OS OLHOS DE CLEMÊNCIA – Luiz Guimarães Júnior

Os olhos dela, os olhos de Clemência
São como o infindo azul resplandecente:
Olhos em cuja luz misticamente
Desponta a estrela d’alva da inocência.

Nada perturba a calma transparência
Desse infantil olhar terno e dormente,
Onde se estampa ainda fielmente
Do Divino cuidado a paciência.

Deixa que eu cante, ó anjo, a formosura
Do teu olhar dulcíssimo: – entretanto
Cedo virá a hora ingrata e escura

Em que outra voz apregoará o encanto
Dos olhos teus, queimados de amargura,
De amor, de febre e de insensato pranto.

Colaboração de Pedro Malta

Deixe o seu comentário

PEDALANDO E PEIDANDO

Alojada em seu apartamento de Porto Alegre, no bairro da Tristeza, a ex-presidente Dilma se dedica à sua maior especialidade: pedalar.

E sempre protegida por seguranças pagos pelo governo Jair Bolsonaro.

* * *

Atenção: o  bairro já tinha o nome de Tristeza antes da Vaca Peidona ir morar lá.

Não custa nada avisar.

Bom, o fato é que pedalada é com ela mesmo.

É pedalando e peidando no selim.

Agora, aqui entre nós:

Quando eu imagino que já tivemos essa porra como presidente e que moramos na mesma terra onde moram idiotas que votaram nela, chega me dá uma desesperança desse país.

Putz!

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!!!!!

1 Resposta

PEQUENA CRÔNICA DO FUTEBOL E DA POLÍTICA

A conversa corria solta na mesa ao lado. Falavam de futebol e esse é um assunto que exige tanta eloquência quanto tempo. Não se fala de futebol em voz baixa, nem só um pouquinho. Se bem contado o tempo em certas emissoras de rádio que fazem jornalismo 24 horas, o futebol ocupa a maior parte da programação. Por vezes, chego a pensar que o brasileiro goste mais de falar sobre futebol do que do jogo propriamente dito.

Voltemos, porém, à conversa da mesa ao lado. Recordavam antigos atletas, treinadores, vitórias de seus clubes. De repente, alguém sacou de uma memória que me fez lacrimejar de inveja a escalação do Fluminense campeão carioca de sei lá qual ano. Coisa de décadas passadas. Estimulados por isso, outros abriram a gaveta dos papeis velhos e puxaram registros de feitos e vitórias de seus clubes. As principais interjeições eram reservadas a grandes goleadores e goleiros. Os assuntos mais densos envolviam esquemas de jogo, escalações, receitas para o sucesso e para o fracasso.

Continuavam discutindo quando fui embora pensando sobre o que ouvira e se tornou inevitável comparar todo aquele conhecimento, destreza analítica, capacidade de ver e compreender a realidade dos respectivos clubes nos vários momentos de sua história, com o pequeno interesse e o quase total desconhecimento que a imensa maioria da população brasileira tem e mantém sobre a realidade nacional. Sim, sim, só ela explica o longo período de hegemonia esquerdista pelo qual passamos.

O sujeito recita a escalação inteira de um time de futebol num ano remoto, mas é incapaz de dizer o nome dos candidatos em quem votou no ano passado. Conhece, passo a passo, a trajetória de seu clube e os protagonistas de seus feitos, mas nada sabe sobre as principais figuras da história do Brasil. É incapaz de identificar, pela imagem, José Bonifácio, Joaquim Nabuco, Machado de Assis, Castro Alves, simplesmente porque suas estátuas não existem e suas obras nunca lhes foram valorizadas.

Sei o quanto é comum isso que descrevo, mas sei, também, o quanto nosso país seria melhor, mais desenvolvido, mais humano, mas justo, respeitado e amado se atribuíssemos à sua história, sua política e suas grandes questões, o mesmo esforço de atenção e inteligência que dedicamos ao futebol. Cada brasileiro, com certa razão, se considera um técnico em futebol; no entanto, em relação ao país, não aprende coisas fundamentais como prestar atenção ao que já fez e não deu certo.

Deixe o seu comentário

A CASA DO POVO

A TV a cabo e algumas da rede aberta, aderiram aos tais “Reality Show”. Na sua maioria são pessoas comuns que participam de situações sem um script definido. Tem para todos os gostos. Nosso show, tem um personagem bem conhecido dos brasileiros que já não está mais entre nós. Tinha uma personalidade marcante e destaco a pouca importância que dava ao politicamente correto. Clodovil Hernandes, era um homem educado e muito autêntico, seguia um antigo dito popular: não comia enrolado.

Apresentamos o nosso Show da Casa do Povo em três atos.

