ALEXANDRE GARCIA

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A AMAZÔNIA É NOSSA

Esta semana, Sua Santidade o Papa fez um apelo para que os líderes do mundo salvassem a Amazônia. Perdão, Santidade, mas quando estouraram os escândalos do Banco do Vaticano ou da pedofilia, não ouvi nenhum líder brasileiro pedindo que o mundo salvasse a Santa Sé. Há quase um ano, achei bom que o Papa da vizinha Argentina não tivesse feito nenhuma manifestação quando o líder na campanha presidencial brasileira foi esfaqueado para morrer. Afinal, o Vaticano nada tem a ver com a política brasileira. Mas agora vão fazer por lá em outubro, um Sínodo para a Amazônia, cujo relator é o arcebispo de São Paulo, Dom Claudio Hummes. Vão tratar da amazônia brasileira, que é brasileira; e de suas populações, que são brasileiras – num território estrangeiro, tal como faziam os impérios espanhol e português, ao nos colonizarem.

Dois cardeais alemães discordam de Roma a respeito desse Sínodo. O ex-prefeito emérito da Congregação da Doutrina da Fé, Dom Gerhald Muller e o cardeal de 90 anos, Dom Walter Brundenmuller alegam que a carta com princípios do Sínodo é herética, estúpida e apóstasa. Não chega às 95 teses de Lutero nas portas da igreja de Wittenberg, há mais de 500 anos, mas é um aviso. Problemas internos na Igreja, mas problemas maiores com o Brasil. Da Alemanha também nos chega a informação de que o governo pode suspender 35 milhões de euros que seriam destinados a projetos contra o desmatamento da Amazônia. O dinheiro alemão, como de outros europeus, iria para ONGS que têm estabelecido territórios autônomos na Amazônia brasileira, onde já impediram a entrada de general brasileiro.

Como passou o tempo de governos mais preocupados em garantir dinheiro para permanecer no poder, estamos descobrindo agora de quem é a Amazônia. A riqueza do solo e do sub-solo é nossa e de mais ninguém. E a conquistamos a despeito do Tratado de Tordesilhas, não é, Pedro Teixeira? E depois de Tordesilhas, não é Plácido de Castro, não é José Maria da Silva Paranhos Jr? E agora vem um argentino nos dizer que líderes do mundo precisam “salvar” a Amazônia? O General Villas Boas, consagrado esta semana no Senado como nosso herói contemporâneo, tuitou a coincidência de a cobiça recrudescer depois de anunciado o acordo entre Mercosul e União Européia. Teria sido também coincidência o anúncio de suposto desmatamento por parte do então diretor do INPE?

Na homenagem a Villas Boas no Senado, ocupou a tribuna o líder do MDB, Senador Márcio Bittar, do Acre que, repetindo Plácido de Castro, lembrou que essa terra é nossa. Não temos que receber lições de ninguém. E nem é preciso discutir o mérito, porque nossa Soberania está acima de qualquer julgamento. Que toda essa cobiça insistente sirva para que pensemos sobre o bordão “sabendo usar não vai faltar”. A Amazônia, porque é nossa, é nossa responsabilidade. Significativamente, o Vice-Presidente da República, General Mourão, encerrou seu discurso de saudação a Villas Boas com o grito de SELVA!

ALEXANDRE GARCIA

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CHEGOU A DIVERSIDADE

O atento repórter da Gazeta do Sul perguntou-me sobre a importância do jornalismo “em um momento em que o país está profundamente dividido em termos políticos e ideológicos”. Percebi, nessa preocupação, que a pregação totalitária das últimas décadas conseguiu sequestrar corações e mentes. Enquanto nos dividiam, impuseram-nos o totalitarismo do pensamento único. Por isso, estranhamos, hoje, que haja correntes diferentes de pensamento, de posições ideológicas. Enquanto nos enfraqueciam, nos convenceram de que toda diversidade é politicamente correta, menos a de pensamento.

