ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

FERNANDO SANCHO, O “GENIAL MALVADO”

Em se falando de filme de bang bang por esse Brasil afora, de repente não mais que de repente, vem em nossa mente àquela figura excêntrica e afamada, além de galhofeira e debochada desse magistral ator, Fernando Sancho, o nosso BOM HOMEM MAU… Por esse “interiozão” das cidadelas brasileiras, dias de feiras livres, fãs de memoráveis westerns spaghetti procuravam avidamente pelo nome de Fernando Sancho nos cartazes dos filmes dependurados em postes de eletricidades ou acompanhava o “locutor” num carro de marca Jeep ou Rural, com um microfone enrolado num farrapo de flanela vermelha, anunciando a película cinematográfica de logo mais à noite em CinemaScope, que era uma tecnologia de filmagem e projeção que utilizava lentes de última geração, pois ninguém tinha dúvida em comprar o bendito ingresso com a certeza de boa diversão.

O Genial Malvado foi muitas vezes estigmatizado ou rotulado de modo negativo como um bandido mexicano quando na verdade ele nasceu em Zaragoza, viveu na Espanha e morreu em Madrid. Com aquele seu corpanzil pesado, o ator espanhol que passava facilmente por mexicano, normalmente por bandido mexicano. Ele é um ator espanhol que se notabilizou por interpretar bandoleiros com seu barrigão exagerado, rosto suado, vestes ensebadas e gargalhada que se ouvia à distância de um ou mais quilômetros antecipando alguma crueldade. O nome desse ator é Fernando Sancho, que por mais que tentasse ser sinistro e sanguinário, nunca deixava de conquistar o espectador que, muitas vezes, secretamente até a gente torcia por ele.

Quando o Westerncinemania elaborou a desastrada enquete “GRANDES BANDIDOS DOS FAROESTES”, alguns cinéfilos como Darci Fonseca, Joaílton de Carvalho e Edson Paiva não se conformaram com a ausência do europeu Fernando Sancho entre os 50 homens mais selecionados para a enquete. ESCREVERAM: “Acho que na lista dos piores bandidos faltou Fernando Sancho, carismático, cruel, cínico e sujo”. OUTROS COMENTÁRIOS: “Fernando Sancho foi uma ausência de peso. (…) Acho que nenhum dos 50 da lista interpretou a quantidade de vilões que fizeram a fama de Fernando Sancho. (…) Ele marcou os westerns spaghetti e muitas vezes os filmes só valiam à pena por sua presença”…

O cinema espanhol não poderia prescindir de um artista como Fernando Sancho que, mesmo sempre um pouco acima do peso, era capaz de interpretar galãs com a mesma facilidade com que interpretava policiais, oficiais fardados e, melhor que ninguém, HOMBRES MALOS nos westerns spaghetti. Em sua briosa carreira, no auge, Sancho não parava de filmar e suas participações em produções na década de 60 é impressionante: sete filmes em 1961; – seis em 1962; – nove em 1963; – nove em 1964; – 14 em 1965; – 14 em 1966; – 12 em 1967; – nove em 1968; cinco em 1969. Nessa década Fernando Sancho fez desde pequenas participações em superproduções como “Lawrence da Arábia”, “O Rei dos Reis” e “55 Dias em Pequim” a papeis importantes como em “O Filho do Capitão Blood”.

Ao todo foram mais de 200 filmes. Sancho participou de gravações cujos elencos eram liderados por campeões de bilheteria na Espanha como os astros infantis Pablito e Joselito. Foi pouco relevante mas que alcançou sucesso na Espanha interpretando “El Zorro” herói muito querido na terra de Cervantes. Em “A Vingança do Zorro” (1962), Fernando Sancho iniciou uma nova fase em sua carreira, agora no gênero western que atraía muito público na Europa. Além destes, Sancho atuou em muitos filmes com o italiano Giuliano Gemma, filmes como: “Uma Pistola Para Ringo”, “Ringo Não Discute: Mata”. Em “Uma Pistola para Ringo” ele é dublado por alguém bastante competente, o que deixa o filme ainda mais divertido. O melhor filme de Ringo com Sancho, donde, recomendo-o.

E haja filmes de faroestes!!!, entre tantos: “Pelo Prazer de Matar; – “Até no Inferno Irei à Sua procura”; – “Django Atira Primeiro”; – “Clint, o Solitário”; – “Django Mata por Dinheiro. EM “ARIZONA COLT”, Giuliano Gemma e Fernando Sancho contracenam pela última vez num western. Dois spaghetti que alcançaram muito sucesso foram “O Dia da Desforra” e “Ódio por Ódio”, ambos com a presença de Sancho. São de 1967: “Um Homem e Um Colt”; – “Killer Kid” (com o ítalo/brasileiro Anthony Steffen); – “Billy, o Sanguinário” (o personagem de Sancho é ‘El Bicho’); – “15 Forcas para um Assassino”; – “RITA NO WEST” (com Rita Pavone e Terence Hill); – “A Outra Face da Coragem” (com Mark Damon e John Ireland e Sancho interpretando “Carrancha”, mais um nome bastante significativo para o ator).

Finalmente, como curiosidade, os filmes da dupla “O Gordo e o Magro” faziam grande sucesso na Espanha e o eclético Fernando se tornou o dublador oficial de Oliver Hardy, o Gordo. Fernando Sancho tinha como seu grande ídolo: JOHN WAYNE. Os últimos westerns da filmografia de Fernando Sancho, nos anos 70, tiveram qualidade bastante inferior uma vez que diretores como Corbucci, Sollima, Tessari e principalmente LEONE (com quem Fernando Sancho nunca filmou) haviam dado adeus ao gênero. A fama de Fernando Sancho era tão grande na Europa de modo geral e mais especialmente em seu país, que a revista espanhola “INTERVIU” bateu recordes de tiragem quando estampou ensaio fotográfico com Maytita, a filha do ator.

Já passando dos 60 anos de idade, o ritmo de trabalho de Fernando Sancho diminuiu sensivelmente, mas ainda assim nunca lhe faltou convites para atuar, no mais das vezes emprestando seu glorioso nome a produções de qualidade duvidosa. Sancho foi dirigido pelos principais diretores italianos e espanhóis de westerns, mas não teve oportunidade de atuar sob as ordens de Sergio Leone, o que aparentemente não o incomodou. Se vivo fosse Fernando Sancho teria completado 103 anos em janeiro de 2019. Morreu em 1990 aos 74 anos de idade de câncer. O gorducho nunca levava a sério, como também não ligava para certa discriminação que sofria de Hollyood. Porém, a única coisa que lamentava, isto sim, nunca ter participado de um filme de John Wayne, seu grande ídolo no cinema.

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O CARÁTER E A FÚRIA DO LENDÁRIO AUDIE MURPHY

O caráter e a fúria do Major Audie Murphy do US ARMY (Exército Americano) eram de assustar e causar espanto em sua participação, de verdade, in loco, na Segunda Grande Guerra Mundial. O baixinho era uma fera e distinguiu-se em ação nos confrontos da guerra em andamento no território italiano quando lutava na região do Rio Volturno e fazia a ”cabeça de ponte de Anzio” sob o frio intenso e a umidade das montanhas. Foi em condições de extremo perigo como esta que as suas habilidades como soldado de infantaria de combate lhe renderam várias promoções e condecorações por bravura, chegando à patente de Major.

