DEU NO JORNAL

A PALAVRA DO EDITOR

É VOTO QUE SÓ A PORRA

Aí embaixo tem uma postagem que vi no Twitter.

Uma postagem sobre as manifestações de ontem, domingo, na cidade de Florianópolis.

Aliás, não custa nada ressaltar que não foram manifestações CONTRA.

Foram manifestações A FAVOR em todo o Brasil. 

Pois bem. Esta postagem contém um número que me deixou perplexo.

Ela fala num percentual de 76% de votos no estado catarinense

Achei alto. Altíssimo.

E pergunto ao nosso estimado confrade Ceguinho Teimoso, especialista em pesquisar estatísticas e números internéticos:

Este número é verdadeiro?

É isso mesmo, Ceguinho?

Agradeço antecipadamente a vossa atenção.

* * *

CHARGE DO SPONHOLZ

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

SOU MULHER E SOU BENDITA

Eu bem sei que tudo passa
Na vida que a gente tem
Por isso é que vivo a vida
Decidida e sem porém,
Pois triste de quem nasceu
Viveu e nem percebeu
O prazer de ir além.

Montei no lombo da vida
E na sela eu me aprumei
As rédeas em minhas mãos
Com firmeza segurei
Aticei meu alazão
Tirei poeira do chão
A porteira escancarei.

Assim eu ganhei o mundo
Na estrada não me perdi
Provei dos sabores da vida
Chorei pouco e mais sorri
Dei aval ao coração
Pra cada contravenção
Das emoções que senti.

Em noite de lua cheia
O luar foi companheiro
Banhou-me com sua prata
Seduzi meu companheiro
Que vendo o brilho da lua
Rajando a pele nua
Operou como posseiro.

Criei asas e voei
Até devorei zangão
Provei geleia real
Escapei por ter ferrão
A vida não foi só mel
Se por vezes fui cruel
Faltou-me submissão.

Eu apeei em açude
Em ribeirão e riacho
Nos lugares mais bonitos
Arrefeci o meu facho
Pois a vida me sorria
E a dona hipocrisia
Deixei com cara de tacho.

Quem arriscou me laçar
Ficou com corda na mão
Eu derrubei muita estaca
E até cerca de mourão
Campeei como eu queria
Hoje faço é poesia
Dessa saga no sertão.

Dei corda ao meu instinto
Feito Maria Bonita
Meu fado eu canto em verso
Pois não caí em desdita
Entre o profano e o sagrado
Meu norte foi consagrado
Sou mulher e sou bendita.

A PALAVRA DO EDITOR

O ASTRO DA BANDIDAGEM

Gilmar Boca-de-Tabaca, o protetor e soltador de bandidos, brilhou nas manifestações de ontem.

Uma justa homenagem.

Um destaque de justiça.

Ele merece!!!

Sem falar nos outros…

Gilmar de martelo na mão, escudando os criminosos Zé Dirceu e Lula

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOSÉ WILTON DIAS LEITE – MACEIÓ-AL

Texto publicado na página Transição em 26/Mar/2016

A PEQUENA-BURGUESIA E O PT

São Paulo, 18/03, Av. Paulista, uma massa popular gritava e aplaudia efusivamente um velho homem-cobra, líder “operário” que jurava ter realizado os mais incríveis feitos (como elevar os “pobres” na escala social e, ao mesmo tempo, enriquecer os mega-fazendeiros, empresários e banqueiros como nunca antes na história deste país). A cena tinha sua magia, até certa alegria, um pouco de desvario e delírio, como num sonho…

Todavia, esfregando os olhos, percebia-se algo de errado no reino da jararaca. Golpe? Democracia? Igualdade social? Apesar de juramentar suas proezas, as frases do homem não resistiam (nem resistem) a qualquer análise minimamente séria. Apesar da mágica das palavras, a realidade lhe impõe o inverso. Se quebrada a mística por qualquer inferência externa — como por um grito de “vergonha nacional! Ladrão!” —, poder-se-ia perceber facilmente que o tal homem era na verdade um charlatão. O rei estava e está nu.

Tendo isso — o óbvio — em vista, cabe perguntar: por que certas pessoas insistem em lhe emprestar os ouvidos? Há quanto tempo — décadas — esses bons filhos, apesar de tão destratados, retornam à casa? Quem são tais pessoas sempre predispostas à auto-ilusão? Como explicar esse estranho fenômeno social?

