JOSÉ NÊUMANNE - DIRETO AO ASSUNTO

A HORA DA POESIA

TESTAMENTO – Manuel Bandeira

O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros — perdi-os…
Tive amores — esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.

Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.

Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!… Não foi de jeito…
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.

Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde…
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!

Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!

Colaboração de Pedro Malta

PERCIVAL PUGGINA

O CENTRÃO E A MÍDIA, ANTES E DEPOIS

Acompanho o Centrão desde o processo constituinte, no qual cometeu o pecado mortal, por ordem de Sarney e Saulo Ramos, de barrar o parlamentarismo. Reconheço porém que sem ele, confiada a tarefa à esquerda, teríamos um produto final ainda pior. Sim, sim, a esquerda de então era tão desmiolada quanto a atual. Lula, como constituinte por São Paulo, em discurso do dia 22 de setembro de 1988, falando pela bancada, anunciou que o partido votaria contra a nova Constituição por não ver atendidas as principais reivindicações do PT. Bem opostos eram os motivos que causavam simétrica apreensão e justificado desgosto ao constituinte Roberto Campos (aprendamos dele e que Deus o tenha).

Desde então, o Centrão tem participado de todos os governos. Seja quem for o presidente da República, os partidos do conciliábulo da governabilidade o apoiarão com o entusiasmo e o empenho que os favores do governo possam comprar. A regra de ouro, que poderíamos chamar princípio da comutatividade, foi enunciada por Robertão (ex-deputado Roberto Cardoso Alves): “É dando que se recebe”. Estranhamente, um princípio que o povo conhece e recita de cor, tão aplicado à vida de nossas instituições, com crédito, portanto, para integrar os princípios constitucionais do Estado brasileiro, não aparece nem de soslaio na Carta de 1988. Talvez por embaraço, mas também disso ela foi feita.

Assim viveram, o Centrão e seus protagonistas, durante três décadas, gerando carreiras políticas longevas e famílias que se tornaram casas reais em seus estados, tal o acúmulo de recursos e poder político. A imprensa observou atentamente o fenômeno e o reprovou, legislatura após legislatura. O Centrão, suas práticas, seu realismo cínico e o envolvimento de muitos de seus membros em casos de corrupção foram sendo identificados e apontados. Afinal, com pequenas variações, um mesmo grupo de partidos governou com Sarney, Itamar, Fernando Henrique, Lula, Dilma e Temer.

Em 2018, no primeiro turno das eleições presidenciais, oito de seus partidos apoiaram Geraldo Alckmin. Essas legendas reuniam mais da metade dos deputados federais na legislatura que findava. Alckmin, porém, ficou com apenas 4% dos votos, o que mostra a revoada do Centrão para ninhos não tucanos.

A sociedade aproveitou as urnas para uma vigorosa lição, substituindo quase a metade das cadeiras (47%) da Câmara dos Deputados e 85% do Senado. Renascia a esperança de termos, enfim, um parlamento mais preocupado com o bem do país do que com as próximas eleições. Aos três meses da posse, porém, o Centrão já estava reconstituído, com tabela de preço na porta.

As perguntas que faço, não sem tristeza e constrangimento, são as seguintes:

• E daí? Melhorou? O perfil desse Congresso é superior ao anterior? Bolsonaro desconheceu o princípio da comutatividade, não trocou cargo por voto, reduziu o almoxarifado das benesses e, em contrapartida, não encontra “convicção” suficiente para aprovar suas propostas.

• Quando haveremos de aprender a dar valor às regras do jogo político e pressionar por uma reforma institucional, reconhecendo que as regras vigentes são determinantes das condutas e perfis dos eleitos?

• Que jornalistas são esses que após décadas de críticas ao princípio da comutatividade e seus custos, agora, por odiarem Bolsonaro mais do que ao Centrão, tecem loas a esse grupo e o exaltam como referência de legitimidade e essência da governabilidade, enquanto incitam os cidadãos a ficarem em casa cuidando das próprias vidas?

Parcela significativa da sociedade, mesmo não entendendo o quanto são viciosas as regras do jogo político, observando a conduta das instituições percebeu haver medidas que iriam ser adotadas e não o foram porque ela se mobilizou; e haver outras que só foram adotadas porque ela se mobilizou. Isso, só isso, não resolve nosso problema, mas é só o que a sociedade pode fazer no curtíssimo prazo.

