JOSÉ NÊUMANNE - DIRETO AO ASSUNTO

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

MANOEL XUDU, UM MESTRE DO REPENTE

O grande poeta paraibano Manoel Xudu (1932-1985)

O meu verso é como a foice
De um brejeiro cortar cana.
Sendo de cima pra baixo,
Tanto corta, como abana,
Sendo de baixo pra cima,
Voa do cabo e se dana.

***

O homem que bem pensar
Não tira a vida de um grilo
A mata fica calada
O bosque fica intranquilo
E a lua chora com pena
Por não poder mais ouvi-lo

***

Eu admiro um caixão
Comprido como um navio
Em cima uma cruz de prata
No meio um defunto frio
E um cordão de São Francisco
Torcido como um pavio.

***

Nessa vida de amargura
O camponês se flagela
Chega em casa à meia-noite
Tira a tampa da panela
Vê o poema da fome
Escrito no fundo dela.

***

Uma novilha amojada
Ao se apartar do rebanho,
Quando volta, é com uma cria
Que é quase do seu tamanho;
Ela é quem lambe o bezerro,
Por não saber lhe dar banho.

***

Carneiro do meu sertão,
Na hora em que a orelha esquenta,
Dá marrada em baraúna
Que a casca fica cinzenta
E sente um gosto de sangue
Chegar à ponta da venta.

***

Uma galinha pequena
Faz coisa que eu me comovo:
Fica na ponta das asas,
Para beliscar o ovo,
Quando vê que vem, sem força,
O bico do pinto novo.

***

Tem coisa na natureza
Que olho e fico surpreso:
Uma nuvem carregada,
Se sustentar com o peso,
De dentro de um bolo d’água,
Saltar um corisco aceso.

***

O ligeiro mangangá
Passa, nos ares, zumbindo;
As abelhas do cortiço
Estão entrando e saindo,
Que, de perto, a gente pensa
Que o pau está se bulindo.

***

A raposa arrepiada
Se aproxima do poleiro,
Espera que as galinhas
Pulem no meio do terreiro;
A que primeiro descer,
É a que morre primeiro.

***

Eu tava na precisão
Quando me casei com Nita
Nada tinha pra lhe dar
Dei-lhe um vestido chita
Ela olhou sorrindo e disse
Oh! Que fazenda bonita!

***

É uma bola de ouro
Pra todo humilde vaqueiro,
Que ganha do fazendeiro,
Um belo chapéu de couro.
Conduz aquele tesouro
À noite, para o colchão;
Para, na escuridão,
Não ser roído do rato.
Chapéu de couro, o retrato
Do vaqueiro do sertão.

***

Vê-se o sertanejo moço
Com três meses de casado;
Antes de ir pro roçado,
Da mulher, beija o pescoço.
Ela lhe traz, no almoço,
Uma bandeja de angu,
A titela de um nhambu,
Depois lhe abraça e suspira.
O sertanejo admira
As manhãs do Pajeú.

***

Mamãe que me dava papa
Me dava pão e consolo
Dava café, dava bolo
Leite fervido e garapa
Mas uma vez deu-me um tapa
E depois se arrependeu
Beijou aonde bateu
Desmanchou a inchação
“quem perdeu mãe tem razão
De chorar porque perdeu”.

***

Dia 13 de março terça-feira
Ano mil novecentos trinta e dois
Pouco tempo depois que o sol se pôs
Mamãe dava gemidos na esteira
Numa casa de barro e de madeira
Muito humilde coberta de capim
Eu nasci pra viver sofrendo assim
Minha dor vem dos tempos de menino
Vivo triste por causa do destino
E a saudade correndo atrás de mim.

***

Quando Deus, que é juiz pra todo jugo,
Molha as terras sedentas e vermelhas,
O corisco por cima abala as telhas,
Cai a água, me molho e me enxugo.
Vê-se um sapo escanchado num sabugo,
Como um cabra remando uma canoa…
Sai cortando as maretas da lagoa,
Chega os braços parecem um cata-vento.
Salta fogo das nuvens de momento,
Cai a chuva na terra, o trovão zoa.

