JOSÉ NÊUMANNE - DIRETO AO ASSUNTO

A HORA DA POESIA

ESCÁRNIO PERFUMADO – Cruz e Sousa

Quando no enleio
De receber umas notícias tuas,
Vou-me ao correio,
Que é lá no fim da mais cruel das ruas,

Vendo tão fartas,
D’uma fartura que ninguém colige,
As mãos dos outros, de jornais e cartas
E as minhas, nuas – isso dói, me aflige…

E em tom de mofa,
Julgo que tudo me escarnece, apoda,
Ri, me apostrofa,

Pois fico só e cabisbaixo, inerme,
A noite andar-me na cabeça, em roda,
Mais humilhado que um mendigo, um verme…

Colaboração de Pedro Malta

AUGUSTO NUNES

O CONGRESSO E O RUGIDO DAS RUAS

Nesta segunda-feira, publiquei no Twitter a seguinte constatação: “As manifestações do dia 26 terão significado histórico se provarem que os brasileiros aprenderam a mobilizar-se em torno de ideias. As ruas devem exigir do Congresso a votação, sem delongas malandras, do projeto da Nova Previdência, da Lei Anticrime arquitetada por Sergio Moro e da medida provisória da reforma administrativa, que abrandou a farra dos ministérios”.

Em resposta, descontado um punhado irrelevante de comentários subscritos por cretinos fundamentais, centenas de brasileiros informaram que são exatamente essas as bandeiras que pretendem desfraldar no próximo domingo. Abstraídos os cretinos de sempre, os manifestantes reiteraram que não pretendem fechar o Congresso, nem exterminar o Supremo, muito menos transformar Jair Bolsonaro num Nicolás Maduro na contramão. O que eles querem é que deputados e senadores façam alterações que não desfigurem o projeto de Paulo Guedes, e removam de vez essa pedra gigantesca colocada no caminho que encurta a chegada ao porto seguro.

Declarações infelizes e tuítes desastrados do presidente da República, é verdade, dificultam o diálogo com o Legislativo. Mas também é inegável que não melhoram em nada as relações entre os dois Poderes a estupidez do PT ─ que aposta no quanto pior, melhor ─ e a batalha travada pelo Centrão pela captura de cargos, verbas e cofres públicos.

Não existe democracia sem Poder Legislativo. Mas a democracia será sempre uma caricatura com um Congresso infestado de delinquentes decididos a anular a revogação de privilégios contida na nova previdência, bloquear o aperfeiçoamento do combate à corrupção e ao crime organizado desenhado pela Lei Anticrime de Sergio Moro e emparedar o Executivo com a recriação de ministérios inúteis extintos pelo atual governo.

Há poucos dias, manifestações contra quaisquer reformas foram tratadas como outra evidência de que o Brasil é um país democrático. Merecem o mesmo tratamento as manifestações do próximo domingo, desde que se limitem a desfraldar as bandeiras da nova Previdência, da Lei Anticrime e da reforma administrativa.

“O Congresso sempre acaba fazendo o que o povo quer”, repetia o gaúcho Ibsen Pinheiro, que presidiu a Câmara durante o processo de impeachment do presidente Fernando Collor. Já começou a fazer: nesta terça-feira, o Centrão resolveu desistir da ressurreição de ministérios e aprovar a MP que reformou a administração federal. Uma das três grandes reivindicações já foi atendida. As outras serão assim que deputados e senadores ouvirem o rugido das ruas.

DEU NO JORNAL

O PASTOR E OS PETISTAS

A piada que corre em Brasília:

“O pastor congolês disse que Bolsanaro foi escolhido por Deus.

Já os petistas acham que Lula É Deus.”

* * *

Ceguinho Teimoso é a comprovação na prática desta afirmação aí de cima.

Pra ele, Lula é Deus.

Na procissão abaixo retratada, Ceguinho é o que está à frente, do lado esquerdo, de óculos escuros, ajudando a carregar o andor do seu Deus.

