FORTALEZA – 293 ANOS E UM CRESCIMENTO FANTÁSTICO

Praça do Ferreira “ícone” de Fortaleza

Eram muitas as direções do andar, do ir e do vir. Onde eu morava, se resolvesse ir para o Oeste, iria para o Pan-Americano; se fosse para o Sul-Sudeste, iria para a Casa do Português; se fosse para o Nordeste, iria para o Benfica, pela avenida João Pessoa; se fosse para o Norte, e era para onde mais eu ia, acabava indo para o Liceu, via Bezerra de Menezes e Otávio Bonfim.

Pequena ainda – no tempo que lá morei -, concentrando seu dia a dia urbano num raio também pequeno, Fortaleza, a “Loira desposada do sol”, fundada a 13 de abril de 1726, era também naqueles anos 40/50 e 60, apenas uma cidade cheia de problemas. Todos de cunhos administrativos e soluções idem.

Chegada das jangadas na Praia do Meireles

Na configuração urbana, na verdade, existiam apenas quatro grandes avenidas: a Bezerra de Menezes, iniciando a saída ou entrada para o rumo de Sobral; a João Pessoa, iniciando a entrada e a saída para os rumos de Maracanaú e Maranguape; a rua Rio Branco, iniciando a saída e a entrada para Messejana e demais municípios e estados limítrofes; e a Santo Dumont, beirando o riacho Pajeú em direção à Aldeota e as praias do Futuro e outras, ainda virgens. Era esse, sem tirar nem pôr, o croquis da cidade que hoje completa 293 anos. (JOR)

“Casa do Português” iniciou mudanças arquitetônicas em Fortaleza

“Fortaleza é um município brasileiro, construído pelos holandeses durante sua segunda permanência no local, entre 1649 e 1654. O lema de Fortaleza, presente em seu brasão, é a palavra em latim Fortitudine, que, em português, significa “força, valor, coragem”.

Está localizada no litoral Atlântico, a uma altitude média de dezesseis metros, com 34 km de praias. Fortaleza possui 313,140 km² de área e 2 643 247 habitantes estimados em 2018, além da maior densidade demográfica entre as capitais do país, com 8 390,76 hab/km². É a maior cidade do Ceará em população e a quinta do Brasil. A Região Metropolitana de Fortaleza é a sexta mais populosa do Brasil e a primeira do Norte e Nordeste, com 4 051 744 habitantes em 2017. É a cidade nordestina com a maior área de influência regional e possui a terceira maior rede urbana do Brasil em população, atrás apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Fortaleza foi em 2016 a décima cidade mais rica do país em PIB e a 2ª mais rica do Nordeste, com 60 bilhões de reais. Possui, ainda, a terceira região metropolitana mais rica das regiões Norte e Nordeste. É importante centro industrial e comercial do Brasil, com o oitavo maior poder de compra municipal da nação. No turismo, a cidade alcançou as marcas de segundo destino mais desejado do Brasil e quarta cidade brasileira que mais recebe turistas de acordo com o Ministério do Turismo. É sede do Banco do Nordeste, da Transnordestina Logística e do DNOCS. A BR-116, a mais importante rodovia do país, começa em Fortaleza. O município faz parte do Mercado Comum de Cidades do Mercosul.

Orla marítima da “nova” Fortaleza

Batizada de Loira Desposada do Sol pelos versos do poeta Paula Ney, a metrópole cearense é a terra natal de brasileiros de grande renome como o ex-presidente Castelo Branco e Dom Hélder Câmara, assim como Capistrano de Abreu, Gustavo Barroso, Casimiro Montenegro Filho, José de Alencar, Karim Aïnouz, Maurício Peixoto e Rachel de Queiroz. É a capital brasileira mais próxima da Europa, a 5 608 km de Lisboa, em Portugal.” (Transcrito do Wikipédia)

Foto 5 – Estádio Municipal Presidente Vargas no Benfica

Saí de Fortaleza, exatamente há 50 anos. Saí para o Rio de Janeiro em 1969, depois de, em 1967, ter passado alguns dias para “sentir o clima e a possibilidade de uma vida nova”. Quando saí, a cidade era essa que descrevi, e praticamente eu não sabia nada da vida.

