RAPPHAEL CURVO - VIA DO FATO

ENTENDA O BRASIL

No ranking mundial das vinte melhores universidades do planeta, dez são americanas, cinco são inglesas, duas de Singapura, duas da Suíça e uma chinesa. A mais bem colocada do Brasil é a USP em 116ª posição, outras estão para lá da 200ª posição, é o caso da UNICAMP em 214ª, UFRJ 358ª, Unifesp 439ª. Entre universidades particulares, a melhor colocada é a PUC-RIO entre 601-650, a partir de 500 a avaliação é por faixa. Esse perfil colocado já dá uma pequena amostra do que somos e do gigantesco problema que temos à frente. Não bastasse os lentos passos, que já vínhamos em nossa caminhada para o desenvolvimento no século passado, o nosso País ainda teve que encarrar por muitos anos um desmonte em toda sua economia, educação, comércio, evolução tecnológica, em seu conceito moral, ético e de honestidade. Foi o aniquilamento dos conceitos básicos para uma Nação tentar alçar voo na luta desenvolvimentista para o seu povo. O império de quadrilhas de malfeitores que se apoderou e se aboletou no Poder, aproveitou-se da inexistência em nosso Brasil da situação acima exposta.

O deslocamento da economia mundial para o campo tecnológico nos esmaga mais ainda, reduz a velocidade da nossa expectativa de saída deste fosso existencial que vivemos em relação ao novo mundo da economia, que cresce com grande força no mercado global. Território já não é mais uma condição e requisito para crescer em qualidade de vida que tem como moeda a informação e o conhecimento. A desorganização política europeia é prova viva de que a sua queda econômica está próxima. Essa desorganização começou a imperar com a brutal queda da qualidade política nos países europeus que abraçaram a ideologia socialista e suas ideias populacionistas de que o mérito deveria dar lugar ao fisiologismo. Deterioraram o ensino livre porque nos regimes autoritários de esquerda, a educação de qualidade para o povo não é um bom negócio. Essa deterioração educacional, com ensino em decadência, levou a queda da economia europeia e hoje a Inglaterra se recusa a pagar essa conta, saindo fora.

A crise de aprendizado no Brasil foi fomentada pelos esquerdistas com discursos estúpidos e na crença de que enganariam muitos por muito tempo. A juventude, como a sociedade, começou a perceber que estava vendida e sem rumo diante do que lhe era entregue educacionalmente. Foi destruída a fé de que seríamos grandes. O Brasil, nos anos 60/70, se tornou uma das maiores economias do mundo, mas via commodities, com baixo crescimento industrial e tecnológico que tem como pré-requisito a evolução educacional. Como ontem e ainda hoje, apenas somos fornecedores de matérias prima, sem valor agregado. O dinheiro do Estado não é voltado para o desenvolvimento, mas para a economia de fechados grupos empresariais e políticos. Isso coloca no fosso, dos sem oportunidade, aproximadamente 55 milhões do programa Bolsa Família.

Incrível, mas 40% da população de 25 anos ou mais, não tem ensino fundamental, somam 53 milhões. Cerca de 29 milhões não tem ensino médio completo e 14 milhões são analfabetos. Outros 12 milhões, entre 15 e 29 anos, não estudam e nem trabalham. A evasão das universidades é assustadora. Dos que entraram, por volta de 49% abandonaram

os cursos. Nas universidades privadas, 53% desistiram. Apenas 21%, nas federais, concluem o curso. A bolsa de estudos para o mestrado é desestimulante e no geral dirigidas para áreas de pouca produção de interesse da Nação. Essas são as razões que nos distanciam daquelas Nações acima citadas, formando um fosso cultural, tecnológico e social, gigantesco. Nos Estados Unidos, 85% da população adulta possuem diploma de segundo grau e 27% de ensino superior. Neste quesito, no Brasil apenas 11% (aprox.), inclusos EAD.

