SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

QUATRO TEMAS PRO DOMINGO

1 – CRESCER E MULTIPLICAR

Família reunida dá pausa na multiplicação

Trabalhar é o caminho e a solução para quase tudo. Inclusive, para esquecer a realidade e as coisas simples que a Natureza divina nos oferece, todos os dias. Muito provavelmente, foi pensando assim, que os gestores públicos do passado criaram “férias” para quem se dedica tanto nas obrigações trabalhistas assumidas e, como castigo disso, acaba esquecendo a família que está construindo.

Felizmente, não era assim que pensava Antônio Luciano, homem rude em todos os sentidos e, felizmente, correto e honesto em todos os seus propósitos – coisa rara neste Brasil que rouba a si próprio – que conseguia ver que, todos os dias têm 24 horas, mas a noite, infelizmente, só têm 8.

E era esse mesmo Antônio Luciano que afirmava com conhecimento prático e acadêmico:

– Se, dessas oito horas da noite a gente aproveitar todo dia, pelo menos duas fazendo malinagens “capatroa”, ela nunca vai sentir dor de cabeça, nem ter tempo para sofrer depressão. A gente economiza na compra de remédios!

Era essa a filosofia do viver de Antônio Luciano, casado de papel passado com a Tia Maria. Tia Maria, teve ano que pariu duas vezes. Uma em fevereiro e outra em dezembro. Se doaram inteiros na “multiplicação”, embalados, nos tempos dos anos 50, pelas sinfonias de cigarras, grilos e corujas.

Fizeram tantos filhos que, certa tarde de domingo, esperando o café com cuscuz depois da madorna do almoço, Antônio percebeu que, no cio, a jumenta Brilhosa aporrinhava o jumento Fabrício, se negando a ter e dar prazer, e resolveu chamar o filho Zé Luciano para soltar a jumentinha. De repente, um rapaz e um menino se postaram na frente dele e, uníssonos disseram:

– Sim, pai!

Pois, eram tantos filhos, que Antônio Luciano esqueceu e, na hora do batizado, repetiu o nome. Dois filhos com o mesmo nome.

E essa foto aí mostra a exata realidade do sertão cearense. O pai se preparando para ir ao trabalho, encostado no jumento; o cachorro pirento e cheio de pulgas todo enrolado, deitado; a mulher prenha, com três filhos pequenos e o mais velho sentado ao lado da mulher que já pariu dois (estranhamente, um moreno e um mais clarinho – não se espantem, pois é que ela bebia muito café durante a gravidez) na despedida do pai.

No sertão, “crescer e multiplicar” não é apenas uma passagem bíblica – às vezes, a interpretação muda de figura, e é feita ao pé da letra, “triplicando”.

* * *

2 – OS PRAZERES DE IPANEMA E HIGIENÓPOLIS SÃO DIFERENTES DE TIMBAÚBA

Moderno “rebolador de barro” de Timbaúba

São muitas as afirmações de entidades envolvidas com a saúde pública, dando conta da escassez e da quase inexistência de saneamento básico na maioria das cidades brasileiras, e a má qualidade operacional desse item na saúde do povo. Virou justificativa cultural, o dizer que, “saneamento básico não aparece, por isso não dá votos, o que justificaria sua inexistência”.

Na minha Queimadas, lembro bem, quando apertava a necessidade de “rebolar o barro fora”, a gente pegava a vara de derrubar manga e caju, um sabugo de milho e se enfiava mata à dentro – a vara era para espantar os porcos e as galinhas. Se não fizesse isso, esses saborosos animais domésticos não deixavam ninguém cagar.

Agora, se a vontade de fazer isso permitisse, não precisava levar a vara. Dava tempo subir na mangueira e, de lá, “atirar merda” nas cabeças dos porcos. Pior mesmo, era o castigo imposto pela Avó: banhar os animais para retirar a bosta. Era muito trabalhoso levar dois porcos para banhar no açude. Eles eram levados soltos e, costumeiramente, se embrenhavam na mata. Era uma luta hercúlea para juntá-los e trazer de volta.