***

No sertão, todo dia, bem cedinho
Vê-se um galo descendo do poleiro,
Um cabrito berrando no chiqueiro,
No terreiro, fuçando, um bacorinho.
Um preá sai torcendo o seu focinho,
Como um cego tocando realejo;
Na cozinha, uma velha espreme o queijo,
Um bezerro berrando no curral.
O retrato do corpo natural
É a veste do homem sertanejo.

***

Um ferreiro suado numa tenda,
Agarrado no cabo da marreta,
Consertando algum dente da carreta
Que quebrou e precisa duma emenda;
Um crioulo no pé duma moenda,
Já um pouco queimado de aguardente;
O bagaço espirrando pela frente
E uma bica de caldo derramando,
Um bueiro, mal feito, fumegando,
Representa o sertão de antigamente.

***

O mar se orgulha por ser vigoroso,
Forte, gigantesco que nada lhe imita
Se ergue, se abaixa, se move, se agita,
Parece um dragão feroz e raivoso.
É verde, azulado, sereno, espumoso;
Se espalha na terra, quer subir pro ar,
Se sacode todo, querendo voar,
Retumba, ribomba, peneira, balança,
Nem sangra, nem seca, nem para, nem cansa,
São esses fenômenos da beira do mar.

***

O próprio coqueiro se sente orgulhoso
Porque nasce e cresce na beira da praia
No tronco, a areia da cor de cambraia
O caule enrugado, nervudo e fibroso
Se o vento não sopra silencioso
Nem sequer a fronde se vê balançar
Porém, se o vento com força soprar
A fronde estremece, perde toda a calma
As folhas se agitam, tremem, batem palma
Pedindo silencio na beira do mar.

***

Não há tempestades e nem furacões,
Chuvada de pedra no bosque esquisito
Quedas de coriscos e meteorito
Tiros de granadas, obuses, canhões,
Juntando os ribombos de muitos trovões
Que tem pipocado na massa do ar
Cascata rugindo, serra a desabar,
Estrondo, ribombos, rumores de guerra,
Nuvens mareantes, tremores de terra
Que imitem a zoada na beira do mar.

AUGUSTO NUNES

A FRENTE PARLAMENTAR PRÓ-BANDIDAGEM ROUBOU O COAF DE MORO

O esforço para sequestrar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Justiça e Segurança Pública e entregá-lo ao Ministério da Economia, malandragem concretizada nesta quinta-feira, confirmou que a mais teimosa e repulsiva bancada do Congresso é a Frente Parlamentar Pró-Bandidagem, agrupamento suprapartidário de senadores e deputados federais cujo prontuário identifica larápios com foro privilegiado. O programa do bando tem uma única meta: manter seus integrantes longe da cadeia. Para tanto, todos vêm consumindo 24 horas por dia na luta para reduzir os poderes do ministro Sergio Moro, o grande Satã da ladroagem classe executiva.

Ao convidar para uma vaga no primeiro escalão o homem que personifica a Lava Jato, o presidente Jair Bolsonaro prometeu-lhe que o Ministério da Justiça e Segurança Pública controlaria o Coaf, cujo desempenho na Laja Jato foi ─ e continua sendo ─ fundamental para o avanço da maior e mais bem-sucedida operação anticorrupção da História. A derrota sofrida por Moro na comissão que sequestrou o COAF do ministério de Moro pode ser revogada pelo plenário do Senado e da Câmara. Cumpre ao presidente da República reiterar enfaticamente que não admite que sua promessa seja revogada pelo bloco dos corruptos. E cabe aos parlamentares supostamente fiéis ao governo neutralizar a ofensiva dos gatunos insones.

Moro tem sido alvejado nas redes sociais até por comediantes imbecis reduzidos a pregadores das missas negras celebradas pela seita que tem como único deus um presidiário corrupto e lavador de dinheiro. O Brasil decente precisa mobilizar-se em defesa de Sergio Moro e sua Lei Anticrime ─ sujeita, é claro, a eventuais modificações para melhor. A tentativa de imobilizar o ministro nada tem a ver com equívocos e exageros produzidos pela Lava Jato. Os que tira o sono dos delinquentes fantasiados de representantes do povo são os incontáveis acertos colecionados pelo corajoso juiz federal de Curitiba.

