CHARGE DO SPONHOLZ

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ANDERSON BRAGA HORTA - SONETO ANTIGO

JORNADA INGLÓRIA

A minha Mãe

Esfalfado, a sangrar de jornada em jornada,
nesta inglória ascensão às montanhas da vida,
tive por sol, por meta entre as nuvens perdida
da cordilheira azul desta eterna escalada,

a elevação mais alta e menos conhecida,
que tocava no céu, de luzes coroada…
Ai, tive a dor por glória, e por amor o nada,
e por sonho o infinito, e a terra por guarida.

E afinal, ao chegar ao cimo da existência,
não encontrei ali meu paraíso em flor,
mas tão-só gelo eterno, eterna sonolência.

Só restava inverter a jornada de dor…
Às campinas, que têm de luz mais florescência
que as montanhas do céu, frias e ermas de amor!

DEU NO JORNAL

TEM MUITO REACIONÁRIO FASCISTA NO FEISSIBUQUI

Na maior rede social do planeta, o Facebook, Lula tem 3,9 milhões de seguidores.

Dilma tem outros 3 milhões.

E Haddad tem 1,8 milhão.

Somados os três, ainda perdem pra Bolsonaro.

O presidente tem 9,6 milhões de seguidores.

* * *

Isto é uma coisa muito injusta:

Somando os números de Lula e Dilma, que ficaram mais de duas décadas no poder, não chega nem perto de Bolsonaro, que não completou nem sete meses ainda com a bunda na cadeira do Palácio do Planalto.

É muito injustiça mesmo.

Mas minha conversa a propósito deste tema é outra.

É o seguinte:

Confesso a vocês que não entendo porra nenhuma de feissibuqui..

Este departamento aqui no JBF quem administra é Chupicleide.

Mas, lendo essa notícia aí de cima, que está na página do bem informado jornalista Cláudio Humberto, fiquei com uma dúvida.

No feissibuqui de Bolsonaro constam 11 milhões de seguidores, e não 9,6 como informa a notícia aí de cima.

Os 9,6 estão catalogados como “curtiram isso“.

E eu se embananei-se-me todinho.

Afinal, são 9,6 ou são 11 milhões?

Peço ajuda ao fubânico Ceguinho Teimoso, pesquisador e futucador que entende de tudo nesta tal de Internet.

Fico no aguardo da explicação do nosso estimado confrade.

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

O CABUETA

Guarita

Anos setenta.

Havia uma guarita estratégica no quartel da Aeronáutica do Recife que, por sua visibilidade lunar, era cobiçada por quase todos os recrutas que por lá passavam.

No setor administrativo da Aeronáutica trabalhava um sinecura frustrado que já fora sentinela por várias vezes e nunca se desapegou do posto, mesmo sabendo que existia um Regimento Interno que proibia qualquer um ocupar o lugar por inúmeras vezes.

Esse burocrata, inconformado com sua “aposentadoria compulsória” do posto, assinada pelo capitão, passou a perseguir todos os recrutas que eram designados para a guarita. Ficava acordado até altas horas da noite e, quando o quartel dormia, saltava do beliche e, na ponta dos pés, seguia pelo pátio rastejando até a cabine onde estava o novato ocupando o espaço onde ele ficou por diversas noites.

Antes de se aproximar da guarita, o sentinela frustrado se certificava se o recruta estava dormindo e, quando o pegava cochilando, corria para o capitão e o denunciava como uma vingança por não puder mais ocupar aquele posto.

Com essa atitude tacanha, o burocrata denunciou e prejudicou vários calouros inexperientes que, sem saberem, foram castigados pelo capitão, que também não sabia da psicopatia do sinecura.

Certa vez chegou um matuto no quartel com cara de tabaco leso, mas mais vivo do que um cão de caça e mais desconfiado do que matuto traído e, como fora designado pelo capitão para ficar na guarita, foi alertado pelos veteranos que ficasse de olho no burocrata que costumava cabuetar ao capitão todos os recrutas que ficavam naquela guarita e o capitão a todos castigava numa solitária do quartel por uma semana pela desatenção.

Tomando pé da situação, o matuto disse apenas aos veteranos:

– Deixa comigo! Vou desmoralizá-lo no pátio! Vocês vão ver – disse com um riso gaiato nos lábios!

De noite, hora marcada, o matuto pega sua carabina 38 e segue para a guarita e lá fica de olhos bem abertos.

Mais ou menos meia noite, um silêncio que só se ouvia o grilar dos grilos e o corujar das corujas, o matuto ouviu um barulho estranho vindo de dentro do mato. Desconfiado, acendeu a lanterna e deu de cara com o cabueta à sua frente. Não se abateu, e reagiu:

– Esteja preso, seu moleque safado! Levanta as mãos, e não baixe porque senão lhe meto chumbo no rabo!

O cabueta pediu por clemência:

– Não! Não faça isso não! Eu só vim até aqui saber como você está! Por favor, deixe-me ir!

E o recruta, já por dentro da safadeza do burocrata, retrucou:

– Porra nenhuma! Mantenha as mãos para cima! Largue o rifle e siga em frente até o pátio do quartel, senão lhe estouro os miolos!

Antes de chegar ao pátio, o recruta gritou para acender todas as lâmpadas. Acordou todo mundo com o apito. Mandou acordar o capitão também e, no meio de todos os presentes, discursou:

– Gente, peguei esse safado tentando me fisgar lá na guarita! Não lhe meti uma bala na cabeça em respeito ao capitão, que eu gostaria que tomasse conhecimento para ver quem é o pilantra do quartel que cabueta todos os sentinelas novatos!

Disse isso e deu meia volta. Fez continência! Cumprimentou a todos os presentes com um balançar de cabeça e voltou para o posto com a sensação do dever cumprido.

COMENTÁRIO SELECIONADO

ELIZABETH MARIA DE CASTRO – GUARAPUAVA-PR

Berto,

Descobri uma maneira excelente de elevar o meu astral e alegrar minha vida.

Esta maneira chama-se irritar petistas.

É ótimo, é bom, é demais, é excelente!!!!

Kkkkkkkkkkkk

Por favor, publique esta foto do meu querido presidente.

Fico muito grata!!

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

O QUE O GOVERNO (NÃO) FAZ POR NÓS

Há alguns anos atrás, minha empresa foi multada. Começou com um fiscal de determinado órgão estadual passando lá e perguntando por mim. Eu não estava, então ele pediu que me avisassem que eu deveria comparecer a seu escritório no dia seguinte, sem falta.

No dia seguinte, lá estava eu. O fiscal me mostrou um papel: o Ministério Público havia pedido à prefeitura uma lista das empresas que se enquadravam em determinada atividade (a minha entre elas) e passado a lista a ele, fiscal, com a ordem de verificar se todas estas empresas atendiam a uma certa lei. Em resumo: ele queria ver minha licença.

Como sou uma pessoa sincera, expliquei minha situação ao fiscal: Eu não tinha a tal licença. Por quê? Porque para pedir esta licença eu precisava mostrar uma outra licença, e eu não tinha esta segunda licença porque ela dependia de uma terceira licença, e eu não podia solicitar esta terceira licença porque alguma coisa no contrato social da minha empresa não se enquadrava em algum parágrafo de alguma portaria que regulamentava alguma lei municipal. Então a prefeitura decidiu que não me daria esta licença, e sem ela eu não podia obter a outra, e sem esta outra eu não podia obter a licença que ele me pedia.

O fiscal era um homem prático e de vocabulário muito rico: Ele me explicou que aquilo era uma m… porque ele precisava responder à p… do ofício que os b… do Ministério Público haviam mandado, senão os f… da p… iam falar com o chefe dele, e o chefe dele ia f… com a vida dele. Então ele ia me multar, mas não era para me preocupar, porque dava para recorrer. Em seguida, ele pegou um bloco bem grande, escreveu um monte de informações, me mandou assinar, e me explicou onde era a sala onde eu deveria protocolar o recurso.

Bem, hora de por em prática as aulas de Introdução ao Direito que tive na faculdade. Eu sabia que, como micro-empresa, eu tinha certas regalias, então botei no Google “estatuto da micro-empresa”. Logo encontrei o que eu precisava: pelo estatuto, nenhum órgão podia me multar sem antes conceder um prazo para regularização do que estivesse errado. Eu não tinha muita esperança de conseguir a tal licença, mas seria bom ganhar algum tempo. Redigi um recurso bem caprichado, citando todos os artigos que afirmavam que a multa era inválida e devia ser cancelada. Também apontei que o valor da multa estava próximo do valor máximo previsto na lei, o que era injusto com uma empresa pequena e que nunca havia sido autuada por qualquer motivo. Protocolei o recurso na sala que o fiscal me indicou e recebi um papel com um número de “protocolo eletrônico”.

O tal protocolo me permitia acompanhar meu processo pela internet. Então constatei que, quinze dias depois de protocolado, o processo foi enviado ao setor A. Semanas depois, o setor A enviou o processo para o setor B, e mais umas semanas depois este o enviou para o setor C. Alguns dias depois o processo foi para a sub-seção x do tal setor C, que o mandou para a sub-seção y. Depois de algumas semanas, a sub-seção y devolveu o processo para a sub-seção x, que depois de mais um tempo considerou o processo concluído e o devolveu para o setor B. O setor B remeteu o processo para o setor D, que novamente marcou o processo como concluído e determinou a intimação do interessado, que era eu.

Toda esta movimentação durou seis meses. Quando se passaram duas semanas depois da informação “intimação do interessado”, comecei a me preocupar: e se algum documento se perde no correio? Eu perco o prazo e o processo. Voltei à sala do protocolo, que me encaminhou a outra, que me encaminhou a outra, onde aparentemente estava meu processo. Expliquei minha situação a uma jovem muito simpática, que me disse que os processos não podiam sair daquela sala. Não precisa sair, disse eu, eu posso consultar aqui mesmo. Seria possível? Sim, era possível, e depois de alguma espera a simpática jovem voltou com meu processo.

Que havia nele? Quase nada: rubricas atestando as transferências de setor para setor. Uma folha com o título “parecer” continha duas frases: “Autuado pede redução da multa. Opino por reduzir a multa à metade.” Provavelmente o pobre não teve tempo para ler por inteiro as duas páginas do meu recurso. Em outra folha, outro funcionário aprovava o parecer do primeiro e encerrava o processo. Em seis meses, quatro setores e duas sub-seções haviam produzido menos de cinco frases. O resultado: minha multa havia sido reduzida pela metade. Perguntei à funcionária sobre o prazo para contestar a decisão. Ela me disse que o processo estava ali justamente para que fosse feita minha intimação, que iria pelo correio com AR (aviso de recebimento). O meu prazo começaria a partir da data da AR.

A tal informação chegou em minha casa exatamente três semanas depois da ordem para “comunicar o interessado”. Neste ponto, achei melhor consultar um amigo advogado. Ele me aconselhou a pagar a multa e não recorrer; os órgãos públicos não gostam de gente insistente, me disse, e os fiscais poderiam começar a pegar no meu pé.

A parte que eu achei mais interessante: o que aconteceu com minha empresa, que foi flagrada pelo fiscal funcionando sem uma licença exigida por lei? Nada. E o que fez o Ministério Público, após receber um relatório que apontava uma empresa que havia sido multada por não ter a licença exigida? Nada. Aparentemente, a importância da tal licença é exatamente essa: Nada. Minha empresa continuou funcionando sem a tal licença, o fiscal nunca mais apareceu, até que anos depois eu cansei, fechei a empresa, vendi o terreno e virei rentista do Tesouro Direto.

Às vezes me pergunto se sou o único que acha surreal o fato de existir um órgão público que leva seis meses para decidir, em duas frases, reduzir uma multa, ou um departamento levar três semanas para cumprir uma ordem de colocar uma carta no correio. Ou o fato de um fiscal constatar uma irregularidade e dar seu serviço por encerrado com um auto de infração. (Não consigo me conter: será que algum fiscal do governo visitou a barragem de Brumadinho, pediu os papéis, e ao não receber, entregou uma multa dizendo “não se preocupe, dá para recorrer” ?)

Muitas pessoas ficam confusas e apavoradas quando eu falo em “reduzir o estado”. “Como assim?”, dizem elas. “Sem o estado, quem cuidará de nós?”

Eu confesso que não entendo estas pessoas. Porque, para mim, é dolorosamente óbvio que o estado é um monte de gente que recebe para transportar de uma mesa para outra papéis que tratam de licenças inúteis criadas por leis desnecessárias.

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

A PALAVRA DO EDITOR

PROMESSAS DE CUMUNISTA

Vi no Twitter muita gente do Ceará revoltada com a declaração de Bolsonaro de que o cumunista Flávio Dino, atual comandante do estado Sarnêico, era o pior governador da nação “paraíba”.

Diziam estas pessoas que Bolsonaro tinha errado.

Errado feio, muito feio.

E garantiam que o pior governador do mundo era o petista Camilo Santana, governador do Ceará.

Outro monte de gente, de outros dois estados, também baixou o cacete em Bolsonaro por ter falado este absurdo.

E diziam que os piores governadores daqui destas bandas eram os também petistas Fátima Anta Bezerra, do Rio Grande do Norte, e Rui Babaca Costa, da Bahia.

De minha parte, como cidadão “paraíba” natural de Pernambuco, garanto, assevero e asseguro que o pior governador da Nação Nordestina é o daqui do nosso estado, Paulo Idiota Câmara, mais conhecido como Paulo Oião.

Um dos maiores tabacudos já surgidos aqui na nossa terrinha desde a proclamação da república, um luleiro que, em pleno exercício do mandado de governador, vai à cadeia e visita um condenado por ladroagem.

Agora, se for pra julgar os governadores “paraíbas” pelo critério de Qual o Mais Mentiroso?, aí sim, o cumunista do Maranhão ganha a Medalha de Ouro.

Ele é o primeiríssimo lugar!!!

Como todo zisquerdóide autêntico, o tabacudo maranhense mente com o fucinho mais liso do mundo, todo lambuzado de Óleo de Peroba.

Confiram no vídeo abaixo:

ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

ALGUMAS DAS MELHORES FRASES DE MÁRIO QUINTANA

“Com o tempo, você vai percebendo que, para ser feliz, você precisa aprender a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.”

“As pessoas não se precisam, elas se completam… não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.”

“A vida fica muito mais fácil se a gente sabe onde estão os beijos de que precisamos.”

“Há uma cor que não vem nos dicionários. É essa indefinível cor que têm todos os retratos, os figurinos da última estação… – a cor do tempo.”

“Como um cego, grita a gente: ‘Felicidade, onde estás?’ Ou vai-nos andando à frente, ou ficou lá para trás.”

“Deficiente é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.”

“O passado é lição para refletir, não para repetir.”

“Quem disse que eu me mudei?
Não importa que a tenham demolido:
A gente continua morando na velha casa que nasceu.”

“O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras…”

“Esses que puxam conversa sobre se chove ou não chove – não poderão ir para o Céu! Lá faz sempre bom tempo…”

“Quero sempre poder ter um sorriso estampado em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre… E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.”

“Sentir primeiro, pensar depois. Perdoar primeiro, julgar depois. Amar primeiro, educar depois. Esquecer primeiro, aprender depois.”

“Abraçar é dizer com as mãos o que a boca não consegue, porque nem sempre existe palavra para dizer tudo.”

“Cego é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria. Surdo é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou um apelo de um irmão.”

“O que têm de bom as nossas mais caras recordações é que elas geralmente são falsas. Se eu fosse acreditar mesmo em tudo o que penso, ficaria louco.”

“Mas o que quer dizer este poema? – perguntou-me alarmada a boa senhora.
E o que quer dizer uma nuvem? – respondi triunfante.
Uma nuvem – disse ela – umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo…”

“A morte é a libertação total: a morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapatos.”

“Não te irrites, por mais que te fizerem… Estuda a frio, o coração alheio. Farás, assim, do mal que eles te querem, Teu mais amável e sutil recreio…”
[Da Observação]

“O mata-borrão absorve tudo e no fim da vida acaba confundindo as coisas por que passou… o mata-borrão parece gente!”

Mário Quintana (1906-1994) foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Mestre da palavra, do humor e da síntese poética, em 1980 recebeu o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras (ABL) pela obra total. Em 1981, foi agraciado com o Prêmio Jabuti de Personalidade Literária do Ano. Sua biografia é tão singela quanto seus poemas: não casou, não teve filhos, viveu boa parte da vida em quartos de hotéis, passeava pelas ruas de Porto Alegre como qualquer anônimo e da cidade foi figura lendária. Faleceu na capital gaúcha no dia 05 de maio de de 1994, aos 87 anos, em decorrência de problemas cardíacos e respiratórios, deixando uma inestimável e singular contribuição para a literatura brasileira.