AUGUSTO NUNES

POBRES HERMANOS

Candidato à presidência da Argentina confirma que os políticos de lá conseguem ser piores que os daqui

“Bolsonaro é um racista, um misógino, um violento. O que eu pediria ao presidente Bolsonaro é que deixe Lula livre e pediria que se submeta a eleições com Lula em liberdade”.

Alberto Fernández, candidato a presidente da Argentina, em entrevista ao programa Corea del Centro, provando que os políticos de lá conseguem ser piores que os daqui.

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JOSÉ NÊUMANNE - DIRETO AO ASSUNTO

A HORA DA POESIA

TUDO É DEUS – Clovis Andrade

Mercê de Deus, segundo o panteísmo
a natureza é Deus, assim disperso
no todo e parte pelo sincronismo
das leis do Amor, regentes do Universo.

E Deus é Amor. Está no idealismo
de Spinosa e Platão, no mundo imerso
do espaço-tempo, em meio ao dinamismo
das Esferas, sistema incontroverso.

Deus é o mundo pensando, a sinfonia
da vida, épico poema que exaltamos,
ante o poder da cósmica Energia!

Deus é tudo que existe. Tudo é Deus.
Vibra na ideia, no ar que respiramos,
Desafiando a tese dos ateus!

Colaboração de Pedro Malta

CHARGE DO SPONHOLZ

DEU NO JORNAL

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

TRÊS MOTES E UM FOLHETO DE BICHOS

O grande poeta cantador paraibano Nonato Costa

* * *

Nonato Costa glosando o mote:

Sepultura é a única residência
Que não cobra aluguel do morador.

Pra quem vai prestar contas a Jesus
Tem pra sempre gratuita uma morada
E como símbolo na porta de entrada
Tem o nome do dono numa cruz
Não tem conta de água nem de luz
Não precisa avalista ou corretor
E Deus perdoa seu saldo devedor
Quando o banco da vida abre falência
Sepultura é a única residência
Que não cobra aluguel do morador.

Não existe desvio no caminho
Quando o cerco da morte está armado
Pelos súditos o rei vive cercado
Mas no dia que morre vai sozinho
Dos dois lados do túmulo tem vizinho
Mas não há um diálogo a se propor
E a caveira jamais vai recompor
A beleza que tinha a aparência
Sepultura é a única residência
Que não cobra aluguel do morador.

O local é salgado pelo pranto
Dos que perdem seus entes mais queridos
Os irmãos, as esposas, os maridos
E os amigos que vão praquele canto
Condomínio fechado, campo santo
É pra lá que vai todo pecador
E ao entrar a balança do Senhor
Tira um peso da nossa consciência
Sepultura é a única residência
Que não cobra aluguel do morador.

Empresário, princesa, vagabundo
Evangélico e ateu, homem ou mulher
Apesar de ser grátis ninguém quer
Nesta casa morar nenhum segundo
O portal que nos leva a outro mundo
Não exige função superior
E nem precisa RG que o emissor
Quando chama já sabe a referência
Sepultura é a única residência
Que não cobra aluguel do morador.

Com chibanca ou enxada o homem faz
Esta casa sem planta e sem dinâmica
Onde o piso é sem pedra de cerâmica
E o seu teto sem lustres de cristais
Sem textura as paredes laterais
Sem contato com o mundo exterior
E uma hora qualquer seu construtor
Vai pra lá encerrar sua existência
Sepultura é a única residência
Que não cobra aluguel do morador.

* * *

Dedé Monteiro glosando o mote:

São os sons que ninguém pode esquecer
Se já foi residente no sertão.

O latido amistoso de um “jupi”,
Vira-lata raçudo sem ter raça,
Uma banda de pífanos na praça,
O penoso cartar da juriti,
Um boaito saindo do jequi
E um vaqueiro a pegá-lo pela mão,
O estrondo redondo do trovão
Avisando que em breve vai chover,
São os sons que ninguém pode esquecer
Se já foi residente no sertão.

* * *

Zé Silva glosando o mote

Mocidade é um vento passageiro
Beija a face da gente e vai embora.

Como é bom ser menino, ser criança,
Ter um mundo de sonhos, de ilusões,
Caminhar num caminho de emoções,
Aquecido no sol da esperança.
No entanto, esse tempo de bonança,
Como tudo que é bom, pouco demora.
Como a marcha dos anos me apavora
E a tudo transforma tão ligeiro!
Mocidade é um vento passageiro
Beija a face da gente e vai embora.

* * *

Um folheto da autoria de Arievaldo Viana e Gonzaga Vieira

UM DIA DE ELEIÇÃO NO PAÍS DA BICHARADA

O comendador Cachorro
Era um amigo dileto
Da velha Rita Mingonga
De quem sou tataraneto
Quando os bichos escreviam
Os dois se correspondiam
Com ternura e com afeto

Depois que a velha morreu
Ficou a correspondência
Com sua neta Raimunda
Que deixou pra tia Vicência
Titia deixou pra mim
E foi justamente assim
Que aprendi cantar ciência

Morava o comendador
Na Vila da Cachorrada
Município da Rabugem
Distrito Tábua Lascada
Na corte do Rei Leão
Era um grande figurão
Porém não fazia nada

O elefante e o urso
Eram grandes generais
Tramaram uma revolta
No reino dos animais
E depois em praça pública
Proclamaram a República
Tornando-se os maiorais

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DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

SÓ VAI JOGANDO BOSTA

O Supremo abriu licitação para compra de kits “antimotins” para proteger os seguranças de manifestações.

