CHARGE DO SPONHOLZ

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

PERCIVAL PUGGINA

POR QUE BOLSONARO INCOMODA TANTA GENTE?

Quando leio críticas ao governo por ainda não haver formado sua base de apoio no Congresso Nacional, fico pensando se haverá alguém em Brasília que não saiba como isso vinha sendo feito e qual o preço transferido à sociedade, pagadora que é de todas as contas.

Nosso sistema eleitoral combina eleição proporcional de parlamentares com eleição majoritária de governantes. A eleição proporcional estimula a criação de mais partidos e todo ano, de fato, aparecem alguns, novinhos em folha. Surgem do nada e por nada. Na maior parte dos casos, sem programa nem doutrina; quando muito uma ou outra vaga ideia porque mais do que isso atrapalha no jogo do poder. Ao mesmo tempo, a má fama produz, entre as velhas legendas, sucessivas trocas de nomes, numa quase lavanderia de razões sociais, apagando rastros e traços. Salvo raras exceções, nossos partidos, pouco ou nada significativos, são desconhecidos da sociedade. Há no Congresso Nacional uma abundância de minorias.

O Presidente, por sua vez, se elege com metade mais um dos votos populares válidos, mas precisa conseguir 3/5 dos parlamentares nas duas casas do Congresso para poder governar porque só fará o que o Legislativo permitir. Deve buscar essa maioria dentro do corpo fluido, atomizado, difuso e confuso, que são as bancadas partidárias.

Em poucas e suficientes palavras: é um sistema político que quer ser democrático, mas é apenas burro, irracional, estabanado, desastroso, como bem demonstram seus resultados.

Pergunta-se, então: como se constrói maioria num sistema em que dezenas de siglas permanentemente se acomodam e reacomodam? Se não for a adesão ao programa vitorioso na eleição presidencial, o que será? Se não forem as evidentes urgências nacionais, o que será?

Há várias décadas, os presidentes têm usado o aparelho de Estado para atrair partidos à sua base, mantendo-lhes o metabolismo que processa, ingere e digere recursos públicos. O resultado mediu-se em corrupção, delações premiadas, fortunas acumuladas no Exterior, democracia fraudada e cadeia para muitos. O combate a esse mecanismo esteve entre as quatro turbinas propulsoras das vitórias eleitorais de 2018: combate à corrupção, desenvolvimento econômico, segurança pública e retomada dos valores tradicionais. E o Presidente, na percepção de muitos, comete dois erros imperdoáveis: não abre mão dessas plataformas e frustra as expectativas dos que – urbi et orbi – anunciavam seu governo como uma Caixa de Pandora, repleta de perversidades.

Também por isso insisto na necessidade de uma reforma política que enfrente esse desajuste estrutural das nossas instituições. Se separasse governo, Estado e administração, uma boa reforma eliminaria a apropriação partidária do Estado e da administração pelo governo (a economia para a nação seria imensa e o país despencaria no ranking da corrupção). Se adotasse voto majoritário para os parlamentos, com eleição distrital, por exemplo, o número de partidos passaria a ser contado nos dedos da mão, com ganho de operacionalidade para o sistema político, maiorias mais facilmente componíveis e enorme redução dos custos financeiros da democracia.

No modelo que se tornou vigente no Brasil, a mais numerosa força oposicionista vem daqueles que não conseguem viver sem abocanhar uma fatia do Estado.

DEU NO JORNAL

AS BOQUINHAS TÃO ACABANDO

O governo espera fazer economia milionária com a decisão de frear a farra de viagens de conselhos ministeriais. Apenas no Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos são gastos cerca de R$4 milhões em passagens, diárias e hospedagem de quase 400 conselheiros.

Somente dois conselhos, Juventude e Mortos e Desaparecidos Políticos, torraram em 2018, sem piedade, R$ 984 mil com os passeios.

Só em 2018, o vai-e-vem custou exatos R$ 3.936.279,47 com a presença de representantes de ONGs em 14 conselhos de direitos humanos e afins.

A ministra Damares Alves se assustou ao descobrir o custo espantoso com viagens de 396 conselheiros pendurados no seu ministério.

