ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

KIRK DOUGLAS: A ÚNICA LENDA MASCULINA VIVA DE HOLLYWOOD

Já costuma dizer o CINÉFILO George Batista que, “A cinefilia é uma espécie de confraria onde nem todos se conhecem, mas todos têm um ideal em comum”. Pois bem, no meu caso específico sou um cinéfilo diferenciado: só gosto mesmo de filme de faroeste, caubói ou bangue bangue. Adoro, e porque não dizer sou apaixonado por este gênero cinematográfico de peripécias movimentadas criado no país do Presidente Donald Trump e que relata as aventuras dos desbravadores do Oeste norte-americano, em pleno Século XIX. Começarei esta minha pequena e humilde confabulação com os leitores deste blog pelo ótimo intérprete do Oeste americano que é o lendário e centenário, ainda vivo, o baixinho KIRK DOUGLAS.

Nome artístico de Issur Danielovitch que é um ator norte-americano de origem judaica. O veterano Douglas é amplamente considerado um dos melhores atores da história do cinema. É pai do talentoso ator MICHAEL DOUGLAS(hoje, com 74 anos). Kirk Douglas é mais que uma lenda viva do cinema. Na verdade, ele é o último “Durão de Hollyood”. Não é à toa que, no próximo dia 9 de dezembro completará 103 anos de idade. Se a data já é histórica para qualquer ser humano, imagine para alguém que foi um dos principais galãs das telonas dos filmes faroestes. KIRK DOUGLAS é um dos poucos representantes vivos da famosa era de ouro de Hollywood.

Em dezembro de 2019, A imprensa cinematográfica mundial vai comemorar 103 anos de “um gigante”, “uma lenda viva”, “um monstro sagrado”. O ator marcou a história do cinema com dezenas de papéis fascinantes, entre eles, Spartacus, como também o inesquecível marinheiro Ned, de Vinte Mil Léguas Submarinas e a espetacular película de faroeste intitulada O Último Pôr-do-Sol de 1961, donde, ele contracena com a exuberante Dorothy Malone e o magistral Rock Hudson(primeiro famoso a morrer de AIDS). O Último Pôr-do-Sol é um filme que, se não é a maior maravilha em faroestes, ganha pontos por ser um western diferente, agradável, forte e muito bem feito.

Kirk Douglas é conhecido como o Eterno Spartacus fez cerca de 100 filmes em sua carreira, mas nenhum o marcou tanto como aquele em que vive um escravo na Roma Antiga, Spartacus. Naquele ano de 1961, o Oscar foi para seu companheiro de elenco, o excelente Peter Ustinov, que levou a estatueta por seu papel como Batiatus. Douglas sequer chegou a ser indicado, mas sua figura máscula entrou para o imaginário dos fãs do cinema. No início dos anos 1960, ele já era um ídolo, mas nenhum personagem havia lhe dado tamanha popularidade mundial como aquele.

Kirk Douglas foi indicado três vezes ao Oscar de Melhor Ator, mas não levou nenhum. Ele concorreu por Campeão, em 1950, quando perdeu para Broderick Crawford com A Grande Ilusão. Voltou a concorrer em 1953 por Cativos do Mal, mas quem venceu foi Gary Cooper por seu trabalho em Matar ou Morrer. Por fim, Douglas entrou no páreo com sua elogiada atuação em A Vida Apaixonada de Van Gogh, em que vivia o pintor holandês, mas acabou derrotado por Yuri Brynner, por O Rei e Eu. O ator só veio ganhar o Oscar Honorário em 1996, pelo conjunto da obra.

Galã dos anos 50, esse tesouro chamado Kirk, com quase 103 anos, em aparição raríssima em Beverly Hills é um sobrevivente, tanto de um acidente de avião quanto de um derrame, e continua a ser uma lenda viva em plena superação dos mais de 100 anos de idade, ao lado de sua esposa, Anne Buydens, também centenária(101). E como se isso tudo não bastasse, ele é pai de outro grande astro do cinema: o ator Michael Douglas. Kirk pertence a uma época de ouro. Só se destacava quem tivesse talento. Hoje, com todos os efeitos especiais e tecnologia, não sabemos direito se o ator tem talento ou são os efeitos especiais que predominam. Kirk Douglas foi muito mais ator que Michael. Fez dezenas de papéis memoráveis. E, mesmo assim, Michael tem um Oscar e ele não. Coisas de Hollywood…

O ator que simboliza uma época interpretou papéis que marcaram a história do cinema, certa vez ele revelou em um texto especial escrito para a revista Closer Weekly, em 2016, por ocasião do aniversário de 100 anos que sua segunda e atual esposa, Anne, que hoje é dona de preciosos 101 anos, tem sido a inspiração para superar as adversidades com o passar das décadas. longevidade que o astro atribui a um “maravilhoso casamento” de mais de seis décadas. Já o seu filho, Michael Douglas, afirmou: “Ultrapassar a barreira do centenário de idade certamente é um marco, mas os fatos são o que papai realizou em todo esse tempo. Para mim, sua resistência e tenacidade são as qualidades que mais se destacam. Me ensinou a dar o melhor em qualquer coisa que faça. Ele é o pacote completo”.

Eis uma pequena e singular visão que tenho desta centenária modalidade de laser, predominantemente masculina. Acho que não conheço nenhuma mulher que diga “ADORO FAROESTE” ou que tenha o bom e velho western como seu estilo preferido, o que é uma pena. Considerado o cinema americano por excelência, o filme de cowboy tem uma importância para a história da sétima arte que muitas vezes passa despercebida. Um dos gêneros mais antigos do cinema americano, como já escreveram alguns historiadores, o bang bang ainda hoje é rotulado como “FILME PARA HOMEM” mas, se prestarmos bastante atenção, vemos que não se trata apenas de um rostinho bom, mau ou feio e sim de um gênero que, além de fundamental para o cinema, também é um registro da história dessa grande nação capitalista, democrática, onde lá as instituições funcionam muito bem e o estado democrático de direito é assegurado ao cidadão. Já na “ lei da bala” e no estado da “lei do faroeste” quem reinou absoluto nos filmes onde Xerife é Xerife e estamos conversados, foram os Papas John Wayne e Kirk Douglas.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

O DURÃO RICHARD BOONE, AMEDRONTADOR E VILÃO CRUEL

Para os amantes do faroeste, o truculento Richard Boone foi um dos grandes bandidos do cinema(aos moldes de Lee Marvin e Lee Van Cleff). Possuidor de uma cara de poucos amigos e modos nada educados, deixou uma marca bastante forte nos filmes em que atuou, grande parte deles westerns. Conforme nos conta o estudioso e pesquisador de filmes de bang bang, o paulista Darci Fonseca, Richard Boone que morreu com apenas 63 anos de idade era descendente do pioneiro Daniel Boone, àquele que fez grande sucesso nas famosas séries de televisão, na antiga TV TUPI. A bem da verdade, mesmo sendo mau, Richard Boone tem um lugar cativo na memória de quem curtiu e ainda gosta dos filmes de cowboys.

Mesmo com o tipo durão com feição ameaçadora e incapaz de sorrir, Richard Boone também fez sucesso nas famosas series de televisão. Nos anos de 1957 a 1963 dedicou-se quase que inteiramente à televisão como o inesquecível Paladin da série O Paladino do Oeste (Have a Gun, Will Travel). Durante praticamente todo esse tempo O Paladino do Oeste esteve entre as dez séries de maior audiência, com enorme popularidade também no Brasil. A principal razão desse sucesso era devida à magnífica elaboração da personagem que Boone criou, ou seja, um pistoleiro elegante, charmoso e erudito(apesar de sua feiura), que alugava seus serviços apenas para as causas que considerava justas.

No Cinema participou também em diversos filmes, atuando ao lado de astros como John Wayne, Charlton Heston, Marlon Brando e Richard Widmark. No tocante ao Papa do faroeste norte-americano, Boone trabalhou três vezes com John Wayne nos filmes: O Último Pistoleiro, Jake Grandão e O Álamo. Por ser um bandido feio, sujo e malvado, quase repulsivo, Richard Boone foi o escolhido para contracenar com o Papa John Wayne no filme Jake Grandão(Big Jake-1971). Big Jack é sim um bom filme. Considero um dos bons bang bang da fase final da vida do Wayne que morreu 8 anos depois. Nas filmagens de Jake Grandão, o já doente e cansado John Wayne, com seus 65 anos de idade fora acompanhado por um batalhão de dublês, inclusive, o dublê, hoje, de Clint Eastwood.

