CHARGE DO SPONHOLZ

AUGUSTO NUNES

RECORDISTA MUNDIAL

Dilma Rousseff deixa claro que nenhum governante de qualquer país do mundo conseguirá ser pior do que Dilma Rousseff

“É preciso formar uma frente que pare Bolsonaro. É preciso que todas as pessoas de bem desse país se unam para conter essa onda que está claramente tentando levar o Brasil para o perigoso caminho do autoritarismo. Mas não o autoritarismo qualquer. Um autoritarismo neofascista, com tudo o que ele tem de bárbaro, com tudo o que ele tem de violento, com tudo que ele tem de odiento. Bolsonaro quer criar, aqui, um mundo do cão”.

Dilma Rousseff, numa entrevista ao site Tumatéia, provando que Jair Bolsonaro jamais será pior que a inventora do dilmês mesmo que resolva cometer um erro a cada 15 minutos.

A HORA DA POESIA

NISE? NISE? ONDE ESTÁS? – Cláudio Manuel da Costa

Nise? Nise? Onde estás? Aonde espera
Achar-te uma alma, que por ti suspira,
Se quanto a vista se dilata, e gira,
Tanto mais de encontrar te desespera!

Ah se ao menos teu nome ouvir pudera
Entre esta aura suave, que respira!
Nise, cuido, que diz; mas é mentira.
Nise, cuidei que ouvia; e tal não era.

Grutas, troncos, penhascos da espessura,
Se o meu bem, se a minha alma em vós se esconde,
Mostrai, mostrai-me a sua formosura.

Nem ao menos o eco me responde!
Ah como é certa a minha desventura!
Nise? Nise? Onde estás? Aonde? Aonde…?

Colaboração de Pedro Malta

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO MALTA – RIO DE JANEIRO-RJ

Caríssimo, poderosíssimo e riquíssimo editor

O Complexo Midiático Besta Fubana, endinheirado como está, bem que poderia bancar entre os incontáveis leitores dessa gazeta escrota, um sortudo que, acompanhado da Chupicleide, se fizesse presente na próxima Feira da Foda, em Pias de Monção / Portugal, prevista para acontecer no mês de março de 2020.

Como sugestão, os inscritos para o sorteio não poderão ter a mente poluída, o que já limita bastante o número de candidatos, se é que exista algum.

Desde já, me considero fora do páreo.

Fraterno abraço.

R. Chamar este Editor de “riquíssimo” e o Complexo Midiático Besta Fubana de “endinheirado” só pode ser mesmo deboche do meu caro amigo e colunista fubânico.

Agora, aqui em entre nós: é foda a existência de uma “Feira da Foda”.

Esses portugueses inventam cada coisa foda que só a porra.

Vôte!!!

Veja bem: se eu eliminar do sorteio os fubânicos que têm a mente poluída, não vai restar ninguém pra concorrer!!!

Aqui só existe neguinho com a mente plenamente fodástica, meu caro.

Chupicleide chega ficou com o priquito pinicando com a sua sugestão de que ela pudesse participar dessa feira foderosa.

Ô sujeitinha inxirida que só a porra!

E vamos ao vídeo que você nos mandou.

E, pra fechar a postagem, já que o assunto é “foda”, aqui vai o Soneto do Pregador Peccador, da autoria de Bocage, que foi publicado no JBF na coluna “A Hora da Poesia”.

Coluna que é publicada todos os dias e generosamente abastecida por você, estimado Pedro Malta.

Um soneto que contém “nove fodas”!!!

SONETO DO PREGADOR PECCADOR – Bocage

Bojudo fradalhão de larga venta,
Abysmo immundo de tabaco esturro,
Doutor na asneira, na sciencia burro,
Com barba hirsuta, que no peito assenta:

No pulpito um domingo se apresenta;
Prega nas grades espantoso murro;
E acalmado do povo o grão sussurro
O dique das asneiras arrebenta.

Quattro putas mofavam de seus brados,
Não querendo que gritasse contra as modas [qu’rendo]
Um peccador dos mais desaforados:

“Não (diz uma) tu, padre, não me engodas:
Sempre me ha de lembrar por meus peccados
A noite, em que me deste nove fodas!”