O conselho de Prevenção e Combate à Tortura está entre os que mais gastam, torturando o bolso dos brasileiros em idas e vindas: R$ 270 mil.

Com a tecnologia disponível, baixo custo, conselhos serão reunidos em videoconferência.

O governo aposta em debandada de espertos.

* * *

Estes “espertos” a que se refere a notícia aí de cima, por acaso seriam petistas em vias de perder os fartos peitinhos mamatórios?

Hein?

O fato é que é mais fácil levar os comentários do fubânico lulista Ceguinho Teimoso a sério do que acreditar na eficácia destas bostas destes conselhos.

ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

A SAUDADE NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

A saudade quando vem
Corta igual a esmeril
Tem na língua portuguesa
Não tem acento nem til
Se espalhou por todo mundo
Porém nasceu no Brasil.

Ivanildo Vila Nova

Tira a felicidade
Que o ser humano tem
Pode pensar que a saudade
É companhia de alguém
E quem nunca sentiu saudade
Nunca gostou de ninguém.

João Lourenço

Saudade é um parafuso
Que na rosca quando cai,
Só entra se for torcendo,
Porque batendo num vai
E enferrujando dentro
Nem distorcendo num sai.

Antonio Pereira (1891 – 1982)

Saudade é minha modelo
No tédio da passarela
Por consolo tenho a lua
Que é quem me serve de vela
E a boca do vento dando
Sopros com o cheiro dela.

Rubens do Valle

Todo filho tem saudade
Da casa que nasceu nela
Os dedos da mãe matuta
Botando sal na panela
E os dedos da mão da gente
Puxando na saia dela.

João Paraibano (1952 – 2014)

DEU NO JORNAL

A ILHA QUE É O IDEAL DAS ZISQUERDAS BRASILEIRAS

Escassez de comida leva a longas filas e desespero em Cuba:

“A gente quase se mata para comprar uma língua de porco”

Desde o fim de 2018, a ilha enfrenta uma escassez generalizada de alimentos e produtos de higiene, que se agravou nos últimos meses.

Maydelis Blanco Rodríguez, uma cubana de 32 anos, diz que toda manhã, quando acorda, só pensa em uma coisa: “O que vou dar de comer ao meu filho hoje?”

“É uma situação muito desesperadora, você se sente muito impotente porque nem com dinheiro consegue as mercadorias”, diz ela à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, por telefone de Havana.

Desde o fim de 2018, Cuba, que ao longo da história sofreu uma série de crises econômicas, enfrenta uma escassez generalizada de alimentos e produtos de higiene (como sabonete e pasta de dente), que se agravou nos últimos meses.

Fila para entrar em supermercado dá a volta no quarteirão na capital cubana

* * *

Tudo culpa dos Zistados Zunidos.

Quem quiser ler a matéria completa, publicada na página G1, da Globo, basta clicar aqui.

Não vou comentar nada.

Vou só transcrever o comentário e a charge que me foi mandada pelo colunista fubânico Sponholz:

“Esperando ajuda do Chico Buarque, do Fernando Morais, do Lula e de toda a petezada”

XICO COM X, BIZERRA COM I

O ÚLTIMO TANGO DO SERTÃO

Um tango se ouvia como trilha sonora. No cabaré de um distante sertão, em meio à fumaça e cheiro de cigarros, tudo à meia luz, um tango. No canto do salão, apenas a pequena e quase inexistente claridade de um abajur lilás, bem menos forte que o sol que, dali a pouco, brilharia no céu daquele ambiente triste e profundo. Mas um tango? Melhor seria dançar um baião bem compassado como os que se acostumara a ouvir, pensou ele, antecipando o desejo de ter aquelas coxas fartas e outras curvas dela ao seu dispor, entre suas coxas. Por uma fresta da janela entreaberta, percebia-se um clarão que se achegava, diluindo o sonho, antecipando o final do tango … Ela, com sono, cochilava entre os acordes de um bandoneon tentando tocar La Cumparsita … E ele se pergunta: – ¿Qué has hecho de mi pobre corazón?

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A PALAVRA DO EDITOR

A ENTREVISTA D’O TOSCO

O Presidente Messias, cognominado O Tosco, concedeu entrevista à revista Veja, edição desta semana.