Basta dar uma atenção ao que acontece agora no Brasil para perceber onde e em que nível estamos vivendo. Aqui, corruptos são inquisidores de juízes. Presidiário dá entrevista todos os dias e dorme na sede da Polícia Federal ao invés de presídio. Professores, que querem lecionar, são espancados em salas de aulas. Outros, subservientes de partidos, transformam a escola em local de doutrinação, jogando essas crianças, seus sonhos e de suas famílias, na lata de lixo. A maior corte do Brasil, o Supremo Tribunal Federal-STF, passa a ser um puxadinho de um presidiário que mês a mês entra com pedido de Habeas Corpus, esperando, como o STF, um vacilo do povo. Pior, querem acatar o uso das informações Hackeadas na defesa do presidiário de Curitiba, obtidas de forma criminosa e editadas. Dane-se o povo com a reforma Previdenciária, o negócio é criar torniquetes para o presidente não ficar bem com ele, o povo. Entendeu o Brasil?

DEU NO JORNAL

A AMANTE GARANTE

A Folha diz que o PT passará a ter compliance para andar em dia com a lei e limpar a imagem do partido.

Segundo Gleisi Hoffmann, a ideia é que “as melhores práticas administrativas e de contabilidade sejam seguidas pelos dirigentes do partido”.

Podem rir.

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DEU NO JORNAL

PERCIVAL PUGGINA

OS COMUNISTAS E AS CRIANCINHAS

Em fins de 2016, num surto de invasões de escolas, estudantes secundaristas passaram o cadeado em milhares delas. Protestavam contra tudo e todos: Temer, o governador do Estado, o diretor do colégio, o preço do chicabom. Ainda que as articulações fossem levadas a débito das uniões estudantis secundaristas, seria ingenuidade supor que, por trás, não agissem militantes dos partidos políticos fazedores de cabeças nas salas de aula do país.

Uma foto de jornal ficou-me na memória como representação dessa realidade. Ela foi tirada no pátio de uma escola invadida (o número de invasores era sempre ínfimo em relação ao total de estudantes, mas, como em tudo, a minoria impunha sua vontade às lenientes autoridades). A imagem mostrava um grupo de adolescentes atentos a um adulto que lhes falava. Poderia não ser um professor? Estaria ele convencendo os alunos a desocuparem a escola? Aproveitava ele o tempo para transmitir aos seus pupilos os encantos da matemática ou da análise sintática? Três vezes não. Há uma voracidade dos professores de esquerda em relação à captura e domínio da mente dos alunos.

No meu tempo de estudante, a expansão do comunismo e a Guerra Fria mantinham o mundo em sobressalto. O pouco que vazava para o mundo livre sobre os bastidores da Cortina de Ferro era suficiente para que o Ocidente se enchesse de receios. Minha geração viveu intensa e longamente essa realidade. Houve um momento, nos anos 60 do século passado, período da disputa tecnológica espacial e de multiplicação das armas nucleares, no qual muitos creram ser inevitável a vitória do comunismo, a ele aderindo para estar com os vencedores. Uma parte da esquerda brasileira foi formada nesse adesismo. O regime vermelho era organizado, centralizado, totalitário, agia com objetividade, não dava espaço para divergências nem perdia tempo com discussões. Não contabilizava vítimas e tudo que servisse à causa era eticamente bom. Brecht não tinha dúvida alguma.

No entanto, nem mesmo o terror e o genocídio de uma centena de milhões deram consistência e sustentaram um sistema intrinsecamente mau e incompetente. A partir dos anos setenta, o gigante começou a expor a argila mole sob seus pés. E foi por essa época que a esquerda ocidental, visando amainar com falsa ironia os temores que durante tanto tempo havia causado, passou a usar uma expressão que, de tão repetida, se tornou famosa: “Comunistas, não comem criancinhas”.

Por serem comunistas, não. Mas a fome que produziram nos primeiros anos da década de 20 do século passado (fome de Povolzhye), com a estatização da produção de grãos, levou ao comércio de cadáveres e não parou por aí. Os relatos são tão tenebrosos que prefiro saltar essa parte. Ademais, como não enfrentavam pessoas, mas classes e grupos sociais, na URSS, na China, na Coréia do Norte, no Vietnã, lotadas as prisões e os sanatórios políticos, os governos comunistas dizimaram populações inteiras, criancinhas aí incluídas.