Mas, como toda regra tem exceção, na casa da tia Nezinha, na Timbaúba – um povoado nem tão distante das Queimadas, o luxo era diferente, haja vista que havia dois “water closet” – um, mandado construir na parte externa da casa, logo ao lado da camarinha, com uma porta da qual apenas ela tinha a chave; e outro, no quintal para uso geral – na realidade, um buraco no chão, protegido por um banheiro de palhas de coqueiro.

No bairro Higienópolis, na capital paulista, claro que a realidade é outra. Banheiros modernos, sempre higienizados, duchas íntimas e até equipamentos que, na descarga, transformam o odor insuportável da merda em colônias francesas. Mas, essas são as exceções da regra, e nunca somam nas estatísticas do IBGE.

* * *

3 – A BODEGA E O BODEGUEIRO DO SERTÃO

Uma bodega típica em Simplício Mendes – interior piauiense

Nunca teve lista. É, lista, Aquela relação abestalhada que muitos que querem aparecer levam para os supermercados no dia de fazer a “compra grande” do mês.
Tava tudo ali, decorado na cabeça, por força da necessidade. Biscoito de maisena, sabonete Phebo, essas coisas que a gente comprava quando era no começo do mês e a conta do caderninho ainda estava pequena.

Levava 250gr de pó de café, mil réis de pimenta do reino, mil réis de colorau (quando acabava o que era feito de urucu e vinha do interior), 100gr de banha de porco, 200gr de manteiga real, uma barra de sabão, 1 lata de leite Ninho, 1kg de feijão, 2kg de arroz, 2 kg de farinha, 1 litro de querosene, duas velas das médias, duas latas de sardinhas Coqueiro, 1 lata de Kitut fiambrada e 1 kg de sal. Essa era a compra de casa, anotada no caderninho para pagar quando o “dinheiro do papai saísse”.

A compra da Vovó, era mais ou menos essa aí, mas no lugar do leite Ninho, tinha 1 quarta de fumo em rolo; no lugar das 250gr de pó de café tinha as mesmas 250gr de café, mas em grãos. Não entravam na lista o feijão, o arroz, a farinha e o açúcar. Tudo era colhido na roça e no lugar do açúcar, a gente usava mesmo era a rapadura.

Segredos dos negócios sempre existiram. E um dos segredos guardados sob sete chaves, era a mania que Diógenes da Nêga, bodegueiro lá das beiradas do Açude Novo, na Guaiúba, tinha para comprar alguns itens em maiores quantidades, embora o consumo não fosse tão grande.

Fumo de rolo, charque, pirarucu, camurupim, rapadura, querosene, creolina, banha de porco e óleo comestível de caroço de algodão, eram itens que lotavam sempre a despensa do bodegueiro.

Charque no feijão, quase todo mundo usava, querosene toda casa consumia mais de 1 litro por semana, apenas nas lamparinas, creolina para limpar as bicheiras dos animais e fumo de rolo para suprir os cachimbos. Talvez fosse essa a justificativa dos grandes estoques.

Agora, nunca teve bodega que não vendesse fiado. Ainda que ostentando em muitas prateleiras, aquela placa tradicional de “Fiado só amanhã”!
Hoje tudo é muito diferente, com a chegada dos sacolões, dos pequenos comércios de cereais, das padarias que se triplicaram e, finalmente, com a chegada dos supermercados, sufocando e acabando quase que definitivamente com as bodegas e os bodegueiros.

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4 – ROSÁRIO DOS COQUINHOS

Rosário de coquinho catolé

Coco catolé. Para as crianças, uma divertida brincadeira coroada com a satisfação da alimentação; para outros, uma alimentação, se misturada à outros ingredientes; para outros, a única fonte de renda possível de suprir as necessidades mais prementes.

Em algumas cidades do interior dos estados do Ceará, Piauí, Paraíba e Pernambuco, o “rosário de coco catolé” não permite qualquer associação religiosa. É muito forte entre o brincar comendo alguma coisa e a manutenção cultural descoberta pelos antepassados.