A primeira resposta é também óbvia: são os membros da burocracia sindical, dos partidos vinculados ao PT, a claque; todo um corpo político e social dependente do Estado e bem pago. Mas essa resposta não basta; não explica tudo. Há também a massa miserável comprada, infelizmente, que enche boa parte do quadro. Mas ela também não explica tudo. A verdade é que, se comparado com os maiores atos de apoio ao PT no ano passado (cerca de 70 mil pessoas), este, do dia 18/03, pareceu ter o dobro do tamanho. Na hora decisiva todo um setor social correu para baixo das asas de Lula (e levou consigo grande parte da chamada “oposição de esquerda” ao governo). Por que isso ocorreu?

A única explicação, parece-nos, é a seguinte: não só a burocracia vê suas condições de vida como vinculadas ao PT, mas também um setor social mais amplo, não diretamente dependente do Estado, formado por pessoas que construíram suas vidas, carreiras, reconhecimento e prestígio nas últimas décadas de estabilidade política e econômica. Queira-se ou não, tenha-se consciência disso ou não, tais décadas foram estáveis graças ao papel conciliador e traidor do PT na luta de classes brasileira. No seio da estabilidade proporcionada pelo PT à ordem do capital floresceu a pequena-burguesia brasileira, um segmento social pequeno mas não desprezível, pouco estável política e economicamente (pois localizado entre a burguesia e operariado, daí suas oscilações, histeria e confusão).

A pequena-burguesia é formada de proletários melhor remunerados (profissionais liberais, autônomos), pequenos empresários ou pessoas que vivem de renda. Dada a sua condição objetiva — de pessoas não centralizadas pelo processo produtivo, não forçadas a pensar em si mesmas como parte de uma categoria produtiva —, seus membros se veem em geral como autônomos e livres. Essa característica, o particularismo, ela compartilha com a burguesia, o que a torna propriamente a pequena-burguesia.

Assim como o “Lulinha”, a pequena-burguesia é adepta do “paz e amor”, ou seja, da conciliação de classes (justamente por estar entre as duas grandes classes sociais). O que ela mais odeia é a luta de classes, pois acentua sua instabilidade e põe em risco seus projetos pessoais e planos pré-estabelecidos. Ela gostaria que o mundo dos conflitos parasse, para que pudesse seguir em paz em suas pesquisas, suas descobertas e inovações técnicas ou artísticas, em suas salinhas, escritórios, laboratórios ou ateliês. Sua teoria social é uma colcha de retalhos de vários sistemas de pensamento: se nutre do marxismo, da dialética e de tradições revolucionárias do proletariado, mas também do idealismo burguês e da lógica formal. Esse ecletismo — que ela sempre pensa dar base a um novo sistema ou “anti-sistema” científico — expressa-se politicamente ou no utopismo ou no reformismo. Marx e Engels (nas críticas a Proudhon ou a Bakunin, na Crítica ao Programa de Gotha, nas cartas-circulares a Bebel, Liebknecht e Bracke e em vários outros textos) mostraram como esse tipo de teoria corresponde exatamente a esse setor social.

O PT representa e sempre representou essa visão de mundo reformista e pequeno-burguesa. Ele, por si (ou seja, apesar dos sindicatos), nunca foi um partido operário, com programa operário, mas majoritariamente pequeno-burguês e com programa pequeno-burguês. Como todo bom partido reformista e pequeno-burguês, sua função é tirar a centralidade do que é central; apagar a contradição fundamental existente na sociedade capitalista — a extração de mais-valia dos operários pelos capitalistas — e sobrevalorizar o que não deve ser sobrevalorizado. A fórmula é sempre a mesma: o problema central é abstraído em nome de problemas secundários. É como se a questão da mais-valia, o surgimento do capital, já estivesse resolvida e coubesse então reformar as condições de vida, ampliar direitos, melhorar aspectos sócio-culturais, acabar com opressões e o discurso de ódio, o “fascismo” do regime democrático-burguês, a alienação da população pela mídia, a crise na “pedagogia”, e tantos outros inimigos (dezenas ou centenas!) que ela descobre cotidianamente nas “teorias” que ela produz prolixamente.

Entretanto, a triste verdade é que nenhum desses problemas pode ser efetivamente resolvido sem se resolver antes o problema da exploração pelo capital, ou seja, sem se realizar uma revolução econômica e social de grandes proporções. Na verdade, quanto mais se combate tais problemas sem se resolver antes o da mais-valia, mais esses problemas crescem. A pequena-burguesia é cúmplice do que diz combater. Por isso seus partidos, quando crescem, encobrem com posições pequeno-burguesas a submissão vergonhosa ao grande capital.

Eis então que em determinado momento, insustentável, de crise econômica e social, irrompe na cena a maioria da população trabalhadora. Ela traz consigo a comprovação de que a mais-valia é o elemento central da sociedade, pois gasta a maior parte da sua vida preocupada com sua subsistência. Ela é por isso impaciente, bruta e não tem tempo para requinte cultural ou no modo de vida. Ela traz consigo os males engendrados pela barbárie capitalista. Ao entrar em cena e impor os problemas reais e centrais, ela afugenta todos os fantasmas e destrói os moinhos de vento que a pequena-burguesia pensa combater cotidianamente. O mundo da pequena-burguesia é suspenso da noite para o dia. Bate-lhe um desespero no peito; ela olha para o amanhã e não vê nada. É então que ela corre para os mantenedores da ordem e se torna ela própria conservadora. É o que ocorre hoje e ocorreu neste dia 18/03.

A pequena-burguesia deveria perceber que ela não guarda em si o futuro. Como ela sempre tem algo a perder, ela teme o futuro, e isso impede sua capacidade produtiva e criativa. Sua força, nesses marcos, é sempre uma impotente força individual. A classe trabalhadora, pelo contrário, não tem nada a perder (“a não ser suas correntes”), mas um futuro a ganhar. Por isso os mais importantes descobrimentos científicos e culturais se concentram nos períodos de crise ou convulsão social, quando a classe trabalhadora entra em cena e desata uma força social criadora, que inclusive envolve a pequena-burguesia e aponta para o futuro. No Brasil tentou-se algo assim ao final dos anos 1970 e início de 1980, mas o PT bloqueou aquela geração e abortou o que poderia ter surgido de vanguarda revolucionária e cultural. Ainda hoje vivemos presos a uma época morta, com velhos em tantos âmbitos da política e da vida cultural falando e falando, embora há décadas não tenham mais o que dizer.

A questão que resta a essa pequena-burguesia que hoje se alia ao PT é a seguinte: Quem tem medo do futuro? Até quando ajudarão a perpetuar esta situação de mediocridade e caminho para a barbárie?

CHARGE DO SPONHOLZ

DEU NO JORNAL

MAIS QUE URGENTE

Os atos de ontem mostraram mais uma vez que a Lava Jato pode contar com as ruas.

A resposta à ofensiva da criminalidade, porém, precisa ser dada pela PF.

É preciso prender urgentemente os responsáveis pelo roubo das mensagens dos procuradores e de Sergio Moro.

* * *

Urgentemente é pouco.

Tem que botar estes zisquerdistas felas-da-puta atrás das grades mais ligeiro do que urgentemente.

A cagada-vazamento do baitola petista americano chegou em boa hora.

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

LIVRE COMÉRCIO E PROTECIONISMO

A semana que acabou trouxe uma notícia importante: o acordo comercial entre União Européia e Mercosul. Mas o que isso quer dizer na prática?

Por enquanto, existe o compromisso de eliminar tarifas de importação em um prazo de quinze anos. Até lá, haverá tarifas “provisórias” que serão negociadas por cada país. Teoricamente, deixarão de existir obstáculos burocráticos para a realização de negócios entre Europa e Mercosul. Ou seja: quem quiser ser otimista, pode. Quem quiser ser pessimista, pode também.

O maior obstáculo, tanto de um lado quanto do outro, é o chamado protecionismo. Protecionismo é que nem pecado: todo mundo acha horríveis os dos outros, mas tem boas desculpas para os próprios. Neste caso, a culpa, para variar, é dos políticos e da política se metendo na economia.

Olhando as estatísticas, é difícil negar que livre comércio e prosperidade andam juntos. Todos os chamados “países ricos” compram e vendem muito de outros países, e é fácil fazer negócios com estes outros países. Em compensação, a maioria dos “países pobres” tem uma economia fechada, onde qualquer negócio com outros países é difícil.

Só quem tem o poder de impedir que pessoas e empresas façam negócios, obviamente, é o governo. E por que governos dificultam o comércio? Para beneficiar seus protegidos, é claro, e se possível conquistar votos. Esta é a essência do chamado “capitalismo de compadres”: o governo garante a seus amigos a maioria do mercado, enquanto afasta competidores com burocracias, regulamentações, alvarás, taxas, e um monte de perseguições que são sempre apresentadas como sendo “em defesa do povo” ou algo assim. Quando se trata de concorrentes estrangeiros, a proteção costuma ser menos disfarçada, incorporando desculpas de “patriotismo”, “interesse nacional” e “proteção de setores estratégicos”.

A falácia da “proteção do mercado” contra a “exploração estrangeira” é tão repetida e tão onipresente que para muita gente é tão óbvia como a lei da gravidade; é preciso estar disposto a raciocinar fora dos chavões para entender.

Para começar: uma pessoa que usa seu dinheiro para comprar algo ficou mais rica ou mais pobre? Se aceitarmos que cada pessoa é livre para decidir o que é melhor para si, é óbvio que ficou mais rica. Afinal, dinheiro serve apenas para uma única coisa: comprar coisas. Se alguém decide trocar seu dinheiro por uma mercadoria, é porque acha que valeu a pena. (na dúvida, considere o extremo oposto: uma pessoa que não tem absolutamente nada a não ser um monte de dinheiro guardado pode ser chamada de rica?) Para continuar: quanto mais liberdade a pessoa tem de escolher, mais evidente fica a vantagem da compra: sem liberdade, a compra será limitada pela falta de opções.

O mesmo raciocínio vale para um país: se seus habitantes usam seu dinheiro para comprar algo de outro país, elas não ficaram mais pobres; pelo contrário, elas usaram sua liberdade de escolher. Observação importante: embora políticos detestem ouvir isto, o dinheiro não é “do país”: é das pessoas. Se o governo restringe a liberdade das pessoas em escolher o que fazer com seu dinheiro, na prática ele torna as pessoas mais pobres, já que estas não poderão ter o que desejam, mas apenas o que o governo deixar.

Um dos argumentos favoritos dos políticos fala em “preservar empregos”. É também uma falácia. No livre mercado, o consumidor é o rei. É ele, com sua liberdade, quem indica o que empreendedores e empresas devem fazer. É ele quem premia os melhores e pune os piores; mais importante, é ele, consumidor, quem define o que é “melhor” ou “pior”, não um burocrata do governo. Quando o governo proíbe as pessoas de optar pelo produto A ou pelo produto B e permite que elas comprem apenas o produto C, pode apostar que o fabricante do produto C tem alguma conexão com o governo. Pode ser uma empresa que contribui com a campanha eleitoral, pode ser um empresário que é parente de um político, pode ser um grupo de empregados com número suficiente de votos para dizer que não quer ser obrigado a produzir mercadorias melhores ou mais baratas, e pede para o governo proibir as mercadorias concorrentes. De qualquer forma, o resultado é um só: a totalidade da população é prejudicada em troca de um benefício, quase sempre não-merecido, para uma minoria.

Tente imaginar de onde vêm os alimentos que você compra no supermercado. De um monte de lugares, certamente. Agora imagine que você fosse proibido de escolher, e só pudesse comprar aquilo que foi produzido em sua própria cidade. Mais ainda: imagine que em um bairro da cidade há várias plantações de jiló, e um vereador faz uma lei obrigando todo mundo a comprar jiló (provavelmente a desculpa seria “preservar os empregos”). Com certeza, ficaria muito mais difícil para você almoçar e jantar o que gosta. Sua vida ficaria um pouco pior e um pouco mais pobre.

Com um país acontece exatamente o mesmo: cada vez que o governo, com uma ou outra desculpa, impede que as pessoas tenham acesso aos produtos que elas querem comprar, o país como um todo fica um pouco pior e um pouco mais pobre. Pior ainda: podem ser proibidos não apenas bens de consumo, cuja finalidade é tornar a vida mais agradável, mas bens de produção, que tem um efeito multiplicador de riqueza. Sem acesso a esses bens, fica prejudicada não apenas a vida pessoal de cada um, mas também a vida profissional e a capacidade de produzir: pense em uma fábrica tendo que funcionar sem poder comprar máquinas, ferramentas, computadores, tecnologias, exceto aquelas que o governo deixar.

Concluindo: o acordo com a UE é para ser comemorado, mas não é uma chegada: é uma partida. É o começo de uma viagem que tem como destino a liberdade econômica. Mas cuidado: ainda é cedo para dizer se chegaremos lá.