DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

NINGUÉM AQUI É PRUDENTE

Diogo Mainardi

Eu sei que é mais prudente, antes de sair em defesa da Lava Jato, esperar o vazamento do novo lote de mensagens roubadas a Sergio Moro e Deltan Dallagnol.

Mas eu não sou prudente. Nunca fui. E não aceito submeter-me à chantagem do Intercept, que promete traficar sua mercadoria ilícita em doses semanais, de papelote em papelote.

A Lava Jato foi a melhor coisa que aconteceu no Brasil. Voltei a fazer jornalismo, com O Antagonista, só por causa dela. Acompanhei os inquéritos curitibanos em todos os seus detalhes. Eu sei como a PF e os procuradores trabalham. Eu sei como Sergio Moro trabalha. Eles jamais usariam mensagens roubadas por um hacker para condenar um corrupto, por exemplo.

Animado com a possibilidade de inocentar Lula, Gilmar Mendes defendeu o uso de provas ilegais para tirá-lo da cadeia. O argumento é nauseabundo. Em primeiro lugar, Lula não é inocente. Em segundo lugar, as provas ilegais não são provas, porque ninguém periciou os arquivos roubados para atestar sua autenticidade.

Em terceiro lugar, não há nada de ilegal – nada – nas conversas editadas pelo site. É claro que, para desbaratar o maior esquema criminoso de todos os tempos, os integrantes da Lava Jato precisavam coordenar seus movimentos.

Foi o que eles fizeram, mandando para a cadeia os homens mais poderosos do Brasil.

O STF e o Congresso Nacional, brandindo as mensagens roubadas, agora se preparam para enterrar a Lava Jato. Mais do que isso: eles querem impedir que outra Lava Jato possa surgir no futuro, acabando, entre outras coisas, com a prisão dos condenados em segunda instância.

O cálculo vigarista só desconsidera um detalhe: depois do atordoamento inicial, as pessoas vão sair às ruas, porque elas não vão aceitar caladas o golpe contra a Lava Jato. E como ninguém aqui é prudente, o Brasil tem tudo para explodir.

ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

POEMAS SOBRE OBVIEDADES

UM DIA DE CADA VEZ

Viver sempre o tempo presente
Não ter foco no passado
Nem ansiar pelo futuro
Evita ser atropelado
Pelo trem do pensamento
Que está desgovernado.

*

PRIMEIRO, AS PRIMEIRAS COISAS

Assuntos devem ser ordenados
Utilizando prioridade
Pode sonhar com o ideal
Tenha foco na realidade
Assim vai superar desafios
A vida ganha qualidade.

*

VIVA E DEIXE VIVER

A gente tem um grande defeito
Querer o máximo poder
E na vida do próximo
Acha que pode se intrometer
Quem possui sabedoria
Segue o lema: Viva e deixe viver!

*

VÁ COM CALMA

Uma postura de bom senso
É agir sempre com calma
Constitui muita importância
Pra o equilíbrio da alma
O corpo não vai adoecer
Pois bloqueia todo trauma.

*

PENSAR

Quem quer ser distinguido
Ser humano racional
Evita agir por impulso
Através do instinto animal
Pensar é a frequência
De quem usa a consciência
Sintonize esse canal!

*

AUTOESTIMA

Gostar de alguém é fácil
Difícil é se valorizar
Erra quem procura no outro
Felicidade encontrar
O afeto vai poder fluir
Nada consegue obstruir:
Ame-se em primeiro lugar.

DEU NO JORNAL

EUFORIA E ESTRATÉGIA

Somente a expressão “euforia dos corruptos”, do ministro Luís Roberto Barroso (STF), irritou mais os petistas que “estratégia da marginália”, utilizada pelo senador Alvaro Dias (Pode-PR) para definir a conspiração que tenta desqualificar quem investigou e julgou na Lava Jato.

* * *

Duas fantásticas expressões.

– Euforia dos corruptos

Estratégia da marginália

Já registrei as duas aqui no meu arquivo.

Definem muito bem duas das muitas atividades da canalha lulo-petêlha.

Fecho a postagem com imagens de um corrupto, o maior deles, em plena euforia:

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

MARIANA STOCK E A TEORIA DO ORGASMO FEMININO

A teórica do orgasmos Mariana Stock

“Idealizada” pela psiquiátrica e psicanalista curitibana Mariana Stock, a teoria do orgasmo feminino consiste na mulher conhecer o próprio corpo a fundos perdidos, saber tocá-lo amiúde, em todas as partes sensíveis, trazendo o prazer à flor dos poros, excitando todas as zonas exógenas para gozar solitariamente sem a intromissão duma bimba, bastando apenas introduzir um vibrador “kidbengaliano” lubrificado com óleo de peroba na área do clitóris onde está localizado o ponto “G”.

