DEU NO JORNAL

NOTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DO PARANÁ

A força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná (MPF/PR)vem a público repudiar notícia falsa sobre troca de procuradores em audiência do caso Triplex por meio de publicação rasa, equivocada e sem checagem dos fatos pelo blogueiro Reinaldo Azevedo.

Conforme é público, a procuradora da República Laura Tessler participou, na manhã de 13/03/2017, de audiência em ação penal em que acusado o ex-ministro Antônio Palocci (autos nº 5054932-88.2016.404.7000). Além de seguir realizando a audiência na tarde do mesmo dia, a procuradora participou de todas as subsequentes do caso, nos dias 14/03/2017, 15/03/2017, 21/03/2017, e 22/03/2017.

Como sempre, sua atuação firme, técnica e dedicada contribuiu decisivamente para a condenação, somente nesse caso, de 13 réus acusados de corrupção e lavagem de dinheiro a mais de 90 anos de prisão, incluindo o ex-ministro Antônio Palocci. Integrante da Lava Jato no MPF desde 2015, a procuradora Laura Tessler seguiu e segue responsável por diversas investigações e ações criminais, realizando todos os atos processuais necessários, incluindo audiências, contando com toda a confiança da força-tarefa na sua condução altamente profissional, cuidadosa e obstinada no combate à corrupção.

Ou seja, não houve qualquer alteração na sistemática de acompanhamento de ações penais por parte de membros da força-tarefa. Assim, os procuradores e procuradoras responsáveis pelo desenvolvimento de cada caso acompanharam as principais audiências até o interrogatório, não se cogitando em nenhum momento de substituição de membros, até porque todos vêm desenvolvendo seus trabalhos com profissionalismo, competência e seriedade.

Também como é público, os procuradores da República Júlio Noronha e Roberson Pozzobon, que participaram em 10/05/2017 do interrogatório de Lula na ação penal sobre o triplex no Guarujá (autos nº 5046512-94.2016.404.7000), foram os mesmos que estiveram presentes nas principais medidas investigatórias do caso em 04/03/2016 (como na oitiva do ex-presidente no aeroporto de Congonhas e na busca no Instituto Lula), na exposição pública do conteúdo da denúncia em 14/09/2016, e em 16 das 18 audiências judiciais do caso realizadas no ano de 2017.

Além de desrespeitosa, mentirosa e sem contexto, a publicação de Reinaldo Azevedo não realizou a devida apuração, que, por meio de simples consulta aos autos públicos acima mencionados, evitaria divulgar movimento fantasioso de troca de procuradores para ofender o trabalho e os integrantes da força-tarefa. Como o site “The Intercept Brasil”, de quem se diz parceiro, Reinaldo Azevedo, de modo tendencioso, tentou criar artificialmente uma realidade inexistente para dar suporte a teses que favoreçam condenados por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato.

Para suas absurdas conclusões, o blogueiro usou material cuja autenticidade não foi confirmada, reforçando o aparente intuito de criar notícias às custas de publicações que distorcem supostas conversas entre autoridades, atacando o Sistema de Justiça e as instituições da República, na mesma linha do que verificado nos ataques cibernéticos. A suposta versão, que não resiste a uma mínima análise crítica diante dos fatos públicos, indica que a fábrica de narrativas político-partidárias baseadas em supostos diálogos sem autenticidade e integridade comprovadas somente leva à perda de credibilidade de quem delas se utiliza sem a devida apuração.

Todas as informações sobre as ações penais referidas podem ser consultadas no site da Justiça Federal:

a) Ação penal sobre o triplex no Guarujá: autos nº 5046512-94.2016.404.7000 (Chave eletrônica: 162567218816);

b) Ação penal envolvendo o ex-ministro Antônio Palocci: autos nº 5054932-88.2016.404.7000 (Chave eletrônica: 111718380216).

Acompanhe todas as informações oficiais do MPF sobre a operação Lava Jato clicando aqui

Ministério Público Federal no Paraná
Assessoria de Comunicação

DEU NO JORNAL

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

CONSTITUIÇÕES

No Brasil pensamos que Constituição resolve tudo, desde pobreza até unha encravada, e se tem algo que ainda não foi resolvido é porque faltou “vontade política”. Se algo não está funcionando, é só mudar a constituição que tudo se resolve. Matutando sobre isso, achei um site chamado “Comparative Constitutions Project”, que faz umas comparações interessantes entre as mais de duzentas constituições que existem no mundo hoje.