Tenho voltado à Cidade Luz poucas vezes, pois a idade já não permite mais esse “para cima e para baixo” com mais assiduidade. Vou quando me dá saudade, e quando a situação financeira permite.

O desenho que tenho é o de 50 anos atrás, com Miscelânea vendendo pastel e caldo de cana, bolachinha Ceci da Padaria Duas Nações na Rua Castro e Silva, cafezinho no Cearazinho, sessões de cinema no São Luiz e no Cine Diogo e merendas na lanchonete das lojas Romcy Magazine. Nunca esqueci o “pão d´água” (francês) comprado na Padaria Lisbonense e levado para casa no início da noite.

Nas poucas vezes que tenho ido, percebo que, da minha geração de amigos, muitos já subiram para o andar de cima, e as antigas amizades ficaram distantes.
Cachacinha na “Bodega do Antônio”, cervejinha no Caravele da avenida Luciano Carneiro, ao som do piano; feijoada no Sá Filho ou no Clube do Advogado, e o encerramento da noite com jantar no cirandinha ou no Alfredo o Rei da Peixada, são pontos fortes no cabedal da saudade.

O atual “Restaurante do Alfredo” no Meireles

Como diz o poeta, “não sei se um dia volto para lá”, pois também tenho raízes profundas em São Luís, onde cheguei há exatos 31 anos.

Para comemorar o aniversário desta cidade maravilhosa, bem que eu queria: ir ao Mercado São Sebastião, puxar uma cadeira, sentar e comer meia dúzia de atas; ir ao restaurante ao lado da Western, pedir um caldo de panelada; caminhar da Bela Vista até o Presidente Vargas para assistir o meu Vovô ganhar do Fortaleza; voltar ao Liceu e viajar no ônibus Jacarecanga; ou assistir um bom espetáculo no Theatro José de Alencar.

Como não é possível, Fortaleza, de longe, apenas te aceno fazendo o coraçãozinho do Amor, tendo consciência de que tudo isso está no passado.

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INVEJA REACIONÁRIA

Mulher do ex-candidato do PT a presidente, Ana Estela Haddad desfruta de boquinha a quase 3 mil quilômetros de distância em uma fundação credenciada pelo Ministério da Educação no Maranhão, um dos estados mais pobres do País.

Só em 2018, Ana Estela recebeu mais de R$ 32 mil da Fundação Josué Montello, parceira do governo Flávio Dino (PCdoB). Este ano, madame já levou R$ 13 mil.

Planilha no blog do jornalista Filipe Mota atesta remuneração do CPF *.257.668-.**

A coluna tentou sem êxito saber da sra. Haddad a natureza do vínculo à Fundação. O PT diz não tratar de “assuntos de natureza pessoal”.

Procurado, o governo do Maranhão, controlado pelo PCdoB, partido que é velho aliado do PT, não respondeu aos questionamentos.

A fundação Josué Montello também foi indagada sobre o assunto, mas se recusou a explicar o vínculo com Ana Estela Haddad.

A Josué Montello já se enrolou com o Ministério Público no passado. As contas de 2004 a 2008 foram rejeitadas pelo Tribunal de Contas.

* * *

Esta nota aí de cima, que saiu na coluna do jornalista Cláudio Humberto, não passa de fuxico anti-revolucionário da grande mídia reacionária e direitista.

Puro despeito, pura inveja.

Na verdade, este povo fica puto de raiva porque  Dona Ana Estela Haddad, esposa do candidato derrotado, seria uma Primeira Dama muito mais bonita e simpática que a atual, a mulher de Bolsonaro.

É só isso.

Dona Ana trabalha que só a porra na Fundação Josué Montello, dia e noite, noite e dia, a semana toda, prestando um serviço inestimável.

