JOSÉ NÊUMANNE - DIRETO AO ASSUNTO

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NAS ASAS DO DINHEIRO PÚBLLICO

No relatório obtido com exclusividade por O Antagonista sobre o processo que corre em sigilo no TCU acerta do assunto — e que será analisado nesta tarde em sessão secreta –, a área técnica do tribunal constata que o STF disponibiliza uma cota anual de passagem aérea para ministros da Corte mesmo em viagens não oficiais.

Também destaca que o STF adquiriu bilhetes para voos internacionais para cônjuges dos magistrados, entre os anos de 2009 e 2012, “sem que haja amparo legal para a prática de tais atos e em desacordo com os princípios da supremacia do interesse público, da moralidade e da impessoalidade”.

Diante disso, a área técnica recomendou ao TCU determinar que a Suprema Corte “abstenha-se de conceder passagem aérea, e respectivo pagamento de diárias, na forma identificada neste processo, por meio de cotas, sem que esteja vinculada ao objeto do serviço, com inobservância do princípio da legalidade e da moralidade administrativa”.

Além disso, auditores sugeriram que o STF, em um prazo de 60 dias, adote “as providências necessárias para dar ampla publicidade, no seu portal da internet, aos dados referentes a gastos com diárias e passagens concedidas a seus ministros, servidores e demais colaboradores, com as devidas fundamentações e motivações dos atos de autorização das respectivas despesas”.

O que será que os ministros do TCU, em sessão sem a presença de jornalistas, decidirão?

* * *

Minha dúvida não é o que os ministros decidirão.

Fiquei curioso foi com outra coisa.

Eu gostaria mesmo de saber é se as raparigas, as quengas e as amantes também tem direito a estas passagens.

Se elas não tem direito, então o órgão máximo da nossa justiça está cometendo uma injustiça.

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A HORA DA POESIA

ENFIM – Antônio Sales

Eis-te afinal entre os meus braços! Cante
minh’alma os hinos róseos da ventura!
Pulsa de encontro ao meu teu peito estuante,
meu lábio ansioso o lábio teu procura!

Procura e encontra-o morno, palpitante,
enflorado de beijos que a ternura
faz desbrochar como um buquê flamante,
de uma olorosa e estranha calentura.

Nos ombros cai-te o véu em dobras finas:
a virginal capela alvinitente
diadema-te a fronte angelical …

E como sons de etéreas cavatinas,
longos beijos ressoam docemente
no silêncio do quarto nupcial …

Colaboração de Pedro Malta

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ALEXANDRE GARCIA

COINCIDÊNCIAS

Previno o leitor, como os filmes previnem: “qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência”. Então, vamos pensar. Em 6 de setembro último, Adélio Bispo esfaqueia o candidato líder na campanha, que só não morre porque foi bem atendido. Imediatamente aparecem advogados para defender o agressor. No mesmo dia e hora em que ele esfaqueia, o nome do agressor está registrado como visitante de algum deputado federal em Brasília. A polícia tenta saber a origem do dinheiro que pagou caros advogados, e a OAB entra na Justiça e impede. Preso, o agressor é declarado inimputável, mas fica guardado como demente.

Enquanto isso, recém-reeleito, um deputado renuncia e vai para a Europa, deixando no lugar o suplente que é marido de um americano. O americano, meses depois, começa a divulgar produto de uma invasão ilegal de privacidade; mensagens entre o juiz da Lava-Jato e o procurador que coordenou as investigações. A polícia localiza e prende os autores confessos da invasão e descobre que eles fizeram o mesmo em telefones das mais altas autoridades da República. E descobre também uma maleta com 99 mil reais e movimentação bancária de mais de 600 mil.

Um deles confessa que a intermediária para chegarem ao jornalista americano foi a ex-deputada e companheira de chapa de Haddad, Manuela d´Ávila, que alega apenas ter fornecido o telefone. Ou seja, os hackers descobriram os telefones de todas as maiores autoridades, só não conseguiram o do americano; então chegaram ao telefone da ex-deputada, que lhes forneceu o número desejado. Como hackers politizados, preferiram invadir mensagens de autoridades, ao invés de flagrar vítimas mais endinheiradas que tenham amantes, por exemplo. Renderia mais e seriam protegidos pelo silêncio. Fontes confessas das invasões ilegais, eles foram considerados “fontes confiáveis” pelo receptador delas e pelos que tratam produto de crime como notícia.

Tudo muito estranho. Vale a pergunta: qual o objetivo? A quem interessa? Ora, o objetivo duplo é enfraquecer a Lava-Jato e proteger corruptos. Você há de perguntar como alguém pode aplaudir isso. Pois há quem aplauda o crime e torça contra a lei. Na Itália também houve reação contra a operação Mãos Limpas. Aqui, a reação vem da organização que armou um grande esquema de corrupção que saqueou estatais, principalmente a Petrobras. Para os apoiadores desse esquema, que tiveram as torneiras e tetas fechadas pela Lava-Jato, vale tudo. E quem olha os acontecimentos, percebe que tudo está ligado, ou é mera coincidência.

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