Sergio Moro é, hoje, o brasileiro mais respeitado no mundo civilizado. É natural que o grande clube dos cafajestes odeie o homem que comandou o desmonte do maior esquema corrupto da história. Em contrapartida, os brasileiros honestos têm o dever de preservar os instrumentos jurídicos atribuídos em janeiro a quem mostrou que todos são iguais perante a lei, que não há os mais iguais que os outros e que o Brasil poderia enfim deixar de assemelhar-se a um viveiro de meliantes condenados à eterna impunidade.

Os corruptos querem escapar do mausoléu onde jazem dezenas de corruptos cinco estrelas que se julgavam inimputáveis. É hora de interromper a tentativa de ressurreição e enterrá-los de vez numa superlativa cova rasa.

* * *

RUIM DE MIRA

Boulos mira em Jair Bolsonaro e Sergio Moro e acerta na testa do ídolo Lula

“Fora o ataque aos professores e cursos de ciências humanas, Bolsonaro é incapaz de formular propostas e sequer frases com algum nexo. O presidente, o
‘conge’ Moro e o ministro da Educação que ‘insita’ a violência colocam até a língua portuguesa no rol de adversários”.

Guilherme Boulos, líder do MTST, mirando em Jair Bolsonaro e Sergio Moro e acertando na testa do ídolo Lula.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ELIANA MARIA – FORTALEZA-CE

Sr. Editor,

É possível publicar?

Agradeço desde já.

Atenciosamente.

R. Tudo é possível publicar nesta gazeta escrota, cara leitora.

Tudo mesmo.

Inclusive putarias universitárias e sacanagem explícita educacional.

Sobretudo o material referente à finíssima educação zisquerdóide petralhal cumunista psolista banânica.

O material que você nos mandou está logo abaixo.

Disponha sempre.

 

CHARGE DO SPONHOLZ

DEU NO JORNAL

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

O BRASIL NÃO É UMA DEMOCRACIA

A Defensoria Pública ajuizou ação civil pública para impedir o corte de 30% em verbas das universidades federais. Segundo a Defensoria, “o ato emanado do Executivo Federal tem apenas um cunho: retaliar e punir universidades federais cujo perfil ideológico seja diferente daquele pedido pelo governo”.

A juíza fulana proibiu o governo de retirar medidores de velocidade nas rodovias, e determinou ao Dnit que apresente, em sete dias, uma relação de cerca de 1,9 mil faixas que devem receber medidores de velocidade imediatamente.

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, órgão do MPF, defendeu a inconstitucionalidade do decreto da posse de armas, que entrou em vigor nesta semana. Os procuradores argumentam que a flexibilização da posse “compromete a política de segurança pública – direito fundamental de todas as pessoas, especialmente no tocante ao direito à vida”.

O MPF pediu à Justiça a suspensão de sete integrantes da Comissão de Anistia, nomeados neste ano por Damares Alves. Segundo o órgão, todos já manifestaram críticas ou atuaram contra a concessão de indenizações para perseguidos políticos na ditadura.

Os quatro casos acima poderiam ser centenas ou milhares, basta ler os jornais. Todos os dias o Judiciário e o Ministério Público intervém nas decisões do governo e determinam o que deve e o que não deve ser feito. Nosso poder executivo não é mais um poder: é um mero encarregado, um peão bem-mandado cuja única função é obedecer às ordens dos donos do poder, os já citados Judiciário e Ministério Público, que como se sabe, são compostos por pessoas que tem cargos vitalícios, estabilidade, imunidade e que não foram eleitas por ninguém, sem contar o privilégio de criar seus próprios orçamentos e escolher seu próprio chefe, no caso do MP.

Escolhi os casos acima porque exemplificam os vários tipos de barbaridades que esta dupla vem cometendo:

– No primeiro, a defensoria adivinha as “intenções ocultas” do presidente e as julga inadequadas. Lembram-se do PT pedindo o cancelamento do processo de impeachment porque o presidente da câmara, Eduardo Cunha, estaria “mal-intencionado” ao aceitá-lo ?