JOSÉ NÊUMANNE - DIRETO AO ASSUNTO

MANIFESTAÇÕES SEM RISCO

Como não podia deixar de ser, as manifestações de rua convocadas para domingo 26 de maio para dar força ao presidente Jair Bolsonaro, tendo em vista o clima beligerante provocado pelo radicalismo dos embates políticos e ideológicos no Brasil contemporâneo, provocam desde já polêmicas. As discussões se realizam mais no campo de mitos e fantasias do que na realidade propriamente dita. Convém esclarecer todas desde já à luz do regime democrático, que as justifica, da ciência e da prática políticas e dos exemplos que ilustram a História do Brasil.

Primeiramente, não há por que temer nenhum efeito maligno ou ilícito, ou prever a possibilidade de alguma consequência funesta, seja do ponto de vista institucional, seja do econômico ou mesmo do equilíbrio das forças políticas em luta. Normalmente, quando se fala em movimentos populares tem-se a impressão de que eles são, pela própria natureza, de protesto, ou seja, contra a autoridade instituída ou com motivo ou assunto específico que desperte a paixão popular. Tolice! Não há protestos a favor, mas não se convocam militantes ou cidadãos apartidários para a rua apenas para protestar. A História é rica em exemplos de massa na rua para apoiar políticos ou políticas, governos ou diretrizes, projetos ou posições. É perfeitamente natural que os chamados “bolsonaristas”, seja qual ocupação tenham, sejam correligionários, assessores ou cidadãos comuns, se reúnam para demonstrar seu apoio, sua admiração, sua adesão ou até seu afeto. Nem só de protestos vivem as ruas, mas também do clamor a favor. Por que isso não aconteceria?

Convém, então, esclarecer que eventuais passeatas favoráveis ao governo, qualquer governo, expressam sentimentos e posturas que grupos de cidadãos têm todo o direito de assumir publicamente. Dizia Winston Churchill, talvez o maior estadista mundial no século 20, que “a democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais”. A frase contém a experiência de um herói que foi também um grande intelectual, um orador magnífico e um escritor muito talentoso. A sentença descreve exatamente que a grande força dos regimes democráticos reside mais na fraqueza que no vigor. Ela lembra, por exemplo, que o regime convive e se fortalece também pelas palavras e atitudes, por mais desabridas e pesadas que sejam, de seus maiores inimigos. Pode-se lamentar esse paradoxo quando se sabe que Hitler e Mussolini brotaram e se fortaleceram em regimes democráticos e com entusiástico apoio da cidadania atuante. No entanto, mesmo podendo debilitá-lo, também essa fragilidade funciona como uma espécie de vacina para fortalecê-lo.

A legitimidade que garantiu o fechamento das ruas em cerca de 250 cidades de 26 Estados e no Distrito Federal para que discentes e docentes das instituições federais de ensino protestassem contra o contingenciamento de verbas para universidades federais, em 14 de maio, assiste aos fãs do governo para se manifestarem 12 dias depois.

A prática histórica recente no Brasil é eloquente. É pouco provável que tenha havido neste país aglomerações populares maiores do que as que foram feitas contra o status quo institucional em 2013. Em 2014, a Dilma Rousseff foi reeleita e as forças políticas que a apoiavam ou a ela se opunham mantiveram as mesmas representações nas Casas do Congresso. As ruas clamaram, mas seu clamor não abalou as instituições, para o bem ou para o mal. Pode-se argumentar que o impeachment daquela senhora mobilizou as ruas três anos depois e elas foram ouvidas pelo Congresso Nacional, que a depôs, como a maioria da cidadania exigia fora de casa e dos escritórios. Mas fica a dúvida sobre até que ponto o povo provocou a deposição da chefa do governo ou comemorou o resultado da inépcia dela tanto ao provocar a ruptura quanto ao não perceber a “astúcia” de seus adversários, como gostava de dizer o personagem humorístico da TV mexicana Chapolim Colorado.