A Veja, como vocês já sabem, é um dos expoentes da grande imprensa brasileira que se tornou oposicionista desde janeiro passado.

O acesso é exclusivo para os assinantes da revistona.

Mas esta gazeta escrota, sempre desrespeitando a lei e o bons costumes, e sempre publicando tudo que não presta e não tem valor, oferece a integra da matéria pros seus leitores.

Tá logo a seguir.

* * *

A entrevista com Jair Bolsonaro estava marcada para as 10 horas de quarta-feira. Às 10h15, um ajudante de ordens indicou o caminho do gabinete, que fica no 3º andar do Palácio do Planalto. O presidente explicou o motivo do atraso: meia ­hora antes, ele decidira ir ao Congresso Nacional prestigiar uma homenagem que estava sendo feita ao comediante Carlos Alberto de Nóbrega, apresentador do programa A Praça É Nossa, de quem se diz fã. O problema é que ele não avisou ninguém com antecedência. Assessores, cerimonial, equipe de segurança — todos foram apanhados de surpresa. Acompanhado do general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o presidente atravessou a pé os cerca de 100 metros que separam o Planalto do Congresso. De volta, fez piada com a suposta dificuldade de Heleno, de 71 anos, em completar o trajeto. “Ele está meio empenado, mas me garantiu que o problema é apenas da cintura para cima”, disse, rindo. Formalidade não é a principal virtude do presidente.

Por medida de segurança, a sala envidraçada do gabinete agora permanece com as cortinas fechadas. É uma preocupação compreensível. Cada um tem a sua. O ex-presidente Michel Temer, por exemplo, evitava usar a mesa de trabalho. Dizia que não se sentia bem quando sentava na cadeira, que irradiaria uma energia negativa, assim como não se sentiu bem em morar no Palácio da Alvorada, onde, jurava, ouvia barulhos estranhos durante a madrugada. Coisa de assombração, segundo ele. No caso do atual presidente, as assombrações são outras. Durante duas horas, Bolsonaro falou sobre reformas, desemprego, reeleição, os filhos, o amigo enrolado Fabrício Queiroz, o guru Olavo de Carvalho, trapalhadas de ministros, Lula, o PT, sabotagens, tuitadas e o atentado que sofreu durante a campanha, tema que, ao ser invocado, mudou completamente o ritmo da conversa, a fisionomia e o humor do presidente.

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ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

RETROSPECTIVA DE UM HERÓI CHAMADO DJANGO

A saudade nos traz de volta ou faz lembrar que, há 50 anos, nossos extintos cinemas de rua de cidadezinhas do interior tinham como atração na década de 1970 tantos cartazes divulgando um bang bang à italiana. Através do cinéfilo Paulo Telles vamos viajar no tempo, ou melhor, iremos fazer ON TOUR nesse personagem intitulado DJANGO tão bem interpretado tanto pelo italiano Franco Nero quanto o brasileiro Anthony Steffen. Recordaremos alguns filmes antigos protagonizados por este herói que encantou os amantes do faroeste à italiana nas salas de projeções do mundo inteiro. Django, de 1966, dirigido por Sergio Corbucci foi o filme que deu a Franco Nero(77 anos) o reconhecimento mundial como um dos maiores ícones do gênero western europeu.

Em 1965 SERGIO CORBUCCI era apenas mais um dos tantos cineastas italianos que passaram a explorar o filão do faroeste na Itália, à sombra do outro SERGIO, o LEONE, este prontamente reconhecido como renovador do gênero western. Para seu terceiro faroeste, rodado entre novembro de 1965 e janeiro de 1966, Corbucci criou um personagem que nem o mais otimista dos cineastas poderia imaginar que se tornaria a mais emblemática representação daqueles filmes que logo viriam a ser chamados de western spaghetti. Nos confirma o cinéfilo Darci Fonseca que, a escolha do nome desse personagem foi um desses momentos de rara felicidade, com Corbucci tendo a ideia de chamá-lo de “DJANGO”, inspirado por Django Reinhardt, célebre guitarrista cigano.