Por meio de cursos online ou presenciais, a psicanalista está “revolucionando” a chamada “terapia orgástica”, que consiste na experiência individual de ampliação de consciência, onde a mulher aprende a desconstruir a ideia de que é preciso ser boa de cama: fungar, gemer, espernear, gritar, para o parceiro ouvir e a percepção de que o ato depende menos de fantasias do que de sensações físicas para ser bom e prazeroso.

Como na teoria Pajubá, “idealizada” e desenvolvida no reinado petista, que consiste na disseminação da suruba a todo custo para alienar corpo e mente de viado, baitola, fresco, franco, sapatona, travecus, tendo como expoentes principais as “teóricas” e “orientadoras” Jandira Pinguelão, Dilma Rousseff Clitorão, Márcia Tibúri Cuzão, Maria Doidivana Rosarão, dentre outras figuras proeminentes do universo petralha, a teoria do orgasmo feminino e a teoria Pajubá, dentre outras alucinógenas, são a demonstração cabal da transformação descompassada por que passou o Brasil e a América Latina depois que o “messiânico” canalha Luiz Inácio Lula da Silva, hoje Presidiário, assumiu o comando do continente há mais de dois séculos e idiotizou mais de oitenta por cento do seu rebanho com essas insanidades patológicas.

Como por trás de tudo que os petralhas abarcam como sendo revolucionário e bom para todos e sem fins lucrativos, mas visando a mamata da Lei Rouanet, a “teórica” Mariana Stock, criou o espaço PRAZERELA que, segundo ela, consiste “num espaço, num encontro, num refúgio dedicado às mulheres e aos seus prazeres”, com muita conversa mole, bate papo furado, lero lero e trela para boi dormir.

“Mulheres juntas, trocando carícias, crescendo e se fortalecendo mutuamente, num reencontro com o deleite adormecido, numa libertação dos tabus que as enrijecem. A possibilidade do emponderamento feminino pelo caminho do prazer” – explica Mariana Stock sua tese revolucionária que vai transformar o mulherio varonil no imenso FEBEAPÁ!

É ou não é pra arrombar a tabaca de Xolinha?!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

AUGUSTO NUNES

DEU NO JORNAL

BRASIL: FUTEBOL, CARNAVAL, SAMBA E INVERSÃO DE VALORES

Luís Carlos Dias Torres

Tenho acompanhado essa polêmica toda a respeito das mensagens trocadas entre a força-tarefa da Lava Jato com o então juiz e atual ministro da Justiça, Dr. Sérgio Moro. Estou absolutamente surpreso! Porém, a última coisa que me surpreende é o teor das mensagens trocadas entre o MPF e o juiz da causa.

Quem advoga na área criminal está mais do que acostumado com essa proximidade entre o juiz e o promotor. Ela é até natural. Afinal, ambos trabalham juntos, fazem audiências todos os dias, durante tardes inteiras. Tanto juiz como promotor são funcionários públicos. Normalmente são pessoas que optaram por essas carreiras com ideais de contribuir para um país e um mundo mais justo; que, em muitas vezes, se traduz em punir os culpados.

Aliás, isso não é de hoje. Desde muito existe esse tipo de entendimento entre o acusador e o julgador. Só que antes, ela acontecia presencialmente, na sala de audiências, no gabinete do juiz, no cafezinho do Fórum, etc. Hoje em dia, com os avanços da tecnologia, ela ocorre pelos aplicativos de mensagem.

O problema maior se dá quando essa proximidade e essa identidade de ideias e ideais contamina a imparcialidade do juiz. Novamente: quem advoga na área criminal está muito habituado a esse tipo de situação, onde a imparcialidade do juiz está totalmente comprometida por essa proximidade com o órgão da acusação, que é tão parte quanto a defesa no processo criminal.

Não é o caso do juiz Sérgio Moro. Tive a oportunidade de atuar em vários casos da chamada Operação Lava Jato, de casos relativamente comuns até casos mais sensíveis, como o do triplex e o do sítio de Atibaia.

