JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

SEU MANOEL

Aqui em Itabaiana tem um andarilho de rua meio tantã do juízo que anda fardado.

Só que é calado feito um peixe.

Fiz uma foto dele.

É Seu Manoel.

Sabe-se que cumpriu uma pena em presídio e depois passou a viver desse jeito.

Só faz andar com um cachorro.

AUGUSTO NUNES

ESPECIALISTA EM TAPEAÇÃO

Lula acha que político faz qualquer coisa para chegar ao poder, até inventar um atentado — ou um câncer

“Essa facada foi muito estranha. Uma facada que não teve sangue, que os seguranças ao invés de protegerem o Bolsonaro protegeram o esfaqueador”.

Lula, durante entrevista concedida na cadeia em Curitiba, confirmando que, na cabeça de um ex-presidente presidiário, políticos fazem qualquer negócio para chegar ao poder ou nele permanecer, até inventar um atentado — ou um câncer.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

CORRUPÇÃO INCOMENSURÁVEL

Para Carlos Velloso, ex-presidente do STF, o que há por trás do vazamento de mensagens privadas de Sergio Moro com procuradores é uma tentativa de desacreditar a Lava Jato.

“A operação Lava-Jato esclareceu a ocorrência de monumental corrupção na administração pública, especialmente na Petrobras”, disse Velloso.

“Agentes públicos e do poder econômico em conluio se apropriaram de bilhões de reais de dinheiro público. Homens poderosos do poder econômico e do poder público estão presos ou estão sendo processados. Há acordos de delação premiada que escancaram essa corrupção. Muito dinheiro público roubado está sendo recuperado. Quem estaria por trás dessa articulação contra Sérgio Moro e a força-tarefa da Lava-Jato? É fácil responder. Sem dúvida existe campanha para desacreditar a operação Lava Jato, mediante meios ilegais, ilícitos, como ocorreu.”

Carlos Velloso, filósofo, advogado, professor, escritor, magistrado e jurista brasileiro.

* * *

Gostei da pergunta feita pelo ex-ministro:

“Quem estaria por trás dessa articulação contra Sérgio Moro e a força-tarefa da Lava-Jato?”

E do que ele disse em seguida:

“É fácil responder.”

Facílimo, sabemos todos nós que não somos ceguinhos e que não somos teimosos.

Bacana mesmo foi esta expressão usada pelo jurista Carlos Velloso, um caso raro nos tempos recente de ministro do Supremo digno, honesto e competente:

“Monumental corrupção”.

Em se tratando de roubalheiras do PT, os adjetivos devem ser mesmo nessa ordem:

Monumental, desmesurável, piramidal, fantástico, grandioso, imponente, gigantesco, magnificente, ilimitado, hercúleo, ciclópico, descomunal, mastodôntico, astronômico, assombroso, infinito.

E por aí vai.

Difícil é explicar isto pro curral de jegues lulo-petêlhos.

Explicar os adjetivos e explicar que Lula está preso por corrupção e lavagem de dinheiro.

Fora as outras condenações que estão por vir.

JOSÉ NÊUMANNE - DIRETO AO ASSUNTO

O OVO DA SERPENTE

No meu artigo A Moro e Dallagnol ainda restará a opção pelo voto, publicado aqui no JBF quinta-feira passada, 13, comentei a polêmica do momento, causada por revelações do site The Intercept Brasil, de conversas, tidas como “nada republicanas” por interessados em confirmar a tese da defesa de Lula de parcialidade do ex-juiz Sérgio Moro, deste com procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato, coordenada por Deltan Dallagnol. À espera de novos vazamentos prometidos pelo editor da publicação que as expõe, o norte-americano Glenn Greenwald, convém tratar da origem dessa promiscuidade entre procuradores e juízes e a quem tais vazamentos favorece. A origem de tudo está naquilo que os historiadores do século 20 chamam de “ovo da serpente”, no caso do nazismo de Adolf Hitler. Isso remonta à era Lula.

O petista, então presidente, e seu ministro da Justiça, o criminalista Marcio Thomaz Bastos, que tinha sido seu advogado na Justiça Militar à época das greves dos metalúrgicos no ABC, que liderava, instigaram a Polícia Federal (PF), o Ministério Público (MP) e a Justiça a atuarem contra quem se arriscasse a se expor como oponente. Não eram, por óbvio, originais, pois copiaram práticas da Delegacia Especial de Segurança Política e Social (DESPS), versão federal dos Dops estaduais no Estado Novo fascistoide de Getúlio Vargas, que centralizou o aparato policial para perseguir e levar à prisão adversários do regime. Já escrevi sobre esse assunto em artigo no Blog do Nêumanne, Prostituição, fraude e sabotagem (segunda-feira, 13/08/2018, veja só que data!). No resumo do citado texto informei: “Nenhum candidato com chance de ser presidente ousou, no debate da Band, referir-se aos escândalos de mensalão e petrolão para não perder eventuais eleitores de Lula, político preso e ausente”.

