A HORA DA POESIA

EU FUI ELA – Benedicta de Mello

Eu fui “ela”. Uma quadra em tua vida,
Uma palavra simples e era tanto,
Que andando à farta no teu riso e pranto,
Não se gastou jamais, de repetida…

“Ela”… dizias. “Ela”… a mais querida,
Quando me deito e quando me levanto…
E assim cresceu por mim o teu encanto,
Sem reservas, sem tréguas, sem medida…

Alguns anos depois que nos casamos,
Amando outra mulher, escreves: “ela”…
“Ela” não quer que juntos estejamos…

Aquela “ela” era eu, noutro sentido…
Numa palavra breve como aquela,
Pudeste ser sincero e ser fingido…

Colaboração de Pedro Malta

DEU NO JORNAL

OS PETRALHAS ZISQUERDÓIDES DA OAB TOMARAM NO OLHO DO FURICO

Mais de 1 mil advogados de todo o país — exatos 1.006 até aqui — assinaram um manifesto em apoio à Lava Jato e em repúdio ao Conselho Federal da OAB, que sugeriu, em nota, o afastamento de Sergio Moro e Deltan Dallagnol de seus cargos — veja aqui.

Representantes de diversas associações e advogados independentes “expressam completo apoio à Operação Lava Jato e seus atores, reconhecendo os grandes serviços prestados ao país por todos os magistrados, procuradores e policiais”.

* * *

O Brasil cidadão e decente está totalmente ao lado da Lava Jato.

E apoia Sérgio Moro e Deltan Dellangnol.

Só os bandidos e os apoiadores de bandidos é que são contra o combate ao crime.

Claro, óbvio.

Quem quiser ler o manifesto dos advogados, clique aqui.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ROQUE NUNES – CAMPO GRANDE-MS

ALEGRIA

Prudêncio Alegria, ou melhor, simplesmente Alegria, era o tipo de pessoa que se pode chamar de “chave mestra”. Não havia porta que a sua presença não abria. Desde mansão de quarenta quartos até barraco que mais parecia biboca de bosquímano. Sempre com um sorriso no rosto, uma fala mansa, uma palavra certa para o momento certo, Alegria era a encarnação do que hoje, os Zés bundinhas da cidade grande chamam de “Relações Públicas”. Fico até imaginando o que seria um “relações privadas” desse povo que nunca bebeu água em canudo de taboca.

Aliás, quem me contou a história de Alegria foi o escrevinhador deste conto. Eu só estou repetindo como “escuitei” dele. Então, se algo estiver diferente reclamem com ele e não comigo. Eu, a bem da verdade, nem sei escrever “dereito”. Mas, o que fiquei sabendo era que Alegria era o cabo eleitoral perfeito, em época de eleição. Candidato que contasse com o apoio de alegria estava eleito, e o adversário desistia antes mesmo de se iniciar a votação.

Alegria era um desses seres viventes, sem eira e nem beira. Nunca aceitou um cargo público. Deus me livre – dizia ele – essa história de cargo público era entregar a alma a belzebu e se ver amarrado, para sempre. Não possuía nada de seu. Vivia na casa de um, ou de outro, encostado, como se dizia antigamente. Mas, por incrível que pareça nunca deixou de pagar suas dívidas, nunca pediu favor, nunca esmolou. Aliás, dívida nunca tinha e ninguém nunca cobrava nada dele. Bem relacionado, com quase todo mundo lhe devendo favores, da casa do governador, ao casebre do carroceiro Alegria sempre tinha roupa lavada e passada, cama para deitar, comida, bebida e o bolso forro, além do cigarrinho de palha que vivia debruçado na varanda de seu beiço.

Chegou a eleição e o Coronel Bitônio Monteiro, eleito governador, muito contente pelo fato de ter Alegria ao seu lado, recebeu votos de cidade que nem sabia que existiam no seu Estado. Nessa eleição era Alegria que chegava primeiro, montava o palanque e era quem apresentava o candidato à população. Se o coroné Bitonho é candidato do Alegria, eu voto nele, diziam os mais velhos, com um sorriso que vinha expor todos os seus gastos dentes em anos de labuta e sofrimento. O outro lado, quando soube que o Coronel Bitônio tinha como cabo eleitoral, o Alegria, desistiu do pleito, de modo que foi corrida de um cavalo só.

Candidato eleito, diplomado e empossado, o Coronel Bitônio convidou Alegria para morar no Palácio Governamental. Casarão em estilo vitoriano, com mais quartos que o puteiro de Maria Bago Mole no interior do Estado. Alegria se instalou em uma bela suíte, tomava café da manhã, almoçava e jantava na companhia do governador e sua família. Aliás, qualquer refeição não começava sem a presença de Alegria. Até certo dia, quando o governador soube que Alegria vinha falando mal do seu governo. Chamou-o em um ajantarado de domingo.

-Alegria, responda-me: quem lhe dá casa, comida, roupa lavada e mordomias?

– O sinhô, ora!

– Então, Alegria, eu ouvi dizer que você vive falando mal do meu governo, é verdade?