Pouco tempo depois de Audie Murphy chegar ao campo de batalha, o melhor amigo dele, Lattie Tipton, foi morto por um soldado alemão que, supostamente, havia se rendido em um ninho de metralhadoras. Impotente para evitar a morte do amigo, Murphy entrou em um acesso de ódio incontrolável e, sozinho, dizimou a tropa alemã do bunker que havia acabado de matar o seu amigo. Alucinado, Murphy usou a metralhadora e as granadas tomadas dos alemães para destruir várias outras posições inimigas nas proximidades. Por este ato, Murphy recebeu a comenda da Cruz de Serviços Distintos que é superada em termos de distinção de guerra apenas pela Medalha de Honra. Atribui-se a Murphy a destruição de seis tanques, além de matar mais de 240 soldados alemães, como também ferir e capturar muitos outros.

Nas aventuras dos desbravadores do Oeste norte-americano e mais precisamente no gênero cinematográfico dos filmes faroestes, bang bang e de cowboys, AUDIE MURPHY pode não ter sido um Duke, um Cooper, um Lancaster ou mesmo um Clint, ou pode não ser um astro tão popular para os mais jovens, realmente. Porém, na década de 1950/60 ele esteve muito presente em nossas salas de cinema. E quem viveu aquela época ficava a cada fim de sessão assistida ansiando pela nova película do Audie a chegar. Era um alvoroço, uma alegria enorme e uma corrente de fãs que não paravam de falar em seu nome e nas fitas do mocinho cowboy e baixinho de 1,65m, parecido com Buck Jones que possuía, também, uma estatura igual ao do seu colega ator. Quanto às fitas de Audie Murphy, EI-LAS: Duelo Sangrento (1950); – O Último Duelo (1952); – A Morte Tem Seu Preço (1953); – A Ronda da Vingança (1953); – Antro de Perdição (1954); – A Passagem da Noite (1957); – Balas Que Não Erram (1959) ; – O Passado Não Perdoa (1960); Com o Dedo no Gatilho (1960); – Quadrilha do Inferno (1961); – Bandoleiros do Arizona(1965); – Os Rifles da Desforra (1966) – Gatilhos da Violência (1969).

Quem leu a biografia deste herói de guerra que se tornou astro dos filmes de faroeste, de David A. Smith, percebe claramente que o autor(David Smith) está interessado em iluminar as sombras de um homem de olhar frio marcado por experiências tão profundas. O vício do jogo. A dificuldade de relacionar-se. Os pesadelos que o atormentavam à noite a ponto de fazê-lo, ainda dormindo, esmurrar paredes até os nós dos dedos sangrarem. Viver muitas vidas em uma só tem seu preço. Não se pode dizer a clássica frase “A vida de Audie Murphy daria um filme” porque esse filme foi feito e estrelado por ele mesmo. Chamou-se “TERRÍVEL COMO O INFERNO”, um de seus filmes de maior sucesso.

Paulo Telles, o melhor biógrafo do baixinho afoito Audie Murphy, costuma dizer que, um dos mais famosos cowboys do cinema, talvez não seja tão popular às plateias mais jovens, pois não era tão famoso como John Wayne, ou Randolph Scott, ícones do faroeste americano. Mas é conhecido pelos amantes do gênero western e conquistou fãs pelo mundo todo, inclusive no Brasil, graças as suas exibições em nossa telinha nas sessões Western e Bang Bang por aqui, tão reprisadas em nossa televisão brasileira. Apesar de, o ídolo Audie Leon Murphy, cuja memória nos Estados Unidos é mais lembrada como Herói americano da II Guerra Mundial, e tão pouco como cowboy de Hollywood, mesmo constando da sua biografia 32 filmes de faroeste.

É verdade que nunca foi um astro de primeira grandeza na Meca do Cinema, mas fez seu nome na Sétima Arte conseguindo gerar admiradores de seu trabalho e de suas eletrizantes fitas de aventuras. Aliás, aventuras não faltam na vida deste astro, fossem dentro ou fora das telas. Eis o que escreveu o dublê de Audie Murphy, NEIL SUMMERS: ‘’Em meus 30 anos como profissional, trabalhei em muitos dos filmes de Audie Murphy. Durante minha vida em SETS de filmagem, eu conheci e trabalhei com quase todas as grandes estrelas que existiram nas últimas três décadas, mas existia um sentimento muito especial enquanto trabalhei nas filmagens com Audie. Eu acredito que muita desta fascinação tem a ver com suas façanhas na guerra. Um companheiro e eu frequentemente discutíamos o que AUDIE havia passado durante a guerra… O que ele teria visto, o que teria vivido, e o que teria feito para sobreviver, enquanto todos os outros perto dele estavam sendo mortos. Tudo isso antes mesmo dele ter dezoito anos de idade. Todos nós sabíamos que ele foi profundamente afetado pela guerra, mas vendo-o brincar nos sets de filmagem, você jamais diria’’…

Por fim, Audie Murphy se tornou um bem sucedido criador de CAVALOS DE RAÇA e também empresário proprietário de inúmeros ranchos no Texas, afastando-se do cinema para ter mais tempo para se dedicar aos seus negócios e aumentar sua fortuna pessoal. Como empresário, AUDIE ganhava tempo se locomovendo com seu avião particular e numa dessas viagens, durante uma forte tempestade, o aparelho em que viajava se chocou com uma montanha em Galax, no Estado da Virginia, ocorrendo a morte de Audie Murphy. O acidente ocorreu no dia 28 de maio de 1971 e Audie Murphy estava com apenas 46 ANOS DE IDADE. Sua morte precoce foi uma perda, sem precedentes, para todos que tiveram muito entretenimento na juventude com os seus faroestes. Uma pena e uma perda sem limites para seus fãs!!!

Veja vídeo com imagens inéditas de AUDIE MURPHY, o verdadeiro herói americano mais condecorado da Segunda Guerra Mundial que virou estrela de Hollywood em filmes de cowboys.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

O LEGADO DO MAESTRO ENNIO MORRICONE

Foi na “BOTA” da Europa que alguns dos melhores artistas de todos os tempos emergiram, tais como os renascentistas Leonardo da Vinci, Michelangelo ou Rafael. Séculos decorridos, a tendência para a produção artística de grande valor prevaleceu e a Itália orgulha-se de um filho pródigo voltado para a música. Com um currículo repleto de bandas sonoras dos mais diversos filmes, Ennio Morricone é um colosso no que toca à associação do mundo da música com o do universo do cinema. Com o “TOQUE DE MIDAS” da composição, o europeu tem o condão de conceder o complemento necessário para que nenhum detalhe impregnado num filme passe despercebido. Como afirma o ótimo cinéfilo de Caruaru-PE, Joaílton, Ennio Morricone esgotou todos os adjetivos para qualificá-lo…

O escritor Lucas Brandão que escreve para a revista eletrônica Comunidade Cultura e Arte é taxativo em afirmar quando nos relata que o legado do maestro, hoje com 90 anos, se estende por mais de 6 décadas e de 500 composições para filmes. Ennio Morricone é um SATÉLITE QUE ORBITA TANTO NO PLANETA DA MÚSICA COMO NO DO CINEMA, fazendo a conexão fantasiosa entre os mesmos. Com um legado quase impossível de ser descrito num finito número de parágrafos, importa reforçar o caráter fascinante e unificador das composições musicais que reforçam já a aura única que cada filme transporta. Se já não bastasse que, pelo seu enredo e personagens, nos maravilhasse, a varinha mágica de Morricone dá uma fragrância de musicalidade etérea à história transmitida.

Um fato curioso e diferenciado na vida do maestro ou uma interessante peculiaridade da sua carreira é a de que nunca abandonou a cidade que o viu nascer (Roma) para fazer as suas composições e nunca aprendeu a falar inglês, passando esta evidência despercebida com a sua versatilidade tanto como compositor para diversos tipos de trabalhos artísticos como nas funções de maestro e nas de diretor dos mesmos. Abdicando de viajar o máximo possível, o italiano é também conhecido pela originalidade das suas composições musicais, elaborando-as sempre do zero e abdicando de usar elementos predefinidos e já existentes. Atualmente, no mundo do cinema, destaca-se a reciclagem do norte-americano Quentin Tarantino de vários êxitos do compositor em filmes dirigidos pelo cineasta, como por exemplo, em 2013, Django Livre.

