DEU NO JORNAL

JOSÉ NÊUMANNE - DIRETO AO ASSUNTO

DEU NO JORNAL

A OMISSÃO DA FOLHA

Em 5 de agosto de 2017, Sergio Moro escreveu a Deltan Dallagnol:

“Talvez seja o caso de tornar pública a delação da Odebrecht sobre propinas na Venezuela. Isso está aqui ou na PGR?”

Qual era o contexto da mensagem?

Isso a Folha de S. Paulo – a fim de escandalizar o fato – preferiu omitir, claro.

Naquele mesmo sábado, 5 de agosto de 2017, a procuradora-geral venezuelana, Luisa Ortega Díaz, foi destituída pela ditadura de Nicolás Maduro, justamente por tentar investigar as propinas da Odebrecht na Venezuela.

O caso foi encerrado pela brutalidade do regime, que obstruiu a lei.

A Folha de S. Paulo, que publica alegremente documentos roubados, agora ataca Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato por terem estudado medidas legais – repetindo: LEGAIS – para revelar documentos verdadeiros – repetindo: VERDADEIROS – que incriminavam uma ditadura corrupta que perseguia o Judiciário.

Parabéns.

* * *

Quer ver tempo perdido?

É tentar explicar isto prum esquerdista.

Ou tentar mostrar prum cego.

A HORA DA POESIA

EU – Florbela Espanca

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,e desta sorte
Sou a crucificada … a dolorida …

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!…

Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

Colaboração de Pedro Malta

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO TWITTER

VAI SER UM DOMINGO COLORIDO. AGUARDEMOS O PAVÃO

A PALAVRA DO EDITOR

NO OLHO DO TOBA

O Pavão Misterioso desmascarou o xibungo dos Zistados Zunidos.

E deixou o fresco a descoberto, sem mistério algum.

Um xibungo safado que vive dando o rabo e mentindo aqui no Brasil, ao invés de ir caçar rola lá no país dele.

O Pavão botou o canalha lulo-zisquerdista pra correr!

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

PATRIMÔNIO CULTURAL DO BRASIL

São Luís, capital do Estado do Maranhão é um dos melhores lugares para alguém viver. Alguém que não exija tanto de si mesmo e de seus pares.

Rios perenes, clima com variação aceitável – mas que, infelizmente, vem sofrendo com péssimas administrações desde muito tempo.

Os moradores convivem com a extrema pobreza e a única coisa abundante é a “falta de tudo”. Necessidades básicas, falta tudo. Fornecimento d´água é caótico, esgoto sanitário não existe, saúde nem pensar, transporte urbano caótico, ordenações do trânsito, uma verdadeira merda.

Mas, se por um lado falta tudo, a cultura popular é algo abundando e que, como o circo, faz o povo esquecer as necessidades básicas de uma boa saúde pública e de educação beirando o zero.

São fortes três itens da cultura popular: Tambor de crioula, Cacuriá e Bumba-boi. Esse último é tão fortemente envolvente que, alguém que jamais escutou uma “toada” de qualquer sotaque do bumba-boi do Maranhão, sairá dançando e cantando como se vivesse na cidade há anos.

Entre as toadas que viraram sucessos, destaque para “Se não existisse o sol”, cantada pelo “cantador” Chagas da Maioba, que chega a ser apresentada até por sotaques diferentes e “adversários”

Vejamos:

Se não existisse o sol

Chagas – o “cantador” da Maioba

Se não existisse o Sol
Como seria pra Terra se aquecer
E se não existisse o mar
Como seria pra natureza sobreviver

Se não existisse o luar
O homem viveria na escuridão
Mas como existe tudo isso meu povo
Eu vou guarnecer meu batalhão de novo

OBSERVAÇÃO: Atualmente Chagas não faz mais parte do Bumba-boi da Maioba, e mostra sua competência e categoria por outro “sotaque” da Ilha.

