CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

LEONARDO ARRUDA – RIO DE JANEIRO-RJ

Análise de uma notícia

CADE homologa acordo com Petrobrás para estimular concorrência no mercado de Gás

O acordo firmado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) homologou acordo com a Petrobrás afim de estimular a concorrência.

O plano é uma parceria do Ministério de Minas e Energia e o Ministério da Economia.

De acordo com o Ministro Bento Albuquerque, a Petrobrás irá vender transportadores e alienar a participação acionária.

Barreto de Souza, presidente da Cade, afirma que o acordo é essencial para a abertura do mercado de gás natural.

A previsão é que a Petrobrás saia por completo do transporte e redução (sic) de gás até 2021.

Segundo Paulo Guedes, a concorrência para a venda do gás natural deverá reduzir os valores para o consumidor em até 41%.

* * *

Uma das curiosidades do atual governo é a prevalência da Direita Liberal sobre as outras correntes políticas do país, até mesmo sobre as demais manifestações de direita tradicionais.

Mais curioso ainda é ver que a oposição não tem a menor ideia de como se contrapor a esta corrente, até porque a esquerda, no último governo Dilma, apoiou muitas das teses liberais atualmente em implementação. Vide a atuação de Joaquim Levy como ministro da Fazenda em seu governo.

Na notícia acima vemos uma fábula típica desta corrente liberal: privatizando-se uma estatal os preços vão baixar. O guru de Bolsonaro, o ministro Paulo Guedes, tem até o valor de quanto será a redução no preço do gás: 41%. Porque não botou um número mais preciso, por exemplo 41,3% ou 40,9% ?

Vamos relembrar alguns princípios para que todos vejam o absurdo dessa afirmação. Comecemos pela função de uma empresa estatal.

Por definição, uma estatal deve produzir bens e/ou serviços para a sociedade ao menor custo possível e fomentar o desenvolvimento do país adquirindo produtos ou serviços em fornecedores locais.

Qual a função de uma empresa privada? Um empresa privada deve buscar sempre a maior remuneração possível a seus acionistas e adotar políticas mercadológicas que impeçam concorrentes de atuar em seus mercados preservando seu negócio.

Com pequenas mudanças na linguagem, essas definições constam em qualquer livro básico de economia.

Agora pergunto ao leitor: como é possível (em tese) uma empresa privada fornecer preços mais baratos que uma estatal? São princípios mutuamente antagônicos. Não há o menor sentido numa empresa privada oferecer bens e serviços a preço de custo a seus clientes. Portanto, não há como (em tese) uma empresa privada competir com uma estatal.

Portanto vemos que o governo está mentindo ao povo brasileiro e que alguma “maracutaia” está em gestação.

Raciocinem comigo: se a Petrobrás está cobrando caro pelos derivados de petróleo, então seu presidente deve ser demitido e uma profunda reestruturação deve ser feita na empresa. Afinal, pela definição acima, ela não está cumprindo seu papel como estatal.

Entretanto, a solução proposta por Paulo Guedes e sua turma é entregar a empresa ao capital privado (nacional ou estrangeiro), que jamais oferecerá seus produtos pelo menor preço possível, ainda mais tratando-se de um monopólio natural como a distribuição de gás (nunca haverá duas empresas oferecendo gás encanado numa dada região). Trata-se portanto de um evidente contra-senso, que deveria ser melhor explicado pelo CADE ou TCU – nossos brilhantes órgãos controladores.

Mas promessa é promessa! Se Guedes disse que o preço vai baixar é porque ele vai baixar na marra. Fico então pensando em como isso poderia ser feito. Dado que Papai Noel não existe, a única forma que vejo é através uma pedalada fiscal, daquelas que Dilma e Mantega gostavam. Foi por isso que coloquei a expressão “em tese” nas perguntas acima – sempre é possível operar um milagre contábil. A Petrobrás investiu muito em infraestrutura para o gás. Na maioria dos estados do Nordeste, foi a Petrobrás que construiu a malha urbana de gás para uso doméstico. Os estados não tinham dinheiro e nenhuma empresa privada se interessou pelo negócio.

A pedalada consiste em fazer o Tesouro Nacional assumir a dívida da empresa e privatizar as subsidiárias de transporte e distribuição de gás livres deste ônus. Os adquirentes, então, poderiam ofertar gás natural no mercado a um preço mais baixo que o atual e ainda remunerar bem seu capital. Ou seja, os consumidores de gás teriam uma alívio no preço, os investidores teriam lucro, enquanto o restante da sociedade pagaria pelo milagre. Maravilha!
Desafio Paulo Guedes, Rodrigo Constantino, João Amoedo, ou qualquer liberal tupiniquim a oferecer outra alternativa viável. Enquanto uma explicação consistente não for apresentada aos cidadãos contribuintes, permanece um cheiro de maracutaia no ar.