Em janeiro de 2018, na cidade São Paulo, aconteceu uma mostra no Centro Cultural Banco do Brasil, dedicada ao trabalho do maestro e compositor Ennio Morricone, provavelmente o maior de todos os compositores de trilhas sonoras para o cinema, que em novembro de 2019 completa 91 anos. “SONORA: ENNIO MORRICONE“ exibiu 22 filmes de gêneros e diretores diferentes, mas com algo em comum: a trilha marcante do maestro. Para todo o fã de cinema, é impossível medir a importância do SIGNORE MORRICONE para a história. Desde os spaghetti Westerns de Sergio Leone, até Os Oito Odiados, pelo qual finalmente recebeu um Oscar de trilha sonora, Morricone escreveu trilhas fantásticas. As preferidas, recentemente, são as de Os Intocáveis e a simplesmente perfeita de Cinema Paradiso – impossível não se emocionar com todas essas cenas….

A propósito do filme Era Uma Vez no Oeste que é um majestoso faroeste dirigido por Sergio Leone, muito da beleza visual desse filme deve-se ao maestro e compositor Ennio Morricone pois como é sabido, Leone pediu a Morricone que compusesse os temas musicais do filme, o que o compositor fez a partir da leitura do roteiro e de suas conversas com o diretor. Para as sequências e personagens principais, Morricone criou composições específicas e Leone executava essas peças durante as filmagens. Isso não só ajudou os atores, mas despertou nele, diretor, uma transcendente inspiração. Como diz o estudioso de faroeste Darci Fonseca: “Ennio Morricone já havia criado admiráveis e inovadoras trilhas sonoras para westerns spaghetti. Nenhuma delas, porém, atingiu a perfeição das peças musicais composta para “Era Uma Vez no Oeste”, especialmente o tema principal que tem o mesmo título do filme”.

Sob encomenda do cineasta SERGIO LEONE, Ennio Morricone escreveu as trilhas sonoras de quatro dos 10 principais filmes de Western Spaghetti: Por um Punhado de Dólares) (1964), Por Uns Dólares a Mais)(1965), Três Homens em Conflito (1966) e Era uma Vez no Oeste) (1968). Aliás, No filme Era Uma Vez no Oeste, a música conjugada com as imagens é uma das coisas mais bonitas que o cinema já proporcionou. Mas como nem só de um estilo vive a obra de um gênio, o maestro também assinou a trilha de obras de comédia, horror e drama. Os filmes Exterminação 2000 (1977), de Alberto De Martino; Áta-me! (1990), de Pedro Almodóvar e Reviravolta(1997), de Oliver Stone são alguns dos destaques da vida musical de Morricone fora do velho oeste. Pelo conjunto da obra, a indústria cultural assume que um gênio do calibre de Ennio Morricone surge uma vez a cada nunca mais.

A seguir, para os apreciadores da boa música, clic no endereço abaixo para ouvir por uma hora esta coleção de músicas originais comandada pelo maestro Ennio Morricone, todas fazem referência aos filmes Spaghetti Westerns.

PS. Dedico este artigo ao grande colunista PENINHA do JBF. No campo musical, sem os vastos conhecimentos desse monstro sagrado no campo da pesquisa da música popular brasileira e internacional essa Gazeta escrota jamais seria porra alguma!!!

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

CASABLANCA, A HISTÓRIA DE AMOR MAIS FAMOSA DO CINEMA

A caminho de completar 80 anos, CASABLANCA transformou-se num dos mais populares filmes da história do cinema. Ganhou três Oscars da Academia, o de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro. A crítica da época elogiou as performances carismáticas de Bogart e Bergman, junto à profundidade das caracterizações, a fotografia poética, a sagacidade do roteiro e do impacto emocional do trabalho. A história se passa durante a Segunda Guerra Mundial, em Casablanca, capital do Marrocos. Rota obrigatória de quem fugia das atrocidades dos nazistas, será em Casablanca que Rick Blane (Humphrey Bogart), dono de um bar local, irá reencontrar Ilsa Lund (Ingrid Bergman), anos depois de terem se apaixonado em Paris. Ela surge acompanhada pelo marido, o herói da resistência tcheca Victor Laszlo Um enredo comovente e uma trama empolgante, inesquecível!!!

Entre tantos problemas ou curiosidades que o filme apresenta, um deles é que, originalmente, no elenco do filme o protagonista seria Ronald Reagan e não se sabe lá porque carga d’água não aconteceu(há quem diga que o empecilho foi o seu tamanho). Outro, foi a diferença de altura entre o par romântico Bogart & Ingrid. Ingrid media 1m75 enquanto Bogart media oficialmente 1m68, e para as cenas que reuniam os dois, Bogart precisava subir em uma plataforma para poder ficar equiparado ou mais alto que Ingrid. Seja como for, tudo foi superado, e Casablanca se tornou um dos títulos mais lendários da fase de ouro de Hollywood, o arquétipo do cinema romântico americano, se tornando um dos maiores clássicos do cinema mundial, consagrando Ingrid Bergman como estrela no cinema americano.

A melhor cena, os melhores diálogos, as melhores frases, o melhor final, enfim, no campo do romantismo, o filme mais perfeito de todos os tempos!!! Não é à toa que, com o passar do tempo e lá se vão mais de 75 anos, o mundo sempre deu boas-vindas aos amantes Rick e Ilsa… A sueca Ingrid, no esplendor da sua beleza, comove o espectador com sensibilidade discreta. Humphrey Bogart, cínico e aparente frio, constrói um personagem que repetiria inúmeras outras vezes. A química entre ambos é total, levando a plateia às lágrimas quando um Bogart apaixonado abre mão do seu amor para que ela siga ao lado do marido, dizendo: “NÓS SEMPRE TEREMOS PARIS”. Além de explorar o contexto histórico, o filme é maravilhoso devido as atuações de Ingrid Bergman e Humphrey Bogart. Nas páginas de jornais como O Globo lê-se que, Humphrey Bogart tinha uma atuação concentrada, um grande carisma e a intensa presença na tela.

Transformaram em astro – de “Relíquia macabra” (1941), “Casablanca” (1942) e “Uma aventura na África (1951)”, ao lado de Katharine Hepburn, que lhe rendeu o Oscar, entre outros – um ator que fugia dos padrões de Hollywood. Humphrey Bogart era mais velho, mais baixo e mais feio do que os outros galãs de sua época, como Clark Gable, Tyrone Power, Cary Grant. Detratores costumavam dizer que o ator Bogart tinha duas expressões faciais: com e sem cigarro na boca. Os cigarros eram realmente companhia constante, na tela e fora, e ajudaram a agravar o câncer na garganta que o matou.

Ingrid Bergman foi a maior descoberta sueca de Hollywood após a aposentadoria da “divina” Greta Garbo. Ela foi a ILSA LUND de “Casablanca”, a loira de Hitchcock, a apaixonada amante e esposa de Roberto Rossellini e, finalmente, filmou com o outro Bergman, Ingmar, no crepúsculo de sua carreira: Ingrid Bergman, uma das melhores atrizes da história em qualquer sala de projeção cinematográfica existente no mundo. No cinema, foi a inspiração para a célebre frase “Nós sempre teremos Paris”, com a qual Humphrey Bogart deixava aberta a história de amor mais clássica da telona.