O primeiro filme desta marca registrada se deu no ano de 1965/66. Django (Franco Nero) é um homem que arrasta consigo um caixão, onde dentro está escondida uma poderosa metralhadora. Na fronteira do México, ele está disposto a vingar a morte da sua esposa, e parte para uma luta sangrenta contra duas gangues rivais que agem na região, isso depois de fazer um acordo com o bandido local Hugo Rodriguez. Só que desconfiado das intenções de Rodriguez, ele resolve se juntar a Maria uma mulher que havia salvo, e os dois serão perseguidos pelo mexicano.

Em 1969 entra em cena um brasileiro com o filme DJANGO, O BASTARDO. Durante a Guerra Civil Americana, três oficiais do exército confederado, líderes de um regimento, se vendem aos rivais ianques, matam os sentinelas e permitem que a tropa inimiga massacre todo seu regimento. Porém Django (o ítalo-brasileiro Anthony Steffen, nascido Antonio de Teffé em 1929 no consulado brasileiro na Itália, e falecido em 2004, aos 74 anos de idade, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro), que é um dos soldados, não morre. E anos depois, como que surgido do inferno, ele começa sua caçada de sangue aos homens que o deixaram à beira da morte. Será que ele é um fantasma ou simplesmente um homem com sede de vingança? Ele é Django, que voltou do inferno, e agora ninguém vai fugir de seu gatilho. Este bom filme é dirigido por Sergio Garrone.

Há 6 anos, em 2013, estreou em todos os cinemas brasileiros o novo filme de Quentin Tarantino, DJANGO LIVRE (Django Unchained). O filme nem parece ser um faroeste, um clássico estrelado por Franco Nero em 1966 (que por sinal faz uma participação pequena no novo filme do cineasta Tarantino), mas de um certo modo faz uma releitura deste personagem que foi explorado em outros westerns spaghetti entre 1966 e 1972, com um retorno em 1987(com Django: a Volta do Vingador). Na verdade, o excelente filme teve como protagonista o ator negro JAMIE FOXX. O ator interpreta o personagem título, mas NÃO foi a primeira opção do cineasta, tendo sido escolhido após a recusa de outro negro WILL SMITH em ficar com o papel.

Em sua sinopse, Django (Jamie Foxx) é um escravo liberto cujo passado brutal com seus antigos proprietários leva-o ao encontro do caçador de recompensas alemão Dr. King Schultz (Christoph Waltz). Ao realizar seu plano, Schultz liberta o escravo Django, embora os dois homens decidam continuar juntos. Dotado de um notável talento de caçador, Django tem como objetivo principal encontrar e resgatar Broomhilda (Kerry Washington), a negrinha, sua esposa, que ele não vê desde que ela foi adquirida por outros proprietários, há muitos anos. Um personagem importante do filme DJANGO LIVRE é Calvin Candie muito bem interpretado por Leonardo DiCaprio que tem uma desenvoltura espetacular. Em que pese ser um filme altamente violento(muito sangue), vale a pena assisti-lo. Recomendo-o!!!

Pegando uma canja dada pelo cinéfilo Bruno Carmelo, podemos concordar com ele quando afirma categoricamente que, Django Livre é um filme excessivo: existem tramas demais, personagens demais, reviravoltas demais; a duração é longa, o sangue jorra por todos os lados, as referências se multiplicam sem fim. Mais do que nunca, o grande cineasta QUENTIN TARANTINO está consciente do caráter épico desta história, do teor sensível do tema e de suas imensas habilidades na direção. Este novo filme é uma prova de que as ambições do diretor estão cada vez maiores – e de que ele ainda consegue corresponder às altas expectativas que constrói, inclusive, no final do filme o diretor Tarantino aparece em algumas cenas quando é detonado com uma carga de dinamite por Django.

A primeira hora do filme é um verdadeiro show de Christoph Waltz. Através deste personagem, o meio dentista, meio caçador de recompensas King Schultz, a história estabelece seu contexto. Aprendemos que estamos em um faroeste, pouco antes da Guerra Civil, no sul dos Estados Unidos. É um grande prazer assistir a Waltz atuando mais uma vez no papel de um homem inteligente e sarcástico, algo que ele domina perfeitamente bem (depois de Bastardos Inglórios e Deus da Carnificina). A paródia que ele faz das tradicionais cenas do saloon, e das cenas de duelos com armas nas ruas da cidade, é hilária.

