saneamento, destinados ao bem coletivo. Desde que não gerem contestações e agressão ao meio ambiente, cumpram apenas a finalidade de servir à população de algum modo e sejam regradas por três critérios básicos. Obedeçam às normas da técnica, sejam construídas com material de boa qualidade, tenham preço e prazo convincente para evitar, justamente, o que é comum no Brasil, a lentidão.

Qualquer obra pública brasileira de importância demora mais de dez anos para ser concluída. Geralmente, as obras ocasionam conflitos fundiários por incapacidade técnica do Estado e estão cheias de irregularidades. Afinal, quanto mais tempo demorar, enseja novos planejamentos, licitações e total responsabilidade pelo o que pode acontecer no futuro. O exemplo da Transnordestina, projetada para escoar a produção de dezenas de municípios do Nordeste, inclusive a produção de gesso do Araripe, acabou em decepção. As causas da paralisação da ferrovia, alegam ser provenientes de ordem técnica e financeira. Quando foi iniciada, em 2006, a obra estava calculada em R$ 4,5 bilhões. Atualmente, o total passa de R$ 11 bilhões.

Todavia, de todos os critérios adotado para a execução de uma obra pública, o essencial é a presença da fiscalização. Situação que raramente acontece. Cabe ao fiscal responder pelo que observa acontece no canteiro de obras, de modo a corrigir as falhas na hora, ter o perfeito controle da construção da obra e, sobretudo, de modo transparente, notar, não somente a questão financeira, como a eficiência e agilidade no andamento do projeto. Como o serviço público não costuma utilizar software nos serviços, a tendência é os trabalhos públicos tornar-se precário. Deficiente. Gastar muito dinheiro na obra, estender a construção para além do estabelecido no contrato, atrasar a obra, desperdiçar dinheiro, complicar o desenvolvimento do país. Segundo os últimos levantamentos, os órgãos competentes analisaram 39 mil obras públicas em construção. Do total, 14 mil estão paradas. Abandonadas. A paralisação custou ao país, o montante de R$ 10,8 bilhões que estão jogados no lixo. Valor que devia ser investido em muitas outras utilidades. Num país repleto de necessidades públicas.

Por ser montanhoso, o Japão construiu a Ponte Akashi-Kaikyo, próximo ao município de Kobe, uma das cidades japonesas mais valorizadas pelo turismo, para ligar algumas ilhas ao redor. A ponte tem 3.911 metros de comprimento. O tamanho do vão central é de 1.991 metros de extensão, o que faz a ponte ter o maior pavimento de engenharia suspenso. Outra exigência na construção foi construir o vão central com uma altura de 1.500 metros para permitir a passagem de mil barcos que diariamente passam por debaixo da gigantesca ponte. A construção foi demorada. Demorou 10 anos, mas foi concluída em 1998. É a construção pública mais cara do mundo. Custou na época o valor de 4,3 bilhões de dólares. Mas, como obedeceu a critérios de seriedade, a vaidade política não atrapalhou a obra. Sério, o Japão não enrola. Ignora as licitações, os embargos, prima pela organização para não impactar principalmente os custos de construção. Infelizmente, fato corriqueiro no Brasil.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

COMPORTAMENTO

Uma simples análise sobre o desenrolar econômico do Brasil leva a gente a uma conclusão lógica. Diante das constantes baixas de consumo durante os últimos vinte anos, os dados atestam que o tamanho da economia, em vez de crescer e se manter em evolução, encolheu. Diminuiu. Na avaliação, o PIB brasileiro levou a nona queda, desde 1996, quando o quadro econômico começou a emborcar. Desmoronar. Foram 9 trimestres de queda. Na comparação do segundo trimestre de 2016 com o de 2015, o IBGE constatou uma derrubada do PIB brasileiro em 3,8%. Foi a maior queda desde 1996. Foi um ano de retração econômica. Os setores da indústria e serviços não suportaram a falta de investimentos. Em consequência, registraram queda de 6,2% e 2,7%, respectivamente. No ano, 2015, o único setor que não fez vergonha, comportou-se direitinho, foi o da agropecuária, que cresceu 1,8%.