A Choradeira

A Cirurgia Plástica

A Entrevista

* * * 

ARY TOLEDO

Linda Meu Bem

4 Comentários

INJUSTIÇA CONTRA BRAVOS LUTADORES

Terroristas estrangeiros acolhidos por Lula serão extraditados do Brasil.

O Conare, vinculado a Sergio Moro, deve despachar no próximo dia 14 os sequestradores paraguaios do Exército do Povo Paraguaio.

E o colombiano Padre Olivério Medina, porta-voz das FARC, acusado de ter prometido 5 milhões de dólares ao PT, em 2002, também deve ser expulso do país.

* * *

Não conheço nenhum deles.

Nem os sequestradores paraguaios, nem o tal Padre Olivério.

Conto com a ajuda do lulo-petista Ceguinho Teimoso, pesquisador incansável dos fuxicos da internet, pra me ajudar.

Principalmente sobre esta história dos 5 milhões de dólares para o PT.

Aguardo a manifestação do nosso estimado fubânico contra esta injusta extradição de grandes heróis revolucionários zisquerdistas.

4 Comentários

A ECHARPE

Echarpe Pashmina – preferência de Clay Dolores

Clay Dolores, era o nome da moça. Cerca de 1,80m servindo de mural para uma jovem de rara beleza, pele mais macia que a própria seda, sem jamais fugir da moda vigente, e uma conta bancária que contrastava com a sua magreza elegante.

Linda! Uma jovem mulher linda!

Olhos pequenos e azuis, semelhantes aos olhos da loba branca vivendo e aparecendo furtivamente nas matas geladas do Alasca – desses aparecimentos que, ainda que não anunciados por trombetas, chamam e merecem atenção até dos pássaros que conseguem sobrevoar as áreas conservadas pela Natureza.

Herdeira, consciente que seria um dia a principal responsável pelo conglomerado empresarial que os pais construíram, num desses passeios de gôndolas por Veneza, conheceu “Raimundo”, um paraibano de Sapé – e por ele se apaixonou.

Raimundo era plantador de abacaxis em Sapé – um fruto que mais parece um torrão de açúcar, que consegue ser mais doce mais vezes que o abacaxi de Turiaçu – e certo dia cansou daquela labuta diária do plantio.

Vendeu parte do que tinha na agricultura familiar, pegou duas ou três cuecas, uma calça jeans rasgada no joelho, muito mais pelo uso que por moda, conseguiu a emissão do passaporte e entrou para um projeto de trabalhar como garçom em Veneza. Enquanto esperava o visto e a resposta do Consulado, estudou o básico do italiano nas 24 horas do dia.

Recebendo o visto, Raimundo chegou dias depois em Roma, e sequer esperou pela bênção do Papa. Num pulo só, mudou para Veneza e, em poucos dias já trabalhava na cozinha de um propagado restaurante, como Auxiliar.

Como era esforçado e não demorou a conhecer os melhores “cicchetti! (tiragosto em italiano), passou a trabalhar como Garçom. Surgia ali a oportunidade de contatos, de vivência e de conhecer melhor a cidade que o fez abandonar em definitivo a sua Sapé.

Foi exatamente quando trabalhava no “Vecio Fritolin”, um dos melhores bares e restaurantes de Veneza, que Raimundo teve o primeiro contato com Clay Dolores, à quem serviu o maravilhoso vinho “Tramin”. A gentileza com que Raimundo serviu a cliente, acabou cativando Clay, e uma nova e boa amizade estava formada.

Encontros em dias de folga. Passeios e convivência que acabaram levando a outro tipo de envolvimento. Algo forte, seguro e com perspectivas de boa culminância. Como dizia minha falecida Avó, passaram a transar oficiosamente.

Eis que, em pleno período invernoso, quando a echarpe é mais útil que a calcinha, Clay Dolores recebeu um comunicado familiar, solicitando sua presença sem demora – problema grave de saúde na família.

Em meio às tantas preocupações e soluções imediatas, Clay Dolores não demonstrava tanta aflição, preocupada exclusivamente com quem deixara momentaneamente em Veneza, em meio a tanta alegria de viver, bons vinhos, bons restaurantes e gente bonita. A vida – pelo menos a dela – enfim!

Em segredo familiar, foi quase que obrigada a revelar o motivo de tamanho alheamento pela situação presente, em detrimento dos momentos vividos em terras italianas. A certeza da felicidade pessoal lhe deu coragem e essa a levou à revelação:

– Estou amando. Literalmente apaixonada. Me sentindo mulher completa, gente, feliz!

– E, podemos saber quem é esse príncipe? Indaga a aflita Mãe.