Nosso primeiro cliente era uma pessoa ligada a uma das figuras centrais dessa história – o doleiro Alberto Youssef, velho conhecido da Justiça Criminal do Paraná.

O Ministério Público Federal denunciou e, nas alegações finais, pediu a condenação do nosso cliente. O Dr. Sérgio Moro, de forma independente e imparcial, absolveu nosso cliente.

Depois, representamos um importante executivo da OAS em vários processos.

No caso do triplex, mesmo sem acordo de colaboração firmado com o MPF, o Dr. Sérgio moro reconheceu a contribuição de nosso cliente para o esclarecimento da verdade e aplicou os benefícios da colaboração. O MPF teve de recorrer da decisão.

Mais para frente, foi a vez do processo que versava sobre as obras do Cenpes no RJ. Novamente, o Dr. Sérgio Moro, contrariando os pleitos da acusação, reduziu a pena de nosso cliente ante a sua contribuição para o esclarecimento da verdade, mesmo sem um acordo de colaboração firmado com o MPF. Novamente o MPF teve que recorrer dessa decisão.

Mudou o juiz, mas não mudou a independência e imparcialidade do Juízo da 13.ª Vara Federal de Curitiba. No caso do sítio de Atibaia, a Dra. Gabriela Hardt, inobstante o pedido de condenação formulado pelo MPF, absolveu nosso cliente de uma das acusações e extinguiu o processo em relação à outra acusação. Novamente o MPF recorreu da decisão. Lamentavelmente, vi pouca ou quase nenhuma repercussão dessa decisão na imprensa…

Assim, pelo menos na minha experiência, nunca houve comprometimento da imparcialidade do juiz nos casos da Lava Jato em que atuei. E toda vez que procurei o Dr. Sérgio Moro para despachar, sempre fui recebido com atenção e respeito. Nunca precisei do Telegram do juiz Sérgio Moro para poder falar com ele.

O que ficou muito evidente para mim na conduta do Dr. Sérgio Moro foi sua obsessão pela apuração da verdade. E, afinal de contas, é para isso que serve o processo penal.

Todo processualista sabe que a verdade real está acima da verdade formal. E foi por fazer essa leitura do juiz que definimos que a melhor tática de defesa seria contribuir para o esclarecimento da verdade, que, diga-se de passagem, veio à tona por muitos e muitos outros elementos de prova, tais como perícias, testemunhos, documentos, informações decorrentes de quebra de sigilo telemático, telefônico e bancário, etc.

Nessa história toda, me causa grande perplexidade ver que algum hacker tem a coragem e a petulância de invadir a privacidade do ministro da Justiça e de integrantes da força-tarefa da Lava Jato e que essa questão fique em segundo plano! Isso é gravíssimo! Autoridades da maior importância tiveram seus telefones invadidos e as pessoas parecem não se aperceber da seriedade disso. Trata-se de crime grave e a identificação e punição dos envolvidos deveria estar em primeiro lugar na ordem do dia.

Hoje, um site qualquer que tenha ligação com o mundo do crime – e hackers são criminosos, não nos esqueçamos disso – dá voz irrestrita àqueles que têm a audácia de hackear os celulares do ministro da Justiça e de procuradores da República da força-tarefa da Lava Jato.

Quem passou essas informações para o jornalista? Como ele teve acesso a elas? Se o jornalista for perguntado, certamente vai e deve alegar que tem direito ao sigilo da fonte.

A inversão de valores que estamos vivendo é de deixar qualquer pessoa de bem completamente estarrecida. As pessoas que trabalham para fazer com que os criminosos paguem por seus crimes, são condenadas. Enquanto isso, o sigilo (da fonte) vale para proteger a identidade de criminosos audazes, mas o sigilo (das comunicações) pode ser atropelado se for para expor autoridades altamente respeitadas ao juízo (leigo) da opinião pública. É isso mesmo ou eu perdi alguma parte dessa história?!?

O que mais me deixa espantado nisso tudo é que a imprensa supostamente séria presta mais atenção no conteúdo das mensagens trocadas – que revelam nada mais do que a praxe forense de sempre – do que no crime praticado contra importantes autoridades da República.

No fim, realmente tem muita coisa surpreendente nesse episódio todo. A única coisa que não causa surpresa alguma é o teor das mensagens trocadas entre a força-tarefa da Lava Jato e o então juiz Sérgio Moro.