Ela faz jus ao pouco dinheirinho que recebe do governo comunista do Maranhão, nas mãos do revolucionário Flávio Dino, destacado nome progressista do PCdoB.

Dona Ana Estela Haddad ao lado do marido, que seria um excelente e excepcional presidente brasileiro se não tivesse perdido pro fascista Bolsonaro

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COMO FICAR RICO

Segue abaixo um texto que vi na internet há já alguns anos e que achei fantástico. Tanto que o adotei na minha vida pessoal e, desde então, só tenho me dado bem: Todas as contas pagas, zero de dívidas no cheque especial, nada de compras em cartão, vidas frugal e simples, compras sempre bem pensadas e negociadas, múltiplas atividades e fontes de renda ao mesmo tempo, etc. Não estou rico, mas caminho aceleradamente em direção ao meu projeto de vida. Vamos ao texto!

Sabe aquela sensação maravilhosa de estar com as contas em dia, saber que sua grana está bem investida e ainda ter o suficiente na mão para uma bela viagem de férias (ou para aquele projeto que não sai da sua cabeça)?

Existem várias maneiras de garantir que isso nunca aconteça. Eis algumas das principais estratégias para passar a vida inteira contando migalhas.

1. Sua única fonte de renda é seu salário ou o que você ganha como profissional autônomo

Esse é um dos principais. Você trabalha, recebe uma grana e usa essa grana para viver. Todo mês. O problema é que virou normal viver assim, no automático, mês a mês. Aí você se convence de que, se todo mundo faz isso, então tá tudo certo.

2. Você acha que empreender ou investir dinheiro são algo arriscado

Dizem que empreender é arriscado, mas não há risco maior que depositar o controle da vida financeira da sua família nas mãos do seu chefe ou diretor, das políticas trabalhistas imprevisíveis da empresa ou de uma carteira flutuante de clientes. O mais arriscado é seguir dependendo de emprego em um mundo que está mudando completamente. No fundo, o que é arriscado não é empreender ou investir, mas fazer um ou outro sem conhecimento e planejamento suficientes.

3. Você caiu no conto da felicidade pelo consumo

Criou o hábito de trocar dinheiro por bem-estar? Ora, de que adianta ter grana se não for para comer em restaurantes bacanas, torrar em baladas iradas (agregando valor ao camarote), trocar de carro, comprar uma casa maior, viajar para o exterior ou adquirir o último modelo de iPhone, não é? Precisar ostentar símbolos de riqueza material ou comprar coisas para aplacar a angústia existencial, a insegurança ou a ansiedade são caminhos seguros… para a ruína financeira.

4. Você está atolado(a) em dívidas

Bom, esse eu nem preciso comentar. Juros de cheque especial e de cartão de crédito são a porta do inferno. É por isso que os principais bancos quebram recordes de lucratividade ano a ano. E você não.

5. Você gasta tudo o que ganha

Aí um dia você recebe uma promoção. Ou conquista mais alguns clientes. Naturalmente, seu padrão de vida também sobe. Não vai mais almoçar no Burger King; agora é Outback. Nada de Praia Grande: agora é Maresias! Ou Leblon. Ou Ibiza. Afinal, a vida é curta. (E o dinheiro, pelo jeito, também será).

6. Você confunde ricos de verdade com novos ricos

Novos ricos são ex-classe média com dinheiro. Deslumbrados, têm o hábito de postar regularmente nas redes sociais fotos de pratos de comida, do carro novo ou de destinos de turismo de gosto duvidoso. Ricos de verdade são discretos, preferem a sobriedade à ostentação. Conhecem o jogo do dinheiro, suas armadilhas e ilusões. (Sim, em ambos os casos, há exceções).

7. Você se enche de bens que obrigam você a trabalhar cada vez mais – para sustentá-los

No Oriente, dizem que não é você que possui seus bens; são eles que possuem você. Daí os movimentos de minimalistas e as diferentes tendências de simplificar e desacelerar a vida. Se você tem menos bens, sobra mais espaço e energia para você dedicar ao que realmente importa.

