ALEXANDRE GARCIA

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

WILTON CARVALHO – VITÓRIA-ES

Boa noite Caro Berto.

Mais um caso sucedido na comunidade acadêmica da Escola de Agronomia da universidade federal da Bahia, nos idos de 1972, em Cruz das Almas, recôncavo bahiano.

* * *

BODE PRA VEREADOR

Saul é mineiro da pequena cidade de Serra dos Aimorés, na divisa entre a Bahia e Minas Gerais, próximo a Nanuque. De família ligada ao meio rural, veio estudar o cientifico em Salvador no Colegio Central.

Dedicado aos estudos passou de primeira no vestibular para Agronomia da UFBA, e largou o velho pensionato onde morou por três anos na rua do Sodré, no largo 2 de julho, e foi morar em Cruz das Almas, mais precisamente na Tabela na pensão de Seu Nelson –cozinheiro da Escola-, juntamente com Bananão; Xexeú; Abilio quarentão; João seboso;Camaleão e outros que batiam diariamente canela logo cedo para assitirem as aulas. Logo que chegou o calouro recebeu a contragosto o apelido de “Bode”, colocado por Reinaldo Carniça, quartanista de agronomia e apelidador-mor.

Como inicialmente não admitiu a alcunha, então o apelido pegou pra valer, e ficou a partir daí, conhecido como animal adorado pelos criadores do semi-arido nordestino. Era metido a paquerador, embora não fosse nenhum Tom Cruise, conquistou algumas garotas na região da Tabela e Baixinha da Vitória, para desgosto de muitos pais, que não admitiam que suas filhas namorassem com estudantes, não sem razão, porquanto muitos e muitos casos sucederam em perda de tempo, pois alguns malandros eram noivos em suas origens, e em verdade só queriam passar tempo com as nativas.

Nosso personagem não era diferente, porquanto deixou namorada em Minas, e alguns pais prometeram inclusive dar-lhe uma bela coça se insiste em namorar suas filhas. No ano das eleições de prefeito e vereador em Cruz – ano de 1972-, Bananão e Camaleão, não se sabe como, conseguiram uma foto 3 por 4 de Bode, e ao chegarem em Salvador para passar o final de semana, foram a uma gráfica pertencente a um amigo e conseguiram ampliar dita fotografia para tamanho utilizado por pretendentes a cargo eletivo, e candidatando Saul Bode para Vereador.

Mandaram fazer cerca de 500 propagandas deste tipo, e ao chegarem na segunda-feira, sem comunicar a ninguém, esperaram chegar meia noite e com a colaboração de Pneu, um morador vizinho à pensão, saíram a percorrer toda os pontos da cidade, com balde, cola e escada, colocando a propaganda eleitoral de Bode pedindo voto para vereador, no topo dos postes de iluminação publica, nos bares de tonha gorda, barrão, jucelio, na pergola, em antão, enfim em todos os lugares mais visíveis da cidade.

O certo é que no outro dia a cidade acordou com Bode pra vereador, e os cruzalmenses indagando-se que era aquele personagem, porquanto desconhecido da maioria da população. Outros indagavam a que partido pertencia se Arena 1; arena 2 ou arena 3, tendo inclusive, o conhecido Carrapeta ido perguntar a Carmelito quem era o tal do Bode, de que qual lado era, se dos Passos ou dos Guerra. Enfim todos se surpreenderam com o aparecimento de dita propaganda antecipada.

Bode sem saber de nada, após as aulas do período vespertino, resolveu ir ao centro da cidade quando então se deparou com o seu retrato em todos os lugares; pretendia ir ver uma galeguinha que estava querendo paquerar, mas diante dos fatos, bateu em retirada, contratou um morador local, e munido de uma vassoura, saiu pela cidade a retirar os panfletos, o que resultou em mais de dois dias de trabalho, porque como dito anteriormente os quatro cantos da cidade estavam infestados com seu retrato de candidato.

Não conseguiu retirar todos, porem teve sucesso nos locais mais visíveis, e após descobrir os responsáveis pela feitura, levou uns bons dias sem dirigir-lhes a palavra. Portanto foi a viúva Porcina das eleições daquele ano, ou seja, o que foi sem nunca ter sido. Hoje Saul, é servidor da EBDA, em Itambé, se já não aposentado, e reconhecido como um competente profissional.

JOSÉ NÊUMANNE - DIRETO AO ASSUNTO

CHARGE DO SPONHOLZ

A HORA DA POESIA

O POETA DESCREVE A BAHIA – Gregório de Matos

A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha;
Não sabem governar sua cozinha
E podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um bem frequente olheiro,
Que a vida do vizinho e da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,
Para o levar à praça e ao terreiro.