A venda de rosários ajuda na manutenção de famílias, como faz o menino do amendoim torrado nos trens suburbanos do Rio de Janeiro. A extração do óleo comestível e medicinal, tem se transformado numa fonte de renda no alto sertão nordestino, onde prolifera, ainda, a fome – em meio ao cântico dos sabiás.

COMENTÁRIO SELECIONADO

UM JORNAL INDECENTE A FAVOR DA DECÊNCIA

Comentário sobre a postagem CONVERSAS DE MORO

A verdade está lá fora:

O Jornal da Besta Fubana sempre esteve contra a roubalheira e a favor da decência.

Isto é a maior verdade.

E seus leitores estão aqui para ajudá-lo a manter o Jornal sempre no caminho da verdade, apesar das pedras espalhadas pelos inimigos do povo.

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PERCIVAL PUGGINA

O BRASIL TRABALHOU E GREVISTAS “FURARAM” O TRABALHO

O Brasil não parou. A presidente do PT sonhava com cidades fantasmas e praças tomadas por candentes manifestações “contra tudo isso que está aí”. E “Lula livre!”, claro. Que modo melhor de exibir força, do que parando o país? Para mostrar musculatura, uma greve geral é mais eficiente do que camiseta cavada.

Quando uma paralização é anunciada, o trabalhador que insiste em ir trabalhar é acusado de furar a greve. Pois a greve do PT e seus satélites foi um fracasso que inverteu a situação. O que se viu foram grevistas furando um dia normal de trabalho. Dado da realidade: o Brasil não parou.

Foi uma lição de maturidade proporcionada aos imaturos, que não apenas desprezam as lições do passado e nada aprendem com o que acontece diante de seus olhos no momento presente, como ainda almejam uma volta ao passado. Querem cometer todos os erros uma vez mais.

É a política, dirão alguns. A vida é assim, há governo e há oposição, dirão outros. Sim, é verdade. Mas a ideia da greve geral, desde que a esquerda se organizou no país, acrescenta um ingrediente abusivo e totalitário com o intuito de impedir o acesso das pessoas aos locais de trabalho. Isso se obtém com a instrumentalização, o aparelhamento dos sindicatos que respondem pela mobilidade no meio urbano. Mobilidade de pessoas, mercadorias e dinheiro.

O que se viu no dia 14 foi que nem isso deu certo. A greve obteve uma adesão pífia e onde algum reflexo foi sentido, ele esteve longe de expressar adesão política. Foi mero produto do constrangimento. Deveria ser desnecessário dizer, mas, em todo caso, vá lá: quem não conseguiu chegar a seu posto de trabalho porque tal ou qual sindicato impediu a saída dos ônibus ou dos trens, ou porque alguns brutamontes se postaram diante da porta da agência ou da repartição, estava em oposição à greve geral. Provavelmente foi chamado fascista e seu olhar de reprovação deve ter sido interpretado como discurso de ódio.

Num país que precisa trabalhar para, com esse trabalho, gerar poupança necessária à abertura de novos postos de trabalho, parar o Brasil é irresponsabilidade em grau máximo. Por incrível que pareça, há forças políticas que ainda acreditam em sua capacidade de vender ilusões a um mercado onde perderam o crédito. E para isso se valem de grupos sociais com muito amor à remuneração e aos direitos e pouco amor ao trabalho e aos deveres.

DEU NO JORNAL

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Maria Quitéria

Maria Quitéria de Jesus Medeiros nasceu em 27/7/1792, em São José das Itapororocas, atual Feira de Santana, BA. Militar e heroína na luta pelo reconhecimento da independência do Brasil. Filha do fazendeiro português Gonçalo Alves de Almeida e Joana Maria de Jesus, perdeu a mãe aos 10 anos e assumiu o comando da casa. O pai casou novamente e ela não se deu bem com a madrasta, que não admitia seu comportamento independente. Não frequentou escolas, mas dominava a montaria, caçava e manejava armas de fogo.