8. Você não tem familiaridade com a dinâmica dos juros compostos e dos ativos financeiros

Não, isso não é coisa de economista. É algo que todos nós deveríamos aprender na escola – algo muito mais prático e importante que a Fórmula de Bhaskara. Ao contrário de seus bens passivos (que tiram dinheiro do seu bolso, mês a mês), juros compostos e ativos financeiros fazem seu dinheiro trabalhar por você – mesmo quando você estiver dormindo. Seu dinheiro precisa estar a serviço do tipo de vida que você quer viver, e não o contrário: uma vida toda engessada por tudo o que você faz para ganhar dinheiro.

9. Você troca tempo por dinheiro

Tempo é seu ativo mais escasso. Tem um limite de quanto você consegue trabalhar. Trabalhar demais deixa você exausto, doente, ou pode até te matar. Fora que a vida fica uma merda. Então chega um ponto em que, se você é assalariado ou autônomo, não tem mais como ampliar a renda se continuar simplesmente trocando tempo por dinheiro. Precisa encontrar um outro jeito para ter mais tempo e, mesmo assim, ampliar sua renda.

10. Você não dedica seu tempo, seus recursos e seus talentos para administrar seu patrimônio e gerar múltiplas fontes de renda

Não tem milagre. Para fugir de viver na penúria, você precisa entender como funciona o jogo do dinheiro e aperfeiçoar sua forma de jogar. Entre uma viagem de cruzeiro (passivo) e investir em um pequeno imóvel para você alugar e completar seu orçamento mensal (ativo), por exemplo, o que lhe parece mais atraente?

11. Você acha a gerente do banco simpática

Não, não, não. Ela é representante de uma instituição que vai te sugar até a medula se você deixar. Os produtos financeiros dos bancos de varejo não são investimentos de verdade. São para crentes e ignorantes. Poupança, CDBs, Letras, Títulos, Fundos, Seguros, Planos de Previdência Privada e Capitalização que você contrata nas agências de bancos como Itaú, Bradesco, Santander, Caixa e Banco do Brasil, por exemplo, escondem ‘pegadinhas’ e taxas escandalosas, que tornam esses “investimentos” um excelente negócio. Para o banco, é claro.

12. Você não investe em si mesmo(a)

Livros, cursos, retiros, processos de coaching, mentoria, consultoria e terapia são caros e tomam muito tempo. É verdade. O problema é que a alternativa – a ignorância – é muito pior. A ignorância te faz dependente do salário, do patrão, do gerente do banco, do cliente, do professor, do político, do mercado, da crise, da TV Globo, do governo. De todos os investimentos, o de maior retorno é investir em ampliar, cada vez mais, sua competência para a ação consciente e consistente.

13. Você vive uma vida de manada

Tem medo de fazer diferente de todo mundo. Aceita dicas de investimento de vizinhos e familiares que nunca tiveram um puto na vida. Fica babando na propaganda da televisão. Vai e volta do trampo no mesmo horário que todo mundo, aí fica preso(a) no trânsito. Viaja só nos finais de semana, férias e feriados, quando é tudo muito mais caro, porque quem manda no seu calendário são seu emprego e a escola das crianças. Não faz planejamento e compra tudo de última hora.

14. Você bota a culpa no Petê

Ou no Temer. Ou no Trump. É gostoso, porque aí você vira uma pobre vítima das circunstâncias e se exime de qualquer responsabilidade. Pode passar a vida reclamando com os amigos na mesa do bar, ao invés de encarar o cagaço e tolerar a frustração de pensar, estudar, planejar e executar a partir do que está efetivamente a seu alcance.

15. Você acredita que quem é rico deu sorte na vida, é fútil, materialista ou desonesto

Você está programando seu mundo interno, sua energia e linguagem não-verbal para repelir dinheiro. Afinal, se você realmente acredita que ricos são pessoas más ou superficiais, cercadas de bajuladores, não é isso que você quer para você, não é? Desprezar ou invejar os ricos são formas de se manter prisioneiro(a) de uma paisagem de escassez.