– É uma criatura ma-ra-vi-lho-sa. É o Bill!- Mas, filha, o Bill que está ao seu nível, é o Bill Clinton! E esse é casado com a Hillary! Afirma, ainda mais preocupada, a Mãe.

– Não “mama”! Na realidade, Bill é um tratamento carinhoso. É o Raimundo!

– Rai, o quê? Quase tendo um infarto, incrédula pela paixão da filha, quer saber mais a Mãe.
– “Mama”, é uma história muito longa. Coisas do amor que a vida nos prepara.

Clay Dolores a empresária salva pela echarpe

O doente da família, hospitalizado havia dias, não resistiu muito e acabou atendendo chamado do Criador para voltar ao barro. Passados alguns dias, missas de encomenda da alma, apoio espiritual à viúva, Clay Dolores retorna à Veneza para chorar no ombro do agora, Bill.

Passado aquele período de luto e sofrimento, a vida precisava ser tocada e o funcionamento do conglomerado de empresas tinha que voltar ao normal.

O toque da campainha na residência de Clay, a fez levantar do confortável sofá, abrir a porta e receber uma mensagem:

– Volte, imediatamente. Preciso de você, pois perdi forças e vontade de viver!

A intimação, na realidade, era para que Clay Dolores assumisse o comando das decisões empresariais, que não poderiam ficar sem direção e sem um norte.

Mas, havia Bill. E a relação com ele era mais forte. Era a sua vida que estava sendo dividida.

Clay arrumou apenas uma das muitas malas, com poucas roupas e a intenção de demorar muito pouco. O destaque na mala, uma echarpe “Pashmina”, uma das menos usadas na Itália, por conta do alto custo. A facilidade e rapidez do transporte a levou de volta à casa em poucas horas.

As conversas entre Mãe e filha aconteciam dentro de uma normalidade, de acordo com a casualidade. A mãe, enfim, se interessou por saber mais detalhes sobre Bill, ou, Raimundo.

Clay não tinha motivos para esconder detalhes, haja vista que a situação financeira do namorado muito pouco ou quase nada lhe interessava – o que ela queria e amava, era ele, o sujeito. Para ela, provavelmente, o primeiro e único amor verdadeiro de sua vida.

– Mãe, ele é um homem simples, trabalhador, honesto e muito carinhoso. É Garçom!

– O quuuêêê?

Como poderia, uma jovem com tamanha estrutura patrimonial, com dinheiro para ser consumido por cinco ou seis gerações, se bem administrado, se apaixonar por um Garçom?

– Volte hoje ainda e, por respeito, termine esse relacionamento e venha cuidar do que construímos durante anos para você.

Clay Dolores pegou a mesma bagagem que trouxera e saiu de casa. Em vez de voltar para Veneza e cumprir o desejo da matriarca, foi para Torino, mais distante de tudo. Entregou-se literalmente à bebida e a vulnerabilidade psicológica acabou por leva-la às drogas.

Viciou-se. Tornou-se dependente das drogas químicas. Suas contas bancárias rarearam e algumas tiveram saldos zerados. Nunca mais se comunicou com a mãe – e preferia não ter que encontrar Bill para não ter que contar-lhe o que a mãe lhe impusera.

Dormir nas sarjetas passou a ser sua melhor hospedagem. Nenhuma alimentação, nenhum banho, nenhuma comida. Só droga, droga e mais droga. Chegou a um avançado estágio de anorexia.

Por outro lado, a família começou a se preocupar. Telefonemas, mensagens de todos os tipos, e nada de resposta. Parentes mais próximos foram até Veneza, em vão. Continuaram as buscas e a procura, agora também por “Bill”, o Garçom.

Bill não existia. Era um tratamento carinhoso entre os dois, Clay Dolores e Raimundo. Nenhuma notícia. De ninguém. A Itália começou a ser literalmente “revirada” com distribuição de fotos por todas as instituições de segurança e hospitais. Nada. Nenhuma pista.

Como que estivessem esgotando todas as formas de procura e investigação, a Polícia italiana resolveu investigar as compras feitas através do cartão de crédito.

Alguns anos atrás – seis, para ser mais preciso – a emissão de uma venda estranha, principalmente pelo valor pago por uma única peça: uma echarpe.

Com a informação foi criada uma nova pista, e quem passou a ser procurada foi “a moça da echarpe”. Echarpe Pashmina, peça fabricada com lã e seda pura, com a qual os usuários se protegem do clima frio exagerado.

As buscas continuaram, agora com novas pistas. Até que, numa vivência comunitária de drogados com dependência química em Torino, foi encontrada uma jovem, já não tão jovem por conta do uso das drogas, que, para se proteger do frio, continuava usando uma echarpe. Echarpe Pashmina. Era Clay!