Já então, não tinha a pretensão de trazer nada de original, pois o delegado Romeu Tuma Jr, em seu livro O Assassinato de Reputações: Um Crime de Estado (Editora Topbooks, 2016), revelara preciosas informações sobre o uso da Polícia Federal (PF) contra adversários do PT. Segundo Tuma Jr., Lula instrumentalizou-a para torná-la não de Estado, mas um instrumento pessoal de pressão e intimidação, pau mandado de partido, versão tupiniquim da Stasi alemã ou da terrivelmente famosa tcheca.

Para justificar o Estado policialesco, instalado no País na era Lula, Marcio Thomaz Bastos recorreu ao adjetivo “republicana” para definir a PF, mas as operações policiais, em sua época, foram 25 vezes mais numerosas do que as que foram realizadas ao longo dos dois mandatos anteriores de Fernando Henrique Cardoso.

O ex-procurador da Lava Jato Carlos Fernando dos Santos Lima afirmou em palestras que os governos do PT permitiram o fortalecimento da PF e do MP. No tempo em que eu era repórter do Jornal do Brasil, comprovei que isso ocorrera ainda antes, em pleno mandarinato tucano. O ex-guerrilheiro e então deputado federal José Dirceu tratava a imprensa a pão de ló para fazer circular nos meios de comunicação as diatribes de dois procuradores federais que privilegiavam denúncias contra a gestão federal. Quem não se lembra do procurador Luiz Francisco, apropriadamente apelidado, à época, de “Torquemada”, o inquisidor? O pitoresco do detalhe histórico é que seu parceiro de dupla era um colega de corporação, Guilherme Schelb, hoje pregador evangélico e que quase chegou ao Ministério da Educação no governo, que se proclama antipetista, do capitão Jair Bolsonaro. A serviço do PT, Luiz Francisco e Schelb infernizavam a vida do tucanato. A dupla sumiu, mas o efeito permaneceu.

Marcio Thomaz Bastos se vangloriava da reforma que queria fazer no Poder Judiciário e pela revolução que dizia ter feito na PF. Mas o fato é que o MP e a Justiça foram aparelhados. Isso está contado em meu livro O Que Sei de Lula (Editora Topbooks, 2011). E em inúmeros artigos de minha autoria publicados aqui no JBF.

Lula e Bastos foram useiros e vezeiros no uso da justiça como arma para perseguir e inabilitar seus adversários, prática conhecida como lawfare. O caso mais célebre da manipulação da Justiça pelo lado oposto, ou seja, para proteger sócios em falcatruas, foi a Operação Castelo de Areia, instaurada em 2009 para investigar denúncias de corrupção da empreiteira Camargo Corrêa. Como registra a Wikipédia, em 5 de abril de 2011 a operação foi anulada pela 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a alegação de que denúncia anônima não poderia embasar investigações. A decisão foi inédita, contrariando a jurisprudência da corte, cujo entendimento anterior, em 33 decisões, permitia investigação a partir de denúncias anônimas. A decisão dividiu a doutrina. As denúncias anônimas são estimuladas em muitos países, entre os quais os Estados Unidos, que as adotam na chamada Foreign Corrupt Practices (Práticas Corruptas Externas). Em 7 de abril de 2011, o Ministério Público recorreu da decisão ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas em 2015 o ministro Luís Roberto Barroso rejeitou o recurso. Logo ele! O inspirador da manobra foi Bastos, ora pois. Ou seja, Lula inaugurou, foi atingido pela própria criação e agora reclama: é que o feitiço virou contra o feiticeiro.

No caso atual, a PF já abriu quatro inquéritos para apurar o autor da hackeragem e neles chegou a identificar que os arquivos foram capturados do celular do procurador Deltan Dallagnol. Não atingem apenas a Lava Jato, mas outros procuradores, como Rodrigo Janot, juízes, como Gabriela Hardt, e desembargadores, como Abel Gomes.

Avisei em vídeos e textos: a operação é caríssima e alguém investiu pesado nela. Parece que quem a fez conhece e deve ter tido colaboração de companheiros de hackeados. Como lembrava Vitorino Freire, protetor e depois desafeto de Sarney no Maranhão, “jabuti não sobe em árvores. Se está em cima, alguém o pôs”. Quem encomendou essas interceptações? Qual o propósito? Quem está sendo favorecido com esses vazamentos? Em meu canal no YouTube, comentei coluna de Merval Pereira em O Globo. O colega conversou com Silvio Meira, um dos maiores especialistas em tecnologia e professor emérito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Segundo Meira, “ninguém fez isso sozinho, não aconteceu por acaso, tem um desenho por trás.” Conversei com ele, que confirmou. E sei muito bem que ele sabe o que diz.