16. Você acredita que dinheiro é sujo

Talvez você tenha levado um grito, quando era criança, porque pegou em dinheiro e depois colocou a mão na boca. De fato, cédulas e moedas carregam micro-organismos que podem te contaminar. Mas moedas e notas não são dinheiro; são apenas duas de suas possíveis formas materiais. Já pensou nisso? Hoje em dia, na verdade, pouquíssimas transações são feitas com ‘dinheiro vivo’. O dinheiro, em si, vai muito além das notas e moedas e mesmo dos bitcoins ou algarismos nos computadores de sistemas bancários. Dinheiro é uma energia de troca e materialização, que organiza relações. Então, ainda que a falta ou o excesso de dinheiro possa corromper, o dinheiro, em si, não é nem sujo nem limpo. A sujeira, neste caso, está nos olhos de quem vê.

17. Você ainda não se deu conta de que o mercado de trabalho vai mudar mais nos próximos 10 anos do que mudou nos últimos séculos

Em um cenário de inteligência artificial, machine learning e automatização exponenciais, empregos deverão desaparecer. A realidade emergente convida cada um de nós a se reinventar. E, sobretudo, a desenvolver a capacidade de ‘se virar’ diante de circunstâncias sempre cambiantes. Algo que, definitivamente, não se aprende na escola. Então, uma boa forma de se condenar a viver sem grana é fechar os olhos e continuar fazendo as coisas como você sempre fez.

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CONVERSANDO MIOLO-DE-FOSSA

Futucando nos meus arquivos, me deparei com estes dois vídeos que estão aí embaixo.

E resolvi publicá-los pra encher linguiça neste domingo.

Eles foram gravados em março de 2015, há quatro anos. Foi por ocasião do III Festival de Literatura Pernambucana.

A gravação foi feita por Aline, que estava na platéia, ao lado de João, cuja voz aparece de vez em quando ao fundo.

Uma gravação precária, amadora, mas que dá uma ideia do amontado de besteiras que despejei em cima da distinta plateia.

Como diz Otacílio, o filósofo palmarense, eu conversei foi muito miolo-de-fossa.

Ou seja, conversei merda que só a porra.

Quem tiver paciência que ature.


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OS BRASILEIROS: Joaquim Nabuco

Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo nasceu no Recife, em 19/8/1849. Advogado, político, orador, memorialista e diplomata reconhecido como um dos maiores homens públicos do Brasil. Liderou a campanha Abolicionista, tendo nascido e criado no meio da aristocracia escravista. Viveu até os oito anos, com a madrinha no engenho Massangana. Em seguida mudou-se com os pais para o Rio de Janeiro, onde estudou no Colégio Pedro II. Em 1865, foi morar em São Paulo, onde fez os três primeiros anos do curso de Direito e concluiu no Recife, em 1870. Foi colega de Castro Alves, que lhe incutiu as bases de seu caráter literário e abolicionista. Aos 20 anos, ainda estudante, assumiu o caso de um escravo acusado de assassinato, defendendo-o perante o tribunal do júri de Recife.

Em 1873, durante uma viagem à Europa, manteve um relacionamento amoroso com a investidora financeira e filantropa Eufrásia Teixeira Leite, detentora de uma das maiores fortunas do mundo na época. Ela herdou, em 1872, uma fortuna equivalente a 5% do valor das exportações brasileiras. O romance durou até 1887 e dois anos depois, aos 38 anos, casou-se com Evelina Torres Soares Ribeiro. Foi adido de primeira classe na Embaixada de Londres e depois em Washington, de 1876 a 1879. Como era filho do Senador José Tomás Nabuco de Araújo e de Ana Benigna Barreto Nabuco de Araújo, estava destinado a ter uma atividade política. Porém se opunha aos interesses dos poderosos senhores de engenho, e isto dificultou sua entrada na vida política. Começou escrevendo artigos abolicionistas para diversas revistas.