Neste faroeste cheio de ação, John Wayne interpreta o Grande Jake McCandles, um marido que não vê sua esposa há mais de 10 anos, mas que resolve voltar para casa quando seu neto é raptado por um sórdido bando de foras-da-lei. Na captura do bandido sequestrador, Enquanto a lei roda em velhos automóveis (baratinhas) & motocicletas (bicicletas malucas), Jake cavalga com um ajudante índio e uma caixa de dinheiro – ainda que pagar o resgate não seja o que Jake planeja para executar a velha e boa justiça do Oeste. Temperado com humor e tiroteios de primeira, esta é uma vibrante versão dos últimos dias do Oeste bravo. Para John Wayne, este foi um filme em família. Seu filho mais velho produziu e dois outros, Patrick e John Ethan, trabalharam nele. O filme também marcou a terceira vez que Richard Boone e John Wayne atuaram juntos e a quinta vez que Wayne contracenou com a extraordinária atriz Maureen O’Hara(irlandesa, era muito amiga de John Wayne, morreu em 2015 aos 95 anos).

Como curiosidades na película cinematográfica de Jake Grandão, estrelada por Wayne, Boone e a deslumbrante Maureen O’Hara, este foi o derradeiro filme dirigido por George Sherman. Amigo de Wayne desde os anos 30, ele já não ia bem de saúde e por conta disso o ator assumiu a direção em algumas sequências. Outras curiosidades, além do reencontro dos amigos Boone e Wayne foram as misturas do velho com o novo, a tentativa da troca no Velho Oeste, como sinal de modernidade, do cavalo pelas três baratinhas e a bicicleta maluca que se perderam nas veredas dos grandes e perigosos desfiladeiros montanhosos do território texano. Outra novidade foi a junção da grande família Wayne trabalhar junta, principalmente o garotinho de 10 anos, Ethan Wayne, que interpreta o neto de Jake, quando na verdade é o filho legítimo de John Wayne.

Outra brilhante atuação de Richard Boone foi no filme HOMBRE, tendo Paul Newman como protagonista. Nesse filme, Paul Newman, praticamente sozinho, enfrenta em “Hombre” a quadrilha chefiada por Richard Boone. Um dos mais cruéis homens maus dos faroestes, Boone liderou nesse filme David Canary, Skip Ward, Frank Silvera e Cameron Mitchell, atores que dispensam apresentações. O Hombre é um Filme tenso e arrebatador com atuações impecáveis do bonito Paul Newman e do feioso Richard Boone. Não é à toa que, Hombre, foi, merecidamente, um grande sucesso de bilheteria e disparado o melhor faroeste de 1967.

E ainda tem O Último Pistoleiro, que é um filme profundo e onde o mais famoso cowboy feio do cinema, Boone, tem a chance de trabalhar pela última vez com seu amigo Duke(John Wayne). Aliás, O Último Pistoleiro, filme que eu recomendo por uma simples peculiaridade: “O Wayne se despediu da vida com uma pistola na mão”, duelando com Richard Boone. O Último Pistoleiro é de 1976 e o Duke nos abandonou para sempre em 1979. A obra, além do teor dramático de sua narrativa, ganha um caráter ainda mais melancólico e, é claro, histórico – este foi o último trabalho de Wayne, que morreria apenas três anos depois, em 1979, aos 71 anos, graças ao câncer em seu estômago, condição que o seu personagem deste filme compartilha. Richard Boone faleceu da mesma doença de John Wayne, câncer, em 10 de janeiro de 1981, com apenas 63 anos de idade. Seu corpo foi cremado e suas cinzas espalhadas em terras do Havaí…

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

HÁ QUEM DIGA QUE O ATOR JAMES STEWART NAMORAVA O COLEGA HENRY FONDA…

Por ser possuidor de um caráter íntegro, James Stewart transformou-se num baita de um ator inesquecível ou memorável que foi reconduzido na personificação do herói nacional norte-americano em filmes como A Felicidade Não se Compra (1946) ou A Águia Solitária (1957). Suas interpretações foram sempre marcadas pelo personagem desajeitado e pelo modo de falar inseguro. As colaborações com o diretor Alfred Hitchcock reforçaram a sua identificação com o modelo de norte-americano médio, de perfil simples e de enorme caráter, especialmente em Janela Indiscreta (1954) e Um Corpo que Cai (1958). Stewart nunca interpretou papéis de vilão, nem sequer nos muitos westerns que protagonizou como o espetacular filme, O Homem que Matou o Facínora (1961), ao lado do Papa dos filmes de faroestes, John Wayne.

Pois bem!!! O presidente americano Harry Truman costumava dizer que, se um dia tivesse um filho, queria que ele fosse como o ator James Stewart (1908-1997). O presidente democrata sabia do alcance de sua afirmação: não havia em Hollywood, e não houve até o aparecimento de Tom Hanks, nenhum ator com melhor imagem de pureza e honestidade como James Stewart. Patriota ao extremo, como também mulherengo que era, se tornou um convicto MONOGÂMICO após se casar com a socialite Gloria Stewart e nunca mais foi visto na companhia de nenhuma outra mulher. Assim, diante desse anjo de candura e exemplo de bom-mocismo, James Stewart era RACISTA e DELATOR, tendo colaborado por livre e espontânea vontade com a caça às bruxas (entenda-se caça aos comunistas). Stewart foi informante direto do FBI em sua época, que via em Hollywood comunistas escondidos até em recheios de pasteis.

Pesquisando sobre a vida do ator percebe-se claramente que, o seu envolvimento com a deduragem afirmando que teria delatado apenas os comunistas mais notórios, tudo aquilo se valia do ator e futuro presidente americano Ronald Reagan como garoto de recados para a entrega de seus dossiês. A queda de Stewart para a delação “nasceu com bons propósitos” (se é que há propósito saudável num delator): o seu ideal era o de barrar a ascensão do crime organizado em Hollywood, como também o comunismo desembestado. As atividades do ator como informante do FBI, lhe custaram, inclusive, a perda da amizade de Henry Fonda – eles eram inseparáveis desde a juventude e chegaram a morar juntos numa fazenda em Hollywood. O FBI, de fato, investigava tudo e todos, e não poupou sequer o seu próprio informante: também a vida de James Stewart foi vasculhada devido à boataria de seu suposto envolvimento homossexual com Henry Fonda(pai de Jane Fonda).

Voltando-se a sua atividade cinematográfica, James Stewart foi um dos atores mais queridos do cinema norte-americano e um dos favoritos dos fãs de faroestes. Mas, conforme nos confidencia o crítico de cinema Darci Fonseca, Stewart poderia ter sido qualquer coisa na vida, menos ator. Magro demais, desengonçado, parecendo tropeçar nas próprias pernas, porém pior do que a presença física de James Stewart era sua voz meio fanhosa parecendo ter um ovo quente na boca e gaguejando nervosamente. Pois foi com todos esses “defeitos” que James Stewart venceu em Hollywood e pode-se afirmar que poucos atores participaram de um número tão grande de obras-primas e clássicos do cinema quanto ele.

Quando jovem James Stewart aprendeu a tocar acordeão, instrumento que fazia muito sucesso aqui no Brasil nos anos 50, época em que a RCA Victor praticamente só prensava discos de Luiz Gonzaga, “O REI DO BAIÃO”. Instrumento da moda, as moçoilas iam aos conservatórios musicais sonhando em serem novas Adelaide Chiozzo, atriz e acordeonista brasileira, estrela da Atlântida Cinematográfica e renomada cantora da Rádio Nacional. E que ninguém chamasse o acordeão de “SANFONA”, pois saía até briga… James Stewart nas horas vagas gostava de dedilhar seu acordeão e sonhava poder aparecer num filme tocando esse instrumento. A oportunidade surgiu com “A Passagem da Noite”, em que além de tocar, James Stewart se meteu a cantar também…

Em se tratando de filme faroeste, ninguém ganhou mais dinheiro que James Stewart nos anos 50, nem mesmo John Wayne, Gary Cooper ou Marlon Brando. A galinha dos ovos de ouro que apareceu na vida de Stewart foi o filme WINCHESTER 73, o western que mudou Hollywood. Em 1950 James Stewart estava com 42 anos de idade e há 15 anos no cinema. Stewart deu um cheque mate nos donos dos estúdios, justamente com o western “Winchester 73”, mudando radicalmente o sistema de se fazer cinema. Analisando a película cinematográfica, o Winchester 73 é um filme norte-americano passado em tempos áureos do velho-oeste, dirigido pelo consagrado diretor Anthony Mann que eu recomendo aos cinéfilos de bang bang. O rifle Winchester 1873, o qual dá título ao filme, é mostrado como a melhor e mais desejada arma do faroeste. Um dos grandes westerns da história. A arma acaba se tornando um dos personagens. Vale a pena assisti-lo!!!