Por exemplo: quais as constituições mais longas? Somos bronze! A lista das “dez mais” é a seguinte: India, Nigéria, Brasil, Malásia, Papua-Nova Guiné, México, Paquistão, Zimbábue, Equador e Gana. As mais curtas? Mônaco, Islândia, Laos, Letônia, Japão, Micronésia, Bósnia, Guiné Equatorial, Luxemburgo e Turcomenistão.

De cara, parece que constituições longas não garantem prosperidade: não há nenhum país daqueles de causar inveja na lista das maiores. Parece também que constituições curtinhas não são necessariamente um problema.

Outra informação que dá o que pensar é sobre a idade e o número de constituições. Nem todos pensam que mudar a constituição seja solução, e é possível que eles estejam certos. As constituições mais antigas em vigor são: EUA(1789), Noruega(1814), Holanda(1815), Bélgica(1831), Nova Zelândia(1852), Canadá(1867) e Luxemburgo(1868), além do Reino Unido, que não tem constituição. Vários destes países ainda estão na primeira, o que me faz pensar que a estabilidade pode ser uma coisa boa: nenhum destes países pode ser chamado de pobre ou de sub-desenvolvido.

Por outro lado, na lista dos países que mais trocaram de constituição, nossa América Latina reina soberana: República Dominicana(32), Venezuela(26), Haiti(24), Equador(20), Bolívia(19), Honduras(17), El Salvador(17), Nicarágua(14), Peru(12), Brasil(8). Você não leu errado, a República Dominicana já teve 32 constituições. Me perdoem se pareço arrogante, mas não parece que tantas trocas tenham resolvido muito a situação de nenhum destes países.

Uma outra análise interessante deste projeto é sobre o número de “direitos” garantidos por cada uma. Foi montada uma lista com 117 direitos, e o site mostra quantos deles são explicitamente citados por cada constituição. Novamente, os países no topo da lista não são o que se chamaria de “exemplos”: Equador(99), Sérvia(88), Bolívia(88), Cabo Verde(87), Portugal(87), Armênia(82), Venezuela(82), México(81), Angola(80) e Brasil(79).

E os países com menos direitos “garantidos” pela constituição? Alguns deles são bem razoáveis: Tailândia(2), Brunei(2), Israel(6), Austrália(11), França(11), Líbano(14), Áustria(15), Arábia Saudita(15), Singapura(18) e Dinamarca(21). Mônaco, Holanda e Luxemburgo estão por perto. Pessoalmente, eu não me importaria de morar em vários destes, mesmo sabendo que estaria “desprotegido”.

Claro que a fé na constituição é só um reflexo da fé nos políticos, que por sua vez é uma faceta da fé no governo. É como se uma parte do cérebro das pessoas permanecesse na primeira infância, quando somos dependentes da mamãe para comer, beber e vestir. Assim como nenhum bebê questiona a sua situação, alguns adultos também mantém uma convicção inabalável de que o governo nos dará sempre tudo que precisamos, e como duvidar de um governo tão bonzinho que até escreve na constituição todos nossos direitos?

Sobre a fé e o costume de achar que uma nova constituição ou novas leis poderão, sozinhas, modificar um país, só resta lembrar da velha expressão: papel aceita tudo.

A PALAVRA DO EDITOR

CALMA, CALMA…

Informo aos estimados viciados fubânicos que ainda estamos com alguns problemas na edição desta gazeta escrota.

Estão sendo tomadas as providências pra que tudo se normalize nas próximas horas.

Pelo número de leitores conectados – que é mostrado aí do lado direito e que está muito abaixo do normal -, parece que os nossos distintos fregueses também estão tendo problemas pra entrar nessa bodega safada.

Desconfio que por trás disto estejam os mesmo piratas internacionais que, a serviço da bandidagem pátria, criminosamente invadiram mensagens de autoridades brasileiras.

Já tô preparando uma cacete de grosso calibre pra enfiar no furico desses felas-da-puta.