Em 1878, com a volta ao poder do Partido Liberal, onde seu pai era influente, foi eleito deputado geral e lutou pela eleição direta, pela participação dos não católicos no Parlamento e, principalmente, pela abolição total da escravidão sem indenizações aos donos de escravos. Criou a Sociedade Anti-Escravidão Brasileira, escrevendo um manifesto; fundou o jornal “O Abolicionista”: e viajou pelo exterior para divulgar a causa e obter apoio. Teve o apoio imediato da Inglaterra, uma das nações que mais combatia a escravidão, que se constituía num empecilho à sua expansão industrial e comercial em todo o mundo. Porém, mesmo assim, não conseguiu demover o conservadorismo na política nacional e foi derrotado nas eleições seguintes. Foi morar em Londres, onde viveu entre 1882-1884, e escreveu O abolicionismo, livro em que aproveitou para expor suas ideias sobre a reforma agrária. Seu plano era perfeito: beneficiar os negros libertos com terras para viver e trabalhar. Se fosse implantado, hoje o Brasil estaria noutro patamar de desenvolvimento.

De volta ao Brasil foi novamente deputado, e continuou com sua campanha abolicionista escrevendo diversos livretos antiescravagistas. Noutra viagem à Londres, apresentou uma proposta na Associação de Direito Internacional e, em Roma, fez uma visita ao Papa Leão XIII, que chegou a lhe prometer uma encíclica em favor da abolição. Apesar das ideias progressistas, mantinha o ideal monarquista com receio da perda da unificação territorial, como ocorreu com a América espanhola desmembrada em 18 repúblicas. No entanto, o ideal republicano crescia a cada dia. Para defender a monarquia, apresentou, em 1885, um projeto de monarquia federativa, defendendo a descentralização do poder para dar mais autonomia às províncias. Tal estratégia visava atender os anseios republicanos sem abrir mão da monarquia. Ele não via contradição política neste posicionamento, pois admirava o sistema presidencialista dos EUA e a monarquia parlamentar inglesa. Deixou registrado seu apreço pela monarquia no livro Por que continuo a ser monarquista (1890).

Em 1888, com fim da escravidão, recebeu o título de visconde, mas recusou a comenda do governo imperial. Em seguida, com a proclamação da República, em 1889, passou a dedicar-se mais à vida de escritor memorialista. Nessa fase de espontâneo afastamento, viveu no Rio de Janeiro, exercendo a advocacia e fazendo jornalismo. Frequentava a redação da Revista Brasileira, onde estreitou relações e amizade com altas figuras da vida literária brasileira, Machado de Assis, José Veríssimo, Lúcio de Mendonça, de cujo convívio nasceria a Academia Brasileira de Letras. Ele foi o fundador da Cadeira nº 27 e secretário-geral até 1899 e de 1908 a 1910.

Nesse período publicou duas de suas obras mais importantes: Um estadista do Império (1897-1899), em 3 volumes, uma biografia de seu pai e relato da história do Brasil naquele período e Minha formação (1900), livro de memórias. Na época o Brasil ainda não tinha embaixadas em outros países; o que havia eram legações para discutir questões diplomáticas. Mas, com a República era preciso estreitar os laços com outras nações através de embaixadas. Em 1900, o Presidente Campos Sales conseguiu convencê-lo a aceitar o posto de enviado extraordinário e ministro plenipotenciário em missão especial em Londres, na questão do Brasil com a Inglaterra, a respeito dos limites da Guiana Inglesa. Em 1901, foi acreditado em missão ordinária, como embaixador do Brasil em Londres e, a partir de 1905, foi indicado pelo barão do Rio Branco, para assumir a primeira embaixada brasileira no exterior, em Washington, onde permaneceu até a morte. Ao lado de tantas atividades, vale acrescentar que, junto com Rui Barbosa, assumiu posição de destaque na luta pela liberdade religiosa no Brasil. Na época, a religião católica era oficial, fazendo do Brasil um Estado confessional. Ele defendia a separação entre Estado e Religião, bem como a laicidade do ensino público.