Por fim, James Stewart foi um aclamado ator americano de cinema, teatro e televisão. Atuou em inúmeros filmes considerados clássicos, e foi indicado a cinco prêmios de Oscar de Melhor Ator, ganhando em 1941 por seu papel em Núpcias de Escândalo. Além disso, recebeu um Oscar Honorário, em 1985, pela sua carreira. James Stewart foi casado com Gloria Stewart por 45 anos, ou seja, até 16/02/1994, quando ela veio a falecer. O casal teve duas filhas gêmeas, Kelly e Judy. A morte da esposa fez com que sua vida deixasse de fazer sentido. Ele começou, então, a sofrer uma série de problemas de saúde que culminaram com sua morte em julho de 1997 de embolia pulmonar, aos 89 anos de idade. Logo abaixo, assista ao vídeo de 2 minutos do filme original Winchester 73.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

O AMOR PLATÔNICO DE RANDOLPH SCOTT E CARY GRANNT

Elegância, charme e talento são as palavras certas para definir o famoso ator Cary Grannt(1904 -1986), que se afastou do cinema em 1966. No entanto, a partir dos anos 1930, por 12 anos o ator, solteiro e um dos mais cobiçados da época, vivia numa mansão em Santa Monica, em Los Angeles, com Randolph Scott, estrela de filmes faroestes. A residência ficou conhecida como a “MANSÃO DOS SOLTEIRÕES”. Em 1932, a Paramount fez 30 fotos deles dois para divulgar a alegria da vida de solteiro que levavam. As imagens ambíguas da dupla, tratados pela imprensa como “o casal feliz”, os mostram na piscina, levantando pesos, fazendo cooper, jogando dama ou jantando à luz de velas…

Antigamente ser “VIADO” era um deus nos acuda ou dose pra elefante. Numa época em que os direitos dos homossexuais não eram sequer discutidos, alguns atores foram obrigados a casar, como foram os casos de GRANNT & SCOTT passando a imagem de pessoas “adequadas” a uma sociedade religiosa e heterossexual (pelo menos diante dos holofotes). Os homossexuais envolvidos com o cinema na época áurea dos grandes estúdios viviam em pânico. O amor entre si desses dois grandes astros de hollywood era tamanho que, mesmo depois de casados com mulheres mantiveram diversos encontros. Ao saber do falecimento de Cary Grant, em 1986, o velho RANDOLPH SCOTT (com 88 anos de idade) compareceu ao velório antes da cremação, dirigiu-se ao caixão, pegou nas mãos do amado, beijou-as, colocou-as sobre sua cabeça, e chorou copiosamente. Em seguida retirou-se em silêncio sepulcral sem falar com a imprensa.

Quando o assunto são os westerns de Randolph Scott é inevitável lembrar “SANTA FÉ”, faroeste de 1951. Santa Fé conta a história da construção de uma ferrovia que tenta ligar o território do Kansas até a fronteira com o Estado do Colorado, num total de 300 milhas (480 quilômetros). Randolph Scott, apelidado de ‘’Rosto de Granito’’, nesse filme, tem uma atuação que dele se espera, isto é, sóbria e convincente. Como diz o pesquisador de filmes de bang bang, Darci Fonseca: “Santa Fé” é um western que vale mesmo pela boa história, pelos cenários naturais bonitos, pela movimentação e pela presença de Randolph Scott, sempre motivo de satisfação num faroeste.

Do seu lado artístico, apesar de suas qualidades, Randolph Scott foi um ator mediano em comédias, dramas e em aventuras ocasionais, até se projetar nos westerns, onde decididamente se consagrou como um dos maiores ícones americanos, entre 1940 até 1962, quando se despediu das telas com o filme “Pistoleiros do Entardecer”, uma obra-prima com que fechou sua magnífica carreira. Sua personalidade artística alterou-se da figura calma para uma figura austera, de homem resistente, imponente, e duro como uma rocha. Conhecido pela virilidade que mostrava em seus filmes de velho-oeste, relacionou-se por um longo tempo com Cary Grant, mesmo depois de casado.

Quando se trata de películas cinematográficas estreladas por Randy, apelido carinhoso que se dava ao cawboy Randolph Scott, só revendo seus filmes. Pegar na prateleira, tirar o pó e curti-los!!! Nostalgicamente falando, Somente quem tem acima de 50 anos pode falar da esfuziante alegria que era frequentar as matinês domingueiras e nelas assistir faroestes de Rocky Lane, Giuliano Gemma(Ringo), Roy Rogers, Franco Nero(Django), além de Kirk Douglas e John Wayne e, como não poderia ser diferente, trocar gibis e figurinhas na porta do cinema ou então, no término do filme, correr para o cartaz e ver se as cenas conferiam. Quem nunca bateu os pés no chão nas cenas de emoção não sabe o que perdeu!!! O cinema parecia que iria cair e o pobre do guarda e os vagalumes (lanterninhas) tentavam inutilmente acalmar a rapaziada. Na verdade, a TV nunca conseguiu substituir a emoção de ir ao cinema nas Jovens tardes de domingo; tantas alegrias; velhos tempos; belos dias…

Voltando ao tema da homossexualidade de Randolph Scott, a história é conhecida, mas não cansa recordá-la. Dois homens cheios de charme, em início de carreira, pretendidos por todas as mulheres e acabados de chegar à terra de todos os sonhos. Hollywood, 1932. Cary Grant tem 28 anos e Randolph Scott 34. Dá-se a coincidência de começarem a trabalhar quase ao mesmo tempo. Ficam amigos. Tão amigos que se tornam mais do que amigos e decidem ir viver juntos. Cary Grant, considerado um dos melhores atores da história do cinema americano, e Randolph Scott, que ficou conhecido por protagonizar westerns realizados por Budd Boetticher no fim dos anos 50. aparecem unidos pela extremosa intimidade que em público sempre negaram.

Não há como negar que continua sendo um acontecimento quando um astro de Hollywood decide proclamar sua homossexualidade. Mesmo que o assumido não seja da primeira grandeza de estrelas. Além disso, revistas de celebridades, colunas de fofoca, jornais, livros e filmes parece que decidiram tirar definitivamente do armário veteranos astros gays. Muitos deles surpreendem, como o próprio Cary Grant (1904 – 1986) – James Dean (1931 – 1955) – Rock Hudson (1925 – 1985) – Rudolph Valentino (1895 – 1926) – Burt Lancaster (1913 – 1994) – Richard Chamberlain e Randolph Scott (1898 – 1987).

Assista ao vídeo de 4 minutos mostrando a “AMIZADE” do formidável Cary Grant com o devastadoramente bonito Randolph Scott que foi notadamente bastante sincera, porém, perigosamente oprimida. Tanto antes, durante e depois dos sete casamentos que os dois tiveram com mulheres. As fotos usadas neste vídeo são apenas algumas das muitas que existem, onde é tão claro que eram muito mais do que apenas “COLEGAS DE QUARTO”. É óbvio que eles compartilharam um grande amor e chegaram a ser o casal mais fisicamente lindo na história de Hollywood”…

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

HÁ 30 ANOS MORRIA O REI DO ROCK RAUL SEIXAS

Quem neste mundão de my god é cinquentão curtiu adoidado o Mensageiro ou Profeta do Apocalipse no final de uma era nas saudosas décadas de 70/80 do Século passado. Quem viajou no TREM DAS SETE sabe muito bem do que estou falando… Raul Seixas era um poeta, místico e filósofo catastrófico. Para ele o fundamento da verdadeira Sociedade Alternativa, consistia em jamais viver de acordo com a ideologia daqueles que venderam suas vidas para si mesmo ao pequeno preço de serem apenas eles pelo resto de suas vidas como está bem filosofada na música Ouro de Tolo. Segundo o seu próprio espírito caído, cego, surdo e perdido. Mas, nunca é tarde para começar tudo de novo!!! Raul Seixas deixou um vácuo gigantesco na música e na cultura moderna, especialmente no que diz respeito a sua mensagem que não foi completada por ter morrido com apenas 44 anos de idade, lamentavelmente. Eis uma frase que ele repetia sempre: Ninguém tem o direito de me julgar, a não ser eu mesmo. Eu me pertenço e de mim faço o que bem entender.