Este filme é um deleite visual, com fotografia, cenário e atuações impecáveis. Leonardo DiCaprio apresenta um lado que nunca tinha mostrado antes no cinema. Ele reflete sobre o passado – com o tema da escravidão e o gênero fora de moda do faroeste -, mas consegue levá-lo ao presente; ele consegue ser ao mesmo tempo crítico, reflexivo, engraçado, perverso. O próprio momento em que Django é obrigado a atuar no papel de um homem racista, explorando os negros, é de uma força única. O diretor Tarantino tem em mãos um dos melhores roteiros que já escreveu, uma amostra de que o cinema de qualidade pode unir o público e a crítica, sendo tão moderno quanto clássico. Django Livre é, assim, um espetáculo imenso, um show de imagens e sons, uma aula de cinema, e um filme completo, assista-o!!!

Hoje, Sergio Corbucci(inventor do personagem Django), descansa em paz e aonde estiver deve estar satisfeito com a discussão de sua obra mais querida entre os amantes do gênero. E graças a TARANTINO, com seu faro cinéfilo, traz de volta um dos personagens mais inspiradores. Assista ao filme por completo clicando na imagem abaixo. Em que pese a projeção ser mais longa do que este texto, mas vale a pena conferir. É um filme faroeste imperdível para os padrões do Século XXI.

GEORGE MASCENA - SÓ SEI QUE FOI ASSIM

FELICIANO, DO CAROÁ AO ÁRIDO MOVIE

Feliciano fica na margem da BR 232, município de Sertânia, no início do Sertão pernambucano, entre Arcoverde e Custódia, na beira do riacho que dá nome ao lugar, com muitas ruínas grandiosas para um pobre Sertão nordestino de 70 a 80 anos atrás. Quem passa vexado, de carro ou ônibus, nem percebe o valor histórico que tem o Feliciano, nem observa uma igreja sem torre nem sino e um posto de gasolina abandonado com a coberta de concreto armado, pois saiba que lá já foi um importante ponto de apoio de quem seguia sertão adentro, além de um produtivo entreposto de caroá, matéria prima na fabricação de corda em uma época que não existia o nylon.

Lembro-me quando criança, na década de 70, umas poucas vezes que passei por ali, Seu Djalma Nogueira, meu pai, um ótimo contador de histórias desse Sertão da gente, me dizia que ali já teve um posto de gasolina e uma revenda de automóveis, eu não entendia bem porque uma loja de automóveis ali naquele esquisito, isso nunca me saiu da lembrança, e nesses 15 anos que trabalho na região fui buscando informações do lugar. Ali existia uma prensa para embalar a fibra de caroá, uma espécie de bromélia, também conhecida como gravatá ou caraoatá. Essa planta hoje tem valor medicinal, é um ótimo cicatrizante, inclusive usado no combate a úlceras, mas na época só tinha um valor: a fibra para fazer corda ou exportar.

A próspera indústria do Feliciano plantava, colhia, desfiava e embalava a fibra, que seguia pra Recife e de lá era exportada, pertencia a Armando da Fonte, cuja família ainda hoje atua na área de revenda de veículos (GM Dafonte em Caruaru, Recife e Fortaleza) e outras empresas famosas como Brilux, Minhoto e Espirais Sentinela, esta última só os mais velhos ouviram falar. Com o tempo veio a decadência do caroá e a empresa foi vendida a outra família sertaniense que tocou o negócio até o seu fim, na década de 60 ou 70, quando a fábrica fechou de vez. Hoje, o que está de pé, é sede de uma fazenda de criação de bodes.

Nas fotos vemos algumas casas dos moradores, a capela, a prensa, o posto de combustível e o hotel e restaurante da época, hoje com a inscrição “Bar e Rest. Catimbau”, esta inscrição e o ambiente interno do Restaurante Catimbau não têm nada a ver com o período de ouro do caroá e sim com o filme Árido Movie, do pernambucano Lírio Ferreira, com Selton Mello, Matheus Nachtergaele e Jose Dumont, que foi gravado por essas bandas em 2006, mas ai já é outra história.