Em 1906, veio ao Rio de Janeiro para presidir a 3ª. Conferência Pan-Americana, em companhia do Secretário de Estado norte-americano Elihu Root. Ambos eram defensores do pan-americanismo, no sentido de uma ampla e efetiva aproximação continental. Foi muito prestigiado não apenas junto ao governo norte-americano, bem como ao povo e a comunidade acadêmica. Proferiu diversas palestras nas universidades sobre a cultura brasileira e foi um grande propagador dos Lusíadas, de Camões. Tais incursões na área literária lhe garantiram o grau de “doutor em letras” pela universidade de Yale. Quando faleceu, em Washington, em 17/1/1910, seu corpo foi reverenciado em solenidade excepcional, conforme fotos abaixo, e trasladado para o Brasil, no cruzador North Caroline. Do Rio de Janeiro foi transportado para o Recife, onde foi sepultado no Cemitério de Santo Amaro. As solenidades de sepultamento em Washington, Rio de Janeiro e Recife duraram em torno de um mês.

Após o falecimento, as homenagens são frequentes até agora. Em 1949 foi criada a Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ), vinculada ao Ministério da Educação, com o propósito de preservar seu legado histórico-cultural; na década de 1990, o Engenho Massangana, onde ele passou a infância, foi tombado pelo Patrimônio Histórico sob o nome de Parque Nacional da Abolição. Em seguida, a FUNDAJ criou em suas dependências o Centro Científico e Cultural Engenho Massangana (CCEM). Outras homenagens: na data de seu nascimento, 19 de agosto, comemora-se o Dia do historiador; a lei nº ei nº 11.946, de 15/6/2009, instituiu o ano de 2010 como “Ano Nacional Joaquim Nabuco”; em 2/6/2014, seu nome foi inscrito no “Livro dos Heróis da Pátria”, pela Lei nº 12.988; em 28/9/1915, seu nome passou a designar uma das praças públicas mais importantes do Recife, onde se encontra sua estátua.

Praça Joaquim Nabuco e sua estátua frente ao Restaurante Leite, o mais antigo do Brasil

Cenas do funeral de Joaquim Nabuco em Washington, em abril de 1910:

Na primeira foto: Chegada do ataúde, numa carreta de artilharia, à Igreja de São Mateus. Na segunda: O Presidente dos EUA, William H. Taft e a Sra Taft chegando à Igreja.

Na primeira foto: Os marinheiros do North Carolina formados em frente ao Palácio Monroe. Na segunda: As representações oficiais ao saírem do Palácio Monroe, onde ficou exposto o corpo de Joaquim Nabuco.

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AFONSO – NÍSIA FLORESTA-RN

Caro Berto,

Deu agora no UOL.

Não acredito não ( item 1)

Solicito que leiam a opinião deste jornalista que só posta foto em Londres.

Abraços !

R. Pronto, caro leitor.

Tá publicado do jeito que você mandou.

Agora, me mate uma curiosidade:

Quem danado é este “jornalista que só posta foto em Londres

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TEMOR DO CONGRESSO

Há uma corrente de congressistas, segundo fontes, que está articulando para não aprovar a reforma da Previdência. Não é nova constatação, é antiga, mas a origem deste movimento tem por base a ideia de que ao aprovar uma medida que poderá trazer uma economia de um trilhão de reais ao contas do governo, tornará o presidente Bolsonaro, praticamente, invencível nas eleições presidenciais de 2022. Pensa então, este grupo de congressista, em propor mudanças e alterações no projeto enviado de forma que essa economia não ultrapasse a casa dos 400 bilhões de reais e com isso retirar sua força eleitoral nas próximas eleições via o fracasso da Previdência. Este grupo oposicionista, somado a outros membros da velha política, com exceções de muitos daqueles que tem o Brasil acima de tudo, não se importam com a Nação, mas com o domínio político dela. São políticos compromissados exclusivamente com seus interesses, não tendo a menor preocupação com os anseios do povo, do País. Praticam um verdadeiro ato de traição a pátria. Traição, segundo os dicionários, é aquele crime cometido pelo cidadão que falta com a fé jurada, que os congressistas fazem ao tomar posse, e pratica ato que atenta contra a segurança da pátria ou a estabilidade de suas instituições. Sendo assim, são traidores da pátria.