Em 26 de novembro de 1942, Casablanca estreava em Nova York. O longa-metragem foi lançado em plena Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que ainda estava longe de ter um fim. Devido à guerra, o filme demorou a ser exibido na Europa. Na Itália, ele estreou em 1946, na França, em 1947, na Áustria, em 1948, e na Alemanha Ocidental, apenas em 1952, em uma versão com cortes. Na Alemanha Oriental, Casablanca estreou diretamente na televisão, somente em 1983!!! OS BRASILEIROS, por sua vez, puderam conferir o longa-metragem menos de um mês após sua estreia nos Estados Unidos, em 7 de dezembro de 1942.

CASABLANCA com seu ótimo roteiro, trilha sonora perfeita e elenco extraordinário, primeiramente estava previsto para ser filmado em Lisboa, depois optaram pela capital do Marrocos. O fato é que, com três prêmios Oscar conquistados, uma trama cheia de diálogos inesquecíveis, interpretações espetaculares de Humphrey Bogart(que faleceu em 1957 aos 58 anos) e Ingrid Bergman(encantou-se em 1982 aos 67 anos na data de seu aniversário), “Casablanca” entraria para sempre para a eternidade. É de arrepiar frases antológicas como: “Tantos bares, em tantas cidades em todo o mundo, e ela tinha que entrar logo no meu”, “Toque outra vez, Sam”, “Isso foi o barulho de um canhão ou o meu coração que deu um salto?” ou “O mundo está desmoronando e nós nos apaixonamos”, “Nós sempre teremos Paris”, – não é preciso dizer mais nada… Há 77 anos era iniciada “UMA GRANDE AMIZADE” entre o público de qualquer geração e a história de amor mais famosa do cinema.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

SERGIO LEONE, MESTRE ABSOLUTO DO WESTERN SPAGHETTI

Filho de um antigo industrial do cinema italiano, Sergio Leone, ficou conhecido mundialmente por popularizar o gênero do western spaghetti. Foi só em 1964 que estreou como diretor em seu primeiro filme de bang bang, ao realizar o antológico POR UM PUNHADO DE DÓLARES, estrelado pelo novato Clint Eastwood. Foi um dos mais brilhantes cineastas da sua geração e inventor de um estilo em que não faltam lances de pura genialidade. Ele é hoje fonte de inspiração para novos cineastas como Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. Seu primeiro faroeste é uma comédia satírica, exuberante e impetuosa sobre a violência em filmes de cowboy sujo e fora da lei.

Em primeira mão o cinéfilo Darci Fonseca nos confidencia que, a imagem do homem solitário vestido com um poncho e com um toco de cigarrrilha no canto da boca em “POR UM PUNHADO DE DÓLARES” criada por Clint Eastwood é tão importante para o cinema, especialmente para o faroeste, quanto a presença de John Wayne/Ringo Kid em “No Tempo das Diligências”. Se em 1939 John Ford com seu filme deu ao gênero sutileza, lirismo e respeito antes jamais imaginados, Sergio Leone 35 anos depois mudou definitivamente a forma de se fazer westerns. O diretor italiano acrescentou ao faroeste, com “Por um Punhado de Dólares”, padrões tão chocantes no realismo sujo e na extremada violência que o gênero nunca mais voltaria a ser o mesmo. o primeiro faroeste de Sergio Leone antecipou, no entanto, o perfeito domínio fílmico que o diretor alcançaria em seus trabalhos posteriores.

Em uma de suas brilhantes explanações, o estudioso em filmes da modalidade faroeste, Antônio Nahud, nos informa que na década de 60, o WESTERN atravessou uma fase de vacas magras nos Estados Unidos, mas na Itália, conhecidos como “spaghetti-westerns”, estavam sendo produzidos a todo vapor, numa abordagem mais contemporânea e operística. O italiano Sergio Leone, mestre exemplar desse estilo, desconstruiu de certa forma o mito ao realizar excitantes tributos, como os inigualáveis Três Homens em Conflito(1966) e Era Uma Vez no Oeste (1968). Com extraordinária trilha sonora do maestro ENNIO MORRICONE, este último resgatou os estilizados personagens do gênero: a prostituta bondosa, o pistoleiro enigmático, o bandido manhoso. Um universo de pistoleiros e bandidos violentamente dominados pelo fascínio do dinheiro fácil e da crueldade sem precedentes.

Uma curiosidade interessante do estudioso e crítico de cinema Paulo Telles aconteceu em 1968, quando Sergio Leone lançou ERA UMA VEZ NO OESTE, com Charles Bronson, Claudia Cardinale, e Henry Fonda (cowboy Hollywoodiano por excelência que já tinha mais de 30 anos de experiência, que aos 63 anos interpreta o único vilão de sua carreira. Leone era fã deste grande e saudoso astro falecido em 1982). Na época do lançamento, foi um fracasso de bilheteria, mas com o passar dos anos, elevou a obra prima do gênero. O mesmo se sucedeu com o clássico norte-americano RASTROS DE ÓDIO, de John Ford, que ao ser lançado em 1956 não teve boa repercussão de crítica e de público, mas foi reconhecido como obra magistral da Sétima Arte tempos depois.

Com a crise dessa modalidade de cinema no Oeste norte-americano houve uma debandada em massa dos atores para o país europeu que, visto no mapa, tem o formato de uma grande bota, Itália. O primeiro da lista foi Clint Eastwood que saiu dos States em direção a Itália para protagonizar a obra triológica que o consagrou definitivamente. Por tabela outros o seguiram como Lee Van Cleef (o mais bem sucedido depois de Clint Eastwood), Richard Boone (da série de TV Paladino do Oeste), Clint Walker (da Série Cheyenne), Burt Reynolds, que como Clint havia começado sua carreira na TV em uma série televisiva, entre outros. Grande parte destes ATORES AMERICANOS seguiram o exemplo de Eastwood e migraram para a “terra prometida” do novo gênero de westerns, muito deles com o objetivo de revitalizarem suas carreiras.

Além dos americanos, o Western europeu contou também com atores de outros países, como a Inglaterra (Stewart Granger); França (Philippe Leroy e Johnny Halliday); Alemanhã (Klaus Kinski); Espanha (Fernando Sancho, um dos bandidos mais feiosos requisitados nos Westerns Europeus); e o BRASIL não estava menos representado sem a presença de ANTHONY STEFFEN, ou melhor, Antonio de Teffé (nascido em 1930, falecido no Rio de Janeiro em 2004), que fez muito sucesso em território europeu. NORMA BENGELL, nossa atriz brasileira, também participou de um Spaghetti Western: Os cruéis em 1966. O filme dirigido por Sergio Corbucci e estrelado pelo veterano Joseph Cotten.

No documentário 100 anos de Western escrito pelo autor Primagio Mantovi, ele nos brinda com ricas informações que pinçando uma aqui outra acolá nos defrontamos com uma boa margem das afinidades de diretores como Leone e Corbucci, surgiram outros diretores do gênero Spaghetti nos faroestes italianos, como Duccio Tessari, que dirigiu Uma Pistola Para Ringo, ou Giorgio Ferroni, com o Dólar Furado, ambos estrelados pelo galã GIULIANO GEMMA (RINGO), outro herói dos faroestes europeus, talvez o menos “sujo” dentre eles. Giuliano Gemma(amigo íntimo do cantor brasileiro Roberto Carlos) perdeu a vida em um trágico acidente de carro, em 2013, nas proximidades de Roma e morreu após dar entrada em um hospital na cidade de Civitavecchia. Na oportunidade ele estava com 75 anos de idade. Se não bastasse Giuliano Gemma, ainda temos FRANCO NERO (hoje com 77 anos), italiano legítimo estrelando Django, de Sergio Corbucci, em 1966, e Nero fez tanto sucesso que foi um dos atores mais requisitados para o gênero spaghetti nos 10 anos seguintes.

