A CULPA TAMBÉM É DAS VITIMAS

Carlos Eduardo Gomes

Olá confrades do Blog do Berto. Apesar de estar sempre acompanhando e lendo as notícias que nosso líder e editor colocava na nova versão desta página, senti falta daquela interação entre as opiniões dos variados comentaristas e colunistas, com seus textos abordando assuntos diversos e atuais. A troca de ideias era quase como um bate-papo no animado boteco virtual.

Agora que Berto voltou a dar espaço para nossas resenhas, vamos continuar esse debate de opiniões como sempre, elogiando, criticando, fofocando com elegância e falando besteira que é essencial.

2019 entrou furioso causando estragos de todas as maneiras. Tivemos, até agora, acidente em Brumadinho, tempestade no Rio de Janeiro, fogo no alojamento dos jovens jogadores de futebol do Flamengo e por último a morte inesperada do jornalista Ricardo Boechat, que causou enorme comoção. Todos com repercussão nacional.

Com exceção do acidente brutal com o helicóptero em que viajava Boechat, as outras tragédias parecem ter contado com a falta de cuidados de empresas e autoridades públicas para alcançarem a dimensão que tiveram. Tenho residência efetiva no Rio de Janeiro e afetiva em Paty do Alferes, por isso sou testemunha da falta de manutenção nas galerias pluviais da Cidade Maravilhosa. Como os anos anteriores foram anos de pouca chuva, os alagamentos e deslizamentos não chamaram atenção. Mas, era inevitável que numa situação de chuva mais intensa a cidade viraria um lago de água suja, no mínimo, dificultando o trânsito de automóveis e pedestres.

Lamentavelmente a combinação da agitação atmosférica violenta com falta de manutenção pela Prefeitura no sistema de drenagem, a “desatenção consciente” com as construções em áreas de risco, deixou os cariocas vulneráveis aos acidentes fatais para sete cidadãos e muito transtorno para todos. Também chama atenção a omissão cumplice entre Prefeitura e Bombeiros no caso do incêndio no CT do Flamengo. Esse é o prefeito que foi eleito com o slogan: “Vou cuidar das pessoas”

Sobre a tragédia de consequências ainda incalculáveis em Brumadinho, o caso é bem mais complicado e grave. A empresa envolvida, as autoridades federais, estaduais e municipais aparentemente assumiram o risco de manter as atividades naquela região ao custo do enorme estrago ambiental, patrimonial e sobretudo das vidas humanas. Não é simples o dilema que se apresenta. Não sou técnico em segurança, ou mineração, por isso não tenho convicção para opinar com base sólida sobre o que ocorreu exatamente. Trocar anos de emprego, lucro e desenvolvimento regional pelo risco do rompimento da barragem e suas consequências valeu? Essa é a pergunta a ser respondida no meu ponto de vista.

Depois do desastre é difícil encontrar quem defenda a posição da Vale e das autoridades que permitiram que a operação continuasse apesar dos riscos envolvidos. Antes do acontecido, prefeitura, governo estadual, federal gostavam de arrecadar e fazer politica. Os próprios empregados, alguns vitimados na tragédia, também deveriam ser contra a paralisação e a perda dos empregos, tão escassos atualmente. A Companhia fez opção pela operação mais rentável. Existe um só culpado?

Se o cidadão parasse de construir em locais de risco, não jogasse lixo e esgoto nos rios, não desmatasse de forma criminosa, ajudaria muito a amenizar os desastres quase naturais. A desatenção da sociedade e das autoridades tem consequência.

3 pensou em “A CULPA TAMBÉM É DAS VITIMAS

  1. Meu nobre Carlos Eduardo, a comunidade fubânica ou bertânica, está de boca escancarada com essa retomada dos papos. Você coloca que 2019 entrou “rasgando” e olhe que se passaram apenas 44 dias. Tem muito mais por aí. Vamos torcer a corrupção seja nocauteada e se for possível, dentro dos rounds normais, que seja vencida por pontos..

  2. Acertou na mosca, Carlos Eduardo. É preciso acabar com essa hipocrisia e esse bom-mocismo de dizer que todo brasileiro é bonzinho e que a culpa é sempre dos outros.

    Costumo resumir meu pessimismo em uma frase: O Brasil não irá melhorar enquanto o brasileiro achar normal jogar bituca de cigarro no chão.

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