O rei do rock brasileiro tinha uma missão ímpar, sem igual, fantástica, com seu jeito rebelde aos velhos tabus, as regras e paradigmas impostos pelo caótico e anacrônico capitalismo selvagem, desumano e cruel da ditadura e das falsas religiões e agora, para completar a tampa do tabaqueiro, essa desastrada maneira ou safadeza que foi o modo de governar tanto do PT da Dilma doida quanto o de hoje do maluco Bolsonaro. Tudo isso ele tratou e dissertou com muita maestria, destreza e habilidade na fenomenal e escultural letra METAMORFOSE AMBULANTE. Raul Seixas era quase imbatível. Ao lado de seu parceiro Paulo Coelho, “Raulzito” construiu um dos repertórios mais substanciosos e volumosos em termos poéticos filosóficos que se tem notícia na história da música brasileira. E tome filosofia: Meu egoísmo é tão egoísta que o auge do meu egoísmo é querer ajudar.

Foi isso que tornou o “cara” uma lenda e arregimentou uma comitiva de fãs mais chatos da história da galáxia – como não lembrar dos caras pentelhos que ficam gritando até hoje “TOCA RAUL” até mesmo em show de heavy metal. Apesar disso, a obra de Raul sempre permaneceu muito acima dessa idolatria cega e estúpida. Algo, inclusive, que ele sempre reprovou. Raul foi o nome mais importante do rock brasileiro e teve forte influência para os roqueiros que surgiram depois dele. Natural de Salvador, passou a adolescência ouvindo muito rock’n’roll, particularmente Elvis Presley, Little Richard, Jerry Lee Lewis e Chuck Berry, e blues dos negros do sul dos Estados Unidos, sem deixar de lado o baião do Gonzagão e repentistas nordestinos. Não é à toa que ele gostava de afirmar que, Luiz Gonzaga era o rei do rock e Elvis Presley o rei do baião.

Embalado por esse caldeirão rítmico e seduzido pelos ideais alternativos da geração do pós-guerra e pelo misticismo, deu asas a sua anárquica guitarra e tornou-se o ídolo de diversas gerações, que incluem desde jovens rebeldes da classe média e do subúrbio das grandes cidades, até empregadas domésticas, caminhoneiros, empresários e até padres. Alguns de seus maiores sucessos são Metamorfose Ambulante, Trem das Sete, Como Vovô Já Dizia, medo da chuva, Al Capone, Cowboy fora da lei. Quando jovem, começou, como ele mesmo disse, “a usar cabelo de James Dean, blusão de couro e beber cuba-libre, o que espantava meus pais burgueses de classe média”. Trocou sua lambreta por dois velhos violões e um contrabaixo e formou seu primeiro grupo de rock, O Relâmpago do Rock, em 1962. O grupo passou a se chamar The Panthers, Raulzito e os Panteras e, por fim, Raulzito e Seus Panteras.

Tocou em vários clubes de Salvador e em programas de rádio. Em 1967, a convite de Jerry Adriani(falecido em 2017), o grupo partiu para o Rio de Janeiro. Depois do lançamento fracassado de um LP homônimo, se dissolveu. De volta a Salvador, em 1970, Raul foi convidado a trabalhar como produtor de discos da CBS. Participou em 1972 do VII Festival Internacional da Canção (FIC), da Rede Globo, com a música Let me Sing, Let me Sing, cantada por ele mesmo, e Eu Sou Eu, Nicuri é o Diabo, por Lena Rios. Depois de ter sido expulso da gravadora por ter participado do festival, lançou seu primeiro disco-solo, KRIG-HÁ BANDOLO! (1973). Foi perseguido e preso pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Exilou-se nos Estados Unidos. Retornou ao Brasil devido ao sucesso do LP Gita (1974), que vendeu mais de 600 mil cópias. Como também a composição Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás (1976), que alcançou um estrondoso sucesso.

Raul Seixas nasceu na manhã do dia 28 de junho de 1945, na cidade de Salvador. Autodeclarado filho do pós-guerra, ele cresceu sob a influência do modo de vida propagado pelo vindouro movimento contra cultural. Contra as atitudes combatentes do sistema, curtição e ações pacíficas. O novo comportamento, que no Brasil foi apelidado de desbunde, era praticado pela turma que escutava rock, lia os poetas universais, fazia filmes em Super-8, não cortava os cabelos e preferia fumar maconha a pegar em armas. A “anarquia”, longe de ser uma simples alienação nos anos de chumbo do regime militar, foi uma atitude intempestiva e marginal que transgredia as normas sociais e políticas então vigentes. Na procura de uma nova forma de pensar o mundo, o desbunde tornava-se uma perspectiva capaz de romper com a razão instrumental e o militarismo característicos tanto das direitas quanto das esquerdas. Por isso era uma pessoa versátil e não estática: Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.

Pesquisando muito no Google e relendo alguns livros de minha coleção sobre Raul, constata-se que ele era totalmente avesso a qualquer tipo de autoridade, valorizou tanto o individualismo, quanto a heterogeneidade e a pluralidade. A ética universal impositiva foi substituída pelo pluralismo normativo, com o decorrente enaltecimento da Metamorfose Ambulante, isto é, do indivíduo fragmentado, descentrado, disposto a afirmar sua singularidade contra o rigor de todas as opressões. Na discografia do MALUCO BELEZA os irracionalismos, as antíteses e os antagonismos extremados ocupam o centro da cena. A sua música é um mosaico exemplar da contracultura. ele mistura, em sua obra, diferentes ritmos e estilos musicais, poesia e música, filosofia e astrologia, ocultismo e religião, crítica social e outras cositas más, tudo regado ao uso de drogas lícitas e ilícitas. Em sua veia poética, alucinadamente conclamava: Basta ser sincero e desejar profundo, você será capaz de sacudir o mundo.

Com essas características, suas músicas muitas vezes são recusadas por intelectuais e ativistas engajados, enquanto nem sempre são compreensíveis para as massas incultas. Conforme reza em sua vasta biografia arquivada nas bibliotecas virtuais, ele era atento às tensões políticas e socioculturais de seu tempo, um esperançoso compositor oferecia ao público a promessa de superação do sofrimento imposto pela sociedade autoritária. Diante das dificuldades de mudar os pressupostos sociais e políticos que geram a barbárie, sua arte assumiu como principal meta a formação de indivíduos autônomos, autocríticos e com vínculos sociais, eliminando, no que têm de fundamental, as condições que geram a alienação e a violência. Incansável rebelde repetia sempre: Eu tenho uma porção de grandes coisas para conquistar, e eu não posso ficar aqui parado.

Todavia, uma proposta política concreta estava ausente. Não é à toa que ele NUNCA se ligou em usar boinas ou camisas do mito Che Guevara, o ídolo da juventude estudantil daquela época, como fazia o saudosista e apaixonado escriba que ora vos fala ou tecla em seu computador. Não podemos esquecer que Raul Seixas, autodeclarado “Mosca na Sopa” e “Carpinteiro do Universo”, primava pelo “banda voou” ou mesmo o “puta que pariu”, proposta estética e política que apresenta a arte como divertimento, gozo, celebração, paixão, sempre à margem dos valores dominantes: caretas, opressores, racionalistas e bélicos. Como ele mesmo dizia: Não diga que a vitória está perdida. Tenha fé em Deus, tenha fé na vida. Tente outra vez!!!

Sua limitada resistência política se dava por essa via. Para nos salvarmos da opressão, mantendo a fidelidade às utopias não realizadas, o RAULSEIXISMO nos ensina que não devemos esperar o messias ou um líder revolucionário, mas sim reparar as injustiças e buscar erguer uma SOCIEDADE ALTERNATIVA a partir da união coletiva de vontades individuais. Raul Seixas exortava insistentemente ao individualismo, instigando seus interlocutores a abraçarem sozinhos os próprios caminhos. Se assim procedia é porque sabia que, enquanto o venerassem, negariam a própria autonomia. Lúcido, ele não se identificava como um sábio, santo, profeta ou redentor do mundo. Ao mesmo tempo, convidava os fãs a questionarem-se a respeito de si mesmos e de suas vidas preservando a todo custo a paixão e o amor ao próximo ao cantarolar: Hoje eu sei que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez.