Estava noiva, prestes a casar, entre 1821 e 1822, quando teve início na Bahia o movimento contra o domínio português. Em janeiro de 1822, a Coroa enviou as tropas portuguesas, sob o comando de Inácio Madeira de Melo. No confronto, os portugueses cometeram barbaridades, como a invasão do Convento da Lapa, onde ocorreu o martírio da freira Joana Angélica. O fato veio acirrar o ânimo da população, levando o Conselho Interino do Governo da Bahia a convocar voluntários. Maria Quitéria quis se alistar, pediu permissão ao pai, mas teve o pedido negado. Com a apoio da irmã e do cunhado, cortou o cabelo, vestiu roupas masculinas e se alistou com o nome Medeiros no “Batalhão dos Voluntários do Príncipe Dom Pedro”. 15 dias depois o pai foi buscá-la, mas o major José Antônio da Silva Castro (avô do poeta Castro Alves) defendeu-a e não permitiu seu desligamento da tropa, devido a sua disciplina militar e facilidade no manejar de armas. Seguiu com o Batalhão, agora com um saiote à escocesa acrescido ao seu uniforme, para vários combates.

Participou das batalhas na da Ilha da Maré, da Pituba, da Barra do Paraguaçu e de Itapuã. Dom Pedro enviou à Salvador o general Pierre Labatut, para organizar o combate, no qual ela teve atuação destacada. Em 2/7/1823, quando terminou a “Guerra da Independência”, com a entrada do Exército Brasileiro em Salvador, a cabocla Maria Quitéria, já promovida a cadete, foi saudada e homenageada pela população. Lembremos que esta guerra durou de 1821 a 1823 e que o dia 2 de julho de 1823 ainda hoje é a data magna da Bahia, feriado em comemoração a consolidação da independência do Brasil.

Em 20 de agosto do mesmo ano, foi condecorada, no Rio de Janeiro, com a “Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul”, numa audiência especial quando recebeu a medalha das mãos do próprio Imperador Dom Pedro I, com o discurso: “Querendo conceder a D. Maria Quitéria de Jesus o distintivo que assinala os serviços militares que com denodo raro, entre as mais do seu sexo, prestara à causa da Independência deste Império, na porfiosa restauração da Capital da Bahia, hei de permitir-lhe o uso da insígnia de Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro”. Além da comenda, foi promovida a Alferes (2ª tenente), posto em que ficou reformada. Voltou à Salvador com uma carta do imperador dirigida à seu pai, pedindo que ela fosse perdoada pela fuga de casa para lutar pelo Brasil.

A escritora e pintora inglesa Maria Graham, que viveu três anos no Brasil, estava presente nesta cerimônia e ficou tão impressionada com sua figura que desenhou seu retrato, o único que temos de Maria Quitéria. Além disso, escreveu no seu livro Journal of a Voyage (Londres, 1824), que “Maria de Jesus é iletrada, mas viva. Tem inteligência clara e percepção aguda. Penso que, se a educassem, ela se tornaria uma personalidade notável. Nada se observa de masculino nos seus modos, antes os possui gentis e amáveis”. Foi a partir daí que a nossa heroína passou a ser conhecida e valorizada entre nós. Por incrível que pareça, ainda hoje os brasileiros mantém o costume de só reconhecerem suas personalidades quando são divulgadas no exterior.

Pouco depois casou com um antigo namorado, o lavrador Gabriel Pereira de Brito, com quem teve uma filha. Em 1835 ficou viúva e mudou-se para Feira de Santana para tentar receber parte da herança do pai, falecido no ano anterior. Desistiu do inventário, devido a morosidade da justiça e foi morar com a filha em Salvador. Faleceu em 21/8/1853, aos 61 anos, quase cega e total anonimato. Encontra-se sepultada na Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento, no bairro de Nazaré em Salvador. Foi a primeira mulher brasileira a assentar praça numa unidade militar do Exército. 120 anos depois, em 1943, durante a 2ª Guerra Mundial, as mulheres passaram a ter existência oficial naquela instituição.

