SONIA REGINA - MEMÓRIA

NOVELA DA VIDA REAL

Começa em maio de 2005. Um funcionário dos Correios, ao embolsar indevidamente $3.000,00, explica a forma não republicana de sua relação com um político ligado ao governo. Vem à tona as negociatas envolvendo o governo federal que, mesmo atingido, balança, mas não cai.

Em março de 2014, a Operação Lava Jato revela que, acrescida de novos atores e com um roteiro mais sofisticado, a novela da corrupção continua.

A mídia, tão importante no passado recente, talvez magoada em não ser ela a estrela da revelação, parte considerável, resolve inverter a ordem moral de uma civilização, apoiam de forma “velada” os bandidos e atacam os mocinhos.

Curiosamente, o personagem principal dessa novela mórbida, hoje instalado num prédio da Polícia Federal, depois que foi julgado e condenado, continua sua vida política e até com direito a ser entrevistado pelos seus admiradores.

Nesse ponto, o roteiro sofre uma reviravolta, aqueles que investigam os bandidos, tem também o trabalho quase diário de defender-se.

Mensalão 2005

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Attika Plucked String Orchestra

A composição de J. Offenbach a partir dos Contos de Hoffmann, destaca a poesia da música com a predominância de instrumentos de cordas.

Barcarolle

DEU NO JORNAL

BOSTOSIDADE CRANIOLÓGICA

Uma pesquisa de uma dupla de cientistas australianos aponta que jovens que ficam muito tempo com a cabeça dobrada para baixo, em uma posição comum para olhar a tela do celular, podem desenvolver uma protuberância na parte de trás do crânio.

O crescimento é comparável a um calo, e fica na parte de trás, na junção entre o crânio e o pescoço.

Os pesquisadores são David Shahar e Mark Sayers, da Universidade de Sunshine Coast, em Queensland, na Austrália.

Na mídia da Austrália, a pesquisa tem sido noticiada como o desenvolvimento de um chifre na parte de trás do crânio desenvolvido por causa do celular.

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Eu já ouvi falar muito de chifres na testa.

Muito mesmo.

Mas de chifres no crânio é a primeira vez que tenho notícia.

Se estes cientísticas australianos fizessem um estudo aqui no Brasil, iriam constatar que a militância do PT, ao invés de calo ou chifre, desenvolve mesmo é muita bosta no crânio.

Sem qualquer sombra de dúvidas.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Zeferino Vaz

Zeferino Vaz nasceu em São Paulo, em 27/5/1908. Médico, professor e fundador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e reitor da Universidade de Brasília (UnB). Os primeiros estudos se deram no Liceu Coração de Jesus. Poderia ter sido um grande ator, pois atuou no teatro do colégio, ao lado de Rodolfo Mayer, em várias peças e também no cinema. Perdemos um ator e ganhamos um reitor. Uma troca da qual não podemos reclamar.

Em 1926 ingressou na Faculdade de Medicina de São Paulo e, logo, tornou-se monitor da cadeira de parasitologia. Em seguida foi estagiário no Instituto Biológico de São Paulo, onde foi nomeado assistente, em 1930, e fundou, junto com Clemente Pereira, a seção de parasitologia animal. Formou-se médico em 1931 e foi assistente do professor André Dreyfuss na cadeira de histologia e embriologia da recém fundada Escola Paulista de Medicina, atual UNIFESP-Universidade Federal de São Paulo. Em 1932 participou ativamente da Revolução Constitucionalista, deflagrada em São Paulo. Aprofundou os estudos em sua especialidade e pouco depois foi lecionar Zoologia e Parasitologia na Escola de Medicina Veterinária da USP, onde foi diretor entre 1936-1947 e 1951-1964.

Em 1947 coordenou a Comissão criada para implantar uma faculdade de medicina no interior de São Paulo. Quatro anos após organizar o currículo e planejar a instalação numa antiga fazenda de café, foi criada a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. No discurso de posse como diretor, em 1951, deixou claro suas intenções: “Minha gente, vim criar uma Faculdade de Medicina. Mas não vim criar uma Faculdade de Medicina qualquer. Vou fazer daqui o melhor Centro de Educação Médica e de pesquisas científicas, no campo da medicina, do Hemisfério Sul”. Hoje a FMRP é o maior centro de formação de médicos em nível de pós-graduação do País. Em 1963, foi secretário estadual de Saúde Pública. De 1964 a 1965 foi o primeiro presidente do Conselho de Educação do Estado de São Paulo.