– No segundo, a juíza resolveu ignorar a hierarquia onde o DNIT é subordinado ao Ministério da Infra-estrutura, que por sua vez é subordinado à Presidência da República, e ser ela a chefe do DNIT, dando ordens diretas. Daí para a meritíssima determinar quais ruas devem ser mão única e onde será proibido estacionar, é só mais um passo.

– No terceiro, a origem do problema é nossa desastrosa constituição e seus “direitos” e “princípios” abstratos que servem de desculpa ao absolutismo judicial. Qualquer coisa que um magistrado não goste ou não concorde, pode ser proibido sob a alegação de ir contra algum conceito abstrato da Constituição da Casa da Mãe Joana.

– No quarto, temos um descarado pedido pela parcialidade. Afinal, é óbvio para todo mundo que uma comissão que analiza determinado assunto deve ser formada por pessoas que tenham opiniões diferentes sobre este assunto; se não, para que comissão? Mas parece que para o MPF, só podem fazer parte de uma comissão quem já tenha se manifestado do “lado certo”; quem é do “lado errado” não pode.

Em todos os casos, vemos que os ditadores não admitem a possibilidade de um presidente eleito tomar decisões, incluindo aquelas que foram promessa de campanha. Arrogam-se o direito de decidir o que é certo e o que é errado. Acreditam piamente que o país existe para serví-los, não o contrário. E nem precisamos falar do “Mr. Justice” Dias Toffoli, que cria inquéritos secretos onde o acusador também é o juiz, para perseguir quem discorda dele e de seus comparsas do supremo.

Tudo isso nos leva a uma conclusão inevitável: Não vivemos em uma democracia. Vivemos em uma ditadura, regime que se caracteriza pela existência de um poder não-eleito, que impõe sua vontade sem sujeitar-se a regras e sem obedecer limites. Pior que isso: vivemos em uma ditadura onde existe uma luta interna entre os ditadores para saber quem manda mais. O mar e o rochedo são, obviamente, o Judiciário e o Ministério Público. Os mariscos somos nós.

DEU NO JORNAL

QUEDA LIVRE DO CARALHO

A Rede Bahia, afiliada da Globo, demitiu na última segunda-feira (06) pelo menos 40 jornalistas de duas de suas principais filiais no interior da Bahia, a TV Oeste (Barreiras) e a TV São Francisco (Juazeiro).

Âncora do BATV no vale do São Francisco, Priscila Guedes reclamou da demissão e aproveitou para mostrar toda a “imparcialidade” da velha mídia.

Após ser demitida, Priscila postou uma foto do criminoso preso Lula com a hashtag “Lulalivre”. Horas depois, nos Stories, voltou a defender o bandido petista e ainda xingou o presidente: “Bolsonaro é o caralho!”.

As mensagens e o perfil foram apagados no dia seguinte, mas o santo print salvou (abaixo).

Com o corte, as TV Oeste e a TV São Francisco serão repetidoras do sinal de Salvador, deixando de exibir os jornais locais.

A Rede Bahia passa por uma grave crise de audiência que preocupa a cúpula da Globo, sendo derrotada continuamente pela TV Itapoan, afiliada da Record.

* * *

Caralho pra Bolsonaro e Livre pra Lula.

Juntando e traduzindo, fica assim:

A audiência da Globo está numa queda livre do caralho.

O comportamento desta tabacudinha traduz muito bem a “isenção” da grande mídia petralha de Banânia, derrotada e arrasada na última eleição.

Mas, o que me deixou triste mesmo é que a moça num tem um pé-de-rabo que se apresente, como costumam ter as militantes petralhas.

Xoxinha, sem peito, sem bunda, perna de cambito e fucinho sem graça.

Mas, mesmo assim, não deve ser jogada fora. É perfeitamente digerível.

CHARGE DO SPONHOLZ

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

A VOCAÇÃO

Era dia de Finados, 2 de novembro, década de 70. Luizinho, 12 anos, entrou na venda do tio Francisquinho, pela manhã, e pediu que lhe confiasse uma caixa de velas, com 20 caixinhas, para ele vender no Cemitério. Quando vendesse todas, voltaria para pagar a dívida. Perguntou qual era o valor e por quanto deveria vender cada caixinha. Queria lucrar um dinheirinho.