CHARGE DO SPONHOLZ

SONIA REGINA - MEMÓRIA

MÃE TERRA

Os antigos egípcios sabiamente, construíram canais para aproveitar a cheia do rio Nilo produzida pela chuva. Os Deuses dos elementos: Terra, Água e Sol, eram reverenciados, com festejos de agradecimento pelos agricultores que trabalhavam para produzir alimentos e saciar a fome do Povo.

Devemos graças a todos os elementos que proporcionam vida ao ser humano, com destaque a nossa Mãe Terra, sua importância é tal, que fornece o nome ao nosso Planeta. O verdadeiro agricultor merece todo o nosso respeito, é ele quem tem o primeiro contato com os frutos produzidos através do seu trabalho. A morte da futura colheita não pode ser assistida por quem tem amor pela Terra.

MST destrói 12.000 pés de laranja

* * *

TONICO E TINOCO

Cancioneiro com excelentes histórias contadas ao som da música caipira.

Fruto De Meu Trabalho

* * * 

NICHOLAS BROTHERS

Os irmãos Fayard e Harold, cantores e dançarinos, em início de uma longa carreira de artistas que inovaram com sua técnica acrobática conhecida como “flash dancing”.

Lucky Number

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOSÉ WILTON – MACEIÓ-AL

Mestre Berto,

Veja (ouça) se num vale a pena publicar!

Abraço

R. Meu caro leitor, conheço bem esta figura que aparece no vídeo que você nos mandou, o saudoso homem público Jefferson Péres, um caso raro de político ficha limpa, um cidadão de bem e uma figura humana exemplar.

Sempre tive uma grande admiração pelo amazonense Jefferson Péres, que encantou-se em 2008, aos 76 anos de idade.

Ele formava com o gaúcho Pedro Simon, atualmente com 89 anos, uma dupla que eu aprendi a apreciar e a respeitar.

Jefferson partiu para o infinito e Simon retirou-se da política.

Fazem uma falta danada no cenário brasileiro dos dias de hoje.

O vídeo que você nos mandou foi gravado no ano de 2006, quando Jefferson Péres exercia o mandato de senador.

Naquele ano, o atualmente prisioneiro Lula era presidente da república. Um condenado que hoje em dia cumpre pena por corrupção e lavagem de dinheiro.

Lula é personagem deste antológico discurso de Jefferson.

O então senador falava sobre um tempo sombrio, em plena vigência do esgoto petista que enlameava o Brasil e fez com o nosso país o que todos nós sabemos.

Nós que enxergamos, não custa nada ressaltar.

Os ceguinhos continuarão nas nuvens e excretando absurdos nos ares.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Antônio Conselheiro

Antônio Vicente Mendes Maciel nasceu em Quixeramobim, CE, em 13/3/1830. Líder messiânico, conhecido como “Antônio Conselheiro”. Autodenominado “o peregrino”, atraiu para o arraial de Canudos milhares de sertanejos, escravos recém libertos e índios sem aldeia. Atraiu, também, a ira dos latifundiários carentes de mão-de-obra barata; da Igreja Católica carentes de fiéis e do Exército Brasileiro, que o acusava de monarquista, que após quatro expedições militares, exterminou toda a população do arraial num combate desigual com mais de 20 mil mortos, a chamada “Guerra de Canudos”, em 1896. Segundo alguns historiadores, ali foi cometido um genocídio.

Estava destinado a seguir a carreira sacerdotal. Porém, com morte da mãe, em 1834, o sonho de se tornar padre foi preterido. Aos 25 anos, com o falecimento do pai, assumiu o pequeno comércio de secos & molhados mantido pela família. Em 1857 casou-se com uma prima e muda-se para Sobral, onde passou dar aulas no curso primário. Exerceu, também, a função de “Rábula” (advogado prático). Vagueou por alguns povoados buscando melhores condições de vida e passou a residir na Vila de Ipu. Em 1861 flagrou a esposa numa traição conjugal. Abatido e envergonhado, saiu pelo mundo e encontrou abrigo nos sertões do Cariri, uma região seca, mas fértil de penitentes e flagelados em busca de alguma esperança. Aí inicia a vida de “peregrino”, conselheiro dos pobres, construtor de casebres, capelas e cemitérios. Além do carisma, conhecia as leis e a religião, e acolhia bem os necessitados. A primeira notícia de sua aparição pública se deu em 1874, no jornal “O Rabudo”, de Sergipe. A notícia ridicularizava sua figura: “Esse misterioso personagem, trajando uma enorme camisa azul que lhe serve de hábito a forma de sacerdote, pessimamente suja, cabelos mui espessos” e desfazia seu caráter religioso: “Chegado (diz ele) do Ceará, infesta um aventureiro santarrão que se apelida por Antônio dos Mares. O que, a vista dos aparentes e mentirosos milagres que dizem ter ele feito…”. A notícia ampliou sua fama e chegou até a Bahia.

