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O BAITOLA ELOGIANDO A LAVA-JATO

CHARGE DO SPONHOLZ

A PALAVRA DO EDITOR

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HERANÇA PETÊLHA

CHARGE DO SPONHOLZ

PERCIVAL PUGGINA

O GRITO DOS MAUS E O SILÊNCIO DOS BONS

Atribui-se a Martin Luther King o mérito de haver resumido o sentimento de tantos ao afirmar que o silêncio dos bons o preocupava mais do que o grito dos maus. Não obstante, criei-me ouvindo que o bem não faz alarde e isso me parecia, de fato, adequado à bondade, à virtude, à caridade.

Foi muito a contragosto, então, que, enquanto as décadas se sucediam, fui vendo o mal, travestido de bem e fazendo toda a gritaria possível, ampliar seus espaços, avançar e tomar posições indicativas de consistente hegemonia. Há 34 anos, quando comecei a escrever e a gritar contra isso, éramos poucos, dispersos e mal vistos.

O grito dos maus fez o Brasil afundar em complexo de inferioridade. Ensinaram-se alunos a desprezar nossa história e raízes e a afirmar que nossos males correspondem a culpas alheias. Ao mesmo tempo, foram sendo destruídos os valores morais, incentivado um conceito libertino de liberdade e promovida uma decadência estética. Bandidos foram mitificados, os crimes tolerados e a criminalidade expandida. Agigantou-se o Estado e o valor do indivíduo foi reduzido a dimensões liliputianas. Propagou-se tanta mentira e pós-verdade que os fatos ficaram irreconhecíveis. Tudo gritado e difundido como essência do Bem.

O silêncio dos bons aplainava a estrada e fornecia água ao longo do caminho para a gritaria dos maus que avançavam. Não me diga o leitor destas linhas que pode ser o contrário. Não me diga que o bem para uns pode ser o mal para outros e vice-versa, pois tal é o relativismo moral, árvore má bem conhecida por seus péssimos frutos. Para vê-los basta abrir a janela.

Foram as redes sociais que deram potência sonora à voz dos bons. É verdade que elas democratizaram o direito de dizer besteira, de mentir e de promover o mal, que sempre foi privilégio de alguns grandes veículos de comunicação. Mas democratizaram, também, a busca e difusão da verdade, da sabedoria, dos valores. Lembro-me que inúmeras vezes ouvi de cientistas políticos advertências no sentido de que, nas redes sociais, “falávamos para nós mesmos” porque elas agregavam as pessoas por afinidades. Não deveríamos, portanto, nos deixar iludir em meio às concordâncias que colhíamos àquilo que escrevíamos ou falávamos. Bendita agregação por afinidade! Foi dela que, mesmo no ambiente caótico e babélico das redes sociais, a voz dos bons começou a mudar o Brasil.

Resumindo: as redes sociais agregam por afinidade; agregam bons e agregam maus. Sendo aqueles muito mais numerosos do que estes, as redes se revelaram preciosas à democracia, tanto por reduzirem a influência de certos veículos e formadores de opinião quanto por, dando voz à maioria, estarem alterando peças no tabuleiro da política. Martin Luther King, se vivo fosse, estaria muito satisfeito.

A PALAVRA DO EDITOR

PRA COMEÇAR A SEMANA

A seguir, meia-dúzia de notas publicadas hoje.

Transcrevo para vocês do jeito que foram postadas n’O Antagonista.

Pra começar bem a nossa semana.

* * *

1) “Uma pesquisa do Datafolha divulgada nesta segunda-feira aponta um salto de 11 pontos da aprovação do presidente Jair Bolsonaro na parcela mais rica da população brasileira”, diz O Globo.

“De acordo com o levantamento, o percentual dos que avaliam a gestão como ótima ou boa é de 52% na faixa dos que ganham acima de dez salários mínimos. No levantamento anterior, em abril, este percentual era de 41%.”

É o efeito Verdevaldo, que uniu a parcela mais instruída do eleitorado, composta por aqueles que rejeitam a soltura de Lula e o retorno ao poder da ORCRIM.