O tio ficou surpreso com o pedido, pois era a primeira vez que isso acontecia. Confiou no menino e entregou-lhe a caixa com as velas. Uma hora depois, Luizinho estava de volta, para pagar o que devia, com parte do apurado e comprar “fiado” outra caixa de velas. Voltou ao Cemitério para continuar a venda.
Nessas idas e vindas, o menino passou o dia todo vendendo velas no Cemitério, e pagando ao tio quando voltava para comprar outra caixa. Guardava o lucro no bolso da calça curta que vestia. Nessa época, em Nova-Cruz, não havia lanceiros nem ladrões.

Luizinho guardou o pouco dinheiro que obteve com a venda das velas e passou dias custeando seus gastos com chocolates, pirulitos e outras guloseimas, sem incomodar a mãe.

Chegaram as festas de fim de ano. Em Nova-Cruz, o Comercial Atlético Clube promovia um grande baile no dia 1º de janeiro, com uma orquestra de Natal, João
Pessoa ou Recife. Essa festa atraía o povo da redondeza e também de João Pessoa e Natal. Havia, ainda, a turma animada do Recife, pessoas que tinham família em Nova-Cruz.

Luizinho começou a azucrinar o juízo de sua mãe, dois dias antes dessa festa. Queria, por que queria, que ela preparasse um caldeirão de carne moída para ele vender cachorro quente em frente ao Clube, onde populares ficariam no sereno, apreciando a entrada do povo rico e bem vestido. Os populares, com certeza, iriam sentir fome e comprariam cachorro quente para lanchar.

A mãe deu-lhe diversos “não”, sob a alegação de que seria uma vergonha seu filho, tão novo ainda, vender cachorro quente em frente ao Clube. Eles não precisavam disso. Ela e o marido podiam sustentar os 5 filhos. Inconsolável , Luizinho chorou muito. Dona Lia, sua tia, ouviu a discussão e entrou na casa da concunhada, para saber o que estava acontecendo. Ao se inteirar do problema, teve pena de Luizinho e intercedeu em seu favor. Disse à sua mãe que não via nada demais nisso. Afinal, era uma noite de festa e o dinheiro apurado seria para ele mesmo. Além do mais, trabalhar não era desonra.

E lá se foi Luizinho, na noite do baile, com um caldeirão de carne moída, muito bem temperada por sua mãe, e um pacotão de pão de sanduíche, vender cachorro quente, em frente ao Clube. Seu ajudante era outro garoto, amigo seu.

A venda de cachorro quente foi um sucesso.

Enquanto a vocação para o comércio aflorou logo cedo em Luizinho, a vocação para estudar passou por muito longe. Ele nunca se saiu bem na escola. Por mais
que a mãe e o pai o estimulassem a estudar, inclusive colocando-o em aulas de reforço, quase sempre era reprovado. Nunca conseguiu ser um bom aluno.

Um tio materno de Luizinho, dono de uma madeireira em Natal, tomando conhecimento do problema, propôs à irmã trazê-lo para trabalhar com ele. Aqui ele poderia continuar os estudos.

Para Luizinho, esse convite foi uma alegria. Com 14 anos, viajou para Natal com o tio e passou a trabalhar com ele na madeireira. Tornou-se os pés e as mãos desse tio. Anos depois, o homem se aposentou e encerrou suas atividades. Luizinho recebeu uma excelente indenização em madeira e o ponto comercial onde trabalhava, que tinha uma grande clientela. Investiu numa pequena fábrica de portas, janelas e esquadrias, a que deu o nome de “O JANELÃO”. Tornou-se um comerciante próspero. Casou-se e constituiu família, com uma prole de quatro filhos.

Tempos depois, Luizinho construiu um Restaurante na Praia de Tabatinga, com um apartamento no 1º andar, onde passou a residir. O menino sonhador, nascido em Nova-Cruz, que, por vontade própria, chegou a vender velas no Cemitério e cachorro quente na frente do Clube da cidade, transformou-se num alto comerciante em Natal e dono de um requintado restaurante. Ainda tinha muitos planos pela frente. Mas seus sonhos pararam aí.

Numa noite de domingo, depois de um dia muito cheio, Luizinho, aos 45 anos, morreu, em consequência de um assalto, no Restaurante de Tabatinga, sua maior
realização.