Passaram por cima do princípio constitucional básico de que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Está no artigo 5º da Constituição, abrindo o Capítulo dos Direitos e Garantias Individuais. Quer dizer, é o primeiro dos direitos e garantias individuais. Mas essa igualdade já foi derrubada no Supremo. Embora a Constituição diga que somos iguais sem distinção de natureza alguma, destruíram esse princípio, mostrando que cor da pele, preferências sexuais, adesões sociais e políticas, tornam alguns diferentes de outros. Foi a forma de fracionar a nacionalidade, definir condições diferentes para manipular direitos naturais, invadir direitos pessoais, inclusive e principalmente a liberdade de pensamento.

Nessas últimas décadas, conseguiram transportar a utopia de George Orwell no 1984 para o Brasil, com seus lemas muito bem camuflados de “guerra é paz”, “liberdade é escravidão”, “ignorância é força”. Nos impuseram a paz da submissão e do silêncio, enquanto só valiam as orientações da monocracia; as frases-de-efeito, os chavões, a repetição das mentiras ganhavam força, desde que não pensássemos. Para nos enfraquecer, dividiram-nos espertamente por classes sociais, por preferências sexuais, por cor da pele, entre patrões e empregados, criando o “nós e eles”. E muitos acreditam, porque houve dinheiro farto de nossos impostos para custear a tomada de nossos cérebros via artes, cultura, ensino, meios de informação.

No poder, já estavam; para ficar eternamente, precisavam conquistar nossas mentes, nos escravizar. Usaram a sutileza do politicamente correto para nos intimidar, para que desaprendêssemos a pensar. Quase conseguiram não fosse a força dos que combateram a corrupção, o engodo, a mentira, a deturpação da História. Foi por pouco. Uma pequena lavagem de dólares da corrupção num lava-jato em Brasília foi a chave de uma Caixa de Pandora, onde estavam guardados quase todos os males.

E a maior condenação veio pelo voto popular, nas eleições que se seguiram, municipais e depois gerais. Não precisou de marqueteiro nem dinheiro; milhões de jurados deram o veredito contra o status quo. Sobrou o direito de espernear, garantido aos que se aproveitavam das tetas recheadas do tesouro e das estatais, do direito cedido pelos intimidados, da ingenuidade dos que acreditavam. Faz sete meses que esperneiam, sem perceber que o totalitarismo ideológico foi substituído pela bendita diversidade de idéias, que nos ajuda a criticar para corrigir.

ALEXANDRE GARCIA

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COINCIDÊNCIAS

Previno o leitor, como os filmes previnem: “qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência”. Então, vamos pensar. Em 6 de setembro último, Adélio Bispo esfaqueia o candidato líder na campanha, que só não morre porque foi bem atendido. Imediatamente aparecem advogados para defender o agressor. No mesmo dia e hora em que ele esfaqueia, o nome do agressor está registrado como visitante de algum deputado federal em Brasília. A polícia tenta saber a origem do dinheiro que pagou caros advogados, e a OAB entra na Justiça e impede. Preso, o agressor é declarado inimputável, mas fica guardado como demente.

Enquanto isso, recém-reeleito, um deputado renuncia e vai para a Europa, deixando no lugar o suplente que é marido de um americano. O americano, meses depois, começa a divulgar produto de uma invasão ilegal de privacidade; mensagens entre o juiz da Lava-Jato e o procurador que coordenou as investigações. A polícia localiza e prende os autores confessos da invasão e descobre que eles fizeram o mesmo em telefones das mais altas autoridades da República. E descobre também uma maleta com 99 mil reais e movimentação bancária de mais de 600 mil.