Em 1953, Os Correios estamparam um selo comemorativo do centenário de seu falecimento. Em 1996 foi-lhe atribuído o título de patronesse do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. Sua imagem está exposta em todos os quartéis do Brasil. As câmaras municipais de Salvador e Feira de Santana instituíram a Comenda Maria Quitéria. Em sua cidade foi-lhe erguido um monumento no cruzamento da Av. Maria Quitéria com a Av. Getúlio Vargas, além de nomear o Paço Municipal. Seu retrato mais conhecido é uma pintura de corpo inteiro, pintado por Domenico Failutti, que atualmente integra o acervo do Museu Paulista, em São Paulo. A pintura foi baseada no retrato publicado no livro de Maria Graham.

Sua vida foi descrita em diversos livros de história do Brasil e em algumas biografias: Maria Quitéria: A Joana d`Darc brasileira (2014), de Mônica Buonfiglio; Maria Quitéria (2008), de Miriam Mambrini e A incrível Maria Quitéria (1977), de João Francisco de Lima. Sua vida e feitos vêm sendo comparados ao da mártir francesa Joana d’Arc, que também teve uma destacada vida militar.

CHARGE DO SPONHOLZ

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

VALÉRIA BOSSI – BELO HORIZONTE-MG

Caro chef editor,

Recebi pelo WhatsApp e achei que expressa a opinião de centenas de nós que já desistimos da Vênus Platinada e corremos para o Besta Fubana.

Se achar que vale a pena publique.

Um abraço e tenha um domingo de real descanso.

Se esqueça de nós neste dia santo para ter um real relaxamento.

Mas volte na segunda-feira.

Valéria, das Minas Gerais

R. Minha cara doutora, grande médica fubânica das Minas Gerais, como especialista em Medicina Preventiva, pode ficar tranquila que eu descanso e relaxo todos os dias.

E também nos finais de semana. 

Até massagens eu ganho de Chupicleide!!!

Saiba que editar o JBF me faz relaxar e levantar o meu astral. Ao invés de estresse, me dá tranquilidade. Baixar a lenha em ladrões e corruptos é uma terapia que traz enormes benefícios.

Aqui no editor desta gazeta escrota tem um recurso que permite agendar matérias pro dia seguinte. Ou pra qualquer outro dia. Posso programar até a hora e o minuto pra postagem ir pro ar.

De modo que ontem, sábado, eu já deixei pronta a maior parte da edição deste domingo. Inclusive esta sua mensagem.

Hoje vou sair com Aline e João e bater pernas na minha querida Recife, já que a chuva nos deu uma trégua.

Como perdi a vergonha depois de chegar à provecta idade, e não mais posso frequentar botecos por ordem do meu cardiologista, vou passear no xopis centis, tomar um capuccino e apreciar o terapêutico desfile das moças andando pra lá e pra cá.

Fiquei ancho que só a peste quando você falou que o grande público está trocando a Globo, a Venus Platinada, pelo Jornal da Besta, a Gazeta Escrota.

É por isso que audiência daquela merda da extrema imprensa oposicionista tá despencando!

Você, minha querida doutora, está no time dos doadores que ajudam a pagar as despesas com a manutenção deste jornaleco.

Brigadão mesmo pela força!

A seguir está transcrita a excelente cacetada que você recebeu pelo Zap e mandou pra gente. E que merece mesmo ser repassada pra todo mundo.

Mãos à obra.

Um xêro nordestino e um excelente domingo!!!

* * *

“Boa tarde, Rede Globo.

Não é com satisfação que envio esta mensagem, pois esta empresa esteve presente na minha vida desde a infância, e por muitos anos foi, para mim e todos ao meu redor, referência de jornalismo sério, comprometido e imparcial.