A PALAVRA DO EDITOR

UM DEPOIMENTO INSUSPEITO

Aí em cima está o artigo do Dr. Luís Carlos Dias Torres, que você acabaram de ler, e que foi publicado no Estadão, edição de sábado passado, dia 15.

Depoimento insuspeito de um advogado de implicados na Operação Lava Jato, como ele mesmo diz no texto.

E logo aí embaixo, o artigo do nosso colunista Goiano Braga Horta.

Leiam os dois textos e tirem vocês mesmos suas conclusões.

Dr. Luís Carlos Dias Torres: “O que ficou muito evidente para mim na conduta do Dr. Sérgio Moro foi sua obsessão pela apuração da verdade. (…) A inversão de valores que estamos vivendo é de deixar qualquer pessoa de bem completamente estarrecida.”

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

A TRISTEZA QUE ME DÁ

Por estes dias, ando macambúzio. Só o que me desalivia o peso sobre o espírito são os ares de Paris.

Paro em um grego do Quartier Latin e peço um cone de batatas fritas a dois euros e saio comendo pela rua, quase de cabeça baixa. Ando pela beira do Sena, desbundo-me na Ponte Alexandre Terceiro, peso-me o coração de dor ao olhar a fachada da Notre Dame, queimada e vazia por dentro, espanto-me com as sirenes de um comboio de carros da polícia que vão descer o cacete nuns coletes amarelos.

Mas nada me tira, completamente, o fardo de chumbo derretido que me deprime com as notícias de que Sérgio Moro e o Ministério Público praticaram atos que confirmam as suspeitas de que os processos contra o presidente Lula foram baseados em falsidades.

Pensarão que eu devia estar alegre e com a alma leve! Pois, então, não existe mesmo a possibilidade de que, com as revelações do The Intercept, possam mesmo os processos contra Lula (e até contra outros) serem anulados, como aconteceu com a Operação Satiagraha (2004/2011) e com a Operação Castelo de Areia (2009/2011)?

Sim, existe.

E isso, para quem acompanhou os processos contra o Lula, desde as investigações, passando pelas apurações e denúncias, até o desenrolar do processo, sua sentença e confirmação pelo TRF4 e pelo STJ, traz um sentimento de que a Justiça possa ser feita e que Lula (que acreditamos inocente das acusações, até por inexistirem dados concretos de sua pretensa corrupção e por nunca ter sido encontrado o dinheiro grosso, que essa corrupção teria de ter rendido, em qualquer conta sua escondida no Brasil ou no exterior, ou debaixo do colchão) possa ter todo o processo revisto, desde às origens, que hoje todos sabem que devem estat contaminadas – de cabo a rabo.

É que insistíamos em acreditar que esses homens acreditavam, ainda que a meu ver envolvidos pelo ambiente político e social contaminado, estar aplicando a lei; e pensavam estar fazendo um julgamento isento.

Algo semelhante acreditei que pudesse ter havido com o segundo processo, sentenciado pela juíza Gabriela Hardt, que copiou a fórmula, acreditando que – pelas aparências formais – tudo tinha andado bem e ficava claro que se Lula tinha aprontado no tríplex não havia porque não tê-lo feito em Atibaia: a juíza, pelo menos, estava de boa-fé?

Pois, o castelo de cartas caiu e com ele a minha crença na isenção de propósitos de toda essa turma, inclusive na imparcialidade dos juízes do segundo e terceiro grau, que não tiveram a capacidade de ver que, ainda que os aspectos formais dos processos parecessem regulares, existia uma evidência de animosidades mais do que latentes, patentes, em episódios como o da apresentação de Lula como o centro de tudo no esquema de corrupções, bem como em atitudes do juízo do primeiro grau na condução do processo – de modo que esse fechar de olhos e o apoio irrestrito à barbaridade processual, mesmo com as reduções da pena e da multa absurda pelo STJ, denotam a existência do “tour de force” condenatório.

Hoje, não há mais dúvida: todos agiram, seja em concluio, seja em combinação, seja em vista grossa ou apoio tácito, com o fim de justiçamento, adotando o princípio de que os fins justificam os meios, para tomarem-se em cruzada contra a corrupção.

E isso me leva a esta tristeza. Agravada pelo fato de que Lula está preso há um ano, por uma condenação absolutamente irregular.

E há quem aplauda.

E minha tristeza aumenta ainda mais ao sentir que quem aplaude também há de estar envolvido na conspiração.

É esse, mesmo, o País que dizem querer deixar para filhos e netos?! Um País de nulidades?