Serão adquiridos 15 conjuntos de armaduras, escudos e capacetes capazes de aguentar ataques com pedra, tijolo, objetos pontiagudos e chamas de coquetel molotov.

A área administrativa reservou R$ 69,6 mil para a compra.

* * *

O que eu tenho vontade de jogar no STF dos dias de hoje e nos seus ministros não são pedras, tijolos ou coquetéis molotov.

Tenho vontade de jogar neles é um produto compatível com suas ações, suas posturas e seus comportamentos.

Um monte de bosta bem fedorenta.

De pinico cheio!!!

Em fila pra levar bosta do pinico do Editor

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

O LEILÃO

O fato se deu há alguns anos quando a humanidade era ingênua, quando não se ousava pensar em tenebrosas transações, ainda não despertara a revolução sexual e as mudanças de costumes. O mundo era dos coronéis de engenho.

Naquela época morava em Atalaia, aprazível cidade do interior de Alagoas, uma jovem bonita de nome Mariá. Os homens quando a viam sentiam o desejo pulsar nas veias, na mente e na alma. Bela cafuza, exótica e exuberante, cabelos negros escorridos, rosto redondo, olhos pequenos, lábios carnudos e encarnados. Mariá era conhecida como Índia, filha de cortador de cana, pobre e analfabeta, os homens andavam atrás das saias daquela alegre morena. Porém ela mantinha-se virgem, um apelo e conselho do pai com quem vivia numa casa de taipa.

Certo dia o pai morreu, de cachaça, sua mãe havia fugido com um motorista de caminhão, arribou estrada afora, tornou-se prostituta estradeira, foi o maior desgosto do marido, ele entregou-se à bebida. Mariá ficou só no mundo. Aconselhada por amigas foi tentar sobreviver na capital. Arranjou trabalho de empregada doméstica numa casa. Nos primeiros dias foi desejada e assediada pelo patrão, pelos dois filhos e pelo avô. O bom velhinho quando olhou a Índia pensou que ainda era moço, vivia cantando a bela empregada. Aperreada a todo o momento, Mariá não aguentou a pressão, pediu as contas à patroa. Ao sair do emprego ficou perambulando pela Avenida da Paz, teve sorte, conheceu Cícero, um generoso homossexual que a levou para sua casa, pediu a mãe para lhe dar guarida até ela arranjar emprego. Na casa de Cícero não se podia pagar empregada. Mariá fez alguns trabalhos em troca da comida e dormida. Difícil uma analfabeta achar emprego. Certa vez uma vizinha aconselhou: -“Menina você é muito bonita, os homens lhe desejam, vá ganhar dinheiro no cabaré.” -“Eu sou virgem”, respondeu Mariá. -“Sua virgindade vale ouro, muito coronel pagaria um dinheirão para tirar-lhe o cabaço”, a vizinha insistia na conversa.

A conversa com a vizinha ficou atentando o juízo de Mariá. Numa bela noite ela procurou a vizinha, pediu para levá-la a algum cabaré, queria apenas conhecer. Ao chegar à Boate Tabariz, no bairro boêmio de Jaraguá, subiram a íngreme escada. Mariá empolgou-se com a beleza do salão. O dono do cabaré, conhecido como Mossoró, o rei da noite, examinou-a com um olhar de conhecedor. A amiga falou ao proxeneta: -“Pai Velho, olhe o presente que trouxe para você, uma bela Índia”. Aproximou-se, cochichou no ouvido do Negão: -“É virgem”.

Mossoró, conhecedor profundo das almas das mulheres da vida, interessou-se por Mariá, o fato de ser virgem, deixou-lhe empolgado. Havia quem desse uma fortuna pelo cabaço daquela jovem. Mandou-a esperar, Mariá estava deslumbrada com a música do conjunto, a alegria da casa, os pares dançando no salão. Mossoró levou-a ao escritório, um quarto especial. Puxou do bolso uma nota de gorjeta para vizinha e despachou-a, ficou sozinho com a Índia, era todo sorriso, simpático. Ele passava confiança às suas quengas. Fez algumas perguntas à Mariá. De repente pediu-lhe para tirar a roupa. A moça desabotoou os laços nos ombros, o vestido de chita caiu no chão, desabrochou a beleza nua da jovem, o sangue esquentou as veias do Pai Velho, conteve-se. Se não fosse virgem ele seria o primeiro, contudo, aquele cabaço valia ouro. Disse para Mariá – “Você vai passar alguns dias apenas aparecendo no salão. Amanhã vai ao Comércio, com uma das meninas, comprar três vestidos na moda. Toda noite fique bem bonita se mostrando de mesa em mesa, não vá para o quarto com nenhum homem, diga que é virgem, eu vou arranjar alguém especial para lhe tirar a virgindade, depois você fica trabalhando para mim, aqui na boate.”

Toda noite Mossoró anunciava o leilão da Índia, dia 22 de março, com Show de Reinaldo, uma trupe divertida de travestis, e inauguração da luz negra no salão. Na noite marcada, a Boate estava cheia; políticos, coronéis, usineiros, reservaram mesa. Foi uma das maiores festas na história do bairro boêmio de Jaraguá. O ganhador do leilão foi um rico fazendeiro, colecionador de cabaços, ele tinha um colar, cada conta do colar representava uma virgem. Pagou uma fortuna pela Índia. A festa tornou-se inesquecível. No bares, nos cabarés, nas biroscas do cais do porto de Jaraguá, por muitos anos os boêmios contaram a história do Leilão da Índia arrematada por um rico fazendeiro.