PSICOLOGIA DE UM VENCIDO – Augusto dos Anjos

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Colaboração de Pedro Malta

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UM NORDESTINO CATARINENSE

Comentário sobre a postagem CONVERSANDO MIOLO-DE-FOSSA

Hélio de Araújo Fontes:

Luiz Berto,

Uma das coisas boas que aconteceram na minha vida, ano passado, foi te conhecer pessoalmente.

Já te conhecia, e à tua família, com quem é impossível não simpatizar, através do JBF.

Fiquei agradavelmente surpreso em você me convidar para visitá-lo no seu próprio apartamento.

Eu achava que você talvez propusesse um encontro num lugar público, um restaurante, um barzinho, ou coisa que o valha.

Mas não, você me chamou para sua própria casa, contanto que eu respeitasse sua soneca depois do almoço.

Pra mim foi um encontro maravilhoso, primeiro por você praticar sua hospitalidade nordestina, digna de todos os elogios.

Depois por me proporcionar conversar, ainda que de modo fugaz, por telefone, com um dos melhores poetas nordestinos da atualidade, de quem sou admirador: Jessier Quirino.

Fomos, minha esposa e eu, brindados pela gentileza de nos conduzir, ao fim da visita, até o nosso hotel, longe prá dedeu de sua residência.

Conheci seu belo apartamento, a redação do JBF (que leio diuturnamente e noturnamente, como diria uma certa “presidenta”).

Fiz meu périplo nordestino, visitando Pernambuco, Paraíba e Alagoas, de onde sou oriundo, apesar de ser pernambucano de Garanhuns e voltei para meu aconchego em Santa Catarina.

Vi e escutei tua entrevista à Rádio Paulo Freire e gostei muito.

* * *

Nota do Editor:

Meu caro, você me comoveu com as suas palavras. Muito obrigado do fundo do coração. Minha casa e a redação do JBF estarão sempre de portas abertas para os amigos e leitores fubânicos, vindos de qualquer parte do Brasil ou do mundo. Saiba que você e sua esposa nos deram uma alegria enorme com aquela visita. Volte sempre!

O estimado leitor fubânico Hélio e sua esposa Halina aqui em casa; um dia agradabilíssimo com um casal arretado!!!

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NEURÔNIO NO ESCURO

Dilma usa amiga argentina para apresentar a Teoria da Luz no Meio do Túnel

“Uma vitória de Cristina Kirchner na Argentina para nós aqui no Brasil seria uma luz no meio do túnel, e não no final, no meio, porque o fim para nós tem que ser o retorno de um governo popular para o Brasil, mas a metade do túnel é importante, e a Argentina para nós será, sem dúvida, uma luz no meio do túnel”.

Dilma Rousseff, em entrevista ao site Sputniks Brasil, expondo em dilmês erudito a Teoria da Luz no Meio do Túnel.

* * *

AMANTE RETARDATÁRIA

Gleisi descobriu só agora um dos artigos do Código Penal que instalaram Lula na cadeia

“Artigo 317 do CP, corrupção passiva: ‘Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem’. É no q incorreu Moro ao barganhar vaga no STF“.

Gleisi Hoffmann, deputada federal e presidente do PT, conhecida pelo codinome Amante no Departamento de Propinas da Odebrecht, no Twitter, descobrindo com alguns anos de atraso, ao tentar estendê-lo a Sergio Moro, um dos artigos do Código Penal que transformaram Lula em presidiário.

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JOSÉ DOMINGOS BRITO – SÃO PAULO-SP

Caros amigos e amigas ,

Publiquei na Amazon o livro Literatura e Música – Depoimentos de escritores e músicos — Ensaios e bibliografia, sexto volume da série Mistérios da Criação Literária, de José Domingos de Brito.

Esse livro está em promoção especial na Amazon, DE GRAÇA, até o próximo domingo.

Clique aqui para acessar.

Acho que é uma boa oportunidade, pois o preço normal é de R$ 24,99 e os depoimentos são muito interessantes, normalmente de um parágrafo, e podem ser lidos em qualquer ordem (os ensaios são mais pesados, voltados para especialistas, estudantes ou quem quer se aprofundar no tema).

NOTA 1 – Qual a vantagem de “vender de graça”?