– Sim sinhô!

– E, por quê?

– Ora coroné… não importa que tipo de governo existe… eu sou do parecê que, tendo um governo, ele tem que ser derrubado, de qualquer jeito, por causa das safadezas feitas.

E saiu da sala, deixando o Coronel Bitônio com a xícara de café suspensa no ar.

CHARGE DO SPONHOLZ

A PALAVRA DO EDITOR

É POR ISSO!

* * *

Agora eu descobri!

É por isso que a turma da grande mídia me odeia tanto!

Isto é um galardão muito honroso.

Fiquei ancho que só a porra!!!

E quando estes tabacudos tomarem conhecimento de que acabou de sair a sexta edição d’A Prisão de São Benedito, aí é que vão ficar completamente emputiferados.

Pois é isso mesmo:

A Editora Bagaço acabou de botar na praça a última edição do meu livreto de crônicas, a sexta edição, que vende que só a porra.

Ô povo pra gostar de safadeza e de besteira!

Arnaldo, meu querido amigo e conterrâneo, fundador e diretor da Bagaço, a maior editora do Norte e Nordeste, fica arretado quando eu digo que ele tá enriquecendo às custas das minhas obras.

Fique puto não, Arnaldo, você mora num lugar bem especial da minha estima e do meu coração.

Estamos enriquecendo juntos: ficando ricos de tanta alegria e satisfação que temos com o nosso público leitor.

ATENÇÃO:

Os primeiros seis leitores fubânicos que se manifestarem, irão receber graciosamente um exemplar d’A Prisão de São Benedito.

A despesas com a postagem pelos correios eu vou tirar do salário de Chupicleide.

Uma recomendação aos candidatos a receber o livro: não coloquem o endereço postal aqui na postagem, na área de comentários.

Mandem o endereço direto pro meu e-mail: bertofilho@terra.com.br

Aproveito a oportunidade pra me amostrar mais um pouquinho e dar outra boa notícia:

Ontem acabei de revisar e devolver à Editora Bagaço a boneca da quarta edição de O Romance da Besta Fubana.

Isso mesmo: quarta edição!

O Romance da Besta Fubana é outro título que me dá muita alegria pela boa vendagem junto ao público leitor.

Assim que a nova edição estiver na praça, também vou distribuir alguns exemplares de brinde pros nossos leitores.

Aguardem!

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

SEIS MESTRES DO IMPROVISO E UMA GRANDE CANTORIA

Diniz Vitorino

Qualquer dia do ano se eu puder
para o céu eu farei uma jornada
como a lua já está desvirginada
até posso tomá-la por mulher;
e se acaso São Jorge não quiser
eu tomo-lhe o cavalo que ele tem
e se a lua quiser me amar também
dou-lhe um beijo nas tranças do cabelo
deixo o santo com dor de cotovelo
sem cavalo, sem lua e sem ninguém.

* * *

Expedito de Mocinha

Eu nasci e me criei
Aqui nesse pé de serra
Sou filho nato da terra
Daqui nunca me ausentei
Estudei não me formei
Porque meu pai não podia
Jesus filho de Maria
De mim se compadeceu
E como presente me deu
Um crânio com poesia.

* * *

Firmo Batista

Um dia eu estava olhando
a serra Jabitacá
conheci que nela está
a natureza sonhando
o vento passa embalando
o corpo robusto dela
a nuvem cobrindo ela
pingos de orvalho descendo
e o Paraíba dizendo
a minha mãe é aquela.

* * *

Zé Limeira

Eu briguei com um cabra macho
Mas não sei o que se deu:
Eu entrei por dentro dele,
Ele entrou por dentro deu,
E num zuadão daquele
Não sei se eu era ele
Nem sei se ele era eu.

* * *

Marcos Passos

Aos primeiros sinais da invernada,
Logo após longo tempo de estiagem,
Lá da serra, do vale e da barragem
Escutamos os sons da trovoada.
Vislumbrando a campina esverdeada,
Sertanejo se anima igual criança.
Logo mais, quando o mato se balança
E um corisco atravessa o céu nublado,
Cai a chuva no colo do roçado,
Germinando o pendão da esperança.

* * *

Jó Patriota

Na madrugada esquisita
O pescador se aproveita
Vendo a praia como se enfeita
Vendo o mar como se agita
Hora calmo, hora se irrita
Como panteras ou pumas
Depois se desfaz em brumas
Por sobre as duras quebranças
Frágeis, fragílimas danças
De leves flocos de espumas.

* * *

A ARTE DA CANTORIA

Dois ícones da poesia nordestina, os cantadores Otacílio Batista e Oliveira de Panelas improvisam em vários estilos.

Sextilhas, Gemedeira, Mourão-de-sete-pés (trocado), Mourão-de-você-cai, Oito-pés-a-quadrão, Dez-pés-a-quadrão, Martelo-alagoano e Galope-à-beira-mar.

CHARGE DO SPONHOLZ

JOSÉ NÊUMANNE - DIRETO AO ASSUNTO

A PALAVRA DO EDITOR

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