Como a edição de vídeo continua funcionando normalmente, ofereço uma linda e repousante composição para refrescar a cabeça do distinto público.

DEU NO JORNAL

CERCO AOS HACKERS

Desde que o site The Intercept Brasil revelou as trocas de mensagens privadas entre o ministro da Justiça, Sergio Moro, e os procuradores da Lava Jato em Curitiba, o Brasil acompanha apreensivo à divulgação, em doses homeopáticas, do teor das interceptações – fruto da violação de celulares de autoridades brasileiras. O constrangimento ao qual foram expostos os integrantes da Lava Jato e o ex-juiz que se tornou símbolo do combate à corrupção no País pode mudar de lado. A Polícia Federal planeja-se para, nas próximas semanas, tentar emitir uma contundente resposta ao que classifica de ação orquestrada perpetrada por criminosos de alto calibre. Sob a coordenação do diretor-geral Maurício Valeixo, a PF acredita ter se aproximado dos hackers que invadiram a privacidade dos procuradores e expuseram as vísceras da Lava Jato. Em investigações preliminares, os agentes da Polícia Federal já identificaram conexões no Brasil, em especial em Santa Catarina, e no exterior, com o suposto envolvimento de agentes na Rússia e até em Dubai, nos Emirados Árabes. Segundo agentes ouvidos por ISTOÉ, a PF pode estar perto de alcançar os responsáveis pelo hackeamento ilegal, o que, se confirmado, constituiria uma bomba capaz de provocar uma reviravolta no caso.

As pistas da principal linha de investigação levam à Rússia. É onde reside o americano Edward Snowden, notório aliado do jornalista Glenn Greenwald, dono do site The Intercept Brasil. Em 2013, Snowden se aproximou dos irmãos bilionários Nikolai e Pavel Durov, que criaram o Telegram, um sistema de comunicação por mensagens similar ao Whatsapp. A PF suspeita que Snowden possa estar por trás do esquema de bisbilhotagem e divulgação das mensagens de membros do Ministério Público Federal. Recentemente, Snowden elogiou o Telegram por sua resiliência na Rússia, depois que o governo proibiu o aplicativo e pressionou para que liberasse o acesso às mensagens privadas dos usuários. Na PF, há quem acredite que o americano refugiado na Rússia possa ter se valido de recentes contatos com os Durov para ter acesso aos diálogos envolvendo as autoridades brasileiras.

Condinome: “lucky12345”

A partir da investigação sobre os passos de Snowden, informantes do Brasil na Rússia puxaram um outro fio do novelo: o que leva a Evgeniy Mikhailovich Bogachev, de 33 anos. Criador do vírus Cryptolocker e do ardiloso código Zeus, ele é procurado pelo FBI americano por crimes cibernéticos. Um rastreamento identificou que Slavic ou “lucky12345”, como é conhecido, teria recebido US$ 308 mil em bitcoins (a moeda virtual). Resta saber se o depósito foi realmente a contrapartida financeira por ele ter participado do processo de quebra do sigilo telefônico dos procuradores. O dinheiro teria circulado pelo Panamá antes de chegar a Anapa, na Rússia, onde foi transformado em rublos. Na última semana, o nome do agente russo veio à tona pela primeira vez através de um perfil anônimo no twitter. Embora parecesse inverossímil num primeiro momento, por conter erros de grafia e tradução, ISTOÉ confirmou que a PF segue sim o rastro da pista, considerada importante pelos agentes hoje à frente do caso. Em especial, pelos indícios de que Slavic, uma espécie de laranja no esquema, possa estar ligado a Snowden. Um relatório de segurança da Ucrânia aponta que “lucky12345” atua sob a supervisão de uma unidade da espionagem russa.