A relação dos baques, levou ribanceira abaixo, o emprego e a renda. Houve rebeldia de juros e da inflação, bem como a retração de crédito. Até a construção civil despencou no abismo de retração. Chegado a instabilidades políticas e a rebeldia inflacionária, o Brasil tem se contorcido para tentar encontrar o Norte do progresso. Mas, tá difícil. Na década de 60, com o intuito de acelerar o processo de desenvolvimento, mediante os incentivos à industrialização, o governo Kubitschek fechou a economia ao mercado externo, preferindo concentrar as atenções na substituição das importações e no elevado investimento nas estatais. Mas, como se esqueceu de fincar sólidas bases institucionais, o programa esfriou. Resultado, nos anos seguintes a economia estagnou. Ficou problemática, endêmica. Na década de setenta, o país, consertou os erros e obteve uma boa fase de expansão. A indústria cresceu, a produção doméstica foi na onda, a inflação caiu, as exportações cresceram, a balança de pagamentos alcançou superávit, elevando as reservas internacionais.

Mas, o sonho foi passageiro. O aumento do preço do barril de petróleo foi a gota d’água. O endividamento externo, o aumento dos gastos e a precária política de distribuição de renda atrapalharam. Nos anos 80, houve a troca do regime militar pelo democrático. Os quatro planos heterodoxos, o congelamento de apreços e as alterações nos programas de investimentos trouxeram fracassos. A década de 90 ficou marcada como o período de turbulência e de transformações. A inflação acelerou, chegou a hiperinflação, o confisco financeiro perturbou, a recessão encostou a economia na parede e o congelamento de preços e de salários foi doloroso.

As novidades foram a privatização de estatais de a abertura às importações. A salvação foi o Plano Real em 1994. Aliviou as tensões. Na década de 2000, o Brasil entrou no boom de commodities, a economia mundial cresceu até receber o impacto da crise internacional que refletiu drasticamente no Brasil. Todavia, no início de 2010, o país festejou a taxa de crescimento de 7,5%. Todavia, recebeu a rebordosa da braba recessão, a maior da história econômica do país. Aí, junto com a corrupção, o país entrou em parafuso. Rodopia constantemente, sem encontrar o rumo. Comparativamente, os PIBS dos Estados Unidos, China e Brasil fecharam o ano de 2016, nas seguintes posições. EUA, US$ 17,7 trilhões, a maior economia do mundo, China, US$ 10,3 trilhões, a segunda, e o Brasil, com apenas US$ 6,2 trilhões, a nona mundial.

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A natureza é fantástica. Dota o ser vivente, homem e animais de qualidades para se adaptar ao meio ambiente, mesmo sofrendo adversidades. O verde das matas beneficia o organismo, fortalecendo as células que respondem pela saúde do corpo. Melhora a oxigenação, reduz o estresse, tira o cansaço mental. Na Sibéria, terra de renas e de ursos polares, lugar mais gelado da Terra, onde a temperatura pode chegar a 60 graus negativos, os moradores da região, afirmam que o frio não é problema. Não impede que o desenvolvimento faça de Novosibirsk, a terceira maior cidade da Rússia, a fonte para oferecer boas condições de vida saudável. Por outro lado, viver no deserto, tipo Saara, Kalahari, Atacama, locais secos e quentes, também não tem empecilho. Apesar do solo arenoso, a vegetação ser rasteira e ressecada, a vida no deserto tem compensações. As plantas têm raízes que acumulam água, embora rara. Matam a sede de gente, camelos, gazelas, serpentes e lagartos. Quem mora no deserto sabe que de dia o clima é quentíssimo, porém à noite a temperatura despenca para zero grau. Dá pra viver.