Muitos mulatos desavergonhados,
Trazidos sob os pés os homens nobres,
Posta nas palmas toda a picardia.

Estupendas usuras nos mercados,
Todos os que não furtam muito pobres:
E eis aqui a cidade da Bahia.

Colaboração de Pedro Malta

DEU NO JORNAL

CHARGE DO SPONHOLZ

ALEXANDRE GARCIA

EM DEFESA DAS LEIS

Integrantes da Associação Nacional de Procuradores da República fizeram esta semana manifestações contra a indicação de Augusto Aras para chefiar a Procuradoria Geral da República. O incrível é que essa é uma manifestação de integrantes do Ministério Público – que é o órgão de defesa da Lei – contra a Constituição Federal. O art. 127 da Constituição incumbe o Ministério Público da “defesa da ordem jurídica”. E a manifestação de integrantes de sua associação alega que o Presidente da República deveria ter indicado alguém da lista de três enviada pela Associação. Ora, o artigo 84 da Constituição afirma que compete ao Presidente da República nomear o Procurador Geral da República. A única condição é a aprovação do nome pelo Senado. Nada existe sobre lista tríplice.

Outra questão incrível é que anunciaram a tal lista tríplice como “uma tradição” – para justificar a inexistência de texto legal sobre ela. Como assim, tradição, se isso só existiu no governo petista? Tradição é o representante do Brasil abrir a assembleia anual da ONU, o que é feito desde que a organização existe, há mais de 70 anos. A lista tríplice é de 2003. Tradição com idade de debutante? A campanha da “tradição” ganhou a adesão da militância, mas não impressionou o Presidente, que pesquisou muito e ouviu muito até o último dia, quando anunciou Aras. O indicado tem mais de 30 anos no Ministério Público e 60 de idade, e é conhecido como uma mente aberta, um estudioso, mestre e doutor em Direito e muito discreto, sem atração pelas luzes da mídia.

A tal lista tríplice foi “tirada”(aqui cabe bem esse jargão assembleísta) de uma votação em que ficaram excluídos os integrantes de Ministério Público não filiados à Associação e incluídos os aposentados sócios da ANPR. Um sindicalismo, um corporativismo explícito, demonstrado pela repetição do jargão que qualificou a indicação de Aras como “um retrocesso institucional e democrático”. Parece o mundo estudantil do tempo em que fui presidente de Centro Acadêmico. Enfim, é o direito de choramingar por não terem conseguido emplacar alguém de sua corrente ideológica.

O Ministério Público tem autonomia para fazer seu trabalho, mas a escolha de seu chefe é o que está previsto na Constituição. Para mudar isso, vão ter que ter 60% dos votos de deputados e senadores, em dois turnos. Como o Ministério Público tem feito um bom trabalho no combate à gigantesca corrupção que afundou o país, passou a ser uma instituição que é alvo de grandes interesses; dos que já foram denunciados e dos que ainda não foram. Mas é dos que nunca serão denunciados, porque cumprem as leis escritas e as não escritas, o maior interesse para que o MP seja uma instituição forte, capaz de resistir a tudo, na sua atribuição de defesa da lei.

DEU NO TWITTER

COMO FUNCIONA A CABEÇA DE UM VERMÊIO-ISTRELADO

* * *

O filho do corrupto condenado José Dirceu fez esta postagem no Twitter ontem, dia 10.

Isto que Zé Cagão cagou por escrito é um exemplo acabado, irretocável e perfeito do raciocínio de um zisquerdóide petralha.

A correlação que ele faz entre as coisas é um retrato sem retoques de como funcionam os canais do esgoto que este povo traz dentro da cabeça.

Ele segue a chamada “Escola Neuronial Dilmáica”.

Isto serve para que tenhamos um pouco de compreensão com os comentários que o lulo-petista Ceguinho Teimoso faz aqui no JBF.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

DAUDETH BANDEIRA E DALINHA CATUNDA

Daudeth Bandeira

Eu não conheço Dalinha
Mas desejo conhecê-la
Todo poeta precisa
Conhecer uma estrela
Não pra ser o dono dela
Mas para aplaudi-la e vê-la.

Dalinha Catunda

Eu já conheço Daudeth
E muito, de ouvir falar,
Fama de cada Bandeira
Faz o mastro tremular
Seu clã é constelação
Constantemente a brilhar.

Daudeth Bandeira

Dalinha pega mais fogo
Do que capim no verão,
É do tipo das caboclas
Que pingam brasa no chão,
São responsabilizadas
Por quase todas queimadas
Que existem no sertão.

Dalinha Catunda

Sou fogueira de paixão
Lambendo o chão da campina
Incendiando o agreste
Tal ventania ladina
Apesar de ser matreira
Não sou de queimar Bandeira
Meu fogo não desatina.