A frase, porém, foi trabalhada para se constituir num atestado de boa conduta: os comunistas não comem criancinhas. Eles diziam e as pessoas riam. Mas o que faziam os comunistas com as criancinhas? Bem, aí é importante saber que o processo de doutrinação começava por elas, com a eliminação do ensino privado, com a supressão de todo o pluralismo e com a uniformização pedagógica. Em suas escolas só se ensinava uma doutrina, se reverenciava um só grupo de líderes e se insuflava o ódio e a delação contra os inimigos externos e internos do regime (incluídos nestes os próprios pais, se fosse o caso). Ao ministrar uma doutrina intrinsecamente materialista e má, furtavam a alma e envenenavam as mentes.

Exceção feita à delação de familiares, as coisas ainda são basicamente assim em Cuba. Na maior parte do Ocidente, porém, as estratégias evoluíram muito com os ensinos de Luckás, Gramsci, Foucault, Althusser, Adorno, Marcuse, Habermas e a correspondente ocultação dos que deles divergem, como Voegelin, Scruton, Aron, Russel Kirk, Revel e tantos outros. Ora são sutilezas paulofreirianas, ora é a manipulação do material didático, ora são os esforços em aplicar a ideologia de gênero. Chega-se, assim, à universidade dita pública, mas privatizada, levada de modo permanente àquela condição das escolas secundaristas tomadas pelos estudantes e seus apoiadores. É o magistério da revolta e da pretensa superioridade moral da tolice acadêmica. A universidade pública brasileira foi canibalizada. E eu não preciso dizer por quem.

JOSÉ NÊUMANNE - DIRETO AO ASSUNTO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CLÁUDIA MARIA MAGALHÃES – NITERÓI-RJ

Editor Berto,

Vamos aderir à campanha de Lula:

Ele tem que morar lá pelos menos nos próximos 20 anos.

Vem mais processo por aí.

Beijão!!!

R. Beijão pra você também, cara leitora.

Não está sendo fácil pra Lapa de Corrupto a troca do sítio de Atibaia e do triplex do Guarujá (duas propriedades de amigos), pela cela da Polícia Federal em Curitiba.

Diminuiu bastante a metragem quadrada.

De qualquer forma, se for comprar fiado nas Casas da Banha e tiver que apresentar um atestado de residência, Lapa de Canalha vai ter que dizer isso mesmo que está escrito na camiseta dele: “Moro em Curitiba”

Aliás, fica a pergunta:

Quando é que este cabra safado vai ser transferido para uma penitenciária federal, onde estão os outros criminosos da laia dele?

Hein?

E, aproveitando o tema da sua mensagem, cara leitora, vamos animar o nosso sábado com um gostoso balançado.

DEU NO JORNAL

NO OLHO DO FURICO DO PETRALHA HUNCERTO BOSTA

CHARGE DO SPONHOLZ

DEU NO JORNAL

GEORGE MASCENA - SÓ SEI QUE FOI ASSIM

SERTÂNIA: O MEIO DO CAMINHO DO TREM

Nos anos 50 e começo dos 60, Sertânia era uma espécie de capital do Moxotó e Pajeú no sertão pernambucano, atraia gente de todas as redondezas por causa dos serviços que oferecia, tinha Banco do Brasil e Banco do Nordeste. Etelvino Lins, ex-governador de Pernambuco por duas vezes, era filho da terra. As cidades da região tinham linhas regulares de lotações para Alagoa de Baixo, antigo nome da cidade. Em 1933, já havia chegado o trem, Sertânia ficou ponta da linha por oito anos, até a inauguração da estação de Albuquerque Né, em 1941, onde de lá o trem voltava “de ré” até Sertânia pra aprumar em um triângulo e retornar ao Recife, esse trecho que o trem andava para trás ocorreu até 1949, quando a linha chegou a Afogados da Ingazeira, outra estação com reversão para a locomotiva, esta em forma de pera.