No Oriente Médio, ao longo do Mar Mediterrâneo, localiza-se Israel. Um pequeno país com 470 quilômetros de extensão e largura de apenas 135 km, onde mais da metade do território é deserto. A população é superior a 9 milhões de habitantes. O país é dotado de algumas distinções. Jerusalém é a capital israelense, enquanto Telavive é o centro financeiro do Estado Judeu que conseguiu a independência no ano de 1948. Nas montanhas da Galileia, compostas de rochas calcárias, com altura que chegam a 1 200 metros, existem córregos que conservam o verde na região durante todo o ano. Transforma o Vale de Jizreel, na região mais agrícola de Israel. Por incrível que pareça, a fauna e a flora israelense são diversificadas. A vida animal registra muitas espécies, ao passo que a vegetação possui mais de 2 800 tipos de plantas.

O importante em Israel é o desenvolvimento econômico, industrial e agrícola, apesar dos limitados recursos naturais. Embora seja importador de combustíveis fósseis e de matérias primas, muitas empresas têm cotação na bolsa Nasdaq. O PIB é o 41º mais alto do mundo. Satisfatoriamente, Israel exporta frutas, vegetais, produtos químicos e farmacêuticos, softwares, equipamentos de comunicação, tecnologia militar e diamantes. Na agropecuária, o país é autossuficiente na produção de alimentos, particularmente grãos e carne. Por isso, reúne um grande aglomerado de indústrias de tecnologia de ponta. Todavia, é no aproveitamento da água que Israel impacta. Aproveita a água condensada do ar-condicionado, através do sistema de condensação, dos rios, mar e da chuva.

No Estado judeu, tem água potável em qualquer lugar. Não importa se a água é salobra, do mar ou de esgoto. Graças aos altos investimentos em estudos e em centros de desenvolvimento, a água salobra fica potável, a do mar, o israelense dessaliniza. Do esgoto, purifica a água para reuso na irrigação da lavoura. Na educação, a frequência escolar é obrigatória dos 5 aos 18 anos. O turismo religioso é outra respeitável fonte de receita, de empregos e de renda. No turismo religioso, Israel chega perto do Brasil. Em 2018, recebeu mais de 4 milhões de visitantes. Então, em decorrência dessas particularidades, Israel é um Estado industrializado, utiliza alta tecnologia para eliminar a pobreza e as desigualdades, via desenvolvimento.

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O dinheiro público é um bem sagrado. Por pertencer ao povo brasileiro, devia ser usado com parcimônia. Dedicação. No entanto, tem muita gente que não valoriza os valores pertencentes ao cidadão. Como essa gente destrambelhada considera o Estado como a “viúva” rica, que nunca quebra, os fominhas danam-se a esbanjar a fortuna do povo. Cego, por natureza, o poder público não manja que está sendo surrupiado na parte financeira. Ignora lembrar que o uso do dinheiro público, por ser escasso, deve ser usado apenas dentro dos limites orçamentários.

Ora, dinheiro público, sob todos os aspectos, é imprescindível para aquecer a economia. Representa um fator, embora simbólico, para garantir o desenvolvimento sustentável, amanhã. Infelizmente, o desperdício na cultura brasileira é rotina, generalizada. Faz parte do cotidiano os gastos excessivos. Por isso, raramente se encontra alguém destinado a evitar os desequilíbrios. O costume é gastar à toa. Sem remorsos. Por isso, na maioria das vezes, as verbas públicas são escassas e muito mal-empregadas. Inadequadamente utilizadas. É como diz a lenda. “As injustiças se pagam”. Mas, caso não sejam cobradas, serão esquecidas, prevalecendo o poder de força, que na verdade é povo. Embora o cidadão nem desconfie que tem força no país.

O que deixa o Brasil liso de grana é a ganância da política. Embora a sociedade desconheça, mas nas eleições realizadas no período 2014 e 2018, as despesas de campanhas dispararam. Foram gastas exageradamente. Na campanha de 2014, os partidos usaram apenas R$ 189 milhões. Mas, como a fiscalização é cega, o financiamento político disparou. Em 2018, o financiamento do pleito saltou para R$ 2,82 bilhões no primeiro turno. Impressionante, as despesas subiram excessivamente. Os estudiosos eleitorais apontam que, em virtude de as prestações sobre cada pleito serem feitas por amostragem, sem a Justiça Eleitoral receber todas as informações necessárias para fazer uma análise precisa, é difícil saber o gasto real feito por cada um dos 28 mil candidatos. Então, para dar uma satisfação à sociedade, a fiscalização se restringe verificar somente os gastos dos candidatos eleitos. Deixando o caminho livre para os partidos políticos jogarem a culpa nos cabos eleitorais que raramente recebem dinheiro de campanha. Daí as candidaturas laranjas, os candidatos de fachada, os escândalos, a corrupção nos bastidores das campanhas.

Quando empossado no mandato, o parlamentar brasileiro recebe uma cota mensal para custear despesas. É a ajuda de custo chamada de Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP). A cota é polpuda. Abrange alimentação, transporte, hospedagem, consultoria técnica, combustíveis e mais outros penduricalhos. Outra vantagem que favorece o parlamentar é que, embora o país enfrente braba crise econômica, “ele” não é penalizado. Gasta demais. Em 2016, os gastos dos parlamentares foram de R$ 221 milhões. Fazem festa com combustível e passagens aéreas. Lógico. O pior é que até os suplentes são beneficiados com mordomias. Na hora de pensar em privilégios, os parlamentares se esquecem das promessas ao eleitor. Abandonam o povo. Nem se comparam com a Alemanha, onde as regalias dos parlamentares são menores. Humildes, os deputados alemães só recebem o salário, ajuda geral e passes para o transporte público. Também pudera.

Para assessorar 594 deputados e senadores, o Congresso brasileiro emprega mais de 18 mil funcionários. Do total de servidores legislativos, 70% recebem comissão. Os gastos com despesas médicas e odontológicas, dos deputados e servidores, no semestre passado, somaram R$ 93 milhões. Achando pouco, o deputado Marco Feliciano (Podemos-SP) gastou com tratamento dentário, a bagatela de R$ 157 mil. Enquanto o luxo reina no Congresso, torna o Legislativo o mais caro do mundo, mulheres humildes dormem nas filas dos hospitais pensando garantir uma ficha de atendimento. Mas, às vezes sobram. Retornam pra casa, lamentando o precário sistema de atendimento na saúde pública. Pobre país, cheio de desigualdades.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

TRAGÉDIAS

Os Estados Unidos são chegados a sofrer tragédias em locais públicos, geralmente provocadas por bala de armas de fogo. Anualmente, milhares de mortes e lesões são registradas nos centros de controle americanos. Em 2013, foram registradas 11.208 mortes por homicídio e 84.258 lesões. Houve época que os assassinatos e pessoas feridas em áreas urbanas diminuíram, porém, a partir 2007, os massacres em massa aumentaram progressivamente. O aumento de crimes por arma de fogo preocupa. Uns atribuem o aumento das ocorrências às vendas crescentes de armas de fogo.

Em 2009, estimavam a existência de 310 milhões de revólveres, pistolas semiautomáticas e rifles nas mãos da população. São tantas armas que nem os ex-presidentes da Nação escaparam, apesar do forte esquema de segurança ao redor deles. A história americana registra pelo menos 11 tentativas de assassinatos às maiores autoridades americanas. Abraham Lincoln, James Garfield, William McKinley e John Kennedy não sobreviveram aos tiros mortais. Outros ex-presidentes americanos tiveram melhor sorte, mesmo atingidos por balas. Andrew Jackson, Harry Truman, Gerald Ford, Theodore Roosevelt e Ronald Reagan, Franklin Delano Roosevelt escaparam dos atentados.

Especialistas atribuem ser o exagerado registro de crimes de morte à excessiva quantidade de armas letais em poder da sociedade. Caso houvesse menos venda de armas curtas, os registros de crimes letais talvez fossem mais brandos. Como acontece na Austrália e Finlândia, outros países desenvolvidos que enfrentam a mesma situação de crimes de roubo e assaltos, mas os bandidos não têm a intenção de matar. Nos Estados Unidos os debates sobre a disponibilidade e restrição de armas são permanentes. Os defensores do desarmamento lutam por leis mais pesadas nas questões envolvendo o uso de armas para recreação ou defesa pessoal. Já os adeptos do armamento, além de expor uma garantia constitucional, vigorando desde a fundação do país, apontam o armamento com motivação para reduzir os crimes urbanos. Em 2015, os registros anotam 355 tiroteios em massa. Num dos tiroteios um atirador invadiu uma faculdade em Oregon. Matou 10 pessoas e feriu sete.