Praticamente lançado por Sergio Leone, Clint Eastwood prestou uma homenagem ao gênero que o consagrou, em “Os Imperdoáveis(1992), com Gene Hackman, Morgan Freeman e Richard Harris no elenco, rendendo-lhe o Oscar de Melhor Filme e Direção. O pesquisador Nahud diz categoricamente que, CLINT, em seu último filme de faroeste, voltou ao bang bang com novos olhos, pois não havia mais glamour em matar, o homem da lei se comporta tão mal quanto o renegado que tenta se regenerar. Ele dedicou essa reflexão notável aos seu mentor SERGIO LEONE. Um lamento ou canto triste ao fim do velho Oeste nos filmes por eles retratados.

Finalmente, por ironia do destino há quem diga que o seu melhor filme que não é bang bang e sim de gangster continua sendo ERA UMA VEZ NA AMÉRICA(1984), com Robert De Niro e James Woods e trilha sonora de Ennio Morricone. Não é à toa que, antes, em 1972, ele tinha sido convidado para dirigir o PODEROSO CHEFÃO com Marlon Brando e Al Pacino, porém Sérgio Leone recusou em razão desse seu outro projeto que só veio a realizá-lo em 1984, mas tornou-se, segundo os críticos, na sua melhor obra cinematográfica.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

RETROSPECTIVA DE UM HERÓI CHAMADO DJANGO

A saudade nos traz de volta ou faz lembrar que, há 50 anos, nossos extintos cinemas de rua de cidadezinhas do interior tinham como atração na década de 1970 tantos cartazes divulgando um bang bang à italiana. Através do cinéfilo Paulo Telles vamos viajar no tempo, ou melhor, iremos fazer ON TOUR nesse personagem intitulado DJANGO tão bem interpretado tanto pelo italiano Franco Nero quanto o brasileiro Anthony Steffen. Recordaremos alguns filmes antigos protagonizados por este herói que encantou os amantes do faroeste à italiana nas salas de projeções do mundo inteiro. Django, de 1966, dirigido por Sergio Corbucci foi o filme que deu a Franco Nero(77 anos) o reconhecimento mundial como um dos maiores ícones do gênero western europeu.

Em 1965 SERGIO CORBUCCI era apenas mais um dos tantos cineastas italianos que passaram a explorar o filão do faroeste na Itália, à sombra do outro SERGIO, o LEONE, este prontamente reconhecido como renovador do gênero western. Para seu terceiro faroeste, rodado entre novembro de 1965 e janeiro de 1966, Corbucci criou um personagem que nem o mais otimista dos cineastas poderia imaginar que se tornaria a mais emblemática representação daqueles filmes que logo viriam a ser chamados de western spaghetti. Nos confirma o cinéfilo Darci Fonseca que, a escolha do nome desse personagem foi um desses momentos de rara felicidade, com Corbucci tendo a ideia de chamá-lo de “DJANGO”, inspirado por Django Reinhardt, célebre guitarrista cigano.

O primeiro filme desta marca registrada se deu no ano de 1965/66. Django (Franco Nero) é um homem que arrasta consigo um caixão, onde dentro está escondida uma poderosa metralhadora. Na fronteira do México, ele está disposto a vingar a morte da sua esposa, e parte para uma luta sangrenta contra duas gangues rivais que agem na região, isso depois de fazer um acordo com o bandido local Hugo Rodriguez. Só que desconfiado das intenções de Rodriguez, ele resolve se juntar a Maria uma mulher que havia salvo, e os dois serão perseguidos pelo mexicano.

Em 1969 entra em cena um brasileiro com o filme DJANGO, O BASTARDO. Durante a Guerra Civil Americana, três oficiais do exército confederado, líderes de um regimento, se vendem aos rivais ianques, matam os sentinelas e permitem que a tropa inimiga massacre todo seu regimento. Porém Django (o ítalo-brasileiro Anthony Steffen, nascido Antonio de Teffé em 1929 no consulado brasileiro na Itália, e falecido em 2004, aos 74 anos de idade, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro), que é um dos soldados, não morre. E anos depois, como que surgido do inferno, ele começa sua caçada de sangue aos homens que o deixaram à beira da morte. Será que ele é um fantasma ou simplesmente um homem com sede de vingança? Ele é Django, que voltou do inferno, e agora ninguém vai fugir de seu gatilho. Este bom filme é dirigido por Sergio Garrone.

Há 6 anos, em 2013, estreou em todos os cinemas brasileiros o novo filme de Quentin Tarantino, DJANGO LIVRE (Django Unchained). O filme nem parece ser um faroeste, um clássico estrelado por Franco Nero em 1966 (que por sinal faz uma participação pequena no novo filme do cineasta Tarantino), mas de um certo modo faz uma releitura deste personagem que foi explorado em outros westerns spaghetti entre 1966 e 1972, com um retorno em 1987(com Django: a Volta do Vingador). Na verdade, o excelente filme teve como protagonista o ator negro JAMIE FOXX. O ator interpreta o personagem título, mas NÃO foi a primeira opção do cineasta, tendo sido escolhido após a recusa de outro negro WILL SMITH em ficar com o papel.

Em sua sinopse, Django (Jamie Foxx) é um escravo liberto cujo passado brutal com seus antigos proprietários leva-o ao encontro do caçador de recompensas alemão Dr. King Schultz (Christoph Waltz). Ao realizar seu plano, Schultz liberta o escravo Django, embora os dois homens decidam continuar juntos. Dotado de um notável talento de caçador, Django tem como objetivo principal encontrar e resgatar Broomhilda (Kerry Washington), a negrinha, sua esposa, que ele não vê desde que ela foi adquirida por outros proprietários, há muitos anos. Um personagem importante do filme DJANGO LIVRE é Calvin Candie muito bem interpretado por Leonardo DiCaprio que tem uma desenvoltura espetacular. Em que pese ser um filme altamente violento(muito sangue), vale a pena assisti-lo. Recomendo-o!!!

Pegando uma canja dada pelo cinéfilo Bruno Carmelo, podemos concordar com ele quando afirma categoricamente que, Django Livre é um filme excessivo: existem tramas demais, personagens demais, reviravoltas demais; a duração é longa, o sangue jorra por todos os lados, as referências se multiplicam sem fim. Mais do que nunca, o grande cineasta QUENTIN TARANTINO está consciente do caráter épico desta história, do teor sensível do tema e de suas imensas habilidades na direção. Este novo filme é uma prova de que as ambições do diretor estão cada vez maiores – e de que ele ainda consegue corresponder às altas expectativas que constrói, inclusive, no final do filme o diretor Tarantino aparece em algumas cenas quando é detonado com uma carga de dinamite por Django.

A primeira hora do filme é um verdadeiro show de Christoph Waltz. Através deste personagem, o meio dentista, meio caçador de recompensas King Schultz, a história estabelece seu contexto. Aprendemos que estamos em um faroeste, pouco antes da Guerra Civil, no sul dos Estados Unidos. É um grande prazer assistir a Waltz atuando mais uma vez no papel de um homem inteligente e sarcástico, algo que ele domina perfeitamente bem (depois de Bastardos Inglórios e Deus da Carnificina). A paródia que ele faz das tradicionais cenas do saloon, e das cenas de duelos com armas nas ruas da cidade, é hilária.

Este filme é um deleite visual, com fotografia, cenário e atuações impecáveis. Leonardo DiCaprio apresenta um lado que nunca tinha mostrado antes no cinema. Ele reflete sobre o passado – com o tema da escravidão e o gênero fora de moda do faroeste -, mas consegue levá-lo ao presente; ele consegue ser ao mesmo tempo crítico, reflexivo, engraçado, perverso. O próprio momento em que Django é obrigado a atuar no papel de um homem racista, explorando os negros, é de uma força única. O diretor Tarantino tem em mãos um dos melhores roteiros que já escreveu, uma amostra de que o cinema de qualidade pode unir o público e a crítica, sendo tão moderno quanto clássico. Django Livre é, assim, um espetáculo imenso, um show de imagens e sons, uma aula de cinema, e um filme completo, assista-o!!!