O ano de 1877 foi marcado como uma das maiores secas na história do Nordeste. Era grande o número de flagelados perambulando pelas estradas É nesta situação de desespero que sua figura de “santo” e “milagreiro” se agiganta, pois acolhia a todos, sabia conversar, dar-lhes conselhos e a promessa de um mundo melhor, mais justo e, sobretudo, cristão. Em pouco tempo, passou a ser chamado de “Bom Jesus” e “Antônio Conselheiro”, um profeta enviado por Deus. Em 1888, com o fim da escravidão, ex-escravos sem meios de subsistência e os índios com suas aldeias desfeitas, passam a vagar pelos sertões, onde vão encontrar aconchego com o “enviado” de Deus. Assim, a figura do “Conselheiro” e seu movimento vão tomando vulto. Em 1893, em Massaté, BA, seus seguidores entraram em conflito com a polícia local, pois se recusavam a pagar impostos à recém-criada República. Neste ano, decidiu se fixar nas margens do Rio Vaza-Barris, no vilarejo de Canudos. Ali os desabrigados constituíram uma comunidade, onde tinham a propriedade comum da terra, tida como um “lugar sagrado”. Em pouco tempo o local foi tomado por mais de 20 mil habitantes. Não foram apenas pequenos jornais, como “O Rabudo”, que denegriam sua imagem. A imprensa em geral dos primeiros anos da República, segundo Walnice Nogueira Galvão, em sua tese de livre-docência e publicada no livro No calor da hora: a Guerra de Canudos nos jornais, todos os jornais adotaram a versão do militares e as reportagens desconheciam a humanidade do “inimigo”. Desse modo e querendo ou não, justificavam o genocídio ocorrido em seguida.

O Arraial de Canudos passou a preocupar o poder da recente Republica e o clero que perdia fiéis. Em 24/11/1896, o Exercito enviou uma expedição militar para acabar com o “movimento”. A tropa foi surpreendida num combate corpo a corpo, onde foram mortos mais de 150 conselheiristas. O Exército achou que tinha vencido a guerra, mas venceram apenas uma batalha. Em 29/12/1896 uma segunda expedição militar foi debelada pelos fiéis. A terceira expedição, comandada pelo capitão Antônio Moreira Cesar, foi reforçada, mas o capitão foi abatido logo no início da batalha e sua tropa fugiu em disparada, deixando armamentos e munição à disposição dos beatos. O fato reforçou a convicção da santidade e do poder do seu líder. Em 5/4/1897 inicia a quarta e última expedição. Desta vez, munidos de canhões, cercaram o povoado e foram implacáveis. Até mesmo muitos dos que se renderam foram mortos. Eliminar Canudos e abater o “Conselheiro”, tornou-se uma questão de honra para o Exército. Em outubro de 1897 foram mortos os últimos defensores do povoado. No dia seguinte encontraram seu cadáver enterrado no Santuário de Canudos.

Convenhamos que o Conselheiro era um “louco” bem diferenciado, conforme pode se ver nos seus manuscritos encontrados em Canudos “Apontamentos dos Preceitos da Divina Lei de Nosso Senhor Jesus Cristo, para a Salvação dos Homens”, uma coletânea de reflexões e relatos diversos sobre como proceder na vida. Só mais tarde este documento foi transcrito e divulgado, possibilitando novas interpretações sobre o fato. Em 1986 a Fundação Casa de Rui Barbosa publicou “Canudos: subsídios para sua reavaliação histórica”, de José Augusto Vaz Sampaio Neto, citando os “Apontamentos” e reivindicando a necessidade de uma revisão na história da Guerra de Canudos. Tal revisão foi ampliada pelo prof. Pedro Lima Vasconcellos no livro “Antonio Conselheiro por ele mesmo”, publicado pela É Realizações em 2017. São dois volumes, onde o primeiro traz os “Apontamentos” na íntegra e o segundo – Arqueologia de um monumento: os apontamentos de Antonio Conselheiro – apresenta um estudo sobre o conteúdo das reflexões mostradas no primeiro volume.