DEU NO TWITTER

UM HOMEM HONESTO

* * *

Concordo com Fernando Tabacudo Haddad, o degradado e ridículo Poste do prisioneiro Lula.

O sociólogo pernambucano Chico de Oliveira, que encantou-se em São Paulo hoje, 10 de julho, era um homem de respeito.

Chico foi um dos fundadores do PT na década de 70.

E, exatamente por ser um homem de respeito e honesto, abandonou a organização criminosa que ajudou a fundar.

DEU NO JORNAL

O VERBO É “CONFIAR”

O prestígio dos militares continua em alta.

Segundo o Datafolha, 42% dos entrevistados responderam que confiam muito neles, 38% que confiam um pouco e 19% que não confiam.

* * *

Atentem bem para o verbo: Confiar.

Somando os que confiam muito e os que confiam um pouco, dá um total de 80%.

Se são números do Data Folha, aquele instituto da ridícula e inconfiável Folha de S. Paulo, então…

Tirem vocês suas conclusões.

Este Editor, 3º Sargento da reserva do Exército, agradece de coração a confiança de 99% do povo brasileiro.

Quanto ao 1% restante, que vá tomar no meio do olho do furico!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

AUGUSTO BERTO – BRASÍLIA-DF

Vôzinho:

Minha memória não é das melhores, mas uma das lembranças mais marcantes da minha infância era aquele estandarte do Bloco da Besta Fubana que ficava no seu apartamento em Casa Forte, aí no Recife.

Eu e Pedro achávamos aquilo o máximo!

O vovô tem um bloco de Carnaval!!“.

Era só mais uma das coisas que admirávamos em você.

Anos depois, imitando nosso avô, realizamos o sonho de ter nosso próprio estandarte!

Continuando a saga de farra e a fuleiragem que herdamos do nosso avô!

Sábado, dia 6, ocorreu o Samba Urgente, movimento de música na rua que eu e Pedro ajudamos a criar.

São mais de 6 mil pessoas no Setor Comercial Sul em Brasília, sambando até 6h da manhã.

E tudo isso tem o seu DNA junto!

R. Meu querido, amado e adorado Augusto:

Você me deixou ancho que só a porra quando disse que o espírito musical, festeiro e adorador da vida herdado por você e seu irmão Pedro Berto, meus dois amados netos, tem o DNA deste avô babão e coruja.

Adorei esta frase que você escreveu:

Continuando a saga de farra e a fuleiragem que herdamos do nosso avô!

O estandarte do Bloco da Besta Fubana continua impávido aqui em casa, uma colorida lembrança dos dias de carnaval, quando a troça que eu fundei arrastava o povão na Praça da Casa Forte, saindo do Bar Largura.

O Bar Largura, um ponto marcante da vida boemia e cachacística do Recife, um marco no roteiro da nossa capital, continua lá no mesmo canto, sob o comando do meu amigo Wilson, uma figura satírica que entrou para o folclore da nossa carnavalesca cidade.

Continuem, você e Pedro, fazendo sucesso com  este magnífico projeto do Samba Urgente, levando alegria e muita vida pra esta fantástica multidão que comparece ao evento!!!

É um privilégio ter dois netos músicos, um chorão no cavaquinho e outro cantor e percursionista, sendo os dois apaixonados pela boa música brasileira.

Fora o fato de que são ambos formados, excelentes profissionais, bem encaminhados na vida e com futuro garantido.

Um beijão pra vocês dois e outro beijão pra mamãe Patrícia, esta filha adorada, também festeira, sambista e farrista.

De fato, tá no DNA da família! ! !

CHARGE DO SPONHOLZ

DEU NO JORNAL

NUNQUINHA

O Antagonista apurou que até o momento nenhum dos citados nos tuítes do suposto hacker “Pavão Misterioso” procurou a Polícia Federal.

Seria natural que deputados e jornalistas citados cobrassem das autoridades a abertura de uma investigação sobre o caso.

* * *

Como bem diz Ceguinho Teimoso, cada um tem o Antagonista que merece.

Nós da banda decente merecemos: esta página só tem cacetada em cima de canalhas.

Mas sabem quando é que os citados vão procurar a Polícia Federal?

Nunca.

Nunquinha!!!

CHARGE DO SPONHOLZ

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA