GRANDE OTELO: O PEQUENO NOTÁVEL

Altamir Pinheiro

Tanto riso, oh quanta alegria / Mais de mil palhaços no salão / Arlequim está chorando pelo amor da Colombina / No meio da multidão. Ouvindo-se Zé Keti vem a nossa lembrança a figura do “neguinho” Sebastião Prata, em que pese sua vida ter sido marcada por tragédias pessoais, porém, sua simpatia esfuziante, ruidosamente alegre, já era uma tremenda gargalhada a céu aberto. Que não nos deixem mentir os filmes Carnaval no Fogo (1949) e Carnaval Atlântida (1952).

A propósito, as filmagens de CARNAVAL NO FOGO foram bastante tumultuadas; paralelamente, uma tragédia se abate sobre ele, um dos astros do filme. Sua mulher, depois de matar o filho, enteado de Otelo, se suicida, deixando-o em profunda depressão; a famosa cena do balcão em que ele e Oscarito parodiam Romeu e Julieta, no entanto, foi realizada sem que ele ainda soubesse do acontecido. A partir dessa data, ele filmou, quase sempre, embriagado. Apesar disso, cumpriu seus compromissos até o fim.

Àquele brilhante tiquinho de nego, depois que perdeu o pai esfaqueado e vivia com a mãe alcoólatra foi parar no juizado de menores e logo após adotado por uma família rica de São Paulo, e daí veio a ganhar o sobrenome do casal que o educou – Prata – chamando-se Sebastião Bernardes de Souza Prata, donde, veio a estudar no Liceu Coração de Jesus e, em 1926, com apenas 11 anos, ingressou na “Companhia Negra de Revista”, composta exclusivamente por artistas negros, entre eles, Pixinguinha, que era o maestro e o músico e compositor Donga.

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TEATRO

Xico Bizerra

TEATRO FEDERAL Apresenta
NUMA CIDADE SEM ESQUINAS
UMA TRAGICOMÉDIA EM TRÊS obscenos ATOS

* * *

Na sala de estar, avó e neto em frente à TV, acompanham a eleição para Presidente do Senado, de baixíssima reputação: Os Cleros, ‘Alto’ e ‘Baixo’, se engalfinham numa elegante e respeitosa troca de amabilidades:

– Conceda-me um aparte. V Excia é um Ladrão!

– Não lhe concedo o aparte. Ladrão é V Excia!

– Com todo o respeito, V Excia é um Canalha!

– Canalha é V Excia!

Propõe a Avó:

– Menino, melhor desligar essa TV. A discussão é inócua. As duas excelências estão com a razão.

* * *

Num canto da tela, os outros engravatados sem prestar atenção aos impropérios, conversam e riem entre si.

– O homem está falando e ninguém presta atenção, vovó. Riem deles, dos brigões?

– Não, meu querido. Riem de nós.

* * *

Enojados, avó e neto desligam a TV, dão-se as mãos e vão até a banca de jornais mais próxima e compram uma revistinha de putaria explícita. Quase tanto quanto.

* * *

CAI O PANO. RAPIDAMENTE.

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ENCARANDO A SOLIDÃO

Fernando Antônio Gonçalves

Encontro-me com o Fredinho Lucas, hoje engenheiro tarimbado, colega de Marista da Av. Conde Boa Vista do Recife, curso científico, atleta de volibol, campeão dos Jogos Estudantis Pernambucanos, de épocas áureas. Recentemente desquitado, morando com um irmão mais novo, me confessou ser a solidão um dos seus principais problemas atuais, ele às vésperas de uma aposentadoria medianamente confortável, filhos criados, pais desencarnados, avô de dois, atualmente envolvido numa baita desacreditação de tudo, fruto de um nível de felicidade advindo de uma baixa densidade cultural, consequência primeira de muito trabalho tecnológico e quase nulas horas de leitura humanística.

De pronto, recomendei ao Fredinho a leitura de um livro recentemente editado, voltado para seres humanos carentes. Balizamentos existenciais para enfrentar uma atual epidemia planetária, onde a prática criminosa parece ser fortalecida por impunidades mil, sempre a coibir a ação de uma Justiça efetivamente aplicada: O Dilema do Porco Espinho: como encarar a solidão, Leandro Karnal, São Paulo, Planeta, 2018, 192 p. é muito recomendável. Páginas que reforçaram alguns dos meus fundamentos existenciais, ampliando minha condição de trabalhador da Casa dos Humildes, onde aprendi a assimilar sólidas lições da Doutrina Espírita, após assimilar leituras orientadoras dos bem mais capacitados na vivência teórica e prática dos ensinamentos do Mestre, coordenados por Allan Kardec e outros notáveis.

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A PIPA

Pipa – poesia no fazer e no botar no ar

Eu nunca quis muito – e sempre tive mais da metade do que merecia. Privilégio divino, creio!

Três palitos de coqueiro, alguns pedaços de linha, panos velhos, e liberdade para escrever os versos da minha poesia, numa pipa, ou numa arraia – como aprendi a falar na minha terra.

Mas, ainda há quem a chame de papagaio???!!!

Bem amarrados, como num primeiro soneto, os palitos montados formavam o “esqueleto” e tomava forma do que eu, criança ainda, imaginava ser a êxtase da liberdade. Quase, ou muito próximo do orgasmo.

Papel fino, grude de goma feito numa colher aquecida na chama da lamparina. Tudo formava o segundo soneto – e a poesia da vida em liberdade estava quase pronta.

A rabiola, nada mais era que pedaços de pano velho rasgado e reunidos, agora por uma linha, e tudo junto para dar equilíbrio à minha primeira obra poética a caminho dos ares.

Linha, muita linha e um bom lugar onde o vento pudesse, levar ao ar, como uma pintura de Vincent van Gogh, a poesia concluída com ingenuidade e liberdade.

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ANTES DA MEIA-NOITE

Como as colunas de sábado e domingo não puderam ser postadas, estamos atualizando hoje,  segunda-feira, esta gazeta escrota.

De modo que, ao chegar no final da página, não deixe de clicar no item Posts antigos para acessar as páginas anteriores e ficar por dentro de tudo que não presta e que foi ao ar neste final de semana.

As colunas de hoje, segunda-feira, estarão publicadas antes do sino bater a meia-noite.

A secretária de redação, a simpática e competente Chupicleide, vai trabalhar dobrado e com direito a receber hora extra (no final de ano…).

“Tô fudida mas tô feliz”

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A PEQUENA NOTÁVEL

Sonia Regina

Esse era o carinhoso apelido da inesquecível artista Maria do Carmo Miranda da Cunha, ou Carmem Miranda, seu nome artístico. Na década de 40, Carmem seguiu para os EUA e lá consolidou brilhante carreira. Em sua biografia, consta que foi considerada por alguns críticos “americanizada”. Graças ao seu grande talento, Carmem carimbou seu passaporte e tornou-se uma grande estrela internacional. Já faz algum tempo, no Brasil, mudar em definitivo ou somente aprimorar seus estudos no exterior é o grande sonho. Hoje, vários estabelecimentos, produtos, meios de comunicação etc…, utilizam nomes estrangeiros. Será que também estamos “americanizados” sem precisar do tão almejado passaporte?

Composição de Alberto Ribeiro e João de Barro, a marchinha homenageando o Rádio, foi gravada em 1936 com as irmãs Carmem e Aurora Miranda.

Cantoras do Rádio

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OS BRASILEIROS (XXV): Anísio Teixeira

José Domingos Brito

ANÍSIO TEIXEIRA

Anísio Spínola Teixeira nasceu em Caetité, Bahia, em 12/7/1900. Jurista, escritor e essencialmente educador, foi pioneiro na implantação da escola pública no Brasil. Filho do médico Deocleciano Pires Teixeira, líder político de Caetité e oriundo de uma tradicional família baiana. Os primeiros estudos se deram em colégios jesuítas em sua cidade natal (Colégio São Luís Gonzaga) e em Salvador (Colégio Antônio Vieira). Cogitou entrar para essa Ordem Religiosa, mas foi dissuadido pelo pai, que já havia projetado uma carreira política para o garoto. Dotado de uma inteligência excepcional, aos 17 anos foi convidado por Teodoro Sampaio, destacado intelectual da época, a proferir uma palestra no Instituto Histórico e Geográfico da Bahia.

Em 1918 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde concluiu o curso de Direito e retornou à Salvador. Foi convidado pelo governador Góes Calmon a assumir o cargo de Inspetor Geral do Ensino, em 1924, e enfrentou com determinação o problema da educação. No ano seguinte partiu para a Europa com a finalidade de conhecer o sistema educacional de alguns países e na volta implementou várias reformas no ensino do estado. Assim, deu início a uma profícua carreira de pedagogo e administrador público. Em 1927 foi conhecer o ensino público nos EUA e tomou contato com as ideias do filósofo e pedagogo John Dewey. De volta à Salvador quis fazer algumas mudanças no sistema de ensino, mas foi impedido pelo novo governador. Pediu demissão do cargo e viajou de novo para os EUA, onde fez curso de pós-graduação, na Universidade de Columbia, com John Dewey, em 1928, que exerceu uma influência decisiva em sua carreira de educador. Sua ideia fundamental baseou-se na ampliação do sistema educacional, privilegiando a formação do professor.

Tornou-se discípulo do filósofo americano e traduziu para o português dois dos seus trabalhos. Isto levou-o a publicar seu primeiro livro em 1928: “Aspectos americanos de educação”, em 1928 pela Tipografia de São Francisco. Em 1931 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ocupou o cargo de diretor da Instrução Pública do Distrito Federal, com a missão de reorganizar o ensino público. Neste cargo instituiu a integração da “Rede Municipal de Educação”, abrangendo desde o ensino fundamental até a universidade. No mesmo ano acumulou o cargo de presidente da ABE-Associação Brasileira de Ensino e junto com Fernando de Azevedo, Lourenço Filho entre outros, elaborou o “Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova”, em 1932, um documento que propunha uma escola gratuita, laica e obrigatória, sofrendo forte oposição da Igreja Católica. Os pressupostos da “Escola Nova” tinham como princípio a ênfase no desenvolvimento do intelecto e na capacidade de julgamento, em preferência à memorização. Em seguida assumiu a Secretaria de Educação e Cultura da Prefeitura do Rio de Janeiro. Na condição de amigo íntimo do prefeito Pedro Ernesto Batista, estimulou a criação de novos estabelecimentos de ensino e criou a UDF-Universidade do Distrito Federal, em 1935. O fato gerou forte oposição do Ministro da Educação Gustavo Capanema e de alguns expoentes do pensamento católico conservador, como Alceu Amoroso Lima.

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DOR NO ANEL

Dia 16, sábado passado, fiz uma postagem dando notícias dos exames a que fui submetido.

Tudo em decorrência dos desmantelos acontecidos nas minhas tripas e no meu bucho.

E dei notícias da dedada que levei no furico quando cheguei à emergência do hospital.

Ô dotô do dedo grosso que só a porra!!!

Aí o cabra safado do Joaquim Francisco, leitor viciado e fiel desta gazeta escrota, postou um comentário que continha apenas um vídeo.

Um vídeo com uma música cujo título era ANEL DO IDO.

É pra lascar!!!

O meu anel, o meu recatado fiofó, servindo de mangação pra esse povo.

Sequiessê uma falta de respeito da porra!

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