Leonardo Arruda – O último dinossauro da Direita Nacionalista

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

TIA IAIÁ E A INTERCEPT

Tia Iaiá era irmã de Dom Mota, arcebispo de São Luiz. E de Mauro Mota, nosso imortal da ABL. Uma Filha de Maria que punha no alto das cartas, quando escrevia, o que sentia da cidade onde morava: São Luiz, cidade pagã. Confessava-se todos os dias. Quase surda, e falando sempre em voz alta, o padre pediu que passasse a pôr num papel seus pecados mortais diários. Para que outros fiéis não soubessem quais eram. Em troca lhe passaria, noutro papel, a penitência – que já tinha pronta, num canto do confessionário, Rezar 3 Padre Nossos e 3 Ave Marias. Dando-se que Mauro encontrou, no missal dela, uma lista dos tais pecados. Eram três: 1. Olhei para trás na missa. 2. Não rezei o rosário completo. 3. Tentativa de mau pensamento. Essa história me foi contada pelo próprio. E Marly confirmou.

Pensei em tia Iaiá, com sua “tentativa de mau pensamento”, ao ler a Folha de São Paulo. Principal manchete de Domingo, no alto da primeira página, era “Dalton fez plano de lucrar com imagem da Lava Jato”. Lá estava que o procurador Dallagnol, e um colega, teriam pensado em criar empresa para dar palestras. Só tentativa, pois. Como a de tia Iaiá. Sem dizer que essa empresa nem foi criada. É inacreditável. Uma não notícia que virou manchete de primeira página. E acabou reproduzida em outros jornais, nos dias seguintes. Na técnica de fazer estardalhaço, sugerindo haver sempre algo errado por trás. “O caso eu conto/ Como o caso foi/ Porque homem é homem/ E boi é boi”, seguindo a quadrinha nordestina. O que há de verdade (pobre verdade, hoje tão insultada), no caso, são supostas gravações. Que nunca se provou existir. Que não foram objeto de perícia, para comprovar se acabaram adulteradas. Que não valem como prova (a jurisprudência do Supremo é tranquila). E que não revelam qualquer conduta censurável.

Lembro Fernando Pessoa (no Desassossego), “A leitura dos jornais, sempre penosa do ponto de ver estético, é-o frequentemente também do moral”. Pois é. Sempre acreditei que razão tinha Maquiavel (em O Príncipe), ao dizer que a história se repete. Só que neste caso, pelo menos, a razão parece estar mais com Marx (18 Brumário), para quem se repete só como farsa. Tentativa de criar empresas de palestras é como a de mau pensamento. Nem pecado é. O Brasil está ficando complicado. Os velhos jornais já morreram. E os novos, ainda não nasceram.

DEU NO JORNAL

CRETINO LULEIRO TÁ LASCADO

Os traques de Glenn Greenwald estão perdendo o efeito.

A impossibilidade constitucional de usar provas conseguidas através de meios ilícitos para anular processos da Lava Jato, ou punir os procuradores de Curitiba, começa a ser explicitada através de decisões em várias instâncias judiciais.

Todas concordam também que os diálogos, se verdadeiros, não indicam nenhuma ação ilegal ou prejuízo ao ex-presidente Lula.

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O baitola amigado com o psolista David tá fudido.

Fudido em outro sentido que não o habitual.

Ele agora tá tomando bem mais que no furico.

Tu tá mermo fudido, cumpanhero. Fudido na bunda e fudido nas mintira”

CHARGE DO SPONHOLZ

ALEXANDRE GARCIA

MAIS CASTIGO, MENOS CRIME

O Monitor da Violência mostra que no primeiro quadrimestre deste ano, isto é, nos primeiros quatro meses do novo governo, os homicídios dolosos caíram 23%. De 18.688 no quadrimestre do ano passado para 14.374 no mesmo período deste ano. Mesmo assim, os números são altíssimos; equivalem a um assassinato a cada 12 minutos. São dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Outro dado é que o número de presos aumentou. São 705 mil presos em 415 mil vagas.

Muita gente continua a defender que se abram as portas das prisões até que não haja superlotação. Mas o que se nota, é que quanto mais bandido é retirado das ruas, menos crime é praticado. A vontade de desencarcerar está em oposição ao direito dos brasileiros à segurança.  Da mesma forma, enquanto se aplicaram leis brandas, que proporcionam “prisão em regime aberto”, “progressão da pena”, soltando depois de cumprido 1/6 da pena, “desarmamento”, o crime só aumentou, em assaltos e homicídios. Um carro é levado a cada minuto.