Opor-se a determinados vínculos viciosos de uma sociedade perversa e hipócrita era seu lema. Quase 75 anos após o seu nascimento e três décadas depois de sua morte, a obra de Raul Seixas permanece com sua tamanha importância por sua força imaginativa, utópica, por sua expressão e percepção das (im)possibilidades que permeiam a vida contemporânea. A sua vida nos revela a necessidade de assumirmos a existência como tarefa, uma tarefa da liberdade, que consiste na entrega à descoberta de nossas próprias possibilidades de existência. Pelo fato de ser uma construção permanente, um caminho de realização (NASCIMENTO E CRIAÇÃO) e desrealização (MORTE E DESTRUIÇÃO), essa tarefa só é concluída com a morte. O imortal Raul viajava no tempo com frases cortantes, magníficas e delirantes como esta: Eu nasci há dez mil anos atrás. E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais.

Em 21 de agosto de 1989, dois dias após o lançamento do LP “A PANELA DO DIABO” e cinco dias depois do maior eclipse lunar do século XX, Raul Seixas faleceu de PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA PROVOCADA POR PANCREATITE CRÔNICA E HIPOGLICEMIA. A governanta Dalva Borges foi a primeira a encontrá-lo em seu apartamento na Rua Frei Caneca, em São Paulo. O corpo do compositor foi velado no Palácio das Convenções do Anhembi, na capital paulista, para onde uma multidão convergiu a fim de lhe prestar as últimas homenagens, seu sepultamento fora realizado em Salvador. Os fãs tornaram-se órfãos da utopia, de sua ilusão, concepção e sonho. além da extravagância e excentricidade do Maluco Beleza: Enquanto você se esforça pra ser um sujeito normal e fazer tudo igual, eu do meu lado aprendendo a ser louco, um maluco total.

Hoje, o grande desafio de todos aqueles que, seguindo as ideias de RAUL SEIXAS, sonham e lutam por ideais utópicos que se mostraram inalcançáveis, será a dedicação a novos ideais, à descoberta de novos caminhos, pois sonho que se sonha junto é realidade, já dizia o compositor na canção “PRELÚDIO”, do LP “Gita”, de 1974. POIS É!!! E lá se vão 30 anos… Lembro-me muito bem do local onde estava naquele exato momento na fatídica noite de segunda-feira quando através do apresentador Sérgio Chapelin, no Jornal Nacional, anunciava a morte daquele que se dizia: Eu sou a vela que acende, eu sou a luz que se apaga, eu sou à beira do abismo, eu sou o tudo e o nada. ÉÉÉÉÉ, mas eu sou o amargo da língua, A mãe, o pai e o avô, O filho que ainda não veio, O início, o fim e o meio, Eu sou o início, o fim e o meeeeio…

Alguns trechos deste longo artigo, foram pesquisados e retirados de livros que compõem a minha pacata biblioteca, hoje, quase que totalmente virtual, e feito seus devidos enxertos e adaptações cabíveis na fenomenal obra dessa história de vida curta do polêmico, incompreensível e rebelde Raul Santos Seixas.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

ROCK HUDSON, O COWBOY QUE MORREU DE AIDS

Como afirma o jornalista Antonio Nahud, ROCK HUDSON não era bom ator, mas tinha carisma e bela estampa. Bonito, muito alto (1,93 m), másculo, belo corpo e voz viril, ele estava acima de qualquer suspeita, ocultando habilmente suas inclinações sexuais. No começo de sua carreira, logo passou a receber uma média de cento e cinquenta propostas de casamento por semana. As revistas de cinema não paravam de perguntar: “QUANDO ROCK ESCOLHERÁ UMA NOIVA?!?!?!”. Isso o tornou cuidadoso. Passou a encarnar o herói romântico e sua carreira terminaria se o público tivesse a mais leve suspeita de sua homossexualidade.

Na verdade, ROCK HUDSON não era um péssimo ator, mas em westerns, apesar de ser alto e forte, ele parece se perder um pouco. Ele sempre foi muito bom em filmes urbanos, comédias, ou filmes de aventura. Descreveremos aqui, uma relação dos melhores filmes de Rock Hudson: Assim Caminha a Humanidade (1956), com Elizabeth Taylor e James Dean; E o Sangue Semeou a Terra (1952), com James Stewart; Confidencias À Meia-Noite (1959). Com Doris Day; Palavras ao Vento(1956), com Dorothy Malone; Volta, Meu Amor (1961), com Doris Day; Quando Setembro Vier (1961), com Gina Lollobrigida e O Último Pôr-do-Sol (1961), ótimo faroeste com Kirk Douglas e Dorothy Malone. Aliás, o cantor e compositor pernambucano, LENINE, é autor de uma música intitulada o Último-Pôr-do-Sol

Nos anos 50 e 60, Rock Hudson era o perfeito galã de Hollywood. Fortão e atlético, ele tinha um sorriso doce que mostrava certa vulnerabilidade. As mulheres o amavam loucamente. O segredo de que ele era gay era guardado a sete chaves num momento em que seria um suicídio profissional sair do armário. A maioria dos americanos só soube que ele era gay quando Hudson morreu, em 1985.

Ele necessitava de sexo diariamente e apreciava sujeitos masculinos, de preferência bissexuais. Enquanto isso, seus filmes destacavam seu vigoroso físico. As publicações estampavam fotos suas dedicando-se a tarefas típicas masculinas, entre elas lavando seu conversível vermelho. Sem camisa, obviamente, para exibir o formoso tronco. Liz Taylor admitiu que, durante as filmagens de “Assim Caminha a Humanidade”, sentiu-se atraída por ele. Foi inútil, ele preferiu cair nos braços de James Dean.

Na década de 1950, Quando a revista “CONFIDENTIAL” passou a farejar a vida privada do astro, o estúdio resolveu casá-lo urgentemente. A escolhida, uma tímida e ingênua secretária aspirante a atriz, Phyllis Gates, não tinha a menor ideia da farsa, apenas se deliciava com a possibilidade de ser a esposa do homem que todas as mulheres cobiçavam. Pelo bem da carreira, ele aguentou o máximo que pode, mas o casamento só durou três anos.

Rock teve inúmeros parceiros e frequentava discretas festas exclusivamente masculinas, principalmente aquelas em que não conhecia quase ninguém. Com o declínio, a partir dos anos 1970, ele direcionou toda a sua energia para o sexo. Nas suas festas enchia a piscina com dezenas de belos jovens, nus e bronzeados. “Os louros são os SCOTT e os morenos são os GRANT”, dizia aos raros convidados. Ninguém desconhecia o famoso romance entre os atores Randolph Scott e Cary Grant.

Maior galã de Hollywood nos anos 50, o astro manteve sua homossexualidade em segredo, mas mudou a consciência da América sobre a epidemia de HIV ao revelar seu diagnóstico. Na oportunidade, década de 1980, um médico francês foi quem tratou da sua doença. O ator tinha perdido 35 quilos e estava tão fragilizado que a única maneira de voltar para casa era num voo direto de Paris para os Estados Unidos. Nenhuma companhia aérea queria aceitá-lo como passageiro. A Air France cobrou 250.000 dólares para levá-lo para casa em um 747.

O livro ‘’A VIDA SEXUAL DOS ÍDOLOS DE HOLLYWOOD’’ relata que, nesta época que apareceram os primeiros sintomas de que sua saúde não estava bem. Logo descobriu a Aids. Quando foi revelado sua doença, o mundo ficou estupefato. No entanto, morreu cercado de amigos, entre eles, Elizabeth Taylor. Depois da sua morte, o seu ex amante foi aos tribunais, alegando que o ator fazia sexo com ele sabendo que podia contaminá-lo. Ganhou a causa, embolsando 14,5 milhões de dólares.

A Aids era tão estigmatizada que os doentes se sentiam abandonados. Tudo o que eles queriam era um sinal de esperança, e ela veio com a declaração de Hudson. Foi o evento que iniciou no país a consciência da epidemia de HIV. Ele foi corajoso e deixou que o seu diagnóstico mudasse a face da Aids. Diante dessa fatalidade há que se lamentar sua partida tão cedo vitima desta doença miserável.