O mundo chocou-se com o banho de sangue em Boston, Massachusetts. A morte recente de 22 pessoas, embora vigore o cessar fogo desde 1995. Na loja da rede Walmart, em El Paso, no Texas, cidade próxima à fronteira com o México, a tragédia, considerada hedionda, ceifou a vida de mais de 20 pessoas e feriu outras 24 vítimas, no dia 03 deste mês. O atirador suspeito, um jovem de 21 anos, Patrick Crusius, foi preso carregando um fuzil. Era véspera do início do semestre letivo. As famílias lotavam a loja para comprar material escolar. Na desabalada correria, muitos se protegeram num contêiner de metal, assustados com a terrível lembrança do massacre de 1966, quando um estudante da Universidade do Texas matou 18 pessoas.

O pavor cresceu tão logo repercutiu o segundo ataque com muitos tiros no centro da cidade de Dayton, Ohio, que matou 9 pessoas, ferindo 26 vítimas. Depois da morte de 17 pessoas numa escola de Parkland, Flórida, o presidente Donald Trump, sugeriu o treinamento de professores com armas de fogo para reagir aos tiroteios. Talvez por isso, os opositores condenam o racismo adotado por Trump como uma das causas para encorajar o ódio nos Estados Unidos. Afinal, os 250 ataques com armas de fogo, registrados desde janeiro passado, levam os americanos a debater a liberação com mais rigor e restringir a posse de armas de fogo no país.

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O Brasil é um país estranho. De difícil compreensão. Enquanto veta o recurso extra de R$ 1,5 bilhão que seria destinado ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação-Fundeb, medida aprovada pelo Congresso na Lei Orçamentária Anual para 2018, autorizou a concessão de R$ 1,7 bilhão para o Fundo Especial de Financiamento de Campanha eleitoral. Desde 2007, a lei sobre o Fundeb vigora no país, mas, por aparentar tendências políticas, exibir fragilidade na gestão de recursos, claudicou nos compromissos que devia assumir para sustentar a educação básica em alta escala. Fixando determinado valor por aluno a cada ano, com vistas a garantir recursos para manter, construir e reformar escolas, comprar equipamentos e pagar o salário dos professores e do pessoal que trabalha no setor de educação.

O Fundeb visa melhorar o atendimento ao aluno na creche, na pré-escola, educação infantil, ensino fundamental e no ensino médio nas escolas públicas. Como foi proibida a ajuda das empresas para as campanhas eleitorais, visando eliminar a devassidão, o Fundeb lascou-se. Entrou pelo cano. Ficou a desejar na manutenção de recursos para não deixar a peteca cair nos programas dedicados a jovens e adultos. Falhas nos conselhos dedicados a acompanhar a aplicação dos respectivos recursos, tentaram desvirtuar a redistribuição normal das verbas direcionados à educação. Em 2014, o repasse para o Fundeb somou R$ 132 bilhões. No entanto, como tem havido cortes nas verbas para a educação básica, derivado de desajustes na política fiscal, a consequência resultou em fechamento de escolas e demissão de docentes pelo país. Pelo menos, 10 estados do Norte e Nordeste foram atingidos com a redução da verba do Fundeb.

Como tem prazo de vigência até o final de 2020, os problemas podem se alastrar. Temendo a contaminação generalizada, tramita no Congresso um projeto, com o intuito de tornar o Fundeb um fundo permanente. Embora não se perceba, mais o Fundeb financia 63% das despesas com a educação básica brasileira. Garante matrículas para 40 milhões de estudantes no ensino básico. Até as escolas de ensino técnico sofrem com o corte de verbas. Por outro lado, o Fundo de Campanha, a verba para o político torrar na disputa pelo voto na urna, recebeu benefícios.