Esse enigma nunca será decifrado, mas a verdade é que há pouco de proveitoso a tirar de uma eventual resposta satisfatória para nosso caso específico do movimento previsto para 26 deste mês. O objetivo das passeatas é fortificar o presidente eleito com 57.796.986 votos contra a investida do chamado Centrão, que passou a controlar a Câmara e, com isso, a atrapalhar seus projetos de reformas, incluída a administrativa. Os atos pró-Bolsonaro serão, no fundo, contra o trio Rodrigo Maia, Paulo Pereira da Silva (o Paulinho da Força) e Valdemar Costa Neto, condestável sem mandato do semiparlamentarismo praticado. Se um volume espetacular de gente for à rua nos atos, contudo, o mandato do chamado Botafogo do propinoduto da Odebrecht e a influência dos outros dois não serão abalados em um milímetro sequer. Da mesma forma, a constatação de um fiasco em termos de multidão se manifestando não ampliará em um ponto porcentual sequer a possibilidade concreta de Bolsonaro, nas atuais circunstâncias, vir a ser submetido ao mesmo destino da ex-“presidenta”.

Isso, contudo, não significa que êxito estrondoso e fiasco tremendo sejam hipóteses vazias. É claro que sucesso nessas manifestações propiciará, no mínimo, imagens positivas a serem usadas pelo presidente da República para provar que seu triunfo eleitoral ainda não se esgotou. Em contrapartida, um malogro tirará dele a melhor arma política que pode usar no longo e doloroso inverno a que será submetido nos próximos anos em seu convívio de conflito e desconfiança com o Centrão.

Talvez tenha sido pensando nisso que a deputada estadual Janaina Paschoal, do alto dos 2 milhões de sufrágios que a fizeram a deputada mais votada da História do Brasil, divulgou sua oposição ao risco de uma aventura malograda. Ela escreveu no Twitter: “Pelo amor de Deus, parem as convocações! Essas pessoas precisam de um choque de realidade. Não tem sentido quem está com o poder convocar manifestações! Raciocinem! Eu só peço o básico! Reflitam!…”.

O recado é corajoso e prudente, demonstrando duas virtudes raras em políticos brasileiros hoje. Na certa, ela já terá percebido que existe uma bolha de autossatisfação muito grande entre os adeptos de Bolsonaro nas chamadas redes sociais e teme pelas consequências desastradas de eventual fracasso. Talvez tal bolha superestime a parcela desse eleitorado que acredita em patacoadas petistas do gênero “o povo unido jamais será vencido”. Ou ela teme que o movimento seja desvirtuado para uma fé absurda em fantasias intervencionistas de cidadãos enfurecidos ocupando as dependências do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), outra instituição vista como um “atrapalho no trabalho” do capitão.

Na verdade, ninguém tem condições de depor Bolsonaro só em consequência de uma frustração das manifestações de domingo 26. O presidente foi eleito legitimamente, diplomado e empossado e só será defenestrado da chefia do Executivo se cometer uma série especial de delitos que não são permitidos ao maior mandatário do País. Mas nem o eventual sucesso extraordinário da convocação do povo terá o condão de corrigir o erro espetacular do presidente ao deixar Rodrigo Maia, do DEM de Onyx Lorenzoni, ser alçado à chefia da Mesa da Câmara. E também pelo patrocínio expresso à candidatura de Davi Alcolumbre, outro do DEM e sob patrocínio do chefe de sua Casa Civil, à presidência do Senado. O Brasil terá de conviver sob a égide de Jair Bolsonaro por mais quatro anos e só lhe caberá tornar esse fardo menos pesado do que promete ser. De seu lado, presidente e seus apoiadores terão de suportar a partilha do poder republicano com os parlamentares de exíguas votações no comando das duas Casas do Poder Legislativo. Resta-lhe a opção de compreender que não poderia ter entregue a articulação do Congresso ao veterinário gaúcho, antes que suas consequências funestas se repitam ad nauseam.