Logo após o Golpe Militar de 1964, foi nomeado reitor da Universidade de Brasília-UnB em substituição a Anísio Teixeira, cassado pelos militares. Fez o que pode para manter a estrutura inovadora da UnB, realizando inclusive gestões bem-sucedidas para libertar os professores que haviam sido presos durante a invasão do campus universitário por tropas da Polícia Militar e do Exército, em 9/4/1964. Apesar das limitações de verbas e das demissões de 13 professores e instrutores, o trabalho de implantação da UnB prosseguiu, segundo ele mesmo, com o intuito de “salvar a universidade da destruição”. Nessa lida, chegou a impedir o afastamento de indivíduos de alta qualificação, como Oscar Niemeyer e Almir Azevedo, acusados de subversão. Em certa ocasião foi chamado de “o reitor de direita que protegia as esquerdas”. Em 1965 pediu demissão do cargo devido ao impasse gerado pela contratação do professor Ernâni Maria Fiori, pensador católico gaúcho demitido da Universidade de Porto Alegre e aposentado com base no Ato Institucional nº 1 (9/4/1964). Foi substituído na reitoria da UnB por Laerte Ramos de Carvalho, mas continuou integrando o Conselho Diretor da Fundação Universidade de Brasília.

Em seguida, retornou a São Paulo com a missão de fundar a primeira universidade no interior do estado, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Nomeado reitor em 1966, lutou para reunir alguns dos melhores cientistas brasileiros para formar uma instituição de pesquisa sólida e respeitada, tornando a Unicamp uma das mais produtivas e respeitadas instituições de pesquisa da América. Sua filosofia de trabalho era simples até no modo de se expressar: “para funcionar uma universidade precisava primeiro de homens, segundo de homens, terceiro de homens, depois bibliotecas, depois equipamento e, finalmente, edifícios”. Assim, preocupou-se primeiramente com a contratação de pessoas capazes intelectualmente e com experiência pedagógica. Convidou cientistas e brasileiros que atuavam nos EUA e na Europa, e trouxe também professores estrangeiros.

Em 1979 a Unicamp já contava com um quadro de expressivos cientistas e pesquisadores de nível internacional: César Lattes, Gleb Wataghin, Vital Brasil, Rogério Cerqueira Leite, Giuseppe Cilento, André Tosello entre outros. No movimento de reivindicação das liberdades democráticas, mostrou-se favorável ao ressurgimento do movimento estudantil, lutou pela autonomia universitária e buscou a integração entre a universidade e a comunidade local. Manifestou-se favorável à reintegração dos professores e cientistas aposentados pelo Ato Institucional nº 5, sugerindo a imediata revisão de seus casos. Porém, com o acirramento dos movimentos políticos, foi contra a reivindicação do movimento estudantil de retorno à legalidade da UNE-União Nacional dos Estudantes, afirmando que a entidade teria sua atuação desviada para questões alheias aos interesses universitários.

Ocupou diversos cargos públicos e civis, tais como membro do Conselho Federal de Educação, Conselho Curador da Fundação SEADE, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Academia de Letras de Ribeirão Preto, Associação Paulista de Medicina, Associação Médica Brasileira, Sociedade de Biologia de São Paulo e da American Society of Parasitologists. Foi também assessor para assuntos de educação e saúde do Grupo de Assessoria e Participação (GAP) do governo de São Paulo. Na vida acadêmica participou de vários congressos científicos, destacando-se como convidado da IV Conferência Internacional de Educação em Washington.

Além do seu legado como empreendedor de sólidas instituições, deixou publicado 65 trabalhos de investigação científica no campo da parasitologia (helmintologia) em revistas americanas, inglesas, francesas e brasileiras. Em 1978 deu-se por encerrada a implantação da Unicamp e a administração pro tempore de seu fundador e reitor, que se aposentou compulsoriamente aos 70 anos e passou a presidir a Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp). Em 1980 a saúde deu sinais de alerta e foi vitimado por um aneurisma de aorta, vindo a falecer em 9/2/1981. Entre as tantas homenagens que amealhou, seu nome foi dado ao Campus da Unicamp e ao trecho da Rodovia SP-332. A Unicamp concede, anualmente, o “Prêmio de Reconhecimento Zeferino Vaz” a docentes ativos que atuam em regime de dedicação exclusiva e que tenham se destacado nas suas funções de docência e pesquisa.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

CONCURSO DE DANÇAS

Anúncio de festa dançante na Lapinha

Está definitivamente confirmado que, dançar, nos dias atuais, tem relação muito maior com “malhar” ou “fazer ginástica” que propriamente sentir o prazer da dança ao lado do par.

