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A HORA DA POESIA

MÃE – Miguel Torga

Mãe:
Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?

Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.

Chamo aos gritos por ti – não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto – sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.

Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim! 

Colaboração de Pedro Malta

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GEORGE MASCENA - SÓ SEI QUE FOI ASSIM

LUIZ GONZAGA, O SANTO QUE PAROU O TREM

A construção da ferrovia Transnordestina vem desde 2006 se arrastando no meio do sertão nordestino, entre os estados de Pernambuco, Ceará e Piaui. Com seus 1753 km de extensão, a ferrovia que custaria aos cofres públicos o valor de 4,5 bilhões de reais foi na última revisão em 2015 para 11,2 bilhões. Ligando os portos de Pecém no Ceará e Suape em Pernambuco aos centros de produção de grãos e derivados em Eliseu Martins no Piauí e ao polo gesseiro no Araripe pernambucano. Em 2016 os trabalhos pararam com pouco mais da metade da obra concluída. Há outro projeto de esticá-la até Porto Franco, no estado do Maranhão, onde fará ligação com a Ferrovia Norte-Sul .

Mapa da Ferrovia Transnordestina. O trecho verde é da obra já executada

Um grande trecho da malha já está pronto, ligando o nada a lugar nenhum, já que a grande parte do descarregamento dos vagões, se não a totalidade, se dará nos portos, e esta parte não está nem iniciada, o trecho pernambucano entre Gravatá e Suape ainda não tem nem a licença do Ibama liberada. O trecho pronto está entre Paulistana no estado do Piaui e Missão Velha no Ceará, seguindo até Custódia, nesse ponto a grande via férrea, com seus milhões de reais investidos, foi parada por uma capela no meio do nada, distante mais de 5 km do centro de Custódia, em um sítio com duas ou três casas próximas e um padroeiro totalmente desconhecido: São Luiz Gonzaga.

Igreja de São Luiz Gonzaga

Quem passa na poeirenta estrada rural pela frente nem percebe o prédio, a capela não é lá essas coisas, muito pequena, sem uma arquitetura que chame atenção, mas tem uma coisa que conta muito nessas edificações: sua idade. Construída no século XIX na comunidade quilombola do Carvalho, a igreja atravessou esses anos entre abandonos e reformas, o tempo não conseguiu derruba-la em quase 200 anos, nem o trem carregado de dormentes e brita. A terraplanagem para colocação dos trilhos já está pronta dos dois lados da igreja, com a frágil cerca de arame, que isola a capela, servindo de ponto de retorno das caçambas e retroescavadeiras. O consórcio de construtoras responsável pela obra até construiu outra capela igual, mas a população bateu o pé e não aceitou que derrubasse a antiga. Arqueólogos da UFPE comprovaram a presença de ossadas enterradas junto à igreja.

Fotos da época da construção, com as locomotivas prontas pra executarem seu serviço

“Quem pensa que a igreja abre caminhos pode até ter provas legítimas de que é verdade, mas a ‘fé’ do governo federal não deve funcionar muito bem, principalmente em Pernambuco. A obra da ferrovia Transnordestina é o retrato claro. A construção está parada por conta da Igreja São Luiz Gonzaga, que já virou famosa em Custódia por ‘travar’ o trem de passar. Há pelo menos dois anos, e desde então, não há oração que faça essa obra andar e quebrar a ironia de integrar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”, Publicou Geovani Sá no site Farol de Notícias em 2016.

Um manequim de loja é quem faz a segurança do canteiro em Salgueiro

A Transnordestina segue parada, e o tempo que não conseguiu afetar a singela capela de São Luiz Gonzaga está maltratando a imponente ferrovia. Vagões enferrujados, trilhos abandonados e erosão nos aterros mostram o zelo dos nossos governantes com o dinheiro do contribuinte, mas a igrejinha continua lá, como testemunha ocular dessa história.

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MEDIDA DEMAGÓGICA

* * *

Gleisi Hoffman enviou ao Jornal da Besta uma nota de protesto contra esta medida do governo.

Ela disse que isso é um absurdo, uma demagogia que vai custar caro aos cofres públicos.

Gleisi declarou que o que tem de ser zerada é a tarifa de importação de óleo para azeitar chifres.

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AS LEIS BANÂNICAS

* * *

Não foi só Alexandre Nardoni, assassino do próprio filho, que ganhou “saidinha” pra comemorar o Dia dos Pais.