Assistam ao vídeo da LUTA CONTRA À MORTE desses três monstros sagrados do faroeste norte-americano que encantaram plateias do mundo inteiro: Rock Hudson, John Wayne e Yul Brynner, donde, todos os três morreram de câncer. Isso é o que podemos chamar de, A ARTE IMITA A VIDA…

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

WALTER BRENNAN, O ATOR DE FAROESTE MAIS PREMIADO

Sem o menor farelo de dúvida, o perfeccionista e exuberante Walter Brennan é o mais premiado ator coadjuvante do cinema, tendo recebido três prêmios Oscar nos anos 1936, 1938 e 1940 respectivamente por “Meu Filho é Meu Rival”, “Romance do Sul” e “O Galante Aventureiro”. Neste último Brennan fez uma até hoje insuperável criação do Juiz Roy Bean. E por pouco o ator não leva para casa um quarto Oscar por sua participação em “Sargento York”, pelo qual foi também indicado ao prêmio. Walter Brennan ainda não havia sido dirigido por John Ford(que fez 11 filmes com John Wayne) e após a experiência em “PAIXÃO DOS FORTES” que ele contracena com Henry Fonda e Victor Mature quando fez o papel de OLD MAN(pai colérico e violento com os filhos que recebem chicotadas por qualquer erro que cometam), naquela oportunidade declarou que jamais voltaria a trabalhar com o temperamental Ford, o que realmente aconteceu.

Se assim podemos dizer ou chamar, o ‘’DUELO INDIVIDUAL’’ mais longo da história dos faroestes foi aquele com Henry Fonda e Charles Bronson no espetacular filme, ERA UMA VEZ NO OESTE. Desnecessário informar do estupendo cenário, onde se passou as filmagens externas que foram realizadas em MONUMENT VALLEY, nos Estados Unidos e no deserto de Almeria, na Espanha. Agora, o mais famoso ‘’DUELO COLETIVO’’ da história do Velho Oeste norte-americano foi aquele travado no Curral OK às três horas da tarde do dia 26 de outubro de 1881. De um lado, com distintivos de representantes da lei, estavam Victor Mature e tantos outros. Do outro lado, o bando que roubava gado que enfrentou a lei, o grupo familiar formado por Walter Brennan e seus três filhos. Os dois duelos são cenas que ficarão para sempre nas cacholas dos amantes dos filmes de faroestes. VALE A PENA VER DE NOVO!!!

Outra grande película cinematográfica foi aquela que deu o terceiro Oscar ao monumental Walter Brennan “O GALANTE AVENTUREIRO”, donde, Walter Brennan faz o papel de um magistrado e mostra porque o juiz Roy Bean (Walter Brennan) era considerado ‘A única lei a Oeste daquele condado. Despoticamente Roy Bean impõe a sua lei na cidadezinha de Vinegarroon e não vacila em condenar à forca quem violar as regras por ele estipuladas. Roy Bean condena o réu mais rapidamente ainda se ele for um dos pequenos agricultores que cercam suas propriedades para que elas não sejam invadidas pelos rebanhos dos pecuaristas. O Juiz Roy Bean é defensor intransigente dos criadores de gado e entende como crime o uso de cercas com arame farpado delimitando os pastos. O tribunal do Juiz Roy Bean funciona no pequeno saloon que o ‘juiz’ dirige e onde vai julgar um forasteiro acusado de roubar um cavalo. Esse homem é Cole Harden (Gary Cooper). O filme é uma bela resenha, como sempre rica em detalhes, deste western onde Walter Brennan se destaca. O filme alterna momentos cômicos, dramáticos e poéticos.

O filme que no Brasil recebeu a chancela de “O Galante Aventureiro” (The Western) é dividido em partes que beiram a comicidade e o sentimentalismo, passando por cenas de violência entre posseiros e criadores de gado até o dramático confronto entre o juiz Roy Bean(Walter Brennan) e Cole(Gary Cooper). Na verdade o personagem principal é o “Juiz” Roy Bean no qual Walter Brennan rouba completamente as cenas espetaculares do filme, embora Gary Cooper tenha conseguido sustentar a sua parte de forma elegante e com muita naturalidade.

Conforme escreve o pesquisador Darci Fonseca, Quase toda a primeira metade de “O GALANTE AVENTUREIRO” é conduzida em tom de comédia que pouco a pouco se transforma num drama intenso com o conflito nada engraçado dos interesses dos grupos antagônicos. A lei dos mais fortes que prevalecia no Velho Oeste é aplicada com violência contra os oprimidos plantadores. E é justamente a mescla de drama e comédia que faz deste filme do diretor William Wyler um western diferente.

Na verdade, grandes vilões dos faroestes conseguem roubar os filmes dos heróis, isto desde Noah Beery até chegar a Gene Hackman (“Os Imperdoáveis”), passando por Lee Marvin, Eli Wallach e tantos outros. Walter Brennan se destaca nesse time admirável com sua criação como o juiz Roy Bean. Brennan voltaria a ser malfeitor em “PAIXÃO DOS FORTES”, mas seu personagem ‘Old Man Clanton’ é tímido perto de Judge Roy Bean. A excepcional atuação de Walter Brennan lhe valeu um merecido terceiro Oscar, tornando secundária a trama principal de “O Galante Aventureiro”, pois as excentricidades de Roy Bean sutilmente interpretadas por Brennan dominam inteiramente o filme.

Finalmente seria de bom alvitre deixar registrado que, Walter Brennan, um brilhante ator coadjuvante, pena que poucos se lembram dele nos dias de hoje, juntamente com Daniel Day-Lewis e Jack Nicholson são os atores que ganharam mais Oscar, 3 estatuetas cada. O grande parceiro de Brennan foi o inigualável e carismático GARY COOPER. Já com o Papa do faroeste, JOHN WAYNE, Ele fez 6 filmes: A Conquista do Oeste (1962), Onde Começa o Inferno (1959), Rio Vermelho (1948), Dakota (1945), A Lei da Coragem (1932) e Cavaleiro do Texas (1932). A filmografia de Walter Brennan consta com cerca de 200 grandes filmes.

Assistam ao vídeo de 10 minutos do final do filme “PAIXÃO DOS FORTES”, em preto e branco com uma fotografia e paisagem exuberantes, estrelado por nada mais nada menos que, Henry Fonda em plena forma ao 41 anos de idade, Victor Mature e o fenomenal ator coadjuvante, o velho e bom Walter Brennan. É um ‘’DUELO COLETIVO’’ da baba descer…

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

DEAN MARTIN, O COWBOY DE LUXO DE HOLLYWOOD

Seu nome de batismo é Dino Paul Crocetti. Dean Martin foi um dos mais influentes artistas do século 20, tanto na música, televisão, bem como no cinema. Morreu no natal de 1995 aos 78 anos de idade. Conforme nos confirma o cinéfilo Geraldo Couto, Dean foi uma espécie de coadjuvante de luxo em Hollywood. O ator/cantor era um comediante nato!!! Talvez por isso tenha conseguido uma parceria tão frutífera e marcante com Jerry Lewis(morreu há dois anos aos 91 anos), este sim um gênio da comédia. Mas não foi só na comédia que Martin deu conta do recado. Quando solicitado, encarou com a mesma segurança westerns, musicais e melodramas. Ele era um notável cantor, como ator Dean Martin foi um artista único, por isso conseguiu grandes e boas atuações, como em “Deus Sabe Quanto Amei”, com Sinatra. Certa vez, Elvis Presley confessou que queria ser como Dean Martin. E o próprio Sinatra se esforçava para ser como Dino.