Nas festas, já são muito poucos os momentos para “dançar a valsa”, seja num aniversário de 15 anos ou num casamento. Poucos sabem dançar.

A moda passou a ser, literalmente, “pular” – que é o que resolveram chamar de “dançar funk”.

Valsas vienenses desapareceram. Samba-canção, bolero, tango, samba, também. Com esses ritmos desapareceram também as famosas danceterias como Elite, onde a gafieira tinha valor inestimável. Acrescentaram à palavra samba, e resolveram chamar de samba-gafieira. Foi o início da caminhada para o desaparecimento.

Agora a moda é “funk”, e já há, também, quem saia de casa não para “dançar funk” – mas para “pular funk”, quase que com a mesma conotação de “pular carnaval.”

Mas, no passado, dançar era outra coisa. Dava prazer e muitos se orgulhavam de saber fazer isso. Eu sempre fui um poste – mas, confesso, na primeira vez que ouvi e vi uma apresentação de bumba-boi, o clima era tão envolvente, que acabei dançando, sem saber.

Participar de uma festa, num clube, onde estivesse tocando uma “Orquestra”, tipo Severino Araújo, Ivanildo, e outras tantas, era uma glória alcançada. Da mesma forma que, sair de casa para ir dançar numa gafieira.

Lembro bem que, naqueles passados anos, esses locais de festas e danças até realizavam concursos para oferecer um troféu e premiação em espécie ao par que melhor dançasse, além de conferir, também, quem dançava melhor de forma individual.

Houve até, na então muito conhecida casa de danças “Lapinha”, na capital paraense, por anos seguidos os concursos de danças. Eram convidados os melhores dançarinos e dançarinas dos estados vizinhos, com todas as despesas de passagens e hospedagens pagas por uma semana. Era importante conhecer a cidade, o clima, ter informações dos concorrentes.

Certa vez, o melhor dançarino de São Luís, Luizinho do Chapéu (apelido fictício) recebeu um convite para participar desse concurso. Não esperou muito para decidir viajar e competir. Após algumas “eliminatórias” chegou o dia da grande final. A final de melhor dançarino, envolvendo um paraense, da tradicional família Malcher e o representante maranhense, de São Luís, Luizinho do Chapéu.

Começada a festa e a disputa, tudo caminhava para uma decisão no cara ou coroa. Mas, o jurado, escolhido a dedo e composto por figuras importantes nas noites paraenses, reparavam em tudo, nos mínimos detalhes. Desde a forma de vestir, de modos de educação, no comportamento pessoal, na forma de beber e até na bebida escolhida durante a competição. Tudo contava ponto.

Sapato “furado” na sola era inaceitável

Como qualquer competição para pessoas, havia também os momentos de descanso e descontração, para garantir o ar de cavalheirismo aos dançarinos.

Eis que, num desses momentos de descontração, Luizinho do Chapéu sentou para ingerir uma bebida e, descontraidamente, cruzou a perna. Ao cruzar a perna, sem se dar conta, Luizinho do Chapéu acabou exibindo o solado do sapato.

E, pasmem, o sapato de Luizinho do Chapéu estava furado. Furado no solado. Foi eliminado na hora e sequer voltou ao salão.

Vitorioso, o representante da família Malcher voltou ao salão apenas para continuar dançando amistosamente, e receber o troféu e a rica premiação.

Como é que alguém que é bom de dança não consegue perceber que o solado do sapato está furado?

No bom maranhensês, “Zulive”!

A PALAVRA DO EDITOR

ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

RUA PIRATININGA

Ao longo de toda a semana que passou, estive em viagem a São Paulo para rever alguns parentes amados.

Não sei se foi simples coincidência, ou se foi mesmo o meu inconsciente que me direcionou, mas a verdade é que escolhi uma acomodação no bairro do Brás, bem pertinho de uma grande estação de metrô. A ideia era que esta proximidade facilitasse os meus deslocamentos por aquela megalópole imensa.

Ao tomar esta decisão, não lembrei que havia trabalhado em duas fábricas da maior fabricante de cigarros do país, e que estas se situavam neste mesmo bairro: Uma, na rua Brigadeiro machado; e a outra, na rua da Alegria.