Também ficou oco o argumento de que as raízes são sociais, o que implica afirmar que o pobre é desonesto. A gigantesca corrupção que grassou nesses últimos anos mostrou que gente com mandato e com empresa não está isenta de ser corrupta. Além disso, o crime cresceu no Nordeste, à medida em que a região foi crescendo em renda. Ser criminoso, em geral, é questão de caráter, não de necessidade econômica.

Leis mais duras são necessárias. El Chapo está sendo condenado em Nova Iorque à prisão perpétua. Nunca mais vai poder receber visitas, mesmo da mulher e dos filhos. Aqui, desarmaram as vítimas em potencial e se deu mais segurança… aos agressores. Leis suaves não servem para desestimular os mal-intencionados. Bastou o discurso sobre o direito natural de defesa e  proteção legal à polícia para o crime diminuir. Mas ainda falta mudar as leis.

No Congresso, há muitas  propostas para endurecer o Código Penal e o Processo Penal. O que falta é pressão dos eleitores sobre seus representantes. E se faltam vagas nos presídios, construam-se mais presídios, sem medo do sofisma “mais escolas, menos presídios”. Escola dá ensino; educação e caráter vem de casa.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ARNALDO BORGES NETO – RECIFE-PE

Estimado Papa Berto, bom dia.

Espero que essa missiva eletrônica chegue a V. Santidade Suprema em boa hora e tempestivamente a me fazer merecedor do inestimável regalo d’A Prisão de São
Benedito.

Caso a mensagem seja extemporânea, rogo seus bons préstimos messiânicos para me privilegiar (!!!) com

(1) um exemplar da obra, devidamente autografado e com dedicatória (!!!) e

(2) me nomear como Padre da Paróquia de Casa Forte – ou Amarela – da Igreja Católica Sertaneja, eis que sou fervoroso devoto há anos e leitor voraz do site/blog e dos livros de diversos cardeais, núncios, diáconos, cônegos, vigários, enfim, de toda a preclara malta de comparsas da Besta Fubana.

Faz tempo, inclusive, que não ocorrem nomeações!

Deve-se tal absurdo apostólico ao não recebimento de simonias ou a outro nobre motivo, V. Reverendíssima?

Receba meu forte amplexo, respeitados os limites da heterossexualidade.

Subscrevo-me, ao passo que apresento meus votos de grande estima e elevada consideração por V. Parangolência.

R. O último exemplar d’A Prisão de São Benedito que eu tinha aqui comigo, já foi devidamente despachado pra você. Espero que goste da leitura deste meu despretensioso livreto de crônicas.

Quem quiser adquiri-lo, é só entrar na página da Editora Bagaço e fazer a solicitação via internet, pra receber em casa pelos correios. Com toda segurança e tranquilidade.

Aliás, podem ser adquiridos todos os meus títulos na página da Bagaço. É tudo baratinho, baratinho.

Agora, aqui entre nós: esse “vossa parangolência” com que você fechou sua mensagem foi pra entupigaitar!

No meu Papado eu já fui chamado de tudo pelos meus xeleléus e subordinados, mas de “parangolência” é a primeira vez!!!

Isso sem falar do tal do “forte amplexo, respeitados os limites da heterossexualidade“.

Essa foi pra torar!

E a tal das “simonias“??? É de lascar!!! Quem quiser saber o que danado é isto, que vá procurar lá no dicionário.

Pois você, seu cabra doido, já está nomeado Padre da Igreja Católica Apostólica Sertaneja, com a missão de administrar a Paróquia da Casa Forte, aqui no Recife.

E fique ciente que a regra básica pra subir na hierarquia eclesiástica da nossa igreja, até chegar ao posto de Cardeal, é xaleirar e puxar o saco do Papa o mais que puder.

Não se esqueça nunca disso!!!

Dito isto, vou aproveitar o pretexto pra contar uma história.

É o seguinte:

O saudoso e querido Edwaldo Gomes, que era Padre da Igreja Católica Apostólica Romana, foi um personagem que entrou para a história da cidade do Recife, uma figura amada e muito querida, tanto pelos paroquianos quanto por pessoas de todos os outros credos e religiões.

Amanhã, dia 19 de julho, se completam dois anos que ele encantou-se e partiu para o infinito.