Euclides da Cunha não teve acesso a este documento e escreveu uma série de reportagens n’O Estado de São Paulo assumindo o ponto-de-vista republicano, de combate ao Conselheiro. Só mais tarde, quando foi enviado à Canudos, no final do combate, é que se inteirou da situação e, conforme o historiador Jorge Caldeira, ‘convenceu-se de que tinha defendido uma posição errada”. A partir daí, ele “obriga-se a escrever um livro no qual a versão dos derrotados pudesse ser mostrada”. Cinco anos depois foi publicado “Os Sertões”, um clássico da Literatura Brasileira e pioneiro do que chamamos hoje “Jornalismo Literário”. O livro tornou-se um best-seller imediatamente e até hoje sua história tem atraído o interesse publico, dos literatos e cineastas. Atraiu, por exemplo, Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura, a visitar o local, consultar arquivos históricos e escrever “A guerra do fim do mundo”, em 1981, dando uma nova dimensão à figura de Antônio Conselheiro.

Vale lembrar que uma das primeiras revisões históricas do conflito não se deu com os estudiosos da história. Em 1976 a Escola de Samba “Em cima da hora” desfilou com o enredo “Os Sertões”, contando a história do massacre e lembrando a frase de Euclides da Cunha: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”. Hoje existem dois centros culturais referentes ao ocorrido em Canudos. Um em Quixeramobim, na casa em que o beato nasceu e outro em Canudos, o Memorial Antônio Conselheiro, criado em 2002, mantido em parceria com a UNEB-Universidade do Estado da Bahia, com a finalidade de preservar e difundir a memória da Guerra de Canudos. Segundo o historiador José Murilo de Carvalho, até hoje o Exército Brasileiro não gosta de lembrar aquele fatídico episódio

Canudos foi destruída pela segunda vez na década de 1960, com a construção a represa de Cocorobó. Na época historiadores e intelectuais reagiram revoltados, alegando que um episódio triste e polêmico da nossa história estava sendo encoberto, apagado para sempre. Mais tarde, em 2013, uma grande seca esvaziou a represa e revelou o que sobrou daquela cidade. Muito se pesquisou, escreveu e foi publicado sobre Canudos. Desde o “Libello republicano acompanhado de comentários sobre a Campanha de Canudos”, publicado em 1899 por Cezar Zama sob o pseudônimo Wosley e republicado em 1989 pelo Centro de Estudos Baianos, da UFBA, que se constitui numa denúncia explícita a carnificina ocorrida em Canudos; passando por “Canudos: cartas para o Barão”, da historiadora Consuelo Novas Sampaio, publicado em 1999; o livro “O clarim e a oração: 100 anos de Os Sertões”, de Rinaldo de Fernandes, lançado em 2002; até o excelente estudo realizado em “A guerra total de Canudos”, de Frederico Pernambucano de Mello, em 2007.

O cinema também tem se empenhado em mostrar o conflito em documentários e filmes, como “Guerra de Canudos”, realizado por Sergio Resende em 1997. Neste exato momento, o cineasta português Miguel Gomes prepara uma adaptação de “Os Sertões”, que se chamará “Selvajaria”, para lançamento em 2020. Como se vê o episódio continua aguçando o interesse na busca de uma compreensão e um entendimento do que Canudos representa para a História do Brasil. Ariano Suassuna tinha razão quando disse que “quem não conhece Canudos não conhece o Brasil”.

DEU NO JORNAL

UM PERCENTUAL MUITO ALTO

O desgaste causado pela imprensa verdevaldiana, que usou mensagens roubadas por estelionatários para atingir Sergio Moro e tirar Lula da cadeia, já está sendo revertido.

Segundo o Atlas Político, que faz pesquisas mensais sobre o assunto, a popularidade de Sergio Moro parou de cair – ela até subiu um pontinho, de 50,4% para 51,4%.

Ele continua sendo a personalidade mais popular do Brasil, seguido por Jair Bolsonaro.

Quanto a Lula, sua popularidade voltou a cair (de 35,1% para 33,2%), um dado que se reflete também no percentual de eleitores favoráveis à sua prisão (51,7% contra 37,4%).

* * *

São vários os números nesta tabela aí de cima sobre os quais fiquei refletindo.

Mas tem um número em particular que me deixou espantado.