Algumas passagens sobre Dean Martin mostram bem como era esse fantástico cantor, ator e apresentador. Em seus shows no Club Sands em Las Vegas, Martin gostava de tirar o paletó do smoking, arregaçar a manga da camisa, mostrar o músculo do braço e perguntar para a plateia: “Sabem como eu consegui estes músculos?!?!?! carregando Jerry Lewis por tantos anos…”. A plateia morria de rir. Como afirma o pesquisador Darci Fonseca, ele parecia estar sempre de bem com a vida, conquistando a todos com seu bom humor, alegria contagiante, elegância e aparente indiferença aos grandes problemas do mundo, resultando tudo isso num charme irresistível. Não à toa Dean Martin era ídolo de Elvis Presley e de Frank Sinatra que queriam ser como ele, mas Dino era um só, único, espontâneo e sem esforço, naturalmente uma figura legal, aprazível e bastante agradável…

Dean Martin era um ator que irradiava simpatia por todos os poros, jamais havia interpretado um homem mau no cinema e isto veio a acontecer em 1967, no western “A Noite dos Pistoleiros”. Antes, em 1965, ele atuou em um clássico muito famoso que se intitula em ”OS FILHOS DE KATIE ELDER”, tendo como irmão mais velho John Wayne, sendo eles, dois dos quatro filhos de uma rancheira que se reúnem para vingar a morte da mãe e reaver suas terras. Este é um daqueles filmes que se assiste mais pela ficha técnica do que propriamente pelas qualidades do filme, afinal, um filme que tem John Wayne e Dean Martin no elenco é impossível de ser ignorado.

Os Filhos de Katie Elder tem aquilo que se espera de um western que entretenha o público: John Wayne em forma, o cinismo de Dean Martin, muitas cenas de ação convincentes e elenco afinado. A história de “Os Filhos de Katie Elder” conta como os quatro filhos da falecida se reencontram em Clearwater, Texas, para o enterro da mãe e acabam por descobrir uma série de fatos que desconheciam. É um faroeste interessante, com bom elenco e cenas de ação bem feitas e convincentes. Bem lento até certa parte, mas depois o ritmo melhora bastante. Mesmo a história se mostrando previsível, o filme consegue prender a atenção e tem até algumas cenas bem humoradas. A melhor parte do filme são os momentos finais. Com 122 minutos de duração, o filme é um western clássico quanto ao seu desenvolvimento, pois é uma película cinematográfica que se tornou em um daqueles faroestaços que o público gosta de assistir.

Outro filme imperdível é Onde Começa o Inferno(Rio Bravo), de 1959, com interpretação magistral de John Wayne, o grande nome do western e com o velho e bom Walter Brennan, além de Dean Martin e Rick Nelson, dois cantores de sucesso na época acabaram entrando para o filme e se saíram da melhor maneira possível, inclusive cantando juntos em uma cena. Neste filme fora reunido um elenco estrelar com belas atuações de todos eles, a película consegue passar diálogos interessantes e um humor de ótimo tamanho, cabendo perfeitamente ao seu teor. Apesar de uma longa duração, o filme passa muito rápido diante de nossos olhos. Esta obra-prima possui tudo que o bom amante do cinema e, principalmente do western precisa: um ótimo diretor, uma majestosa trilha sonora, um grandioso elenco, um cabível senso de humor e de drama, uma boa fotografia, uma incrível história apesar de alguns chavões ou clichês com frases repetitivas de outros filmes faroestes, mesmo assim, Rio Bravo é um filme excelente: recomendo-o!!!

Entre tantas curiosidades na vida de Dean Martin, ele se pelava de medo de elevador e tinha uma grande paixão por histórias em quadrinhos, as quais leu durante toda sua vida. Antes de ser ator foi boxeador. Realizou 18 filmes ao lado de Jerry Lewis e 61 em toda sua carreira. Trabalhou de 1965 a 1984 na TV americana, em diversos programas diferentes. Fez parte do grupo chamado “RAT PACK”, formado por Dean Martin, Frank Sinatra e Sammy Davis Jr. Possui duas estrelas na Calçada da Fama, localizadas em Hollywood Boulevard. A primeira se refere ao seu trabalho no cinema, enquanto que a segunda é referente ao seu trabalho na televisão. Vai ficar, enfim, como um artista caloroso e versátil que, mesmo sem muito refinamento, Dean Martin, O COWBOY DE LUXO, soube atingir o coração do público.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

O LOIRO GALÃ ALAN LADD

Uma jornalista perguntou a Alan Ladd, dois anos antes do ator falecer: “O que você mudaria em si próprio, se pudesse?!?!?!” A resposta de Alan Ladd foi surpreendente: “Tudo!!! Eu mudaria tudo e teria feito tudo diferente na minha vida se pudesse”. É no mínimo estranho que um dos atores mais queridos do cinema por quase duas décadas, que constituiu uma bela família e se tornou milionário, demonstre descontentamento com sua vida. Essa declaração deixa de ser estranha quando se conhece um pouco mais profundamente a alma verdadeiramente torturada de Alan Ladd.

O público venerava Alan Ladd, o campeão, por larga vantagem, de correspondência da Paramount, com mais de 20 mil cartas por mês. Em 1948 Alan Ladd atuaria em seu primeiro western como astro e também seu primeiro filme em cores, intitulado “Abutres Humanos”. Dois anos depois filmaria “O Último Caudilho”, outro faroeste. Mas um grande western, filmado em 1951, marcaria para sempre a carreira de Alan Ladd. O filme chamou-se ou se chama “SHANE” (Os Brutos Também Amam). Shane foi seu maior trabalho. É difícil imaginar Shane interpretado por outro ator. Alan Ladd conferiu grande dignidade ao personagem. Sua interpretação é irretocável. O Diretor George Stevens acertou em cheio, talvez não esperasse por isso.

Considerado quase que unanimemente um dos mais perfeitos faroestes já produzidos, “Os Brutos Também Amam” logo em seu primeiro ano de exibição havia alcançado o status de clássico. Os espectadores percebiam que não se tratava de um western comum, mas sim de um filme para ser lembrado por muitos anos, um daqueles que merecem entrar na lista dos filmes inesquecíveis. Assim como “A Um Passo da Eternidade”, “Os Brutos Também Amam” certamente merecia um lançamento em sala de maior destaque que fizesse justiça a sua qualidade artística.

Passado mais de um ano de seu lançamento nos Estados Unidos, “Os Brutos Também Amam” (Shane) era um dos lançamentos mais aguardados no Brasil no ano de 1954. Os ecos de seu sucesso nos States e a antecipada e contínua execução de seu bonito tema musical nas rádios brasileiras mais aumentava a ansiedade dos cinéfilos do maior país ao Sul do Equador. Alan Ladd era um astro bastante querido pelo público e George Stevens um cineasta admirado pela crítica especializada que recentemente havia sido arrebatada por “Um Lugar ao Sol”, por ele dirigido. Depois de longa espera, finalmente no dia 14 de junho de 1954 “Os Brutos Também Amam” estreou em São Paulo. Conforme nos relata o pesquisador Darci Fonseca, fãs de faroestes, por exemplo, tiveram que se desdobrar naquele mês de junho de 1954 para dar conta de assistir aos lançamentos de tantas outras películas cinematográficas que estavam em todos os cinemas das grandes capitais brasileiras, sem esquecer que muitos assistiram a “Os Brutos Também Amam” repetidas vezes.

Nos anos 80 o jornal a Folha de São Paulo abrigava então alguns dos principais jornalistas brasileiros e o caderno “ILUSTRADA” era leitura obrigatória para fãs de cinema com os textos de Ruy Castro, Paulo Francis, José Trajano e tantos outros, todos pertencentes à redação da Folha de S. Paulo quando foram consultados para a enquete que indicaria os melhores faroestes de todos os tempos. Ruy Castro definiu esses jornalistas dizendo serem todos eles “especialistas, críticos, “ratos de cinemateca” ou ligados de alguma maneira à curtição cinematográfica”. Foi solicitado a esses jornalistas fãs de faroestes que indicassem listas contendo dez westerns dentro do critério clássico que contaria dez pontos para o primeiro colocado, nove para o segundo e assim por diante. Pois bem!!! Os três primeiros colocados, pela ordem, foram: Os Brutos Também Amam (Shane, 1953) – No Tempo das Diligências (Stagecoach, 1939) – O Homem que Matou o Facínora (The Man who Shot Liberty Valance, 1962).

Qualquer atento cinéfilo dos filmes de bang bang que tenha uma razoável percepção não há como não ODIAR o título em português que foi dado aqui no Brasil, já que o personagem de Ladd nada tinha de bruto. Todos os amantes dos filmes de cowboy “ranzinzas” são perfeccionistas… Fazer o quê?!?!?! Porém, Shane é Shane e o resto são filmes de faroeste que vêm depois deste. Claro que temos outras joias raras. Mas Shane foge à regra geral. Os Brutos Também Amam é um filme antológico, arte pura!!! Da música ao cão ator, uma emoção só, além de deixar uma aura de mistério. Sem dúvida, um dos clássicos do cinema.