No artigo Em busca do hacker, no Estadão, Pedro Doria vai ao ponto: o hacker existe, mas não é ele a fonte do Intercept, as informações recebidas pelo site teriam sido colhidas de dentro do prédio do Ministério Público de Curitiba.” Bingo! Ciumeira, vaidade, inveja. Motivo não falta.

Em entrevista ao Estadão, Moro disse que existe um viés político-partidário na divulgação dessas mensagens. Uma delas passa pela soltura do condenado por corrupção e lavagem de dinheiro Lula. O Intercept justificou a publicação das mensagens roubadas de Deltan Dallagnol assim: “Moro e os procuradores da Lava Jato são figuras altamente controversas aqui e no mundo – tidos por muitos como heróis anticorrupção e acusados por tantos outros de ser (sic) ideólogos clandestinos de direita, disfarçados como homens da lei apolíticos. Seus críticos têm insistido que eles exploraram e abusaram de seus poderes na Justiça com objetivo político de evitar que Lula retornasse à Presidência e destruir o PT”. Em entrevista a Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e Florestan Fernandes, do El Pais, em 26 de abril, Lula garantiu que iria “desmascarar o Moro e o Dallagnol.” Omitiu na entrevista como o faria. Mas se trata de um spoiler, no mínimo, suspeito. O momento foi preciso e o projeto, sob medida.

A Segunda Turma do STF vai julgar, em 25 de junho, o pedido da defesa do petista em que demanda a suspeição de Moro. O julgamento foi iniciado no segundo semestre do ano passado e interrompido desde dezembro, quando o ministro Gilmar Mendes pediu vista. Seria outro spoiler confirmado? O crime não foi gratuito e contou com a colaboração de hackers experientes e companheiros infiltrados, não obra do acaso. Na entrevista citada, Lula mostrou que estava, no mínimo, informado do que estava em curso contra Moro. E esse tipo de combate subterrâneo lhe é familiar, desde o tempo de Bastos, quando a cobra desovou.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MAURINO JÚNIOR – PAULO AFONSO-BA

Saudações, Papa Berto!!!

Lá em Arcoverde, tem um sujeito por apelido de Gildo Priquitinho!!!

Apôi o cabôco dirmantelado num fundou um bar com o nome de Priquitu´s Bar?

Tá duvidando??

Apôi arrepare!!!

Um abraço aqui do cardinalato Pauloafonsino!!!

R. Pois o dono desse bar que se prepare:

O ministro Gilmar Boca-de-Priquito, o soltador de corruptos, vai cobrar direitos pelo uso indevido de sua marca facial mais característica.

A sua boca abucetada.

Para os leitores fubânicos de outras paragens, informo que “priquito” é um dos milhares de sinônimos da dicionarizada e científica palavra “vagina”.

A palavra que, por conta do seu uso prazeroso, gostoso e incessante, mais tem sinônimos nesse mundo.

Meu caro amigo José Honório, grande poeta recifense, glosou (atenção: é “glosou”, e não “gozou”) com maestria um mote de sua autoria que diz assim:

Xiri, perereca, aranha,
Quanto nome a brecha tem

E veja como ficou lindo:

Vagina, papuda, greta,
Xanha, lasca, racha e fruta,
Tabaco, chibiu e gruta,
Fenda, bainha e buceta,
Desejada, cara-preta,
E bacurinha também
É vizinha do sedém
Talho, pipiu e xiranha,
Xiri, perereca, aranha,
Quanto nome a brecha tem

Na verdade, esta parte arretada e muito especial do bicho fêmeo merece todos os elogios e sinônimos do mundo.

No meu livro O Romance da Besta Fubana, a personagem Amara Brotinho, rapariga de profissão, numa determinada cena da história, relaciona alguns sinônimos de priquito.

Veja que coisa profunda:

Chibiu, pombo, perseguida, buceta, peladinha, gruta encantada, xoxota, cabeluda, carne mijada, perdição-de-homem, buraco-do-céu, vagina, aguenta-fumo, boca-troncha, casa-de-rola, leva-vara, beira-roxa, porteira do mundo, do-cu-pra-riba, ninho-de-rola, caranguejeira, mealheiro, bacorinha, pão crioulo, engole-pau, brecha, boca-de-baixo, lacraia, goelão, greta, chiranha, aranha, migué, lascadinha, inchu, forno, boca-sem-dente, carteira, engole-cobra, buraco-da-minhoca e bregueço.