Mas, enquanto reduzem as verbas para a educação básica, na eleição de 2018, os candidatos se valeram de dois fundos públicos para financiar as campanhas. Usaram recursos do fundo eleitoral, R$ 1,7 bilhão e do fundo partidário, no valor de R$ 888 milhões. Diante da incoerência dos problemas, o que deve ser prioritário para o futuro do país. A educação ou a política? Ao contrário do Brasil, a França, considerando que a escola é a principal atividade para se formar um cidadão, adotou o seguinte esquema. Concentrar a atenção no básico para ensinar a criança a aprender ler, escrever, contar e, sobretudo respeitar o próximo. Telefone celular em sala de aula, nas escolas francesas, nem pensar. É proibido. E tamos conversado.

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Na política, o Rio de janeiro joga pesado. Fora do compasso do samba, os políticos fluminenses só fazem zoeira. Proibidos de desfilar no sambódromo porque suas proezas não estão no pé, mas nas mãos que com habilidade realizam farras de corrupção para roubar o que resta da coisa pública, os políticos fluminenses, descaradamente, deitam e rolam no crime dos desvios. De tão arrombado, com os desvios de dinheiro público, o Estado encontra-se altamente deteriorado pela ladroagem que os partidos políticos de esquerda, de extrema esquerda ou de qualquer outra ideologia política realizaram durante anos, no maior desaforo, muitas falcatruas. As trapaças enfeitadas de mentiras detonaram a corrupção no país. Disseminaram a forma de se beneficiar com o uso ilícito do dinheiro público em proveito próprio.

De tanto roubarem para atender apenas os interesses particulares, a classe política deu show de magia em fazer o dinheiro do povo sumir de repente para lugares incertos e não sabidos. Por isso, em vez dos recursos serem reservados para manter os serviços básicos, especialmente os destinados à assistência médico hospitalar, impedir que senhoras durmam nas calçadas dos hospitais públicos para garantir senha para o atendimento médico. Garantir a distribuição de alimentos e de remédios, destinados à coletividade em geral e o pagamento da folha dos servidores, os trambiques só trouxeram desesperança. Daí o parcelamento no pagamento dos servidores de alguns estados que passaram a receber por fatias a cada período, o mísero salário, forçando a inadimplência de muitos funcionários públicos, o nome sujo na praça, justamente por não terem condições de pagar as faturas. Quitarem as dívidas.

Embora haja determinação jurídica para decretar penalidade a quem descumprir as normas, o Rio de Janeiro foi jogado em tremenda crise econômica, política e social. A retração do setor de petróleo, a queda de arrecadação e o déficit previdenciário, só a Lava Jato, resultou na prisão de 4 ex-governadores, ex-secretários, 5 conselheiros do TCE, a cúpula da Mesa Administradora da Assembleia Legislativa, fora um bom número de assessores. Essas nojeiras todas são as responsáveis para colocar o nome do Brasil no quadro dos países mais corruptos do mundo. O que tem de parlamentares, deputados e senadores criminosos enganchado em escândalos ou integrando a lista de investigados pela Polícia Federal e pela Justiça não está no gibi. É por conta das safadezas que a população anda desacreditada com os políticos.

Também pudera, no lugar de usar de rigidez nos julgamentos, muitas vezes por pertencerem às altas classes sociais, os políticos trambiqueiros são beneficiados pelos bonzinhos magistrados, amigos de gente graúda que, embora tenham praticados crimes contra o Estado, são considerados anjinhos e postos na rua logo no primeiro habeas corpus para rir, em liberdade, de deboche na cara do povo. Agora, se o corrupto for pobre, cadeia nele, mesmo que tenha roubado apenas um ovo para matar a fome. Desse jeito fica difícil mudar o conceito de uma nação. Por outro lado, a população tem de ficar de olho aberto para desencorajar os políticos de permanece ludibriando a confiança do cidadão. O povo, enfim, tem de cortar as raízes dos vícios que a política costuma praticar. Eliminar os malfeitos sob o nome de nepotismo, negligência ou simplesmente aceitar de bom grado o famoso jeitinho brasileiro. Jeitinho contumaz que só beneficia as pessoas envolvidas na desonestidade. Nunca jamais o cidadão. A sociedade.