Aliás, espirituoso e bem humorado que era, ele costumava dizer que acreditava no infinito, mas que não tinha pressa alguma de chegar lá…

Pois sempre que eu ia dar minha caminhada na Praça da Casa Forte, ele estava sentado em sua cadeira no terraço da casa paroquial. E de lá, para espanto das pessoas que caminhavam perto de mim, ele falava bem alto:

– A bênção, meu Papa.

Eu o abençoava fazendo o sinal da cruz e o povo ao redor ficava sem entender nada.

Nós dois, eu Papa da Igreja Católica Apostólica Sertaneja, e ele Padre da Igreja Católica Apostólica Romana, tínhamos uma amizade sólida que muito me honrava e fazia feliz.

Ao contrário da padraiada moderna de hoje em dia, cheia de tarados e xibungos, que provocam um escândalo a cada semana, Padre Edwaldo era um homem honesto, um cidadão de excelente comportamento, e que exercia com muita dignidade o seu sacerdócio.

Era também um sujeito muito espirituoso e bem humorado.

Foi ele que batizou meu filho João. Na hora da cerimônia, esqueceu de baixar o som do microfone que trazia pendurado no pescoço, e a igreja inteira ouviu quando ele, dirigindo-se ao sacristão, disse o seguinte: “É a primeira vez que eu batizo o filho de um Papa“.

Eu ri que só a peste.

Na foto abaixo, feita há 13 anos (como o tempo passa ligeiro…), eu estou ao lado dele na sala da casa paroquial.

Ele bebericando a sua lapadinha de uísque de que tanto gostava, pra relaxar do expediente diário na paróquia

Você faz uma falta danado, Padre Edwaldo.

Nossa querida Casa Forte lamenta até hoje sua partida, Padre Nosso.

Um abração daqui da terra diretamente para sua morada aí no infinito!

Capa do livro Um Padre Nosso, da autoria de Vera Ferraz, sobre a vida desta figura legendária e querida da capital pernambucana

DEU NO JORNAL

BOLSONARO DERROTADO

O PT de Lula e Dilma é o partido político que mais recebeu verbas do Fundo Partidário, este ano.

Foram R$ 42,2 milhões segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O PSL do presidente Jair Bolsonaro ficou em segundo lugar com R$ 40,6 milhões em verbas públicas até junho.

* * *

Até que enfim o PT conseguiu derrotar Bolsonaro.

A militância petêlha está em festa.

ORLANDO SILVEIRA - SÓ NOS TRÊS É QUE SABEMOS

QUASE HISTÓRIAS: O JIPE DO TIO

– Oi. Tudo bem por aí, pai?

– Tudo, filho. E com vocês?

– Tudo em paz. Dudu está lindo.

– Daqui de cima, eu o vejo todos os dias. Está lindo mesmo. Como você conseguiu ligar?

– Não importa. A gente sempre dá um jeito.

– Não me faça passar vergonha. O céu é lugar recatado.

– OK. Estou com saudade. Tem lido?

– Muito. Quer dizer: quando tua mãe me deixa ler… Como fala, a tua mãe! Havia me esquecido desse detalhe.

– Ela está aí?

– Agora, não. Ela foi com Laura e Valésia, suas tias, fazer pudim para Pedro, o santo.

– Como assim?

– É aniversário dele. Vamos fazer uma festinha surpresa.

– Não sabia que santo faz aniversário.

– Faz. Por que não faria? O que mais, filho?

– Está com pressa?

– Estou. A vida é curta, preciso ler, aprender. Mas pode falar.

– Por aí a vida não é eterna?

– Depois te explico.

– Soube que tio Iraci está por aí.

– Está. Duro é encontrá-lo. Continua o mesmo. Bate pernas o dia todo. Só aparece para fazer as refeições. Vai ao purgatório, vai ao inferno. Não esquenta cadeira. Uma hora ainda se perde. Não volta para o céu.

– E tio Antônio?

– Também está por aqui. Ele sempre lhe manda beijo. Gosta de você. Continua o mesmo. Continua chamando Laura de “pamonha”. Com razão. Agora cismou, esse Antônio! Quer fazer piquenique. Mas quem há de trazer o velho jipe para o céu? Quem? Sem jipe não há piquenique…

– É.

– Amanhã, a gente se fala. Pedro está chegando, com cara de poucos amigos. Acho que o pudim desandou. Também pudera. Sua mãe e tias não param de falar.

– Sua benção, pai.

– Deus te abençoe. Não beba muito, largue o cigarro. Beijo.

PENINHA - DICA MUSICAL

JOSÉ NÊUMANNE - DIRETO AO ASSUNTO