Fora os outros!!!.

E quem quiser saber do resto da história que leia o livro.

CHARGE DO SPONHOLZ

A PALAVRA DO EDITOR

DE JANGADA

E continua a chuva aqui no Recife.

É água que não acaba mais! 

As bicas estão transbordando.

Choveu a madrugada toda e amanheceu o dia chovendo pesado.

Ainda bem que aqui na redação do JBF continua tudo seco.

Chupicleide chegou pra trabalhar de jangada.

DEU NO JORNAL

OS ARAPONGAS DO BORDEL

Guilherme Fiúza

Já tem gente até dizendo que ele não poderia ter liderado Lava Jato nenhuma

Pegaram Sergio Moro. Ele foi flagrado sentenciando o ladrão mais querido do país — e isso não se faz. O pessoal da mídia transformista — a militância fantasiada de jornalismo — não gostou do que o principal juiz da Lava Jato falava em privado durante o processo que condenou o bom ladrão. Jean Wyllys (por acaso amigo dos arapongas em questão) já tinha reclamado que a voz de Moro é fina. Agora veio a queixa sobre os modos para se referir ao ladrão amigo.

Ok, cada um na sua — e se a sua é a militância delinquente com maquiagem de jornalismo investigativo, você tem mesmo que caçar quem defende a lei. Ainda assim, se coloque no lugar de Sergio Moro por um instante.

Ele estava liderando a força tarefa que capturou a quadrilha mais simpática e voraz da história. Já tem gente até dizendo que ele não poderia ter liderado Lava Jato nenhuma, que tinha que ficar lá no gabinete dele canetando os processos e ponto. Normal: no mundo encantado dos legalistas de almanaque, a justiça se faz praticamente com uma varinha de condão. O juiz é um burocrata que não precisa nem lavar as mãos no fim do expediente, tal o seu isolamento virtuoso.

Voltando ao mundo real e sua desobediência aos almanaques, Moro tinha entendido que o filho do Brasil — uma figura a caminho da canonização em vida — aproveitara sua santificação na Terra para se associar a santidades menos conhecidas que ele, mas igualmente puras — que viviam no altar das empreiteiras. Tudo em nome da amizade e da camaradagem, num clima tão fraterno e altruísta que ali a gula nem era pecado. Sendo assim, saíram devorando tudo (sem culpa).

Sergio Moro foi o estraga prazeres que apareceu para atrapalhar essa história bonita. O final terrível de tudo isso — se é que se pode falar em final — foi a condenação e prisão inédita no país de empreiteiros bilionários que só queriam fazer o bem, junto com ídolos do PT que tomaram o dinheiro do povo só para impedir que ele gastasse tudo com cachaça.

Agora imagine a cena: Moro decreta a prisão de Lula e ele simplesmente não obedece. Se tranca num sindicato cercado de fiéis transtornados esbofeteando jornalistas e dizendo que o grande líder só sairia dali sobre seus cadáveres. A companheira Gleisi já tinha avisado que ia morrer gente se ousassem tentar prender Lula.

Vários desses intelectuais de almanaque — os que dizem que juiz bom é juiz de gabinete — ali já diziam que Moro tinha dado vexame: sua sentença precipitada e inócua iria para a lata de lixo da história.

Os legalistas sabem admirar um bom drible marginal nas instituições.

Além deles, na torcida — e na fé — pelo baile de Lula na Justiça e na lei, estavam celebridades, famosas entidades de classe, parte da imprensa internacional, instituições multilaterais de direitos humanos (sic), etc. E Moro jogando xadrez com essa tsunami “progressista” em sentido contrário, fora os insultos de quem estava a favor dele mas já o chamava de arregão nas redes sociais. “Manda a polícia logo!” “Morreu na praia!” etc.

Ao contrário do que fingem querer os legalistas de almanaque, nesse momento Sergio Moro não estava sozinho em seu gabinete esperando a justiça se fazer pela providência divina. Certamente estava conversando não só com procuradores, mas com delegados, agentes, desembargadores e outros. Estava fazendo o que não estava em nenhum script e contrariava todos os convites das circunstâncias: evitar um banho de sangue e desmontar um teatro que salvaria um criminoso.

Se os arapongas fantasiados de jornalistas capturarem alguma mensagem telefônica desse famoso 7 de abril de 2018, informarão, depois daquela edição caprichada, que Moro estava combinando com seus comparsas como capturar um inocente perseguido por ele.

Como diria Cazuza: transformam um país inteiro num puteiro pra ganhar mais dinheiro — e (complementamos) querem que o xerife seja a virgem.

PENINHA - DICA MUSICAL