Nem sei se as duas ainda existem, mas a verdade é que, ao chegar lá, voltaram a minha mente inúmeras cenas que há muito tempo haviam sido esquecidas. Cenas dos idos de 1981.

O apartamento do airbnb onde eu fui me hospedar ficava em um belíssimo conjunto de altos prédios na Rua Piratininga. Ao chegar lá, não reconheci a rua de imediato e nem me lembrei de já ter estado lá anteriormente. Depois, lentamente, cenas marcantes daqueles belos tempos começaram a borbulhar em minha mente.

Aquela rua era, naquela época, um conhecidíssimo polo de máquinas operatrizes e ferramentas e, segundo a minha avaliação, o maior de toda a América Latina. A rua era uma festa! Gente vinda de todos os recantos do país se dirigia a aquela rua a fim de comprar e vender máquinas industriais dos mais variados tipos: Frezadoras (horizontais, verticais, universais, Renânia, …), retíficas, plainas limadoras, tornos mecânicos, furadeiras verticais e radiais, máquinas de solda elétrica, TIG, MIG, MAG, etc. Além disto, todo tipo de máquinas de processos industriais que se possa imaginar: Injetoras, sopradoras, extrusoras, “Blow Molding”, “Hot Stamping”, “Rinser”, enchedoras, rotuladoras, empacotadoras, etc. As opções eram literalmente infinitas!

Todos os jovens empreendedores brasileiros, ao pensar em iniciar uma nova produção, a primeira e obrigatória providência era fazer uma longa visita aos comerciantes da Rua Piratininga. Podia até ser que estes não tivessem o equipamento desejado naquele mesmo momento, mas podem ter certeza de que sabiam, ou descobririam rapidamente, quem é que tinha um daquele e que estava pensando comercializá-lo para comprar um maior.

Segundo o Jornal do Brás, página de divulgação das notícias locais, a paisagem ali foi mudando lentamente e, com o passar dos anos, foi perdendo sua condição de rua especializada neste segmento de negócios. As lojas de máquinas passaram a dar lugar a empreendimentos imobiliários de alto padrão.

A situação com a qual ali me deparei era uma pálida imagem daquilo que aquela rua tinha sido e representado para a indústria nacional. A pujança dos negócios, a efervescência de ideias e empreendimentos, a felicidade estampada no rosto de cada um daqueles jovens empreendedores, a esperança explícita de que os novos tempos seriam cada vez melhores, tudo isso havia desaparecido completamente.

Não sobrou quase nada! Parecia que havíamos sobrevivido a uma guerra devastadora.

Em meio às antigas lojas, galpões desativados e sobrados, surgem eles: os novos e modernos edifícios. Um deles foi construído no número 201 da rua. Outro será levantado bem no local onde antigamente funcionou a redação do Jornal do Brás, no número 841. A maioria das lojas de máquinas deixou o logradouro faz tempo, como as dos números 567, 577, do 772 ao 776, e do 604 ao 628. As lojas mais tradicionais da região, sobrevivem sofrendo com a alta carga de impostos e registrando pequeníssimo movimento de clientes. Parece até um cemitério. O desencanto está estampado na face de cada um dos comerciantes que observei.

Na Piratininga estão agora diversas igrejas evangélicas, sacolão de frutas e verduras, padaria, Fórum da Infância e da Juventude, Defensoria Pública do Estado de São Paulo, lojas de pneus, outras de rolamentos, e bares. Muitos bares. Onde velhos passam o tempo conversando sobre coisas sem nexo e sem futuro.

Este é o retrato mais fiel da carnificina que foi praticada por sucessivos governos de ladravazes, mestres nas artes da demagogia e do populismo, que nos infelicitam desde que os militares entregaram o comando do país a esta maldita súcia de ladrões descarados que destruíram a indústria nacional e nosso ânimo empreendedor.

O Brasil todo virou um imenso Piauí! O Brasil se “nordestinizou!

Ninguém produz mais porra nenhuma! Tudo agora vem da China.