Hoje, Sergio Corbucci(inventor do personagem Django), descansa em paz e aonde estiver deve estar satisfeito com a discussão de sua obra mais querida entre os amantes do gênero. E graças a TARANTINO, com seu faro cinéfilo, traz de volta um dos personagens mais inspiradores. Assista ao filme por completo clicando na imagem abaixo. Em que pese a projeção ser mais longa do que este texto, mas vale a pena conferir. É um filme faroeste imperdível para os padrões do Século XXI.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

CONTATOS IMEDIATOS COM STEVEN SPIELBERG

Segundo a revista Forbes, um dos cineastas mais bem-sucedidos da história de Hollywood, o judeu ortodoxo Steven Spielberg(72 anos), soma um patrimônio estimado em 4 bilhões de dólares(há quem diga que seja a terceira maior fortuna de Hollywood). Em 40 anos de sua carreira, dirigindo, escrevendo e produzindo aproximadamente 100 filmes quando já recebeu 12 nomeações ao Oscar, das quais venceu três. Eis algumas películas cinematográficas das mais imperdíveis, da mais antiga a mais recente: Tubarão(1975) – Contatos Imediatos do Terceiro Grau(1977) – Os Caçadores da Arca Perdida (1981) – E.T. (1982) – A Cor Púrpura(1986) – A Lista de Schindler(1993) – Jurassic Park(1993) – O Resgate do Soldado Ryan(1998) – Lincoln (2013) e tantos outros filmes de temas abrangentes que vão desde ficção científica até debates históricos.

Seu primeiro filme de sucesso foi um longa-metragem feito para a televisão, em 1971, chamado Encurralado, com o ator Dennis Weaver no elenco e que fez com que ficasse conhecido (e disputado) entre os estúdios. O que lhe rendeu a oportunidade de produzir o seu primeiro grande sucesso para o cinema: o filme TUBARÃO, produzido em 1975, colocou o nome de Spielberg entre os mestres do cinema americano e a partir daí ele não parou mais, foi um sucesso atrás do outro incluindo o grande clássico de ficção científica “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”, de 1977. Um grande sucesso de Steven Spielberg como diretor foi na série “Indiana Jones”, com produção de George Lucas e Harrison Ford no papel principal. Em seguida, passou a abordar temas humanísticos relacionados ao racismo, ao Holocausto, terrorismo, direitos civis e guerras.

Em 1993, dois filmes do diretor lotaram as salas de cinema em todo o mundo. O primeiro, JURASSIC PARK, voltou a quebrar recordes e se tornou o maior fenômeno de bilheteria do cinema até a data. Já o segundo era um projeto de valor pessoal, A LISTA DE SCHINDLER, sobre o martírio dos judeus na Segunda Guerra Mundial. Foi por este último que Spielberg finalmente conseguiu a sua primeira estatueta dourada de Melhor Diretor da Academia de Artes. Como curiosidade na belíssima e frutífera carreira do cineasta, Tubarão foi o primeiro filme a ultrapassar a arrecadação de US$ 100 milhões. Agora, uma curiosidade triste em sua vida quando criança, por ser descendente de judeus, na escola, o futuro cineasta deparou-se com o anti-semitismo. Havia épocas em que apanhava com frequência no recreio.

Durante quatro décadas, Spielberg construiu seu reconhecimento como um dos mais importantes diretores de todos os tempos, seja pela vocação empresarial, pelo espírito visionário ou, simplesmente, por sua habilidade artística. Conforme nos conta o cinéfilo do Blog Omelete, nesses 40 anos de altos e baixos, o diretor teve várias vezes o prestígio abalado, mas conseguiu dar a volta por cima, sempre em busca da perfeição cinematográfica. Unir entretenimento de massa com aprovação da crítica é uma das tarefas mais difíceis na sétima arte. E nesse quesito, Spielberg é insuperável.

Recentemente, a Walt Disney informou que o diretor Steven Spielberg e o ator Harrison Ford irão voltar às telas para um QUINTO FILME da série “INDIANA JONES”, que iria estrear nos cinemas em julho de 2019. Ford, de 76 anos, irá repetir seu papel como o famoso arqueologista e aventureiro que apareceu pela primeira vez em “Caçadores da Arca Perdida”, de 1981. As notícias nos dão conta que, INDIANA JONES 5 ganhou uma nova data de estreia… Mais uma vez… Depois de sucessivos atrasos na produção e alterações no calendário, a Disney, dona da Lucasfilm, definiu que o filme sobre o arqueólogo mais famoso da sétima arte chegará aos cinemas no dia 9 de julho de 2021.

Apesar de ser uma das poucas celebridades bilionárias do planeta, Steven Spielberg o cineasta mais famoso do mundo, não pensa em se aposentar tão cedo. Indicado ao Oscar em 2018 por “THE POST: A GUERRA SECRETA”, filme que dirigiu e é estrelado por Meryl Streep e Tom Hanks. Houve 2 indicações ao Oscar 2018: Melhor Filme e Melhor Atriz (Meryl Streep), mas o prêmio saiu para o filme A forma da água e atriz que arrebatou o Oscar foi Frances McDormand (“Três anúncios para um crime”). Quanto ao melhor diretor do ano passado quem ganhou foi Guillermo del Toro (“A forma da água”).

No tocante ao filme de Spielberg , talvez The Post – A Guerra Secreta jamais existisse se Donald Trump não fosse eleito Presidente dos Estados Unidos. Afinal de contas, foi a ojeriza do atual presidente norte-americano à imprensa que fez com que Steven Spielberg encampasse este projeto, ao ponto de realizá-lo a toque de caixa para que fosse lançado ainda em 2017 – e, naturalmente, concorresse às premiações. Se a defesa escancarada da imprensa já era algo esperado, chama a atenção que o diretor foi além do intuito original e trouxe, também, algumas boas lições sobre os bastidores e as pressões decorrentes de ser jornalista. Sem, é claro, deixar de enviar sua importante mensagem sobre a liberdade de imprensa.

Em se tratando da dupla Steven Spielberg e Harrison Ford, a produção do quinto episódio da franquia “INDIANA JONES”, uma das mais bem sucedidas de suas carreiras, mas na geladeira desde 2010 estava prevista para estrear em 2019, mas ficou para 2021. Assista ao vídeo abaixo, pois nele, fala-se em 2019 porque na época que foi gravado estava prevista para esta data, mas só ocorrerá em 2021.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

O NEURÓTICO E NERVOSO WOODY ALLEN

Allan Stewart Konigsberg(o polêmico Woody Allen, 83 anos), cresceu numa casa ortodoxa do Brooklyn, na qual a principal língua era o ídiche, quando não o alemão. Na juventude, sofreu de claustrofobia e agorafobia – MEDO DA MULTIDÃO. Aos 30, era conhecido como um dos melhores comediantes dos Estados Unidos. Em 1997, aos 61, casou-se com a filha adotiva de sua ex-mulher, Mia Farrow. Seu relacionamento com a coreana Soon-Yi tornou-se fonte de polêmica não apenas pela diferença de idade entre os dois (35 anos), mas também por, na sequência, Farrow passar a acusá-lo de ter estuprado sua outra filha adotiva, Dylan, quando ela tinha 7 anos. Nada foi provado.

Bastante produtivo, Woody Allen é ao mesmo tempo criticado por produzir NADA INOVADOR. Seus longas trazem invariavelmente um clichê de um judeu nova-iorquino erudito, inseguro e melancólico. Ao longo de sua carreira no cinema fez dezenas de filmes, quase todos em Nova York, como sempre, com terapeutas, dramas judaicos e alguns distúrbios sexuais. E, invariavelmente, o próprio interpreta o personagem ou então alguém que se considera uma segunda versão de si próprio quando é encarnado por outro ator que é a semelhança cagada e cuspida dele. Em entrevista, Allen já confirmou sobre suas fraquezas: disse ser preguiçoso e pouco perfeccionista.

A primeira aparição de Woody Allen na televisão se deu em Tonight Show, sendo então descoberto pelo produtor Charles Feldman, que o encarregou de escrever e estrear em “O Que é Que Há, Gatinha, parodiando um filme de James Bond. Nessa época já mostrava admiração pelo Jazz e começou a tocar saxofone e clarinete. Em 1969, Allen estreou como diretor em “Um Assaltante Bem Trapalhão”. A este se seguiram: “Bananas” (1971), “Tudo Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo, Mas Tinha Medo de Perguntar” (1972), “O Dorminhoco” (1973). Ainda em 1972, protagonizou junto com a atriz Diane Keaton o longa-metragem “Sonhos de Um Sedutor”, de Herbert Ross. A interpretação nessa comédia foi um marco de sua carreira.

Sua consagração como diretor vem em 1977, quando ele dirige a comédia dramática Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, em parceria com a atriz Diane Keaton, com quem filma diversas produções. O filme ganha diversos Oscars e lança uma bem sucedida série de dramas introspectivos, com diálogos afiados, como Interiores (1978), Manhattan (1979), Zelig (1983) e A Rosa Púrpura do Cairo (1985). Os anos 1980, aliás, trazem alguns de seus maiores clássicos, explorando geralmente seus temas preferidos, como a cidade de Nova Iorque, a religião judaica, a psicanálise e a burguesia intelectual americana. Ele dirige Setembro (1987), A Outra (1988) e Simplesmente Alice (1990). Esta também é a fase em que ele trabalha muito com a atriz Mia Farrow. Com Tiros na Broadway (1994) e Poderosa Afrodite (1995), os anos 1990 começam a marcar uma mudança rumo às comédias paródicas e leves.

Indicado 18 vezes ao Oscar em diversas categorias e vencedor de um prêmio de melhor roteiro (por Hanna e suas Irmãs), Allen nunca havia comparecido a uma cerimônia de Oscar até que em 2002, após os atentados de 11 de setembro, resolveu fazer uma homenagem a Nova York no Oscar. Frasista espirituoso, eis esta pérola criada por Woody Allen: “A vantagem de ser inteligente é que podemos fingir que somos imbecis, enquanto o contrário é completamente impossível”…

Não é raro encontrá-lo circulando pelas ruas em Nova York e, às segundas-feiras, o diretor toca jazz em seu inseparável clarinete, nos hotéis de Nova York. Primordialmente, Woody Allen é autor de comédias ácidas e inteligentes, é vencedor de várias premiações do cinema. Allen é autor de vários livros em que mostra seu ácido e inteligente humor como Cuca Fundida(1971), Sem Plumas (1975), Fora de Órbita (2007), entre outros.

Segundo o jornal o Globo, Após ser colocado na geladeira pela Amazon, A rainy day in New York(Um dia chuvoso em Nova York), filme de Woody Allen rodado no ano passado, será lançado no dia 3 de outubro na Itália. Com a revelação, especula-se que o longa possa ser exibido no Festival de Veneza, em setembro. No entanto, com sua carreira praticamente encerrada por alegações de que molestou sua filha Dylan Farrow há quase três décadas, recentemente, Allen discretamente tentou vender um livro de memórias, de acordo com executivos de quatro grandes editoras, e foi recebido com indiferença ou duras negativas. É o que podemos chamar de fim de carreira de um famoso cineasta, roteirista, escritor, ator e músico norte-americano. Em que pese está em decadência, Woody Allen é aquele tipo de ator/cineasta que não tem meio termo: ou você ama ou você odeia… Eu adoro!!!

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

MORREU DORIS DAY AOS 97 ANOS

Ontem, dia 13 de maio, segunda-feira, morreu a atriz Doris Day, ícone de Hollywood nas décadas de 1950 e 1960. A cantora e atriz morreu aos 97 anos, deixando reconhecido legado cinematográfico. Doris Day, que era americana, encantou-se aos 97 anos. Segundo a fundação que leva o nome da artista, ela morreu na manhã desta segunda-feira (13) em sua casa em Carmel Valley, no estado americano da Califórnia. Ela estava cercada por amigos e família. Ao longo da história, a indústria cinematográfica juntou duplas lendárias cuja química arrebatou o público. Entre tantas, destaca-se a dupla formada por DORIS DAY e ROCK HUDSON. Juntos trabalharam em três ótimos filmes: o primeiro se deu há exatamente 60 anos que foi Confidências à Meia-noite (1959). Logo depois vieram Volta Meu Amor (1961) e Não Me Mandem Flores (1964).

Com sorriso, simpatia e cabelos loiros, a atriz foi estrela de sucessos de bilheteria tanto como atriz quanto cantora. Gravou também para trilhas como a de “O Homem que Sabia Demais” (1956), filme dirigido por Alfred Hitchcock. A música era “Whatever Will Be, Will Be (Que Será, Será)“. Doris Day era considera pelos críticos de cinema da época como uma versão alternativa (e um pouco mais “inocente”) de Marilyn Monroe. Na década de 80 ela diminuiu o ritmo da carreira como atriz e cantora e Passou a se dedicar à proteção dos animais, com a criação de uma fundação. Atitude esta, que levou Brigitte Bardot (hoje com 84 anos) também a se dedicar e defender a natureza e os animais. Juntas lutaram muito pelo final das touradas e das brigas de galo, e pelo fim da criação de animais para a fabricação de casacos de pele.

Apesar de bonita e dona de uma voz incomparável entre as cantoras brancas, a carreira de Doris Day parecia irremediavelmente condenada a filmes regulares ou sofríveis. Em 1953 ela faz um faroeste intitulado, “Ardida Como Pimenta” não é uma comédia-musical apenas divertida. Doris, com a ajuda de Howard Keel transforma o filme num dos espetáculos mais hilariantes do gênero. A mulher indisciplinada, corajosa, fanfarrona e que atira igual a um homem, como num conto de fadas se torna sensível, meiga e irresistível como uma Cinderela. Conforme nos conta o cinéfilo Darci Fonseca, mesmo vestida com seu ensebado traje de couro cru, quepe da Cavalaria, botas e Colt no cinturão, a Calamity Jane de Doris Day não permite que o espectador deixe de ver nela uma muito atraente mulher.

Doris Day foi uma das maiores artistas, pelo seu talento natural, tanto em comédias, dramas e musicais que atuou. Não reconhecida em sua época. Muitos críticos não a apreciavam, foi prejudicada pelo estúdio, que não lhe davam papéis a altura de sua capacidade interpretativa e só escolhiam roteiros fracos, não condizente com seu talento. Os filmes (e os discos também), estão todos aí para comprovar o incrível talento de Doris Day. Sem dúvida uma das maiores estrelas do cinema de todos os tempos. E possivelmente a mais versátil. O faroeste-comédia-musical “Ardida Como Pimenta” foi o melhor filme de Doris Day até então (1953) e seu primeiro verdadeiramente grande sucesso de bilheteria. A canção “Secret Love” vendeu rapidamente um milhão de cópias e o LP com a trilha sonora do filme teve também grande vendagem.

Dançarina, cantora e atriz, a norte americana, Doris Day, se destacou na fase áurea de Hollywood, como uma das comediantes mais simpáticas e também como cantora, com uma das vozes mais agradáveis do cinema. Ficou conhecida como uma mulher independente e espevitada. Fez comédias de grande sucesso na década de 60, junto com o ator Rock Hudson. Doris Day atuou em filmes como “Confidências à Meia-Noite” (1959), “Volta, Meu Amor” (1961) e ao lado de James Stewart em “O Homem que Sabia Demais” (1956), de Alfred Hitchcok. Neste, ela cantava uma das músicas mais famosas na sua voz, a clássica “Que Será Será (Whatever Will Be)”.

Durante grande parte de sua carreira, Day reinou como a principal atriz nas bilheterias de Hollywood, era adorada pelo público que pagava para vê-la em musicais, comédias, filmes de suspense e faroestes. A estrela loura, cuja carreira abrangeu quase 40 filmes de 1948 a 1968. A renomada especialista em cinema Molly Haskel já a chamou de “A MAIS SUBESTIMADA E DESVALORIZADA ATRIZ DE HOLLYWOOD”. Os críticos, no entanto, eram menos fascinados pela atriz. Ela recebeu apenas uma indicação ao Oscar, justamente por “Confidências à Meia-Noite”, estrelado por ela e Rock Hudson.

Seu verdadeiro nome é Doris Mary Ann von Kappelhoff, ela estava reclusa há bastante tempo, quando passou a se dedicar exclusivamente à Doris Day Animal Foundation, organização que trabalha em prol dos animais, a atriz quase não apareceu na mídia nas duas últimas décadas. Apesar de ter provado seu talento nos filmes e nos musicais, ela ficou com fama de “careta” e “conservadora”. A atriz teve quatro casamentos e apenas um filho, Terry Melcher, que morreu em 2004. Após a tragédia, Doris decidiu se afastar dos holofotes.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

ALFRED HITCHCOCK: O MESTRE DO SUSPENSE

O britânico Sir Alfred Hitchcock (1899-1980) é o maior diretor de todos os tempos, embora a concorrência seja grande, como Woody Allen, Spielberg, Tarantino, John Ford e tantos outros… Uma vez que nunca ganhou um Oscar, é inegável que a grandeza de Hitchcock é reconhecida. Seus filmes, além de serem inovadores, são esteticamente perfeitos, bonitos, bem cuidados e com tramas envolventes. Uma lenda na história do cinema, diretor perfeito!!! Como aperitivo e acompanhado de um suculento tira-gosto vai aí, apenas o nome de 10 filmes dirigidos pelo fenomenal MESTRE HITCH, como era carinhosamente chamado: Janela Indiscreta, Trama Macabra, O Terceiro Tiro, O Homem Que Sabia Demais, Psicose, Um Corpo Que Cai, Pacto Sinistro, Festim Diabólico, Os pássaros e Disque M Para Matar.

Os filmes desse monstro sagrado do suspense são obrigatórios em qualquer coleção de cinéfilo. Hitch era fantástico em pensar nessa técnica formidável de gravar sem interrupções, por não haver vídeo teipe, coisas de mestre mesmo… Às vezes passa pela minha cachola, o que ele estaria realizando hoje com a ajuda da tecnologia, hein?!?!?! parece que um cinto de segurança te consome no sofá te gruda na cadeira de frente à tela do computador e não sai mais te deixando estático, comedido e mantendo o espectador, numa expectativa tensa e angustiante sobre o que pode acontecer. Ele carrega, por trás de sua aparentemente adorável figura bonachona um rastro de ódio, de obras-primas e de estórias que marcaram a mente coletiva de quem ama o Cinema como arte…

Hitchcock tem duas fases, a britânica e a americana; ele ficou mais conhecido pela última, pois estamos falando da indústria que é Hollywood. Mas, ainda na Inglaterra, ele já mostrava toda sua genialidade, comprovada em “Os 39 Degraus”. Sempre foi uma figura curiosa tanto na vida particular quanto na profissional. ao filmar Rebecca – A Mulher Inesquecível (1940), que ganhou o Oscar de melhor filme e deu para Hitchcock sua primeira indicação ao Oscar. Ele também foi indicado por Um Barco e Nove Destinos, Quando Fala o Coração, Janela Indiscreta e Psicose, mas nunca ganhou um Oscar. Em 1967, recebeu da Academia o prêmio Irving Thalberg, pelo conjunto da sua obra. Nunca ganhou um prêmio por melhor direção no Oscar, apesar de ter sido indicado 5 vezes.

Como costuma afirmar o cinéfilo norte-rio-grandense, Antônio Nahud, Ele é, possivelmente, o mais conhecido dos cineastas, cujo nome, por si só, resume um gênero cinematográfico. Possuidor de um estilo próprio, combinando criatividade e apurado domínio da narrativa, conduzia suas histórias com zelo, sem dar sinais de falta de imaginação. O estudioso de Hitchcock, o carioca Paulo Telles, a respeito de todo seu feito cinematográfico é taxativo em afirmar que, fica difícil escolher um favorito com uma obra tão magnífica, porém, Festim Diabólico (1948) seja um dos melhores. Na verdade, Todos os filmes de Hitch são brilhantes, mas sem dúvida este é o mais destacado por tão tamanho brilhantismo e, sem dúvida é filme obrigatório de qualquer videoteca que se preze, afirma o cinéfilo carioca.

Dono de uma obra respeitada na sétima arte, Hitchcock, como pessoa, não era conhecido por ser um diretor amigável com os atores com os quais trabalhava, para dizer o mínimo. Reza a lenda que, ao ser contestado por um repórter sobre a frase “ATORES SÃO GADO”, atribuída a ele, o cineasta teria rebatido: “Nunca disse que atores são gado. O que eu disse é que todos os atores deveriam ser tratados como gado”. Aliás, a atriz brasileira Eva Wilma não tem boas recordações de Alfredf Hitchcock. Dama do teatro, televisão e cinema brasileiro, a atriz Eva Wilma (hoje, com 85 anos), ela fez testes para o papel de uma cubana em Topázio, suspense lançado pelo diretor britânico em 1969. Eva Wilma relembra discussão com Hitchcock: “Ele começou a dialogar comigo e me provocar”.

Hitchcock estava precisando de uma atriz latino-americana para o papel de uma cubana no filme Topázio. Tirei as fotos e voltamos para o Brasil. Ele mandou pedir currículo, material filmado e mandaram me buscar. Lá fui eu de primeira classe, tentando ler aquele livro, Topázio, disse a atriz, ao lembrar da extensão do romance escrito por Leon Uris, que tem mais de 400 páginas. Uma das razões do arranca rabo entre Wilma e Hitchcock foi em razão dele e do maquiador exigirem seus SEIOS POSTIÇOS. Já em Hollywood, Wilma contou que sua audição não foi das melhores. “A preparação do teste foi quase traumatizante, muita coisa postiça”, relatou a atriz. “Por exemplo: os seios postiços. Eu falei: ‘Precisa? Está tão bom assim. Eles praguejaram: NÃO!!!.

Pois bem!!! Louvado e enaltecido como um dos maiores artesãos do cinema que deixa o espectador de cabelo em pé durante todo o tempo de projeção, elogiado pela crítica e reconhecido como influência por vários diretores, ele marcou profundamente a cultura cinematográfica. Seus filmes não apenas sobrevivem intactos ao tempo, mas mantêm o interesse de espectadores das mais diversas idades e formações. A oportunidade de conhecer ou rever suas obras não deve ser perdida por nenhum amante da Sétima Arte. Admirador que sou, este colunista/blogueiro, assim como os cinéfilos Telles e Nahud, também homenageia o espetacular mestre do suspense que realizava filmes com um cuidado único, uma paixão exclusiva e uma emotividade extrema disfarçada por um profundo e arrebatador domínio técnico. ALFRED HITCHCOCK não é um nome… é uma LENDA IMORTAL!!!