Ocorre que, ser pensante que sou, não poderia deixar de notar o teor grosseiramente tendencioso com o que noticiam todo e qualquer acontecimento envolvendo o sobrenome Bolsonaro.

Creio que vale lembrar que, neste exato momento de nossa história, este senhor é o Presidente da República, (dos que gostam e dos que não gostam) e isto, por si só, já deveria ser motivo de respeito e deferência, o que não acontece em NENHUM de seus noticiários.

Nota-se claramente a intenção nociva de denegrir, desacreditar e criar um ambiente hostil ao redor do Presidente e dos seus, e isto me causa profunda vergonha. Vergonha real!

Daquelas que a pessoa sente o rosto queimar e a vontade de se esconder.

Bem, para quem defendia a seriedade de suas notícias, hoje é assim que me sinto, com vergonha.

Creio que dentro desta empresa, ainda deve haver aqueles que se sentem como eu, mas que presos ao vínculo empregatício que os sustenta, repetem o que lhes mandam os “patrões”.

É até aceitável, considerando que as contas chegam no final do mês para a esquerda e para a direita, não é mesmo?…

O que não é aceitável é que vocês entrem em nossas casas *chamando idiotas do BBB de heróis*, enquanto tentam denegrir uma pessoa que, até este momento, está demonstrando profundo respeito pelo País.

Não é aceitável que estejam tentando fazer buracos num navio aonde todos nós estamos.

Não, definitivamente não é aceitável.

Bom, certamente não será a minha indignação com sua postura (ou falta dela) que os fará mudar sua *forma nojenta* de “mostrar a notícia”, mas ressalto que este meu pensamento retrata, na melhor das hipóteses, o mesmo pensamento de algumas centenas de pessoas que conheço, e que já desligaram suas tv´s para vocês.

Informo também que não espero retorno nenhum, se for para dizer frases longas de palavras bonitas e boa maquiagem, pois isso seria perda de tempo.

Se quiserem responder com o devido respeito, respondam quando começaremos a falar sobre os filhos do atual presidiário Luiz Inácio Lula da Silva, ou então quando a Globo se pronunciará sobre o rombo bilionário em impostos devidos à Receita Federal?

Ou quem sabe, o JN poderia mencionar qualquer coisa que fosse sobre alguns de seus artistas envolvidos com uso suspeito das verbas provenientes da Lei Rouanet.

Olha aí quanta sugestão de matéria boa e que geraria audiência acima da média, né?!

E para finalizar, este mesmo texto será amplamente divulgado nas redes sociais para fins de informação.

Att,

Simone Ramos.”

* * *

CARLOS BRICKMANN - CHUMBO GORDO

É UMA BRASA, MORO!

Juridicamente, pode ser que haja irregularidades nas comunicações entre o ministro Sérgio Moro e procurador-chefe da Lava Jato, Deltan Dallagnol. A OAB abriu fogo contra ambos e juristas respeitados os criticam. Em termos de comunicação, manda a boa técnica que se publique parte da denúncia e se aguarde a reação. Só então se publica a denúncia completa. Esses fatores podem mudar a situação, mas, até o presente momento, Sérgio Moro parece ter vencido politicamente a guerra que o Intercept iniciou.

Alguns fatos demonstram que Moro, se o atingiram, foi só de raspão.

1 – No Maracanã, dizia Nelson Rodrigues, vaia-se até minuto de silêncio. Lula, no auge da popularidade, foi vaiado no estádio de São Januário. Moro foi ao estádio em Brasília, vestiu a camisa do Flamengo e foi aplaudido.

2 – Numa das mensagens atribuídas a Moro, há a frase “In Fux we trust” (em Fux confiamos). Na sexta de manhã, o ministro Fux tomou um avião em Brasília e foi aplaudido por passageiros. Houve gritos de “In Fux we trust”.

3 – Pesquisa da XP (elaborada para orientar investidores) mostra Moro como o mais popular integrante do Governo. Sua nota oscilou de 6,5 para 6,2, ainda bem acima do segundo, o próprio presidente Bolsonaro.