Tentar produzir alguma coisa neste cu de mundo é pecado mortal! Torna-se passível das maiores atrocidades governamentais que se possa imaginar. São centenas de ávidos e vorazes (quando não corruptos) fiscais da fazenda, da Receita Federal, do Ministério do Trabalho, da Prefeitura, dos Bombeiros, da Saúde Pública, dos órgãos ambientais, e por aí segue… Toda uma plêiade infinita de parasitas, tremendamente autoritários e arrogantes, sempre prontos a esfolar o imbecil que ainda manteve alguma esperança de realizar alguma coisa de positiva nesta merda de país, e que, só por este pecado imperdoável – ter se iludido de que ainda é possível fazer alguma produção nesta cloaca do Diabo – é imediatamente transformado em bandido, explorador da “mais valia” dos funcionários, sonegador perigoso, e por aí vai. Só por isso, é contínua e reiteradamente esfolado pelos esbirros governamentais para que prove o contrário. O ônus da prova cabe sempre ao pobre otário que se defende contra o poder avassalador do Estado assassino. “In dubio?” Mete o cacete no réu, que é para ele aprender a respeitar as autoridades constituídas.

Diante deste quadro tétrico, é de se estranhar que a maioria absoluta de nossa juventude dourada direcione seus esforços, não para comprar máquinas e produzir algo, mas para passar em algum concurso público e se tornar mais uma “autoridade”? Que estes considerem muito mais interessante andar de gravatá e paletó, ao invés de sujo de graxa e constantemente suados? Que almejem se tornar mais um procurador, desses que procuram a vida toda e não acham porra nenhuma? Que só acham seus imensos e imerecidos contracheques e as mordomias inerentes aos “Altos Cargos” da nossa maldita república?

É de se estranhar que estejamos nos encaminhando aceleradamente para a situação reinante em países do terceiro mundo, no qual as exportações se limitam a algumas matérias primas básicas (soja, minério de ferro e petróleo) e pouquíssima manufatura?

Será que nosso destino manifesto é exportar matérias primas e importar manufaturas?

Será que, muito além do “Farm here, forest there!”, teremos a situação do “Manufacture here and mines there”? Bolsonaro está cheio de boas intenções, mas não será só “negociando” com os patifes chupa-sangue que vamos desatar esse nó cego que estrangula a economia da nossa nação. Na França, em 1789, degolaram todos.

DEU NO JORNAL

AUGUSTO NUNES

CARTÃO VERMELHO

Dilma informa que Lula foi expulso de campo porque a Lava Jato descobriu que o chefão roubou até a bola do jogo

“Eu tinha uma pequena esperança que Lula tivesse condição de sobreviver. O jogo com o Lula foi tão duro ou mais do que o do impeachment. A quantidade de mentira e humilhação. Ele diz para mim o seguinte: ‘o que minha mãe ia pensar? O que você acha que eu sinto com eles me chamando de ladrão?’”.

Dilma Rousseff, em palestra na Universidade de Brasília, revelando que o neurônio solitário descobriu que Lula foi expulso de campo por ter roubado até a bola do jogo.

CARLOS BRICKMANN - CHUMBO GORDO

CULPA DO CIMENTO E DO TALENTO

A Odebrecht, uma das maiores empresas brasileiras, pediu recuperação judicial – aquilo que antigamente chamávamos de concordata. As equipes que montou, e que nada têm a ver com pixulecos e propinas, já perderam muitos talentos, e os que sobraram perderão o emprego se a empresa quebrar. Os donos vão bem: vivem confortavelmente (alguns diriam luxuosamente) e estão entre os que mais têm a receber da empresa, fortemente endividada.

Por que? Por que punir a empresa (e não falemos apenas da Odebrecht, mas de todas as envolvidas na Operação Lava Jato), se quem cometeu os atos de que todos sabemos não foram os prédios nem os funcionários, mas seus diretores? Equipes talentosas, que foi difícil montar, são e serão desfeitas sem que seus integrantes tenham culpa; e são eles que ficarão sem emprego. Perde também a engenharia brasileira, porque o know-how não é usado, e os clientes se afastam de empresas com problemas. “A lei manda punir as empresas” – mas leis podem ser modificadas. Se quem estava irregular eram os donos e seus executivos, por que não puni-los, afastá-los da empresa até que sejam julgados, tomar-lhes as ações e entregá-las a, por exemplo, uma cooperativa de funcionários? Do jeito que a coisa anda, donos e executivos se salvam e quem não participou de ilegalidades paga com seu emprego.

Como diz o jornalista Luís Nassif, é possível punir quem deve ser punido sem desmontar a empresa toda. Beneficiar quem não merece é mau exemplo.