Estação de Alagoa de Baixo e 2 tipos de “retorno” para trens

Alagoa de Baixo era a estação mais central da linha Recife – Salgueiro e era lá que acoplavam o vagão restaurante que seguia até Arcoverde onde desacoplava, após os passageiros terem almoçado, isso mesmo, no trem tinha um vagão que servia almoço, sobremesa, lanche e até cachaça. Outros antigos usuários da rede me disseram que o vagão seguia toda a viagem, em Sertânia ou Arcoverde embarcavam só a comida. Na composição tinha primeira e segunda classe, na primeira os assentos eram acolchoados e ficavam logo atrás da locomotiva, a segunda classe ficava depois do vagão-restaurante, e os bancos eram de madeira, dizia-se que os passageiros da segunda classe iam sentados no pau duro, e tome poeira levantada pelas composições dianteiras do trem. A estação sertaniense tinha oficina que só não era mais completa do que a de Edgar Werneck em Recife, lá tinha toda a estrutura para realizar serviços nas locomotivas e vagões, tinha até um dique e uma espécie de guindaste que levantava o conjunto para consertar ou trocar as partes rodantes.

1. O trem embarcando passageiros para Arcoverde; 2. Antigo dique e oficina; 3. Noticia do Jornal da Manhã sobre a inauguração da estação de Alagoa de Baixo

Entre os funcionários tinham muitos europeus, especialistas nas locomotivas eletro-diesel, “todas da marca General Eletric e fabricadas na Escócia. Um engenheiro escocês veio ensinar a manutenção das “azuis” aos mecânicos locais. As máquinas eletro-diesel eram todas azuis e eram chamadas eletro-diesel porque tinham quatro motores a diesel que moviam quatro geradores elétricos e estes moviam os motores elétricos da locomotiva – o sistema é o mesmo até hoje. Era um cara super engraçado, tomava uma cachaça danada (“Sarinho” era a preferida) e aos domingos se trajava à caráter para ir na missa. Já imaginou no início dos 1960, aquele cara de saia, paletó e gravata borboleta, dentro da matriz de Sertânia? Depois da missa passava o domingo todo na farra tocando uma gaita de fole, e tocava muito bem” me contou Gilberto Carvalho Moura, advogado afogadense filho de um ferroviário.

A chegada e a partida do trem em Afogados da Ingazeira nos anos 80:

O trem era a única opção de transporte coletivo para quem ia da região para a capital pernambucana até a chegada da concorrência da Leão do Norte, Realeza e Princesa do Agreste, os ônibus tinham diversos horários e eram muito mais pontuais. O trem da RFFSA atrasava demais. Contam uma história que um prefeito de Monteiro foi pra Sertânia pegar o trem para Recife, o horário da saída era 11 horas, mas o prefeito sabia dos atrasos habituais e se programou para chegar em cima da hora. Quando o carro do prefeito avistou a estação, já estava lá o trem apitando pra sair, foi um corre-corre danado, mas o prefeito conseguiu embarcar. Chegando lá dentro, cansado, comentou com outro passageiro: que milagre foi esse que o trem não atrasou? O passageiro respondeu: Tá atrasado sim, esse é o de ontem.

Imagens antigas de Sertânia: 1. vista aérea; 2. Ambulância; 3. prefeitura e 4. saída para Cruzeiro do Nordeste

A empresa Great Western, além das redes ferroviárias, deixaram muitos legados nesse nosso Nordeste, vários times de futebol foram formados pelos ferroviários nesse Brasil afora, trouxeram também muitas palavras que enriqueceram nosso vocabulário, como “galego”, por exemplo, que era os loiros que vinham da região da Gália na Espanha, conterrâneos de Asterix e Obelix. Outro termo trazido pelos trabalhadores na construção das linhas férreas foi “baitola”, este lá no Ceará, onde um engenheiro “inglesava” a palavra “bitola”, que é a largura da linha, como ele era afeminado, baitola virou sinônimo de gay.