Sim, não deixa de ser uma traição ao Brasil e aos brasileiros. Não se importam com a população carente e desempregada que poderá verdadeiramente, e não de forma enganosa e ilusionista como foi apregoada pelo encarcerado de Curitiba, sair da miséria de maneira real e concreta. Isto, como um dos exemplos, porque será um demonstrativo aos investidores internacionais e a economia mundial, de que o Brasil está retomando o seu papel como País sério, responsável e de credibilidade nas suas ações e governo. As possibilidades de chegada de muitas empresas e investimentos estrangeiros serão enormes, aumentando de forma significativa o número de empregos e da qualidade dos salários. Mesmo aquelas empresas que aqui estão, não mais fecharão seus parques industriais, evitando assim a extinção de muitos empregos.

É surpreendente essa postura de muitos congressistas, mesmo pelo pouco que se pode esperar de políticos que usufruem da crença popular nas propostas que são apresentadas em período eleitoral. É um discurso falacioso, enganador. Agora, é de impressionar o pouco caso com o sofrimento do povo. A desfaçatez com a situação que vive o Brasil. O descalabro que promovem com o País sem a mínima preocupação que não a de se manter no Poder, via o sofrimento de toda uma Nação. São políticos desmerecedores de qualquer consideração e respeito e, muito menos, dos votos dos eleitores que os levaram para o Congresso Nacional.
Nesse grupo que procura sabotar a reforma da Previdência, a qual fui contra tempos atrás porque o objetivo era outro, o de passar a mão no dinheiro porque é lá uma das maiores fontes de recursos da União, estão aqueles que aprontaram o maior show na ida do Ministro Paulo Guedes na CCJ dias atrás. É esse grupo que articulado com outros da velha política e pertencentes a muitos partidos, está tramando esse boicote com o discurso que nada tem a ver com os problemas da Previdência, mas sim, com problemas da eleição de 2022 e da sobrevivência deles no cenário político. Cabe a você leitor, procurar atuar de forma a pressionar esses pseudo representantes no Congresso Nacional. São mais falsos que notas de três reais.

A população tem que agir e rápido, inclusive com repulsa a grande mídia que está tentando induzir o povo, via pesquisas fajutas e enganosas dos institutos, de que a maioria não quer a reforma da Previdência. Não se esqueçam, que foram esses mesmos institutos que previram a derrota do Bolsonaro no primeiro e segundo turno das eleições de 2018. A velha política, associada a esses institutos enganadores, buscam tirar a força e a credibilidade do governo com esse tipo de ação porque não encontram, no presidente Bolsonaro, as atitudes de gatunagem praticadas durante anos e que são as causas da situação difícil em que o Brasil se encontra. Eleitor e leitor, não tenham memória curta, foram esses gatunos que distribuíram muito dinheiro a essa grande imprensa que hoje não encontra mais as tetas para mamar o dinheiro do povo, e daí a agressão diária ao governo. Temos que lembrar sempre aos congressistas que em 2020 terão eleições municipais e essa conta do boicote à reforma da Previdência poderá ter um alto custo aos candidatos a Prefeitos e Vereadores. É uma covardia esse temor do Congresso.

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EDITOR FICA TODO ANCHO COM ELOGIO DO LEITOR

Comentário sobre a postagem 210 MILHÕES DE PASSO ERRADO, 11 DE PASSO CERTO

Ruy:

Admiro profunda e entusiasticamente este site.

É um bálsamo poder ler considerações tão contundentes em uma linguagem elevada sem ser pernóstica como são outras tantas por aí.

Parabéns para todos nós que temos o privilégio de poder ter num só lugar tantos colaboradores de altíssimo nível, como é, por exemplo, Percival Puggina.

É preciso ser muito bom, para poder juntar num só lugar tanta qualidade.

Muito obrigado, sr. Luiz Berto.

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