Para quem ficou curioso, faço uma analogia com uma livraria física: quando o livro é colocado à venda, a Amazon o coloca na prateleira mais de baixo, lá pertinho do chão, onde não é visto por nenhum comprador; só quem chega procurando especificamente o livro e pede ajuda do vendedor tem acesso a ele. À medida em que é vendido, mesmo que por R$ 0,00, o livro vai sendo levado para prateleiras de cima, se aproximando da altura dos olhos dos compradores.

NOTA 2 – Cadastro na Amazon:

Para quem não é cadastrado no site da Amazon, vão solicitar cadastramento quando for feita a “compra” (botão “Comprar agora“), mesmo sendo a compra de R$ 0,00. O botão “Leia de Graça” é outra coisa: vai te levar para a página de assinatura do kindle unlimited, uma assinatura mensal que dá acesso ilimitado aos livros que fazem parte do programa.

Vai ser muito legal se puderem “comprar” e divulgar!

Grato e Abraços

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OFENSA E ERRO

O presidente Bolsonaro, ao utilizar a expressão “idiotas úteis”, se referindo à baderna que ontem emporcalhou as ruas do país, cometeu uma grave ofensa.

Chamar aqueles babacas que não sabem multiplicar 2×3 de “idiotas” é uma ofensa gravíssima para com a comunidade dos idiotas.

Já o erro de Bolsonaro foi chamá-los de idiotas “úteis”.

Não verdade, estes analfabetos universitários são idiotas totalmente inúteis.

Não servem pra porra nenhum!!!

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JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF

AS RUAS

O fascínio pelas ruas acomete a milhares, mas os exemplos mais eloquentes vêm dos escritores Lima Barreto (Afonso Henriques de Lima Barreto) e João do Rio (João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto). Este nutria pelas ruas amor absoluto. De tanto devotar-se às ruas, de tanto estanciar-se nelas, de tanto irmanar-se com elas, João do Rio, em tributo a elas, pôs em seu terceiro livro, (sua obra-prima), o nome de A Alma Encantadora das Ruas, publicado em 1908.

Pelos serviços que prestam, pelas suas serventias, pelo que proporcionam de prazer, passatempo, distração e exercício lúdicos, as ruas, de incrível diversidade, são merecedoras de todos os louvores, de todos os agradecimentos. Apesar disso não me apetece o seu burburinhar, sua inquietação, sua maneira à trouxe-mouxe. É por tais circunstâncias que não me detenho quando as visito, faço de modo pressuroso. Cada qual com seu apego, sua preferência.

Da obra A Alma Encantadora da Ruas extratei alguns pareceres de João (sumariados, adaptados) acerca das ruas:

As ruas são generosas; não delatam a miséria, o delírio o crime, são capazes de unir, nivelar, agremiar. As ruas são os seres mais igualitários, mais socialistas, mais niveladores das obras humanas. Impõem aos dicionários as palavras que inventam, criam todas as blagues, todos os lugares-comuns. Para as ruas a aurora é sempre formosa, não há o despertar triste. As ruas criam um tipo universal feito de risos e de lágrimas, de patifarias e de crimes irresponsáveis, de abandono e de inédita filosofia, tipos esquisitos e ambíguos, uns com saltos de felinos outros com risos de navalha.

Para compreender a psicologia das ruas não basta gozar-lhe as delícias como se goza o calor do sol e o lirismo do luar. É preciso ter espírito vagabundo, cheio de curiosidades malsãs e os nervos com um perpétuo desejo incompreensível, é preciso ser aquele que chamamos preguiçoso e praticar o mais interessante dos esportes: a arte de flanar.

Balzac dizia que as ruas de Paris nos dão impressões humanas. São assim as ruas de todas as cidades, com vida e destinos iguais aos do homem.

As ruas nascem da necessidade de alargamento das grandes colmeias sociais, de interesses comerciais, dizem. Mas ninguém o sabe. Um belo dia, deriva por superfícies devassadas, transpassam trecho de chácara, aterram-se lameiros, e aí está: nasceu mais uma rua. Nasceu para evoluir, para ensaiar os primeiros passos, para balbuciar, crescer, criar uma individualidade.

Oh! Sim, as ruas têm alma! Há ruas honestas, ruas ambíguas, ruas sinistras, ruas nobres, delicadas, trágicas, depravadas, puras, infames, ruas sem história, ruas tão velhas que bastam para contar a evolução de uma cidade inteira, ruas guerreiras, revoltosas, medrosas, ruas aristocráticas, ruas amorosas, ruas covardes, que ficam sem pinga de sangue, ruas católicas, ruas protestantes e até ruas sem religião. A alma da rua só é inteiramente sensível a horas tardias.