* * *

2) A PF está trabalhando em silêncio para capturar os criminosos que invadiram os telefones celulares dos procuradores da Lava Jato.

Só a prisão do hacker poderá desarticular o golpe da ORCRIM.

* * *

3) Nelson Jobim, defensor de Lula e sócio de André Esteves, disse para o UOL:

“Como você prova a parcialidade? Se fica demonstrado claramente de que na base de tudo isso tiveram contatos e relações do juiz julgador com o agente acusador, discutindo estratégias de condução do processo, evidentemente que é parcialidade (…).

Examinando isto que aparece nessas notícias do Intercept, que ao que tudo indica são corretas e verdadeiras, ele teve uma conduta não adequada para um juiz de direito. Em hipótese alguma, poderia um juiz de direito ter contatos com o Ministério Público ou mesmo com a defesa para orientar procedimentos. Isso não é nada bom.”

O arquivo de O Antagonista está abarrotado de posts sobre Nelson Jobim.

Só para citar alguns:

Em 2015, ele orquestrou o fatiamento da Lava Jato.

Em seguida, ele atacou Sergio Moro e a Lava Jato.

Em 2017, Nelson Jobim argumentou que Lula preso era um cabo eleitoral imbatível, ao mesmo tempo em que articulava o indulto do presidiário no STF.

Não, isso não é nada bom.

* * *

4) Os defensores dos réus e presidiários da Lava Jato combinaram publicar artigos entre um vazamento e outro de Glenn Greenwald, a fim de desgastar Sergio Moro.

A estratégia é simples.

Neste domingo, por exemplo, o Estadão publicou um texto contra a Lava Jato escrito pelo advogado Geraldo Prado, que mereceu o elogio entusiasmado de Glenn Greenwald, em sua página no Twitter.

O jornal omitiu, porém, que Geraldo Prado é autor de pareceres para a defesa de Lula, e que assinou uma ADC protocolada pelo PCdoB no STF, para impedir a prisão em segundo grau.

* * *

5) Jair Bolsonaro consolidou seu eleitorado.

Entre os que votaram nele no segundo turno, a taxa de bom e ótimo subiu de 54% para 60%, de acordo com o Datafolha.

É o efeito Verdevaldo, que atrelou a Lava Jato ao presidente e aglutinou mais uma vez o eleitorado anti-Lula, que havia se dispersado depois da disputa eleitoral.

* * *

6) A estratégia de Glenn Greenwald de vazar a conta-gotas as mensagens roubadas à Lava Jato acabou formando um cartel dos articulistas da ORCRIM.

Diz a Folha de S. Paulo:

“Advogados criminalistas traçaram estratégia para, mesmo nos intervalos entre as publicações de reportagens com novas mensagens da Lava Jato, manter o tema em alta. Eles se dividiram para publicar artigos em série em veículos de comunicação.”

E quais são os veículos dispostos a publicar esses artigos?

AUGUSTO NUNES

TROCANDO AS BOLAS

Humberto Costa acusa Sergio Moro de querer a mesma coisa que seu partido sempre quis

“É inconcebível que Sergio Moro, hoje acusado de ter cometido crimes bárbaros, esteja decidido a perseguir a imprensa livre do Brasil. Eles estão inaugurando um período sombrio que remete à ditadura. É um crime e um abuso”.

Humberto Costa, senador do PT de Pernambuco, ao comentar a investigação da PF sobre as pilantragens de Glenn Greenwald, acusando Sergio Moro de fazer a perseguição à imprensa com que o PT sempre sonho.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ANDERSON BRAGA HORTA - SONETO ANTIGO

ALADAS ILUSÕES

Meu colibri, meu beija-flor dolente,
doido corcel das minhas ilusões!
Traze-me ao coração, no bico ardente,
mil rosas, mil perfumes, mil canções!

Inventa, após, uma carícia quente,
com todo o ardor das imortais paixões,
e vem trazer-ma, em soluçar plangente,
do borbulhar de luz das amplidões!

Pede depois à lua branca e bela
que vá dizer do meu amor àquela
que há de viver eternamente em mim.

Volta afinal, meu sonhador alado…
e vem contar, com teu falar magoado,
por quem suspira aquele peito, enfim!