Em que pese ter sido rico e muito bem casado com Sue Carol, Alan Ladd tinha como companhia única a bebida da qual não se separava há tempos. Em 1962 Alan Ladd foi hospitalizado após ter disparado um revólver contra seu próprio corpo, perfurando um pulmão. A incoerente versão contada à imprensa desmentindo a tentativa de suicídio só fez todos acreditarem que o ator havia tentado mesmo se matar. Um ano e meio depois, em 28 de janeiro de 1964, Alan Ladd foi encontrado morto resultado de uma combinação fatal de bebida e sedativos para dormir. Nunca se conseguiu apurar se houve outra deliberada tentativa de suicídio ou se Alan não resistiu aos efeitos da mistura e deu cabo de sua vida com apenas 50 anos de idade. Sua esposa, Sue Carol permaneceu viúva pelo resto de sua vida, até falecer em 1982, aos 79 anos.

Todos que conheceram Alan Ladd enalteceram sua simplicidade, tão grande quanto sua insegurança, que carregou por toda a carreira. Alan Ladd pode não ter sido o melhor dos atores, mas deixou alguns excelentes trabalhos em filmes memoráveis, o principal deles, sem dúvida, “SHANE”- (Os Brutos Também Amam). Se pudesse, Alan Ladd teria feito tudo diferente, como afirmou, mas será que sem ter sido fruto do sistema do estrelato vivenciado na época seu nome seria lembrado até hoje?!?!?! Difícil também dizer se ele não teria feito tudo diferente em sua vida pessoal e aí também fica a certeza que sem sua esposa, Sue Carol não teria havido Alan Ladd. Assistam ao trailer de 3 minutos e vejam o elenco do maior clássico western de todos os tempos com trilha sonora por Franck Pourcel e orquestra.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

FERNANDO SANCHO, O “GENIAL MALVADO”

Em se falando de filme de bang bang por esse Brasil afora, de repente não mais que de repente, vem em nossa mente àquela figura excêntrica e afamada, além de galhofeira e debochada desse magistral ator, Fernando Sancho, o nosso BOM HOMEM MAU… Por esse “interiozão” das cidadelas brasileiras, dias de feiras livres, fãs de memoráveis westerns spaghetti procuravam avidamente pelo nome de Fernando Sancho nos cartazes dos filmes dependurados em postes de eletricidades ou acompanhava o “locutor” num carro de marca Jeep ou Rural, com um microfone enrolado num farrapo de flanela vermelha, anunciando a película cinematográfica de logo mais à noite em CinemaScope, que era uma tecnologia de filmagem e projeção que utilizava lentes de última geração, pois ninguém tinha dúvida em comprar o bendito ingresso com a certeza de boa diversão.

O Genial Malvado foi muitas vezes estigmatizado ou rotulado de modo negativo como um bandido mexicano quando na verdade ele nasceu em Zaragoza, viveu na Espanha e morreu em Madrid. Com aquele seu corpanzil pesado, o ator espanhol que passava facilmente por mexicano, normalmente por bandido mexicano. Ele é um ator espanhol que se notabilizou por interpretar bandoleiros com seu barrigão exagerado, rosto suado, vestes ensebadas e gargalhada que se ouvia à distância de um ou mais quilômetros antecipando alguma crueldade. O nome desse ator é Fernando Sancho, que por mais que tentasse ser sinistro e sanguinário, nunca deixava de conquistar o espectador que, muitas vezes, secretamente até a gente torcia por ele.

Quando o Westerncinemania elaborou a desastrada enquete “GRANDES BANDIDOS DOS FAROESTES”, alguns cinéfilos como Darci Fonseca, Joaílton de Carvalho e Edson Paiva não se conformaram com a ausência do europeu Fernando Sancho entre os 50 homens mais selecionados para a enquete. ESCREVERAM: “Acho que na lista dos piores bandidos faltou Fernando Sancho, carismático, cruel, cínico e sujo”. OUTROS COMENTÁRIOS: “Fernando Sancho foi uma ausência de peso. (…) Acho que nenhum dos 50 da lista interpretou a quantidade de vilões que fizeram a fama de Fernando Sancho. (…) Ele marcou os westerns spaghetti e muitas vezes os filmes só valiam à pena por sua presença”…

O cinema espanhol não poderia prescindir de um artista como Fernando Sancho que, mesmo sempre um pouco acima do peso, era capaz de interpretar galãs com a mesma facilidade com que interpretava policiais, oficiais fardados e, melhor que ninguém, HOMBRES MALOS nos westerns spaghetti. Em sua briosa carreira, no auge, Sancho não parava de filmar e suas participações em produções na década de 60 é impressionante: sete filmes em 1961; – seis em 1962; – nove em 1963; – nove em 1964; – 14 em 1965; – 14 em 1966; – 12 em 1967; – nove em 1968; cinco em 1969. Nessa década Fernando Sancho fez desde pequenas participações em superproduções como “Lawrence da Arábia”, “O Rei dos Reis” e “55 Dias em Pequim” a papeis importantes como em “O Filho do Capitão Blood”.

Ao todo foram mais de 200 filmes. Sancho participou de gravações cujos elencos eram liderados por campeões de bilheteria na Espanha como os astros infantis Pablito e Joselito. Foi pouco relevante mas que alcançou sucesso na Espanha interpretando “El Zorro” herói muito querido na terra de Cervantes. Em “A Vingança do Zorro” (1962), Fernando Sancho iniciou uma nova fase em sua carreira, agora no gênero western que atraía muito público na Europa. Além destes, Sancho atuou em muitos filmes com o italiano Giuliano Gemma, filmes como: “Uma Pistola Para Ringo”, “Ringo Não Discute: Mata”. Em “Uma Pistola para Ringo” ele é dublado por alguém bastante competente, o que deixa o filme ainda mais divertido. O melhor filme de Ringo com Sancho, donde, recomendo-o.

E haja filmes de faroestes!!!, entre tantos: “Pelo Prazer de Matar; – “Até no Inferno Irei à Sua procura”; – “Django Atira Primeiro”; – “Clint, o Solitário”; – “Django Mata por Dinheiro. EM “ARIZONA COLT”, Giuliano Gemma e Fernando Sancho contracenam pela última vez num western. Dois spaghetti que alcançaram muito sucesso foram “O Dia da Desforra” e “Ódio por Ódio”, ambos com a presença de Sancho. São de 1967: “Um Homem e Um Colt”; – “Killer Kid” (com o ítalo/brasileiro Anthony Steffen); – “Billy, o Sanguinário” (o personagem de Sancho é ‘El Bicho’); – “15 Forcas para um Assassino”; – “RITA NO WEST” (com Rita Pavone e Terence Hill); – “A Outra Face da Coragem” (com Mark Damon e John Ireland e Sancho interpretando “Carrancha”, mais um nome bastante significativo para o ator).

Finalmente, como curiosidade, os filmes da dupla “O Gordo e o Magro” faziam grande sucesso na Espanha e o eclético Fernando se tornou o dublador oficial de Oliver Hardy, o Gordo. Fernando Sancho tinha como seu grande ídolo: JOHN WAYNE. Os últimos westerns da filmografia de Fernando Sancho, nos anos 70, tiveram qualidade bastante inferior uma vez que diretores como Corbucci, Sollima, Tessari e principalmente LEONE (com quem Fernando Sancho nunca filmou) haviam dado adeus ao gênero. A fama de Fernando Sancho era tão grande na Europa de modo geral e mais especialmente em seu país, que a revista espanhola “INTERVIU” bateu recordes de tiragem quando estampou ensaio fotográfico com Maytita, a filha do ator.

Já passando dos 60 anos de idade, o ritmo de trabalho de Fernando Sancho diminuiu sensivelmente, mas ainda assim nunca lhe faltou convites para atuar, no mais das vezes emprestando seu glorioso nome a produções de qualidade duvidosa. Sancho foi dirigido pelos principais diretores italianos e espanhóis de westerns, mas não teve oportunidade de atuar sob as ordens de Sergio Leone, o que aparentemente não o incomodou. Se vivo fosse Fernando Sancho teria completado 103 anos em janeiro de 2019. Morreu em 1990 aos 74 anos de idade de câncer. O gorducho nunca levava a sério, como também não ligava para certa discriminação que sofria de Hollyood. Porém, a única coisa que lamentava, isto sim, nunca ter participado de um filme de John Wayne, seu grande ídolo no cinema.