Mas por que os bilionários irmãos Nikolai e Pavel Durov, do Telegram, se aliariam a Snowden e Slavic na tentativa de desqualificar a principal operação de combate à corrupção da história recente do Brasil? Agentes da PF colheram informações que os levam a crer que os Durov, atualmente abrigados em Dubai, podem ter agido com motivações puramente ideológicas. Adeptos do islã, eles teriam ficado enfurecidos com a proverbial predileção do presidente Jair Bolsonaro por Israel em detrimento aos árabes. Em abril, depois de recebido com honras pelo premiê Benjamin Netanyahu, o presidente anunciou a criação de um escritório de negócios em Jerusalém “para a promoção de comércio, investimentos e intercâmbio” bilaterais. Netanyahu saudou a abertura de um gabinete brasileiro na cidade e pediu que aquele fosse o primeiro passo para a abertura da embaixada brasileira em Jerusalém – o que provocou a ira dos islâmicos e, consequentemente, dos Durov. Bolsonaro, ao alcançar o poder, foi o principal beneficiário da Lava Jato, conduzida por Moro. Desmoralizar o juiz e a Lava Jato significaria enfraquecer o bolsonarismo e trazer a esquerda lulista de volta ao jogo. Confirmada a tese, Greenwald teria sido a ponta final da operação comandada pelo trio Snowden, Slavic e Durov.

Não custa lembrar que Greenwald e Snowden foram parceiros num trabalho desenvolvido em 2013 e que expôs dados secretos da Agência de Segurança Nacional (NSA), do governo dos EUA. O material interceptado por Snowden, também de forma ilegal, foi divulgado por Greenwald no jornal inglês The Guardian e em outros jornais pelo mundo afora, como O Globo, no Brasil. Graças aos documentos vazados, o jornalista ganhou os prêmios Pulitzer e Esso. Pressionado a divulgar detalhes de sua operação, Snowden acabou se asilando na Rússia, onde passou a ser protegido pelo presidente Vladimir Putin. Enquanto que Greenwald se refugiou no Brasil, casando-se com o brasileiro David Miranda, atual deputado federal pelo PSOL e acabou fixando residência no Rio de Janeiro, de onde opera o The Intercept Brasil. Atualmente, Snowden é presidente da Freedom of the Press Foundation. Um dos co-fundadores é Greenwald. Na última semana, a PF considerou realizar uma operação de busca e apreensão dos computadores do dono do The Intercept e conduzi-lo para prestar depoimento, mas fontes ligadas ao ministro entenderam que esse fato poderia transformar o jornalista em mártir e o governo ainda corria o risco de ser acusado de cercear a liberdade de imprensa.

Trabalho de profissional

Algo é certo: a PF já sabe que o acesso ilegal ao aplicativo Telegram dos procuradores não foi realizado por amadores. “Não foi uma ação de um adolescente por trás de um computador. Tratou-se de um trabalho feito por uma organização criminosa altamente especializada”, endossou Moro em depoimento que prestou no Senado na quarta-feira 19. De fato, segundo fontes da PF, o trabalho de hackers na quebra de sigilo de celulares e computadores foi coisa de profissional. Além de envolver equipamentos caríssimos que alcançam a casa dos milhões de dólares, fogem completamente do padrão de hackers de menor poder destrutivo, conhecidos como “defacements”, que se notabilizaram por fazer as chamadas “pichações políticas” em sites e organizar malfadados ataques a transações bancárias. No dia 4, o suposto hacker tentou se passar pelo ministro da Justiça enviando uma mensagem a um funcionário do gabinete de Moro, depois de ativar uma conta no Telegram.

Sem descartar as pistas que surgem pelo caminho, na última semana, a PF adicionou uma organização criminosa que operava em Santa Catarina ao rol dos suspeitos. Na terça-feira 18, a PF desencadeou a operação “Chabu” (vulgo “deu errado”) em Florianópolis, com o cumprimento de sete mandados de prisão e 23 de busca e apreensão. O objetivo foi a desarticulação de uma quadrilha que vinha quebrando sigilos de autoridades no estado para o vazamento de operações policiais e ações de órgãos públicos. Para a PF, a quadrilha pode estar envolvida na operação de hackeamento dos celulares dos procuradores do Paraná.

Entre os presos, está o delegado da PF Fernando Amaro de Moraes Caieron e o policial rodoviário federal Marcelo Roberto Paiva Winter, ambos especializados em crimes cibernéticos e tráfico de drogas. Foram presos ainda o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (sem partido), e o ex-chefe da Casa Civil Luciano Veloso Lima. Todos eles utilizavam a estrutura da empresa Nexxera, de tecnologia, para cometer as ilegalidades. Segundo fontes ligadas ao diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, a análise dos documentos apreendidos será decisiva para apontar a existência do elo do grupo com os hackers da Lava Jato. Assim como a conexão Brasil-Rússia-Dubai, o elucidamento do caso parece estar próximo. Quem acompanha as investigações assegura: se os indícios encontrados até agora se confirmarem, a PF estará bem perto mudar o rumo do rumoroso episódio que monopolizou as atenções dos brasileiros nas últimas semanas.

Transcrito da revista IstoÉ

EVENTOS

REVISTA CRUSOÉ

Caro leitor,

Tente imaginar o Brasil sem a Lava Jato.

Para isso, faça de conta que:

– a força-tarefa não recuperou mais de 24 bilhões de reais desviados dos cofres públicos pela corrupção

– esse dinheiro não foi recuperado após 219 pessoas e 13 empresas terem confessado que cometeram crimes

– duas centenas de pessoas investigadas foram parar no banco dos réus

– as penas das dezenas e dezenas de condenados somam 3.096 anos de prisão

– pela primeira vez na história do país, peixes graúdos foram encarcerados pelos seus crimes — incluindo um ex-presidente e o maior empreiteiro do Brasil

Você consegue fazer de conta que a Lava Jato não existiu?

Pois é justamente isso que os inimigos da Lava Jato querem: que façamos de conta que a operação anticorrupção não existiu.

Para afastar esse pesadelo, a revista Crusoé acaba de publicar uma Edição Especial, com reportagens, entrevistas e análises exclusivas sobre o passado e o futuro da maior operação anticorrupção da história.

Faça sua assinatura clicando na imagem abaixo:

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

UM CLÁSSICO DE LITERATURA DE CORDEL

Esta coluna oferece hoje aos seus leitores o folheto O Romance do Pavão Misterioso, um clássico da literatura de cordel nordestina.

O Pavão Misterioso está no noticiário dos últimos dias, por conta da ação de piratas, corruptos e canalhas que querem acabar com a Lava Jato, a maior operação contra a bandidagem de colarinho branco que já foi feita no Brasil.

DEU NO JORNAL

PEDAGOGIA PIRATA

Guilherme Fiúza

Os responsáveis pela redação de um panfleto petista de quinta categoria na escola Eleva se mantiveram firmes, de forma que, na instituição, o impeachment não existiu

Veja o que aprende um aluno de Geografia entre 11 e 12 anos de idade na escola Eleva, no Rio de Janeiro — instituição privada (e considerada moderna) frequentada por filhos da elite carioca:

“Após a consagração de políticas sociais que reduziram a desigualdade, novas cobranças começaram a surgir e a oposição civil-política se mobilizou contra o governo consagrando o golpe que tirou Dilma Rousseff do poder em 2016 e colocou o vice-presidente Michel Temer na cadeira presidencial”.

Por algum espasmo de lucidez nessa opinião pública dopada do século 21, alguém reclamou e a escola mudou o texto. Veja como ficou o trecho em lugar de “consagrando o golpe”:

“Com isso, houve a destituição de Dilma Rousseff do poder em 2016”.

Dentre diversas certezas que emergem sobre os valores pedagógicos da escola, uma das mais evidentes é a da perseverança: os responsáveis pela redação desse panfleto petista de quinta categoria se mantiveram firmes, de forma que, na Eleva, o impeachment não existiu.

Não se sabe o que aconteceu com a sociedade brasileira para que se chegasse ao ponto de ter um contrabando partidário tosco fantasiado de ensino de Geografia numa escola supostamente de elite. O panfleto da escola Eleva retocando a imagem da quadrilha que depenou o país seria cômico se não fosse trágico: ele representa uma epidemia desse verniz progressista vagabundo — que nada tem de progressista, pois fingir que forma cidadãos conscientes prostituindo a História é o que pode haver de mais reacionário.

Dito isso, você tem duas opções: sentar e chorar à beira do mar de hipocrisia que o cerca ou responder ao teste de interpretação de texto a seguir. Caso opte pela primeira, por favor chore baixo para não atrapalhar o teste.

Vamos lá.