* * * 

BARRIGA DE CHORO

Mãe mandando filho “engolir o choro”

Na mais recente oportunidade que estive em Pindaré-Mirim, logo ao término da Piracema, fui comprar uns peixinhos (e só comprei peixinho mesmo, pois o grandes não estavam liberados ainda, haja vista que, eles que desovam) para comer. Comprei piaus, anojados, lírios, mandis, tapiacas.

Comprei passagem para voltar na tarde do dia seguinte. Na noite anterior choveu muito. Choveu tanto, que vi cachorro bebendo água em pé, e tendo dificuldade para nadar em algumas ruas alagadas. Com certeza, a chuva era tão forte que, dez pingos encheriam uma garrafa d´água.

Calçado com essas sandálias das propagandas, tive que tira-las dos pés, para não perdê-las na correnteza que se formava no trajeto de uns 30 metros do bar onde enxugava umas louras, até o carro do cunhado.

Foi naquele momento que viajei, e me vi na infância. Tempos bons. Quando começava a chover – coisa rara na minha Fortaleza dos anos 50/60 – a gente colocava o calção e procurava o primeiro “jacaré”, que em São Luís é chamado de “biqueira”. E tome banho e tome banho.

Quando estava de bom humor, a mãe até levava sabonete e toalha. Quando isso não acontecia, ela bradava:

– Chega! Tá bom! Tá na hora de parar! Tá querendo ficar branco, é?

E eu e os outros irmãos, todos “tremilicando” de frio, com os beiços roxos de tanto banhar, nem nos atrevíamos a reclamar.

– E fique aí mesmo! Não me venha molhar o chão da casa! Não quero mais escutar um pio!

Arre égua! Como era bom aquele tempo. Até mesmo quando a gente apanhava, e era obrigado a escutar:

– Engole o choro! Eu engoli tanto choro, que hoje minha barriga é grande.

DEU NO JORNAL

GEORGE MASCENA - SÓ SEI QUE FOI ASSIM

OS SANTOS QUE BOTARAM LAMPIÃO PRA CORRER

Antes de iniciar esta história, gostaria de lembrar que este texto não tem nenhum fundamento científico por ter sido baseado em várias fontes da internet, muitas destas não foram checadas a sua veracidade, mas a verdade é que ocorreu mais ou menos assim.

Em 13 de junho de 1927, Lampião e seu bando invadiram a cidade de Mossoró, Virgulino foi contra seu próprio ensinamento que dizia que “cidade com mais de duas torres de igreja não é lugar para cangaceiros”, Mossoró tinha quatro. No inicio de 1927 o grupo de Lampião sofreu uma grande baixa, Antonio Ferreira, irmão de Lampião, morto acidentalmente em Tacaratu pelo cangaceiro Luiz Pedro. Os cangaceiros, liderados por Jararaca, fizeram alguns saques a cidades do estado de Pernambuco, depois o bando decidiu mudar de estado. No dia 15 de maio o grupo ataca Uiraúna, na Paraíba, com 35 cabras, mas foram rechaçados pelos 15 homens da policia local, e seguiram rumo ao Rio Grande do Norte. Em Luiz Gomes se incorporou ao bando o cangaceiro Massilon Leite, e seguiram rumo a Mossoró, cidade próspera, com Banco do Brasil e um povo pacato, segundo Massilon, que era o guia do bando no estado potiguar. Atacaram várias cidades e fazendas por onde passaram. Na Fazenda Nova não pouparam nem o Coronel Joaquim Moreira, padrinho de Massilon, que foi sequestrado. Em Aroeira, hoje Paraná, a Senhora Maria José foi levada como refém.

1. Lampião e Antonio Ferreira, 2. Nenen e Luiz Pedro 3. Casa que morava Massilon em Luiz Gomes (RN)

Lampião sabia do risco de invadir uma cidade do porte de Mossoró, mas incentivado por Massilon, que havia invadido Apodi com apenas seis homens, seguiu o programado. Nesse deslocamento o bando desviava das cidades e estradas mais movimentadas, para poupar homens e munição. Já em 10 de junho atacaram a Vila Vitória, só escaparam as casas que tinham fotos de Padre Cícero. Esse ataque a Vila Vitória fez a polícia potiguar se preparar para uma resposta, e em Marcelino Vieira teve um combate com uma morte de cada lado, o cangaceiro Azulão e o soldado José Monteiro, este último é considerado herói no lugar. “Quando acabou a munição os outros foram embora, mas ele disse ‘eu morro, mas não corro!’ e morreu lutando.”, contou Seu Pedro, morador local, ao G1. Já no dia 12, atacaram Umarizal e chegaram ao povoado São Sebastião, hoje Governador Dix-Sept-Rosado (os moradores locais falam “Dissé Rosado”) onde saquearam o comércio, queimaram um vagão do trem, e ao deixarem o local cortaram os fios do telégrafo, mas era tarde, nos fios já haviam seguido as mensagens do ataque para a estação de Mossoró. Quando a noticia chegou a Mossoró, o mensageiro correu até uma casa onde estava ocorrendo uma comemoração pela vitória do Humaitá, time de futebol local. A princípio acharam que era boato plantado pelos torcedores do Ipiranga, time derrotado, para acabar com a festa, mas mesmo assim findaram a farra e começaram os preparativos.

1. Massilon 2. Homenagem ao soldado José Monteiro em Marcelino Vieira 3. Equipe do Ipiranga de Mossoró

Em 13 de junho, após varias tentativas de se evitar o combate por parte do Capitão Virgulino, ele mandou este ultimato rabiscado de próprio punho: “Coronel Rodolfo. Estando eu até aqui pretendo dinheiro. Já foi um aviso aí para os senhores. Se por acaso resolver me mandar, será a importância que aqui nos pede, eu evito a entrada aí. Porém, não vindo essa importância, eu entrarei até aí, pensa que a Deus querer eu entro e vai haver muito estrago por isto, se vir o doutor. Eu não entro aí, mas me resposte logo. Capitão Lampião.” O prefeito atendeu um pedido do cangaceiro, foi ligeiro na resposta, mas quanto ao dinheiro foi inflexível: “Virgulino Lampião: Recebi o seu bilhete e respondo que não tenho a importância que pede; o comércio também não tem. O banco está fechado, pois os seus funcionários se retiraram daqui. Estamos dispostos a suportar tudo que o senhor quiser fazer contra nós. A cidade confia na defesa que organizou. Rodolfo Fernandes, prefeito.” Foi escolhido o Tenente Laurentino para preparar toda a logística. Em vagões de passageiros e de cargas, as mulheres, crianças e idosos foram despachados para Areia Branca, cidade portuária vizinha. Na cidade, montaram 23 trincheiras, as torres das igrejas eram as principais, o prefeito recusou reforço na defesa da sua residência. Os mossoroenses se espalharam com armas pelas trincheiras e quando os cangaceiros cruzaram a ponte da linha férrea, começou a chuva de balas, que duraria por cerca de quarenta minutos, ao final os bandoleiros bateram em fuga, o cangaceiro Jararaca, que havia bebido demais no dia anterior, não conseguiu fugir, foi preso e enterrado vivo.

1 e 2. Mossosoenses preparados nas trincheiras; 3. Jornal com noticia da época; 4. Memorial da Resitencia de Mossoró

A cidade de Mossóró cultua esses guerreiros como os heróis da resistência, e na antiga estação de trem ergue-se o Memorial da Resistencia de Mossoró, que conta toda a história desta batalha de pessoas comuns que se juntaram para enfrentar bandidos perversos treinados para fazer o mal. Durante a fuga no sentido do Ceará, Lampião ainda comentou com os comparsas justificando a derrota: “da torre da igreja, até os santos atiravam na gente.”