Os credores

Na recuperação judicial de quase R$ 100 bilhões da Odebrecht, figuram entre os credores o comandante da empresa, Emílio Odebrecht, com R$ 80 milhões a receber. Seu filho Marcelo, o Príncipe dos Empreiteiros, que ficou pouco mais de dois anos na prisão por ter, digamos, pago pixuleco a uma lista telefônica de corruptos, vive hoje em prisão domiciliar, em sua bela casa, usando tornozeleira (haverá tornozeleira de grife?), e é credor de bons R$ 16 milhões. Pai e filho, quase R$ 100 milhões. Sobrará o suficiente para pagar indenizações a funcionários que não subornaram ninguém? Está certo?

Moro, um palpite

Não tenho ainda qualquer informação sobre como repercutiu o diálogo de Moro com a Comissão de Constituição e Justiça, mas arrisco um palpite: a popularidade do ministro deve crescer nas próximas pesquisas. Estava tranquilo, saiu-se bem, nem utilizou um argumento explosivo à sua disposição: dos senadores que o interrogaram, 25% tinham problemas com a Lava Jato. Moro manteve a conversa em alto nível (já Bolsonaro, falando do tema, chamou Jean Wyllys, militante homossexual, de “aquela menina”). Moro agiu certo, sem apelar. E isso deve render-lhe pontos na pesquisa.

Quem tem razão?

De acordo com os diálogos (lembrando que não houve perícia para provar que são verdadeiros), Moro ultrapassou o limite da lei ou se manteve dentro do legalmente aceitável? A discussão está brava. Creio que, com algumas exceções, quem quer Lula livre ou apenas não tolera Bolsonaro dirá que Moro ultrapassou os limites e deve ser demitido. Quem acha que o presidente é o máximo ou detesta Lula acha que Moro agiu dentro da lei. É simples: se o pênalti favorece nosso time, com certeza ocorreu e foi bem marcado.

Os adversários 1

Este colunista já escreveu sobre um fenômeno curioso: quem o processa tem tido falta de sorte. O ex-governador goiano Marconi Perillo, que reclama da cobertura do casamento de sua filha, não apenas perdeu as eleições para o Senado (embora houvesse duas vagas, o eleitor negou-lhe o cargo que lhe daria foro privilegiado), como o candidato que lançou ao Governo foi derrotado por seu principal adversário, Ronaldo Caiado. Enfrenta uns quinze inquéritos promovidos pelo Ministério Público estadual. Agora o Ministério Público Federal o denunciou sob a acusação de ter recebido propina de R$ 17,8 milhões da Odebrecht. A denúncia foi feita via Operação Cash Delivery, um dos braços da Lava Jato. A defesa do ex-governador diz que a denúncia é a comprovação “da parcialidade e da perseguição que este Procurador (Hélio Telho) promove, há anos, contra o ex-governador”.

Os adversários 2

A Marabraz, gigante do comércio, iniciou processo contra este colunista com base na contestação de informação aqui publicada -uma notícia seca, sem juízo de valor. Pois bem, o procurador do Estado-chefe Celso Jesus Mogioni e a Assistência da Presidência da Jucesp, Junta Comercial do Estado de São Paulo, confirmaram a informação. Segundo documentos oficiais, a LP Administradora de Bens tem alteração do contrato social com texto divergente da escritura pública, omitindo entrada e saída do Grupo Marabraz do sócio Fábio Fares. E a procuração da matriarca do grupo estava revogada desde 2008, anos antes de sua utilização. Este jornalista sempre verifica suas fontes. Como não disse um anúncio famoso, checagem melhor ninguém faz.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

FORCA

Não é somente o cidadão que anda com a corda no pescoço por causa de tanta dívida. O poder público também tacumula altas dívidas.A indústria da construção civil e setores afins reclamam da falta de pagamento de parcelas de subsídios do programa Minha Casa, Minha Vida. Como o novo governo não liberou as parcelas referentes a janeiro e fevereiro, muitas obras foram paralisadas, ameaçando a onda de demissões no setor. Todas as divisões administrativas do país, sem exceção, na esfera federal, estadual e municipal, estão carregadas de dívidas. O endividamento é alto, insuportável. Basta verificar o portal da transparência para constatar que o poder público é um grande devedor de bancos e de portadores de títulos públicos. Em 2003, a dívida líquida do setor público representava uma enorme fatia do PIB. Aliás, o vermelho nas contas públicas, repete o quinto ano consecutivo. O montante da dívida bruta, em 2018, atingiu R$ 108 bilhões.