O povo na rua não o libertará dos erros primários cometidos em cinco meses e meio de governo de ventos desgovernados agitando de forma desastrada as birutas em seu campo de pouso. Mas pelo menos servirá de exemplo de força de quem realmente manda na democracia. Seja qual for o resultado, as manifestações poderão, quem sabe, dar ao presidente, que usa a expressão, mas parece desconhecer seu significado, a noção de que nas democracias o patrão é o cidadão. E ninguém recebe a delegação para decidir por quaisquer idiossincrasias que cidadãos devem ser privados do exercício desse poder e a quais se reserva o privilégio de seu exercício.

A PALAVRA DO EDITOR

NOVOS ESCUDOS

Chegou ao conhecimento da Editoria do JBF uma informação interessante.

Esta informação diz respeito aos novos escudos que passarão a ser usados pelas Policias Militares de todos os estados, durante badernas estudantis promovidas por universitários brasileiros.

Aquelas zorras desordeiras que eufemisticamente eles chamam de “manifestação”

A esquerdalhada acadêmica, composta sobretudo de petistas, psolistas e comunistas, está apavorada com este novo equipamento.

Vejam só que coisa bárbara:

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

VIOLANTE PIMENTAL – NATAL-RN

Boa noite, prezado Editor Luiz Berto!

Segue o comprovante da doação de maio – 2019, para o JBF,

Um abraço!

R. Muito obrigado pela generosidade, minha cara colunista fubânica.

É graças às doações de vocês, colunistas e leitores, que esta gazeta escrota se mantém no ar.

Atualizada o dia todo e todos os dias.

De domingo a domingo.

Estas doações pagam as despesas com hospedagem, manutenção e assistência técnica.

E, além do mais, servem pra pagar os salários sempre atrasados de Chupicleide.

Nossa querida secretária de redação está aqui toda se rindo-se de tanta alegria e mandando um grande beijo pra você! 

DEU NO JORNAL

COMPANHEIROS DE CADEIA UNIDOS PELA LEITURA

* * *

Muito interessante esta informação publicada pela revista IstoÉ.

Quem quiser ler a matéria completa, basta clicar aqui.

Segundo apurou a Editoria do JBF, o também prisioneiro Lula, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, já se mostrou interessado em adquirir os livros que serão vendidos pelo seu companheiro de cadeia.

Conforme foi informado pelo serviço de Relações Públicas Carcerárias, um órgão subordinado ao Diretório Nacional do PT e que cuida da multidão de ilustres petistas presos, Lula tornou-se leitor voraz depois que foi enjaulado.

Até pra ir cagar ele só vai com um livro.

Segundo informou Gleisi Hoffmann, a gerenta do bando, só neste mês de maio Lula já devorou Cem Anos de Solidão, Em Busca do Tempo Perdido, O Processo, Crime e Castigo e A Peste.

Todos estes títulos foram por ele mesmo escolhidos, segundo Gleisi.

A Editoria do JBF apurou que atualmente Lapa de Corrupto está terminando de ler Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos.

Detalhe importante: lendo com o livro de cabeça pra cima.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

BARTOLOMEU SILVA – SÃO PAULO-SP

Berto,

acabei de lançar um novo projeto no mercado. Trata-se uma uma loja online de produtos relacionados a tecnologia, mas também tem algumas coisas menos tecnológicas também.

É uma tentativa de ingressar para o mundo dos negócios de gente grande.

Não é fácil, mas vamos na luta.

Todos os produtos são importados e enviados direto para o cliente.

Nós fazemos a intermediação entre o fabricante e o consumidor.

Conto com a ajuda dos colegas para divulgar o link da loja.

R. Bartolomeu é o competente hospedeiro desta gazeta escrota.

É ele o responsável técnico pelo nosso jornal e o homem que faz o JBF ficar no ar 24 horas por dia. Atualizado o dia todo e todos os dias.

De modo que é com muita alegria e satisfação que saúdo esta sua iniciativa de criar uma loja online.

Tenho certeza que o empreendimento será vitorioso.

Pode contar com a visita dos leitores fubânicos à sua página, meu caro Bartolomeu.

Quem quiser acessar pra conhecer e dar um passeio, basta clicar na imagem abaixo.

CHARGE DO SPONHOLZ