Um deles confessa que a intermediária para chegarem ao jornalista americano foi a ex-deputada e companheira de chapa de Haddad, Manuela d´Ávila, que alega apenas ter fornecido o telefone. Ou seja, os hackers descobriram os telefones de todas as maiores autoridades, só não conseguiram o do americano; então chegaram ao telefone da ex-deputada, que lhes forneceu o número desejado. Como hackers politizados, preferiram invadir mensagens de autoridades, ao invés de flagrar vítimas mais endinheiradas que tenham amantes, por exemplo. Renderia mais e seriam protegidos pelo silêncio. Fontes confessas das invasões ilegais, eles foram considerados “fontes confiáveis” pelo receptador delas e pelos que tratam produto de crime como notícia.

Tudo muito estranho. Vale a pergunta: qual o objetivo? A quem interessa? Ora, o objetivo duplo é enfraquecer a Lava-Jato e proteger corruptos. Você há de perguntar como alguém pode aplaudir isso. Pois há quem aplauda o crime e torça contra a lei. Na Itália também houve reação contra a operação Mãos Limpas. Aqui, a reação vem da organização que armou um grande esquema de corrupção que saqueou estatais, principalmente a Petrobras. Para os apoiadores desse esquema, que tiveram as torneiras e tetas fechadas pela Lava-Jato, vale tudo. E quem olha os acontecimentos, percebe que tudo está ligado, ou é mera coincidência.

ALEXANDRE GARCIA

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O ESTILO NA MISSÃO

O Presidente ganhou a eleição praticamente sozinho. Ele, seus eleitores e as redes sociais. O estilo deu certo sem gastar, sem marqueteiro, sem apoio da maioria dos meios de informação. E hoje, passados quase sete meses da posse, o Presidente parece sentir-se confortável usando as mesmas armas da campanha: falar direto, não deixar de responder às criticas, pôr em prática o que foi prometido e autorizado pelo voto de quase 58 milhões de brasileiros.

Os que nele votaram deram-lhe mandato para tirar a esquerda do poder e recuperar valores. Por isso ele fala em missão – a tarefa que lhe incumbiram. Desde 1995 até o afastamento de Dilma em 2017, o Brasil teve governos de caráter socialista. Foram mais de 20 anos de mudanças nas leis penais, na economia, no estado, na segurança; de fisiologismo e anos de corrupção que levaram um presidente para a cadeia.

Durante duas décadas, governo e opinião pública foram induzidos a viver um sistema que não deu certo em lugar algum do mundo e os resultados, após 20 anos, foram 12 milhões de desempregados e a maior recessão da história, um esquema institucionalizado de corrupção jamais visto, com enfraquecimento de valores como família e pátria. Direitos sobrepujaram os deveres e desequilibraram a balança da cidadania e do estado.

Só um lado passou a ter voz e poder. É como se o país estivesse polarizado apenas de um lado. Tanto que não se falava em “vocês e nós”, mas em “ nós e eles”. O “nós” vinha em primeiro lugar e o “eles” era uma terceira pessoa oculta. O gigante silencioso despertado pelo candidato Bolsonaro, gerou a queixa de “ bipolarização”; que isso iria dividir o país em dois, como se o país já não tivesse sofrido divisões. “Divide e governa!”. Ainda bem que se pode discutir agora. Idéia única é o caminho para enveredar em corrupção, desemprego e recessão, sem que a crítica ajude a corrigir rumos.

O Presidente bater boca com jornalistas e ser criticado é saudável. Afinal, não se pode esquecer que ele, durante a campanha, avisou que “é bom já ir se acostumando”. Ele acredita que precisa fazer uma faxina no “aparelhamento” plantado no estado brasileiro, não apenas nos ministérios e estatais, mas também em órgãos de ciência, cultura, educação e diplomacia. A população de menos de 35 anos nem lembra que existe outro estilo de governo além do que viu desde 1995. E não parece que o presidente vá mudar um estilo que deu certo na campanha. É da natureza dele. Agora esse estilo será julgado pelos resultados.

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MORO ENTRE SEQUESTRADORES E HACKERS