Quem votou em Bolsonaro por não aceitar nada do que está aí deve estar feliz com as transgressões atribuídas a Moro – justo ele, com cara de bom moço. E foi depois de ver as pesquisas que Bolsonaro lhe deu apoio total.

Política é política

Na busca de popularidade, há coisas estranhas. “Esquerda”, em religiões afro, é do mal, e “direita” é do bem. “Populista”, para a elite, é depreciativo. Fora da elite, é positivo, indicando quem se preocupa com o povo. “Autoritário”, para a elite, é depreciativo; fora da elite, é positivo, e indica quem sabe usar a autoridade. Há mais votos fora da elite do que dentro dela.

Brasil é Brasil

Mas nunca levem uma análise (nem as deste colunista) demasiado a sério. No Brasil, dizia Pedro Malan, até o passado é imprevisível. Imagine o futuro.

Guerra é guerra

A próxima batalha entre o Intercept e Moro pode ser deflagrada ainda hoje, com a publicação de novas mensagens. Mas a seguinte é a da Polícia Federal contra quem forneceu informações ao Intercept. O que se diz é que nada será feito que viole a liberdade de imprensa: quem publicou tinha o direito de fazê-lo. O que se investiga, dizem, é quem obteve ilegalmente as mensagens, e como. Suspeita-se até de um esquema internacional, com o objetivo de desmoralizar as decisões da Justiça e conseguir libertar Lula. De acordo com o jornalista Cláudio Humberto, pode haver operações de busca e apreensão nos endereços dos responsáveis pelo Intercept. Fala-se em respeitar a liberdade de imprensa, mas sabe-se lá.

Filho é filho

Mas, mesmo escapando (ao menos até agora) da tentativa de demolição de Moro, Bolsonaro não resistiu a gerar uma nova crise: a demissão de um amigo de quase 50 anos, o general Santos Cruz, da Secretaria do Governo. O imperdoável erro de Santos Cruz foi não se alinhar aos filhos do presidente e ao escritor Olavo de Carvalho, que fizeram campanha contra ele por achar que não usou direito a comunicação do Governo. No lugar de Santos Cruz, outro general, este da ativa: o até agora comandante militar do Sudeste, Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira. Santos Cruz declarou sua admiração por Bolsonaro e os dois dizem que a reunião entre eles foi amigável.

Acordo é acordo

Depois de uma fase extremamente tensa, saiu enfim o parecer do relator da reforma da Previdência, deputado Samuel Moreira. As modificações que Moreira sugere aparentemente não mudam a meta de economia desejada pelo ministro Paulo Guedes, entre R$ 1 e R$ 1,2 trilhão de reais em dez anos. Agora é votar (depois dela, virá a reforma tributária, talvez não a proposta por Guedes, mas um projeto anterior, redigido por um economista de ótimo conceito, Bernard Appy). O que se espera é que a reforma da Previdência, de acordo com o prometido, desencadeie investimentos privados nacionais e internacionais, permitindo reduzir o desemprego e retomar o crescimento.

Perdemos todos

Um dos grandes jornalistas brasileiros, Clóvis Rossi, morreu na sexta, aos 76 anos. Morreu como viveu, do coração. Excelente repórter, sempre trabalhamos quase juntos. Juntos mesmo, pouco: na queda de Salvador Allende (ambos, mais o notável José Maria Mayrink, ele para O Estado de S. Paulo, Mayrink e eu para o Jornal da Tarde). Meses de convivência na Folha de S.Paulo, depois, e anos quase juntos, eu na Folha da Tarde. Nunca fomos amigos de sair juntos, mas, discordando de boa parte de suas posições, sabia que um fato publicado por ele tinha mesmo ocorrido e da maneira como o descrevia. Dirigiu o Estadão com brilho – e que equipe montou!

DEU NO JORNAL

UMA REVISTA QUE VIROU PAPEL HIGIÊNICO DE BAIXA CATEGORIA

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CAPAS DA VEJA EM DOIS TEMPOS: