CHARGE DO SPONHOLZ

DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ROQUE NUNES – CAMPO GRANDE-MS

Papa Berto, primeiro e único.

Será que seria muita ousadia de minha parte pedir a vossa Santidade Fubânica publicar este escrito abestado meu, que vai em anexo?

Apenas para desopilar o fígado de alguns amigos desta grande família fubânica.

E conto com sua abalizada crítica para ver se esse amontoado de bobagens vale a pena ser publicado.

Grato pela compreensão

R. Meu caro, aqui nesta gazeta escrota você não tem nada que pedir licença.

Empurre a porte, emburaque e dê as ordens.

Nesta bodega safada e fedorenta quem manda é o freguês.

Publico com muito prazer o hilário texto que você nos mandou.

É mesmo pra desopilar o fígado.

Abraços e um excelente feriado!!!

* * *

O ENTORTADOR DO VERNÁCULO

Clarimundo Luciano foi um desses seres abençoados que nasceu para trazer luz e sabedoria para o mundo. Filho de uma família abastada estudou nas melhores escolas, teve os melhores preceptores e uma educação que, em nada deixava a dever. Teve contato, desde cedo, com os clássicos: Homero, Virgílio, Cícero, Agostinho, Petrarca, Dante, Cervantes, Camões, Machado, e por aí vai. Teve, inclusive, aulas com o professor Aldrovando Cantagalo, tornando-se exímio esgrimista da Língua Pátria.

Mas, como todo bom brasileiro, o doutor Clarimundo – seguindo os passos do pai, formou-se em Direito – cedo pegou os cacoetes e vícios de esculhambar a “Inculta e Bela” usando vocábulos eruditos que fariam com que Rui corasse e tivesse que correr ao “Aurélio” para saber seu significado. Não usava a palavra carro, ou veículo. Era sempre viatura. Futebol era ludopélio, piquenique convescote. Argumento, arrazoado. Quando, por qualquer motivo se via contrariado, aí Benedito…. a coisa desandava:

– Sacripanta sicofanta, calaceiro, trampolineiro, estróina, biltre, valdevino, azêmola.

O alvo dos impropérios ficava na dúvida se era elogio, ou não, o que o doutor Clarimundo estava fazendo. É pra mim agradecer, seu Clarimundo? Aí ele ia ao delírio. Rua, capadócio!!!! E lá ia o sujeito, ainda em dúvida se era para ficar ofendido, ou agradecido.

Casou-se e dona Celeste – santa mulher – vivia mais fora de órbita que satélite brasileiro lançado pela base de Alcântara. Apesar de tudo isso, amava aquele homem esquisito no falar. Afora essa cisma em buscar tornar complexo o que, no dia a dia era simples, Clarimundo era uma pessoa afável e ótima companhia.

Na meia idade aceitou o cargo de Secretário do Interior de um governo do sertão do Brasil. Desses estados em que a população, apesar de simples é muito esperta, e vendo as besteiras que irão acontecer, coloca os menos capazes e mais incompetentes no cargo de governador, pois lá eles dão menos trabalho e prejudica menos a quem quer trabalhar e produzir. Clarimundo Luciano foi ao delírio. Só não declamou “As armas e os barões assinalados” de orelhada, porque era entortador do vernáculo e não acaciano.

Secretaria assumida, com os elogios de praxe ao governador, à mulher do governador. Só não elogiou o cachorro do governador, porque este gostava mais de cavalos, e não ficava bem. Até pensou em fazer o elogio, mas o discurso em que pontuava “agradecimento à nobre figura da cavalgadura do governador” pareceu-lhe não cair bem. Então cortou.

Sentado na cadeira da secretaria do estado de… ops…. quase… um Estado qualquer do sertão do Brasil, ficou sabendo que algumas das cidades sob sua gestão sofriam com tremores de terra. Nada a se preocupar, mas achou por bem mandar uma circular aos prefeitos das cidades. Mensagem, sim, pois esta situação se deu lá atrás, no período de antanho.

– Informo Vossas Excelências a passagem de sismo moderado por vossa urbe. Solicito informações imediatas, tão logo passagem efeméride telúrica

Ah, Barnabé…. armou-se a confusão. O prefeito de Cristalinho de Mato Dentro do Norte, sim, porque o do Sul estava bem tranquilo, mandou pronta resposta.

“Informo Senhor Secretário que logo que o Sismo chegou aqui botemo ele na cadeia, desarmemo o mode da urbe, o coroné da puliça já ponhô um IPM nessa feméria e botemo o telúrio pra correr. Só não informemo antes porcausdiquê um puta terremoto quase que acaba com nossa cidade”.

DEU NO JORNAL

NO OLHO DO FURICO DO PETRALHA

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

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AXIOMA: TODO PETISTA É BABACA

CHARGE DO SPONHOLZ

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PERCIVAL PUGGINA

O JEITO BOLSONARO DE SER

Muitos analistas políticos têm batido na tecla da necessária interlocução entre o Executivo e o Legislativo. Afinal, o Congresso tem a legitimidade institucional para aprovar ou não os projetos do governo. O parlamento é um lugar onde se fala e onde se verbalizam opiniões divergentes. Portanto, “bora conversar” que tudo se resolve.

Resolve? Não. Contudo, ainda que resolvesse – e vota e meia não resolve mesmo – a política é só isso? É apenas um formulário institucional onde os poderes conversam e as opiniões, magicamente, se harmonizam porque todos querem o bem do país? Acumulam nossas instituições méritos que as façam merecedoras da confiança nacional? Novamente, não.

Tenho como verdadeira a clássica lição segundo a qual a política é possível pelo que as pessoas têm de bom e necessária pelo que nelas há de mau. Sociedades humanas, para um ou para o outro, precisam de elite e precisam de liderança.

Certa feita, comentando as habilidades de Lula como comunicador, registrei minha observação segundo a qual, sobre o mesmo assunto, ele tinha opiniões diferentes para públicos diferentes e, graças a isso, era aplaudido dizendo A e dizendo o contrário de A. Essa “habilidade” é uma das condições necessárias para identificar um trapaceiro, jamais um estadista. Estadistas não molham o dedo na saliva e o esticam ao ar para perceber de que lado sopra o vento no auditório.

Na política, liderança e, especialmente, liderança exercida sobre a massa, é um dom distribuído em proporções escassas. Bolsonaro tem esse dom e só ele explica a vertiginosa escalada que o levou à Presidência, contrariando a vontade explícita de quase todos os profissionais da opinião pública, aí incluídos políticos e comunicadores.

Não adianta atacar e fustigar Bolsonaro, apontando suas limitações porque elas nunca foram dissimuladas. Ninguém está a descobrir uma face oculta do Presidente. Tais limitações sempre fizeram parte do jeito Bolsonaro de ser, jeito que a população conhece e ao qual atribui valor elevado num mercado de baixas cotações.

Parcela significativa da sociedade sabe que Bolsonaro não é o príncipe perfeito, mas percebe nele sadia intenção de se sacrificar para fazer a coisa certa. Não tenho o costume de usar citações bíblicas em textos sobre política, mas é impossível não lembrar, aqui, das palavras de Jesus sobre tomar a própria cruz e segui-lo. Tirar o Brasil da situação em que está exige do governante esse mesmo ânimo para enfrentar aqueles que fogem como o diabo de qualquer cruz. Que dizer-se de carregá-la! Ela é parte do problema do governo com a base.

O empenho que se percebe em tantos meios de comunicação, visando a constranger as redes sociais ao silêncio, sustar as cívicas e civilizadas mobilizações de rua e diagnosticá-las como intrusivas e impróprias, outra coisa não é que tentativa de isolar o Presidente de seu principal e mais consistente apoio.