É aquele que mede o que ainda resta da popularidade, da apreciação positiva de Lula:

33,2%.

Isso representa um terço da população brasileira.

Como tem gente idiota e cega neste nosso país.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

Vamos botar Polodoro pra rinchar em homenagem a estes descerebrados.

Rinchar e, em seguida, enfiar a sua pajaraca no olho do furico de cada um dos tabacudos que compõem este percentual de 33,2%

Rincha, Polodoro!!!

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

AS DOCES LEMBRANÇAS DA INFÂNCIA

Tenho estreitas e excelentes lembranças da infância. Da minha infância, recheada de aprendizado e de convivência que formou meu caráter – ao lado dos irmãos, primos, e parentes próximos. Não tenho nenhum motivo para me envergonhar.

Tudo que vivi, e que ainda lembro, repetiria sem qualquer sentimento de culpa ou de arrependimento. Meus avós e pais me ensinaram tudo – e, me posiciono como bom aluno na escola da vida.

Hoje, relembro, como se tudo tivesse sido um interminável período de férias – cheia de alegrias, doces brincadeiras e guloseimas das melhores qualidades, porque feitas com muito carinho.

I – Puxa-puxa

Puxa-puxa que obrigava a limpeza dos dentes com os dedos

Minha mãe era uma mestra no “fazer puxa-puxa”, porque deixava queimar no ponto exato que atingia o paladar e o cheiro. Ela, que aprendera com minha Avó, separava o leite líquido, açúcar cristal, bicarbonato de sódio e um pouco de sal.

Numa panela ou “alguidar” de barro, aquecia até queimar, 1 Kg de açúcar, acrescentando o leite, e os demais ingredientes, sem parar de mexer. Botava mais açúcar até “dar o ponto”. Tirava do fogo e deixava esfriar afim de cortar em pedaços (tipo pequenos bombons).

De tanto olhar, eu ganhava de presente, a panela. Era maravilhoso passar parte da tarde raspando a panela.

II – Quebra-queixo

Quebra queixo tinha formato e gosto de infância

O quebra queixo já garantiu e ainda garante o sustento de muita gente que, por algum motivo não conseguiu se especializar e fazer algo melhor e mais rentável.

E muitos locais das grandes cidades ainda é possível encontrar algum ambulante cortando e vendendo “quebra queixo”, doce caseiro que faz parte da culinária dos nossos antepassados.

Aprendi fazer “quebra queixo”, também com a Vovó Raimunda Buretama, que tinha o costume de afirmar que, “carregado de açúcar, até o cu da jumenta é doce”!

Ela sentava num tamborete (aquele mesmo com assento feito de couro de bode, que ela mandara fazer um buraco no meio para facilitar as “bufas”) e debaixo da bunda colocava um “raspa-côco” e raspava até deixar as quengas limpinhas. Depois pegava uma porção de açúcar (ela ainda usava o mascavo), água e duas bandas de limão.

Levava tudo ao fogo no alguidar de barro que usava também para torrar o grão do café. Açúcar, suco do limão e um pouco d´água até garantir a transformação de tudo naquela calda cheirosa. Depois era só acrescentar o coco ralado, continuar mexendo e tirar do fogo. Ela usava um tabuleiro de alumínio, ou colocava sobre uma tábua e espalhava para esfriar.

III – Alfenim

Alfenim era sempre o doce mais doce do sertão

Desses três doces, o único totalmente “orgânico” é o alfenim. É feito diretamente da cana de açúcar, ainda em estado líquido. Essa forma de fazer é mais demorada e, por isso, menos utilizada.

Há, entretanto, quem use açúcar refinado, suco de limão, água e goma (polvilho) de mandioca.

Nessa forma de fazer, em quase nada é diferente da preparação do puxa-puxa, embora haja a preocupação de não deixar açucarar. Leve ao fogo os ingredientes, depois de espalhar a goma (polvilho) sobre uma tábua ou folha de bananeira verde. Após a fervura da calda, deite sobre a goma (polvilho) e, se preferir, mexa. Mas o melhor é misturar tudo e espalhar para esfriar. Está pronto o alfenim.

Minha Avó tinha o hábito de levar ao sol (nunca entendi essa necessidade), dizendo que o doce ficava mais doce – enquanto eu achava que ficava enjoativo (eu era o “provador oficial” dessas guloseimas, pelo fato de ser criança).