A rua é a civilização da estrada. Onde morre o grande caminho começa a rua, e, por isso, ela está para a grande cidade como a estrada está para o mundo.

Com esta breve elocução reverencio João do Rio, ilustrado e cultivado escritor brasileiro, amante do sereno, ocupante, à época, da cadeira 26, da Academia Brasileira de Letras.

Ao tempo em que agradeço a João do Rio pelo seu legado prestimoso, insubstituível, demarcado por luxuosa erudição, rogo para que desculpe as falhas com que este aprendiz, canhestro, escriturou esses pingos diamantíferos.

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A CRISE E A CUECA

“O que estamos discutindo dentro do Centrão é que precisamos fazer uma reforma que não garanta a reeleição de Bolsonaro. R$ 800 bilhões garantem, de cara, a reeleição de qualquer um. Se dermos R$ 800 (bilhões de reais) como disse ele, significa que nos últimos três anos de governo (na Presidência), há R$ 240 bilhões ao ano para gastar. Eu acho que temos de ter (economia) em torno de R$ 500 bilhões. R$ 600 bilhões seria o limite para essa reforma”. (Dep. Federal Paulinho da Força)

Talvez nunca como nestes dias o pecado original de nossas instituições tenha exibido aos olhos da nação sua face ímpia e impiedosa. O pecado é velho como a República. É original porque nasceu com ela. E é mortal porque, desde então, responde por inextinguível sucessão de crises sociais, políticas e econômicas.

Dou aqui meu testemunho sobre o que vi e vivi em mais de meio século de atenta observação: as crises brasileiras são como as cuecas do cotidiano. Não há dia sem cueca, nem dia sem crise. Estamos sempre com elas, companheiras inseparáveis, a cueca e a crise.

Não vou entrar na chatice técnica da alfaiataria institucional e seus defeitos de costura. Irei direto ao ponto que avulta sob nossos olhos quando o ministro da Economia, um homem que sabe o que diz e não brinca em serviço, afirma que a Economia está no fundo do poço. Sabemos, todos, que para lá deslizam as esperanças dos necessitados, dos desempregados, dos desabrigados e a confiança dos investidores, cuja atividade poderia vir em seu socorro. É a crise.

Claro, o Congresso Nacional poderia – não mais do que isso, “poderia” – acelerar a aprovação de projetos de reforma previdenciária e fiscal que, sabidamente, restaurariam a confiança dos investidores, a credibilidade dos mercados na seriedade da gestão pública nacional. Mas no Congresso Nacional, Paulinho da Força fala pela alma da Casa. É a cueca.

Ao longo de décadas, os problemas fiscais foram empurrados com o umbigo, o endividamento chegou a treze dígitos, pode alcançar R$ 5 trilhões e engolir um PIB inteiro. Mas nada é tão importante quanto a próxima eleição.

O Congresso Nacional, em vez de arregaçar mangas e votar as reformas, se compraz com obstruções e negociações deliberadamente infindáveis, mantendo a velha tradição de preservar dedos, anéis, pulseiras, colares e cofres na Suíça. As exceções, honradas e celebradas exceções, são em número insuficiente para vencer a inércia dos que preferem deixar tudo como está. Para estes últimos, até uma tragédia de porte bolivariano serve contanto que isso lhes viabilize a reeleição, que o COAF fique longe de Sérgio Moro, que se recriem alguns ministérios gastadores e que o sindicalismo militante e partidário preserve suas sinecuras. Tudo sem pressa porque a pressa é inimiga da refeição.

O que descrevi é pecado, é mortal, mas não é o pecado original. O pecado original do modelo institucional brasileiro consiste na irresponsabilidade institucional dos parlamentares. São como engenheiros cujas obras pudessem desabar sobre a cabeça dos outros sem que nenhuma consequência os atinja. Tudo é cobrado do governo ainda que este só possa fazer o que eles permitem. Aconteça o que acontecer, sejam quantos forem os novos desempregados, nada os interessa e preocupa mais do que a próxima eleição.

Há uma multidão de novos congressistas. Foram necessários menos de quatro meses para que muitos, não se sabe ainda quantos, fossem cooptados pela mentalidade irresponsável da Casa. Há, porém, gente da melhor qualidade, aparentemente poucos, em cujo exemplo e trabalho repousa parte da nossa confiança e esperança.

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