ANALISTAS DE GALINHEIRO EXPLICAM O INEXPLICÁVEL

“Não há explicação”, avisa o título do artigo publicado no Estadão desta quinta-feira pelo psiquiatra Daniel Martins de Barros, no espaço reservado ao noticiário sobre o massacre na escola em Suzano. “Não há como explicar o inexplicável”, reitera no primeiro parágrafo. “Crimes como o de Suzano angustiam pela morte de jovens, mas também pelo desejo nunca alcançado de se entender”. Para o articulista, episódios do gênero são especialmente chocantes também por não serem frequentes.

Nos últimos anos, 30 jovens brasileiros foram assassinados em selvagerias semelhantes à registrada nesta quarta-feira. Só em 2016, compara o psiquiatra, morreram mais de 30 mil brasileiros com 15 a 29 anos de idade, vítimas de outros tipos de homicídio. Desde o tempo das cavernas sobram evidências de que o ser humano tem defeitos de fabricação, alguns dos quais produzem assassinos patológicos. Não há como decifrar a mente criminosa, mas nossos especialistas em tudo não admitem a existência de perguntas sem respostas.

“É a cultura da violência”, garantem alguns decifradores de enigmas. Provavelmente ignoram que o mais apavorante desses crimes, consumado em 2011, teve como palco uma ilha da pacífica Noruega: um atirador solitário matou 92 jovens reunidos num acampamento. Outros gênios da raça culpam a chamada flexibilização do acesso às armas de fogo, por enquanto apenas um desejo do governo Bolsonaro. A legislação é a mesma de 2011, quando 12 jovens foram executados na escola em Realengo, no Rio de Janeiro.

A tragédia em uma escola de Realengo, no Rio: doze mortos

Há também os que atribuem tais erupções de violência à internet, acusada de manter à margem da vida lá fora uma imensidão de adolescentes. Mas são milhões os jovens que passam horas a fio enfurnados no quarto, às voltas com videogames sangrentos. E se contam nos dedos os que resolveram reproduzir no mundo real cenas de guerras virtuais. Mas explicadores de botequim pulverizam qualquer interrogação com menos de 50 palavras.

É hora de confrontá-los com as três perguntas que afligem a humanidade desde o Dia da Criação. Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Os analistas de galinheiro decerto já têm na ponta da língua a resposta errada.

6 comentários em “ANALISTAS DE GALINHEIRO EXPLICAM O INEXPLICÁVEL

  1. Caros amigos,
    O texto de Augusto Nunes é irrespondível – a não ser da forma errada! – particularmente quando diz “Desde o tempo das cavernas sobram evidências de que o ser humano tem defeitos de fabricação, alguns dos quais produzem assassinos patológicos.”. Meu único reparo – se me permitem – ao texto, faço-o sob a ótica cristã, centra-se na expressão “defeitos de fabricação” contida na citação. Não se trata – falo como cristão – de defeito de fabricação; retiraria o “de fabricação”, pois Deus “fabricou” o homem sem defeitos (vd Livro do Gênesis caps. 1 e 2). O defeito que gera outros defeitos – o pecado e suas consequências – está descortinado em sua origem e essência no cap. 3 do Gênesis.
    Causa fundamental de todas as desgraças humanas o pecado tem que ser levado em conta, porque ele sempre está às nossas portas, cabendo-nos enfrentá-lo e dominá-lo (Gênesis 4.7).
    As perguntas constantes no último parágrafo do texto de Augusto Nunes encontro suas respostas na mesma coleção de livros onde está o Gênesis – A Bíblia Sagrada. A Bíblia Sagrada -no que tange ao(s) defeito(s) do homem dá o diagnóstico e seu tratamento.
    Um abraço a todos.

    • A frase “defeito de fabricação”, a meu ver foi apensa uma força de expressão para situações em que pessoas se tornam psicopatas sem nada que se explique suas atitudes, como o caso em tela.

  2. O Brasil tem em média 150 assassinatos por dia. Na segunda feira, 150 brasileiros perderam a vida. Outros 150 na terça, outros 150 na quarta, outros 150 ontem, mais 150 hoje. (Aproximadamente, é claro. O Brasil sequer sabe o número exato de assassinados).

    Alguém está preocupado com estas 750 pessoas? Claro que não. Só com as dez que tiveram a sorte de morrer em um caso “diferente” e que “apareceu na mídia”. As famílias já ganharam dinheiro do governador (dinheiro nosso, diga-se de passagem), um monte de especialistas já deu sua explicação e sua solução, todo mundo está compartilhando textos emotivos no facebook.

    Amanhã vão morrer mais 150. Azar deles.

    • Todos os dia morrem em torno de 150 pessoas no Brasil, o que é lamentável. Dito isso, as mortes em Suzano nos tocam mais, pois são crianças e funcionários de uma escola pública.

      Eles estavam sub a tutela do Estado de SP, que deve indenizar sim. As outras 150 pessoas de hoje, devem ter suas investigações e punições; porém se formos banalizar este atentado de Suzano, estamos no pior dos mundos, pois trata-se de um atentado contra uma escola, onde se preparam pessoas para o futuro.

      Situações como esta de Suzano nos fazem refletir mais sobre tudo. Porém neste atentado acrescentou-se mais 2 na estatística dos 150, que eu acho que não me preocupam e me deixam até aliviado.

      • Quando alguém diz que não se pode banalizar determinados mortos, está banalizando os outros, admitindo que há mortos mais importantes e mortos menos importantes.

        Outra coisa, o estado não indeniza ninguém, por quê o estado não produz e portanto não tem dinheiro. O estado toma meu dinheiro à força para fazer algo que eu não quero, e quando faz mal feito (quase sempre) toma mais dinheiro meu para cobrir o prejuízo.

        Já que as crianças vão cantar o hino nas escolas, poderiam aproveitar para fazê-las repetir umas dez vezes todo os dias: “Não existe dinheiro público! Não existe dinheiro público! Não existe dinheiro público!”.

      • Não se pode banalizar morto algum, inclusive os dois criminosos que praticaram o atentado de Suzano. É evidente que alguns crimes chocam mais, especialmente quando as vítimas são crianças em escolas..

        Não entender isso é inverter o criminoso com a vítima, coisa da esquerda.

        O Estado é um ente que nos representa através do voto. Se ele falha ao proteger crianças que estão sob sua guarda ele tem que pagar indenizações com o nosso dinheiro. Simples assim.

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