Em síntese, este rombo significa que as despesas dos governos estão acima das receitas recolhidas de impostos e tributos. O calvário brasileiro com as contas no vermelho começou em 2001. De lá pra cá, para cumprir a meta fiscal tem sido osso duro de roer. O que tem salvo os governos no controle das dívidas é a colaboração dada pelo crescimento da economia. Pífio, mas positivo, que aumentou a arrecadação, o reforço de caixa proporcionado pelos royalties do petróleo, o aumento da tributação sobre os combustíveis e, sobretudo a dificuldade em gastar, em virtude de o caixa andar zerado ultimamente. Registrando empoçamento, isto é, valores autorizados, mas não pagos.

O ruim da história é que, quando se acrescentam os juros sobre os débitos, as contas públicas apresentam um déficit monstruoso de R$ 487 bilhões, como foi registrado no ano passado. Comparado aos valores internacionais, o Brasil está gastando demais. Além da conta. Isto é o principal fator para elevar o risco do Brasil em afugentar investidores. Caso as reformas, indispensáveis, demorem na aprovação, a situação brasileira piora, porque, como economia emergente, o Brasil com relação às finanças, anda completamente desorganizado. Totalmente fora do esquema internacional que impede o país de honrar os seus compromissos, obrigando a pagar mais juros aos investidores. Causando no fim enorme prejuízo às empresas e famílias, em virtude do travamento da economia que atravanca a geração de empregos. Por este motivo, a reforma da Previdência não pode se perder nas “costuras”. Tem de item prioritário.

*
O papel do deputado e senador é simples. Legislar, elaborar leis e proteger o povo. Não ser eleito apenas para defender exclusivamente o seu bolso, desfrutar de diversos benefícios, enquanto a sociedade, que o elegeu, fica na rua da amargura, esquecida, sofrendo as piores consequências. Sem poder resolver as duas maléficas situações. Aliás, consta que é função do Parlamento exercer três funções básicas para fortalecer a democracia. Representar o povo, legislar sobre os assuntos de interesse nacional e fiscalizar a aplicação dos recursos públicos. É dever do Congresso apresentar propostas destinadas a proteger a área econômica e o lado social, com os recursos que são arrecadados através do recolhimento de impostos, de modo a ofertar ao cidadão boa educação, saúde, transporte, habitação.

Mas, por questões ideológicas, o papel do deputado mudou. Embora o Brasil represente a quarta democracia do mundo em número de eleitores, existe muita discriminação no Parlamento do país. A quantidade de parlamentar da cor negra é inexpressiva. A mulher quase não tem vez. Por incrível que pareça, quase a metade das cadeiras parlamentares são ocupadas por empresários ou endinheirados. Figurões, peixe-grande. O pobre, quase não tem vez. A não ser votar. Eleger candidatos que não merecem a votação, não demonstram qualidade para representar a sociedade com decência. Infelizmente, no Brasil, o que se vê na vida pública são hipocrisia, demagogia, falsas promessas, enganosos posicionamentos, desonestidade, informações distorcidas, corrupção, superfaturamento de obras, desvios de verbas, crimes. Enriquecimento ilícito. Daí a quantidade de políticos, e empresários diligenciados, condenados, presos e respondendo a processos.

Por isso, a mídia enche páginas diárias com manchetes espalhafatosas. “Justiça determina bloqueio de bens de políticos”. “Deputados apostam em redes sociais para se promover”. “PF desarticula quadrilhas que recebem propinas no serviço púbico”, “Orçamento para lavar carros de deputados é quase três vezes maior do que o do Museu Nacional”, “Políticos defendem a reforma da Previdência, mas não abrem mão dos benefícios”, “Câmara concede passaporte diplomático a 404 filhos e cônjuges de deputados”. “Desvios em Camaragibe podem passar de R$ 60 milhões”. Por esta razão, alguns políticos de fama e íntegros deixaram suas mensagens contra a indecência na política. John Kennedy disse. “Se você agir com dignidade, talvez não mude o mundo, mas será um canalha a menos”. Por sua vez, Barack Obama, em discurso no Brasil, afirmou “O Brasil precisa valorizar o professor porque educação não é caridade”. Na Suíça, um dos países mais ricos do mundo, deputado não é tratado a pão de ló. Recheado de privilégios e gordas mordomias. Não tem o famoso cotão, carro oficial, vagas reservadas nos estacionamentos, auxílio moradia e vale alimentação. Não existe deputado profissional na Suíça. Ele tem de ter uma profissão ou um emprego paralelo. Profissão valorizada na Suíça é a de professores. Agora, com tantos benefícios à disposição, imagine se o deputado brasileiro pensa em fazer reforma política para perder as boquinhas? De jeito algum.