Responda quais as afirmações verdadeiras (V) sobre o ensino de Geografia da Eleva:

a) A melhor forma de reduzir desigualdades sociais é assaltar o povo e colocar o país em recessão profunda, porque assim você empobrece todo mundo democraticamente;

b) “Oposição civil-política” é um termo de alta erudição forjado no assembleísmo petista de raiz e incorporado à norma culta escolar por algum gênio do parasitismo sindical;

c) Escrever num livro didático que o governo consagrou políticas sociais e a oposição consagrou o golpe é a consagração do idiota consagrado;

d) Na pedagogia moderna, a verdade é uma mentira contada com desenvoltura e sem medo de ser feliz;

e) Me belisca que tá f…

CHARGE DO SPONHOLZ

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

TRABALHO HERCÚLEO

De Hércules, um semideus da mitologia grega notabilizado pela sua força, veio a expressão “trabalho hercúleo”.

Refere-se a uma tarefa que exige grande esforço; extremamente difícil de se realizar.

Como o que vemos, agora, quando os diálogos entre o Procurador da República Deltan Martinazzo Dallagnol e o então Juiz Sérgio Fernando Moro foram revelados pelo site The Intercept, indicando a existência de colaboração entre o juiz e o acusador no andamento de processo judicial criminal.

Certamente, a reação dos envolvidos, como acusados de irregularidades consistentes nessa colaboração, e até mesma na condução da acusação pelo juízo da primeira instância, em algum processo, vem constituindo um trabalho hercúleo, um esforço digno de Hércules na tentativa de garantir que os contatos entre uma das partes na ação, o Ministério Público, e o encarregado de sentenciar, o juiz, não representaram o que os diálogos demonstram.

Um resumo reduzidíssimo das circunstâncias de tais conversas diz que o juiz Sérgio Moro sugeria ao procurador Deltan Dallagnol que trocasse a ordem de fases da Lava Jato, cobrava agilidade em novas operações, dava conselhos estratégicos e pistas informais de investigação e, ao menos em uma decisão, criticou e sugeriu recursos ao Ministério Público e deu broncas no procurador, além de ter levado Dallagnol a retirar das audiências uma procuradora que o juiz julgava muito fraca em ação na qual se empenhavam esforços para condenar à prisão o ex-presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva – à qual ao final foi sentenciado.

Querem convencer de que são normais os contatos entre o juiz e as partes nas situações em que se deram e foram reveladas ao público.

Pois bem, quando se dá um esforço gigantesco (como que se está vendo neste momento em que partes envolvidas na condenação de Lula, políticos que a ele se opõem, parte da imprensa alinhada ao endeusamento do juiz envolvido, hoje Ministro da Justiça, redes sociais que dão apoio incondicional a qualquer comportamento da chamada Operação Lava Jato e, enfim, forças em geral que estão agindo a favor de Moro e Dallagnol, nesse trabalho hercúleo de justificar as ações reveladas pelos diálogos) significa que a força da ação em sentido contrário é também muito grande.

Ou seja, a represa que está sendo construída não se destina a conter um regato, mas um volume imenso das águas de grandes rios.

Trata-se de um cabo-de-guerra entre duas forças poderosas, de modo que é preciso até mesmo que a população conivente saia às ruas para dar apoio ao lado que enfrenta as acusações de parcialidade, pois as revelações de conluio decorrentes dos diálogos são poderosas.

“Manifestações de rua em defesa do ministro da Justiça, Sergio Moro, e da operação Lava Jato foram convocadas nas redes sociais para o dia 30 de junho. O catalisador dos atos é a publicação de supostas mensagens trocadas entre o ex-juiz e membros da força-tarefa da Lava Jato, divulgadas pelo site The Intercept, que questionam a conduta de Moro e procuradores do Ministério Público Federal”, diz a Gazeta do Povo, informando sobre as convocações.

Pois, vá correndo levar teu indispensável e irresponsável apoio para as ruas no dia 30 de junho de 2019 e participar do Trabalho de Hércules em favor de Moro, porque as revelações são graves e precisam de muito, muito esforço para que Lula seja mantido injustamente condenado.

Os que estão no outro lado do cabo-de-guerra não precisam ir às ruas: os diálogos falam por si.