Após meses seguidos de tratamento intenso, Clay Dolores condicionou sua volta para casa, e para o gerenciamento dos negócios da família, com a aceitação de Bill, agora como seu marido.

Novas buscas em Veneza, agora para encontrar “Bill”, digo, Raimundo. No restaurante “Vecio Fritolin”, onde acontecera o primeiro encontro de Clay com o então Raimundo, mais tarde “Bill”, foi dada a informação que, Raimundo voltara para o Brasil, mais propriamente para Sapé, para gerenciar uma fábrica de beneficiamento de abacaxis, que havia sido comprada por uma família de italianos.

Como o comprador italiano falecera poucos anos atrás, ……. bem, aí já é outra história.

* * *

Este é um dos 50 contos que comporão meu segundo livro, “Cinquenta contos de réis” que está em fase de conclusão.

4 Comentários

GEORGE MASCENA – TABIRA-PE

Uma Atlântida no Sertão potiguar.

A cidade de Petrolândia em 1988 teve que mudar de lugar, pois a antiga foi para o fundo da barragem de Itaparica, construída no Velho Chico com a finalidade principal de geração de energia, porém o lago não conseguiu submergir totalmente a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, esta igreja, com estrutura de concreto armado, nem havia sido totalmente concluída e já teve que encerrar quase que totalmente suas atividades eclesiásticas, eu digo “quase” porque se realiza missas e até casamentos, esporadicamente. Na verdade esta famosa igreja não era a matriz, nem sequer ficava na sede de Petrolândia e sim no povoado de Barreiras. A igreja principal, mais antiga e sem estrutura para ficar submersa, foi destruída pelas aguas alguns anos após a inundação.

Mas no Nordeste houve outro caso menos famoso de uma cidade que teve de mudar de local para dar lugar às águas de uma represa: São Rafael no Rio Grande do Norte, cidade na margem direita do Rio Piranhas que foi alagada em 1983 pela barragem Engenheiro Armando Ribeiro. O rio já tinha expulsado da sua margem a cidade de Carnaubais, também no Rio Grande do Norte, antes da construção da barragem, devido às cheias que produzia nos períodos chuvosos. A bacia do Rio Piranhas-Açu é a maior das terras potiguares e da Paraíba, maior até que a do rio que nomeia o estado da capital João Pessoa.

A gigantesca barragem Armando Ribeiro cobriu também a linha do trem que seguia de São Rafael para Jucurutu e possivelmente até Caicó, vinda de Natal, este trecho nunca foi usado e não achei notícia sequer da estação em Jucurutu, mas os trilhos foram colocados. Talvez por já existir o projeto da represa, o projeto de ligação férrea foi abandonado. Já na inauguração da barragem, o trem não chegava mais nem a São Rafael, mas por causa da baixa procura que assolou todos os outros trechos ferroviários no interior do Nordeste.

Uma nova São Rafael foi construída a cerca de 4 km da antiga com uma nova igreja. Para diminuir a saudade dos fiéis, a nova igreja era exatamente igual à antiga, isso mesmo, construíram uma réplica. Após o fechamento das comportas da Armando Ribeiro, a cidade inteira foi submersa, a torre da igreja era a única construção da velha São Rafael que podia ser vista quando o lago estava cheio e virou atração turística, dividindo com fosseis de mastodontes, preguiças e tatus gigantes a página destinada a cidade no site da Secretaria de Turismo do RN. A torre da matriz resistiu bravamente por quase 3 décadas ao sobe e desce do nível da água, mas em 17 de dezembro de 2010, já bastante danificada pela ação do tempo, a torre ruiu.

“Segundo a turismóloga Jane Santos, o desaparecimento da torre ocorreu por volta da meia-noite da quinta para sexta e foi ouvida por pescadores. “Algumas pessoas ouviram um barulho, mas não imaginaram que se tratava da torre da igreja velha”, disse. A notícia abalou a cidade, que tem no turismo um dos seus potenciais financeiros. Embora possua muitas outras belezas naturais, a torre da igreja, perdida no meio das águas do açude, era um dos lugares mais visitados da cidade, que mantinha um passeio de barco em sua volta, enquanto um guia turístico contava a história da transição da cidade antiga para a cidade nova”, publicava o blog Focoelho.

Hoje o site da SETUR-RN continua a divulgar a atração da igreja, mas para quem se atreve a fazer o mergulho com guias locais.

Vídeo do fantástico sobre Petrolândia

Video da TV Ponta Negra sobre a velha São Rafael.

Deixe o seu comentário