*
Embora seja um órgão improdutivo, contudo, por ser autoridade central, compete ao governo a responsabilidade de preparar terreno, armar estrutura para a sociedade e a iniciativa privada atuar, juntas. Uma produzindo, a outra consumindo. Esta interação permite ao país crescer, desenvolver-se, proporcionar benefícios para todos, indistintamente. Todavia, como entrou em rota de conflitos, o Brasil sentiu a necessidade de promover reformas para escapar do marasmo. Sair das crises econômica, política, fiscal e previdenciária. Deixar de ser apenas uma “usina de crises”. Desta forma, após encaminhar a reforma da Previdência para a provação pelo Congresso, resta pensar nas demais reestruturações que são itens complementares. Não podem ser desprezadas, senão desvirtuam a ordem e o progresso do país.

Um dos erros do Brasil é permanecer utilizando o atual sistema tributário. Fonte básica para o recolhimento de tributos destinados a financiar as atividades do Estado, tanto na prestação de serviços, como nos investimentos em infraestrutura e no pagamento de salário dos servidores. Mas, por ser precário, de agigantada estrutura e extremamente complexo, em vez de ajudar, o Sistema Tributário Nacional complica. Cheio de leis e de regulamentações tributárias ultrapassadas, tumultua o meio de campo. Distorce as coisas. Ao contrário dos demais países, a legislação fiscal brasileira cobra imposto do cidadão quando compra um produto ou paga um serviço oferecido por empresas públicas ou privadas. Diferentemente da maioria dos países, o Brasil tributa o consumo, mas libera a renda. A regra, regressiva, penaliza a economia porque tributa injustamente quem tem menor renda. O mais pobre paga o mesmo imposto do rico, que tem maior renda.

Normalmente, nos países desenvolvidos a regra de tributação recai sobre a renda e o patrimônio. Alivia o consumo, cuja tributação é igual para todos. Os Estados Unidos cobram apenas um imposto no consumo. No Brasil, ao contrário, a lista de impostos, taxas e contribuições compõe-se de 63 tributos. Uma lástima. Comprova que o Estado, altamente incompetente para administrar os recursos, visa somente arrecadar. Recolher impostos. Agora, como empregar a arrecadação é um descontrole total. Por isso, os estados são endividados e quebrados. Sem condições de pagar salários em dia, quitar dívidas, investir em obras sociais, cumprir as obrigações públicas. Perturbado com a desarrumação de caixa, a União nem liga se a arrecadação tributária sobre o consumo, fixada em 65%, ultrapassa a média mundial que é de apenas 35%. Ignora que nos EUA e no Japão a taxação de impostos sobre o consumo está abaixo de 20%. Não se incomoda se a carga tributária, pesadona, corresponde a 35,42% do Produto Interno Bruto. Para os gestores federal, estaduais e municipais torrar os recursos sem prestar um bom serviço à população tem sido a regra geral.

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A década de 80 destacou-se. Na política, marcou a despedida do militarismo, ensaiou a redemocratizado do país com a abertura para um governo civil, via “Diretas já”. No campo econômico, para rolar as altas dívidas, empregou a ortodoxia econômica. Cortar custos do governo, aumentar a arrecadação.

Na economia, o país se empenhou para apagar a imagem de década perdida. Combateu a hiperinflação e a braba fase de estagnação econômica. Pra isso, adotou vários planos econômicos, Cruzado, Bresser e Verão. Todos, malsucedidos, não trouxeram crescimento e muito menos desenvolvimento econômico.

Com o fim da guerra fria no mundo, o Brasil inovou. Implantou o modelo neoliberalismo. Abriu a porteira para introduzir uma sociedade industrial moderna. Diversificou a produção, fomentou a cadeia produtiva, passou a qualificar a mão de obra para substituir os serviços braçais. Nos bancos, engatinhava a automação. Máquinas substituíram a papelada. Método muito seguro no trabalho bancário. Mas, não ajudou a tirar tirou a economia da oscilante e pouco criativa onda de prosperidade e desenvolvimento.