Suzane von Richthofen, que matou o pai e a mãe, e está cumprindo pena de 39 anos, também teve direito à “saidinha”.

Foi no mês de maio passado, para comemorar o… Dia das Mães.

A diputada petista Maria do Rosário declarou ao Jornal da Besta que isto é justo e certo.

Trata-se de uma grande conquista das lutas pelos Direitos dos Manos.

Um exemplo que deveria ser seguido pelo governo do Estados Unidos. Um país atrasado e subdesenvolvido, segundo Maria do Rosário, que trata seus presidiários muito mal e sem direito a “saidinhas”.

Mark Chapman, o assassino de John Lennon, engaiolado há 39 anos e cumprindo uma sentença de prisão perpétua, já teve negados 10 pedidos de liberdade condicional. Nunca saiu da cadeia nem pra dar uma mijadinha.

Na foto abaixo, a matricida Suzane saindo da penitenciária feminina, ao lado do seu macho, pra comemorar o Dia das Mães.

Foi direto da penitenciária pro motel.

A PALAVRA DO EDITOR

O PADRE QUE MATOU O BISPO

O colunista fubânico George Mascena, no dia 2 deste mês de agosto, publicou aqui um texto com este título: SANGUE NO PALÁCIO: A HISTÓRIA DO PADRE QUE MATOU O BISPO

Um relato que conta como o Padre Hosana de Siqueira matou a tiros o bispo da diocese de Garanhuns, Dom Francisco Expedito Lopes, no mês de junho de 1957, cuja leitura eu recomendo aos leitores que ainda não acessarem este texto.

Um crime chocante que abalou Pernambuco e o Brasil, e que foi notícia no mundo todo.

Eu tinha 11 anos de idade e me recordo perfeitamente da comoção que o fato causou.

Naquele tempo, Palmares ainda não havia ascendido à condição de bispado e a nossa paróquia era subordinada à diocese de Garanhuns. Dom Expedito foi o bispo que me crismou.

Quiterinha, minha saudosa mãe, antes de se encantar me deu de presente a sua coleção de revistas O Cruzeiro, que ela comprava semanalmente.

Entre os vários números que tenho aqui comigo, um deles contém a matéria sobre o assassinato de Dom Expedito, de onde tirei as fotos que estão a seguir.

Na foto abaixo, à esquerda, aparece o Padre Hosana, logo após a ser preso. Continuou com a cara mais cínica do mundo. Na foto à direita, aparece Dom Expedito, baleado no peito, ainda vivo, em seus últimos minutos, sendo consolado pelo Padre Acácio Rodrigues Alves.

Padre Acácio viria a ser o primeiro bispo da Diocese de Palmares, criada no ano de 1962.

Já na condição de bispo, Dom Acácio teve uma participação muito importante na minha vida, quando eu fazia militância política estudantil naquele interior agitado dos tempos do governo Arraes.

Conversei muito com aquele bispo querido, aquelas dúvidas de adolescente em tempo de mulher, meio menino, meio homem.

Teve uma noite que invadimos a madrugada e amanhecemos o dia, conversando no terraço do Palácio Episcopal. Ele mais ouvia do que falava.

Dom Acácio é personagem do meu romance A Guerrilha de Palmares.

Na foto abaixo, Dom Expedito aparece junto com Padre Hosana, seu assassino, destacados pelos círculos. 

Na fileira de baixo, do lado esquerdo aparece um padre careca, de óculos escuros. É o Padre Abílio Américo Galvão, o sacerdote que me batizou e me deu a primeira comunhão.

Na fileira seguinte, logo atrás de Padre Abílio, aparece o Padre Acácio, que viria a ser o primeiro bispo de Palmares, e em cujos braços Dom Expedito morreu.

Padre Abílio foi uma figura marcante na história de Palmares e na minha infância. Levei muitos cascudos dele pra me portar direito nas procissões.

Não tem um só menino da minha época que não tenha levado cascudo de Padre Abílio!

Eram as paixões da vida dele: tomar torrado (rapé) e dar cascudo em menino.

Na ilustração abaixo, está a minha certidão de batismo com a sua caprichada assinatura: Padre Abílio Américo Galvão. 

Uma saudade me bateu nos peitos e eu não resisti: tive que contar essa história.

Peço desculpas aos meus pacientes leitores.

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